Fotoblog: Kiaroa, seis anos depois
Eu tinha estado no hotel mais chique da Península de Maraú apenas uma vez, logo na inauguração, uns poucos dias antes do Natal de 2003. Desde então, não tinha mais voltado. Tentei em 2005, mas não consegui agendar. Marquei uma visita em 2006, mas precisei cancelar, por conta da chuva e de um texto atrasado que precisei terminar no quarto da pousada onde estava. Ano passado, durante o rali do litoral para editar o 100 praias que valem a viagem, nem tentei; meu tempo em Barra Grande era tão escasso que preferi dedicar às praias da Ponta do Mutá e de Taipus de Fora, que seriam verbetes no livro.
Daí, mês passado, quando apareceu um convite para integrar um pequeno grupo de jornalistas para visitar o Kiaroa, resolvi aderir. Mesmo que press trips não façamo meu gênero, era uma oportunidade de preencher lacunas importantes aqui dos meus arquivos.
Valeu a pena. Finalmente pude visitar todos os tipos de bangalôs do hotel e ver as mudanças que foram implementadas desde a inauguração.
Há alguns anos o Kiaroa adotou a denominação “eco-luxury resort”. O “luxury” deve-se ao pequeno número de aposentos (28), espalhados por um terreno que comportaria um resortão – e especialmente porque metade desses aposentos são bangalôs com piscina privativa ou jacuzzi na varanda. O “eco”, além de explicitar práticas ambientais sustentáveis, ajuda a justificar a rusticidade do mobiliário e alguns acabamentos.
Antes de comentar acomodação por acomodação, devo dizer que no geral gostei mais do que esperava. Os donos são presentes e comandam uma equipe antiga e dedicada — que é o que confere alma a um hotel.
Finalmente entrei num dos bangalôs top (chamados Bali), que eu só conhecia por foto. Mesmo quem está hospedado no hotel (como eu estive, há seis anos) não pesca muito desses bangalôs, que são apenas dois e estão protegidos da curiosidade alheia por um riozinho que impede que se passe em frente. Têm área interna de 95 m2. Na varanda, boa área de sombra e uma piscina bem gostosa. A diária para casal, com café e jantar, custa R$ 2.350 + 15%.
Os outros seis bangalôs com piscina são os Moorea, que ficam mais próximos à praia. Na inauguração eram doze, geminados dois a dois — o que tirava metade da graça da brincadeira. Reformados, ganharam área total de 70 m2, com sala e dois banheiros independentes. Os três da frente têm essa vista aí de cima. Diária para casal, com café e jantar: R$ 1.913 + 15% nos bangalôs da frente (Moorea Master), R$ 1.585 + 15% na segunda fila (Moorea Luxo).
A outra novidade que eu queria visitar era a nova ala de bangalôs Malindi, que fica num ponto recuado do terreno, cercado por mata nativa. São seis bangalôs superespaçosos (95 m2) e jacuzzi no varandão (ou seja, protegida por cobertura mas agradavelmente junto à mata). Na minha opinião, é o melhor custo x benefício do hotel: R$ 1.585 + 15%.
Como da primeira estada, fiquei no predinho de apartamentos. De um modo geral, eu não curto apartamentos em hotéis de bangalôs. É difícil não se sentir hóspede de segunda classe — sobretudo no Nannai e na Pousada Maravilha, em que do seu quarto você tem vista para os bangalôs. No Kiaroa isso não acontece; e a piscina “social” é tão bacana que você não precisa sentir inveja dos que têm piscina na porta. Ainda assim, acho as acomodações modestas para a diária — sobretudo para quem já se hospedou em pousadas realmente confortáveis, como as da Rota Ecológica alagoana. Mas se você for hóspede habitual de resortões, vai gostar (e vai sentir o upgrade da baixa densidade demográfica). Diárias para casal com café e jantar, R$ 1.038 + 15%.
Gostei bastante da comida — sofisticada, saborosa e bastante bem apresentada. O chef Clayton é nativo, mas aproveitou bastante os anos de aprendizado com Antônio Bispo, com passagem pelo Fasano. O cardápio traz sempre quatro entradas e quatro pratos principais, que mudam todos os dias.
As outras duas adições importantes foram o spa, que fica atrás de um belo bambuzal, e o centro náutico — uma base de apoio, na Ilha de Campinhos, para passeios de lancha pela Baía de Camamu. A base fica a 10 minutos de jipe do hotel; não é preciso passar pelo centrinho de Barra Grande.
A praia em frente é totalmente deserta. Na maré alta é preciso tomar cuidado com as que existem bem em frente ao hotel — o lugar para entrar n’água é logo à direita, onde há um trecho livre de pedras. Se você gostar de caminhar, em 50 minutos chega pela areia à praia de Taipus de Fora. A vila de Barra Grande está a 10 minutos de jipe — vale para ver o pôr-do-sol do lounge Macunaíma, no centrinho, ou nas barracas da Ponta do Mutá. Quanto aos demais passeios (lagoas, Morro do Celular, trilha das bromélias), recomendo que sejam feitos numa saída só; a estrada da península continua horrorosa, e deve ser enfrentada o mínimo possível.
Como chegar: o Kiaroa tem uma pista de pouso asfaltada nos fundos do hotel, e freta vôos diários desde Salvador (40 min. em teco-teco). Quem reserva sete noites ganha o traslado de cortesia. Se você quer ir de avião a Barra Grande mas não vai ficar no Kiaroa, pode fretar um vôo com a Aerostar ou a Addey e pousar numa das outras duas pistas (de terra) da península. De carro, é preciso ir até Camamu, que fica 140 km ao norte de Ilhéus e 190 km ao sul de Salvador (via Itaparica, com ferry-boat). Em Camamu deixa-se o carro no estacionamento do estaleiro e pega-se uma lancha que em 30 minutos chega ao píer de Barra Grande. (O caminho desde Ilhéus encurtará para 110 km depois que completarem a ligação entre Itacaré e Camamu; o asfalto já está pronto, mas falta construírem a ponte sobre o Rio de Contas.)
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Gostei do post, gostei do hotel. O bangalô Bali é o máximo, mas completamente fora do meu orçamento. Só não gostei do neologismo “implementada”! ;X
A quem interessar possa (e as finanças permitirem, o que não é o meu caso) , a Tam e a Mastercard têm uma promoção para o Kiaroa, em que (pelo menos é o que prometem) o segundo passageiro não paga. Quatro noites, em regime de meia pensão, com vôo até Salvador, ficaria em torno de 3500,00 (saída de BH), o que parece realmente vantajoso diante dos preços acima.
Oi Riq, estou de volta ao VnV após uma viagem desconectada. Quase nenhum wi-fi grátis nos States (viu Flavitcha), nem nos hotéis, nem nas estações de trem, aeroportos, cafés, etc. Inacreditável. E o custo era carinho para quem teria pouco tempo de net: cerca de 15 dólares em média para 24h. Viagem corrida mas bem aproveitada. Vou blogar tudo.
Ah, adorei o Kiaroa, mas realmente fica fora do meu orçamento.
beijão
Lugar maravilhoso, mas infelizmente fora da minha realidade. É pelo VnV que a gente visita lugares assim
)
ai…fiquei com taaaanta vontaaadeeee…..Lindo, e lindas fotos.
O pacote Surpreenda da Mastercard saindo de BSB, fica por 3.000R$, PC, com aéreo BSB/SSA/Kiaroa. Muita tentação…
Ainda bem que vontade em pobre é coisa que dá e passa
Tive essa mesma sensação Dani…
Eu nem consigo ter vontade rsrs Mas bem que pensei – se meu namorado ganhar na próxima megasena rsrs
Melhor comentário do dia!
Quem voce levaria para uma pousada num lugar deserto? E, quem voce deixaria lá para sempre, sem ticket de volta?
Que luxo! Totalmente fora do meu estilo $$$ de viagem! Mas, quem sabe daqui a seis anos…né, não?!
Tem que pensar assim!
Muito interssante
Mais interessante depois de que lí o resultado da pesquisa com os trips , e os coments aqui .
Paradigmas …
É realmente paradisíaco o lugar e a pousada muito bonita mas não me hospedaria lá de modo algum. Fujo de resorts e de locais isolados. Como disse o Rafael temos a sorte de, através do VnV, conhecer belos lugares mesmo que não sejam os que sonhamos.
Que beleza de post! Se tudo der certo, ate o final do ano conheco o Kiaroa ao vivo e a cores tambem…
Maravilhoso! Mas completamente fora da minha realidade. Por esse precinho e com milhagens dá pra fazer um viajão! só se ganhasse como prêmio sei lá de que..
UAAAAU, mas faço coro com a maioria da tripulação… por enquanto, só suspiros pras fotos… mas quem sabe, num futuro bem próspero? Pensamento positivo sempre…
Lindas fotos! Riq, ele aceitam crianças? Tem infra para elas?
Com exceção de dezembro e julho, só crianças acima de 12 anos.
Em dezembro e julho aceitam crianças de qualquer idade, e transformam a sala de convenções numa salinha de brinquedos.
Olá Ricardo, tudo bem?
Eu e meio noivo estamos em dúvida entre o Kiaroa e a Pousada do Toque. Por incrível que pareça, em termos financeiros, os pacotes estão empatados para os dois lugares.
Eu tenho séria tendência para a Pousada do Toque, acho o lugar lindo, calmo, e pelo seu blog percebi que tem um ótimo atendimento, gastronomia maravilhosa…
Já meu noivo acredita que a Pousada pode ser um pouco parada demais, prefere a infra-estrutura do resort, pois teríamos mais opções de passeio…
Como não conhecemos ninguém que já se hospedou lá, você poderia nos dar uma ajuda?
Nós dois queremos praia, algo tranquilo, com poucos hospedes (e poucas crianças), mas que tenha ao menos lugares para passearmos um pouco.
Obrigada pela ajuda!
Não acho que você vai acreditar em mim, mas de todo modo preciso dizer que esse negócio de passeio na praia, na maioria das vezes, é invenção de quem quer extrair um dindim a mais do turista. Se você está num hotel ótimo numa praia bacana, não terá motivos pra sair do hotel. É diferente de estar num três-estrelas numa praia média: aí tem mais é que agradecer quando passa o busão pra te levar pra longe.
Dito isso, os passeios na Rota Ecológica são poucos e básicos — você pega um barco para ir à piscina natural ali defronte, outro dia vai visitar o peixe-boi, e se tiver bicho carpinteiro e quiser muito ver uma praia diferente, então vai até a Praia do Morro.
Em Barra Grande há mais passeios, e todos envolvem sacolejar numa estrada terrível. Dá pra andar de barco pela baía de Camamu (a paisagem é de rio, com a diferença de haver ilhas, com jeito de ilhas fluviais), subir em morros para ver a vista, ir até a piscina natural de Taipus (dá mais certo nas luas cheia e nova, e nos dias dentro dessas luas em que a maré baixa ocorrer no meio da manhã).
Enfim, acho que em ambos os casos vocês serão tanto mais felizes quanto mais tempo passarem dentro do hotel aproveitando a mordomia para namorar.
Ricardo, muito obrigada pelo seu esclarecimento!
Pelo que vc respondeu, percebi que em ambos os casos estaremos num hotel ótimo e teríamos poucos motivos para sair de lá, correto?
Acho que teremos que decidir pelo coração mesmo. Nossa dúvida é: trocar um super resort (que parece ser o sonho de consumo de todos os casais com quem conversamos e de todas as agências que indicam viagens para lua de mel) por uma pousada (que tende a ser mais simples) seria um bom negócio?
Acho que sim, né?
Parabéns pelo blog e muito obrigada pelo serviço de utilidade pública que você presta!rs
Vai do estilo da pessoa, Andreza. Na comparação Kiaroa x Toque, o Kiaroa ganha em espaço, tamanho de piscina e restaurante. Mas na comparação quarto a quarto os do Toque são superiores (os chalés simples dão de goleada nos apartamentos comuns do Kiaroa, e os chalés com piscina ou ofurô são mais confortáveis/refinados que os de Maraú).
Entendi, muito obrigada mesmo!
A comparação que estamos fazendo é entre o bangalô do Kiaroa com o chalé jardim com piscina da Pousada do Toque.
E como os dois estão empatados em preço, dá essa dúvida danada.
Obrigada pela ajuda!
Ricardo,
Quando seria uma época sem chuvas para ir a Barra Grande?
Obrigada pela ajuda!!
Olá, Dani! O Comandante sempre diz que a época para ir à costa leste do Nordeste (do meio da Bahia ao Rio Grande do Norte) é entre setembro/outubro e março.
Ricardo,
Te acompanho pela Band News e gosto muito dos seus comentários.
Estou programando uma viagem de descanso coma esposa e seu blog me ajudou muito a escolhe-lo. De qualquer forma, restam algumas dúvidas que talvez possa me ajudar:
- Dos hotéis Kiaroa, Tivoli Praia do forte e Costão do Santinho, qual se aproximam mais do nannai (que já ficamos e adoramos em nossa lua de mel);
- O preço dos extras (bebidas ppalmente) no Kiaroa são extremamente caros? a praia lá é tipo piscininha?
- o salinas de maceió é boa opção?
Obrigado…Abraços…estamos indo em janeiro/2012
Olá, Rodrigo! Respondemos no outro post. Por favor não duplique perguntas idênticas em posts diferentes.
http://www.viajenaviagem.com/2010/12/nannai-o-luxo-de-porto-de-galinhas/comment-page-1/#comment-152211