Pato Econômico no Peru: Paracas, Islas Balestras, Ica e Nazca

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Lhamas no Peru

Quarta parte de uma série. Texto e fotos: Ernesto, o Pato Econômico. Era dia de fazer mais uma viagem de ônibus. Não existem ônibus diretos de Ayacucho até o litoral. Você pega um dos ônibus que se destinam a Lima, e vai ser deixado no trevo da Rodovia  Panamericana. Como é a sua última viagem pelos Andes, faça-a de dia.  Do trevo você pode negociar um taxi até a cidade de Paracas (deve sair por cerca de 50 reais), ou pegar um ônibus ou van até a cidade de Pisco, que foi totalmente destruída por um terremoto, ocorrido em 2007. Os locais dizem que o que o terremoto não destruiu, os políticos levaram…. pelo menos no Brasil não temos terremoto.  De Pisco até Paracas, você pode tomar uma van, ou um taxi.

Paracas é uma cidade bem agradável no litoral, e que serve como base para dois passeios inesquecíveis. Um é a Reserva de Paracas, com suas formações desérticas e paisagens fabulosas; o outro são as Islas Balestras, com seus milhares de aves, lobos marinhos e as Ruínas de Tambo Colorado (a 50 km de Paracas).

Nas ilhas Balestras

Há diversas agências locais que fazem os passeios das Islas Balestras, e neles você vai ter uma vista do  ‘Candelabro’ em Paracas, que é uma escavação gigantesca de 177m por 54m em formato de candelabro ou tridente, feita em um monte no deserto na costa de Paracas, próximo às ilhas Balestras. As escavações tem 4m de largura por 3m de profundidade. São complexas e foram construídas de tal forma que utilizam os diversos ‘tipos’ de ventos para mantê-las limpas e visíveis há tantos séculos. Sua datação é incerta (aprox. entre 200 a.C ou até o século 19; alguns dizem que foi feita por piratas do século 17 para sinalizar um tesouro escondido em alguma ilhota ou para dar as boas vindas a San Martin na sua passagem pela costa para realizar a independência do Peru no século 19). Para outros mais bizarros, tal geoglifo foi feito por extraterrestres… Porém a teoria mais provável é de que os nazcas a construíram para reverenciar algum deus ou indicar algo em especial. Ficamos num hotel novo e recomendável, o Santa Maria, com diária de 40 dólares.

Nas ilhas Balestras

As agências vão tentar lhe vender o passeio de ‘gaiola’, que é equivalente a um bugue, e que vale a pena, mas você pode deixar para fazê-lo em Ica, onde custa a metade do preço, e a paisagem é de dunas altíssimas, com um oásis no caminho.

Tambo Colorado

Outro passeio de que eu gostei, e foi ainda mais interessante porque demos a sorte de fazer com um motorista de táxi,  da região, e que trabalhava acompanhado do seu simpático filho de nove anos. Ele nos levou a uma das ruínas incas mais bem conservadas, além das de Machu Pichu, o Tambo Colorado. Era uma das sedes administrativas do império inca. Várias paredes ainda possuem as pinturas em vermelho intenso (originário do inseto chamado cochinilha que vive em simbiose com os cactus) e  laranja acima das janelas. Aliás, estas são em formato trapeizodal, típicas das construções incas. Também há traços arquitetônicos de povos da costa do Pacífico.

Oásis de Huacachina, Ica

Pegamos um novo ônibus e em pouco mais de 1 hora estávamos em Ica, a capital do pisco. Em Ica, não deixe de ir à laguna e fazer o tour de bugue. Você não precisa de nenhuma operadora para fazer isto. Se você fizer o passeio por conta própria, vai gastar menos da metade do que pagaria para as pessoas que oferecem excursões nos terminais. Basta deixar suas bagagens no terminal da Cruz del Sur, e pegar um táxi até o oásis de Huacachina…

Gaiola, o bugue peruano

Não deixe de fazer o passeio de gaiola, que é emocionante, porém seguro. Na volta, pegue um táxi, e faça um tour pelas destilarias de pisco, também com um táxi, pedindo para visitar uma destilaria moderna, e uma artesanal, e então é hora de pegar um novo ônibus.

Em duas horas você estará em Nazca. Há poucos horários da Cruz del Sur para chegar em Nazca. Se for pegar o ônibus local, da Soyuz, tenha atenção com as bagaens, pois são freqüentes os relatos de furto. (No próximo post sintetizo todas as dicas.)

A cidade de Nazca é feia e tem poucas opções de hospedagem de preço médio. Após pesquisar vários pardieiros eu recomendo que você vá direto para o Hotel Paredones Inn,  na Jr. Lima  600, novo e confortável, com a diária devidamente pechinchada e com desconto  de 55 dólares — menos da metade de um similar, o Hotel Casa Andina. É no Casa Andina que você vai aguardar a hora de avistar a principal atração da cidade, que são as linhas de Nazca. Ao chegar em Nazca, reserve imediatamente seu vôo, fazendo uma pequena cotação nas diversas empresas aéreas. Nós fomos com a Aero Paracas.

Linhas de Nazca

Não deixe de fazer o passeio das Linhas de Nazca. Mas procure não comer e não beba absolutamente nada antes de embarcar no avião, pois você correrá o risco de vomitar.  O avião faz curvas fechadas e isso acaba provocando sérias reações em nosso corpo. Mas vale muito a pena sobrevoar as Linhas de Nazca, é um passeio imperdível.  Não é necessário comprar o passeio fora de Nazca.  Longe dali, vão lhe cobrar até 80 dólares pelo passeio de uma hora pelo qual pagamos 45 dólares, comprado diretamente na Aero Paracas. O roteiro é absolutamente igual em qualquer empresa, mas procure fazer o passeio num avião pequeno, de 4 lugares para ter uma janela garantida em todo o percurso.

Se você não pretende fazer o passeio de avião, não vá a Nazca, porque há poucos atrativos além de conhecer as linhas. Você também pode vê-las num mirante na estrada, onde dá para ter uma idéia, mas o passeio de avião é muito melhor.

A última atração de Nazca é o pequeno Museu Italiano Antonini, onde você verá um pouco mais da cultura paraca. O ponto mais interessante é o pedaço do aqueduto inca de mais de 500 anos que ainda funciona e leva água para a cidade.

Depois tivemos a nossa última surpresa, pois estava sendo realizado um campeonato de uma dança típica, a Marinera, que é dançada por casais todas as idades, de crianças a velhos. É uma celebração muito alegre, onde o dançarino procura cativar sua prenda, e um espetáculo absolutamente não-turístico, com melhores duplas sendo celebradas nacionalmente,  quase como o tango na Argentina, embora seja uma dança num estilo completamente diferente.

Campeonato de dança em Nazca

Finalizamos nossa viagem. Uma última noite em Lima, e era hora de voltar. O tempo passou rápido, e uma nova paixão começou. Já estamos planejando nossa próxima expedição para o Peru: de Rio Branco, até Cusco, por terra. Tripulação, alguém se candidata?

No próximo (e último) post da série: as dicas do Pato Econômico para o Peru

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26 comentários para “Pato Econômico no Peru: Paracas, Islas Balestras, Ica e Nazca”

  1. Ernesto, um oásis!!! Curioso e lindo esse oásis no deserto.

    O carro me lembra aos buggies do Rio Grande do Norte.
    Boas dicas e bom viagem
    Bjs

    1. Carmen, esse buggy peruano parece bem mais seguro que o similar brasileiro, que não tem gaiola de proteção e os cintos de segurança não funcionam (na frente, porque atrás nem tem)…

      1. Exatamente. Eu ia fazer esse adendo e acabei esquecendo. Os bugues brasileiros não passariam por nenhuma inspeção de segurança séria.

  2. Sobrevoar as linhas de Nazca, mesmo correndo serios riscos de enjoo :lol: , deve ser absolutamente indescritivel! Emocionante, nao, Ernesto?

  3. Ernesto,
    Vi uma longa reportagem na TV Brasil (antiga TVE)onde eles fizeram o percurso Rio Branco – Lima de carro. A estrada ainda tem muitos problemas, mas o caminho parece MUITO legal! Vou esperar vocês irem e contarem como foi!
    Ah! As linhas de Nazca… Mais um motivo pra voltar!

    1. Me tirem uma dúvida, Lu e Ernesto: tenho amigos que estão morando em Rio Branco e me disseram recentemente que ainda não é possível fazer TODO o percurso até Cuzco por terra. Será que eles estão enganados?

      1. Wanessa,
        Na reportagem que vi eles foram até Cuzco, sim. Muitos trechos da estrada ainda são de terra e mesmo um veículo com tração nas 4 rodas teve dificuldades para passar. Tenho visto pouca TV e não consigo me lembrar do nome do programa…Acho que é Caminhos da Reportagem.
        Também animada para fazer essa rota?
        Bjs,

        1. As obras tem previsão de conclusão em novembro/2010, mas fique atenta: o trajeto asfaltado não é totalmente coincidente com a rota quase off-road que o pessoal está acostumado. Em certos trechos, novos desvios, com quantidade menor de curvas, foram construídos.

      2. Wanessa

        Pelo que eu li em vários relatos do Fórum 4 x4, há pessoas que fizerem o percurso de jipe como este http://www.4×4brasil.com.br/forum/showthread.php?t=54308, que tem fotos e é bem detalhado. Eu não pretendo ir de carro, pois acho que o stress de dirigir num pais estranho não vale a pena. A minha ideia seria utlizar uma milhagem para ir até Rio Branco, e outra para voltar de Lima, são 20.000 por cabeça, e são trechos longos e caros onde vale a pena usar as milhas.

        No site http://www.mochileiros.com, também há diversos relatos e dicas sobre o assunto, num tópico dedicado ao assunto, que é http://www.mochileiros.com/rota-pto-maldonado-cuzco-via-acre-t14224.html, com relatos de pessoas que viajaram recentemente.

        1. Lu, Ernesto e André, valeu pelas informações! Então realmente já se faz tudo por terra hoje em dia, mas esse relato do fórum 4×4 que o Ernesto colocou é bem detalhado e dá uma idéia dos perrengues que é preciso enfrentar no caminho…

          Acho que as paisagens são maravilhosas, mas não sei se euzinha teria coragem de me aventurar nessa rota, Lu… Agora aquela viagem de trem do post anterior já está anotada!

  4. Oi Ernesto.maravilhosos teus relatos…Devorei todos e dependendo do periodo eu sim me candidato a próxima aventura de carro…

  5. Oi Ernesto, gostei do relato e das fotos. Fizemos (eu e minha esposa) de Cuzco à Nasca de ônibus pela Cruz del Sur, muito bom por sinal, viagem noturna, vem pelo deserto numa rodovia andando em círculos. Detalhe que não se pode abrir as cortinas do ônibus (com aquelas voltas todas, no mínimo é enjoo certo). Tínhamos comprado um pacote em Cuzco, voo e Hotel. Chegamos, fomos direto fazer o voo, muito legal,vale muito a pena. Fiquei um pouco enjoado, mas valeu. Fui para o hotel, a coisa mais medonha q já vi, resolvi fazer o outro passeio… decidimosir direto a Paracas, ficando em Ica. Realmente, o passeio às Ilhas Balestras e a Paracas, a visão é maravilhosa, um abraço

  6. Falando em pisco, esse é outro motivo da picuinha entre peruanos e chilenos: ambos afirmam serem os inventores da bebida…

  7. Tambem estive no Peru, mas vi que ainda tem muito para ser visto.

  8. Brigaqdu pelos elogios e comentários!

  9. Ernesto,
    Como o Arhur mencionou, as coisas em Machu Picchu estão péssimas e o acesso à cidade ficará prejudicado por um bom tempo. A sua viagem mostra que existe muitos outros lugares interessantes para se conhecer no país! Algo importante de ser lembrado quando o principal destino turístico fica inacessível…

  10. Alguém saberia dizer se dezembro ou janeiro são meses bons ou ruins para visitar as linhas de Nazca? Como é uma viagem longa e relativamente fora de mão, tenho de ir na (relativa) certeza. A meta é evitar chegar lá e estar aquele dia cinza ou cheio de nuvens, dificultando o sobrevôo.

    Qualquer ajuda é bem-vinda.

    1. PêEsse, não tenho a resposta pra sua pergunta, mas tenho umas infos pra te ajudar a analisar…

      A região de Nazca é extremamente seca, não sei se chove naquela região em alguma época do ano. Entretanto, fevereiro é um mês muito chuvoso na região de Cuzco – é quando Machu Picchu fecha pra visitação, porque a maioria dos dias fica impraticável. Então, se tiver que optar, o mais “Dezembro” que você conseguir, acho melhor. Provavelmente em janeiro já deve rolar alguma chuva na região. (dei uma googlada e vi que as chuvas que ilharam a galera em Aguas Calientes aconteceram em jan/2010).

      Eu fiz o passeio em 2005. VAle muito a pena, mas as condições climátias têm que estar muito boas, pois o vôo é bem sacudido. Ah, e me orientaram a fazer o vôo o mais cedo possível, pois quanto mais o dia esquenta, mais turbulência há no sobrevôo.

      Se você estiver no Peru de qq jeito e quiser fazer outro passeio de um dia, o Titicaca através da cidade de Puno também é outra opção. E acho que lá o tempo é bem mais seco.

      Não sei se mais atrapalhei que ajudei, rsrs, mas são as infos que tenho sobre o assunto!

      1. É isso mesmo, Adri Lima, quando vc menciona que o ideal é voar o mais cedo possível. O que os peruanos comentavam é que pela manhã venta menos. Eu morava no Peru e fui a Nazca em janeiro passado, o tempo estava ótimo mas, saímos de Lima e até Nazca foram umas 6 horas de carro. O voo sacode bastante. PêEsse, na volta de Nazca, eu aconselho vc a pernoitar em Paracas, na manhã seguinte fazer um passeio que sai as 8 da matina até as Islas Ballestas, observar o Candelabro e conhecer a reserva de Paracas. Tem excelentes hotéis como o Hilton e Libertadores. Ahhh, esqueci de mencionar que o Hilton de Paracas tem um avião um pouco maior que o Cesna e que sai de Paracas, é uma meia hora de voo até Nazca. Mas meu conselho é ir de carro até Nazca, a paisagem é incrível. O pequeno aeroporto é bem organizado, fique de olho em uma boa empresa e que tenha a manutenção em dia do teco teco. Boa viagem e aproveite!

    2. Sobrevoei as linhas de Nazca no mês de novembro, com uma ótima visibilidade. Todas as saídas das agências são pela manhã (inclusive uma das recomendações é não tomar café da manhã, porque o avião balança bastante). Acho que o mais importante desta decisão é saber que, mesmo nos meses considerados ótimos para a visita, sempre há o risco do sobrevoo não ocorrer, devido não só as condições do tempo, poque raramente chove por lá, mas principalmente devido às condições de visibilidade. Tenho amigos que foram em meses considerados melhores do que o que fomos e não conseguiram voar por causa da baixa visibilidade das linhas. Então, a relativa certeza vai ser sempre relativa mesmo.

      Mas se tiver condições de ir, tenho certeza que não vai se arrender. É realmente incrível.

    3. Bom, já que estão falando de “como chegar a Nazca”, vou também dar meu depoimento!

      Eu fui de ônibus – o melhor que consegui, pois ônibus no Peru é horrível (se assim for, durma abraçado com seus itens de valor, houve um furto no meu buzu, o peruano reclamou até…). Bem… cheguei em Nazca às 5 da matina e saí de Nazca num outro buzu às 05 da tarde, para Arequipa. Achei o esquema bem bom! Além das linhas, não há nada (NADA MESMO) na cidade – fiz o vôo por volta das 11h da manhã. De 12h às 17h, comi alguma coisa e fiquei torcendo pro enjôo passar, descansando no lobby de um hotel na frente do aeroparque (compre algo no restaurante e fique o tempo que precisar)… fiquei bem mal no sobrevôo, mal queria sair do sofá! Mas faria tudo de novo! :-)

      1. Adri

        Tem um museu bem interessante em Nazca, que dá para passar pelo menos umas 2 horas, e a maquete do Hotel principal também é simpatica.

        O onibus no Peru pela Cruz del Sur é muito bom, padrão 1001 Brasileiro.

  11. PêEsse

    A probabilidade de você pegar chuva em Nazca é quase nenhuma. Só se for muito azarado(a). rsrsrsrs
    Chuva na costa peruana é coisa rara. As chuvas torrenciais são típicas na região andina.
    Fiz o passeio pela linhas em 2008. Foi fantástico.
    Acho que a informação da Adri Lima quanto ao melhor horário para o passeio procede. Fiz o vôo bem cedinho pela manhã e não pequei qualquer turbulência. Foi tudo muito tranquilo e pude ver claramente as linhas. Pena que durou tão pouco.
    Querendo outras dicas sobre o Peru, pode entrar em contato. sinho35@hotmail.com

  12. Alguém já fez algum pacote com a Mystic Peru ou tem alguma informação. Vi que eles fazem viagens de 1 e de 2 dias a Nazca, incluindo o passeio por essas cidades mencionadas.

    1. Vivian

      Não conheço a empresa. Voce checou no trip advisor?

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