Migrações do Pato: de Berlim a Muçum, rumo à Ferrovia do Trigo

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O Viaduto 13 da Ferrovia do Trigo

Texto: Ernesto, o Pato Econômico. Fotos: Cibele Fabichak.

Conheça em primeira mão aquele que promete ser um dos mais bonitos passeios de trem do país. Tal caminho ferroviário deve ser inaugurado no segundo semestre deste ano. Enquanto isso não ocorre, você pode visitar o maior viaduto ferroviário das Américas (e o 2º. mais alto do mundo!) numa caminhada a pé, a partir de uma pequena viagem de carro com início em Bento Gonçalves. Em primeira mão para os trips, a “Ferrovia do Trigo”, com uma paradinha no simpático vilarejo de Berlim (nós também temos a nossa!). Os trens ainda não chegaram lá, mas o Pato conta tudo em primeira mão para a mais antenada comunidade de viagens do Brasil.

É um roteiro completamente desconhecido. Fui a trabalho para o Sul e conversei com vários gaúchos e ninguém conhecia o trecho da Ferrovia do Trigo… Começamos nossa viagem em Bento Gonçalves (mas você pode iniciar este roteiro a partir de Caxias do Sul ou de Porto Alegre), e pegamos a RS 453 com direção a Estrela… Rode cerca de 30 quilômetros, e um pouco antes de Westfália, na estrada para Imigrantes, você chega ao vilarejo de Linha Berlim, uma pequena cidade parada no tempo, e que parece um museu.

Linha Berlim, RSDepois de Linha Berlim

Depois de Imigrantes, você segue por uma bela paisagem onde dá quase para se sentir na Alemanha até Roca Sales, e daí chega a Muçum. É uma viagem bem tranqüila, que mesmo com os trechos em terra dá para fazer rodando em ritmo slow, em algo como 5 horas, com várias paradas para fotos, e para comer uma sopa de capeletti na estrada, devidamente acompanhada por um vinho, e um suco de uva para o motorista.

De Berlim a Muçum

Sua hospedagem na cidade de Muçum pode ser no Unihotel ou Marchetti, que é honesto e limpo a R$ 60,00 o quarto.

Pegue a saída da cidade e siga as placas para o Viaduto 13.  O viaduto é tido como uma das maiores obras da engenharia de sua época. Possui 143 metros de altura e 509 metros de extensão; é o maior viaduto férreo da América Latina e o segundo mais alto do mundo. Dá para ir de carro até a sua entrada e caminhar por ele. Eu fico devendo as fotos, pois quando chegamos lá, a neblina cobriu tudo, mas você pode vê-las nos links mais abaixo.

Viaduto 13

Em cada ponta tem um túnel. A visão lá de cima é linda! No meio dos trilhos não se tem idéia da altura, mas quando se chega na borda… É alto! Mas o viaduto é bem murado, e a caminhada é bem tranqüila. E mesmo que um trem de carga aponte na ferrovia, é só correr para um dos espaços de “fuga”.

Quem for mais aventureiro do que eu pode fazer o roteiro completo de cerca de 50 km caminhando. E mesmo que você não seja tão aventureiro, vale ver o relato no Mochileiros.com, as fotos já valem a visita:

Travessia Muçum-Guaporé pela Ferrovia do Trigo

Travessia Muçum-Guaporé pela Ferrovia do Trigo (parte II)

Quem quiser caminhar deve ir de Guaporé a Muçum. Veja também como fazer a travessia de bicicleta, no site do Marcos Netto:

De bicicleta pela Ferrovia do Trigo

A Ferrovia do Trigo é uma das mais belas ferrovias do Brasil. Entre Roca Sales e Casca há   32 túneis e 23  viadutos.  O projeto de exploração turística, denominado Trem Turístico dos Vales e Montanhas da Serra Gaúcha, já está em fase final. Deverá começar em Montenegro e terminar 160 quilometros depois em Guaporé, incluindo seis municípios do Vale do Taquari: Estrela, Colinas, Roca Sales, Muçum, Vespasiano Corrêa e Dois Lajeados.

Segundo as notícias que correm na região: os vagões já estão prontos para começar o passseio, e só falta arrumar uma locomotiva para puxar a boiada… Tenho certeza que este passeio se transformará num dos tops do turismo ferroviário, e vai atrair aficionados do mundo todo, como outros que já fiz — o trem de Lima a Huancayo, ou o Trem das Nuvens….

Ferrovia do Trigo

Faço votos para que ele seja bem sucedido… uma recomendação que eu daria para acrescentar um charme seria o de fazer um passeio temático com toques da Alemanha e da Itália, com apfelstrudel, cucas, salaminhos, pães e outras delicias da região. E, se possível que se use uma locomotiva à vapor,  pois este roteiro tem tudo para se converter numa das mecas dos apaixonados por trens, daqueles que acham que um dos sons que mais evocam a magia das viagens é o apito do velho trem, que  preguiçosamente e num balanço gostoso, é uma das melhores oportunidades para se curtir e para se meditar a vida.

De Berlim a Muçum

Depois seguimos de Guaporé para Nova Prata, um belo passeio por uma estrada de terra cheia de casas de madeiras, igrejinhas cenográficas, velhinhos saídos do norte da Itália apoiados nos janelões. Nesse percurso repetimos um favorito do roteiro anterior, dando uma paradinha na Churrascaria do Spagnol, em Nova Prata (tel: 54/3242. 1901), que oferece um ótimo espeto corrido a inacreditáveis 14 reais, e ainda acompanha uma deliciosa sopa de capeletti caseiro.

E, chegando em Nova Prata, você pode combinar este roteiro com o nosso anterior, um passeio pela Toscana Brasileira.

Alguém  conhece algum ponto do Brasil lindíssimo, mas pouco divulgado? Vamos dividir experiências na caixa de comentários?

De Berlim a Muçum

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22 comentários para “Migrações do Pato: de Berlim a Muçum, rumo à Ferrovia do Trigo”

  1. Será que é o mesmo trajeto que foi reativado no final da década de 70/início de 80? Lembro de fazer esse passeio quando criança entre Passo Fundo e Porto Alegre. Na época não durou muito, dizem que por “conflito de interesses” com o pessoal do transporte rodoviário…

  2. Eu já estive lá, mas conheci os viadutos por baixo. A largura de cada coluna que sustenta o viaduto é algo inacreditável, e faz a gente imaginar a dificuldade em construir essa ferrovia num tempo em que não havia tanta tecnologia.
    Para os corajosos, há uma empresa que oferece rapel no viaduto 13.
    E em Nova Prata eu aconselho conhecer as águas Termais Caldas de Prata. O lugar é fantástico, à beira de um rio com cachoeira, trilhas e restaurante. A estrutura das banheiras (4 cobertas e 2 ao ar livre) é nova e o atendimento é excelente.

  3. Não, o projeto é de um trem turístico, com tarifa cara, talvez poucas saídas por semanas, só para passeio mesmo. É um passeio, não um transporte.

    Notas técnicas sobre o uso de locomotivas a favor: o traçado da ferrovia e a forma como ela é hoje utilizada inviabiliza seu uso por locomotivas a vapor. Ela é uma ferrovia ativa, ou seja, por ela trafegam trens de carga todos os dias. É uma ferrovia concedida à iniciativa privada e o transporte turístico é uma atividade complementar que estará sujeito à disponibilidade de “paths” (o equivalente a slots em aeroportos) para acontecer.

    Locomotivas a vapor não são compatíveis com os modernos sistemas de sinalziação, segurança etc. dessa ferrovia.

  4. Tenho dúvidas se o trem que a Flávia andou na época que ela diz passava realmente pela Ferrovia do Trigo. Na época, ainda existia um trem de passageiros Passo Fundo-Sta Maria e daqui para PA, pela linha velha. Não tenho notícias de trens de passageiros na linha do Trigo; se houve, foram esporádicos, sem serem trens regulares. Na época em que a ferrovia foi aberta, não valia mais a regra de que “toda ferrovia precisava ter seu trem de passageiros regular”; o apocalipse estava próximo. Enfim, gostaria que alguém provasse que houve e eu estou errado neste caso. Abraços

  5. Riq Valeu!

    Espero que todos gostem.

    Espero que a ferrovia se viabilize, mas se isto não for possível, o passeio de carro vale a pena!

    Um outro passeio que fiz em 1986,e que era lindo era de Porto Alegre até Santnana do Livramento de trem.

    1. Eu gostei!

  6. eu não acredito que errei essa!!! imagina, minha famíia mora em Lajeado e vivi nessa região boa parte da vida… mas que burra!!!

    bem, vale lembrar algumas coisas legais ali de perto:

    - O rio Forqueta é de leito pedregoso e oferece locais para banho em vários pontos, sem falar na paisagem belíssima. Há vários campings na região;
    - Na estrada de Lajeado a Roca Sales, paisagens lindíssimas de vale e montanha;
    - Na estrada entre Estrela e Garibaldi, no posto BR, venda de produtos coloniais a preços bem camaradas (é o ponto em que sempre paramos);
    - Em Teutônia, Lagoa da Harmonia, na verdade um açude no alto de um monte. Havia um restaurante, mas não sei como está agora, pois faz anos que não como lá, mas dá para subir e fezer um pequeno trekking até o topo. Vista espetacular de todo o Vale do Taquari;
    - Em Cruzeiro do Sul, na Casa do Morro, uma vista linda para o Rio Taquari e o vale;
    - Entre Estrela e Lajeado, no Roteiro Delícias da Colônia na localidade de Costão, a Sirlei Chocolates é um bom passeio com um destino doce!

  7. É Ricardo, minha familia é de Estrela e aquela região toda é muito pouco esplorada mesmo.
    Lembro dos Balneareos no Taquari no verão e dos Kerbs em outubro.
    Achei bem interessante que o município de Westfalia tenha sido formado por Linha Berlin e por Picadas que se desmenbraram de Teotônia e Garibaldi. Linha é denominação dada aos pequenos distritos de colonização italiana e Picada aos de colonização alemã. Interessante uma “Linha” chamada Berlim , que se une a uma Picada para formar uma Westfália. Só neste Brasil Brasileiro, rs

  8. -Linha Berlim-
    O texto e as fotos: pura poesia

    Imprescindível!!!

  9. Ernesto,

    Minas Gerais é o estado brasileiro com maior número de municípios. São 853 municípios. Além dos diversos vilarejos e distritos.

    Tem cada lugar bacana e desconhecido. Belas paisagens, cachoeiras, rios, manifestações culturais e folclóricas… frio e calor.

    É uma atitude muito legal essa descentralização do fluxo turístico e também uma experiência inesquecível.

    Já nos visitou?

    ; )

    1. Guilherme

      Eu conheço alguma coisa de Minas, como as Cidades históricas, o Caraça, o Parque de Itatiia, e a parte da Serras de Maua até São lourenço por terra.

      Quero conhecer o projeto do Muriqui, e a Serra de Canastra, que só conheço do lado de SP, mas sugestões serão bem vindas.

  10. oi ernesto, tu não tens blog, ou eu não procurei direito? não consegui te achar no google…

    1. Flavia

      Eu me sinto muito honrado de ser hospedado, aqui no VNV.

  11. Pato, me lembro de aqui no site , ter lido algo sobre vc ter ido a Veranópolis, foi nesta viagem?Veranópolis e Nova Prata sao próximas, mas nao entendi se vc fez tdo junto ou em viagens separadas.
    Bela migraçao!

    1. Zuzu

      Foram duas viagens separadas, mas em ambas fomos a Veranóplis, o outro foi o roteiro na Toscana Brasileira.

      1. Pato
        Entao vc gostou bastante de Veranópolis? Qual foi teu hotel lá?Me hospedei no Verona Park Hotel uma vz e gostei muito, mas foi em outra encarnaçao…nao sei como está agora!Gostaria de visitar aquela regiao de novo!

  12. Lindo.

  13. Tambem sou do Sul, e não conhecia este lugar. Vou para ai.

  14. Esse trem turístico vai operar de forma diferente dos trens de passageiros que percorriam a ferrovia nas décadas de 1970/1980. Naquela época, tais trens eram operados regularmente, fazendo a linha Passo Fundo – Porto Alegre (tal qual ainda é hoje com o trem de passageiros Vitória – Minas, da Vale). Era conhecido como o “Trem Húngaro”, país de sua fabricação. Mas, por pressão do setor rodoviário, que ganhava força e incentivos dos governos desde a década de 1950, tais trens foram desativados. Já esse trem turístico irá operar apenas em dias pré-estabelecidos, especialmente em datas comemorativas e feriados. O objetivo é não tornar sua operação muito cara, aumentar a ocupação por viagem e não competir por espaço com os trens de carga da ALL (já que a empresa tem demonstrado profundo desinteresse por tal projeto, inclusive atrapalhando em alguns momentos…). O que eu sei é isso.

  15. Edinho

    Voce sabe quando vai começar a operação dos trens?

  16. Prezados internautas:

    Convido a todos para conhecer o site do INPREFER que está providenciando a vinda e operação do Trem Turístico dos Vales e Montanhas da Serra Gaúcha:

    http://www.inprefer.org.br

    Haverá mais novidades sobre o passeio a partir de fev 2011. Aguardem e boa viagem.

    att, Antonio Joceli e Lucia Maschke * Diretores – INPREFER

    1. Ja há alguma data prevista para o passeio?

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