Outra do Pato Econômico: off-road na ‘Toscana brasileira’
Texto e fotos: Ernesto, o Pato Econômico. Esta é uma viagem para não deixar para amanhã. Ela foi a inspiração de um amigo virtual, o Gil, do Fórum 4 x 4 , que descobre os recantos inexplorados deste país com seu Lada vermelho, apelidado por ele de SUV Subdensenvolvido. E, é dele o conselho: “Vá logo, antes que asfaltem!”. De preferência, lá por janeiro, no máximo fevereiro, quando as videiras dão uvas e as hortênsias florescem, e o que já é bonito fica ainda mais especial (esta viagem foi feita em novembro, por isso você não verá as hortênsias.)
Quando uma estrada é asfaltada, os pássaros não se empoleiram do lado da pista. As pessoas deixam de ter um jeito simples e hospitaleiro, e se tornam desconfiadas. O passeio, que é particular, vai passar a ser de uma multidão. Por enquanto este passeio é seu e meu. Este é um roteiro absolutamente inédito, que poucos conhecem, mesmo os gaúchos. Não protele seus sonhos. Mais vale um álbum de fotos na mão do que um sonho voando.
Venha conhecer num fim de semana um roteiro que combina o melhor da culinária italiana, paisagens incríveis, degustação de vinhos (ou suco de uva, se você for o motorista), relax numa piscina de águas termais ao lado de cachoeiras magníficas, e o pitoresco passeio da ‘Balsa do Muque’. Balsa do Muque? Isto mesmo. Seu carro é levado à mão pelo balseiro depois de descer todo o vale do rio das Antas. E, você não precisa ser jipeiro para curtir tudo isto, basta encarar uma estrada de terra. (Se você quiser ir mais desencanado ainda, alugue um carro.)
E, com um bônus de um roteiro absolutamente inédito, que pela primeira vez é publicado na internet, e leva a algo que não tem preço: ver e sentir a natureza de um modo quase particular. A cachoeira dos Monges em Veranópolis é tão bonita quanto a do Caracol em Canela. Mas curtir um parque onde se escuta o barulho da água e o canto dos pássaros é algo bem diferente. As pessoas são simples, com aquele jeito acolhedor dos descendentes de imigrantes italianos, mas ainda sem aquele turismo de massa. É trocar você + o ônibus da CVC, por você + um jipe + sua família. (Nada contra a CVC, mas se você curte de verdade a natureza, entendeu bem o que eu falei.)
Este novo lado da serra, que poucos conhecem, é a nossa primeira migração na região como Pato Econômico. Isto quer dizer que um casal, comendo muito bem, e com tudo incluído (3 noites e 4 dias), até mesmo um passeio no jipe do Tony, com muita emoção, não vai gastar mais de R$ 450. Se estiver sem carro, coloque mais uns R$ 200 para o aluguel de um carro. E, se você estiver em São Paulo, agora é a hora para viajar para Porto Alegre, pois a concorrência trouxe os preços das passagens lá para baixo; em novembro a passagem de São Paulo para Porto Alegre custava desde R$ 70 por trecho na Azul, ou na Ocean Air, e a partir de R$ 100 na Gol.
Você pode começar este roteiro em Bento Gonçalves, ou Caxias do Sul, ou ir de carro para uma destas cidades a partir de Porto Alegre. Uma dica econômica: sugiro pegar o ônibus até Caxias, e pedir para descer na porta do hotel Ibis. Lá descanse e verifique qual a locadora que tem a melhor oferta para lhe oferecer, pois o carro será seu companheiro pelo resto da viagem.
Se você tiver tempo, recomendo a Estrada do Imigrante em Caxias do Sul, um roteiro bem sinalizado a partir do centro. Você vai passar pelas casinhas de madeira, montanhas cobertas por videiras e igrejinhas coloridas. Dê uma paradinha no Museu Zinani, e aproveite para um papo regado a salame e vinho caseiro com os donos.
No segundo dia é hora de fazer a mala e pegar a estrada, e tocar para Bento Gonçalves. Combine logo de manhã com o Tony o passeio no jipe da foto do alto do post (mais sobre isso em seguida), e se programe para chegar às 14 horas, horário que começa o passeio.
Uns 20 km depois de passar Bento Gonçalves, vire na placa de Tuiuti, e não deixe de dar uma parada na fábrica de sucos Menocin, para provar o melhor suco de uva que você já tomou na vida, feito com muito orgulho na pequena propriedade da família, que também tem um pequeno museu, com lindas fotos do nonno pioneiro.
Agora, você escolhe. Pode gastar mais um tempo, e fazer um programa bem turístico (mas se você nunca visitou uma vinícola, vale a pena): visitar a Vinícola Salton, que é muito bem cuidada, e uma das mais preparadas para receber os visitantes, e em seguida comer uma refeição no restaurante Pignatella (tel. 54/3458-1099), localizado logo após a saída da estrada principal, uma casa caprichada e tocada pelo seus donos. Por um pouco mais de R$ 30, encherão a sua mesa com carne ao vinho, massas especiais feitas na hora pela própria dona.
Agora que você está bem alimentado, dê uma esticada nas pernas, e percorra a Ponte do Rio das Antas. Ou dê uma paradinha na ponte, ou na simpática parada da cascata, onde se vendem os salames, e frutas locais. Qualquer que seja a sua escolha, não deixe de ver o mirante (onde também há uma galeteria muito boa, com refeição completa a 18 reais), com vista para o vale; e se você gostou, vai curtir a vista da torre (na entrada da cidade de Veranópolis), onde em dias claros se consegue ver as cidades de Bento Gonçalves e Caxias do Sul.
Quarenta quilômetros adiante você chega a Veranópolis, pequena e simpática cidade de pouco mais de 20 mil habitantes, e um dos pontos mais bonitos e de maior preservação das tradições italianas da Serra. Ela é uma cidade que tem orgulho de sua tradições, de suas maçã e da longevidade de seus habitantes.
Seu habitantes dizem que a palavra italiana “Verano”, explica a longevidade dos seus habitantes, com um significado para cada letra. Assim, “V”, corresponde à taça de Vinho tomada em cada refeição. “E”, de exercício. O “R” significa a Religiosidade, a fé nas pessoas e num mundo solidário e melhor. O “A” representa o Amor, o ter tempo para os amigos, para a vida em família, o compartilhar as emoções com os que nós são próximos. O “N”, a força propiciada pela Natureza generosa do lugar, num agradável clima de montanhas. O “O” significa Ospitalità , ou a hospitalidade, o ato de acolher alguém como se sinta em casa, no italiano, que ainda é frquentemente ouvido no local . Pense um pouco se estas simples palavras não resumem a sabedoria de uma vida longa e feliz? Ah, e ainda, os locais gostam de acrescentar, marotamente, o “S” (do final de Veranópolis) que significa…. sexo. Precisa de algo mais?
Enfim chegou a hora do passeio de jipe. Eu sempre acho que um dos pontos mais interessantes de qualquer lugar é ser levado por um nativo que tem orgulho das coisas bonitas de sua região e de sua cultura. Se você curte este tipo de passeio vai se divertir com o roteiro do Tony, que faz o passeio num jipe de mais de 50 anos, e mostra os caminhos mais bonitos de sua terra e de sua infância como, a cascata dos Três Monges, com mais de 100 metros de queda, com mirantes espetaculares, e a meu ver tão bonita quanto a famosa cachoeira do Caracol em Canela… Depois ele vai levar você para as ruínas da primeira usina de energia do Rio Grande do Sul, e para uma gruta indígena e em seguida para um passeio a pé, e iluminado por uma tocha no túnel de uma ferrovia, ainda em uso.
Você pode seguir as placas, e chegar aos mesmos lugares, ainda que sem as emoções de algumas trilhas com seu carro, mas acho que os lugares diferentes que ele passa com o jipe, a simpatia dele como guia, e a falta de sinalização de alguns lugares recomendam o passeio, que custa R$ 50 por pessoa. Você acha o Tony aqui: RS 470 , km. 177, nº2254 . Portal Monumento, Veranópolis . tel: 54/3441-2180, 54/9115-5963; email: toniformaiari@pressa.com.br.
Cansou? Veranópolis tem cabaninhas charmosas a partir de R$120 por casal no hotel Verona Parque, ao lado do trevo de acesso para a cidade. Se quiser uma opção mais econômica, o hotel Princesa dos Vales, situado no centro, é simples e agradável, com quartos a partir de R$ 90 por casal.
Se você quiser ficar, a cidade ainda tem vários roteiros de vinícolas, todas elas mais artesanais, e menos turísticas do que suas similares em outros pontos da serra — como a Antonio Bin, a Vinícola Farenzena e outras. Mas se você estiver mais apurado, tome a estrada em direção para Nova Prata, e vá conhecer um paraíso das águas termais, com piscinas cobertas e ao ar livre, além de belas trilhas e cachoeiras.
Nós ficamos na cidade vizinha de Protásio Alves, que ainda tem aquela total paz das microcidades, onde – acredite – os carros ainda são deixados abertos, e as vezes até mesmo com a chave no contato. Hospedamo-nos na simpática pousada da Vó Santana (tel. 54/32761083 – não tem site), a R$ 80 a diária.
De Protásio Alves siga pela bela estrada de serra para Antônio Prado, cenário do filme ‘O Quatrilho’, que ostenta a maior coleção de casas de madeira em estilo italiano do começo do século 20 do país no seu centro histórico. Se tiver fome almoce um capelletti in brodo no Clube União, comida deliciosa a preço de mãe para filho.
Dica para mulheres: a loja Ousadia, no centro, vende charmosas bolsas e artigos de ótima qualidade em couro, de fabricação local, por algo entre 1/3 e metade do preço que se paga em São Paulo. Você pode encomendar pelo site.
Agora, siga para Nova Roma pela estrada de terra. Esta é feinha, e não tem nada de especial. Chegando a Nova Roma, pergunte pela Estrada de Veranópolis. Esta com certeza é uma das estradas mais bonitas que conheço no Brasil. A estrada passa por vinhedos, algumas casas de pedra, e se você der sorte vai ver diversos pássaros como carcarás e gaviões, e com belas vistas para o Vale do Rio das Antas. As paisagens são espetaculares, e a vista da serra é magnífica.
Siga descendo a serra, até chegar ao ponto mais charmoso da estrada: a balsa do ‘Muque’, onde o seu Antônio vai levar você no muque para o outro lado do rio…
Depois da balsa a estrada descortina um lindo vale e, 20 quilômetros depois, você chega novamente a Veranópolis.
É hora de voltar e, como se diz no sul, pegar a ‘faixa’ (estrada asfaltada) para entregar o carro em Caxias.
Você vai se sentir triste, melancólico, com aquela sensação de ‘quero mais’, e achando que deveria ter ficado mais um pouco…. Mas, não é isto que caracteriza as viagens que não saem da nossa lembrança? Se você se sentir assim, como eu me senti, tenho certeza que foi uma viagem que valeu a pena.

















Adorei o relato! Essa “balsa do muque” é uma das coisas mais pitorescas de que já ouvi falar. Estradas de terra tem cheiro de casa de avó… Tenho saudades de algumas que asfaltaram recentemente aqui em MG, parece que a paisagem era mais bonita com elas…a gente sentia que tinha um tesouro escondido…
Amigos, espero que gostem de mais esta nova migração.
Turma do VnV, valeu a pena ter esticado o fim de semana a partir de Bento Gonçalves e se embrenhado nas estradinhas pitorescas e com sotaque italiano, vinho, salaminho, e a simpatia dos descendentes dos imigrantes….
E a balsa do muque atravessando o Rio das Antas é um charme!!
Mais um Roteiro do Pato Econômico aprovadíssimo.
Nossa, fiquei embasbacado com tudo isso, lindo demais!!
Mais um roteiro prá minha listinha e torcendo pro asfalto não chegar!
Tenho um amigo que tem um Lada Niva também vermelho, desde 97. Está com ele até hoje, fazendo trilhas. Vou mandar o link para ele pegar uma lama…
Puxa, que delícia…Vocês dois tocaram num tema turístico pouco comentado: os roteiros pelo nosso interior. Ainda não conheço o RS, mas tenho certeza de que é um passeio imperdível. Um outro estado perfeito para isso é Minas, cheio de lindas paisagens, gente ultra hospitaleira, além do patrimônio histórico, até nas cidadezinhas mais improváveis.
Bravo, patos!
Emília,
Concordo: pouca gente fala sobre os roteiros pelo interior.Quanto li o post foi exatamente em Minas que pensei!
Ernesto e Cibele,
Parabéns pela viagem! Vindo de vocês eu não esperava nada diferente.
Abs,
Nossa, Ernesto! Show de bola total!!! Nota 10.
Vou deixar uma dica econômica e charmosa para quem quiser se hospedar em Bento Gonçalves: Pousada Don Giovanni.
Trata-se de uma pousada dentro de uma vinícola, com poucos quartos, todos rústicos mas muito aconchegantes. E o preço é bem interessante, além do atendimento diferenciado e a tranquilidade do lugar.
http://www.dongiovanni.com.br/pousada.asp
Essas migracoes do Pato estao ficando cada vez mais incriveis! Migracao roots, mas cheia de estilo
Esta é mais uma afinidade que nós (Emília e eu) encontramos com o com o casal Ernesto e Cibele, que de primeiramente virtual, depois presencialmente, tornou-se um dos nossos grandes amigos com quem temos sempre renovados o privilégio de conversarmos por horas tanto no Rio quanto em SP. E já batemos papo sobre isso no Rio, lembra, Ernesto, de nosso gosto por off road. Que vontade de voltar a ter tempo de fazer roteiros assim… Belo relato, parabéns Erneto e Cibele, gente que sabe viver a vida.
NOTA: além do Ernesto e Cibele, o Edu e Dé tornaram-se nossos amigos presenciais desde criancinha, com direito a frequentarmos as casas e tudo, com papos rolando até altas horas. E com eles pretendemos fazer uma viagem à India em 2010. É o VnV ultrapassando as fronteiras da virtualidade (eu que o diga!) e fazendo amigos reais.
nossa, anotadíssimo!!! eu preciso explorar o sul desse país
e não vejo a hora de fazer das minhas horas de trabalho deliciosas horas de prazer!!
O Pato não é só econômico não, é, também, ecológico. Lugares lindos que precisam ser preservados. Parabéns Ernesto e Cibele.
Aliás, os posts do Peru tambéns estão ótimos. Está na hora de ter um blog, não?
Fantástico, mostrou algumas coisas que eu não conhecia e que fiquei com vontade de conhecer! Parabéns Ernesto!
E a cascata dos três monges não deve em nada pra turística cascata do caracol… a diferença é a calmaria e a tranquilidade que o lugar te passa, ao contrário da aglomeração no Caracol.
Amei tudo..
Ainda não andei, ou melhor, parei por essas bandas..
Mas me deu até uma certa saudadezinha de passar pela maravilhosa Serra de Caxias e “carimbà-la” TODA vez que ia p/ POA, S.Lço e Pel..
Mais um roteirinho na Lista..
E esse é + que possivel, pois estarei na rota SC – RS..
São esses “pequenos” e simples prazeres que fazem uma viagem valer à pena.. e o Ernesto mostrou isso e mto +..
=)
Muito bom, matei minhas saudades (recentes, estive novamente na região em Setembro de 2009)!
Antonio Prado, Clube União: ficamos conhecendo em nossa viagem de 2001. Domingo, um frio do cão (ao meio-dia tínhamos algo em trono de 5 graus! Em Setembro!), e não sabíamos aonde encontraríamos nosso almoço. Eis que vimos a fumaça saindo de uma chaminé, fomos investiogar e descobrimos o Clube União, aonde comemos como reis a um preço de mendigo (rsrsrs). Repeti 6 (seis) vezes o prato do absolutamente fantástico e inesquecível Capelletti in Brodo! Só parei porque havia muito mais comida chegando…
Em 2009 voltamos a almoçar lá. Dessa vez, fui mais controlado, só repeti o prato de Capelletti in Brodo 3 vezes…
Eu recomendo uma estadia em Antonio Prado, o Hotel Pradense, localizado no Centro da cidade, oferece bons quartos e um ótimo café da manhã a um preço prá lá de convidativo. E, estando no Centro, é só sair caminhando pelas ruas, admirando e fotografando as lindas casas centenárias de madeira.
Outro passeio ótimo fica próximo a Bento Gonçalves, chama-se “Caminhos de Pedra”, e percorre uma região na qual encontramos diversos casarões coloniais antigos, alguns trazidos de outras regiões próximas. Artesanato, comida e lindas fotografias!
Gil, voce é o do Niva do Fórum?
O próprio!
Texto muito legal..
Até hoje uma das nossas melhores viagens foi a nossa viagem a Serra Gaúcha, que fizemos de carro saindo de Curitiba, passando por varias praias do Litoral de SC até Torres e depois subindo pela serra do Faxinal para a regiao dos Cannyons, estrada de terra embora nao tenha sido com um Jeep, nosso Palio também rendeu muitas aventuras.
Fiquei com vontade de ir para lá de novo. Provando mais uma vezes que nao prescisamos sair do Brasil para ter aquela viagem inesquecivel.
Veranópolis é incrível. Fiquei no hotel Verona várias vezes, é uma bela recordaçao da infancia .
Recomendo.
Cibi e Ernesto, realmente “chic” este roteiro. Parabéns e obrigada pela sua generosidade. Este viagem é para guardar o secreto. Desejo que um lugar tão especial como este poda continuar tão lindo como em suas fotos. Adorei o texto e as fotos.
Um saludo
Obrigado a todos os que escreveram
ESta é uma grande hora para ir para o Sul. Começa a colheita da uva, e a região é bastante tranquila, mesmo no carnaval, sem os preços estratosféricos de outros lugares.
Este roteiro é demais. Eita vontade de fazer isso este ano ainda. Parabéns pela viagem, Ernesto.
Obrigado a todos os que curtiram nossa viagem.
Qualquer duvida, estou a disposicao para Ajudar.
Agora e uma das melhores horas para ir, pois e a colheta da uva.
Só de ler já se vê que dá de dez a zero a qualquer roteiro turístico da CVC… Vou seguir suas dicas na minha viagem à Serra Gaúcha nestas férias, depois volto aqui pra comentar! Desde já muito obrigada!
Eu fui no passeio do Toni, foi bom demais, muitíssimo obrigada pela dica!! No nosso blog postamos algumas fotos! Grande abraço!
[...] de nossa viagem com o passeio de jipe do Toni que descobrimos por meio do blog Viaje na Viagem. Foi uma das melhores coisas que fizemos, o Toni montou um roteiro baseado nos lugares onde ele ia [...]
Fico feliz que tenham gostado de nossas dicas!