Wilhelm Tell Express: trem + barco entre Lugano e Lucerna

Assim como o Bernina Express, o Wilhelm Tell Express (Expresso Guilherme Tell) cruza os Alpes no sentido norte-sul.
Pode não ser a rota panorâmica mais espetacular da Suíça (o Bernina é mais bonito, e as subidas ao Jungfraujoch em Interlaken e ao Kleine Matterhorn em Zermatt, mais vertiginosas), mas é o trajeto mais diversificado: combina um trecho de trem com uma travessia de lago, num passeio encantador.
Outra vantagem do Wilhelm Tell Express é que, à diferença do Glacier Express ou mesmo do Bernina, este roteiro não obriga você a nenhum grande desvio. Se você vem do norte (França ou Alemanha) para o sul (Itália), ou vice-versa, e quer usar um único dia de viagem para ter um gostinho de Suíça, este é o percurso com melhor relação tempo x benefício. Recomendo dormir em Lucerna, que para mim sintetiza as melhores características das cidades suíças de médio e grande porte (volto ao tema em outro post).
Fiz o passeio no sentido sul-norte — por acaso — e acredito que seja o itinerário mais interessante, porque a parte do barco me pareceu mais bacana do que a do trem. (É bom ter em mente, porém, que eu já estava ziguezagueando há uma semana pelos trilhos suíços.)
–> Vamos por partes

Funciona assim: você sai de manhã de Lucerna (de barco) ou de Locarno (de trem panorâmico). Quem sai de Lugano, como eu, vai de trem comum até Bellinzona (20 min.) e faz baldeação para o trem de janelas panorâmicas.
Barco e trem se encontram em Flüelen, na margem sul do Lago Lucerna, e trocam de passageiros. O trecho de trem leva duas horas; o de barco, duas horas e meia. A viagem toda leva 5 horas entre Lucerna e Locarno (e meia hora a mais pra quem sai ou chega por Lugano).
No verão há duas saídas diárias das duas pontas (no início e no fim da manhã); no inverno, apenas uma (no meio da manhã). Consulte os horários aqui.
Mais adiante eu conto como fazer a viagem em trens convencionais.
–> De Lugano a Flüelen
No verão, um dos horários do Wilhelm Tell Express oferece um vagão premium, o Salon Liberté — uma espécie de primeira classe hiperpanorâmica. Foi nesse vagão que eu embarquei em Bellinzona, vindo de Lugano.

As poltronas giram 360º e uma hostess faz as honras da casa, falando sobre a viagem. Aproveite para contemplar a vegetação exuberante do Ticino, porque logo as janelas do trem vão ficar às escuras, quando o trem entrar no Túnel São Gotardo.
Com 15 quilômetros, o túnel foi construído em 1882, exatamente no lugar onde existia, desde o século 13, a passagem mais usada para atravessar os Alpes. (Há um outro túnel, construído cem anos mais tarde, para carros.) Os passageiros do Salon Liberté não ficam na escuridão: os monitores de TV passam um vídeo com a história da construção e os detalhes de engenharia do túnel.
Quando os trilhos finalmente emergem do longo túnel, começa a parte mais aguardada do trecho ferroviário: a passagem por Wassen, uma cidadezinha pitorescamente suíça cujo ponto focal é a igreja barroca de São Galeno, postada no alto de uma colina.

A rampa de acesso ao túnel foi construída em espiral; ao fazer a curva, o trem passa por uma seqüência de pequenos túneis. Isso cria um efeito sensacional, porque a cada nova saída do túnel você vê a igreja de um lado diferente do trem. Isso acontece três vezes, mas é o suficiente para a gente ter a impressão de que a igreja está brincando de esconde-esconde.

(Hoje esse momento lúdico acontece em toda viagem de trem neste trecho. Quando inaugurarem o novo Túnel da Base de São Gotardo, de 57 km de extensão — o que deve acontecer em 2016 — só os passageiros dos trens panorâmicos verão a igrejinha.)



Quarenta minutos de Suiça depois, você chega ao lago.
–> De Flüelen a Lucerna
Fiz a minha travessia num dia perfeito de final de verão. As duas horas e meia do percurso não cansaram nada, tamanha a beleza da paisagem.

Os passageiros do Wilhelm Tell Express ganham o almoço. Se você está na primeira classe convencional, seu voucher dá direito ao prato principal. Se você estava no Salon Liberté, seu voucher garante entrada, prato e sobremesa. Mas o dia estava tão gostoso que o que eu queria era ir pro convés, ao sol.





Durante o passeio o barco diminui a velocidade ao passar ao largo de uma pedra pela qual Guilherme Tell, personagem mitológico suíço (mitológico no sentido de que não existiu de fato), teria escapado do barco em que estava preso pelos tiranos ligados aos Habsburgo, para continuar a luta pela independência suíça. Nesta pedra foi erguida uma capela (imagem acima, à direita), e não há quem não click click click.
Outro momento de significado histórico é quando o barco passa por Rütli, onde nasceu a Confederação Suíça.




Um pouquinho antes de chegar em Lucerna começam a aparecer mansões à beira-lago ou encarapitadas nas montanhas. Uma das paradas provoca a memória dos brazucas: Weggis. Weggis…. Weggis… meu Deus, de onde eu conheço esse lugar? UFA! LEMBREI: foi onde a Seleção Brasileira fez a preparação para a Copa da Alemanha em 2006. (Um minuto de silêncio em homenagem ao grande Bussunda, por favor.)

Outra vantagem de fazer a viagem neste sentido está no fato da chegada a Lucerna pelo lago ser triunfal: os grandes hotéis típicos de balneário à sua direita, o centro histórico à esquerda. A estação de trem fica praticamente ao lado dos píers, caso você precise continuar a sua viagem. Mas eu recomendaria pelo menos um passeio pelo centro histórico. Para quem vai ficar mais pela Suíça, Lucerna é uma base ideal para a Suíça alemã: está a 50 min. de Zurique, 1h de Berna e 2h de Interlaken.
–> Quanto custa — e quais são as alternativas
O Wilhelm Tell Express requer um Swiss Pass e um suplemento de reserva: 39 francos suíços (33 euros) no vagão panorâmico standard, com direito a almoço com prato principal no barco, ou 79 francos suíços (65 euros) no Salon Liberté, com direto a almoço com entrada, prato principal e sobremesa no barco. A única maneira de viajar nos trens panorâmicos é fazendo reserva e pagando o suplemento.
Agora…
Se você não faz questão das janelas panorâmicas nem do almoço incluído a bordo do barco, pode fazer a mesma viagem usando apenas o Swiss Pass, sem suplementos.
A pegadinha é usar o trem pinga-pinga convencional, que passa de hora em hora em Flüelen (e, para quem tem origem ou destino em Lugano, também requer uma baldeação em Bellinzona). E então conectar com um dos vários horários de navegação do Lago Lucerna entre Lucerna e Flüelen (há três horários diários no inverno, que chegam a oito por dia no alto verão). Veja os horários do barco aqui.
E quem não estiver a fim de carregar a bagagem pode usar o ótimo sistema Fast Baggage, que entrega a sua bagagem na estação de destino (leia mais aqui).
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Nossa! tudo lindo: as fotos, a cor o lago, as casitchas, o trem …..
Já eu fui direto de Zurique para Lucerna de trem e fiz o passeio incrível do Monte Pilatus, onde vc pega um teleférico para o topo do monte que fica a 2.100 metros de altitude, de onde vc tem uma visão panorâmica do Lago Lucerna, que tem um formato de estrela deste ângulo e vc vê ao fundo as montanhas nevadas dos Alpes. É um passeio fantástico, depois vc desce o Monte Pilatus num Plano Inclinado até Alpnachstad, onde vc pega um barco parecido com o que vc pegou, este barco dá uma volta inteira no lago Lucerna e te deixa em Lucerna. Fiz este programa em um dia e na volta ainda pude passear pela linda Lucerna.
Não vejo a hora de ver tudo isso!!!!
Belo passeio!!!
Meu passaporte ficou nervosíssimo, esse(s) estão na minha listinha com um U de urgente na frente. Obrigadíssima!!!
Sensacional!!! A Suíça realmente é linda e não vejo a hora de voltar!
Ricardo,
É necessário ter o Swiss Pass para usar o Wilhem Tell Express ou dá para comprar passagem só para o Express? Obrigado.
Olá, Marcia! Provavelmente sim, mas o site não traz os preços do trecho ferroviário, o que é estranho.
O trecho de barco entre Flüelen e Lucerna, sem Swiss Pass, sai 45 francos suíços (38 euros).
http://www.lakelucerne.ch/fileadmin/lakelucerne/redakteur/Internet_PDF/Ganzjaehrig/Ganzjaehrig_12/Tarife_und_Konditionen_2012_NEUenglisch.pdf
O trecho de trem convencional entre Lugano e Flüelen sai desde 21 francos suíços (18 euros). É possível que essa seja a tarifa-base para o suplemento obrigatório do trem panorâmico.
Ricardo, muito obrigada
Olá Ricardo, estou adorando seu livro 100 praias… show!
Bom, entre final de Agosto e início de Setembro/12 farei um tour pela Europa de 17 dias; como sempre o dia da ida e da volta é perdido, então passearei mesmo por lá 15 dias.
Pretendo ficar 7 dias na Suiça, 4 dias em Munique, 1 em Salzburgo e 3 em Viena.
Poderia me ajudar a lapidar meu roteiro??
Minha dúvida principal é em quais cidades da Suiça devo escolher, pra passar os 7 dias lá, pra aproveitar o que a Suiça tem de melhor!!!
Também gostaria de ir a Praga e Berlim, mas acho que vou deixar as duas pra outra viagem, pra não ficar muita correria.
Se tiver outra sugestão pro restande do passeio, manda aí! ninguém melhor que vc pra palpitar hehehe.
Seu site tá 10!
Abraço e brigadu
Claudio
Ola, Claudio! Aqui quem responde é A Bóia.
A postagem do Ricardo Freire sobre a Suíça ainda não terminou. Os próximos posts tratarão justamente de como decidir entre as cidades. Fique de olho.
Ai, que vontade que dá!