Ame-o e/ou deixe-o

Um papo bem interessante surgiu, neste fim de semana, na caixa de comentário de um post do mês passado sobre a Amazônia.
A discussão foi desencadeada por essa provocação da Dani G.:
Por que o brasileiro economiza pra conhecer as Zoropas e os Isteites, e acha que conhecer o Brasil com CONFORTO é caro? Por que gastar 3000-5000 euros pra conhecer a Europa ficando em hotéis mais-ou-menos é aceitável, e gastar 2000 reais pra conhecer o BRASIL é caro ?
Vejam bem, eu não acho turismo no Brasil barato, mas eu não entendo a PRIORIDADE que dão na hora da escolha… é mais chique dizer que foi a NYC do que até Manaus ou Alter-do-Chão, por exemplo? O que é mais importante? Conhecer os valores da sua terra, ou enaltecer as belezas do vizinho?
Imediatamente o post ficou quentíssimo, com muitas contribuições interessantes.
Para a Sylvia, “o Brasil vai estar sempre aqui”. Por isso aproveitamos para viajar para fora sempre que a ocasião se apresenta (na juventude, porque temos mais tempo de férias e mais disposição para encarar qualquer parada; agora, quando as passagens baixam ou o real se valoriza). No caso dela, ter deixado para visitar o Brasil depois de ter percorrido o mundo não alterou o resultado: “meu credo é viajar”.
A Dani retrucou: “Da mesma forma que o Brasil continua ‘aqui’, a Europa, Caribe e USA continuarão ‘lá’. O enriquecimento cultural de quem passa 30 dias mochilando na Europa é maior do quem fica 30 dias mochilando no nordeste, por exemplo? Não sou ufanista e nem estou saudosista, mas antes de meter a cara no que chamam de ‘mundo’ eu visitei o Brasil. E, aqui no chamado ‘mundo’ posso conversar com X,Y z Z dizendo que no Sul é assim e no Nordeste é assado. Acho a coisa mais triste alguém te perguntar peculiaridades do seu próprio país e você não saber informar, e ao mesmo tempo sabe de cor todos os pontos turisticos de Paris…”
No que a Mô, que detesta praia e mato, e já foi a quase todas as capitais brasileiras a trabalho (e voltou por conta própria a Belém e Manaus), foi direto ao ponto: “Gostoso é ir para aonde temos vontade e não para aonde acham que deveríamos ir. Como não sabemos jamais o dia de amanhã, no momento eu curto mais ir para aonde sempre tive vontade e não podia. O que há de errado nisso?”
Concordando com a Dani, a Carla2 encontrou traços culturais na preferência brazuca por viagens ao exterior: desde a colônia as classes abastadas mandavam seus filhos estudar na Europa; e no Sul e no Sudeste quase todo mundo tem origens européias mais ou menos recentes para conferir.
A maior declaração de amor às viagens dentro do Brasil veio da Flavia Penido, nossa LadyRasta: “Acho que tem dois fatores aí: a) preferência por um ou outro lugar; b) o conceito do que é viajar para você. Eu acho importante conhecer o nosso país até para conseguirmos saber quem nós somos, ou o que nos torna brasileiros; mas é um conceito meu. Como a Sylvia, acho que não importa o que se vê antes ou depois; mas como a DaniG, acho sim que as pessoas dão mais valor para o exterior do que para o Brasil. Eu até poderia dizer que isso advém de termos sido colônia, mas os EUA, por exemplo, não são assim — americano conhece normalmente os EUA antes de ir para a França ou para o Caribe. Sem dizer o que é melhor ou pior (não é isso em absoluto), acho que essa preferência pelos roteiros ao exterior tem um pouco a ver com a nossa baixa auto-estima sim. Que, paradoxalmente, só vai melhorar quando nos conhecermos. E para nos conhecermos…temos que viajar aqui dentro…”.
Meu pitaco: eu acho que a gente gasta dinheiro demais para viajar no Brasil em momentos errados (Réveillon e Carnaval), e gasta tempo demais reclamando de preços praticados em lugares remotos, de logística complicadíssima, como hotéis de selva e Fernando de Noronha, que seriam caros em qualquer lugar do mundo. Ao mesmo tempo, pouca gente está realmente ligada em descobrir as barbadas da baixa temporada — quando, sabendo para onde ir, o Brasil é uma pechincha.
Endossando a Dani, acho que a gente só considera um bom negócio viajar por aqui mesmo quando o Brasil está MUITÍSSIMO mais barato do que ir para o Exterior. Se custar só um pouquinho mais barato, o Brasil está caro…
Também acho que normalmente temos dois padrões distintos de conforto. Como aqui somos da casa-grande, não admitimos nada que pareça remotamente senzaliano. Já quando turistamos fora, topamos qualquer parada… Dificilmente ficaríamos em Copacabana num hotel equivalente aos que ficamos em Paris ou Roma (para citar três cidades de hotelaria ultrapassada e cara).
Aos “fatores culturais” apontados pela Carla2 e pela Flavia, eu acrescento mais um: a instabilidade econômica e monetária do Brasil, que faz com que a moeda passe alguns anos supervalorizada e outros tantos sem valer nada. É natural que a gente não queira perder a oportunidade de viajar para fora quando isso é possível.
Por isso, no final das contas, estou com a Mô — a gente deve ir para onde tem vontade e está podendo
(Só acrescentaria: desde que numa época favorável, hehe.)
E você, o que acha? Concorda com alguém aqui? Discorda? Muito antes pelo contrário?
Ajude a engrossar esse caldo, pufavô!




Vou engrossar o caldo da sopa com um exemplo: quando morei em Boston, dividia a casa com vários americanos (de perfil bem viajante mochileiro), e todos eles não cansavam de me perguntar sobre Amazônia e Pantanal. Eu já conhecia o Pantanal na época, mas nunca tinha ido a Amazônia – e sendo bióloga, isso parecia piorar tudo nos olhos deles. Então ficava muito chateada comigo mesma, de não poder responder às questões que eles colocavam.
Pra piorar a situação, eu, carioca da gema, que já morei no Rio por muitos anos, nunca tinha visitado o Pão-de-Açúcar… para eles, aquilo não dava pra entender mesmo. E eu envergonhada com a minha própria ignorância do país.
Nas primeiras férias de volta ao Brasil, tirei 3 dias para ser turista no Rio de Janeiro: comprei passe de turista, fui ao bondinho, ao Corcovado, passeei nos museus, enfim, vi tudo que nunca tinha visto mesmo morando na cidade. Foi maravilhoso, eu olhei o Rio por uma perspectiva que eu nunca havia apreciado. Um absurdo, mas verdade.
E comecei então a planejar minha ida a Amazônia (que foi em 2007). Hoje, fico mais tranquila quando posso responder as perguntas que os estrangeiros me fazem sobre lá, pelo menos com um pouquinho mais de conhecimento “real” do lugar.
E acho que a gente não deve deixar nunca de ser turista/viajante, mesmo na nossa própria cidade.
Uau! Posso fazer a linha sentimental (pra variar um pouco)? Sabe o que eu acho o máximo? Todo mundo conhece um zambilhão de blogs onde esse tipo de discussão já teria descambado pra baixaria fácil fácil. Aqui, apesar de divergências e de todo mundo ter personalidade forte e pontos de vista muito claros, a discussão sempre se dá, sempre muito elegantemente, no campo das ideias (eu adotei, não briguem #desacordo) e nunca vai pro pessoal. Resultado: esse tipo de reflexão linda que apareceu aqui…

Beijos
Concordo com a Mô: vontade + dindin são as variáveis importantes. Eu comecei a viajar tarde para fora do país por absoluta falta de grana. Já pelo Brasil, eu viajava desde de muito pequena, pois as famílias de meus pais são de regiões bem distintas que ficam a mais de dois mil km de distânica. Quando era maior, íamos ano sim/ano não de carro, percorrendo boa parte do litoral do Brasil. Lindo! Tenho excelentes lembranças dessas viagens. Por exemplo, conheci a Praia do Futuro/ Fortaleza quando não havia nenhum prédio lá….Alagoas? Muito antes de qualquer Rota Ecológica! O tempo passa! Adoro viajar pelo Brasil, mas, sim, quando posso vou para fora. Vivemos num país de dimensões continentais e a Europa me dá a chance de experimentar diversas línguas/culturas percorrendo distâncias relativamente pequenas. Quando posso, tiro minhas férias na baixa temporada, mas nem sempre dá. Acho que valorizamos pouco a América Latina/ Central, mas, além do conceito geral de que TUDO (de sabonete até os PhD) que vem da Europa/EUA é melhor, os preços das passagens áreas não ajudam! A não ser qando a gente tá sorte de pegar uma promoção!
Digo, DÁ SORTE!
Eu conheço bem o Brasil,quase toda a America Latina, e muito na teoria da Silvia, ja fui em muita carona de caminhão quando tinha 18/25 anos (incluindo uma até Belem, e depois uma carona num avião da FAB até Manaus), e acho que temos lugares marevilhosos e que devem ser conhecidos (e, olhe que até hoje vejo lugares maravilhosos que pouca gente conhece, como a última viagem para São Miguel Arcanjo que lembra as Serras Gauchas, com colheta da uva e tudo mais, e trilhas lindas para quem curte, a estrada parque e tudo a 160 km. de SP) … Só que não vejo em sentido em pagar 2000 Reis por um cruzeiro de 3 dias , ou quase 1000 dólares por um navio que deve ser no máximo 3 estrelas, ainda mais quando quem mora na região para 1/3 deste valor, isto sem falar na passagem, que bate o preço da Europa… E, cá entre nos a natureza da Aamzonia é bonita, mas na minha opinião monotona e pouco variada. Manaus como Cidade tem um teatro bonito, e uns casarões antigos, e alguns restaurantes de peixe muito bons, e nada mais (quem viu algo melhor, me conte por favor, para quem quer ver natureza, eu recomendo o Pantanal)… Acho pouco por muito dinheiro, independentemente do pais. O value, como dizem os americanos é ruim. Mas, isto não quer dizer de modo algum que devemos desprezar o nosso pais. eu acho que temos atrações e lugares que devem ser conhecidos, como por exemplo eu não vejo sentido em ir ao Taiti e não conhecer a rota ecológica. Quanto ao status, vai de cada um. Eu vejo muita gente indo a Disney com crianças pequenas, e pessoalmente acho mais interessante ir para Curitiba, e a região do Beto Carreiro, onde só para começar não se gasta os 200 dólares por pessoa do visto americano (além da viagem para SP ou RJ para quem não e da regiaõ). Mas, há pessoas que acham o maior status ter a foto do filho com o Mickey no escritório… Questão de gosto e de felicidade. Eu compro os bens materiais que me deixam felizes, e não porque me dão status, e penso o mesmo com viagens, sejam dentro ou fora do Brasil. A questão de viajar fora, pode até ser mais econmica do que dentro do Brasil, como ocorria até o ano passado com a Argentina, e para mim depende de clima, cotação do dólar, épocas em que tenho menos trabalho, mas que são picos no Brail, e não no exterior, como por exemplo o Carnaval…. Assim, eu acho que o Cruzeiro de 2000 Reais, como valor e experiencia, não vale a pena,exceto é claro, se voce tiver a grande vontade de conhecer a Amazonia… Mas, nese caso, pense na possibildiade de tomar um barco local, que é bem mais autentico, e vai custar BEM menos….
Ernesto, concordo com vc na maior parte. Como vc, viajei razoavelmente na minha adolescência pelo Brasil (naquelas roubadas inesquecíveis de carona), mas acho tb q chega uma hora q o pé coça para conhecer uma “cultura” diferente. (”cultura” entre aspas pq é o termo q as pessoas em geral usam p/ justificar. Prefiro costumes e rotina diferentes.) P/ poder contemplar o mundo como um todo, entende? E se relativizar perante ele. Até entender melhor as diferenças, compartilhar experiências.
Acho fundamental ir ao exterior. Se antes ou depois do Brasil, aí é escolha de cada um, do bolso que lhe compete e dos interesses individuais.
Por ex., minha tia é professora de história da arte. P/ ela, muito mais importante q ir a Amazônia ou aos Lençóis Maranhenses, é conhecer Roma, Grécia e afins, até para entender a história q chegou aqui. Acho q fica difícil generalizar num tema desses.
Riq, muito bem lembrada a questão da instabilidade monetária e econômica do Brasil. Me lembro que nas décadas de 70/80, viajar para fora do país era um acontecimento, e normalmente só ia quem tinha muita grana. Hoje até um pé-rapado como eu consegue comprar uma passagem, então é natural querer aproveitar a ocasião, pois a gente nunca sabe quando esses ventos podem mudar.
Também concordo com a Flávia que viajar pelo Brasil é o máximo. Faz com que a gente vá entendendo qual a nossa verdadeira identidade (como brasileiros).
Riqzinho, só não concordo quando você diz que Carnaval e Reveillon são as épocas erradas – para mim, são as épocas certíssimas!! É que faz parte da diversão estar onde metade do mundo está e a outra metade gostaria de estar!! Quero dizer que é supergostoso ter a rota ecológica só para si, mas também é gostoso fazer parte da “história”. Eu posso não ter ido à Amazônia (ainda!), mas posso contar para meus amigos estrangeiros sobre as 2 maiores festas do Brasil, vividas in loco: reveillon em copacabana e carnaval em Salvador. E cá entre nós: é um estudo antropológico e tanto!!
Carla, eu sou o primeiro a dizer que passar um Réveillon no Rio é o “hajj”, a peregrinação a Meca do brasileiro. E todo mundo que não for doente do pé deve, sim, cacifar os nossos carnavais.
O que eu acho que não vale a pena é viajar “no” réveillon e “no” carnaval para lugares onde não há nem réveillon nem carnaval, mas custam caríssimo. Muito do mito do “Brasil é caro demais” advém desses dois feriados…
Intindji Comandante! E concordo! Se é para curtir e gastar, sou da opinião que tem mesmo que enfiar os 2 pés na jaca! Mas pagar caro para um carnaval/reveillon mais ou menos, não dá!
Eu sou daquele tipo de pessoa que se você convidar para dar um pulinho ali em Pirapora do Bom Jesus (nada contra!
), vai falar: ‘Claro!’. Devo dizer que (quase) todos os lugares vão ter algum tipo de atrativo para mim e acho essencial variar ao máximo o tipo de viagens. Eu e Marc percebemos justamente nessa semana que temos um certo ciclo: um ano Brasil, o outro América Latina e outro Europa (queremos inserir Ásia neste ciclo, mas essa é outra história). Adoro poder perceber que posso ter experiências tão distintas quanto Chapada Diamantina e Turquia. Me surpreender é o meu objetivo maior quando viajo: acredito que não haja luxo maior do que poder experimentar tantas sensações (e sentimentos) diferentes como quando se está com o pé na estrada.
Mas essa visão ‘diversidade é tudo’ é muito particular minha e acho que se aproxima mais da visão da Mô: temos que ir para onde o coração está chamando (brega!). Ou para onde temos oportunidade.
Isso posto, sempre tento convencer aqueles que tentam desmerecer a terrinha. Há sempre muitos motivos: hotelaria ruim, poucos atrativos turísticos…Tem até aqueles que admitem que não querem sair do conforto da sua casa para ‘viajar pelo terceiro mundo’
Para esses eu sempre tenho vários bons motivos e fotos: Rio-Santos, Bonito, Serra do Cipó, Salvador e arredores, Jericoacoara, cidades históricas de Minas, Noronha, Petar, a já citada Chapada (que está entre as melhores viagens da minha vida)…
E falta muita coisa para ver? Um monte. Mas sabem que isso me deixa muito feliz?
Emilia, compartilho com vc essa “felicidade”. Com uma pequena dose de ansiedade – afinal, a vida é uma só – mas ainda assim, felicidade.
Lucia e Emilia, nem vamos descambar pro lado do “falta muita coisa” que começa a me dar palpitações
Gosto muito de viajar, tanto pelo Brasil como ao exterior.
Agora, convenhamos, abstraindo-se outros aspectos (usando as próprias palavras da Dani G.): Em regra, o enriquecimento cultural de quem passa 30 dias mochilando na Europa É MUITO MAIOR do quem fica 30 dias mochilando no nordeste.
Roderic, acho que o enriquecimento cultural não vem nem da mochila nem do local visitado. Vem da forma como você atua na viagem. É perfeitamente possível passar 1 mês na Europa só zanzando pelas ruas e tomando trens, sem grandes experiências culturais, gastronômicas, etc. Assim como é ultra-enriquecedor ir ao nordeste e conversar com as pessoas, provar da sua comida, do seu café, ouvir suas histórias e ver como elas enxergam o mundo. Ou seja, na minha opinião, o que enriquece a experiência é o que você faz dela, e não onde você faz.
Adorei sua resposta. Já fiz viagem de fim de semana, “ali pra esquina”, que foi inesquecível, coisa que me modificou. Pra lembrar a vida inteira. O que vale é a experiência que a gente quer viver. Abços
Eu acho que Brasil e exterior são culturas difernetes…
No meu caso, eu particularmente preferi ir primeiro para a America, para depois conhecer melhor a Europa e Estados Unidos,e Canadá, mas é mera questão de “o que toca mais”…. Era um pouco o sonho de repetir as aventuras dos livros, como o do Eduardo Gaeleano, ou os Diarios do Che Guevara, e de conhecer um pouco mais os vizinhos… Isto sem falar que com o dinheiro de 10 dias de viagem na Europa dava para viajar 30 pela America LAtina, e conhecer mais paises e Cidades. Mas, tudo tem seu gosto,e hora para ser feito… Migre para onde seu coração manda…. E, eu acho que 30 dias mochilando pela America Latina são uma experiencia cultural tão enriquecedora quanto ir para a Europa, embora sejam culturas diferentes…
Nossa, esse post me fez pensar bastante. Tenho uma viagem programada pra Amazonia em julho,mas está dificil sentir aqueeela vontade de ir. Morando fora, sinto a mesma coisa que a Lucia, quando as pessoas perguntam sobre a Amazonia. Como assim vc nao conhece? Mas o fato é que eu preferia mesmo uma semaninha no Rio.
Acho que meu problema nao é com o Brasil, mas sim com a selva.
No mais, concordo com a Carla 2, acho que a experiencia cultural vem de como vc faz a viagem e nao pra onde vc vai. Conhecer pessoas que vivem e pensam de um jeito diferente do seu é enriquecedor em qq lugar do mundo.
Para mim a ordem dos fatores nao altera o produto, o q vale é ampliar os horizontes, nao importa se no Brasil ou no exterior.
Qdo se mora um tempo fora ( estou há 7 anos na Alemanha ), conhecer o Brasil de norte a sul tbém vira um must. Só qdo se está longe é q se dá mesmo valor para o q temos. Fiquei babando com o post das praias de Alagoas… Mas por outro lado entendo os brasileiros q querem vir pra cá. Realmente aqui é um “parque de diversoes” para viajantes, tudo relativamente perto e culturas tao diferentes concentradas num mesmo lugar. Aqui se tem tudo junto : natureza, arquitetura, costumes, comida… enfim… Todo ano é a mesma coisa: assim q o tempo comeca a melhorar, todo mundo quer vir pra cá, já a partir de novembro, todo mundo quer ir pro Sul, é aí que a vontade de ir pro Brasil fala mais alto com certeza.
Eu conosco pouco de Europa: Irlanda, Inglaterra, Holanda, Francia, República Checa somente Praga e um pouco de Portugal. Eu gostaria viajar pela Europa, mais são viagens para fazer mais tarde, para fazer com ou sem avião e sem obrigaçãos laborales.
Eu gostaria conhecer: Canada, os Parques Nacionales de EEUU, conhecer melhor e mais o Caribe, Nueva Zelanda, a Polinésia, Austrália, conhecer a América central e do sul, Ásia e algums países africanos. Mas, por agora, as minhas últimas férias eu fou a Brasil!!!!. Para mim é um destino incrível por muitas razãos diferentes.
Sempre que programo os viagens eu comparo o próximo viagem com outros e eu vou onde eu quero/desejo ir de verdade. Agora eu programava ir a Bali ou República Dominicana…ou algo assim, mais despois de muito meditar, pensé que era muito turístico e que em Brasil ainda não chegou o turismo de massas ( por issas datas, ademais em o sul é inverno). Em o verão europeo é difícil encontrar praias sem pessoas em os destinos mais massificados, mas se você vai a Trancoso, Itacaré, ilha de Boipeba, Barra Grande etc… você encontrará as praias sem pessoas…e pode passear… meditar… desfrutar da natureza sem gritos…( em o meu país as praias é a natureza mais castigada)
Para mim é um privilégio viajar a um lugar como Brasil onde conjuga linda natureza, pessoas amávels, com bonitas pousadas e boas comidas.
Desculpem por o meu portugués-brasileiro. É terrível querer expressar uma idéia, um pensamento e não poder.
Há pessoas que adoran viajar a Ibiza, Formentera, Canarias, Republica Dominicana, México em julho e agosto e gostan das prais mais movimentadas e seus viagens são tão lindos e especiais como os meus viagens para mim. É uma sorte que não gosten as mesmas coisas. Em Espanha há um dito: para gustos, los colores. Sobre gostos não se pode ou deve discutir…
África, América, Europa, Ásia e Oceania. Gosto de viajar.
“Para mim a ordem dos fatores nao altera o produto, o q vale é ampliar os horizontes, nao importa se no Brasil ou no exterior.” [2]
Concordo em genero, numero e grau.
Acho que essa discussao pisa no calo de principalmente quem mora fora do Brasil (meu caso).
Quando era mais nova e ainda morava com meus pais, todo ano faziamos varias viagens diferentes, dentro e fora do Brasil. Meu pai eh um “road traveler” de coracao, e colocava a familia toda no banco de tras e lah iamos nos: do Rio a Salvador recortando a costa; interior de Minas; interior de SP; da Florida ao Texas, de Portugal a Alemanha.
Viajar era nosso “credo” [2], e nao importava pra onde.
Entao, logicamente viajar esta no sangue, e sempre me considerei uma pessoa que conhecia o Brasil razoavelmente bem, quando sai do pais.
Porem, assim como a Lucia falou, ao conhecer Europeus, Americanos e Australianos que ocnhecem seu pais MUITO melhor que voce mesmo, bate aquela vergooooonha, e vontade de conhecer aquilo tudo tambem. Tive um roommate Australiano que jah acampou nos Lencois Maranhenses, pescou piranha no Pantanal e asssistiu rodeio em Barretos.
Mas por outro lado, ele nao conhece a Australia tao bem quanto alguns viajantes nao-Australainos.
Oque prova que o problema nao eh soh dos Brasileiros, e sim um mal comum a quase todos (realmente os Americanos sao uma excessao).
Aqui em Londres conheco muitos Ingleses que nunca foram a Edimburgo, Franceses que nunca foram a Biarritz, e Espanhois que nunca foram a Formentera. Afinal, oque eh “de casa” sempre estar logo ali, e teoricamente, oportunidades nao faltarao.
Hoje em dia, tenho muita, mas muita vontade mesmo de conhecer um pouco mais do Brasil, e levar meu marido junto, mas nao dah pra discordar que o fator “preco” influencia demais!
No meu caso, o fator viajar “pra fora” em termos de cotacao do dolar e valor da moeda nao influencia muito, jah que jah estou aqui fora mesmo (Londres), e isso deixa o custo numa perspectiva ainda pior!
Viajar no Brasil realmente eh muito caro, nao dah pra negar!
Qualquer passeio que tentamos planejar dentro do Brasil, sempre sai infinitamente mais caro doque qualquer outra coisa que planejamos fazer por aqui, entao sempre acabamos mudando os planos, passando uns dias com a familia, e deixando pra gastar nosso dinheiro em outros lugares do mundo.
Nao dah pra concorrer e sequer pensar em viajar pelo Brasil quando uma viagem do Rio a Foz do Iguacu custa mais caro doque uma viagem Londres – NY!
A questao nao eh oque eh melhor e mais interessante, ou se a “cultura” eh mais ou menos diferente. NO meu caso, eh uma questao logica de matematica mesmo!
Espero que realmente o Brasil “continue lah”, e espero que um dia consiga conhecer meu propri pais tao bem quando conheco outros paises, mas o mercado de turismo do brasil vai ter que mudar e evoluir bastante pra isso acontecer.
Abs
Adriana Miller
Pra mim a história foi um pouco mais complicada que isso: como meus pais aportaram no Brasil ( pai polones, mãe russa nascida e criada na China – conheceram-se na China e lá casaram-se) para fugir do comunismo, eles sempre passaram pra mim a idéia de que o Brasil foi “uma falta de opção” para eles. Esquecendo-se do detalhezinho que o Brasil, sendo o Brasil, os estava acolhendo de uma mega-fria! De que qualquer lugar era melhor e mais bonito do que o Brasil. Eu, ariana que sou, quis provar que eles estavam errados. Ou, no mínimo, que eles conhecessem bem antes de julgar. Então joguei-me, com a inocência e inconsequencia da idade, nas boleias, onibus, barcos, qualquer coisa que se movesse, na verdade, e fui conhecer o Brasil. E conheci: norte a sul, leste a oeste. Quando a situação permitia, até de avião ( felizmente quando se tratou de ir pro Norte e Nordeste já dava pra pegar um voozinho noturno…). Se eu conheço tudo? Claro que não. Mas conheço o suficiente pra dizer: como é lindo esse Brasil. Que coisas belas temos aqui. E, sim, porque não? Que coisas belas existem no resto do mundo.
Eu concordo com essa intermediária: o importante é ir para onde se quer. Estou numa fase Europa, apesar de ainda ter metade do Brasil para conhecer. O que eu quero ver atualmente está lá. Depois, eu volto a viajar aqui, ou não
Tb concordo quando se debate que a exepriência sempre pode ser enriquecedora a depender de quem a faz. Não importa o lugar, quando o seu guia é sua vontade, tudo vale a pena.
Sobre a questão do custo, acho que a instabilidade da nossa noeda acaba sendo o norte. Eu entendo quando a Sylvia diz que o Brasil vai estar sempre aqui (foi ela, não foi?) no sentido de que sempre será mais acessível que a maioria dos países no exterior. Talvez por isso, ultimamente, temos achado “caro” ir ao Natal de Gramado ou passar a virada do ano em Pipa. Como eu disse antes, meu momento é Zoropa, porque no fundo, eu sei que quando eu quiser voltar ao turismo interno, ele ainda estará como eu o deixei:)
Bom, concordo com a posição da Dani. Temos tantas coisas lindas por aqui e tantos meios de enriquecer a nossa cultura…Só precisamos (como disse o Riq) achar o timing certo de conhecer (sem ser feriadão e reveillon, carnaval, etc.). Já tive esse tipo de discussão com um colega meu, que acha “super barato” passar 4 noites em NY num hotel mequetrefe (ele ficou no Carter Hotel!!!) e pagar quase R$ 5000 nessa empreitada, do que pagar menos da metade por uma semana numa pousada bacana no Nordeste. O Brasil sempre vai estar aqui, concordo, mas os outros países sempre estarão “lá” também, como alguém já disse. Lógico que quando surge uma oportunidade muito boa (o dólar mais baixo, etc), não podemos deixar escapar, mas não podemos nunca deixar de valorizar o nosso “quintal”.
Temos que contar a influência da mídia. A Europa é glamourizada por filmes e novelas, enquanto que o Nordeste brasileiro apenas para humorísticos fazerem graça em cima de estereótipos. Até mostram as belas paisagens, mas não tem o mesmo impacto de requinte.
Eu sou como a Emília: se deixar viro turista até no quintal de casa! Na minha região não tem muitas cidades interessantes por perto, então já fui turistar até em Uberaba! E cada vez que vou a BH faço meu namorado me levar em lugares em que ele, belorizontino, nunca foi. Mas realmente isso é muito pessoal. Só não conheço a Europa ainda porque com o $ que gastaria lá eu viajo muito pelo Brasil e restante da América do Sul. Esses dias postei no meu blog que eu não sabia se tinha mais vontade de conhecer a Estrada Real, a Patagônia ou a Rússia. Viajar é sempre bom!!! Mas fala que não é uma delícia percorrer nosso próprio país, de preferência de carro, falando nossa língua, pagando em Real e podendo ligar pra casa a qualquer hora? E o Brasil, tirando poucas exceções, é muito barato sim (fora de temporada).
Resumindo: é muito mais xique perante aos demais dizer que foi a Paris do que ao Rio, por exemplo…muito embora o Rio seja infinitivamente mais bonito que Paris.
Parafraseando a Adriana: “Quando era mais nova e ainda morava com meus pais, todo ano faziamos varias viagens diferentes, dentro e fora do Brasil. Meu pai eh um “road traveler” de coracao, e colocava a familia toda no banco de tras e lah iamos nos: do Rio a Salvador recortando a costa; interior de Minas; interior de SP; da Florida ao Texas, de Portugal a Alemanha.
Viajar era nosso “credo”, e não importava pra onde.”[2]
Essa sempre foi minha vida, viajar, e hoje vejo que aprendi a viajar melhor do que meu pai, que de tão aventureiro é avesso a programações.
Eu posso dizer que conheço bem o Brasil, inclusive de mochila, na tenra juventude, sem conforto algum, mas isso nunca me impediu de viajar para fora. Não acho que uma coisa tem que vir antes ou depois da outra.
Acho que existe o “Brasil para gringo ver”, como resorts 5 estrelas no Amazonas e Pantanal, hotéis e pousadas carérrimos em Trancoso, o que a Alexandra Forbes chama de “Wallpaper traveling” (e até em Ilhabela e Sibaúma), pacotes horríveis para o Carnaval e Revellion no RJ, e confesso que dessas coisas eu quero distância.
E tem o Brasil para nós, brasileiros conhecermos, com boas pousadas em Ouro Preto, zilhões de atrações bacanas em Curitiba, praias lindas ao redor de Parati, o mar azul das Alagoas, etc, etc…que tb são pedaços lindos do nosso país…não conhecer a Amazônia ou o Panatanal (eu conheço a Amazônia, mas não o Pantanal), não desmerece ninguém, desde que exista o interesse pelo nosso país, que é mais que a Amazônia e o Pantanal.
Fabio: acho que Riio e Paris são cidades lindas, cada uma à sua maneira…
Emília: eu também faço turismo em qualquer lugar e me divirto sempre! Mas acho que isso tem a ver com o o que a Sylvia falou lá atrás: que para nos conhecermos, não precisamos ir tão longe assim…
Sylvia: já tava muito tarde, mas antes de dormir lembrei da Jane Austen, que morreu solteira, foi a Londres no máximo 2 ou 3 vezes NA VIDA e no entanto tinha uma sensibilidade para captar o humano (e os laços que formam as relações afetivas) como poucas pessoas o conseguiram…(tá tá, off topic, já parei!)
Além de Manaus e Belém, amo Londrina, Maringá, Florianópolis (acreditem), Porto Alegre (que não canso de dizer que é linda), o Rio, Vitória, Salvador, Petrópolis, Campos do Jordão, Gramado, Curitiba, Natal, Recife, Fortaleza, só para começar.
Além destas, já estive em mais de 200 outras cidades, grandes, pequenas, limpas, sujas, com um povo querido, outro nem tanto, cheia de coisas para fazer, tendo que dormir as 20h porque não tinha nem boteco aberto, ficando em 5 estrelas, dormindo em pensão, chegando de carro, avião, barco, ônibus, a pé.
O Brasil é lindo, mas a beleza está nos olhos de quem vê.
Muitas vezes nossos olhos estão apontando para um outro lado e continuo achando que não há nada de errado nisso.
Quando menina, meu sonho era ir à Disney. Não pude, só fui com quase 30 anos. Sim, eu tinha outras opções, mas fui porque queria e o que tem de errado nisso? Me diverti horrores, foi uma das melhores viagens da minha vida.
O que eu acho é que tem pessoas que não aproveitam seu $ da melhor maneira na minha opinião. Mas o que eu tenho com isso afinal?
A Carla2 resumiu super bem o que eu gostaria de dizer para complementar: “Ou seja, na minha opinião, o que enriquece a experiência é o que você faz dela, e não onde você faz.”
E sinceramente, você pode não fazer absolutamente nada dela, em qualquer parte do mundo e ainda voltar pensando que foi excepcional.
Pessoas são diferentes, com interesses diferentes, com sonhos diferentes, aproveitando os mesmos lugares de maneiras diferentes. Eu não vou dizer que o que é bom para mim é para outro. Mas nem em sonho!
Riq, sou aqui de Recife, não sei se você lembra de mim, de vez em quando te perguntou alguma coisa (a última foi quando vc viria por aqui, pra gente reunir o pessoal que te acompanha nas terras de cá). Queria te fazer uma pergunta besta (talvez bem ignorante), mas na calorosa briga com meu namorado, eu prometi que iria perguntar. Afinal de contas, a água do Caribe é diferente (mais transparente, azul e verde realmente diferente) do que a dos Carneiros (onde estávamos no momento da dúvida), Toque e/ou outras praias brasileiras? Vale a pena a experiência de sair daqui pra ir lá dar uma olhada pela água?
Tati, só em Arraial do Cabo temos a areia branca-cor-de-talco que proporciona a transparência do mar do Caribe e da Polinésia.
Para quem presta atenção nessas coisas, eu acho que vale a pena ir pelo menos uma vez para ver ao vivo.
Vale também para valorizar o que deixamos para atrás, e vamos sentir falta durante toda a estada: a caipiroska, o queijo coalho, a roupa de banho dos que nos cercam (você vai se sentir mal no seu biquíni brazuca, seu companheiro de viagem vai se envergonhar de estar de sunga), a natureza, a posssibilidade de sair andando para qualquer lado sem encontrar nenhuma barreira de condomínio ou resort (em poucos lugares do mundo as praias são públicas como no Brasil).
Viajar é viajar. Esse ano pretendo transformar as 160 mil milhas que juntei para a tao sonhada viagem a Europa em 4 viagens legais para o Brasil e America Do Sul, pois não conheço Curitiba e Manaus, e nem Buenos Aires e Santiago. Mas se tá dando pra ir pra fora, pra fora iremos.
Delicioso este tópico de reflexão, pois a dicotomia apresentada pode ser aplicada a tudo! Por que achamos que o vinho chileno é mais “chique” do que o brasileiro? Estamos lendo nossos autores ou os best-sellers internacionais? Nossas roupas estão fortalecendo a economia local ou buscamos roupas baratas que estão enfraquecendo as crianças indianas? Acho que a questão central é cultura/identidade nacional versus experiências de vida proporcionadas pela viagem. Viajar é um grande investimento. Tempo, dinheiro, esforço… E todos temos uma noção subjetiva do retorno que queremos com o nosso investimento. É tão simplista e relativista dizer que quem viaja para o exterior desvaloriza o local. O legal de ser humano é poder ser individual. O valor simbólico que eu crio para alguma coisa é só meu, e isso não vai desmerecer o valor simbólico que você criou para outras coisas… Se quando eu for para Nova Iorque eu conseguir crescer como pessoa, eu volto melhor, e consequentemente melhoro o meu relacionamento com o local onde vivo, e consequentemente posso melhorar o meu país. Substitua Nova Iorque por qualquer cidade, e o resultado é o mesmo. A questão central da discussão, na minha opinião, deveria ser a bagagem que cada um traz de uma viagem ( simbólica, claro!)Esta bagagem nunca terá excesso! A minha viagem para Paris pode ser tão superficial quanto a sua para Maceió.Ou não! Valorizar o nosso país não significa ficar limitado às suas fronteiras!
Eu concordo com a Mô, no sentido de que devemos realmente fazer o que nos dá vontade, independente do lugar. Eu vim passear na Espnha, 2 anos atrás, e fiquei morrendo de vontade de voltar. Acabei vindo estudar e estou aproveitando pra conhecer tudo que dá. Mas depois que a gente sai do nosso país é que realmente damos valor, entendem? Eu agora estou com muita vontade de voltar e conhecer mil coisas que não conheço no Brasil. Sou de Fortaleza e nunca fui ao Rio, por exemplo. Mas em compensação sou rata de Salvador, conheço tin tin por tin tin. Mas é isso. Vai te dando vontade de conhecer os lugares a medida que o tempo passa. Também acho super normal querer conhecer a Europa dos livros, da história. Porque, querendo ou não, aqui tá o berço de tudo. E eu acho que quem tem condições tem que vir sim. Porque assim temos a oportunidade de nos entendermos (principalmente se conhecermos Portugal) e, talvez por causa disso, ficamos com mais vontade de conhecer de onde viemos, o nosso Brasil.
Marco cavalheiro, você faz uma exposição do tema que eu acho muito interessante! Um saludo
Essa é uma questão muito interessante que envolve diversos argumentos. Me lembrou os discursos um pouco radicais da minha mãe dizendo que só devemos sair do Brasil depois de viajarmos muito por aqui.
Viajar envolve muitos fatores, desde sonhos e imagens que criamos até planejamento financeiro. Sempre que começo a planejar meu próximo destino de viajem levo vários pontos em consideração.
Como a Sylvia disse, quando somos mais jovens e descomprometidos com alguns padrões de conforto, muitas vezes, é mais fácil viajar para fora do país. Ainda mais porque não temos grandes responsabilidades que nos prendam por muito tempo aqui, seja trabalho, familia, financiamentos habitacionais…
Não viajo por status. Não viajo para fora porque me sinto melhor e muito menos para sair contando o que achei de Paris… Viajo para destinos que me chamam a atenção, que me proporcionem experiencias “culturais”. Encaro isso tudo como um grande investimento que fazemos para nosso próprio crescimento pessoal seja através de uma viagem para o interior de SP ou através de uma viagem para a Asia.
A Dani no começou da discussão soltou que a grama alheia sempre é mais verde.
Os brasileiros vão até Paris, NY e acham o máximo aquelas ruas chiquerrimas, com a alta moda em exibição.
Os europes, por sua vez, acham incrível a forma como alguns brasileiros fazem compras.
Estou lembrando, que no mês passando quando estava chegando em Salvador, vindo de Arraial D’Ajuda via Itaparica, acompanhado de um mochileiro de Barcelona, notei o fascinio que ele estava tendo com a Feira de São Joaquim, e eu aterrorizado com aquela zona e o horrível cheiro de peixe fresco.
Perguntei pra ele, “Alex, acha bonito”, ele me falou. “És muy autentico” E de fato era, apesar do cheio insurportavel.
Eu acho que é isto, o que nos fascina é encontrar em alguma viagem o oposto que temos contato frequentemente, a sensação de viverciarmos uma cultura e cenários diferentes é fascinante, mas para isto não precisa atravessar o Atlântico não, (embora não vejo mal nisto) temos a sorte de ter um país plural!
Para quem está no Brasil, vijar por aqui definitivamente não é tão caro, ainda mais se prestarmos atenção nas barbadas. Acabo de voltar de Bento Gonçalves… Me hospedei na pousada Borgheto Santanna e não tenho do que me queixar. Charme, cuidado com os mínimos detalhes, tratamento tão particular e personalizado que no segundo dia o labrador da pousada já ia no meu quarto me acordar com uma sessão de chamegos e lambidinhas, ao passo que outros hóspedes nem sabiam que tinha um cachorro na pousada (ou seja, pra quem gosta ele estava ali, mas não incomodava quem não devia). A paisagem é exuberante, comi extraordináriamente bem todos os dias, sempre com vinhos/espumantes nas refeições, comprei vários vinhos/espumantes/chocolates/embutidos e gastei R$ 1500,00 no total, incluindo passagem Rio-Poa-Rio, hospedagem e carro alugado (6 noites de viagem). Com esse mesmo dindin, eu não pagaria nem minha passagem pra qualquer destino USA/Europa. E mesmo que eu fosse pros já conhecidos Chile e Argentina, duvido muito que conseguisse colocar a mesma qualidade gastronômica e hoteleira nesse orçamento… Mas Bento Gonçalves era pra onde meu coração estava me mandando ir de qualquer forma, então não acho que minha opinião valha muito mais que um relato de viagem…
Esqueci de falar: linda a foto do post. Como sempre.
Como a Emília e o Marc, eu e a Mel procuramos alternar os tipos de viagem: cidades hitóricas, natureza, grandes metrópoles, velho mundo… E tem sido bem legal assim!
Neste caso, acho que o problema mesmo é simplificar… Não é necessário conhecer “todo o Brasil” antes de fazer uma viagem ao exterior. Nem achar que o Brasil é o lugar mais lindo do mundo. Ou que por aqui nada presta.
De resto, tendemos a valorizar o que é diferente. Adoro Paris ser uma cidade de prédios baixos e meio “monocromática”, e estrangeiros fazem tour em favelas.
(Ouvi uma história de europeus se encantarem com o fato de aqui cada um poder fazer sua calçada de um jeito – fato devidamente registrado em fotos e vídeos para mostrar na volta.)
Cheguei tarde na discussão e agora tá difícil ler e acompanhar tanto comentário. Só queria deixar minha opinião. Viajar sempre, seja no exterior ou por aqui mesmo. Só nunca vou entender nem respeitar pessoas de poder aquisitivo alto que nunca se deram ao trabalho de fazer uma única viagenzinha pelo Brasil. Pensamento do tipo: não fui e não gostei. Estou cansada de pessoas (bem próximas por sinal) que viajam ao exterior duas a três vezes por ano e NUNCA foram a LUGAR NENHUM aqui dentro do Brasil. Alegam que é muito caro (!!!) que é muito desorganizado e sujo(!!!). Tem pessoas que não se limitam a não viajar pelo Brasil, estendem seu pensamento de colonizado a toda América do Sul. Acho muito pequeno (além de burro) este pensamento que o que está no exterior (entenda-se: EUA, Canadá e Europa) é melhor, mais organizado e mais limpo do que temos aqui. Confesso que também estou tentando controlar minha xenofobia, pelo menos tenho consciência dela e aos poucos dou meus pulinhos por aí.
Não quis ofender ninguém, só gostaria que as pessoas se dessem mais oportunidades. Tentassem reconhecer o valor da sua terra natal e das outras pessoas que aqui moram.
Bjs a todos,
Parafraseando a Paula, que por sua vez me parafraseou: “Essa sempre foi minha vida, viajar, e hoje vejo que aprendi a viajar melhor do que meu pai, que de tão aventureiro é avesso a programações.
Eu posso dizer que conheço bem o Brasil, inclusive de mochila, na tenra juventude, sem conforto algum, mas isso nunca me impediu de viajar para fora. Não acho que uma coisa tem que vir antes ou depois da outra.
Acho que existe o “Brasil para gringo ver”, como resorts 5 estrelas no Amazonas e Pantanal, hotéis e pousadas carérrimos em Trancoso, o que a Alexandra Forbes chama de “Wallpaper traveling” (e até em Ilhabela e Sibaúma), pacotes horríveis para o Carnaval e Revellion no RJ, e confesso que dessas coisas eu quero distância.” [2]
Tudo isso enquanto eu dormia ? Geeennti , falando sério , dormir é perigoso e uma super perda de tempo !!
O Brasil na baixa temporada é imbatível. Lugar nenhum vai sair do lugar, o importante é estar com saúde para aproveitar, ajustar o financeiro dentro daquilo que a gente pode e realizar o que deseja. Esse ano fui em janeiro para Rota/Maceió, em julho vou conhecer Bonito e em setembro Lagos Andinos. Tudo ajustadinho para não impactar meu orçameno e me deixar feliz.
Só pra LEMBRAR, minha dúvida inicial é pq o brasileiro acha CARO viajar para o Brasil, mas gasta muito mais viajando para o exterior.
Tb acho que cada vá para onde quer. Acho que conhecer a Europa e outros lugares é uma coisa que todo mundo deve fazer um dia na vida. Mas, conhecer o próprio país tb deve estar no roteiro, mesmo sendo CARO, há muito lugar que vale a pena.
Estou gostando de ler a opinião de vcs todos, cada um com suas idéias, princípios e desejos.
Éééééééé… essa pergunta é mais difícil.
Mas eu acho que passa por falta de auto-estima, sabe. Brasileiro não valoriza muito o que tem. É aquela tal história de comprar tênis importado, lindíssimo e caríssimo, e depois olhar a etiquetinha e ver o Made in Brazil. Achamos que o melhor é sempre o lá de fora mesmo.
Eu fantasiei muita coisa sobre o “estrangeiro”, e só indo pra lá que vi que não era melhor que aqui – apenas diferente. Então em 2009 estou apostando no sul baiano, e meus reaizinhos ficarão em solo nacional, muito bem gastos. Ano que vem, de repente, é estrangeiro de novo. O dinheiro provavelmente será o mesmo, mas a viagem não pior ou melhor – apenas diferente.
Olá!
Interessante a discussão mesmo… em casa, sempre ficamos na dúvida entre aqui e lá. Nossas últimas viagens foram para fora acho que pelo fato que já havíamos feito as diferentes regiões pelo Brasil. Assim, com o câmbio melhor e com a vontade de conhecer outras culturas, paisagens, passeios etc., ficou mais fácil decidir ir para fora. Mas em nosso “currículo”, posso dizer que estamos 50%/50%, sem preferência por aqui ou lá… nossa única meta tem sido não repetir…
Agora não podemos deixar de lembrar que muita gente por aqui dá mais valor pelo que é de fora. É produto importado melhor que o nosso… é viagem para o exterior melhor que a nossa… bom, mas isso já é um pouco cultural, resultado das décadas de isolamento que o Brasil deixou para trás. Com a manjada “globalização”, a vontade de conhecer o novo e o mais longe possível, com um certo “medo de acabar” também chegou…
Até mais!
Fabio Medeiros
mundosdomundo.blogspot.com
Twitter: @mundosdomundo
Eu concordo com o Fabio e acho que sempre existe uma vontade de se conhecer algo diferente do que você já vive no dia a dia. Eu já viajei bastante pelo Brasil e pelo exterior e não escolho meus destinos baseados no que é chique ou se estou valorizando o meu país ou não. Eu vou para onde tenho vontade e onde acredito poder ter experiências diferentes, independente de quais sejam (as promoções também influenciam
). Eu moro no Rio e nos 30 dias de férias que tenho procuro vivenciar algo diferente dos outros 335, seja onde for. É obvio que o exterior tem mais opções para me proporcionar essa experiência, até pelo tamanho do nosso planeta, mas o Brasil também tem.
A questão de achar caro viajar pelo Brasil não é só uma questão de valorização ou não do nosso país, mas, no meu caso, uma questão estritamente econômica. Se você está viajando para um local mais perto, onde as companhias aéreas tem um custo menor, onde os hotéis tem um custo fixo menor e o custo de vida é mais barato, deveria custar bem mais barato. Não tem nada a ver com a valorização do local. A questão é que moramos em um país cuja custo de vida e salários são bem menores que em outros países, por isso esperamos que os preços para viajar reflitam isso. É tudo uma questão de referencial. Basta fazer o seguinte exercício para saber se o Brasil é caro ou não. Quem gasta menos para viajar: um europeu (ganhando em euros) pela europa ou um brasileiro pelo Brasil?
Acho que nesse assunto, como em quase tudo na vida, a virtude está no meio. Desde que se po$$a, o ideal é equilibrar os destinos nacionais e estrangeiros. Cada viagem é uma experiência, cada destino tem sua atração. Tenho focado no exterior por um motivo prático: ainda não tenho filhos e isso torna tudo muito mais fácil. Se e quando eles vierem, provavelmente o foco seja mudado para o Brasil, porque fica mais fácil. Mas isso, contudo, não me impede de achar o Brasil um lugar caro. Algumas vezes muito caro.
Eu concordo com a Mô….viagem a lazer deve ser planejada com espírito de lazer mesmo: quero conhecer, posso $$$, vou. Que delícia que é viajar na viagem sonhada. Agora, se estou com vontade de conhecer a ararinha azul em seu habitat ou passar uma tarde no D’Orsay, escolho sem me preocupar em que continente fica.
Excelente discussão e pontos de vista mas também fico com a Mô: “Gostoso é ir para aonde temos vontade e não para aonde acham que deveríamos ir”. A isto chamamos LIBERDADE de escolha! Para quem quer sair por aí, até fazer turismo em sua própria cidade vale. Abraço a todos!
Minha vez de dar pitaco. Comecei a viajar já com 25, tarde para os padrões da galera. Neste tempo, a América do sul estava mais barata, então já passei por muito lugar do norte peruano até a Patagonia, mas do Brasil que é bom, só conheço um pouco (infelizmente).
Agora, chegando as 30 no final do ano, começo a pensar em filhos, em gastos futuros maiores, onde viagens para o exterior talvez não caibam no orçamento. Por isto, estou desesperado para ir o mais rápido possível para Europa ou até EUA, enquanto ainda tenho condições de juntar uma grana.
Para mim, tudo é momento. Hoje, eu acho que consigo ir para fora, mas daqui uns anos, com filhos começando a estudar, aí sim devo aproveitar para finalmente conhecer o Brasil. Ou seja, concordo que viagem é ir para onde se tem vontade, mas que precisamos estar no momento para fazer isto, precisamos. Principalmente momento financeiro….
No meu caso, parei para pensar sobre isso quando eu morava em Sydney e um Australiano falou maravilhas do Pantanal e o brasileiro aqui nem conhecia.
Quando voltei pro Brasil saí correndo pro Pantanal e para as capitais do Nordeste que eu não conhecia. Ainda falta muito, mas viajei bastante pelo Brasil depois disso!
1) Quando viajo gosto de trocar, conversar, perceber diferenças e similaridades. Gosto de descobrir minúcias, ver jeitos diferentes de lidar com a vida e com a rotina. Viajo para aprender (não no sentido “livro de História” da coisa, mas para aprender para a vida mesmo).
Sendo assim, imaginaria que, indo para lugares onde há outra língua, outra cultura, o tal nivel de aprendizado seria maior. Mas hoje não sei se é assim, necessariamente.
2) Voltei da Europa com um sentimento de “eu amo meu país” que eu nunca tive. Me diverti horrores por lá, e foi uma das experiências mais importantes da minha vida. Mas, sei lá, existe um componente humano aqui que não existe em qualquer outro lugar que eu já tenha visitado. Clichê, clichê, mas precisei ir até lá longe para descobrir isso. Moro no Rio de Janeiro, e senti uma falta danada de chegar em qualquer lanchonete ou restaurante e falar como falo numa casa de sucos qualquer daqui: “E aí, cara, beleza? Pô, o que tem de bom hoje?”. Era tudo pá-pum, sem muito espaço para cordialidades (CLARO que depende do lugar, da cidade, da loja, do humor do atendente… mas no geral era isso.)
3) Fiz o tal mochilão em outubro/08 e decidi que as férias desse ano eu passaria aqui no Brasil. Pesquisei, pesquisei, pesquisei, contei com “ajuda superior” (né, Riq!) e lá vou eu para 12 dias entre Trancoso e Arraial D’Ajuda. Estou feliz da vida, vai ser uma viagem de descanso e “retiro espiritual”, mas, ainda nesse espírito mochileiro, fiquei um pouco chateada de não conseguir estender a viagem e transitar entre cidades ou estados tão facilmente quanto transitei entre países quando estava na Europa. Talvez as informações simplesmente não sejam tão acessíveis pela Internet, de repente in loco eu conseguiria descobrir formas mais práticas/baratas de ir de um lugar para o outro. Também entendo que, né, nosso Brasil é imenso, não serão cidades grandes e é natural que as coisas custem mais caro e sejam menos simples. Mas, não sei… gosto de planejar tudo com antecedência para evitar imprevistos, vou viajar sozinha, não dirijo, então penso que um pouco mais de estrutura e de informação oficial para o turista no Brasil não faria nada mal.
4) Devo confessar que, mesmo nessa fase pessoal super “tropicaliente”, essa promoção louca da CVC/TAP de 1 real de entrada e parcelas de 8x, com pacotes baratíssimos para a Europa, me deixou assim meio desestabilizada emocionalmente. hehehe
5) Last but not least, acho que qualquer viagem é válida. Para um pulinho em São Paulo, pelo Brasil afora, para a Europa, pros Estados Unidos, e para onde mais for. Para fazer compras, para ver o Mickey, para ver pontos turísticos, para se isolar do mundo, para desvendar o desconhecido, para rever um parente. A gente cresce cada vez que faz as malas, se despede e parte.
O que vale mesmo, como alguém por aí bem disse, é a gente respeitar nosso momento e ir praonde der na telha!
PS: Meus pais me levaram para a Amazônia quando eu era pequena, então sinto como se já tivesse cumprido uma espécie de dever cívico.
Vou tentar colocar sucintamente minha experiência aqui tentando evitar a pieguice. Com 14 anos eu, que adorava mapas, mas pouco tinha viajado com a família, comecei a andar pelo Brasil para visitar amigos diversos e mesmo para andar e conhecer lugares. De ônibus, e sozinho, antes dos 18 anos já tinha visitado a maioria dos estados brasileiros, sem fazer nenhuma loucura do tipo pedir caronas ou coisas do gênero, sempre fui organizado, tive problemas para conseguir dormir em hotel sendo “de menor”, mas tive muitas experiências legais. Aos 21, já tinha conhecido todos os estados à exceção do Acre, Amapá (esse saiu da lista dos “desconhecidos” depois) e Rio Grande do Sul. Junto com amigos, explorei por 10 dias as praias do Sul da Bahia de carro. Sozinho, visitei um garimpo de cassiterita semi-ativo, o lugar potencialmente mais surreal que conheci (água azul da reação com os minerais, paisagem “semi-lunar” etc.). Ao mesmo tempo, já tinha visitado Brasília (para mim, o ambiente urbano mais injustamnte ignorado pelos turista brasileiros no próprio país), Rio de Janeiro, Salvador e uma série de outros lugares. Acumulei seguramente uns 115.000 km viajando de carro pelo país a turismo. Eu realmente conheço o Brasil, posso dizer, sejam praias badaladas no Nordeste ou lugares desesperadamente ignorados no Sul do Pará ou cidades fundadas depois que eu nasci no Mato Grosso.
Depois, tive oportunidades de viajar pela Europa e EUA, seja para Manhattan, Londres, Roma, seja para uma vila sonolenta a 3.400m de altitude entre a França e Itália. Minha quilometragem de carro aqui no Velho Mundo ainda está baixa, acho que nos 30.000km (eu adoro dirigir, não gosto de trem e de transporte público em geral (evito sempre que posso), e se tiver tempo troco fácil 2h de vôo por 15h no carro). Moro na Itália (em caráter permanente) e posso dizer que quero conhecer esse país na mesma intensidade com que conheço o Brasil.
Enfim, já conheci pessoas que pensam nos dois “fronts” relatados aqui, e acho que há um exagero recíproco. Tenho vários amigos que “mochilaram” pela Europa e fizeram viagens altamente estressantes dada a obrigação de tirar fotos de todos os lugares famosos dos seus pontos de parada, em um frenezi turístico do qual eu passo longe. Ao mesmo tempo, conheci pessoas que viajaram em busca de algo “existencial” sobre o Brasil para algum lugar no interior e se decepcionaram com o “caráter moderno” de Alto Paraíso de Goiás ou “o estrago da energia elétrica” em uma ex-praia deserta.
Na minha modesta opinião, o que está errado não são os destinos, mas a motivação das pessoas que viajam. Viajar é bom por uma infinidade de diferentes (e conflitantes) motivos, razões e circunstâncias. Todavia, muitas vezes as pessoas embarcam em busca de uma experiência quase transcedental, e se decepcionam no Brasil, na Europa e em alguma ilha perdida do Pacífico.
Objetivamente, vivemos em um mundo em que a busca pelo diferente nos orienta, atrai e motiva. Só que esse novo, esse diferente, são meio que exclusivos de cada um. Durante um certo momento, gastar o equivalente a uma viagem-excursão para a Europa andando de carro pelo interior do Brasil fez todo o sentido, e olha que não foi por conversar com locais ou nada disso (sou reservado, evito contatos forçados à primeira vista). Alguns anos depois, trocar uma viagem de carro pelas mais belas praias brasileiras por alguns dias de direção em estradas alpinas na Europa fez todo o sentido.
A minha filosofia: desde os 15 anos eu viajo para mim, e não para os outros, e isso me fez muito, muito feliz. Me programo, consulto sites, faço roteiros, mas não me sinto na obrigação de ir ao lugar A ou B porque é famoso, ou porque “todo mundo que vai a X vai no lugar Y e vc não???”. Já troquei uma semana em Florianópolis na altíssima temporada por uma viagem rodoviária solitária no Mato Grosso. Enfrentei horas de filas nos Musei Vaticani em Roma e fiquei boquiaberto, estupefato com o que lá pude observar. Todos meus amigos e parentes sabem que a quantidade de fotos que trago de viagens normalmente não é grande, não transformo preciosas horas em um lugar em uma maratona fotográfica, especialmente se o lugar é famoso e todo mundo pode ver fotos muito melhores tiradas por profissionais na Internet. Acho que esse é o principal problema dos turistas-cabeça de hoje em dia: há toda uma “expectativa social” de que você viaje para o lugar A para provar que é descolado, que vá ao museu Y para se passar por antenado, e que faça a trilha J no parque W para demonstrar que tem conexões com a natureza. E amigos, parentes, SO, colegas de trabalho etc. tornam-se como que “consumidores” aos quais você, o turista, tem que satisfazer ao voltar das suas férias com fotos, histórias e souvenirs.
Voltando a coisas mais práticas, acho que um dos principais entraves à popularização do turismo nacional não fomentado pelo Sr. Guilherme Paulus (nada contra a empresa do distinto sr., apenas procurando diferenciar os modelos de viagem rs) é CALENDÁRIO. As férias escolares brasileiras coincidem com os feriados de fim-de-ano, e a junção de crianças em casa + feriado no trabalho comprime a “alta estação” a pouco mais de 5 ou 6 semanas entre aquela que antecede o Natal e o carnaval. Os preços inflam demais, tudo fica caótico e, para (não) ajudar, essa época é justamente das piores em termos de padrões climáticos para a maioria dos destinos nacionais.
A concentração excessiva de hóspedes gera uma oferta excessiva de hotéis, restaurantes e “atrações” que fecham boa parte do ano, ou funcionam à meia-boca. Como resultado, quem viaja fora de temporada tem a sensação de ir a lugares semi-mortos, onde nada funciona direito porque não é “temporada”. Que esse conceito se aplique na Europa/EUA (onde há destinos de verão e inverno, entretanto), pode-se entender. A costa amalfitana é cinza e chuvosa em novembro, o frio e os dias curtos são inimigos das caminhadas nos quartiere de Paris etc. No Brasil, nada (exceto o calendário escolar) justifica essa concentração do pico de turismo no pico das chuvas e mar feio…
Andre Lot,
Sua esplanação foi PERFEITA. Parabéns. Acho que vou até guardar seu texto, tudo bem?
Abraços.
Lendo o último comentário da Dani G., concordo com ela. A discussão não é se Rota Alagoana é melhor do que Taiti (por exemplo…) e sim pq achamos CARO pagar R$500,00 de diária numa sensasional pousada na Rota, mas achamos que U$D 400,00 por um Bangalo meia boca em Bora Bora “está no preço”…
Depende. Se o seu sonho é ir a Bora Bora e só tem $ para um bangalô meia-boca de U$D400?
Se você não tem a menor vontade de ir para a Rota porque -chutando – já esteve em várias outras lindas pousadas por lá e passou os últimos 10 anos na região – os R$500 são muito $$$ sim.
Vivi 30 anos no Rio e acho que é a cidade mais linda do mundo. Mas acho um despropósito os preços dos hotéis por lá. E nem estou falando de Reveillon…
Agora, para um inglês, deve ser muito barato e um sonho de conhecer. Para um indiano, deve ser muito caro e também um sonho de conhecer.
Ou seja, caro é ir para aonde não se tem a menor vontade.
A experiência de viajar é única assim como as sensações sobre cada local também serão…
Morei em vários lugares do Brasil, meu marido é militar, já moramos no RS (nasci lá), no AM (Manaus), em Brasília e duas vezes aqui, em Campo Grande. Adoro viajar para QUALQUER lugar que me traga momentos felizes, o importante é como aproveitamos nossos momentos, aliás, até na cidade onde moramos podemos ter experiências turísticas inesquecíveis, como o city Tour daqui…
Conheço bastante do Brasil, mas gosto muito de conhecer novos costumes de locais diferentes também, vamos para onde temos vontade de acordo com o nosso orçamento.
Se a pessoa não tem vontade de conhecer o Brasil, deixa ela!! Se ela não quer viajar para o exterior nunca na vida, problema dela também, cada um tem o poder de decisão e eu não julgo, MESMO!
Boas viagens para todos!!!
Linda a foto do Post!
Mariana, concordo contigo. Tô morando em Portugal e precisei passar 1 ano aqui pra amar mais o Brasil. É clichê, mas é verdade: a gente dá mais valor quando tá fora. Sou de Fortaleza e esse final de semana senti MUITA falta de acordar, ir pra praia, comer um carangueijo e tomar uma água de côco. E meus amigos com inveja de mim porque eu tô no frio. Agora tenho a certeza de que as duas coisas valem SUPER a pena. Aliás, viajar vale a pena! Não importa pra onde. Acho que essa é a grande conclusão da discussão! E vamo que vamo..
Nossa… a discussão tá boa, indo de papos filosoficos, biologicos, antropologicos e afins.
Mas no fundo, como alguém já disse por aqui, tudo é questão de oportunidade, tempo e dinheiro… essas três coisas são fundamentais para escolher o proximo destino.
Eu comecei a viajar tarde (só depois dos 22). Antes, quando morava com meus pais e não tinha meu proprio dinheiro, eu sempre ia para os mesmos lugares (na infancia Guaruja e Pousada do Rio Quente – e na adolescia, somente Guaruja). Tive alguns viagens diferentes como Disney, Rio de Janeiro e região e sul do Brasil (leia-se Santa Catarinha).
Enfim… o mundo se abriu para mim quando estava mais velha e na verdade depois que me mudei do Brasil.
Resumo da Opera… eu quase não conheço o Brasil e morro de vontade de ir ao nordeste, norte, pantanal e afins… porém não surgiu a oportunidade, principalmente por gastar minhas ferias no Brasil somente com a familia (e eu sempre vou no Natal & Reveillon). É sempre assim…. quando eles vem me visitar no Canada, eu tenho que leva-los para todos os cantos, mas quando eu vou… eu fico em Sao Carlos (nem me pergunte o porque, pois eu fico irritada, tá?!).
E agora, eu tenho uma lista de lugares que quero conhecer e quando surge a oportunidade + tempo + dinheiro, eu vejo o que dá para fazer e organizo a viagem.
Enfim… acho que não tem muita explicação. Aqui no Canada, especialmente para quem mora em Toronto, é super caro ir para Vancouver… e quando se compara preco de passagens, só dá Europa
Um dilema…
Abs,
Um ponto que achei bem legal é o da Lúcia Malla, no primeiro comentário: quase sempre, não conhecemos nem mesmo nossa própria cidade. Parece que precisamos estar em um outro ambiente para que aproveitemos aquilo que muitas vezes pode ser encontrado a poucos quarteirões de casa. Percebi isso lendo algumas reportagens sobre turismo aqui em Belo Horizonte, e vi que quem visita minha cidade sai daqui com uma impressão melhor do que a que eu mesmo tenho dela. devagazinho, estou corrigindo isso, aprendendo a “turistar em casa” – ainda assim, já fui duas vezes ao MALBA, mas só uma vez ao Inhotim…
Nossa! Essa discussão rende muito…
Acho que o destino de viagem é uma decisão muito subjetiva. Vamos para o lugar que nos atrai num dado momento (e pelo qual podemos pagar). O ponto é que muita gente se sente atraída pela idéia de ir a lugares badalados, sofisticados, “desenvolvidos”… E, para essas pessoas, a viagem em si não é o objetivo, mas sim cumprir a “obrigação social” de ticar algum destino em uma lista. Concordo com quem disse que isso tem a ver com a nossa história de povo colonizado e etc.
Agora o público deste blog em geral viaja movido por outro fator que é a busca por coisas extraordinárias, diferentes do cotidiano, como também já disseram aqui. Para essas pessoas, ir à Europa e aos EUA antes de viajar dentro do Brasil mesmo que as duas opções custem o mesmo preço é meramente circuntancial, uma escolha determinada com base na vontade do momento.
Pessoalmente, prefiro viagens para grandes centros urbanos. Moro na praia, e mato não me atrai muito. Então, em geral, prefiro ir a São Paulo, BsAs, Paris, Londres do que à Amazônia ou a Fernando de Noronha, o que significa apenas que, nessa fase da minha vida, as duas últimas não são minhas prioridades. Mas as coisas mudam: a Ásia, há 2 anos, não me atraía nada; hoje, morro de vontade de ir; depois dos posts do Riq sobre o México, não vejo a hora de conhecer (basta passar a gripe suína!); o Peru, minha próxim viagem, pulou muitas casas na lista de prioridades depois que amigas me chamaram pra ir.
Só não me atrai nada a idéia de ir a um lugar por pura obrigação, mesmo que seja no Brasil!
Não li todos os comentários então não sei se alguém já falou isso, mas comparar americanos e brasileiros não dá: viajar pelos EUA para americano é MUITO, MUITO mais barato do que viajar pelo Brasil para os brasileiros.
O Brasil é enorme, assim como os EUA, então passagens aéreas são um dos maiores fatores nessa história. É só comparar preços de passagens aéreas entre os dois países e você começa a ver o problema (dá para atravessar os EUA costa a costa com passagens $200 ida e volta em promoção, $400 em média – uma passagem Salvador-SP que e um voo muito mais curto custa R$800 no barato). Depois vem os hotéis, aluguel de carro, tudo no Brasil você paga muito mais e leva menos. O custo benefício é ridiculamente menor, isso sem contar o preço em valor absoluto mesmo.
Um americano pega o carro com a família e dirige muito até o destino pagando gasolina barata ($25 pra encher um tanque, quanto está um tanque de gasolina no Brasil?). Ou voa até lá pagando uma passagem muito menor que um brasileiro. Paga menos de hotel, menos de aluguel de carro, menos em comida. É impossível comparar.
Mas acho que percepção é um problema tão grande quanto o valor absoluto. Claro que se você quer ver a Amazônia ou o Pantanal de qualquer jeito você engole essa sensação de estar pagando muito mais do que deveria, mas se você não é absolutamente convencido que tem que ir em um lugar específico no Brasil, acaba ficando balançado com as ofertas no exterior. Porque no final das contas você está pagando a mesma coisa ou um pouco mais pra ir pra muito mais longe, então a percepção do custo é diferente. Gastar 2 mil reais dentro de casa e os mesmos 2 mil fora dá aquela impressão de que você fez o dinheiro valer mais (e na verdade fez, porque os preços no Brasil são exorbitantes mesmo).
Obviamente isso é uma consideração monetária sem contar o seu envolvimento emocional com o destino, mas se você é uma pessoa que vai ficar feliz indo pra um monte de lugares diferentes, isso acaba pesando no final.
E tem sempre a questão do momento certo, oportunidade. Por exemplo, quando eu morei em Seattle aproveitei para ir ao Japão, já que um vôo Seattle-Tóquio eram meras 9h30 minutos. O Japão na época nem era topo da minha lista de lugares pra conhecer, mas com a proximidade, aproveitamos a ocasião. Também fomos pro Hawaii, pertinho, Vancouver no Canadá, passeamos pelo estado de Washington. Agora que estamos morando no Texas vamos aproveitar para conhecer o Caribe e América Central, além do próprio Texas e estados vizinhos. Quando moramos em Michigan conhecemos vários lugares no meio-oeste, costa leste e Toronto. Antes de termos filhos viajamos para a África do Sul, porque era um vôo muito longo que não queríamos fazer com crianças. Agora com a nossa filha novinha vamos fazer vôos mais curtos. A viagem pra Índia vai sendo adiada…e por aí vai.
Quero conhecer Fernando de Noronha, Bonito, Pantanal, Amazônia, Jericoacoara, Fortaleza, mas também são vôos longos para a gente. Na época que eu morava no Brasil não consegui visitar esses lugares por falta de oportunidade – não conseguia tirar férias pra ir. Quando era adolescente fui de carro e ônibus para o ES, sul da Bahia, Santa Catarina, enfim, eram os programas da idade com os amigos.
Ninguém tem que se sentir obrigado a visitar lugar nenhum. Como já falaram, o legal é viajar. Eu topo praticamente qualquer lugar, sempre tem alguma coisa interessante pra conhecer.
Luciana, a Delta já está voando para Recife e Fortaleza direto de Atlanta
Agora os vôos ficaram mais curtos para vocês!
- Concordo com o Rique, dificilmente ficariamos num hotel no Brasil como aqueles que nos hospedamos na Europa. Embora, cada um vai aonde quer, preferimos sempre viajar para ao exterior, porque eh “chique”. Acho que eh o velho “complexo de vira-latas”. Mas com essas discussoes no seu “blog” e outros, a gente devagarinho chegaremos la. Abs/P.
Li alguns comentários cuidadosamente, outros dinamicamente, outros nem isso, mas deixa eu dar meus 2 centavos de contribuição para a discussão:
Primeiro, meu pai era como a mãe de Natalie: achava que eu só deveria sair do Brasil depois de conhecê-lo. Por isso fiz duas excursões de ônibus de Recife até Porto Alegre, ainda adolescente. E antes disso, era comum irmos (eu e papai) para a estação de ônibus pegar o primeiro ônibus que não estivesse saindo para muito longe, só para conhecer alguma cidade diferente (a gente também fez isso algumas vezes com ônibus urbano). Ainda que eu ainda esteja com o Pantanal e as cidades históricas de Minas fora do meu currículo, acho que conheço bem o Brasil. E de fato, só depois disso é que eu passei a viajar para o exterior.
Quanto à pergunta fundamental de Dani G., a princípio eu acho caro os dois.
Tanto a Pousada do Toque, quanto a pousada no Taiti. Para viajar para uma cidade distante e desconhecida, o hotel ideal para mim é um Formule 1 ou Íbis – se bem que tive uma experiência muito legal na Alemanha com um B&B e agora estou caprichando na dose na Inglaterra. Procurei ficar o máximo possível em B&Bs.
Mas, de fato isso acontece. Eu demorei muito a ir para Noronha porque achava caro demais. Depois que fui a primeira vez, já fui a segunda e pretendo ir a terceira. Mas, mesmo assim, nada daquelas pousadas mega-caras. Eu quero um quarto limpo, uma cama confortável, água quente no chuveiro e de preferência três travesseiros para mim e lençóis de solteiro que não fedam a mofo. Não precisa de mais.
Outra coisa que atrapalha no Brasil, mas isso é válido para quase todas as grande cidades, é que tem muito pardieiro por aí. Então a gente não fica num hotel barato, por desconfiar de sua qualidade, então termina ficando num hotel melhor e mais caro do que a gente ficaria lá fora.
De qualquer forma, uma coisa que hoje me inibe um pouco a viajar pelo Brasil é a segurança. Já basta eu viver com medo em Recife. Quando eu viajo eu gosto de ficar sem medo. Na Europa ou no Canadá, eu posso pegar um ônibus ou metrô e ir para os cantos. Aqui eu tenho que, muitas vezes, pegar um táxi, o que também encarece a viagem.
Ah, Curitiba é basicamente um destino perfeito aqui no Brasil: tem Formule 1 bem localizado, hotel executivo barato do aeroporto até a porta do hotel, tem o ônibus de turismo com um preço bem acessível e é bastante segura, pelo menos comparada com a maioria das capitais brasileiras. Se toda capital brasileira fosse assim, com certeza eu viajaria mais pelo Brasil.
De qualquer forma, próximo feriadão estarei em São Benedito do Sul, pela segunda vez este ano. E pretendo conhecer Bonito, ainda este ano. Mas não a do Mato Grosso, a de Pernambuco, mesmo.
Eu gosto de viajar … viajar … viajar… e viajar.
Por isso, escolho os meus roteiros na maioria das vezes instintivamente, ou seja, o que me der na telha. Seja Brasil ou Europa. O importante é viajar.
Tenho alguns países que no momento não me interessam, como os Estados Unidos, Canadá, Rússia, por motivos nem sempre claros para mim mesma. Acho que é implicância pura, mesmo. E tenho um que volto semppre que o tempo e o dinheiro permitem: Portugal. Sou apaixonadíssima por Lisboa, em especial.
Então o meu “critério” faz com que algumas vezes eu viaje no Brasil ou outras que ir para fora do país. E isto independentemente do fator financeiro.
Com isso conheço uma boa parte do Brasil e uma pequena parte da Europa.
Então não entro muito nessa de que tem que conhecer obrigatoriamente o Brasil para depois a Europa. É colonialismo? pode ser que sim. O que acho sinceramente é que cada um sabe o que é melhor para sua qualidade de vida. Se para uns significa hotel caro ou barato na Europa, na Ásia ou qualquer outro lugar fora daqui e para outros hotel caro ou barato no Brasil, que a viagem seja uma maravilha para todos.
Eu, por exemplo, adoro voltar. Volto, em média, duas a três vezes em cada lugar, seja no Brasil ou fora daqui. Meus filhos acham que é uma boa forma de jogar dinheiro fora (e óbvio que o meu dinheiro é fruto de trabalho e não de herança). Mas, o que se há de fazer. Gosto é gosto. E viagem é sempre viagem, mesmo que o lugar já pareça o quintal da nossa casa.
O importante e’ sempre viajar e conhecer novos lugares (no BR ou fora), mas acima de tudo aproveitar as oportunidades, anos atras viajar para Europa era caro demais, agora que o dolar baixou, vale a pena viajar para fora… quando o dolar voltar a subir o Brasil continua como uma otima opcao!
Falou tudo Nil
viajar para A ou B é oportunidade !
Gente, adorei esse post! Antes de mais nada, acho que é bastante enriquecedora discussões em um meio de respeito e de pessoas inteligentes – como sempre acontece aqui – Dito isso, eu penso que essa questão esbarra muito mais no gosto pessoal de cada um, no que cada um busca em suas viagens e, fundamentalmente, onde mora o seu prazer!!!
Não li todos os comentários atentamente, mas já percebi que está super rico!
Obs1: Não acho o Brasil tão caro assim, com exceção de poucos lugares! Todo ano programo uma viagem pelo Brasil porque ADORO!!!
Obs2: Vou fugir um pouco do tema…(pode?)pq ultimamente, muitas pessoas têm perguntado o “pq” de viajar…e acho que tem tudo a ver com o que já foi ito aqui!
Quantos de nós (viajantes/turistas por paixão) já não foram questionandos sobre os seus gastos com viagens?! Não ouviram algo parecido com: “Não seria melhor adquirir o bem “X” ou “Y”, ou quem sabe fazer um investimento “tal”…Enfim, cada uma gasta o seu din-din com aquilo que lhe dá prazer! Com o que lhe faz feliz! Não é mesmo?!
Agora, quanto ao destino, Brasil ou qualquer outro lugar fora do Brasil, também acho que a coisa não é tão simplista, do tipo, é só pra dizer que foi pra fora do país, por status, deixando a Pátria Amada desprestigiada, ignorantes de nossa própria cultura.
Não sou tão viajada assim, mas registrando a minha opinião, acho que o Brasil é lindo demais! Não falta beleza natural, cultura de tudo que de todas as formas, na própria história de cada lugar, nas comidas, músicas, natureza. Enfim, um universo de possibilidades, assim como o resto do mundo!!!!
Não importa o destino, se surgiu a oportunidade, ou vc acha que deve ir, vá!
Eu, particularmente, procuro alternar as duas possibilidades, quando não dá, sempre fico com o Brasil (porquer gosto e é quando vou com toda a família). Mas, não vejo nada d+ em quem opta por viajar para fora do Brasil! Existem brasileiros melhores adaptados culturalmente em outros lugares do mundo, do que jamais foram nesse país (e a recíproca é verdadeira).
Talvez esse seja um motivo que nos faça viajar para outros países, antes mesmo de conhecer todo o Brasil (que é E-N-O-M-E). Talvez para descobrir o nosso lugar.
Na verdade, pouco me importa se a pessoa está viajando pelo Brasil, para fora do Brasil, se não quer viajar, se não gosta, se prefere comprar um bem “X”, se quer fazer um festa em que vai gastar o preço de uma viagem…o importante é ser feliz! Investir o seu tempo e o seu dinheiro no que vai te realizar, te dar prazer, te acrescentar como pessoa.
Agora, se o seu investimento é nisso ou naquilo, tanto faz, eu gosto mesmo é de ver pessoas felizes!
Quando as pessoas estão felizes elas são mais leves, mais amorosas, menos agressivas, mais positivas, param de se “preocupar” com coisas menos altruístas…o mundo fica bem melhor!!!
Riq e tripulantes…desculpaê!!! Muita empolgação = muitos erros de português
Ah, ir apenas para um lugar porque é chic é tão podre e sem noção quanto ir porque tenho a obrigação de conhecer.
Também acho, Mô. Mas tem gente que é assim…
Acho que o que vemos mais são pessoas que não conhecem sua própria cidade e almejam conhecer um país distante primeiramente….seria a mídia trabalhando ???
Acredito que para conhecermos os outros (paises) verdadeiramente precisamos conhecer primeiramente o nosso país, a cidade o bairro que vivemos….
Assim ao compararmos, veremos que aonde estamos ainda é muito melhor que muitos lugares….e assim valorizar o que é nosso…
Acredito no turismo brasileiro…..infelizmente aqui existe uma super valorização de tudo que é de fora e não seria diferente com o turismo…
Hum, acho que esse é um fenômeno meio universal. Quando eu morei nos EUA por alguns meses, em uma cidade universitária de pequeno porte perdida no meio das Rocky Mountains, conheci muita gente lá que já tinha vindo para Europa e Austrália mas jamais tinha colocado o pé em New York (ok, americanos não nova-iorquinos não tem uma boa relação com a cidade e realmente New York não é muito representativa do american way of life que tanto admiro mas…). Aqui na Itália, diria que a maioria dos meus colegas italianoa acha engraçado/estranho/exótico o fato de eu estar aqui há pouco tempo e já ter vistiado todas as regiões da Itália à exceção da Sardegna. Muitos jamais foram a qualquer lugar ao sul de Napoli exceto para um resort ou outro na praia (esquema “CVC”), e desses vários já viajaram por várias outras capitais europeias.
Concordo com a Sylvia – a oportunidade sempre tem que ser aproveitada. E a decisão de para onde viajar tem a ver com o seu momento de vida. É por isso que gente mais jovem vai pra lugar que tem balada, gente mais parada (eu!) gosta de museu, e por aí vai. Pessoalmente, estou aproveitando enquanto estou sem filhos (sem nenhum passarinho pra tratar) para ir pra mais longe. Depois, com a família toda, fica mais fácil viajar de carro dentro do Brasil.
Mas tem também um componente de estranheza que atrai, nas viagens para o exterior. É a busca do “estrangeiro”, mesmo. A língua tem um enorme componente, pelo menos pra mim – estar ouvindo outro idioma me dá uma sensação de que estou muito longe de casa.
Por que viajamos? O valor de uma viagem : este excelente post do Arnaldo : Fatos e Fotos de Viagem, tem o tema relacionado a esta discussão.
Acho que aproveitar a oportunidade como já disseram alguns é o fundamental! E como a economia oscila às vezes a favor e outras contra, sempre vai ter um momento que o Brasil vai estar caro e outras que vai valer a pena. Acho que neste blog ñ há pessoas que viajam por ser chique, todos viajamos e estamos aqui discutindo pq adoramos viajar! E todos sabemos que o nosso país é lindíssimo!!! C/paisagens e culturas tão diferentes!! E um povo super simpático! Mas, há tb um mundo inteiro lá fora prá gente conhecer! Se pararmos prá pensar qtas viagens teremos que fazer p/conhecer quase todas as regiões do mundo, veremos que já estamos mto atrasados, ñ vai dar tempo. De modo que o negócio é aproveitar o que pinta, tanto aqui como lá, lembrando que o melhor da viagem e “viajar na viagem”!
Numa pausa entre um IR-leãão e outro IR -sem leão , quero dizer pra todo mundo , que me encanta e seduz a forma pela qual enriquecemos a vida uns dos outros , colocando os nossos pontos de vista , discordando , concordando , mas sempre acrescentando .
Ihh, Sylvia, cá estou também fazendo o meu imposto =( Ainda acho que tinha que ter um jeito de descontar despesas de viagem no IR. É gasto com instrução e com saúde, oras!
Gostei! Bem que eu estou precisando de alguma coisa pra descontar.
Viajo bastante pra ler comentários como estes e achar todos interessantes!
E estou com a Emília : tento viajar pra todos os lugares ( inclusive as pequenas viagens, os restaurantes).
Dou preferência pro exterior por ser fascinado por línguas/costumes diferentes e acreditar que um dia ( lembra aquela do país do futuro !!) o Brasil se tornará um verdadeiro destino turístico pra todo mundo, inclusive nós !
Belíssimo idéia e concepção de post, viu Riq !!
hehe Dani , tem um “véio” aqui em casa que diz que se não gasta em viagem vai gastar na farmácia
Tava com saudades Edu ! Ei ! uma ótima viagem pra vcs
É amanhã, Sylvia ! Com gripe ou sem gripe, estamos lá !!
Abs e boa ConVNVenção pra vocês ( com salto e tuodo o mais!)
Boa viagem, Edu e Débora!
Obrigado! E sem atchin !! rs
Boa viagem, meus scrapfriends! And remember: Miami é tão pertinho daqui…..um pulinho só!
Onde vai ser a conVNVenção??
Noossa!! O post bombou!!!
Bom, primeiro à pergunta inicial: Dani, todo mundo acha caro certas coisas no Brasil. Não somos só nós. Tenho grande dificuldade em explicar para um americano, o porquê de uma pousada no meio da montanha, sem ar condicionado, nem academia, com um colchão king size, que na verdade são dois colchóes de solteiro emendados, com um calombo no meio, custar o mesmo que um Hyatt!!
Posso dizer que paguei por uma pousada prá lá de mequetrefe em Fernando de Noronha, mais do que pagaria por um hotel 2 estrelas em Paris.
Fazendo uma rápida matemática de cabeça, calculamos que devido à incidência de impostos, um produto importado deve ser mais caro que um nacional. Da mesma forma, sei que um restaurante aqui não poderia custar mais caro que um restaurante nos EUA, pois conheço o preço da matéria-prima, da mão de obra e do aluguel. Mas muitas vezes custa mais caro, sim.
Agora, quanto à decisão de viajar aqui ou fora. Não conheço ninguém que tenha viajado por ser chique. Entre os meus conhecidos existem aqueles que gostam de viajar e aqueles que não gostam. Ponto. A escolha do destino obedece fatores muitas vezes aleatórios.
No meu caso, viajei para fora primeiro, simplesmente porque na minha época de estudante não me ocorria pedir aos meus pais uma viagem de férias para lugar algum. E viagens em família não aconteciam, já que eles não saíam de casa. Meus feriados e férias eram sempre na casa de amigos e parentes no Guarujá, litoral Norte e Campos do Jordão. Porém, descobri cêdo que viagens para estudo eram altamente bem vindas
Pronto!! Fui de intercâmbio para os EUA e fiz estágio na França quando me formei, emendando com um mochilão de 6 meses, pois já que estava lá, tinha que aproveitar. Aprendi a viajar pela Europa, pegar trem, dormir em albergue. Adorei! Naquela época, nunca tinha ouvio falar em albergue no Brasil, porque não existiam.
Por outro lado, não tinha a menor idéia de como viajar no Brasil. As pessoas que conhecia que tinham ido ao Nordeste, tinham estado apenas nas capitais, o que não me atraía muito.
Assim foi natural que depois de começar a trabalhar, passasse a economizar para visitar outros lugares que não havia conhecido na Europa. Naquela época, amava passar horas dentro de museus. Muitas vezes fui informada pelo segurança que estava na hora de fechar.
Muita gente me dizia que achava um absurdo eu conhecer EUA e Europa e não conhecer muito do Brasil, mas eu nem ligava.
Hoje, ainda bem, aprendi a viajar por aqui, pois ultimamente, já que não passo mais meus feriados entre o Guaruja e o litoral Norte, amo me jogar numa praia nas minhas férias
Enfim, assim como minha vida não seguiu muitas normas, simplesmente porque as coisas vão acontecendo, acho que o mesmo se passa com a maioria das pessoas. As oportunidades surgem. Alguns pegam, outros não.
As oportunidades incluem entre tantos itens citados nos comentários, como momento, dinheiro, taxa de câmbio, custo de passagem, tempo, etc., também companhia.´`As vezes pode ser mais fácil conseguir uma companhia para ir Miami do que a Manaus.
Eu sou uma grande turista da minha própria cidade, mas morro de vontade de fazer alguns programas para os quais ainda não arranjei companhia. Por exemplo: adoraria passear de barco na Guarapiranga
Eu fico com o “muito antes pelo contrário”! Concordo que o importante, mesmo, é viajar para onde a gente tem vontade, seja aqui ou lá fora. Mas é inegável que nossas vontades são reflexo das milhares de influência que recebemos – familiares, culturais, cinematográficas, gastronômicas, televisivas, midiáticas e mais um monte de outras.
E tem tanto lugar legal por aqui pra conhecer, né?!
Se durante muito tempo o legal, cool, chique, sei lá o que, era o que vinha do exterior, nada mais justificável que as pessoas só se interessassem em conhecer o “primeiro mundo”, algo que, penso eu, ficou meio arraigado no “inconsciente coletivo”.
Por outro lado, dizer que algo é caro depende de se estabelecer uma comparação com outra coisa, ou, pelo menos, com o que a gente considera um preço justo. Então a gente passa a achar que não é justo gastar tanto para não cruzar fronteira nenhuma, não receber nenhum carimbinho no passaporte, não gastar as horas do cursinho de inglês…
No frigir dos ovos, eu, particularmente, prefiro conhecer o Brasil, talvez pela facilidade da logística: nada de alfândega, imigração, “compra” de dinheiro, conversão…
Por isso, agradeço sempre aos viajantes-desbravadores do Brasil e canto a plenos pulmões “Podemos sorrir, nada mais nos impede/ não dá pra fugir dessa coisa de pele/sentida por nós, desatando nós/sabemos agora, nem tudo que é bom vem de fora…”
Fiquei pensando, e tenho que dizer: viajar pro exterior tem, sim, um quê de mais gostoso. Pelo estranhamento, pela segurança, pela língua. Porque no Brasil, por mais pequeno que seja o lugarejo, todo mundo assiste novela da Globo. Então, há uma identidade cultural comum – que é super legal, com inúmeras peculiaridades, mas não dá aquele friozinho na espinha de viajar rumo ao desconhecido. Eu lembro muito bem da viagem mais esquisita que eu fiz: com um dia e meio de Japão, todo mundo já estava achando que estava a mais de mês de férias, tão grande o choque cultural, a diferença. Você ter que se concentrar pra se virar lá fora tem um efeito colateral interessantíssimo: faz a gente desconectar totalmente de todas as nossas preocupações comezinhas, do dia a dia. Aqui no Brasil, a gente ainda assiste o Jornal Nacional. Lá no outro lado do mundo, o Brasil é nota de rodapé, algo de que você realmente tirou férias, e depois, ao voltar, descobre que continuou perfeitamente bem sem a sua interferência. Aí, tem aquela coisa gostosa da volta das férias: tomar pé sobre o que aconteceu enquanto você não estava na sua cidadezinha, fazendo as suas coisas.
É lógico que você pode fazer a mesma coisa indo pra uma praia totalmente deserta ou pro meio do mato, mas não cheguei ainda a este nível de desprendimento =)
Acabei de enviar meu IR, ufa!!! Não li todos os comments, mas vou ler pq adoro uma lenha na fogueira rsrs. Vcs sabem que a Mari Campos já botou na posteridade meu “War turístico pessoal” – e ele é bem racional – 20 dias para exterior, 10 dias para Brasil – mais longe gasto mais dinheiro. Em 2008 não consegui, mas em 2007, consegui até 17 dias no Nordeste. Ainda não comecei a visitar praia no exterior – já aqui, faltam poucas, já repeti várias.
Cheguei tarde na discussão, mas ainda a tempo de dar meu pitaco. Viajo desde os 15 anos, e já conheço quase todo o Brasil e boa parte da Europa, além de Nova York e Orlando. Já fiz viagens estilo mochilão pelo Nordeste e em minha primeira ida à Europa, já fiz viagem chique de carro e avião e também já gastei muito bumbum em ônibus Porto Alegre-Salvador. Ou seja, acho que tenho experiência para opinar sobre o assunto. Para mim, o importante é que a viagem combine com o momento de vida em que vc se encontra e o com a verba disponível. Eu hoje, com 47 anos, não tenho mais paciência para passar 22 horas em um ônibus Brasil afora. Nem para me hospedar em uma casa de pescador que aluga redes na Canoa Quebrada, como fiz na primeira vez em que estive lá. Mas continuo com pique e adrenalina para passar 5 dias em uma fazenda no Pantanal, como farei agora em julho com meu filho de 10 anos. De tudo o que viajei e conheci, o que mais me marcou foram os bons momentos que vivi e eles aconteceram tanto nas viagens pelo Brasil quanto nas ao exterior, nas caras e nas econômicas, por isso acho que o importante é viajar para onde você pode e da melhor maneira que puder, para o Brasil ou para o exterior, para o interior do seu Estado, para a praia, campo ou cidade. O que importa é viajar sempre,procurando a viagem que se adeque ao seu momento e às suas posses. Porque é muito melhor um belo sanduíche de mortadela na esquina do que ficar com vontade de ir à restaurante chique e não poder passar da porta.
Gostei do tema do debate! Concordo em parte com Dani G.: “brasileiro acha caro viajar para o Brasil, mas gasta muito mais viajando para o exterior”. Mas às vezes não é só que “brasileiro acha”, é que de fato é. Há alguns meses eu estava acompanhando os preços de passagens para Curitiba. Recife – Curitiba – Recife estava por 1.800 reais. Isso foi antes da alta do dólar, e era pouco menos do que uma passagem para a Europa, que estava na faixa de 2.500 reais. Convenhamos: não é simplesmente uma questão de preferência pelo exterior, é uma questão de quilometragem. Curitiba fica a uns 2.500 km do Recife, enquanto que Londres fica a uns 7.500 km. Recife – Fernando de Noronha – Recife chega a 1.000 reais, e a viagem é curtinha. Vale a pena, é claro, mas é caro de fato. Ainda assim, ressalte-se que eu já fui duas vezes a Curitiba (mas não por 1.800 reais!) e duas a Noronha. E também já fui a vários outros lugares no Brasil.
Eu não viajo para ser chique. Não sou chegada a Paris (se depender de mim, nem volto lá) e nunca fui aos Estados Unidos (nunca tive vontade de ver o Mickey, e olha que uma amiga minha mora em Orlando há dez anos). Mas também não viajo com fins sociológicos ou antropológicos. Eu viajo para me divertir, e isso, na minha concepção, requer algumas coisas que a gente não encontra facilmente no Brasil, como segurança. Eu, que moro no Recife, sinto falta de poder sair de casa e caminhar pela cidade, e isso eu posso fazer na Europa, inclusive de noite, mas não posso fazer nas grandes cidades (e em muitas das pequenas) brasileiras. Outro ponto: daqui de Recife eu poderia ir de carro, facilmente, a Maceió, João Pessoa, Natal. Mas eu não vou, porque não há segurança na estrada. Não falo necessariamente de assaltos, mas de buracos, má sinalização, motoristas incompetentes e irresponsáveis. Eu nunca dirigi na estrada aqui no Brasil, mas dirigi na Europa sem nenhum problema.
E uma questão igualmente importante é o gosto de cada um. Eu gosto da Europa. Na verdade eu queria era poder morar na Inglaterra ou na Alemanha. Como não posso, vou só como turista.
Tenho afinidade com a cultura de lá e estou cansada da falta de respeito e do jeitinho brasileiro com que tenho que conviver diariamente. Não quero continuar lidando com isso nas minhas férias.
Eu e meu marido viajamos Brasil e exterior, avião e carro, tudo sempre dá certo, tem diferenças estrada, roubos, seja lá o que for, se passamos por algum aperreio, tiramos de letra, andamos de dia e de noite, acho que somos tão tranquilos e saimos de casa tão de bem com a vida, que tudo, da saída de casa ao retorno à casa, é sucesso, é só alegria, é só felicidade. Não gasto mais nem aqui, nem lá fora, gasto aquilo que posso. Pago o preço justo e procuro sempre ter o conforto igual ou maior do que tenho na minha casa, não falamos outro idioma, já tenho 47 e ele 64, e nos viramos muitíssimo bem, esse é o nosso espírito. A paixão por viagens vence qualquer barreira.
Utopia pensar que vai conhecer o Brasil inteiro.
Considerar conhecer outros países só depois de conhecer o Brasil?
Desculpe, somos gigantes pela própria natureza, eu não dou conta.
Viajo para descobrir que a vida é maior que um umbigo, não dá para restringir meus destinos.
A oportunidade me leva, o dinheiro me limita.
Cláudia Holder, desculpe o “pitaco” no seu comentário,
mas já fiz todo este trajeto que citou de carro, dirigindo, seguindo mapas e NADA sofri de ruim, detalhe sou de São Paulo.
Subi de Recife passando por João Pessoa até Natal, parei em Pipa,depois fui de Recife até Alagoas (Rota Ecológica.
Em outra viagem fiz Macéio até Mangue Seco na Bahia, passei por Sergipe, entrei em Aracajú, Penedo, e fui até o agreste em Canindé de São Francisco…
Sempre viajei em família, e sempre montei os roteiros (sou turismóloga) e por isso mesmo não me perdoaria em colocar os outros em uma roubada qualquer.
Te garanto, da para ser feito e de maneira segura e com várias bônus como por ex: hospitalidade que só encontramos aqui no Brasil.
Vc mora numa região fantástica, aproveite ! Amplie seu horizonte e se precisar estou a disposição para dar dicas, informações etc…
Marília, eu e Cláudia já fizemos esses trajetos algumas vezes, mas venhamos e convenhamos, a estradas daqui são ruins que doem e o perigo sempre ronda cada quilômetro. O pai de uma amiga minha só não morreu na estrada porque um candidato a governador do estado estava na região de helicóptero, quando ele foi atingido por um pedaço de pneu de caminhão.
E meu irmão morreu vindo de João Pessoa para Recife, num acidente de carro.
Ok, eu tenho um colega de trabalho que morreu num acidente de trânsito na Califórnia, mas nossas estradas são péssimas, isso não há dúvidas.
Oi, Marília. Pitacos são bem-vindos.
Veja, felizmente você nada sofreu de ruim; nem eu, nas vezes em que me aventurei pelas estradas dessa região. Mas pegar aquelas estradas horríveis, cheias de motoristas assassinos, e ver barbeiragem atrás de barbeiragem pra mim não é nada animador. E não é nada seguro! O fato de estarmos inteirinhas não significa que seja seguro, significa apenas que escapamos. Eu não gosto de viajar de carro por aqui. Me sinto tão mal na estrada que acho longo o trajeto de Recife a Porto de Galinhas: não sinto o tempo passar, fico com as mãos suadas. Não tenho dúvidas de que posso perder passeios interessantes por causa disso, mas quero viajar pra me divertir, não pra sofrer.
Admiro as pessoas corajosas, mas prefiro o avião que me leva pra bem longe daqui…
Nossa quantas pontos…
Comecei a viajar tarde pois passei a vida inteira indo pra Búzios e Itaipava e moro no Rio. Sempre teve muita coisa pra fazer e meus pais não eram muito de organizar coisas. Tinham muita vontade, mas não paravam pra fazer.
Quando comecei a viajar…horas de ônibus, vi que era isso que queria…um belo dia vi que a diferença de ir para Florianópolis de ônibus ou de vaião era em $ muito pouca comparando com o tempo. Falei pros meus pais que ia de ônibus e fui de avião que eles achavam que era “coisa de rico”.
Comecei a planejar minhas viagens pela internet e acabei descobrindo que tem um mundão pela frente e hoje fica difícil escolher entre ir pra fora ou ficar aqui. Quero os dois! E não vejo problema nenhum nisso. Estou tentando fazer de tudo…um pouco de Brasil, de America do Sul, EUA, Europa…
Tambem descobri que quase nao conhecia o Rio e esse ano já até conheci uns pontos turísticos, como Corcovado e Forte Copacabana mas ainda falta o pão de acucar e tantos outros.
O outro problema, de viajar no Reveillon e Carnaval, é que não é escolha, é a única época de férias. Acabo pagando bem mais mesmo, mas não dá tempo de sair do Brasil e ficar no Rio…não aguento mais…
Ah, no meu imenso post me esqueci de dizer algo que aconteceu recentemente com meu pai. Ele queria ir para Aracaju. Chegando na agência de turismo, descobri que uma passagem Recife-Santiago-Recife estava custando o mesmo que Recife-Aracaju-Recife.
Naturalmente, ele foi para o Chile.
Márcio, com certeza nossas estradas não são as melhores, mas daí deixar de ir do lado de casa por causa disso, acho que é se prover de conhecer lugares belissimos e de grande valor turístico.
Estive em um trecho pior de estrada BR101 trecho Salvador-Ilhéus, mas nem por isso deixei de ir, usei a atenção redobrada e quer saber valeu muiiiiiiiitoooooo a pena, faria tudo de novo (ainda mais agora que recapearam).
Achar que só fora do país teremos segurança é fantasia, fui enganada em Buenos Aires, minha prima foi assaltada em Paris sem citar outros casos que conheço.
Não podemos nos alienar e sim nos dar oportunidade para conhecer o novo, seja aqui ou no exterior. Insegurança teremos em qualquer lugar.
Marília, não é que a gente deixa de ir, a gente já foi algumas vezes. Mas iria muito mais se considerasse mais seguro. Como longe de casa, há milhares de quilômetros, há outros lugares também belíssimos e de grande valor turístico, prefiro ir até eles.
Eu não acho que só fora do país teremos segurança, mas tenho certeza de que na Europa temos, sim, mais segurança do que no Brasil. Talvez tenhamos insegurança em qualquer lugar, mas decerto não na mesma medida. Há lugares mais seguros e outros mais inseguros, e essa diferença se percebe aqui mesmo no Brasil (vide Recife x Curitiba).
Eu nunca fui assaltada ou sequer furtada no exterior. Sua prima foi assaltada ou furtada em Paris? Porque isso faz muita diferença: na Europa existem muitos batedores de carteira (talvez até mais do que aqui), mas a chance de alguém apontar uma arma pra você é muito menor lá do que aqui. Eu já fui assaltada (com revólver) duas vezes aqui em Recife, e até me considero uma pessoa de sorte (eu poderia ter sido assaltada mais vezes ou nem estar aqui pra contar a história).
Realmente medo é algo que eu procuro banir das minhas férias, mesmo que, para isso, eu tenha que banir também algumas viagens interessantes.
Ops! “a milhares de quilômetros”
Ufa, li tudo! Duas coisas me compelem ao exterior: oportunidade ($$$) e segurança. Conheço pouco do Brasil, basicamente Poa e Serra Gaúcha, SP e Rio e a maior parte do Nordeste. BSB não conta, por ser a trabalho e não ter muita chance de ver a cidade. Sou apaixonada pela America do Sul, apesar de conhecer pouco, e pela Europa. Fico mais relaxada em locais mais seguros e isso conta pra mim. Curiosamente, me sinto mais segura no RJ e em SP do que em Recife ou Fortaleza, talvez pela quantidade de pessoas andando a pé nas ruas, não sei, Freud explica! Acho que ninguém aqui viaja por ser chique, parafraseando o comandante, gente chique constroi casa na praia e divide seu mau humor com empreiteiro, arquiteto, marceneiro…
Totalmente offtopic: Edu Luz, não percam a Michael’s, paraíso dos scrapers! Só faltei enlouquecer!
Lili-CE, eu também me sinto mais segura no Rio e em São Paulo do que em Recife, onde moro. E também acho que tem a ver com a quantidade de pessoas andando na rua. Aliás, uma coisa leva à outra: ruas com movimento inibem assaltos; ruas sem assaltos atraem movimento. É também que o Rio tem o Leblon, Ipanema, Urca, que são áreas mais seguras. São Paulo tem os Jardins. Recife não tem nada. Todos os bairros, inclusive os mais chiques, têm violência.
Lili, embora tenha gostado do Recife, tive uma experiencia sobre a violencia. Em Boa Viagem vimos um casal que tinha acabado de “perder” um carro, e um cara correu atrás de nós numa pontinha que passa sobre um corrego, bem proximo ao Bom Preço, numa avenida movimentadissima… tivemos que sair correndo que nem loucos.
Graças ao bom Deus nada aconteceu conosco.
Cláudia, respondendo a sua pergunta:
Minha prima foi perseguida quando chegava a Paris no transporte público e assaltada.
Acho que temos muito a conhecer aqui e no exterior, todo lugar tem sua particularidade boa ou ruim, aqui temos estradas ruins, assaltos etc..mas tb não temos terremoto, terrorismo etc…
Acho que todo lugar é válido e deve ser conhecido, respeitando as vontades e as “boas” do momento.
Eu mesmo deixei este ano em Janeiro de ir para o Nordeste para ir para a Argentina/Uruguai pq as passagens estavam bem mais em conta.
Não sou nada contra ao exterior mas acho que não devemos nos alienar com a falsa idéia que “tudo lá fora é melhor”. Enquanto pensamos assim os “grigos” se fazem em nossa terra, vide Jeri, Canoa Quebrada, Pipa etc….
Vamos valorizar um pouquinho mais nosso país, TODOS tem a ganhar com isso.
Um tanto quanto off-post, mas só para comentar o mencionado pela Claudia Holder e pela Lili-CE: meninas, será que vocês não se sentem mais seguras nas cidades em que não moram pq não sabem exatamente que lugares são considerados seguros/inseguros?

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Sabe aquela coisa de vc visitar uma cidade, passear tranquilamente por um lugar (parque/rua/praça/praia/etc) e qdo comentar com um nativo ouvir “Mas você foi lá e não aconteceu nada? Que sorte!!! É super-perigoso!!!!!”. Aí vc fica se achando um louco por ter ido, se voltar à cidade vai passar bem longe daquele canto, que muita vezes vc gostou tanto e tinha tanta vontade de rever. Isso já aconteceu algumas vezes comigo, mesmo aqui no Rio (onde moro), e eu fiquei pensando que é claro que a violência existe, mas o medo tá mais na gente do que no lugar. Se vc nem imagina que seja perigoso, anda despreocupado e consegue curtir; se vc já vai com um (ou vários) pé atrás, qq um que passar pelo seu lado vc já vai achar mal-encarado, qq barulhozinho vai parecer uma ameaça, e o que o lugar tinha de legal fica soterrado pelas milhares de preocupações que passam pela sua cabeça enquanto vc está lá.
Além disso, é claro que quando a gente visita uma cidade, por menos “turista” que a gente queira ser, sempre vamos ficar restrito aos bairros/locais “turísticos”, ou que tenham algum apelo nesse sentido. Não conheço ninguém que venha ao Rio e vá, por exemplo, ao Grajaú (bairro onde moro), ou a Bento Ribeiro, embora talvez tenha estado no Maracanã e em Madureira (nesse último caso, só se gostar de samba!;)), que são bairros coladinhos naqueles dois, respectivamente. Então, por mais que a gente “desbrave” a cidade, nunca chega a ir aos bairros mais distantes do circuito turístico que, normalmente, são mais violentos, pq a tendência do Poder Público é policiar, vigiar mais os bairros turísticos, que, afinal, são as meninas-dos-olhos da cidade (se isso é certo ou errado, já é outra discussão).
Já na cidade onde moramos, volta e meia temos que ir a esses locais “não-turisticos”, seja para ir pra casa, trabalhar, visitar um amigo… Eu acho que é por isso que a nossa cidade sempre parece mais perigosa e menos civilizada.
Tb é por isso, combinado com meu espírito contestador-mala, que qdo alguém me pergunta: Vc conhece Buenos Aires/Curitiba/Fortaleza/etc? Moraria lá?” Invariavelmente eu respondo: “Conheço e adoro! É uma cidade linda!!! Mas não sei se moraria lá, pq só conheci a Ipanema, o Leblon, no máximo o Centro daquela cidade. Ninguém me mostrou o Andaraí de Buenos Aires, Maria da Graça de Curitiba, o Cachambi de Fortaleza…”
Qto a ter pessoas nas ruas, isso, realmente, diminui em muito a sensação de insegurança. Afinal, os lugares são inseguros pq são desertos ou são desertos pq são inseguros? (eterna dúvida-Tostines).
E, se isso melhora a barra de Recife e Fortaleza, aqui no Rio tb tem violência em Ipanema, Urca, Leblon, Copacabana… só que mostrar isso não dá Ibope, né?! Então tome Complexo do Alemão, Maré e quetais na Rede Globo!!!
Só não usem essa “informação privilegiada” (rsrs) que eu dei para deixar de vir para cá!! Apesar da quase guerra civi instalada, a gente continua caminhando feliz pelas ruas, curtindo os churrasquinhos nas esquinas, sambando na Lapa… E não tem lugar melhor no mundo pra se viver do que o Rio de Janeiro!!! (ai de quem me diga o contrário!!!
hehe serei polêmico, mas para viver prefiro Brasília (ódio aos políticos à parte). Nenhuma cidade é tão organizada (entre as de grande porte ) para a classe média e classe alta como Brasília.
Ai, pessoal, desculpa aí pela verborragia, viu?!
Acho que não devemos usar casos específicos para criar a regra. Não ser assaltado em Porto Alegre não significa que Porto Alegre é segura, e ser assaltado em Paris não significa que Paris é perigosa. Mas, por favor, não podemos negar que o Brasil é infinitamente mais perigoso e violento do que a Europa. Isto é ciência, e não opinião. E outra coisa, valorizar o nosso país é muito mais do que decidir um destino nas férias. Alguém aqui tem o hábito de exigir certificação nos móveis de madeira que compramos? Visitar a Amazônia é uma coisa, tentar preservá-la é outra. Então a pergunta que não quer calar: quem valoriza mais o nosso país, aquele que vai para Paris e compra móveis com certificação ambiental ou quem vai para a Amazônia por achar que assim valoriza o país, mas não se importa em silenciar diante de sua destruição?
Bom, eu já visitei a Amazônia, tenho vários amigos que moram lá, e posso dizer que o eco-xiismo pseudo-engajado é um dos maiores entraves à melhoria das condições de vida da população. E não só na Amazônia: dependência excessiva do turismo, dependendo do tipo de turismo, aumenta a pobreza do lugar. Explico.
Dependendo de como o desenvolvimento turístico acontece, ele dá origem a organizações (públicas, mistas, privadas) que acabam orientando todo o lugar para receber os visitantes, às custas de salários baixos e reduzidas oportunidades de industrialização e modernização. O melhor exemplo disso é a Praia do Forte: o IBAMA e o resortão lá instalado exercem uma “ditabranda” sobre a prefeitura local. A Praia do Forte é linda, maravilhosa, mas os salários recebidos na região são baixíssimos e como o lugar se orgulha de manter uma atmosfera voltada para um turismo não massificado, limita as possibilidades de que surja um número maior de hotéis, pousadas, parques aquáticos/temáticos etc.
Para nós que visitamos o lugar, é ótimo. O resultado em termos de experiência de viagem é perfeito. No entanto, o resultado para a população local no seu conjunto é nefasto. Nada contra o fenômeno, só não achemos que estamos colaborando e sendo conscientes e sustentáveis viajando a esses lugares enquanto detratamos quem pega uma excursão para Orlando está sendo culturalmente insensível e tal.
Alguns hotéis de selva na Amazônia fazem igual ou pior: fazem lobby contra qualquer melhoria significativa nas cidades e vilas próximas às quais estão instalados, seja a abertura de uma rodovia, ou a construção de casas de alvenaria em substituição a palafitas. Essa prática de forças pessoas a manterem contra sua vontade um estilo de vida original, “autêntico”, do tipo que os visitantes esperam é extremamente danosa no meu ponto de vista, pior do que qualquer aterramento de mangue que um resort decida fazer em uma capital do nordeste qualquer.
Marco, turismo gera emprego, que diminui violência, que ajuda na preservação (qdo sustentável) etc..etc..etc…
Estamos falando de uma “cadeia produtiva”. SIM !!! muitas pessoas vivem disso !
Então quando você escolhe um “destino turístico”, vc interfere na cadeia produtiva, sendo assim quando escolhemos o Brasil, estamos valorizando sim o país, tanto quanto móveis com certificação ambiental…
Na minha opinião ambos estão valorizando o país, aquele que viaja até a Amazônia, aposta no destino, leva renda para a população local e aquele que prefere viajar pra fora mais esta atento em comprar móveis com certificação.
Hoje consegui ler tudo. Discussão de altíssimo nível. Adorei os depoimentos, as discussões, os pontos e contrapontos.
Curiosamente, preenchi meu pedido de visto para os EUA recentemente e lá eu tinha que declarar os anos em que estive nos EUA – 2002, 2004, 2005, 2008, país que nunca fiz questão de conhecer (sempre adorei cultura e história européias). Mas já que mestrado, trabalho e milhagem me levaram, aproveitei!
Algumas pessoas falaram sobre o fato de estarem indo para mais longe por que os filhos hão de chegar um dia, o que é meu caso, e concordo. Porém hoje pensei, puxa, se eu tô programando Malásia para 2012, como eu vou para lá se tiver filho? Ao que imediatamente pensei: ufa, o Jorge Gira escreve sobre viagem com crianças, outros já viajam, até lá alguém me diz se dá para ir a Malásia com criança.
Ou seja, para o Brasil ou para o exterior, sozinho ou acompanhado, com ou sem filhos, o comandante e a tripulação estão aqui…inclusive debatendo em tão alto nível temas como esse – Brasil ame, fique, deixe, volte ou não, faça como desejar!!!
Marília, vc tem razão. No caso de Fortaleza, por ex, eu não levo minha filha pra Beira Mar, local que todo turista freqüenta. E na primeira vez que ela foi à Praia do Futuro, com 6 meses, onde ficou até umas 10h da manhã, a mesma barraca sofreu um arrastão às 15h da tarde. Não deixei de ir a praia, mas vou pra barracas menos turísticas. Resumindo seu pensamento, a ignorância é realmente a mãe da felicidade.
Voltei para conferir o debate e vi que rendeu! Muito bom! Abraço a todos.
Marilia, com certeza o turismo deveria ser uma das principais industrias do Brasil devido ao grande potencial que ainda não é explorado. Que o turismo gera toda uma cadeia produtiva é um fato pacífico. Assim como a indústria calçadista de Campo Bom, RS também, nem por isso as pessoas deixam de comprar seus sapatos chineses mais baratos. Talvez a ironia por trás do comentário foi lida sem ironia. O que eu quero dizer é que muitas vezes um discurso nacionalista pode ser superficial e ilógico, pois não estamos atentos ao impacto total das nossas ações. Eu sou um grande defensor do turismo responsável, que o André Lot menciona. Muitas vezes atacamos o problema de forma errada. Por exemplo, as ONGS que são contra a caça de gorilas na Africa não entendem que se não se criar uma alternativa de renda para a população que vê nos gorilas o potencial economico que a gente vê no gado, o problema não será resolvido.Convencer um morador local que O melhor dessa discussão é que começamos em um aspecto e estamos terminando em outro. Hipertexto total. Eu sou apenas contra a idéia que quem viaja para o exterior desvaloriza o local. É uma idéia um tanto ultrapassada e nacionalista/populista. Nessa linha de raciocínio, quem prefere bebidas de outros países, literatura, música, filmes, roupas, etc deixa de valorizar o Brasil? Claro que não. Devemos nos preocupar com o destino dos nossos Senadores e suas passagens. Eles sim devem ficar apenas no País. Mas esta discussão, além de interessante,é essencial, pois muitas pessoas não viajam no Brasil por desinformação e preconceito. E a indústria do Turismo não ajuda nem um pouco. Vocês não acham que no nosso país o Ministério do Turismo deveria ser tão importante quanto o da Cultura, Fazenda, etc? Claro! E se este tipo de blog, com este alto nível de discussão ( coisa que falta nos nossos plenários!) conseguir ajudar a diminuir o preconceito em relação ao turismo doméstico, ótimo! E com certeza conseguiremos, pois o nível da discussão é altíssimo. Um debate de idéias, sem nenhum ataque pessoal! Isso é raro!
Há alguns dias conversando com alguns amigos sobre meu destino de férias – a decisão estava entre NY ou Pipa / Norte de Alagoas – ouví a seguinte fala: “_Não acredito que você não vai para a Europa? Eu, se tivesse esse dinheiro para ir para o Nordeste e ficar em pousadas de luxo, iria para a Europa!” Felizmente, em vez de dar uma respostinha atravessada para meu querido amigo, expliquei que conhecer cada dia mais o meu país era, para mim, um prazer. Tanto que repetirei a dose da Rota Ecológica em junho (será que vai chover muito? O Christian, da Pousada Patacho, disse que sim, e que eles estarão em férias coletivas…que coisa. Queria ir de novo lá. Agora acho que vou apostar na Beijupirá e na do Toque).
Aproveitei para dizer que a qualidade e o nível que o Nordeste tem apresentado em suas novas pousadas, não perdem em nada para o que é divulgado e vivido no exterior. A diferença é que aqui você é um dos brasileiros em uma praia virgem nunca d’ante visitada. No exterior você é “mais um brasileiro” na 5th Ave. ou na Champs! Não desmerecendo NY ou Paris, até porque NY é meu destino em outubro. Esperemos que as pessoas entendam o conceito da Hospitalidade e da troca valorosa entre hóspede e comunidade/proprietário da pousada/funcionário da pousada. Momentos certamente inesquecíveis.
Riq, concordo com todo mundo…
…desde que venham pra cá, purfavô!
Lafayette, de Belém-Amazônia-Brasil
Riq,
Voltando aos velhos hábitos!
Estive afastada de computadores, por motivos particulares. Qual minha surpresa ao entrar no Viaje Aqui e ver que havia se mudado. E então vim visitar sua casa nova. Que linda que ela é, cheia de luz, cheia de liberdade, sem censuras (no bom sentido!). Você voltou a ser o Riq que aprendi a amar, com as idéias e palavras soltas, alegre. Vejo-o como um passarinho que ganha a liberdade, pois no seu antigo enderêço percebia-se que não tinha encontrado o que procurava (talvez seja herança de nossos costumes BBeanos, onde corríamos o Brasil inteiro, a procura do eldorado!).
Estou “vasculhando” todos os cantos de sua nova casa, desde o dia da mudança, e vejo que está feliz. Bom vê-lo assim. Que o sucesso continue sempre ao seu lado.
Beijos.
Helenice
Bem-vinda de volta, Helenice!
E obrigado pelas palavras
Riq, meio que ressucitando esse post aqui, e lembrando das figurinhas trocadas no post das pousadas BBB, estava conversando com uma amiga e acabamos chegando a mais um fator que colabora para preferirmos o Exterior: as férias do trabalho.
Quem trabalha em empresa média ou grande sabe que existe um preconceito gigantesco na hora de agendar férias de quem não tem filhos. Se vc pedir suas férias em julho ou janeiro e não for casado com filhos menores, ai de ti – será fuzilado pela turma “família”. Assim, em geral sobram os meses de “baixa temporada”.
O “diabos” é que para muita gente baixa temporada no Brasil ainda é sinônimo de “local semi-fechado”, enquanto no Exterior vira sinônimo de “menos lotado”.
Acho que rola uma síndrome de “cresci no Guarujá”. Nesses balneários que cresceram, se estabeleceram e alguns ainda vivem apenas em função do movimento de donos de imóveis “de temporada”, todo mundo tem um certo trauma de adolescência quando foi com a tia para Rio das Ostras em um fim-de-semana de abril e ficou assistindo TV o dia inteiro pq tudo estava fechado.
A bem ou a mal, a empacotadora-mór CVC e suas congêneres fizeram um bem danado ao trade turístico: criaram uma demanda básica em lugares que mal funcionavam fora do “verão” e principais feriados, e isso acabou atraindo vôos não fretados, estrutura de fornecedores, e tudo o que pousadas e hoteis para outros públicos que não o de pacote querem. Mas ainda rola um preconceito grande em viajar “na baixa” para terras tupiniquins, principalmente em metrópoles como São Paulo e Porto Alegre em que há uma distinta temporada de “subir a serra” ou de “descer para a praia”.
André, no dia que for tão fácil reservar pousadas e hotéis pela internet no Brasil como é comprar passagens aéreas, vai ser muito mais fácil viajar a lazer na baixa.