Passeando e comendo em Lima, na carona do Pato Econômico

Restaurante Rosa Náutica, Lima

Parte 2 de uma série. Texto e fotos: Ernesto, o Pato Econômico. É hora de passear um pouco. Um dos primeiros passeios para você se encantar é o Shopping Larcomar, que se estende entre o mar e o declive que margeia Lima, o Barranco. Ele é um shopping que cativa até aqueles que não gostam de compras, como eu. A vista é belíssima, as lojas de artesanato dão uma amostra do que você vai encontrar no resto do pais,  e você pode se introduzir no mundo dos museus na filial do Museo del Oro, com suas belíssimas e impressionantes jóias de ouro, e uma bela exposição que mostra como eram feitos estes trabalhos nos tempos das culturas incas e pré-incas.

Não deixe de provar um sorvete de lucuma, ou de coca na sorveteria do Shopping, e de aproveitar a hapy hour do Restaurante Portofino, onde das 17 as 20 horas por menos de 10 dólares você toma um champanhe, ou um delicioso pisco sour (aliás, não deixe de prová-lo!), escolhe um petisco que pode ser um sashimi, um polvo, e finaliza com uma sobremesa, assistindo a um belíssimo por do sol….

Depois do shopping, vire à esquerda e curta a vista do Barranco, andando pelos jardins…. Vá passeando até a estátua do Parque del Amor , onde você vai se sentir em Barcelona. Um pouco mais adiante você vai ver um farol e uma pista de paraglider.  Eu posso ser um pato, mas tenho medo de voar com quem não conheço, e alguns pilotos me pareceram imprudentes, e o paraglider é um esporte de risco. Mas gostaria de um dia ir com alguém que me fosse recomendado.

Alguma hora você vai precisar de um táxi. Este vai ser um dos aspectos antropológicos mais interessantes de seu passeio no Peru.  Há uma infinidade de táxis de todos os tipos, de Toyotas Corollas numa razoável ordem, até os pequenos Ticos meio remendados. Qualquer um pode fazer um bico nas suas horas extras, é só colocar um adesivo “Taxi” no seu carro. Nenhum deles tem taxímetro, de modo que você deve dizer para onde vai, e perguntar o preço para o motorista, e dependendo do que for dito, pechinche um pouco, ou pare o próximo motorista.  Parece muito bagunçado mas funciona bem. Não sei se tive muita sorte, todos os motoristas foram muito honestos, e nunca tive problemas em nenhum táxi, o preço cobrado sempre foi o combinado –- mesmo quando o motorista não conhecia o caminho e deu várias voltas. E é muito barato: mesmo uma corrida para o distante porto de Callao, ou para o museu Larco, que demora mais de meia hora, raramente sai mais do que 7  dólares. Uma pequena corrida, por volta de 2 a 4 dólares, ou seja algo como 1/3 do preço de São Paulo.  Não tomei nenhum cuidado em especial, a não ser evitar os taxis muito molambentos, e no começo, eu perguntava para algum morador local sobre o valor aproximado que deveria ser cobrado.

Museu Larco, Lima

No seu segundo dia em Lima, você pode começar com algum museu.  Um dos menos divulgados, mas com uma curiosa exibição de cerâmicas eróticas é o Museu Larco, que é uma sede de fazenda colonial do século 18, localizada sobre as ruínas de uma pirâmide inca.  O museu vai muito além da sua atração mais famosa, com exemplares de ouro, tecidos finíssimos e outras cerâmicas que mostram a vida cotidiana dos antigos povos pré-hispânicos. Se você gosta de museus e de história dos povos antigos, você vai ficar fascinado por aquele que é o ‘Egito da América Latina’, e que vai muito além dos incas, com outras culturas complexas como a chavín (famosa pelos objetos de ouro que adornavam seus governantes), a wari, que construiu cidades e centro sagrados tão grandes quanto Machu Picchu, ou a nazca, famosa pelas linhas e pelas múmias.

Catedral de Lima

Não deixe de passar um dia no centro histórico, começando pela Plaza de Armas. Lima foi a cidade mais rica da América espanhola, e o principal centro de extração do ouro e da prata. A Plaza de Armas guarda a catedral e o palácio arcebispal, com as típicas sacadas de madeira, e que deve ser visitado. Há vários outros que recomendo como o convento de São Francisco, que é o maior conjunto de arte colonial barroca espanhola, muito bem preservado e com atrações únicas, como a biblioteca repleta de livros bem conservados dos séculos XVI e XVII, a “última ceia” com toques indígenas, e a enorme catacumba, com milhares de ossos que lembram a transitoriedade da vida.

Há outros passeios interessantes, que são próximos ao Centro como o Museu do Banco Central do Peru, com suas peças de ouro, e o impressionante Museu da Inquisição, onde dá para ter uma idéia das torturas que sofriam aqueles que ousassem desafiar a fé vigente na época. Ambos têm entrada grátis.

Se você quiser se aprofundar na história do Peru, não deixe de ir ao Museu Nacional de Arqueologia, que oferece um painel completo de todos os povos incas e pré-incas e de suas culturas. Você vai ter um pequeno retrato destes fascinantes povos antigos, conhecido as múmias nazcas, a crâmica moche, e é claro, muitas peças de ouro e prata.  Perto do museu, há vários restaurantes, inclusive um que serve uma premiada receita de ravióli com recheio de cuy, que não comi pois quando terminei a minha vista o museu já havia fechado.  (Dica do Pato Econômico: no mês de Dezembro, a partir das 17 horas a visita é grátis.)

Cibele no Circuito Mágico del Agua

Se for de quinta a domingo, não deixe de encerrar o seu passeio no Parque da Reserva, ou como é chamado poeticamente, o Circuito Mágico da Água. Este é o maior parque de fontes do mundo, onde 23 fontes dão espetáculo de luzes e show…. Pontualmente às oito da noite começa o espetáculo de som, luzes e laser, com imagens dos principais pontos do Peru. Se você sente um pouco de nostalgia das antigas fontes luminosas, este é o lugar para recordar. Tem outras brincadeiras, como um túnel onde você passa no meio da água, e outro onde as águas saltam aleatoriamente  e você tenta não se molhar….  O ingresso custa pouco mais de 2 reais….  Você pode ver no Youtube:

Parque de la Reserva, Lima

Está na hora de comer. Você gosta de comida japonesa? Então vai adorar a comida peruana!  A comida peruana vai muito além do ceviche, também chamado o sushi dos Andes.  As correntes frias que banham o litoral do Peru trazem uma grande variedade de peixes de todas as espécies, que são sempre servidos fresquinhos e saborosos. Se você gosta das criaturas do mar, de milhos, e das 25 espécies de batatas que só existem lá, você vai adorar a comida peruana, que está entrando com toda força como uma comida da moda, sendo leve e saudável, mas muito saborosa, e diferente de tudo o que você já comeu antes.

Cebiche

O ceviche, ou cebiche é um peixe marinado com limão e temperos diversos como as pimentas amarelas locais, cebolas e coentro, e é servido com abóbora ou batata doce e milho “extra-grande”. Pode parecer meio exótico, mas o festival de sabores que se mistura na boca é de deixar saudades. A origem do ceviche foi a necessidade de conservar o peixe para que ele fosse levado para as montanhas.  Embora o ceviche seja diferente de nosso pirão, ele tem algo em comum. Cada cozinheiro faz seu tempero, e você nunca vai comer um ceviche exatamente igual ao outro.  Um prato bem farto de ceviche varia de 8 a 30 reais conforme o nível do restaurante.

Algumas dicas de lugares que fomos e gostamos:

Restaurante Puro Peru: É a versão local da churrascaria de rodízio, com um buffet bem variado, com diversos tipos de ceviches e de comida criolla. Dá para fazer um passeio pela culinária local com frutos do mar, um picante de mariscos inesquecível, arroz com calamares em su tinta…  E, não deixe de provar a torta de lucuma, ou a mousse de pisco.  Um casal, com bebidas gasta cerca de 55 dólares com bebidas e serviços. Não perca:  Av. República de Panamá 258.

Restaurante Rosa Náutica.  É uma bela casa em estilo inglês do começo do século, e que fica sobre o mar, com um por do sol maravilhoso. Dizem que é “pega-turista”, mas eu achei o ambiente inesquecível e a comida muito boa. É possível que seja um pouco mais caro que outros lugares, mas o romantismo vale a diferença. Preço por casal: 70 dólares. Fica no Espigón 4 Circuito de Playas, ou peça para ir no Rosa Náutica, que é um endereço bem conhecido.

Outro que merece uma visita é o restaurante ao lado das ruínas incas do sitio arqueológico chamado Huaca Pucllana, aliás era um antigo complexo cerimonial no meio da cidade de Lima, onde os nativos faziam sua preces e oferendas aos Deuses. Por sinal, dentre as oferendas, as humanas eram comuns e as preferidas eram mulheres e crianças. Um dos guias arqueológicos nos disse que todos os povos da America Latina, desde México até o norte do Chile faziam sacrifícios humanos…. Ah, o restaurante era belíssimo com uma ótima culinária com toques crédulos locais!  Preço por casal, 80 dólares. Peça para o taxi descer em Huaca Pucllana.

(Quer provar ceviche em São Paulo?  O restaurante La Mar tem um prato misto de ceviches de degustação para você provar e aprovar. Em torno de 150 reais por casal. Fica na rua Tabapuã, 1410 (Itaim Bibi), tel. 3073-1213. Já fui e é muito bom.)

Mas se você quiser apenas matar a sua fome, há uma infinidade de outras comidas e muitas vezes fomos muito bem servidos nos típicos restaurantes chineses peruanos, as chifas, onde a partir de 4 reais (não esqueci nenhum zero), dá para comer um apetitoso frango com limão…. A comida bem feita, em um restaurante popular dificilmente passa dos 10 reais por pessoa.  No interior, mesmo nos lugares mais turísticos, dificilmente se passa dos 25 reais, para um cardápio com uma entrada de ceviche, um peixe frito ou ensopado e um pisco sour.  De uma maneira geral, o padrão de higiene dos restaurantes melhorou bastante, e não tivemos qualquer incidente desagradável relacionado com uma rebelião gastrointestinal.

Tomamos alguns poucos cuidados, como somente tomar água mineral. Recomendo também evitar as saladas, pois este elemento aparentemente saudável, é muito suscetível de contaminação por água de má qualidade. Sempre demos preferência para os cozidos, e reservamos nosso apetite para os ceviches nos restaurantes que estavam cheios. Se os moradores vão lá é porque a comida é boa e saudável.  E, na dúvida, especialmente num lugar mais simples, evite o ceviche do jantar, pois ele pode ser uma reciclagem do almoço.  Esta dica nos foi dada por alguns guias e garçons com quem conversamos.

Museu Naval, Callao

Outro passeio interessante, mas que recomendo apenas para quem tiver tempo sobrando, é o porto de Callao, o maior do Peru.  Visitamos o Museu Naval, onde a derrota para o Chile, na guerra do Pacífico, no final do século 19, é muito sentida ainda.  Pudera, os chilenos derrotaram os peruanos e conquistaram Arica e depois no Pacífico derrotaram a marinha peruana, e levaram a jóia da marinha, o navio Huascar, um dos mais modernos da época,  e colocaram uma nova bandeira para que ele conquistasse o Peru anos depois… Até hoje eles não têm grandes simpatias pelos chilenos. Em compensação, pelos brasileiros eles são muito simpáticos e curiosos para saber como o país está crescendo tanto….e a Copa do Mundo em 2016 os está encantando….

Existe também um passeio de barco onde você mergulha com os lobos marinhos, que deve ser muito interessante mas nós não fomos porque estava frio, e porque iríamos ver Lobos Marinhos  nas Islas Balestras.

Pôr-do-sol no Pacífico

Não perca, no próximo capítulo: o trem a Huncayo.

Leia também:

Pato Econômico no Peru — parte 1

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27 comentários para “Passeando e comendo em Lima, na carona do Pato Econômico”

  1. Salve, salve Ernesto e sua Cibele! Guia completo…! Aguardando novos relatos da saga! =)

  2. Adoro as dicas econômicas do Ernosto. :)
    São sempre muito bem vindas.

  3. Muito bacana Pato ! Parabéns !

  4. Adorei!!!

  5. Essa série está inspiradora – dá uma saudade!!! ;-)

    1. Carla,
      Tá demais, né? Ainda não fez 1 ano que eu fui e tô aqui babando no relato do Ernesto… Aliás, já vi que você decidiu encerrar o relato da sua viagem, só não tive tempo de ler ainda!

      1. Lu, eu decidi que era agora ou nunca… ;-) Como estou indo para a Patagônia daqui a uns 10 dias, se não postasse agora ia me complicar, com a quantidade de material que certamente vou ter pra postar depois! E com a série do Ernesto de inspiração, fica tudo mais fácil, né?

  6. Oh, Ernesto! que fotos e que boas dicas!!!

    O meu esposo fou por trabalho a Lima. Ele sempre diz que em Lima se come muito bem. Que a comida peruana é uma mistura de diferentes culturas culinárias e que a influência dos sabores orientales é muito presente em muitos pratos.

  7. Boa, Ernesto.
    Também fui na e no Huaca Pucclana e achei muito bonito.
    Abs

  8. Boas dicas. O Rosa Náutica é um clássico. E o Huascar está em exposição até hoje, ancorado num pier no… Chile. Nessa Guerra do Pacífico, o Peru e a Bolívia entraram de gaiato. Toda a Patagônia pertencia ao Chile, do Pacífico ao Atlântico; já se preparando para o conflito, o Chile cedeu logo à Argentina o que hoje é a Patagônia argentina para não ter uma guerra em duas frentes, já que a Argentina também reclamava a área. E foi atrás do cobre e do salitre do Atacama. O Peru broxou e a Bolívia perdeu sua saída para o mar, ficando permanentemente impossibilitada para a prática de surf.

  9. Bravo Ernesto..eu como peruana de coraçao estou adorando e guardando todos os links.

  10. Adoro os relatos de viagem do Ernesto: o pato economico sempre consegue passear, comer e se divertir com economia, mas sem perder o style. Que venha o proximo post ;)

  11. Olá, Riq!
    Adoro seu site e uso muuuuuito todas as dicas nos meus planejamentos de viagens! Farei uma viajem com minha família no final de março para o interior da França durante 10 dias. Partindo de Paris, alugaremos um carro e pretendemos visitar as regiões da Champagne, Alsácia e Borgonha. Já encontrei vários posts sobre as duas primeiras regiões mas nada sobre a Borgonha. Gostaria de dicas sobre hotéis, restaurantes e visitas a vinícolas. A princípio gostaria de ficar em Dijon como base para conhecer as redondezas, mas dependendo das sugestões tudo pode mudar. Obrigada, desde já! Silvia

    1. Vou botar um post colaborativo esta semana, o assunto realmente é inédito no site.

      1. Obá! Brigaduu!

  12. Muito legal, eu também fiz essa viagem este ano e adorei, Lima realmente me surpreendeu, principalmente a comida neo-andina.

  13. Obrigado a todos os amigos! A Carla, a Lu Malheiros, e vários outros nos deram otimas dicas para fazer este roteiro.

    1. E agora estou aproveitando a reciprocidade, Ernesto – coletando dicas para voltar a Lima em breve, quem sabe ainda esse ano… ;-)

    2. Ernesto,
      Bom saber que as dicas ajudaram :lol: mas quando crescer quero ser que nem vocês!
      Acho que vc tem razão, os trips cevicheros só aumentam! E cada um que vai traz mais novidades boas.

  14. Legal demais, Ernesto. O Peru entroi definitivamente na minha wish list!

  15. Nossa Riq, que bom que termos um pato contador de histórias!!! O Peru está na minha “wish list” faz tempo, agora com essas dicas, mais ainda!
    Obrigada pela inspiraçao.
    Bjo

  16. Muito bom! Está me inspirando . . .

  17. Recomendo muito o Peru: acho que depois dos vibanas, vamos ter os cevicheros, viciados no Perú! Para quem tem milhas ´TAM é a melhor aplicação para 20.000!

  18. [...] Passeando e comendo em Lima, na carona do Pato Econômico; [...]

  19. Estou indo com minha esposa para Lima, em maio próximo. Vou ficar no Hotel Boulevard, em Miraflores. Pretendo também conhecer Pachamacac e Caral, que são sítios arqueológicos relativamente novos para os turistas. Decidimos não visitar Cuzco e Macchu Picchu.

  20. Olá!
    Sou piloto de parapente e fui ao Peru no ano passado junto com outros 08 pilotos, fomos voar em Chincha, Paracas,Abancay, Cusco, e Lima. Viagem inesquecível, sei que vamos voltar lá.
    Quanto a tua preocupação quanto ao voo de parapente é além de prudente, bem fundamentado. Vimos alguma imprudencias, mas também tem pilotos muito bons. Mas a maioria não é muito ética.Se for voltar para lá procure pelo Max Leon que é um instrutor local, é só chegar na decolagem em Lima, ele é bem consciente da segurança em voos.
    Outra coisa: Cusco e Macchu Picchu são imperdíveis!!!

  21. Adoro seus posts, realmente viajo nas suas viagens, algumas me inspiram a fazer as minhas!
    Abs,
    Cleide Gomes

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