Palco HSBC, 2ª. rodada: “para salvar, é preciso conhecer a Amazônia”. E a nova pergunta: existe beleza na imperfeição?
O PalcoHSBC já tem uma nova pergunta para a comunidade Viaje na Viagem. O tema da semana é beleza. Onde você é capaz de encontrar beleza? Existe beleza na imperfeição? É possível ter belas experiências em lugares imperfeitos? Não se preocupe em ser politicamente correto: a força dessas enquetes está na sinceridade dos comentários e na combinação de opiniões distintas.
Quer saber como respondemos à pergunta da segunda rodada, “Amazônia: você assume a sua responsabilidade?”.
Vamos lá.
Alguns entendem a Amazônia como um símbolo de preservação do meio ambiente. As boas práticas de conservação ambiental do dia a dia já seriam o bastante para cumprir com nossas responsabilidades; infelizmente, isso é pouco. “Eu economizo água, economizo luz, economizo combustível – mas me parece pouco, diante de tanto descaso com a região” (André/DF); “Faço a minha parte, principalmente usando as três palavrinhas com “r”: reuso, redução e reciclagem. Mas falta muito!” (Érica/SP). Nesse campo, cabe um mea-culpa: “Acho que não temos a devida consciência ambiental, quando deixamos o chuveiro aberto à toa, quando não abrimos mão das sacolinhas de plástico do supermercado, enfim, tem muita coisa ainda pra mudar” (Bianca/RJ); “Confesso que não consigo abrir mão de certos confortos; não acho que devemos parar de andar de carro ou avião para não poluir mais ainda” (Alessandro/SP). Se bem que algumas vezes nossos esforços vão por água abaixo: “Já tentei fazer coleta seletiva na minha casa mas não adianta nada quando vejo algumas entidades misturarem tudo de novo” (Juliana/MG).
A maioria, porém, não sabe exatamente qual é a sua responsabilidade específica no caso da Amazônia – e portanto fica sem saber o que fazer para assumir seu quinhão. “Gostaria de saber quem cuida da Amazônia, a quem me reporto para ter informações, a quem denuncio, de que forma ajudo. Sinto-me perdida e sem informações de uma parte tão importante do nosso Brasilzão” (Érica/SP). “Eu assumiria me passassem os dados corretamente. O que tem lá? Pra que e quem serve? A quantas anda tudo?” (Eduardo/SP). “Ainda que me irrite constatar a destruição diária de hectares de floresta, ainda que me consuma ver o furto deslavado de minério, bem como da nossa biodiversidade, eu não faço nada para ver esta questão alterada. Pior: não sei o que fazer” (Cristiana/RJ). Nem todo mundo concorda com todas as práticas de conservação: “Gostaria de achar caminhos melhores e mais eficientes para preservar a Amazônia; sou contra algumas coisas que associam à preservação da floresta tropical. Especialmente essa mania de querer manter os índios isolados, em áreas gigantescas, abertas para o corte de madeira, garimpo e tráfico de drogas. Os índios precisam de educação, saúde e civilização, não de reservas continentais” (André/DF).
Há quem não assuma sua responsabilidade por achar que essa divisão de culpa só serve aos verdadeiros responsáveis – as autoridades. “Não me sinto responsável pela preservação e nem tenho sentimento de culpa. A verdade é: se não houver distribuição de renda e investimento maciço em educação no Brasil, não vai sobrar nem tiririca na Amazônia” (Zé/EUA). “O problema da Amazônia é policial, ou seja: roubo de madeira. Esse é o ponto… e ponto!” (Zé Maria/SP). “Eu assumo cuidar do meio ambiente, mas, sinceramente, eu não sei qual é a minha responsabilidade com relação à Amazônia. Ela é mesmo ‘nossa’?” (Francisca/SP).
Pelo menos uma voz se levantou para provar que sim, está fazendo a sua parte. “Trabalho no combate dos crimes ambientais; ano passado fiquei dois meses na fronteira amazônica entre Brasil e Bolívia numa operação de combate ao desmatamento” (Camilla/GO). Ela dá a receita para quem quer colaborar de casa: “Assumir a responsabilidade vai além; são pequenos hábitos, como não comer carne, comprar móveis só de madeira certificada, que fazem a diferença. Só estão desmatando para colocar bois, ou para plantar soja para alimentar gado, porcos, galinhas… A minha parte eu faço, mas sei que minha parte da Amazônia vai se perder junto com as outras porque essa responsabilidade é de todos e todos fecham os olhos, mas abrem a boca!”
Teremos que nos tornar vegetarianos? A maioria discordará disso, mas por certo concordará que educação é fundamental. “Não é preciso fazer parte de ONGs para educar. Os princípios a gente ensina aos filhos desde pequenos. E ensina na rua quando a gente vê as pessoas fazendo coisas erradas. Tem que ter o efeito multiplicador” (Rosa/DF). A educação às vezes vem de onde menos imaginamos. “Não assumia a minha responsabilidade, até que meu filho de 7 anos me disse: ‘Pai, o mundo tá acabando porque os homens não preservam as florestas e estão extintando os animais’” (Altamiro/PI).
Escolhi como fecho o comentário da Lu/RJ, que me tocou particularmente por remeter (provelmente à revelia da autora) ao mundo das viagens: quem visita, quem “conhece” um lugar sempre se sente responsável pelo seu destino. (Quem me ensinou isso foi a Lucia Malla.) Enquanto o brasileiro não conhecer a Amazônia de fato, ela continuará sendo um longínquo assunto do noticiário.
Para dizer que adoto práticas de quem assume a responsabilidade com relação à Amazônia eu precisaria conhecer melhor os problemas da região. Na verdade, não me sinto bem-informada sobre o tema. E, pelo que vi em um seminário hoje, nem os especialistas brasileiros entendem bem a Amazônia, já que uma quantidade ridiculamente pequena de dinheiro é investida para pesquisar a região. É impossível preservar/dar valor ao que não se conhece.
Obrigado a todos por me ajudar a compor um tratado tão inteligente.
Tire um tempinho para responder à nova pergunta – tenho certeza de que vamos aprender muita coisa com a soma de nossas opiniões!







Muito bom o texto! Parabéns pela compilação das informações Riq. Vou continuar participando esta campanha no VNV esta sensacional.
Grande abraço,
Muito legal esse trabalho. Estou adorando!
Quando eu vejo uma citação minha aqui me encho de felicidade e orgulho, procuro ser uma pessoa coerente e responsável. Acho que esse é o caminho.
Nossa, lendo minha parte ficou um tanto quanto parecendo apologia
hihi… sem maiores intenções, faço minha parte da forma que entendo ser realmente eficaz para que surta algum efeito… e isso pode ser feito apenas não jogando lixo na rua 
e o melhor e mais verdadeiro foi dito – é impossível preservar ou dar valor ao que não se conhece!!
visitem nosso país tb!!
pode deixar aqui um link pra algumas fotos?? (se não, vc pode remover Riq!) http://www.flickr.com/photos/43825734@N08/
beijinhos
[...] This post was mentioned on Twitter by Flavia Penido and Altamiro Leao, Altamiro Leao. Altamiro Leao said: Dêem uma olhada no blog do @riqfreire e leiam http://bit.ly/2uPl11 … tem citação deste q vos tuíta, @miroleao, no 6. parágrafo… [...]
Se eu não me engano é da Sylvia Plath (ou seria Colette?) uma frase dizendo que a perfeição é enfadonha, porque não se evolui a partir dela, ela é “fechada”. Se usarmos esse axiomna, a imperfeição é bela justamente porque mais excitante, mais cheia de possibilidades, passível de mudanças enquanto que a perfeição…é boring, e por vezes corre o risco de ficar sem “tempero”, sem ginga.
Tenho sempre que tudo que é perfeito é meio de plástico, meio de mentirinha…até porque não sei se existe perfeição.
Fazendo uma elucubração com as viagens, as imperfeições são os micos que pagamos pela independência e autonomia de viajarmos sozinhos – micos esses que, como todo mundo sabe, são no fundo, o que diferencia uma viagem da outra, o que torna uma viagem a Paris a NOSSSA viagem à Paris…
bisous
Repito o que disse lá no twitter: Onde mais existiria beleza senão na imperfeição?
No mais, concordo com a Flavia. Perfeição é algo que não existe; é a eterna meta irrealizável, inatingível. E é pra ser assim. Tudo que chega perto demais dela fica, de fato, enfadonho…
Queridas, é pra responder no formulário da direita, no alto!
Interessantissimo de novo ler essa compilacao. E Flavitcha-Lady-Rasta arrasando nos devaneios
hahahahaha. Gostei da observação, Riq!
É que a galera lê a pergunta, se empolga e quer logo responder por aqui mesmo!!
Já participei e respondi ao novo tema.
Tem sido muito legal essa compilação que vc faz ao final pq leva a gente a uma reflexão. Penso que esse seja o grande barato da enquete!
Nossa, que trabalheira! Mas ficou muito bom!