Cruzeiro em veleiro de luxo no Caribe a preço de resort no Brasil — outro achado do Ernesto, nosso Pato Econômico
Mais uma lição de viagem e economia do Ernesto e da Cibele, num relato exclusivo para o Viaje na Viagem. Sem mais delongas, passo a palavra ao nosso Pato Econômico.
Texto e fotos: Ernesto, o Pato
Crise é oportunidade. Pelo menos no campo das viagens, esta frase é verdadeira. Com um pouco de criatividade, pesquisa e alguns toques do Pato Econômico, tiramos autênticas férias de milionários, num veleiro de luxo, que combina o charme e o romantismo do passado e a tecnologia de hoje, com escalas por algumas das ilhas mais exclusivas do Caribe.
Tudo por um preço menor do que pagaríamos num bom resort, curtindo experiências inesquecíveis como mergulhar junto com as tartarugas nas Grenadines; percorrer Tobago, a pequena e desconhecida ilha feliz; nadar em águas quentes vulcânicas em pleno Caribe; conhecer as Steel Bands de Trindad em pleno carnaval; e visitar lugares inéditos até para a nossa viajada comunidade.
Eu já viajei por mais de 40 paises, e nunca vi um povo tão feliz como o de Tobago…. Dá para imaginar que ainda existe um lugar onde você aluga um carro, sequer deixa um cartão de crédito, e devolve o dito cujo aberto, com a chave dentro, em pleno estacionamento do aeroporto internacional, porque o dono da locadora foi pular carnaval? Tobago é assim…
Foi uma viagem fantástica, a um preço que qualquer mortal pode fazer…
Alguns preços: Cruzeiro de 7 dias, no Windstar, com taxas, gorjetas, e vinho no jantar — U$ 1.200. Barco bem confortável, de Trindad até Tobago: 8 dólares. Pousada em Tobago: U$ 50 a que ficamos (não recomendo porque era fora de mão), e uma bem ajeitadinha por U$ 110,00. Gasolina para 2 dias de extensos giros de carro em Tobago: U$ 10. Hotel no Panamá, simples: U$ 44 com taxas. Passeio de ônibus no Panamá: U$ 0,75. Curtir as pinturas dos ônibus na rodoviária: não tem preço!
Por uma viagem de 15 dias, em pleno carnaval , foi uma pechincha — ainda mais se consideramos que a operadora brasileira cobrava mais do que o dobro do preço que pagamos via internet. O primeiro segredo é saber pesquisar as ofertas da Internet, e ser seu próprio agente de viagens especialmente nas promoções de última hora. O casamento ideal entre o desconto máximo do navio e um preço razoável da passagem aérea costuma ser entre 20 a 30 dias antes da partida. Nós usamos o site Vacations to Go para reservar o cruzeiro, que tem um excelente atendimento, e procuramos a rota mais econômica para Barbados, que nem sempre é oferecida pelos agentes de Viagem. A rota que fizemos, via Copa Air, pelo Panamá, e com a local Liat, foi 500 dólares mais barata do que a rota via Miami inicialmente oferecida, e com a vantagem de dispensar o visto americano.
Começamos a nossa viagem pela Copa do Panamá, que recomendo. Assentos menos ensardinhados do que os usuais, e um serviço simpático. Passamos uma noite no Panamá, no Hotel Centro Americano, ao preço camarada de 40 dólares, básico porém adequado para uma noite de conexão para nosso primeiro destino, Trinidad. Para quem quiser algo um pouco mais confortável, ou ficar por uns dias, recomendo o Hotel Bahia Suites, pelo dobro do preço.
Trinidad. Oh, my King! Chegamos em Trinidad. O povo é muito simpático, e o país é bem organizado, mas em parte você tem a impressão de estar num misto da Bahia e da Inglaterra. A Inglaterra aparece nos toques britânicos da cidade, e a Bahia, no jeito simpático e sem pressa do povo (oh, my king, não tenha pressa, que o jantar já vem…). A ilha é rica, sendo exportadora de petróleo e gás, e o ponto mais interessante é a extrema diversidade de culturas repartidas entre os negros, os hindus, e os muçulmanos, que convivem em harmonia, sendo comum ver um rastafári passar ao lado de uma burka. A cidadezinha de Trinidad vale também pelos toques ingleses, e em muitas fotos, se você quiser, dá tranqüilamente para dizer que esteve na Inglaterra.
O país tem um atrativo especial para quem gosta de natureza e de pássaros, sendo um dos 10 melhores lugares do mundo em diversidade e número de espécies — isto sem falar no santuário dos Guarás, onde milhares deles pousam em seus ninhos ao pôr-do-sol. Vale a pena alugar um carro e ir até o santuário Asa Wright Nature Center onde se vê mais de 50 espécies de pássaros, e os azuizinhos são figurinhas fáceis. Uma pequena caminhada entre flores reserva outra surpresas, como iguanas, e outras aves mais tímidas…
Nosso pequeno e simpático bed and breakfast, o Par-May-La’s Inn, com diária de 70 dólares, e que eu recomendo, era perto de diversos blocos das steel bands, que têm um som diferente e exótico, e que tocam no carnaval de Trinidad, o maior do Caribe, e bate com a data do brasileiro. Na semana anterior — a que ficamos — assistimos junto com os locais a diversos ensaios, nas suas panyards.É como entrar numa escola de samba, e estar junto com os locais, tudo com muita tranqülidade.
A culinária é um capitulo à parte e tão variada como seus habitantes, com toques das influencias africanas, indianas, e orientais. Por exemplo: comemos um delicioso cordeiro num restaurante indiano…
Tobago. Após três dias, pegamos o barco local para a ilha de Tobago. Uma agradável viagem de 4 horas, num barco moderno e confortável, que custa a “fortuna” de 8 dólares. Temos muito a aprender com as pequenas ilhas do Caribe na área de turismo. Um dos pontos altos, que se tem, tanto em Trinidad Tobago, quanto em Barbados é um excelente tourist information, e folhetos e sites como VisitTobago.com e Barbados.org, que mostram as pousadas e hotéis, ajudam a fazer as reservas e esclarecem as dúvidas locais… Será que no Brasil seria tão difícil fazer um site com os hotéis, certificá-los, e facilitar a busca de quem procura algo pela internet?
A pequena e montanhosa ilha de Tobago, também chamada “a morada dos beija-flores”, foi uma das melhores surpresas da viagem. Não pelas paisagens espetaculares, ou pelo mar azul, mas sobretudo pela felicidade e atitude do seu povo. Em 3 dias em Tobago, só vi sorrisos e gente feliz, num astral que faz bem. Embora a vida seja simples, e corra devagar, não se vê pobreza, e todos vivem bem. A melhor forma de explorar a ilha é alugar um carro, parar nas pequenas praias, e curtir as vistas montanhosas. Para quem faz mergulho, ou snorkel, a vista freqüentemente 20 metros, e os mergulhos podem ser combinados a partir da praia de Piggeon Point. Na praia de Buco Reef, você pega um pequeno barco, e chega num recife ideal para o snorkel, com suas centenas de peixinhos coloridos.
Barbados. Gostaríamos de ter ficado mais dias, mas era chegada a hora do cruzeiro. Uma pena! Pegamos o avião de Tobago para Barbados, e tivemos um dia para conhecer as paisagens da inglesinha do Caribe, uma espécie de Londres-na-praia, com seu belo parlamento. Mas, basta andar um pouco para vermos as praias e seus desfiladeiros, e algumas dos melhores lugares para snorkel no mundo.
Ficamos no Hotel SouthGap, com diária de 140 dólares, e que escolhemos pois era uma das opções mais econômicas na alta temporada. O hotel é bonito, e nosso quarto tinha vista para o mar. Mas, o Tripadvisor adverte: o hotel fica perto de uma movimentada zona noturna e sofre com o barulho da balada. No dia seguinte pegamos um táxi para fazer uma pequena visita a conhecer algumas paisagens da ilha com sua mistura de corais, e vegetação viçosa, e antigas igrejas e fazendas de açúcar.
O cruzeiro. Esqueça os mega navios e suas filas. No Windstar, você tem a mistura do romantismo do passado, com o conforto e a sofisticação de hoje. Não há cena mais bonita e romântica do que a saída do porto, enquanto as velas se inflam, e sol vai se transformando em laranja e o céu se azulando, até chegar num azul estrelado. Este é um cruzeiro para você curtir a sua primeira, segunda, terceira lua-de-mel, ou enquanto estiver com vontade de continuar casado com a mesma pessoa.
A comida é um capítulo à parte, e você pode até mesmo jantar ao ar livre. O jantar pode começar com um carpacio de atum, ao qual se segue uma lagosta. Se tiver fome prossiga com o grelhado de sua escolha, mas não deixe de experimentar o tiramisù… No Windstar, você não tem horário para jantar, e o serviço é tão personalizado, que você é tratado pelo seu nome.
Num cruzeiro você pode fazer tudo e nada. E, a maior vantagem é que você chega a cada dia num lugar diferente, sem arrumar e desarrumar suas malas, fazer check-in em hotéis nem imigração em portos ou aeroportos.
É difícil dizer de qual gostamos mais. As vezes eu lembro com saudades das tartarugas com as quais nadamos nas Grenadinas.
Ou aquele rio quentinho em Bequia? Ou seria a praia de Champanhe, nesta mesma ilha onde a água brota da água formando borbulhas?
Ou quem sabe, a simpática ilha de Granada, com seus mercados de peixes e especiarias, e que percorremos com um ônibus local?
Podem ter sido as visitas a antigas fazenda das especiarias, onde experimentamos a verdadeira baunilha e comemos uma deliciosa semente de cacau torrada. A todas essas estávamos rodeados pelo mar incomparável do Caribe, azul e verde.
Viajar é refletir, ver novas culturas. E, temos muito para aprender com as pequenas ilhas do Caribe, seja nos bem organizados sites oficiais, ou nas importância que se dá a educação, sempre se vendo as crianças arrumadinhas e uniformizadas, alias um dos pontos interessantes foi quando entramos numa pequena escola de Tobago, e vimos uma aula sobre ecologia, dada por uma professora que entusiasmada, que mostrava a importância de não poluir a pequena ilha, e quando soube que éramos do Brasil, nos convidou para falar um pouco com seus alunos.
Isto, para não falarmos que assaltos e violência são palavras que não existem nas pequenas ilhas do Caribe. Ou será que o gabinete do primeiro Ministro de Barbados, que parece um cortiço (mas as ruas são limpas e seguras, e a saúde exemplar), não tem algo para ensinar para um país que tem um Congresso tão suntuoso, mas os estudantes saem analfabetos das escolas públicas, e faltam medicamentos nos hospitais?
O tempo é o mais ingrato dos sentidos. Porque será que uma semana férias passa mais depressa do que uma hora no dentista? Nosso cruzeiro estava chegando ao fim. Você pode pegar o traslado que é vendido no navio ao preço de 50 dólares, ou desembarcar e procurar alguém que esteja indo para o aeroporto, e queira dividir um táxi. Foi o que fizemos, e gastamos 25 dólares os dois.
Em Barbados, até o aeroporto tem uma atração imperdível: o museu dedicado ao Concorde onde você pode entrar dentro de um deles, e se sentir viajando numa era em que voar era sinômino de luxo, elegância e requinte, ou fingir que foi piloto por um dia….
Panamá. Na volta fizemos uma parada de um dia completo no Panamá. Um dia ainda quero conhecer mais deste simpático país, onde o palácio presidencial e guardado pelos bird guards. Completam a visita de um dia o Canal do Panamá, e o Casco Viejo e a Ponte das Américas. Para passear por um dia recomendo pegar um ônibus até o Museu do Canal, e depois alugar um táxi por hora (ao redor de 20 dólares), e fazer o roteiro pela Ponte das Américas. Fique no Casco Viejo, uma região antiga que está sendo restaurada, e lembra bastante o Pelourinho. Quem for num domingo pode reservar com antecedência um minicruzeiro pelo canal, que custa 140 dólares. Outra atração inesquecível do Panamá é sua rodoviária, e seus ônibus pintados, de todas as cores, que vale uma visita.
Gostou? Agora é a melhor hora de ir ao Caribe. Já é baixa temporada, o sol continua lindo, e os preços estão lá em baixo. Furacões? Só depois de agosto.
Espero que tenham gostado da nossa migração, e de compartilhar nossos momentos. Sou um pato porque gosto de migrar. Em cada novo vôo, um pouco de conhecimento, crescimento e renovação, prazeres e objetivos que nenhuma moeda pode comprar. Obrigado, Riq por me deixar compartilhar um pouco destas rotas e destinos com todos vocês, a nossa querida turma do VNV.
Se minhas asas fizeram você voar na sua imaginação eu fui um pato feliz, pois contei uma história bonita, e fiz seu coração mais alegre, pois um dia eu gostaria de ser lembrado apenas como um contador de histórias.
Eu demorei um pouco para escrever porque neste meio tempo alguém querido se foi. O pai da Cibele fez a sua última partida, e um pouco dele se foi conosco. Seu Arnaldo era um gráfico, uma pessoa simples, mas todas as viagens que sonhamos começaram lá na infância, olhnado os atlas da Melhoramentos que ele ajudou a imprimir.
10 dicas do pato econômico para a sua migração
1) Passagem aérea internacional deve, após a pesquisa na internet, ser comprada no Brasil, no seu agente de viagens, em vez de no site da companhia aérea estrangeira. Motivo: a cotação do dólar oficial é menor do que a do cartão, e não há o IOF de 2 %. Além disto, muitas vezes dá para parcelar em 6 vezes sem juros em reais. Parece pouco, mas em 2 passagens se economizam mais de 150 dólares, que podem cacifar um bom restaurante.
2) Ao pesquisar o preço da passagem, especialmente em destinos que não tem vôos diretos, como o Caribe, verifique sempre o preço final. Taxas de combustível, embarque e de segurança podem chegar a absurdos 200 dólares, e a tarifa barata pode virar uma roubada. Considere também o custo do visto americano, caso você não o tenha, e verifique se no seu roteiro há ilhas que necessitam de visto.
3) Definitivamente não vale a pena ir para Trindad & Tobago com milhas. A conexão possível, via Venezuela custa absurdos 545 dólares, pela Avior ou 575 pela AirCaribbean para uma distância de 700 km. Basta que somem as taxas de embarque brasileiras e venezuelanas, para chegar a um preço semelhante ao cobrado pela Copa, cuja tarifa mais baixa desde o Brasil é de 780 dólares, com taxas.
4) Deixe os bons hotéis para quando você tiver tempo de curti-los. Se você vai fazer uma conexão e acordar cedo no dia seguinte, um hotel pobrinho mas limpinho, é uma economia que vale a pena.
5) Em Trinidad os carros com a inicial da placa H são táxis coletivos. Eles custam bem mais barato do que os táxis (cada corrida 1 dólar e meio por pessoa), e levam um passageiro depois do outro, você ainda ganha uma espécie de city-tour grátis. É só dar o sinal na rua e dizer para onde quer ir.
6) No Caribe, em geral os bed & breakfasts são tão bons quanto os hotéis, mas custam uns 30% a menos. Se você não faz questão de piscina, vale a pena pesquisar nos sites oficiais de turismo, como o GoToTrinidad.com ou o Barbados.org, onde há ofertas de pequenos hotéis que nem sempre aparecem no Google, ou no TripAdvisor.
7) Se for para Barbados, não pague os 5% de comissão que o único banco do aeroporto cobra pelo câmbio. Faça uma pequena compra no free shop com uma nota grande e peça o troco em moeda local, que só serve para pequenas compras, e ônibus. No mais é melhor levar notas pequenas de dólar que são aceitas por todos.
8 ) Ao invés de pagar pela internet cara do hotel, vá a uma biblioteca. É de graça, e você ainda pega um toque de cultura local .
9) Comidas e bebidas da terra são frescas e baratas. Um peixe fresquinho recém-pescado acompanhado de um rum punch custa 1/3 de um filé congelado acompanhado de um uísque.
10) No cruzeiro, veja os programas de excursões, escolha a sua preferida, mas não a compre no navio. O mesmo roteiro, feito com um taxista ou barqueiro local sai pela metade do preço, ou 1/3 do cobrado no navio, se você arrumar mais um casal para dividir o passeio.
Custos de viagem:
Pacote no WindStar: U$ 999 (com taxas)
Passagem aérea até Barbados: U$ 1.360 (com todas as taxas)
Passeios durante o cruzeiro: U$ 30 por pessoa , por dia, em média, ou U$ 210 por semana.
Gorjetas obrigatórias: U$ 115
1 dia de Hotel, antes do cruzeiro: U$ 65 por pessoa.
Trânsfers até o porto ida e volta: U$ 25 por pessoa (táxi local)
Total com taxas: U$ 2.700,00 (incluído pensão completa e refeições)
Semana em Trinidad & Tobago
Hotel: U$ 35 por pessoa por dia.
Comida e passeios: U$ 35 por pessoa por dia, em média.
Carro em Tobago (Nissan): U$ 80 por dia com seguro e km. free. A gasolina custa cerca de R$ 0,80 por litro e as estradas não têm pedágio.
GRANDE ERNESTO! Parabéns pela viagem e obrigado pelo relato delicioso — e valiosíssimo!
Para relembrar outras migrações econômicas do Pato:


















Robson
Para mim foi bem tranquilo, não tive qualquer problema nas 3 viagens que fiz com eles. Mas, atençao em digitar corretametne o site, pois se voce erra uma letra cai num fake.
Ernesto, muito bom o seu comentário adorei e já anotei todas as dicas pois quero fazer um roteiro do Panamá a Cancun, e quero dicas de ir por terra, mar e ar…alguém ai tem algo a dizer sobre isto?
bj a todos.
Dani
Olá, Daniele! A América Central é um dos paraísos dos mochileiros. Se você não se importar com ônibus precários, pode ir camelando de ônibus na boa. Mas vá com muuuuuito tempo: fazer essa travessia em menos de 60 dias é bobagem.
Lembre-se que para entrar por terra no México você precisa ou do visto mexicano ou do visto americano. Não é possível tirar SAE.