O turista nunca-chega

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Ricardo Freire
por Ricardo Freire

Acabei de chegar em Paris. Quero ir pra Bruges!

Dentre as 365 receitas clássicas de bacalhau que os portugueses dizem ter inventado, a que tem o nome mais divertido é a do "bacalhau nunca-chega". Reza a lenda que o rei Carlos I, ao ser apresentado ao prato (que leva batata palha, presunto, ovo e cebola, e pode ser saboreado nos restaurantes Antiquarius e A Bela Sintra), teria gostado tanto, que não parava de repetir.

O nome desse bacalhau (por sinal, campeão de vendas no Antiquarius) me inspira a falar sobre um disfunção que costuma acometer os turistas de nosso tempo. Eu chamo esse problema de o nunca-cheguismo.

O nunca-cheguismo se caracteriza pela incapacidade do viajante decretar que já chegou aonde queria.

Nananina: o turista nunca-chega jamais se dá por satisfeito ao pisar no lugar (país, cidade, praia – você decide) onde chegou. Imediatamente depois de cruzar a linha de chegada, ele já está pensando: e agora, aonde posso ir?

Porque, veja bem – é tudo tão perto, entende? Pra que esperar pela próxima se eu posso ir agora? Já que eu vim até aqui, por que não ir até ali? Fulaninho falou; deu no jornal; ei! mas conheço esse nome, preciso dar um pulinho.

Parc Güell, Barcelona

Parc Güell, Barcelona

O nunca-cheguismo é parente da anorexia e da vigorexia (a malhação obsessiva dos hiperbombados). Não adianta você dizer para a pessoa que se ela vai passar três dias em Barcelona é bobagem pegar um avião e farofar em Ibiza (e que se ela varar a noite em Ibiza, vai perder outro dia em Barcelona). Que não dá para fazer todas as cidades medievais dos arredores de Madri em um dia. Que ver ou não ver de perto a sacada da Julieta em Verona não muda a vida de ninguém.

O turista nunca-chega não ouve nada disso. Ele tem certeza de que o maratonista curte tanto a paisagem quanto o andarilho. E que todos aqueles aconselham a curtir o lugar aonde chegaram antes de partir para o próximo são uns despeitados que têm inveja de seu fôlego atlético-turístico.

Mas eu não deveria reclamar.

Devo aos nunca-chegam a tranqüilidade e a preservação da praia mais bonita do Brasil – o Sancho, em Fernando de Noronha.

O turista nunca-chega jamais se submete a descer a escadinha dentro da fenda, mais os cem degraus esculpidos na pedra, que levam até a areia. Eu sei: tem quem não desça por ter claustrofobia, ou por não estar em boa forma física. Mas o nunca-chega não desce porque não tem tempo. Está fazendo o tal "ilha-tour", um passeio espetacular em que você "conhece" dez praias numa saída só.

No dia seguinte, quem diz que o nunca-chega volta à praia mais bonita da ilha? Que é isso. Ele já foi, não precisa mais ir. Melhor ficar duas horas na fila da porteira para a piscina natural da Atalaia.

Enquanto isso, lá estou eu, no Sancho, com aquele praião maravilhoso só para mim – e para os outros gatos-pingados que, como eu, decidiram que já tinham chegado.

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44 comentários

yara xavier
yara xavierPermalinkResponder

No quesito nunca-chego, a praia do Sancho me rendeu. Nas duas vezes que estive em Noronha nunca consegui me meter naquele buraco. Medo! Na última vez minhas filhas desceram acompanhadas pelo motorista do bugue e a mim me tocou dirigir o veículo até a praia onde eles terminariam o passeio. Mais paulistana impossível. Mas eu estou melhorando. Na Costa Rica subi até a base do vulcão Arenal. Precisei de ajuda, claro, mas fui.
Pergunto: que raio de ilha-tour é esse que inventaram em Noronha? Antigamente não tinha isso não.

Arthur | Agora Vai

O ilha-tour era um tour por cinco praias e dava para curtir legal, voltando depois com mais calma a alguma delas que fosse mais do agrado do turista. Quando eu fui, em 2005, mergulhamos na Baía dos Porcos, descemos e mergulhamos no Sancho, etc.
Mas se está assim hoje em dia, dez praias em vapt-vupt, então o passeio já perdeu a qualidade.

Andre Lot
Andre LotPermalinkResponder

Adoro esses posts reflexivos, me fazem ver que não sou o único ponto fora da curva em matéria de viagens.

A Internet é ótima, e eu adoro pesquisar bastante sobre os lugares que vou visitar. Entretanto, vejo alguns conhecidos e colegas preocupadíssimos com o que fazer uma vez que compram os bilhetes aéreos. A preocupação de saber o que é mais ou menos interessante, a sensação de ter algo melhor pra ver no local pode deixar os "nunca-chega" estressadíssimos.

Por isso, acho preocupante quando alguém se refere a uma viagem com o verbo fazer: vou "fazer" a Costa Verde, vou "fazer" a Calabria e a Sicilia, já fiz Portugual e só precisei de 3 dias etc... E, curiosamente, é justamente entre a comunidade "mochileira", que tanto se vê como descolada e antenada, que esse verbo mais é usado.

Participo de uma comunidade dirigida aos mochileiros, e não há raios que façam os viajantes de primeira viagem achar que vale mais a pena passar em 3 capitais ficando 4 dias em cada do que um roteiro maluco com trens noturnos para "ganhar tempo", e 10 lugares diferentes pra dormir em 12 dias.

O curioso é que até a busca do "típico" e da viagem com "conteúdo" virou um nunca-chega: tem viajantes "hardcore" que querem "ver o que é típico, e não comercial" (como se houvesse apenas 2 categorias pra tudo...), e nesse afã quer saber, à beira de um colapso de saúde mental eu diria, onde dá para sair de Amsterdam e, em menos de 4 horas, ver uma cidade "tipicamente holandesa, sem turistas", e ainda passar nos moinhos, e ainda ir a noite em um pub "típico, fácil de chegar e só com locais".

Augusto
AugustoPermalinkResponder

André,
concordo com você. Nada contra os mochileiros, mas muitas vezes a ala mais radical da mochila lembra alguns militantes de esquerda que acreditam que a dialética hegeliana-marxista é a base da verdade para tudo. Nós somos os donos da verdade. Quem não viaja de mochila, ou não fica em albergue não viu nada. Ai daqueles que ousam comprar qualquer item de sua viagem com um agente. São nescios e merecem todo o desprezo dos descolados.Mesmo que você tenha comprado só a sua passagem e não um pacote.
No fundo o mochileiro alucinado que vê dez capitais em quinze dias não é diferente do turista empacotado, tão sujeito à críticas, na sua "Europa espetacular". A única diferença é que um pratica um nunca-chega gastando pouco e o outro gastando muito.

Mari Campos
Mari CamposPermalinkResponder

O nunca-cheguismo parece ser um fenômeno cada vez mais em voga no mundo do turismo. E o mais duro é que, mesmo quando a gente se acha super experiente em viagens, faz às vezes umas bobagens homéricas... sad

CarlaZ
CarlaZPermalinkResponder

Hahaha
Adorei!
Sabe que me identifico com umas situacoes sim! Mas isso tambem e ansiedade ne!
Ja chego no lugar...vou conhecer alguma coisa pensando na proxima e na proxima e no dia seguinte e que nao vai dar tempo e vai escurecer e nao vou estar perto do restuarante que quero almocar/jantar...ihhh
Mas claro que nem sempre e assim...

Lu
LuPermalinkResponder

Carla Z,
Sabe onde me sinto assim? Em NYC. Caramba, toda vez que vou lá prometo a mim mesma que vou fazer somente o que der na telha! Mas, lá pelo 3o dia, já ñ aguento +, fico olhando a minha listinha de tudo o que tá rolando e começo a ficar estressada, pq tenho a certeza de que ñ vai dar tempo. Aí, respiro fundo, relaxo, e me prometo de novo que na próxima vez eu vou conseguir!

@anarina
@anarinaPermalinkResponder

Oi Riq,

Eu sei bem o que você quer dizer. Uma vez fiz um mochilão pela Europa e tinha um tempo limitado, mas muitos amigos para visitar. Fiz 9 países em oito semanas e depois disso nunca mais. Minha viagem seguinte foi comprar uma passagem de ônibus só de ida pra Buenos Aires, me inscrever num curso de espanhol lá e morar um mês num albergue.

Desde então tenho alergia ao speed-sight-seeing.

Dani S.
Dani S.PermalinkResponder

Eu acho que sou baiana em quesitos turísticos - a minha viagem é a do nunca-vai-embora...
O que me dá mais nervoso é em praia: tem sempre um querendo fazer "passeios", todos os opcionais possíveis e imaginários que alguma agência inventou de oferecer. Eu acho até legal conhecer várias praias diferentes - mas viajar mais de hora de carro no sol, pra depois ter que voltar a mesma distância molhada com sal, é programa de índio cinco tacapes.

Ricardo Freire

Uia! Vou enquadrar, bookmarcar e linkar em várias respostas smile

Eu entendo visitar uma praia por dia; o que eu não entendo é deixar de aproveitar uma praia linda aonde se acabou de chegar só para ir até a próxima da lista (muitas vezes, sob risco de o tempo virar pelo caminho).

Ines Carvalho
Ines CarvalhoPermalinkResponder

Mas vc sabe o que é que influencia esse "nunca-cheguismo"? é o povo atrás de voce perguntando depois que você volta: Voce não foi naquela praça?? Mas voce não andou naquele barco?? Mas você não viu aquele museu??? Ahhhhh, voce perdeu a viagem (detalhe: comentário geralmente de pessoasa que NUNCA foram sequer a estas cidades que vc foi!!)
Quando volto de viagem, fico só esperando as pérolas que vão me perguntar... E agora pra não me encherem o saco eu respondo afirmativamente a tooooodas! heheheh

teresa
teresaPermalinkResponder

Essa foi boa! É exatamente isso que acontece. E quer saber nem sempre aqueeela praça ou museu serão tão legais assim, cada um deve fazer o que der vontade.

Ano passado estive em Bruxelas, tinha pouco tempo na cidade. Preferi passear e comer fritas com vongoles calmamente ao invés de correr desesperada para ver o "menininho fazendo xixi" e não me arrependo nem um pouco!

Mi Carbone
Mi CarbonePermalinkResponder

Ola Riq, Ola Pessoal...

Sou nova na área e ainda estou entendendo como funciona o Viaje na Viagem, eu vou fazer uma viagem para Las Vegas e queria dicas, dei uma procurada no Americas de A - Z mas nao achei nada de Las Vegas...alguem me ajuda ! Onde acho infos de Vegas no site.

Bjo e desculpe postar uma coisa nada a ver com o texto.

Michele

Dri
DriPermalinkResponder

Olá Michele! Vc procurou no lugar certo sim... Não tem muitas infos sobre Las Vegas aqui, acho que não é um destino muito popular entre os trips. Entretanto, estive lá em dezembro passado e caso possa ajudar em alguma coisa, estou as ordens! bjo

Ricardo Freire

Aqui no site não tem nada mesmo, Mi.

Quando eu construir a página sobre Las Vegas (ou sobre Estados Unidos) certamente vou linkar os posts da Mirella, no Mikix, e do Arnaldo, no Fatos & Fotos.

No Mikix, clique e role a página até achar USA e, dentro de USA, Outras Viagens. Tem vááááários posts.
http://www.mikix.com/?page_id=649

No Arnaldo, clique neste post e depois passeie nos anteriores (são vááááriosposts também):
http://interata.squarespace.com/jornal-de-viagem/2006/3/12/o-bellagio-hotel-e-casino-em-las-vegas.html

Querendo continuar este assunto, por favor use a página Américas A-Z. Se tivesse perguntado lá, esta resposta já serviria para outras pessoas que pesquisassem o mesmo assunto...

Guta
GutaPermalinkResponder

Devo confessar que muitas vezes, a ansiedade pela viagem tão planejada e suada para acontecer (por tempo, $, etc) me leva a ter sintomas de "turista nunca-chega", mas então, depois de anos, a razão vem e eu penso:
- Não vai dar tempo de ver isso? Tudo bem! Mais uma razão para eu voltar para cá depois!
Se é que viajar precisa de motivos né?! wink

Carol Coelho
Carol CoelhoPermalinkResponder

Esse "nunca-chega" pra mim agora tem sido a data das próximas férias. Ando fazendo o que dá dentro do tempo e dinheiro.
Já fiz essa correria quando estive na europa. Se valeu a pena??? Sim e não pq agora tenho motivos pra voltar e ficar onde mais gostei e posso dizer que fiz 5 países em 20 dias.

Agora uma dica pro Sancho... chegue pela fenda da trilha, chegue de barco e chegue pela trilha da praia na maré baixa... de todo o jeito aquele lugar vai ser favorito, com direito a foto na mesa de trabalho e vontade de voltar de novo.

E como disse a Ines, me dá pânico esse povo perguntando se vc viu isso ou aquilo. Quero mais é que se lasque se não fui, se não fiz ou mesmo se não estava com vontade de ir/fazer.
Quem tem a ver com as minhas férias??? Ai ai ai viu

Amélia
AméliaPermalinkResponder

Nunca chega o dia de largar esta loucura que é SP e ser turista profissional também!!!!

Dani Polis
Dani PolisPermalinkResponder

As pessoas acabam confundindo "otimizar tempo" com "correr pra fazer". Claro que tudo depende da vontade de cada um, sempre.

A minha primeira viagem pra Europa será bem o que a Carol falou: vou fazer vários países em 20 dias, e depois posso escolher pra onde quero ir ficar mais tempo numa próxima. A primeira vez que fui pra Buzios, eu passei o dia só, quando desci de um navio. Gostei tanto que voltei pra ficar um feriado por lá.

Eu funciono assim mesmo, mas tem gente que não. Claro que se você vai sozinho, é casado, tem filhos, é ativo, é sedentário e afins, tudo muda mesmo...

Mirian
MirianPermalinkResponder

Eu gostaria de dizer que adoro esse Viaje na Viagem, passo horas lendo os relatos , as respostas do Ricardo...Mas esse post aqui foi simplesmente incrivel.
"Por favor não peça meu aval para essa maluquice." Eu quase morri de rir!
Me perdoem, sei que nem todo mundo tem noção dos deslocamentos na Europa, tempo perdido, etc...mas tem respostas do Ricardo que me divertem.

Naila Soares
Naila SoaresPermalinkResponder

Eu já chamo este blog de Blog do Guru..e meu marido já se refere ao Riq como 'meu amigo' kkk
Ele diz: pergunta aí pro seu guru (qdo tem alguma dúvida)!
Ah! E qto aos lugares que as pessoas perguntam se eu fui, sempre minto dizendo que sim.

Márcia
MárciaPermalinkResponder

Eu e meu marido estamos começando a planejar nossa viagem de setembro para lugar ainda indefinido na Europa. Comecei a ler estes posts do Ricardo e já estou me divertindo horrores, mesmo sem nem saber para onde vamos. Essa do turista nunca chega é o mal do século, impressionante como a mania do "você não foi lá, não comeu aquilo, não comprou não sei o quê, virou um cobrança mesmo... que coisa!!!!

Val
ValPermalinkResponder

Adoro ficar num lugar só...odeio o "jaque"...wink

Alice
AlicePermalinkResponder

Acho que o nunca-cheguismo tem a ver com o medo de não ter oportunidade de viajar de novo. Mas desse mal felizmente não sofro não. Adoro ficar mais tempo que o necessário nos lugares, dormir até tarde "em euro, em dólar ou em real" e voltar nas cidades que já conheço. Aliás, voltar nas cidades já visitadas é uma das melhores formas de conhecer coisas novas otimizando o tempo. Você já sabe o que quer ver, já sabe onde se hospedar e como se locomover. É muito bom!

Mauro Nogueira

Entendo que essa "necessidade" de conhecer cada vez mais lugares foi criada pelo excesso de informações que temos, em especial através da Internet (sites como TripAdvisor e outros), revistas especializadas, livros, guias, etc.
Nosso apetite de "viajeros" aumenta sempre quando vemos um post bacana, como o Riq faz muito bem, sobre algum lugar especial. É inevitável colocar mais um local na lista de "desejáveis".
Após ter feito uma série de viagens por esse mundão afora, e os cabelos que restam ficarem cada vez mais grisalhos, começou a me cair a ficha, que o que vale mesmo é curtir os lugares, bem escolhidos, e não apenas acrescentar pontos em um mapa do "eu já fui".

Carlos
CarlosPermalinkResponder

Noronha é realmente maravilhoso. O ideal, para mim, é uma semana. Lembro que da última vez que fui, no último dia, acordei cedinho e fui para o Sancho. Fiquei lá sózinho por umas duas horas curtindo a praia e mergulhando, até que começaram a chegar outras pessoas.

Lisi cohem
Lisi cohemPermalinkResponder

Medo de ter me reconhecido como "nunca-chega" em algumas viagens, principalemte as que fiz sozinha, em que sentar e curtir sozinha parace estranho, então é melhor caminhar-caminha-caminhar como uma nunca chega... Bela reflaxão!!

Carol
CarolPermalinkResponder

Foi muito bom ler isso tudo...rsrssr, me fez parar para pensar na próxima viagem. Vou viajar pela primeira vez para a Europa e estava no computador exatamente pesquisando e pensando em quantos lugares eu conseguiria conhecer por dia e claro que isso já estava me causando uma certa ansiedade do tipo "será que vai dar tempo de ver tudo", acho que é hora de respirar e pensar em curtir com calma...

Rotas na Europa: o planejamento da viagem

[...] ajuda do Viaje na Viagem foi fundamental. Foi preciso ler e reler posts como o que eu citei acima, esse e esse, para fincar o pé no chão e finalmente traçar as prioridades e o ritmo da nossa viagem: [...]

Pequenas anotações de viagens virtuais 52: educativas - Uma Malla Pelo Mundo

[...] Tayrona. Realçou os pontos positivos e negativos da vila e de quebra, ainda revelou uma praia para “turistas que chegam”: a Playa Brava, cheia de falésias e de paisagem [...]

Fernanda
FernandaPermalinkResponder

Excelente post! Acabei de chegar de Paris, um misto de tempo bem otimizado e um pouco de nunca-chega. Fui sozinha, fiz só o que quis, me diverti demais, e só saí do centro para ir a Versailles.

Estou aprendendo a não me incomodar com o "Você foi a tal lugar? Comeu tal prato em tal restaurante sentada em tal mesa em tal horário?". Aff. E o "Ficou só em Paris?" Como assim, "só"?

Enfim, experiências. A próxima será ainda melhor, e já sei bem onde quero voltar ou explorar com mais tempo.

Anna Cassia Passarelli

Acho que vou inaugurar o turista sempre-volta!

Adoro ficar vagando pelo menos por uma semana por uma MESMA cidade (uma escapadela aqui, outra ali, talvez?), alugando um apartamentozinho... e no ano seguite, voltar - no mesmo apartamento, revendo o que mais gostei e descobrindo coisas novas.

Que se dane quantos carimbos tenho no passaporte; eu é que não vou tirar férias prá cumprir tabela.. mas não mesmo!

Em compensação, conheço muito bem os lugares que visito, a ponto de conseguir trazer um mapa esquadrinhado na cabeça e, assim, poder ajudar amigos e colegas candidatos a visitantes dessas cidades, sem precisar de Google. Aliás, uma das formas mais gostosas de se conhecer um lugar, prá mim, são duas belas semanas, pelo menos, matriculada num curso local... aí, sim, dá prá sentir a rotina!

Adelaide Rossini de Jesus

Após assistir à novela Salve Jorge decidi que tinha que ir conhecer a Capadócia e demais cidades da Turquia. Estamos acostumados a viajar em Motor-home. Haveria possibilidade de alugar um em Istambul ou outra cidade qq da Turquia? o ano passado estivemos em Portugal a trabalho e alugamos um em Lisboa, foi maravilhoso. Trabalhamos e curtimos a estadia. Desta vez é só laser.
Cordialmente Adelaide e Beto

Punta del Este e Punta Ballena: Desbravando o balneário mais charmoso do Uruguai | Batalhas pelo mundo

[...] dia inteiro em Punta del Este, quando visitamos todas as atrações possíveis no melhor estilo turista nunca-chega, mas com um bom espaço para contemplação… Para ver todos os posts do roteiro Uruguai e [...]

Alessandro Batalha

Encontrei este post por acaso outro dia e achei sensacional o conceito do Turista Nunca-chega. Já incorporei ao meu vocabulário turistico...

Confesso que vire-e-mexe me pego na fissura descontrolada do turista nunca-chega e desde que li esta materia eu tenho me policiado mais... É como ser diagnosticado com uma doença que você não sabia que existia e não dava bola para os sintomas, porque eles ainda eram fraquinhos...

Hoje em dia tento controlar meu impulsos! Quando penso "Carmelo fica aqui pertinho, vamos dar um pulinho lá e conhecer uma vinícola?" Na hora me vem o mantra "nunca chega, nunca chega, nunca chega"... E em seguida eu seguro minha onda... "Pra que ir tão longe se eu já estou num lugar bacana que merece minha atenção?"

As vezes ficamos numa fissura tão grande de conhecer o máximo de coisas possíveis que esquecemos de viver e experimentar um pouco daquilo que estamos vendo. Esquecemos de ver as coisas com nossos próprios olhos e não através da lente de nossas cameras.

Eu costumava usar outro termo, o "turismo toupeira", pra designar aquelas experiencias turisticas na quais o individuo segue por debaixo da terra (metrô), levanta a cabeça do buraco (estação), observa (tira umas fotos) e volta pro buraco. E assim ele vai freneticamente de buraco em buraco... Pelo menos nunca fui adepto desta prática e sempre preferi longas caminhadas contemplativas (ou não, heheheh).

Estou fazendo tratamento contra o nunca-cheguismo e estou curtindo muito mais... Hehehehe

Abraço a todos e chega de nunca-cheguismo!

A Bóia
A BóiaPermalinkResponder

mrgreen

Rory
RoryPermalinkResponder

Ótimo texto, excelente tema. Eu chamava este comportamento de "fui, vi, venci" ou "revista da tropa", mas "nunca-cheguismo" é imbatível. Parabéns!

Danielli
DanielliPermalinkResponder

Vim parar neste post por causa de uma pesquisa típica do nunca-chega de incluir a Croácia no meu roteiro de 10 dias na Europa com meus filhos adolescentes (primeira vez deles!) e tô AMANDO os comentários!
Rsrsrsrs
Vou ficar em Paris e Berlim sem incluir a croácia no roteiro, eis a conclusão sensata!

Heloisa
HeloisaPermalinkResponder

Foi ótimo ler esse post.... já estava fazendo uma planilha da minha viajem rsrsr. Vou tentar conter minha ansiedade e curtir realmente as férias.

Lelia
LeliaPermalinkResponder

Adorei o post. Bem isso mesmo. Acho graça das pessoas que gastam mais tempo olhando pra a câmera do que pra a paisagem propriamente dita. As vezes até prefiro ter certas coisas só na memória, assim sinto como se a experiência pudesse ser realmente só minha rs

Maria jose
Maria josePermalinkResponder

Nossa, será que estou nessa?

Patricia Patitucci

Otimo post. Sintoma dos dias de hoje, nao? Basta instagramar o selfie para partir pra proxima locacao. Acho que de certa maneira os blogs de viagem (e os comentarios nos posts, rs) contribuem um pouco pra aumentar a ansiedade de ver tudo, ja que toda semana ha tantos artigos de tantos lugares para se conhecer que o FOMO fica grande quando viajamos. Mais um motivo para esse post ser brilhante: lembrar as pessoas que respirar e curtir o lugar onde se esta eh melhor que cumprir roteiro ou "ticar" listas. smile

Rebeca Silva dos Reis

hahahahaha Adorei essa definição! Confesso que sou um tanto "fominha", e adoro incluir várias coisas nas minhas viagens. Mas a cada viagem aprendo mais a desacelerar, curtir mais cada cantinho escolhido e me dar mais tempo.

Acabei de voltar de uma viagem de 10 dias ao Uruguai, com 3 cidades no roteiro (as clássicas Montevidéu, Colônia e Punta del Este). Muita gente me perguntou "mas só Uruguai em 10 dias? por que não vai pra Argentina também?", ou "nossa, duas noites em Colônia do Sacramento?".

Sim, duas noite em Colônia. Sim 10 dias só pro Uruguai. E foi uma delícia fazer tudo sem pressa, parar toda hora pra tirar foto, caminhar pelas ruas de Colônia sem destino fixo, parando onde desse vontade e assistindo a por do sol. Ir à Praia Mansa em Punta e ficar boiando na água, de barriga pra cima, sem culpa de não ter ido às outras dezenas de praias. Ir à Casapueblo de ônibus e passar 2h por lá, e não 20min entre-uma-coisa-e-outra num tour cheio de gente por 30 dólares.

Cada dia mais me convenço de que o "cheguismo" é a melhor filosofia de vida pra um viajante smile

Atenção: Os comentários são moderados. Relatos e opiniões serão publicados. Perguntas serão selecionadas para publicação e resposta. Entenda os critérios clicando aqui.
Bóia offline! Vamos continuar aprovando comentários, mas a Bóia só volta a responder perguntas que forem feitas depois de 10 de abril de 2017. Obrigado pela compreensão.
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