Viaje na nova pergunta do Palco HSBC: ainda existe alguma liberdade a ser conquistada?

FacebookLinkedInEmailShare

Hoje é aquele dia de singrar mares diferentes aqui no Viaje na Viagem: é quando aparece a nova questão para a comunidade soltar a voz. Depois de Rio 2016, responsabilidade ambiental, beleza e casamento, o assunto da vez é: liberdade.

Somos realmente livres? Existe alguma liberdade que ainda não tenhamos conquistado? Deve haver limites para a liberdade?

Fale o que vier à sua cabeça; não se preocupe em ser politicamente correto – basta ser sincero. Sua opinião será costurada num mosaico de comentários. Os anteriores – parabéns, povo! – ficaram ótimos.

Quer saber o que a comunidade VnV pensa sobre casamento? Abaixo do vídeo tem o resumo.

Relembrando – a pergunta era: “Para você, casamento é para sempre?

Poucos de nós afirmam peremptoriamente que o casamento não é para sempre. Duvidar da longevidade do casamento, porém, parece tão óbvio que chega a dispensar justificativas. Como nesta resposta sintética e definitiva: “Não.” (Gabe/RS). Há quem lembre a importância das aparências: “Muitas pessoas levam tão a sério esta afirmativa, que o que mais importa é o título ‘sou casada(o)’ do que a felicidade de compartilhar momentos ou mesmo a vida com outra pessoa” (Li/SC). Mas o ceticismo pode vir acompanhado de bom humor: “Casamento nunca dá certo. E se der, é porque tem alguma coisa errada” (Yara/SP); “O melhor do casamenento é que: dá pra separar” (Fátima/EUA). A sinceridade, neste assunto, pode requerer o uso de um apelido: “Com todas as tentações disponíveis, ou se assume a saudável hipocrisia de pular a cerca e ambos fingirem que não sabem, ou degringola. O amor é o que importa, mas mesmo esse acaba, o que fica é a amizade. Casamento sempre foi uma farsa, um contrato social. A melhor solução é cada um na sua casa ou pelo menos em quartos separados. E digo mais: TODOS que conhecemos e estão casados/ajuntados/etc, daqui a dez anos estarão separados. Podem lembrar disso em 2019”. (Celibatário/ND).

O índice de sins mais ou menos absolutos também foi baixo, mas veio de pessoas de diferentes perfis. A crença no casamento eterno pode vir da idealização romântica — “Se as duas pessoas se amam de verdade é pra sempre” (Paula/RS) – ou da (boa) experiência própria: “O meu, sim! São 25 anos de felicidade! O dos outros? Pelo que eu vejo por aí, não muito!” (Edu/SP). O que acaba justificando a expectativa de quem está começando agora: “Como recém-casada, sem nenhum contrato ou papel, só posso dizer que penso que é para toda a vida. Não acredito que alguém responsável consigo e com o outro case achando que é temporário. Como fazer planos e querer contruir uma vida achando que isso irá acabar? Melhor nem começar!” (Mô/SP).

Alguns nãos também vieram de experiências negativas. “Casei-me muito nova e, até então, casamento para mim seria único e para sempre; hoje já não penso assim” (Maria Aparecida/MG); “Até que o tédio/ a traição/ as brigas/ os desentendimentos/ separem o casal” (Maria/SP).

A finitude do casamento, no entanto, é encarada com naturalidade por muitos de nós. “Casamento raramente é pra sempre. E é bom que assim seja. Afinal, a longevidade da relação só é apreciável quando anda de mãos dadas com o prazer em estar juntos. E como garantir esse equilíbrio constante entre pessoas em transformação permanente? O importante é, mesmo contra a probabilidade, torcer para que dure pra sempre e, se acabar, valorizar o que foi bom e digerir o que foi ruim. E, quem sabe, começar tudo de novo” (Sílvia/MG). “Não há mais regras, e isso é bom. Cada vez mais as pessoas procuram ser felizes cada um a sua maneira, e isso pode ser casado, solteiro, mais ou menos…” (Lore/SP). “O conceito de casamento e família mudou há algum tempo, isso é fato. As uniões são pouco duradoras e a estrutura das famílias mudou, com filhos/irmãos de vários pais e várias mães de 1o., 2o., 3o., 4o. etc casamentos. As crianças e jovens já convivem desta maneira” (Majô/RJ). Por exemplo: “Nunca me casei, mas tendo vivido dois quase- casamentos (outro conceito moderno), concordo com o filho de um amigo meu que tem 9 anos e está vendo a mãe casar de novo – no segundo a gente é mais experiente e pode ficar com quem gosta de verdade” (Cristina/RJ).

Quer saber? A imprevisibilidade da experiência é desafiadora. “O casamento é para sempre um mistério, já que acaba por ser uma aventura. Além disso, a memória humana é seletiva. Neutraliza, de alguma forma, nossa capacidade para a dor e assim, tão simples, permite que, inevitavelmente, se possa pensar que o casamento é para sempre. Eu acho que quando eu casar é para sempre e quando não me casar, também…” (Carmen/ESP).

Para boa parte dos comentaristas, Vinicius já disse tudo. Seu “que seja eterno enquanto dure” foi citadíssimo, no original ou com pequenas variações. E quem somos nós para contestar o poeta?

Podemos, contudo, dar a receita para que seja eterno pelo maior tempo possível. “O casamento só é para sempre para as pessoas que querem – e sabem que vão – trabalhar na relação todos os dias. Isso independe de oficialização ou menos de qualquer relação. Um papel nunca vai mudar a atitude de ninguém com relação ao outro. A única variante num casamento/relacionamento é a consciência de que é preciso haver, acima de tudo, respeito ao outro como indivíduo, respeito a si próprio, e um desejo muito grande de manter vivo o amor que vocês sentem. Enquanto isso existir, existe o casamento/relação” (Marcie/EUA).

Veja que bonito paralelo com a amizade: “Eu acredito que algumas amizades são para sempre, então por que não um casamento? Acho que deve-se entrar no casamento com a idéia de que, sim, é pra sempre. Mas, também, não se deve esquecer que as relações são construídas e mantê-las exige empenho, trabalho, paciência e, muito, muito amor. Partilhar uma vida, deixar que o outro te conheça, se interessar verdadeiramente pelo companheiro é saber que com, sem ou apesar de todo o amor que une duas pessoas, cada um é um. Casar, de certa forma, é como viajar. É estar diposto a conhecer o novo, correr riscos, dividir experiências, prestar atenção em novos hábitos e costumes, e rir das diferenças. Eu já falei que bom humor é fundamental? Como numa viagem, nem tudo é perfeito, por mais que se planeje. Problemas vão surgir. Acho que no fim das contas a pergunta que a gente se faz não é ‘se é para sempre’, mas se a gente está fazendo o possível para que seja” (Lu/RJ).

Continuando no universo das viagens: “Casamento, expectativas, etc.: imagine viajar para um lugar superbacana mas tendo que se hospedar num hotel 2 estrelas e com banheiro compartilhado… Acho que é mais ou menos por aí…” (Zé/EUA). Traduzindo: “Eu acho que todo mundo, quando casa, o faz com intenção de perpetuar a relação, se vendo com o outro, velhinhos, lembrando dos casos antigos. O problema é que a convivência nem sempre é pacífica, e passa por crises. E as pessoas hoje em dia estão muito prontas a jogar tudo fora, na menor dificuldade. Mas casamento (como qualquer sociedade) só é bom se for bom pras duas partes, e dá trabalho. Então fica melhor assim: manter o relacionamento é que é para sempre – se parar, acaba” (Daniela/MG).

Como devo fechar este texto? Com a expressão do otimismo romântico? Tipo: “O amor é pra sempre, mesmo que não seja em um único e eterno casamento” (Rosa/DF)

Ou com a certeza da incerteza? “Às vezes sim, às vezes não, às vezes num único dia sim e não.Muitas vezes sempre!” (Ana/SP).

Acho que vou terminar com uma bela variante do Vinicius, que resume o pensamento da maioria:

“Não acho que casamento seja pra sempre. Casamento é pra ser enquanto as pessoas envolvidas estejam felizes. Se isso dura dez anos ou uma eternidade, é da vida de cada um. Pra sempre é a minha vontade de ser feliz”. (Carla/NY)

Muito obrigado, pessoal! Bora responder à nova pergunta, please! Lembrem-se de que vocês tem liberdade total de expressão :-)

FacebookLinkedInEmailShare

4 comentários para “Viaje na nova pergunta do Palco HSBC: ainda existe alguma liberdade a ser conquistada?”

  1. Nossa Riq, texto emocionante. Desejo que no final se transforme em um belo documentário, um manifesto, um livro de boas maneiras, um livro de poesias! São muitas as opções, a colcha de retalhos está ficando muito bonita!

  2. ÒiÓ

  3. Depende de onde a pessoa nasceu…

  4. Nossa ficou lindo – vou mandar para meus amigos. Parabéns pessoal! (Deu até nós Majôzinha – eu que nunca falei nada neste palco).

comentódromo