Santo André (BA)

Campeã do sossego

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Ricardo Freire
por Ricardo Freire

Imagine-se na pele do enviado especial que veio vasculhar o Brasil em busca de um lugar para a Seleção Alemã montar sua base durante a Copa do Mundo de 2014 e, sabe-se lá como, foi dar na vila de Santo André.

O alemão pegou a balsa no centro histórico de Santa Cruz Cabrália e, ao atravessar o rio João de Tiba, foi deixando tudo para trás: o trânsito, as megabarracas, os hotelões, o turismo de massa. Ao chegar à outra margem, devia ser difícil acreditar que Porto Seguro estivesse a meia hora dali.

Menos de 2 km depois de atracar, a Mercedes do enviado deixou o asfalto e entrou na ruazinha de terra do vilarejo, que bordeja a barra do rio por alguns instantes -- os barquinhos coloridos de madeira com o mangue viçoso ao fundo -- e leva à região da praia, escondida pelas casas e pousadas pé na areia.

O motorista estacionou, o alemão atravessou a propriedade, chegou à praia: deserta, quase selvagem (de lá onde ele estava, nem dava para ver as barracas, que ficam looonge, junto à barra do rio). Deve ter tirado o sapato e pensado: em que outro lugar do Brasil, perto de um aeroporto, sua Seleção estaria tão próxima da natureza e tão longe do stress da civilização?

O resto da história está nos tuítes do Podolski.

O visitante que quiser recarregar suas baterias em Santo André vai encontrar o mesmo paraíso dos alemães, intacto. E de quebra ainda vai experimentar prazeres negados à turma do Podolski, que ficou semiconfinada no hotel. A saber: a cena gastronômica da vila é padrão Trancoso, mas com preços mais abordáveis. E a travessia de voadora da vizinha Belmonte a Canavieiras pelos canais do rio Pardo, no delta do Jequitinhonha, é o passeio de mangue mais bonito que eu já fiz.

Vai por mim: em Santo André, o sossego sempre dá de 7 a 1 no stress.

Santo André (BA): quando dá praia?

14 comentários

Helem Azevedo
Helem AzevedoPermalinkResponder

Boa matéria, Santo André é um paraíso, mas acho incrível como quase todos os jornalistas e veículos do segmento, para exaltar as cidades e vilarejos vizinhos, precisam depreciar a imagem de Porto Seguro...é desnecessário isto, temos aqui a terceira maior rede de hotelaria do país, empregamos MILHARES de pessoas, de todos os lugares do Brasil e estrangeiros, trabalhamos com todos os tipos de turismo, temos hoteis, restaurantes e beach clubs para todos os gostos e bolsos, e não APENAS o de massa, e não temos APENAS as barracas e tudo de ruim que todos os canais insistem em "gritar bem alto". Acho e recomendo que conheçam um pouco mais sobre Porto, e atualizem este repertório cansado que é utilizado, , existem outro tipo de turismo e de turista frequentando a cidade a tempos, destino aliás que ainda é o mais vendido nas maiores operadoras e sites de compra on line do País. Esta história de "lambada, povão e axé" ainda existem sim, mas está velha e tem pouco uso.

Andre
AndrePermalinkResponder

Concordo em parte Helem, mas infelizmente o trade de Porto Seguro no passado, fez a escolha errada no fomento turístico do local, aquela velha fórmula de pensar no imediato, sem preocupação com a sustentabilidade econômica a longo prazo, afastou Porto do roteiro de charme e tranquilidade, somente uma mudança muito intensa de posturas do empresariado e governo local, irá amenizar o estigma do destino como povão e cultura de massa.

Carol Dias
Carol DiasPermalinkResponder

Muito legal esse lugar. Não cheguei tão ao norte, mas fui até Santa Cruz de cabrália, fiz um passeio com uma escuna que além de atravessar quilômetros em um rio (mague) andamos mais 1h mar a dentro. Lá havia uma pequena ilha rasa feita de fragmentos de corais. DESLUMBRANTE!! Água muito clara, muitos peixes coloridos presos à ilha... Um Snorkel e uma tarde ensolarada dá pra fazer a festa (com maré baixa, pois se a maré for alta, não rola!)...
Gostaria de ter ficado mais tempo pra aproveitar mais o norte, porém, fui para o Sul, onde todo mundo me falava... Caraíva, Praia do Espelho, etc... Lindo também, mas muito mais agitadinho!!
Boa matéria!!

wink

Lucia Albanez
Lucia AlbanezPermalinkResponder

Estivemos nesse paraíso por uma semana em outubro de 2013. Foram dias excelentes e minha filha (na época com 5 anos) estranhou o sossego, mas se acostumou depois. Lugar que merece uma visita.

Geraldine
GeraldinePermalinkResponder

Vim conferir o sossego de Santo André e, de fato, é o local para repor as energias. Fiquei na praia de Guaiú, que é muito tranquila e ainda oferece o atrativo de banho de água doce no Rio Guaiú. Tem apenas 3 barracas de praia e a mais famosa é a do Restaurante Maria Nilza (comida boa, com preços salgados). Mas anotem aí um ótimo lugar para comer: Restaurante do Pedro e Nete, que fica na frente do campo de futebol da Vila de Guaiú, onde todas as ruas são de terra batida. A comida é tão boa, ou melhor, que a da Maria Nilza, com preços bem mais em conta. E o casal esbanja simpatia wink. Vale a pena conferir.

Edson Carvalho

Estou com vigem marcada para o mês de janeiro e vou passar sete dias em Santo André.
Os comentários me ajudaram na escolha e boa dica de restaurante.
Na volta vou postar minha experiência.
Abraços

Francisca
FranciscaPermalinkResponder

Realmente o lugar é incrível!!!

aloisio de oliveira santos

realmente um lugar maravilhoso tudo de bom porem os preços sao salgados

Natália
NatáliaPermalinkResponder

Adorei as sacadas nesse texto, Ricardo. Sempre sua fã!

Marcio Pascoal

Vou a Vila de Santo André ha vários anos e não me canso de ir a Barraca da Maria Nilza, que é uma pessoa maravilhosa, esbanja simpatia e cordialidade, comida excepcional. Assim como o restaurante que ela abriu, um sucesso, bom gosto, funcionários educadíssimos e o carinho de sempre da Maria Nilza.
Além disso recomendo também o Sant'annas, atendimento 10 e comida muito boal! Vale muito a pena conhecer a Vila e seus arredores, os passeios pelos Rios, os caminhos por dentro dos manguezais é de tirar o fôlego! Acorde cedo e contrate o Carlindo (todos conhecem na Vila) para te levar para o Por do Sol no banco de areia em Araripe ou Coroa Alta. Inesquecível!

Allan
AllanPermalinkResponder

Muito bom esse artigo...

Marcos
MarcosPermalinkResponder

Segue meu relato dos dias que passei em Santo André em novembro/2016.
Me sinto na obrigação de dar retorno no VnV, uma vez que fui visitar essa cidade por indicação de vocês. Não conhecia Santo André e estava procurando justamente um local tranquilo para passar alguns dias nas minhas férias.
Meu roteiro original era o seguinte: 3 noites em Santo André e 3 noites em Arraial d´ajuda.
Aluguei carro assim que sai do aeroporto de Porto Seguro para me dar mais mobilidade.
Escolhi a pousada Vila Araticum para me hospedar com minha esposa em Santo André e em Arraial, fiquei na pousada Maria Pitanga.
A pousada Vila Araticum estava com apenas 2 quartos ocupados além do meu. Ou seja, silêncio total. Além disso, aproveitei uma promoção de tarifas mais baratas para quem ficasse no mínimo 3 noites hospedado.
Ótimo café da manhã com os itens básicos (pães, sucos, frios, bolos, etc.) e com outros extras, como ovos mexidos, tapioca feita na hora e biscoitos caseiros.
Os quartos são limpos todos os dias.
Destaco a simpatia dos funcionários, a tranquilidade e a proximidade com o mar como pontos fortes da pousada.
Como estava na semana de um evento (Festival da Lagosta), resolvi jantar na pousada Villa Araticum dois pratos com lagosta: Talharim com lagosta e macarrão com frutos do mar. Ambos estavam divinos.
Comi peixe no restaurante Gaivota. Muito bom, porém o atendimento foi muito (muito mesmo) demorado. O restaurante estava lotado e o cozinheiro havia faltado. Acabei levando na descontração, pois as mesas eram bem animadas com a demora dos pratos, mas demorou muito.
Pizza excelente no Paralelo 16. A Marta, dona da pizzaria é uma simpatia. Cerveja Heineken super gelada.
Outra ótima opção foi um peixe com alcaparras e banana no restaurante Almescla. Ótima opção. A dona Zeti também é uma simpatia.
Posso resumir Santo André em tranquilidade, bons restaurantes e simpatia dos moradores locais. Boa opção para quem quer sossego. Mas fiquei sabendo pelos nativos que enche desde o Ano novo até o carnaval.

A Bóia
A BóiaPermalinkResponder

Olá, Marcos! Superobrigadíssima pelo relato!

Só um adendo: esse 'enche' entre o Ano Novo e o Carnaval é bem relativo, viu? Comparado com qualquer outra praia (e sobretudo com as praias próximas!), Santo André continuará com baixa densidade demográfica. O que eles devem ter querido dizer é que a vila não fica vazia como você encontrou smile

Marcos
MarcosPermalinkResponder

Bóia.

Perfeito seu adendo. Cheio para mim, é diferente do "cheio" deles.

Apenas mais uma observação a respeito dos preços em Santo André.
Eu sabia que iria pagar um pouco mais caro pelos pratos que comi. Sabia que estava indo num evento, pois era o festival da Lagosta.
Fiz uma caminhada com minha esposa e paramos num quiosque "meio improvisado" na junção do rio com o mar. Não me lembro o nome desse cantinho, mas fica a uns 300 metros da hospedagem Campo Bahia (onde a seleção alemã ficou).
Paramos nesse local e pedimos uma água de coco. A atendente perguntou se queríamos com ou sem álcool e se queria que ela misturasse limão e maracujá, tipo um coquetel de frutas. Escolhemos sem álcool, mas com limão e maracujá.
O coco vem muito bem apresentado, com flores ornamentando o coco e um canuto bacana e tudo mais.
Como estávamos sem fome, bebemos só esse coquetel e pedimos a conta: 18 reais. Eu perguntei? Oito? Não, senhor, dezoito.
Paguei, mas fica o aviso. Foi a água de coco mais cara da minha vida.

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