Nova migração do Pato: de jipe pela Serra da Canastra

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Serra da Canastra. Foto: Ernesto o Pato e Cibele Fabichak

De Pato Migreiro a Pato Jipeiro: a nova migração do Pato Econômico entra de jipe pelo Parque Nacional da Serra da Canastra e termina em grande estilo em Araxá. O texto é de Ernesto, o Pato; as fotos são dele e da Cibele Fabichak.

Qual foi o último lugar que você visitou e só havia estrangeiros, e você era um dos únicos brasileiros?  Bem-vindos a um lugar lindo, e quase que desconhecido dos brazucas: a Serra da Canastra, Minas Gerais, cujo símbolo do parque é nosso colega e amigo, o pato mergulhão, uma espécie rara e tímida com um penachinho na cabeça.

Serra da Canastra. Foto: Ernesto o Pato e Cibele Fabichak

Basta dizer que, no hotel onde ficamos, éramos os únicos brasileiros, e os demais eram excursões de observadores ingleses da natureza, que estavam maravilhados com as dezenas de espécies de aves encontradas no local (o grande carcará, o vistoso tucano e os barulhentos papagaios: são figurinhas fáceis de ver), os rios com água cristalina e cheios de peixinhos (filhotes de lambaris),  e as lindas cachoeiras do local, sendo a maior delas a famosa Casca d’Anta com quase 200 metros.

Serra da Canastra. Foto: Ernesto o Pato e Cibele Fabichak

Bem-vindos a um dos mais belos recantos de natureza do nosso país, que eu sonhava em conhecer desde os tempos em que eu era um pato jovem e amarelinho (“A nascente do Rio São Francisco é na Serra da Canastra”, martelava o professor de geografia…).

Serra da Canastra. Foto: Ernesto o Pato e Cibele Fabichak

Serra da Canastra. Foto: Ernesto o Pato e Cibele Fabichak

A paisagem, em muitos trechos, a mais de 1.200 m de altitude, lembra a savana. Apesar de estar num ecossistema diferente, você vai se sentir em um safári africano no Brasil. Estamos falando do Parque Nacional da Serra da Canastra, um dos maiores parques nacionais do país – você chega a percorrer mais de 100 quilômetros em estradas de terra dentro do parque para conhecer as suas belezas.

Serra da Canastra. Foto: Ernesto o Pato e Cibele Fabichak

Na parte baixa do parque tem um mirante cuja visão perfeita de uma canastra ou baú dá a noção exata do porquê deste nome…

Serra da Canastra. Foto: Ernesto o Pato e Cibele Fabichak

Claro que vai ter muita comida mineira, e que de vez em quando você vai se perder nas estradas de terra — mas há descobertas que só faz nas estradas de terra, como cruzar com uma seriema no meio da estrada,  reduzir a velocidade para um tamanduá passar, e presenciar o bando de papagaios que volta para  casa no pôr do sol.

Serra da Canastra. Foto: Ernesto o Pato e Cibele Fabichak

Serra da Canastra. Foto: Ernesto o Pato e Cibele Fabichak

A região é desconhecida por ser longe (530 km a partir de São Paulo, 670 km do Rio e 320 km de Belo Horizonte) e pelo fato de as estradas do parque serem bem precárias, e recomendarem um veículo alto a qualquer tempo, e um 4 X 4 na época das chuvas (de novembro a março).

Serra da Canastra. Foto: Ernesto o Pato e Cibele Fabichak

De qualquer maneira, você não precisa ter um jipe 4 x 4 para aproveitar o lugar, pois as estradas até a cidade que serve como base para seus passeios, São Roque de Minas, são asfaltadas, e em boas condições.  Na cidade há várias agências que fazem passeios de jipe pelo parque. Os valores bastante justos, ou seja,  R$ 35 a 50 por um passeio de dia inteiro, como a Tamanduá Turismo,  localizada no centro, que usamos e aprovamos. Fizemos o passeio e sentimos a emoção de ir num Toyota até a cachoeira dos Rolinhos e na parte Alta da Casca D’Anta (esta é a primeira queda do Rio são Francisco).

Serra da Canastra. Foto: Ernesto o Pato e Cibele Fabichak

O parque é dividido em duas partes: a parte baixa, aonde se chega por São José do Barreiro (é a parte com as estradas mais bem conservadas), e a parte alta  quem contém a nascente do Rio São Francisco e o alto da Casca D’Anta, e é a parte mais rica em natureza.

Este é um passeio para quem gosta de caminhadas,  cachoeiras e rios limpos, onde se vê milhares de lambaris…  As cachoeiras são espetaculares — mesmo no período das secas, eu recomendo. Tem também outro passeio imperdível, de dia inteiro no Cerradão, uma reserva particular com trilhas (a pé) para uma cachoeira, e observação de aves, e que tem placas descrevendo todas as árvores que  se encontra no caminho.

Serra da Canastra. Foto: Ernesto o Pato e Cibele Fabichak
Ficamos no hotel Chapadão da Canastra. Simples, porém com ótimo atendimento. Diária: R$ 135,00 por casal (tel.: 37  3433-1267).
Para comer, recomendo o restaurante Zagaia. Peça uma refeição para uma pessoa, que dá tranqüilamente para dois comilões após um dia de trilha.  Comida mineira e caseira, farta e bem servida.  Bife acebolado, tutu, de feijão, salada  fresquinha, macarrão feito na hora,  e uma mandioca deliciosa vão saciar o seu apetite de trilheiro.

Serra da Canastra. Foto: Ernesto o Pato e Cibele Fabichak

O passeio a Araxá é uma maneira interessante de terminar sua viagem para a Canastra. Infelizmente as partes mais bonitas do Grande Hotel são fechadas ao público, e teoricamente o acesso é só para quem tem o cartão do hotel, mas vale dar uma “bicada“, entrando de gaiato junto com um hóspede, ainda que com o risco de ficar “preso” nas termas….

Serra da Canastra. Foto: Ernesto o Pato e Cibele Fabichak

Grande Hotel de Araxá. Foto: Ernesto o Pato e Cibele Fabichak
Grande Hotel de Araxá. Foto: Ernesto o Pato e Cibele Fabichak

Grande Hotel de Araxá. Foto: Ernesto o Pato e Cibele Fabichak

Grande Hotel de Araxá. Foto: Ernesto o Pato e Cibele Fabichak

Grande Hotel de Araxá. Foto: Ernesto o Pato e Cibele Fabichak
Se você gostar de retratos e pinturas históricas, não deixe de visitar o museu do artista local Calmon Barreto.  Outro ponto curioso de Araxá é o  “Museu da Memória”, onde cada habitante deixa numa pequena vitrine os objetos mais importantes da sua vida…..   Trips, se vocês pudessem colocar numa pequena vitrine os objetos mais significativos de sua vida, o que vocês colocariam nelas?  Ficamos refletindo…

Gostou?  Aproveite, agora, a partir de novembro, é a época perfeita para ir no parque. As chuvas começam, e com elas vem as flores, que tornam o cerrado ainda mais especial.

Dicas do Pato Econômico para a Serra da Canastra:

1 – Se seu carro não for alto, você passará menos estresse se pegar uma excursão num jipe da Tamanduá Turismo.

2 – Se for de carro próprio, encha sempre o tanque de combustível ao sair de manhã, pois não há postos no caminho, e principalmente não corra, pois os mata-burros e pontes que parecem em grande número (a maioria tem um vão central) e se você não entrar com cuidado, podem causar um prejuízo sério no carro. Alguns são traiçoeiros, logo após as curvas, e em descidas, e não são sinalizados, então não exceda nunca os 40 km/h, mesmo nos trechos aparentemente bem conservados. Para chegar nas atrações, é simples: os destinos no parque são bem sinalizados.

3-    Leve seu lanche, e sua água, pois não há qualquer infra-estrutura no parque (mal e mal um banheiro porquinho na parte alta da Casa D’Anta).  Tenha sempre uma reserva de pelo menos 5 litros de água, e um pouco de comida, para o caso de uma quebra do carro, pois o celular não tem sinal dentro do parque, e neste caso você vai depender da sorte para o resgate, especialmente fora de fins de semana e feriados.

4 – É um ótimo lugar para ir com crianças, mas tenha cuidado, especialmente,  na parte alta da Casca D’Anta, onde não há qualquer proteção num precipício de mais de 300 metros.  O Instituto Chico Mendes é ávido para cobrar taxas dos visitantes, mas avarentíssimo para fazer pequenas melhorias de segurança, como corrimãos, proteções, etc….  Quem já foi para Noronha, ou Abrolhos sabe como funciona:  cobra-se taxas sem que elas revertam em um mínimo de infra- estrutura para o turista.

5 – Os melhores horários para ver pássaros e animais são logo no por do sol, e no entardecer.  Leve seu binóculo.

6 – O site da Tamanduá Turismo tem as melhores informações sobre como chegar na Serra da Canastra, de carro, de ônibus e de avião. Em princípio, acho que para quem está em SP, ou no Rio  o avião não compensa, pois as passagens são caras, envolvem várias escalas, e será necessário alugar um carro e rodar várias horas até chegar na Canastra.

7 – A  estrada de terra que vai de Araxá, e passa pela portaria  São João Batista,  é para aqueles que tem alguma experiência em off Road. Há atoleiros, pontes quebradas, e sinalização precária. Se voce vier de avião por Araxá, sugiro a rota asfaltada.

8 – Há algumas atrações interessantes no caminho, como a Casa e o Museu de Portinari em Brodósqui,  um passeio de barco na represa de Furnas, pelo que o ideal é ter pelo menos 5 dias completos para o passeio.

9 – Se você pretende passear pelas estradas de terra, não deixe de verificar se o seu carro tem um protetor de cárter. Sem ele uma pequena pedra pode significar um grande prejuízo. Se não tiver, mande instalar, ou ande só no asfalto.

10 – Os insetos fazem parte da natureza. Leve repelente e use roupas compridas e grossas para evitar picadas.

E boa aventura na serra!

Serra da Canastra. Foto: Ernesto o Pato e Cibele Fabichak

Serra da Canastra. Foto: Ernesto o Pato e Cibele Fabichak

Obrigado, Ernesto e Cibele!

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23 comentários para “Nova migração do Pato: de jipe pela Serra da Canastra”

  1. Parabéns pelo relato!!!Lindas fotos.
    Eu ia a Araxá quando pequena e me hospedava no Grande Hotel, era lindo e acho que dormir lá uma noite na volta deve valer a pena.

    1. Eu também passei muitas férias de minha infância no Grande Hotel de Araxá. Será se nos conhecemos? :lol:

      1. Pode ser…rsrsrs, só sei que aquilo prá criança é mágico!

  2. Riq

    Sempre ficamos contentes de compartilhar nossas experiências com os amigos do blog!

  3. Que linda viagem!

  4. Que delícia de texto, fotos maravilhosas! Fiquei com água na boca, já estou colocando no meu planejamento.

  5. Riq

    Esta é a melhor maneira de começar o dia!

  6. Ernesto e Cibele,
    Como sempre, roteiro completíssimo. Adorei, quando puder irei.Obrigada.

  7. Parabens Ernesto e Cibele

    Fotos maravilhosas… E a gente infelizmente não conhece nosso próprio país!!! Infelizmente a grama do vizinho sempre é mais verde que a nossa..
    Espero um dia ter a oportunidade de conhecer esse Brasil desconhecido também..

  8. Eu simplesmente adoro os relatos de viagens do Ernesto e da Cibele, sempre acompanhados de lindas fotos e aventuras de filme!
    Acho maravilhoso conhecer nosso país antes para poder chegar lá fora e poder fazer comparações.
    Parabéns pela viagem!

  9. Adorei o relato! Fiquei morrendo de vontade de encaixar a Serra da Canastra já no próximo fim de semana. :-D

    Concordo com a parte da insegurança no alto da Casca D’Anta, principalmente porque quando estivemos lá meu sogro inventou de tirar fotos da cachoeira lá de cima e ficamos morrendo de medo dele cair. hehe Ainda quero voltar à com mais calma e tempo, pois realmente há muita coisa para ser explorada.

    Adoro Araxá e o Grande Hotel também, mas nunca tive coragem ($$$) de me hospedar lá. Felizmente o Peixe Urbano realizou meus desejos e em breve vou conhecê-lo melhor! ;-)

    1. Camila

      Obrigado!

      Como foi o esquema do Peixe Urbano? Funcionou bem?

  10. Ernesto, ainda não usei o voucher. Ele vale até junho, mas acho melhor eu já reservar logo uma data, porque mais 798 pessoas compraram. 8O Acho que há um risco de falta de quartos disponíveis em algumas datas. :?

    1. Eu não pesquei esta promoção… Depois conte se funcionou bem!

      1. Agora é que me lembrei que não voltei aqui para contar como foi a estadia no Grande Hotel. Resumindo: o único arrependimento foi ter feito reserva para apenas uma noite. O hotel é ótimo! E o relato já está lá no Viaggiando. :-)

  11. Que passeio bacana!!! Já foi para a lista :)
    Obrigada ao Ernesto por dividir com a gente!!!
    Abs

  12. Parabéns Ernesto pelas lindas fotos!
    Gostaria de deixar minhas impressões sobre o Grande Hotel Termas de Araxá para os amigos trips. Estive lá no finalzinho de julho deste ano. O resort mudou de direção recentemente (saiu do Grupo Ouro Minas e agora está sob o manejo do Tropical Tauá). O lugar é lindo, bem cuidado e os prédios (para aqueles que gostam de arquitetura) belíssimo (vale visitar os salões e se embasbacar com os lustres de cristais bohemia e tudo o mais). A atração principal são mesmo as termas, onde funcionam a piscina emanatória (deliciosa – água a 35º mais ou menos), duchas escocesas e diversos banhos medicinais(lama, água sulfurosa, pérolas)e massagens de todos os tipos (todos pagos à parte). Tudo conspira para o seu relaxamento! Todo dia, a partir das 18 horas, a cantora Patrícia entoa seus mantras e há convidativas chaises para aqueles que quiserem assistir (e relaxar!). Os quartos são meio antigos, mas confortáveis, e os banheiros foram aparentam ter sido reformados e estão ok. No tocante ao resort, o sistema é pensão completa, com buffets. O café da manhã é bem gostoso, com diversos quitutes mineiros e uma estação de omeletes. Como sobremesas são servidos doces mineiros de todos os tipos. A comida, como na maioria dos resorts, não me agradou muito (principalmente depois do 3º dia)Muita quantidade, mas pouca qualidade. Para quem tem filhos é o lugar ideal: monitores muito atenciosos, refeiçoes especiais para as crianças servidos em ala própria, copa do bebê e muuitas atividades.
    Uma última informação: para visitar as termas não é necessário ser hóspede. Se eu não me engano, o visitante paga uma taxa de R$20,00 para o dia, com direito à piscina emanatória, duchas escocesas.

  13. Adorei mais este post seu. Vou colocar na minha listinha também.
    Abraços

  14. Para mim, a grande atração no Brasil, como país, é a diversidade de paisagens. A enormidade do território brasileiro e os grandes contractes entre o inteior e o litoral. Pode mover-se desde praia até a floresta, da rusticidade a um espaço mais chique. Gosto muito dos post do paisagem das serras brasileiras.

    Parabéns, Cibele e Ernesto!

    (adoro os lugares com termas, spas… é bom para o stress)

  15. Sou de Minas e nunca tinha ouvido falar neste lugar.

    Agora quero ir.

  16. É sempre um prazer dividir nossas experiências com voces.

    Em breve : Chpapada Dimantina: primeiras impressões!

  17. Uau! Que belo relato! E que fotos!
    Já estou querendo ir pra Serra da Canastra manhã mesmo. Pena que nem sempre querer é poder.
    Mas um dia eu vou! Ah, se vou…

  18. matei as saudades da serra da canastra.
    recomendo a pousada barcelos.

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