A melhor moeda para levar para o exterior: seu cartão do banco!

Se eu pudesse fazer um inventário sobre qual é a pergunta mais feita aqui no site, não tenho dúvida de que seria essa. “Levo dólares ou dá pra levar reais?” — a pergunta é constante, só muda o endereço da viagem.
Alô, você: não se viaja mais com bolos de dinheiro. Exagerando: só mafiosos, traficantes e contrabandistas carregam bolos de dinheiro. Está bem. Sem exagerar, aqui vão as…
Principais desvantagens de viajar com dinheiro vivo:
1. É perigoso. Se te roubarem/furtarem, babaus — lá se foi sua grana.
2. Fazer câmbio toma tempo, e seu tempo em viagem é muito valioso para você fazer um desvio e perder horas do seu dia atrás de um bom câmbio.
3. Em muitos países, fazer câmbio requer apresentar o passaporte (sair com o passaporte na rua sempre é perigoso).
4. A taxa varia bastante entre as casas de câmbio e corretoras. Fora do horário bancário e nos fins de semana a cotação cai ainda mais. Muitas casas de câmbio usam chamarizes falsos, como cotações para grandes volumes ou pegadinhas tipo “comissão zero” (se a comissão é zero, é porque a taxa é muito, muito ruim).
5. A cada operação de câmbio você perde um pouco. Comprando dólar no Brasil para trocar lá fora você perde duas vezes.
Mas se as pessoas não viajam mais com dinheiro vivo, levam o quê? Tcharam! Algo que você já tem na sua carteira. O seu cartão de banco!!!
5 coisas que você não sabia sobre o seu cartão de banco:
1. Se o seu cartão é múltiplo (ostenta uma bandeira Visa ou MasterCard) e tem validade internacional, ele pode ser facilmente habilitado para uso na função saque de conta corrente no exterior.
2. Uma vez habilitado para saques internacionais, o seu cartão de banco funciona em praticamente todos os caixas automáticos (os múltiplos Visa funcionam nas redes Plus, os MasterCard funcionam nas redes Cirrus, mas normalmente os caixas automáticos operam nas duas redes). Ou seja: não é preciso ir a um caixa do seu banco! Cliente Itaú saca no caixa do HSBC, cliente do Bradesco saca no caixa do Santander, todos os clientes sacam em qualquer caixa. É como se internacionalmente todos os bancos fossem associados a uma rede Banco 24 Horas. Entendeu?
3. Os saques são contabilizados como aquisição de moeda, então só incide 0,38% de IOF (e não os 6,38% de IOF da função crédito do mesmíssimo cartão).
4. Sempre há caixas automáticos nos aeroportos, normalmente no saguão de desembarque ou de embarque. Isso faz com que você possa chegar a qualquer lugar do mundo sem precisar comprar moeda local no Brasil. Basta ir com seu cartãozito e fazer o primeiro saque logo ao chegar.
5. Uma vez habilitado para saques internacionais, você pode tentar usar o seu cartão também na função débito — a vantagem é o IOF menor, de 0,38%, contra os 6,38% da função crédito. (Mas atenção: dificilmente é possível custear uma viagem inteira neste esquema, porque o limite para saque/débito internacional não é igual ao seu saldo de conta corrente; o limite costuma ser inferior ao limite de gastos na função crédito).
Como funciona?
Exatamente como um saque em caixa automático no Brasil. Ou quase.
Ao ler o seu cartão, a máquina vai identificar você como estrangeiro. Vai aparecer uma tela para você escolher em que idioma quer operar.
Eu recomendo que você selecione sempre ENGLISH, porque o vocabulário é mais ou menos idêntico no mundo inteiro. Os termos em espanhol e até mesmo em português podem variar muito (você saberia que saque em Portugal é “levantamento”? Pois pois).
Em seguida a máquina pede para você inserir o seu PIN, que nada mais é que a sua senha. Use apenas os primeiros 4 dígitos.
Em inglês tudo o que você precisa saber é que deve selecionar a operação WITHDRAWAL (retirada) no modo CHECKING ACCOUNT (conta corrente).
Algumas máquinas vão perguntar se você concorda com uma sobretaxa de uso, e todas vão perguntar se você quer recibo ou não.
Tem custos envolvidos?
Sim — e variam de banco para banco, de conta para conta, de rede para rede, às vezes de máquina para máquina. As taxas que podem incidir são: uma tarifa de saque do seu banco; uma tarifa de uso da rede; uma tarifa de uso do caixa — além do IOF de 0,38%.
Normalmente as tarifas são fixas. Para que esse custo não seja significativo sobre o valor do saque, o ideal é fazer sacar o equivalente mínimo a 300 dólares de cada vez. Nem sempre isso será possível — mas comece sempre tentando valores altos.
E os perrengues? Existem?
Sim, é preciso estar precavido para superar percalços de ordem tecnológica.
1. O caixa está fora do ar/sem comunicação com o seu banco/sem dinheiro
É igualzinho ao Brasil: acontece. Para isso sempre é bom ter uma reserva emergencial em moeda forte e nunca viajar sem cartões de crédito. Eu viajo sempre com US$ 300 a US$ 500 para essas situações. Caso ocorra no aeroporto e o táxi não aceitar cartão de crédito, troca-se US$ 50 na casa de câmbio do saguão (casas de câmbio de aeroporto sempre têm a pior cotação possível– a exceção é o Banco Nación do aeroporto Ezeiza, mas daí não estamos falando de casa de câmbio, e sim de uma agência de banco). Na Argentina, no Uruguai e em Santiago essa reserva emergencial em moeda “forte” pode ser em reais mesmo.
2. A rede não reconhece o seu cartão
É bastaaaante raro, mas já aconteceu comigo. Tente então um banco de marca diferente, é bem provável que opere numa rede que reconheça o seu cartão.
3. A máquina diz que o valor que eu digitei é muito alto
Vá baixando o valor até conseguir.
Qual é a diferença para cartões tipo Visa Travel Money?
Em termos gerais, o funcionamento é o mesmo: ambos fazem saques em caixa automático e compras na função débito. A diferença básica é que o Visa Travel Money precisa ser carregado com valores, enquanto o seu cartão de banco tem o limite pré-determinado. O IOF dos dois é o mesmo: 0,38% (no VTM é cobrado na aquisição da moeda; no cartão do banco é cobrado a cada saque ou débito). Quando usado na função saque, o VTM também está sujeito a tarifas.
Pode haver diferença também na taxa de câmbio. Os cartões tipo VTM (na mesma categoria existem os Cash Passport com bandeira Visa e MasterCard e o Global Traveler com bandeira Amex) vendem a moeda na cotação turismo (e nas recargas você fica à mercê da cotação da corretora que emitiu o cartão). O cartão do banco pode ter taxa de câmbio mais atraente (o do meu banco tem).
Eu aconselho todo mundo a fazer um VTM (ou Cash Passport; o Global Traveler, por ser Amex, só funciona direito nos Estados Unidos), no mínimo para usar como plano B — tipo se der galho com seu cartão de banco ou de crédito. Você recarrega seu cartão a qualquer momento, com uma transferência bancária; em menos de 24 horas o cartão já acusa o novo saldo.
5 dicas de um heavy user de cartão de banco no exterior
1. Faço saques no exterior com meu cartão de banco desde 2001, quando essa função era privilégio de contas especiais em um ou outro banco. Acredite: depois que a gente descobre que não precisa mais perder tempo indo atrás de uma casa de câmbio com cotação decente a viagem melhora demais!
2. Antes de viajar, pesquise a cotação da moeda local (em sites como o Oanda). Calcule qual é o equivalente em moeda local a 300 dólares e escreva num papelzinho. Assim você já vai ao caixa automático com um número pré-definido. (Na hora de escolher o número às vezes dá uma bobeira master e você saca menos ou mais do que deveria).
3. Não saque número redondão; tente extrair pelo menos alguns trocados da máquina. (Nem sempre será possível, mas nunca deixe de tentar.)
4. Faça seu primeiro saque logo ao chegar, no aeroporto. Caso ocorra um perrengue tecnológico, separe US$ 50 ou US$ 100 da sua reserva emergencial e troque na casa de câmbio, mesmo com a cotação furreca.
5. Se os caixas automáticos de onde você for autorizarem saques em dólar ou euro, aproveite para fazer um último saque antes de voltar ao Brasil… para a reserva emergencial da próxima viagem
Boa viagem!
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Olá, fui a Argentina na semana passada e fiz 3 saques com o meu cartão Visa do Banco do Brasil, um de 200 pesos, outro de 800 pesos e outro de 600 pesos. Bom, o problema é que foi debitado da minha conta corrente, um valor em reais por volta de 600,00, só que na minha fatura do cartão de CRÉDITO, também veio os 3 saques em pesos e já convertidos para dólares, a atendente do BB disse que, o valor debitado da minha conta corrente foi “retirado” pelo cartão de crédito (VISA) para pagar o que foi debitado no cartão de crédito e que na fatura virá um pagamento no valor desse valor debitado. Estou preocupado, pois com o valor desse saques minha fatura está bem cara em dólares, pois ainda tem as compras que fiz lá, alguém sabe se isso é veridicto?
Desde já, agradeço!
Olá Vilar!
Estou indo pela primeira vez a Buenos Aires esse ano e no Banco do Brasil é assim que anda funcionando. Mesmo que vc escolha a opção débito, esses valores serão convertidos e vc irá pagar na fatura do seu cartão de crédito. E a cotação de dólar usada, será possivelmente diferente daquela do dia em que comprou. Espero ter ajudado. Abs