Trancoso: revisitando os clássicos

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Freqüento Trancoso desde o comecinho dos anos 90. Não sou muito enturmado, porque sempre passei pouco tempo e nunca vim no auge da muvuca, no réveillon. Mesmo assim, me sinto um pouco veterano.

E para relembrar Trancoso a.D. (antes da Daslu) não existe nada melhor do que eu fiz agora: me hospedar no Capim Santo, que fica no final de uma vielinha que sai do Quadrado.

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O Capim conserva a essência da Trancoso hippie, devidamente atualizada com os confortos da Trancoso chic. Mas sem se descaracterizar: o lugar não tem um pingo de afetação. Tipo assim — quem já usava Havaianas nas antigas não tem culpa de elas terem entrado na moda…

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Dessa vez me apigreidaram para a suíte master, que tem um quarto enorme e um banheiro que é mais agradável que muita sala de estar por aí. Na baixa temporada, custa razoabilíssimos 250 reais. (Os quartos standard, de tijolinhos branquinhos, saem 160.) O café da manhã tem tanta coisa, que justifica o buffet: parece um café colonial. Não consegui experimentar tudo em dois dias (e olha que eu tentei).

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Desde o fim do verão o Capim  (e outros pousadeiros) comemoram a vitória na Justiça contra os bares barulhentos das proximidades do Quadrado. O Pára-Raio foi fechado e já foi posto à venda. A perspectiva é de noites tranqüilas até na alta temporada.

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Apesar de ter sido o berço da jovem chef-revelação Morena Leite (hoje no Capim Santo de São Paulo), o restaurante mantém os pratos clássicos no cardápio. Eu aproveitei para repetir o primeiro prato que comi há 15 anos, um peixe com molho de iogurte que continua ótimo. Como há 15 anos, a moça que me tirou o pedido me perguntou se eu queria arroz branco ou integral. Mas dessa vez não senti nenhum olhar de desaprovação quando escolhi branco.

:)

Acabei ficando uma noite a mais do que o planejado em Trancoso, e então resolvi atravessar o Quadrado e me hospedar no outro clássico da vila, o Hotel da Praça, onde eu costumava dormir no século passado. Depois de algumas temporadas como Pousada do Quadrado — quando foi totalmente repaginado por Sig Bergamin — o lugar trocou de arrendatários, que resolveram voltar com o nome tradicional.

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A decoração foi refeita por Mucki Skowronski, uma das donas da deslumbrante pousada Fazenda da Lagoa, em Una. O restaurante, que, já na época da Pousada do Quadrado, recebia chefs de São Paulo no verão, foi rebatizado como Japaiano e entregue aos cuidados de Felipe Bronze, criativíssimo chef carioca, que elaborou um cardápio misturando Ásia com Bahia.

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Ficou tudo muito lindo. Mas gostei menos do que eu gostaria de ter gostado. Acho que a fase Sig tinha mais a ver com a pousada: a mistura de estampas do Taiti com objetos da Oficina de Agosto tinha produzido um visual tão fotogênico quanto despojado. Senti a nova ambientação, no geral, um pouco mais afetada do que o hotel comporta. Os quartos continuam pequenos (não tem como ser diferente) e com detalhes que não fazem jus ao preço (190 reais o quarto standard na baixa), como o chuveiro elétrico.

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Talvez se eu não tivesse ouvido dez minutos de briga em voz alta entre o cozinheiro e o garçom no início do meu jantar eu teria relevado o fato do meu sashimi de salmão com melaço de coco e capim-santo ter vindo com lâminas ainda congeladas. (Mas a caipiroska de banana, maracujá e canela estava sensaiconal.) De manhã também demoraram bem uns cinco minutos para tirar o rádio da AM popular de Eunápolis que emprestava cor local ao meu café.

Enfim, na comparação entre os clássicos, o Capim Santo reforçou a minha percepção de ser um lugar que amadureceu com sabedoria, sem perder a personalidade; já o Hotel da Praça me pareceu uma daquelas pessoas que vão ficando mais bonitas ao longo dos anos, só que à custa de muita plástica.

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68 comentários para “Trancoso: revisitando os clássicos”

  1. Desaconselho o “el gordo” do quadrado. O magrinho que faz as vezes de anfitrião do hotelzinho metido que já foi até capa de revista é péssimo.O lugar tem uma gastronomia que deixa a desejar o atendimento é pior do que qualquer pizzaria de esquina e você tem a impressão de que todo o tempo estão te vigiando.Uma pena porque a vista é o único que presta!

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