Uma outra Maragogi é possível :-)

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Ricardo Freire
por Ricardo Freire

Croa de São Bento

| Croa de São Bento: sai o catamarã, entra a jangada |

É difícil não associar Maragogi automaticamente ao turismo das multidões. Endereço das maiores e mais vistosas piscinas naturais do Nordeste, Maragogi é um ímã de passeios bate-volta. Diariamente chegam turistas às centenas, vindos de Maceió (a 130 km) e Porto de Galinhas (a 110 km), em busca da chance de se deixar fotografar na água transparente em meio a peixinhos. Mesmo com a instituição de um limite diário de visitantes e a abertura de mais duas áreas de corais para visitação (com normas rígidas de conduta), a densidade demográfica nas piscinas continua elevada.

Entre os que não voltam no mesmo dia, boa parte se hospeda nos dois (bons) resorts da região, o Salinas do Maragogi e o Grand Oca Maragogi, que operam no sistema all-inclusive e têm grande ocupação.

Pois bem. Semana passada fui conferir uma Maragogi diferente. Uma Maragogi petit-comité. Para ser curtida em modo slow. Sim, é possível.

Duas pousadas, a Praiagogi e a Camurim Grande, formam um incipiente circuito de charme em Maragogi, direcionando seus hóspedes a piscinas menos concorridas -- e oferecendo uma base perfeita para incursões ao grande tesouro da Maragogi continental, que são suas praias ao norte da vila.

Praiagogi

PraiagogiPraiagogi

[Praiagogi]

A pequena Praiagogi já funciona há sete anos, mas só entrou no meu radar depois que foi selecionada pela Alison McGowan para o elenco das Hidden Pousadas Brazil. Na hora, pensei: ué, como assim, charme em Maragogi? Mal sabia eu que tinha um pouco a ver com isso. O holandês Sandrijn e a brasileira Fernanda trabalhavam em hotelaria em Amsterdã quando resolveram vir para o Brasil montar uma pousada. Procurando um lugar tranqüilo à beira-mar, descobriram o Freire's, meu antigo site de praias do Nordeste. Foram parar na Rota Ecológica alagoana. Adoraram, mas acharam que seria complicado criar filhos num lugar de acesso tão difícil. Continuaram um pouco para o norte, e descobriram, na sossegada praia do Camacho, uma pousada à beira-mar que estava à venda.

Praiagogi

Praiagogi

PraiagogiPraiagogi

[Praiagogi]

E realmente: a Praiagogi traz a Maragogi o modus operandi da Rota. São apenas seis quartos, compactos mas agradabilíssimos -- o jeitão é Grécia-no-Nordeste. O staff é pra lá de simpático e os donos estão sempre presentes. A praia  do Camacho é protegida por dois rios que dificultam o acesso pela orla.

Praiagogi

PraiagogiPraiagogi

[Ceviche & tahine | Trio de brûlées]

E assim como na Rota, a comida é um dos destaques da pousada (e o prato principal do jantar está incluído na diária). Sandrijn é chef e cria pratos instigantes, como o ceviche acompanhado por um creme à base de tahine e o tagliatelle com camarão e carne de caju. Falei da caipiroska de tangerina e gengibre? Não perca. De sobremesa, um sensacional trio de brûlées: capim-santo, chocolate e sagu de tapioca. O Sandrijn, que tem ascendência indonésia, está preparando uma seção do cardápio com especialidades do Sudeste Asiático.

Little Praiagogi

Little PraiagogiLittle Praiagogi

[Little Praiagogi]

Nas próximas semanas a Praiagogi vai inaugurar sua nova ala, duas casas adiante: a Little Praiagogi, equipada para aceitar crianças: a pousada tem piscina, um dos quartos está adaptado para ter um berço, o jardim tem pula-pula e balanço, e o cozinheiro prepara as papinhas que as mamães pedirem.

Foi na Praiagogi que fui apresentado ao passeio que acabou com qualquer resistência que eu ainda tivesse a Maragogi. Faltava uma hora para a maré atingir o ponto mais baixo naquela manhã quando apareceu o jangadeiro (jangadeiro!) que ia nos levar (um casal e eu) à Croa de São Bento, a menos badalada das piscinas naturais de Maragogi.

Com uma área pequena de corais, a Croa não comporta a vinda de catamarãs. Por isso, acaba sendo visitada por pequenos grupos que vêm de lancha. Como a praia do Camacho está mais próxima da Croa, dá para ir de jangada.

Croa de São Bento

Croa de São Bento

[Croa de São Bento]

Chegamos primeiro à área dos corais e tivemos o lugar só para nós por quase vinte minutos. Quando as lanchas começaram a chegar (no total, vieram seis), estava na nossa hora de prosseguir até uma prainha temporária que se forma no extremo sul da Croa.

Croa de São Bento

[Croa de São Bento]

Sem corais para ver de snorkel, o barato da prainha é a extrema transparência da água, graças à areia branquinha, calcárea. É um pedacinho das Maldivas em Maragogi. Fiquem vocês com os corais, que eu me divirto muito mais nessa prainha aqui...

Na volta do passeio, peguei o carro para rever o meu xodó na região, que são as praias ao norte da vila. De Burgalhau a Ponta de Mangue, a areia tem algum componente que tinge o mar de um azul-bebê que não tem igual na costa brasileira.

Praia do Antunes

Praia do Antunes

[Praia do Antunes]

Visitar essas praias está mais fácil: agora há sinalização na estrada. Graças às novas placas visitei pela primeira vez a praia do Antunes (7 km ao norte da vila), um trecho extenso e quase desabitado. Foi pensando em lugares assim que inventaram as geladeirinhas portáteis, tenho certeza.

Praia de Barra Grande

[Barra Grande]

Seguindo uma dica do Sandrijn e da Fernanda, achei também a melhor entrada para Barra Grande. Não é a da placa, que dá no vilarejo, num trecho que fica sem praia na maré alta. Siga um pouquinho adiante; depois que aparecer um motel à sua esquerda, preste atenção à direita, e entre na rua da pousada Costeira da Barra (6 km ao norte da vila). É o ponto mais fotogênico dessa costa, graças à curva da enseada.

Os únicos senões das praias ao norte da vila são a passagem de bugues (até quando Alagoas permitirá isso?) e a falta de serviço de bordo charmoso. Só há bares na praia do Burgalhau (um deles, monopolizado pelos ônibus de bate-volta) e em Ponta do Mangue (bem sinalizados). Algo tipo o Hibiscus de Ipioca seria muito bem-vindo.

Camurim Grande

[Camurim Grande]

A tarde já caía quando cheguei à Camurim Grande. Fiquei sabendo dela pelos leitores. A primeira pergunta apareceu em novembro de 2012; o primeiro relato, em abril de 2013. A associação Roteiros de Charme abriu uma exceção e admitiu essa pousada antes mesmos dos dois anos de funcionamento regulamentares. E durante toda a minha estada em Alagoas este ano, várias pessoas tinham falado bem. A expectativa era alta.

Camurim Grande

Camurim Grande

[Camurim Grande]

Não estavam exagerando: o lugar é um arraso. Seus donos, o fazendeiro (e windsurfista) alagoano Marcelo e a pernambucana perfeccionista Cristiane, criaram o meio-termo inusitado entre um resort de charme (como o Nannai ou o Kiaroa) e uma pousada de charme (como as da Rota).

Camurim Grande

Camurim Grande

Camurim Grande

Camurim Grande

Camurim GrandeCamurim Grande

[Camurim Grande]

O terreno é de resort: a Camurim Grande ocupa uma peninsulazinha entre o rio Maragogi e o mar (é vizinha ao resort Salinas, e tem o filé mignon do terreno). Uma trilha de 500 metros (própria para caminhadas ou passeio de bicicleta) contorna a beira-rio e a beira-mar sem que o hóspede veja uma construção. A propriedade é grande, mas os apartamentos são poucos: os 10 mais novos (e luxuosos) se situam em cinco bangalôs de dois andares -- todos com jacuzzis que se incorporam ao quarto quando você abre a porta de correr do banheiro.

Camurim Grande

A piscina é daquelas cheias de nichos -- raia para quem quer nadar, deck molhado para quem quer pegar sol, pontos intermediários para brincar. É tão bacana que merecia eu ter voltado no dia seguinte para fazer fotos com sol alto. (E sim: tanto os bangalôs novos quanto a piscina foram projetados pelo mesmo arquiteto que desenhou o Nannai.)

Camurim GrandeCamurim Grande

[Geléias do buffet de entradas | Camarão gratinado na concha de vieira]

O restaurante está sob o comando da chef Mara Cardoso e seu marido Pedro, que durante vários anos tocaram a Estalagem Caiuia, em Japaratinga (e ainda hoje mantêm o restaurante da Mara, na praia de Peroba, norte de Maragogi). As diárias incluem o buffet de entradas (pasteizinhos de moqueca de camarão... quiche de legumes... saladinha...) e o prato principal do jantar (o generoso camarão gratinado na concha de vieira com arroz de castanha é uma das marcas registradas da Mara).

Croa de São Bento

É oficial: Maragogi agora está no meu mapa mrgreen

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86 comentários

Eliana Mendes
Eliana MendesPermalinkResponder

Como sempre, Ricardo, vale muito seguir você! Entrou no meu mapa também, não gosto de lugares lotado, gosto de praias assim! Quero conhecê-las. Post para guardar!

cristina nemer

Boa noite! Acabei de chegar com meu marido de uma semana entre Maragogi e Caneiros e ficamos encantados. Seguimos várias dicas daqui e aproveitamos muito! As praias de Maragogi são lindas( especialmente Antunes e Barra Grande).
Ficamos na Pousada Encontro das Águas , na praia de Peroba a 13 km do centrinho de Maragogi e super recomendo: confortável, café da manhã espetacular, visual bonito e integrado à natureza, nota 10! Como estávamos de carro, a distância não atrapalhou. O passeio às piscinas foi decepcionante: apesar da maré estar 0,5 , a a´gua vinha quase no pescoço e segundo o barqueiro, nas Galés( para onde fomos levados sem saber qual seria a piscina),por conta da enorme visitação ,que só agora está sendo regulada, os bancos de areia estão menores, o que torna a piscina mais funda que as demais. Uma pena! As pessoas da pousada que foram levadas para as piscinas de Ponta do Mangue aproveitaram bem mais.
Em Carneiros ficamos na Pousada Sitio da Prainha, muito aconchegante e perfeita para quem quer descansar e aproveitar toda beleza da praia sem tanto visitante, Catamarã barulhento e ambulantes, coisas que são excessivas perto do Bora Bora( mesmo em baixa temporada, como agora em março). Imagino o que deve ser na alta!
Antes das excursões chegarem e depois que elas se vão( lá pelas 4 da tarde), a praia é um paraíso! Recomendo, a quem puder, não fazer bate -volta e sim pernoitar em Carneiros para poder aproveitar esta beleza!
No mais ,obrigada pelas dicas que muito nos ajudaram.

Renata Maia
Renata MaiaPermalinkResponder

Olá Bóia,

Estou programando uma viagem para a região. De todas as piscinas, a única que me despertou vontade de conhecer foi a que o Riq falou, da Croa de São Bento. Porém ele já estava hospedado em frente e conseguiu essa jangada! Eu que não estarei exatamente ali, consigo chegar nessa praia e desenrolar um jangadeiro tb ou essa é daquelas praias que só acessa quem está hospedado?

Pergunto isso pq tb estou lendo a história dos espertos que levam os turistas pra qualquer piscina e dão o nome que eles quiserem.. Então queria pegar algo próximo, já na região pra tentar evitar essa pegadinha.

A Bóia
A BóiaPermalinkResponder

Olá, Renata! Um bom passeio que não havia na época que o Ricardo Freire fez esse é o "passeio de orla", que leva a bancos de areia nas praias do norte. Se você fugir do catamarã e conseguir se encaixar num passeio de lancha pequena, para até umas 8 pessoas, vai aproveitar as praias mais bonitas de Maragogi.

Elenita kuster

Olá. Adorei ver Barra Grande, Maragogi AL, ser citada nesta reportagem. O lugar é lindo e em algumas semanas, estarei morando nesse lugar paradisíaco permanentemente. Obrigada. Grande abraço

Leiliane
LeilianePermalinkResponder

Ola, gostei muito desta matéria.
Estou indo para Carneiros em Janeiro e gostaria de fazer um bate e volta para o norte de marogogi (com criança de 3a). Acha que é viável?
Obrigada!

A Bóia
A BóiaPermalinkResponder

Olá, Leilane! São 50 km, se você estiver de carro não tem dificuldade nenhuma.

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