Empurre (minha crônica no Divirta-se do Estadão)

FacebookLinkedInEmailShare

Push quer dizer... aperte????

O brasileiro nunca viajou tanto ao exterior. Paradoxalmente, nunca as portas estiveram tão fechadas para nós. Explico. Quanto mais brasileiros viajam para fora, mais brasileiros se confundem na hora de decifrar o que é “push” e o que é “pull”.

Ah, sim: normalmente quando brasileiro fala “o brasileiro” está se referindo a todos os outros brasileiros, menos ele. Dessa vez eu faço questão de me incluir. Não será nesta encarnação que eu vou aprender o que é “push” e o que é “pull”.

Em mais de trinta anos de viagens internacionais, o máximo que o meu cérebro conseguiu fixar é que “push” não é o que eu penso que é. Mas daí a entender automaticamente que “push” quer dizer “empurre” e fazer com que eu force a porta para a frente sem precisar pensar – tsk, tsk. De jeito nenhum.


Já tentei de tudo, incluindo hipnose, simpatia e mandinga. Sem sucesso. Basta aparecer uma placa com os dizeres “push” ou “pull” para me deixar estático. São momentos intermináveis de breve apoplexia que se repetem ao longo do dia. Por que parou, parou por quê? Porque meu sistema nervoso parassimpático se recusa a aceitar que “push” quer dizer “empurre”.

E “pull”? É ainda pior. Se a minha reação ao letreiro “push” é puxar, a minha reação ao letreiro “pull” é consultar o Michaelis. Para mim trata-se de um verbo inteiramente vazio de significado, incapaz de comandar qualquer ação que seja.

Sei que não estou sozinho, e que as hordas de brasileiros em férias pelo mundo também sofrem o mesmo infortúnio. Talvez por isso haja tantos de nós indo a Orlando, Las Vegas, Dubai – lugares onde de maneira engenhosa a maioria das portas se abre automaticamente, sem que seja necessário pensar, pushar ou pullar.

Só enxergo um caminho para solucionar este problema ainda nesta existências. As mesmas lojas que trouxeram os letreiros de “Sale” e “30% off” para as vitrines brasucas poderiam fazer um acordo ortográfico com suas matrizes e começar a pôr “push” e “pull” nas portas daqui.

Enquanto isso, voltemos ao decoreba. “Push” não quer dizer puxe. “Push” quer dizer empurre. “Pull” não quer dizer pule. “Pull” quer dizer o quê? Esqueci. Tudo de novo. “Push”…

Visite o VnV no FacebookViaje na Viagem
Siga o Ricardo Freire no Twitter@riqfreire


FacebookLinkedInEmailShare

41 comentários para “Empurre (minha crônica no Divirta-se do Estadão)”

  1. Hahaha, great! Adorei. Hilário como sempre. Só vc Riq…

  2. Outro dia li em algum lugar: Push e Pull – duas palavras que abrem muitas portas :)

  3. Ai, fico tão aliviada de não está sozinha nesse mundo onde a vida se tornou binária: “débito ou crédito?” “direita ou esquerda?”

  4. É a pura verdade Riq !! adorei também!

  5. Hahahahahaaaaa! Adorei :-)

  6. Hahahaha! Genial! Eu fico paralisada em frente de cada placa de push e pull que eu encontro. O melhor negócio ainda é torcer pra que tenha alguém mais esperto a sua frente pra tomar a iniciativa e você – entrar ou sair – no embalo :)

  7. Não está sozinho mesmo! E o que dizer de “tirez” e “poussez”?

    1. Eu morro de rir com isso em espanhol, com o “tire”… Como assim, eu tenho que tirar a porta pra passar?!? :lol:

  8. Pull deve ser “Empullrre”. Er… hahaha, morri de rir com a crônica! x-D

  9. Sofro do mesmo mal… Eu tento pensar que é Pullxe, mas também não funciona, porque quando chega no Push eu quero puxar também… :-(

  10. Hahahahah, que alívio, eu realmente pensava que só eu sofresse de mal.

  11. O pior é sofrer com essa paralisia e ainda ter que ouvir: “Mas você não é professora de inglês?” como se isso resolvesse o caso… Quando eu vejo a plaquinha de “push” sempre penso assim: “É o contrário, é o contrário…” ;-)

  12. heheheh
    Boa !

  13. Ricardo, posso publicar este teu artigo no Espaço Vital?

    .

    1. Claro, Dionísio :-)

      1. Obrigado!

  14. Verdade absoluta.

  15. Como sempre, adorei a cronica, e mais ainda saber que não estou sozinha quando paro, penso, pull, push e faço sempre o contrário.

  16. Cansei de dar com o nariz na porta,literalmente, qdo cheguei aqui. Dai o Paulo me falou que 99% das portas nos EUA abrem pra fora. Entao agora, ao inves de ler, eu só empurro pra fora. As chances de errar diminuem consideravelmente mesmo.

  17. Ótima sacada, ótima crônica. Quando se pensa que está tudo certo, tudo tranquilo, algum “push” ou “pull”, mesmo que se tenha acertado em vários, vem do nada, dar um curto-circuito na cabeça.

    Recomendo a quem tem saco, aprender pelo método pavloviano bem cássico.

    1. Devo acrescentar que a escolha da foto do botão vermelho em cima do “push” foi de uma felicidade ímpar! :-)

  18. Hahaha! muito bom quando a gente se sente uma retardada de se embananar com uma coisisnha tão simples e descobrir que existem um monte de “não retardados” que sofrem do mesmo mal. Porque o que não falta é um outro brasileiro sabichão atras da gente zoando a nossa “inabilidade”. `As vezes a inoperância mental é tanta que eu prefiro sacudir a porta pra ver pra que lado abre.

  19. Muito bom!!! Eu também tenho esse problema, só que estou um passo a frente. Já consegui fazer com que o Pull seja praticamente automático, mas sempre aparece um Push para me embananar todo! :-)

  20. Bom saber que não estou só :)

  21. Riq, essa história me lembra aquela piada no avião da TAP.
    A aeromoça instruindo os passageiros.
    Em caso de emergência…
    Quando lerem PUSH, não puxem, empurrem.
    Quando lerem PULL, não pulem, puxem.
    E quando lerem EXIT, não exitem e saiam.
    rsrsrs
    Um trava-língua de primeira.

  22. Que delícia de crônica, Riq!!!!
    Tão bom, mas tão adoravelmente bom, que os comentários ficaram super gracinhas…

  23. Eu tive uma professora da Cultura Inglesa que falava pra gente: ‘push é emPUSHrre’. Triste né? Mas nunca mais esqueci…

  24. Esse é meu drama tb, rsrsrsrs. Pull, push, tirez, poussez…ò vida!!!!!
    Muito bom como sempre, parabéns!

  25. Excelente Riq!!! E é bom saber que todo mundo também cai nessa. Como disse a Maryanne o melhor mesmo é não ler, pois provalvemente a porta abre pra fora. Ou então é automática.

  26. Perfeito!!! É isso mesmo!!!! rsrsrs

  27. Todo mundo tem esse problema. É quase um efeito Stroop http://pt.wikipedia.org/wiki/Efeito_Stroop

  28. Muito legal a crônica, pensei que fosse só eu……parabéns, arrasou, como sempre.

  29. Push x Pull, palavrinhas terríveis.
    Já sabemos, aprendemos mas não adianta. A travada mental e motora acontece independentemente da nossa vontade ou expectativa de que na próxima vez não vai mais acontecer. A piadinha sempre foi a minha salvação, sempre me vem a cabeça e junto um sorriso disfarçado nos lábios, deve ser nervoso.Um pré-pânico.
    Mas bom mesmo é se sentir mais um.

  30. Esqueci de dizer,
    Bom demais!

  31. Foi muito divertido ler a sua crônica e me lembrar da minha primeira viagem a NY com meu namorado. Como todo brasileiro, sempre fazíamos confusão, mas acabávmos nos divertindo com a situação. Até que um dia, numa dessas brincadeiras, ele me disse assim “É fácil!! É só dizer “pullxe” e puxar a porta para abrir!!” Rimos até do trocadilho, e confesso que funcionou. A partir daí, sempre que vamos entrar em algum lugar onde está estampado o famoso “Pull”, já começamos a rir e até falamos em voz alta “Puulllxe”. rsrs

  32. Olha pode estar escrito o que o que for eu sempre EMPURRO e gostaria de saber quem inventou as portas que abrem pra fora??? Olha essa pessoa não é do meu grupo de “queridos”! e essas portas com sensor que vez ou outra deixam a gente quase meter a cara nelas?? ai vai, não é de propósito? mas poderia ser… quem já não quaaaseee bateu com o nariz no vidro? eu ja, que mico!

  33. Excelente! Eu simplesmente desisti. Faço como muitos dos colegas: EMPURRO! e seja o que Deus quiser. Se der errado eu puxo. Já até me acostumei. Sempre dá errado mesmo kkkk

  34. como sempre, muito divertido!! posso dar uma sugestão? onde foi parar a palavra “diferente”?? alguém um dia achou que “diferenciado” era mais chique e aí a galera toda agora vai atrás, sem se dar conta de que o significado das duas palavras é “diferente” (desculpe o trocadilho…) (lembra o telemarketês, né? q está invadindo outras áreas, uhhhhhhhh). Tem outra coisa que me grila: por que todo chef de cozinha acha que tudo o que ele(ela) está fazendo é “nosso”: agora vamos tirar a nossa carne do fogo, vamos misturar o nosso alho porró às nossas batatas, etc.???? abraço e parabéns!!!!

  35. Minha outra dificuldade é acertar o botão para abrir/fechar o portão da garagem do prédio :(
    Sempre tenho que parar para pensar, assim como na pergunta crédito/débito e no push/pull.Tenho salvação???

  36. Eu tenho este problema, e sei exatamente o que significa. Moro em Ny city e esbarro nesta confusao a todo minuto. Se nao tiver nada escrito, otimo, mas se tiver push, ai meu tik tak num funciona. Se tiver pull eu sei que eh puxar, mas if push eu empaco, podem rir, num funciona mesmo.

  37. Adorei! O nosso cérebro realmente nao aceita assim tão facilmente que push não significa isso que a palavra diz. A crônica está ótima, como sempre. Beijos.

comentódromo