Luxo

Ponta dos Ganchos, Santa CatarinaPorque toda viagem é uma extravagância | Ricardo Freire

Começa desta maneira a versão de papel do Viaje na Viagem, de 1998:

“Toda viagem é uma extravagância. Seja você pobre, remediado ou rico, viajar sempre significa viver temporariamente muito além de suas posses.  Esse é o barato – e o caro –  de qualquer viagem.

Multiplicando a diária do seu hotel por 30, você vai ver que na vida real nunca poderia pagar isso tudo de aluguel. Basta computar seus gastos diários com refeições para ter um treco imaginando quantos supermercados a mais daria para fazer no mês.

E isso vale para todo mundo. Metade da primeira classe deveria estar na executiva, grande parte da executiva deveria estar na econômica, e a econômica inteira deveria ter ficado em casa. Ainda assim, viajamos”.


–> Real forte não é só pra comprar

O real valorizado não serve apenas para trazer os outlets de Orlando na bagagem. Considere usar sua moeda repentinamente forte para consumir destinos que ficam totalmente inviáveis em época de real magro. Um desses destinos, inclusive, é básico: a Inglaterra (com a libra a R$ 2,70 — já esteve a R$ 6! — está praticamente uma pechincha). A hora é boa para pensar também em paraísos normalmente inacessíveis, como Maldivas, Seychelles ou Taiti (uma noite num bangalô sobre palafitas nas Maldivas ou em Bora Bora está custando menos do que uma noite em qualquer pousada top de Trancoso no Réveillon). No Caribe, leia sobre St.-Barth, a St.-Tropez dos trópicos. No quesito destinos exóticos, é o momento de cogitar uma viagem ao mais caro deles: o Butão.

Página-guia de Londres por Ricardo Freire

Maldivas? Seychelles? Taiti? Maurício? por Ricardo Freire

St.-Barth para duros por Ricardo Freire

Turismo do Butão

–> Hotéis que são destinos em si

A noção de que hotel é só um lugar para jogar as malas e dormir não resiste a uma noite em algum hotel realmente estiloso. Existem hotéis que entram para o seu currículo de viajante como se fossem um país. A rede Orient-Express (da qual faz parte o nosso Copacabana Palace) é repleta de hotéis mitológicos. A associação Relais & Châteaux já conheceu dias mais dourados, mas continua com uma seleção incrível para viagens perdulárias. O Ritz de Paris inspirou um adjetivo em inglês: ritzy. Para luxo sem excessos — e com serviço impecável — invista em qualquer Four Seasons ou Mandarin Oriental. No Oriente, cacife o Raffles de Cingapura, o Peninsula de Hong Kong, o La Mamounia de Marrakech e o Lake Palace de Udaipur. Mas nem todo luxo precisa ser formal. A rede W combina um certo luxo com vida social intensa; sua decoração costuma mais sóbria do que a dos esfuziantes hotéis do Morgans Group. Já os Amanresorts (inspiração do nosso Txai) lançaram há duas décadas a moda do luxo rústico (seu seguidor mais próximo é a rede Como). No Chile, a rede Explora inventou a aventura sofisticada: hotéis de arquitetura moderna e luxo discreto, em que todas as atividades estão incluídas na diária; os que vieram em seguida, como Tierra Atacama, Remota e Awasi, baseaream-se no seu modelo.

De Veneza a Praga no Orient-Express por Ricardo Freire

Faena: uma noite com Starck por Ricardo Freire

Atacama com estilo: Tierra Atacama por Ricardo Freire

Marrakech: La Mamounia, por Arnaldo Interata, no Fatos & Fotos de Viagem

–> Brasil first class

Com o real valorizado, é a hora de ir aos destinos brasileiros que cobram em dólar. Mas vá na certa. Na Amazônia, os tops são o Anavilhanas Lodge e o Cristalino Lodge (no Xingu); no Pantanal, o Refúgio Caiman. Confira também o renovadíssimo Hotel das Cataratas, em Foz do Iguaçu. Na praia, a Ponta dos Ganchos em Santa Catarina, o Kenoa perto de Maceió e o Txai em Itacaré estão um estágio acima no luxo praiano. Seu bangalô pode vir com piscina privativa na Pousada do Toque na Rota Ecológica alagoana, no Nannai em Muro Alto, no Kiaroa em Maraú e na Estrela d’Água em Trancoso. Na cidade, cacife o Fasano e o Hotel Santa Teresa no Rio, o Convento do Carmo em Salvador e o trio paulistano: Emiliano-Fasano-Unique.

Fotoblog: Fasano Rio por Ricardo Freire

Ponta dos Ganchos: alta gastronomia a uma hora dessas? por Ricardo Freire

Kenoa quer dizer uau por Ricardo Freire

Kiaroa, seis anos depois por Ricardo Freire

Hotel das Cataratas: renasce uma estrela por Ricardo Freire

Nannai, o luxo de Porto de Galinhas por Ricardo Freire

–> Sim, você pode (ou: Luxos para duros)

Chegar de táxi ao hotel. O truque é ir de transporte coletivo (metrô, trem ou ônibus) até o ponto em que você precisaria fazer a primeira baldeação; então, táxi.

Usar milhas para um upgrade. É fútil, mas na ponta do lápis faz suas milhas renderem muito mais dinheiro do que se transformadas numa passagem na econômica.

Passar a última noite num hotel que custe o dobro do seu padrão habitual. Você vai voltar para casa com a sensação de que fez uma viagem inteira de luxo. (Se não der, pelo menos passe no hotel mais bacana da cidade para tomar um drink.)

80 comentários para “Luxo”

  1. Olá viajantes!!! Acho que vale pelo menos uma vez na vida se dar ao luxo de fazer uma viagem inesquecível, num hotel VIP ou naquele restaurante renomado… Eu e meu marido passamos 5 belíssimos dias no Ponta dos Ganchos em SC e foi realmente uma experiência incrível!!! É muito bom ser tratado como realeza ou celebridade, já que o nosso dia-a-dia é tão comum e duro, não??? Recentemente (Reveillon 2014) tivemos uma experiência super luxo no restaurante Manacá, em Camburi, Litoral Norte de SP e decidimos aproveitar o jantar sem olhar muito os preços no cardápio, apenas bebemos e comemos o que tínhamos vontade, sem nos preocupar com a conta (algo que nunca havíamos feito antes) e foi demais!!! Super indico todo mundo fazer uma dessas extravagâncias vez ou outra…

  2. Olá,

    No período de 9 a 13 de Setembro desejamos fazer uma viagem de Geneve ao lago de Garda. Já reservamos hotel em Sirmione.
    Gostaria de seu auxílio, preciso de um hotel charmoso para um pit stop entre Geneve e Simione, para dormir no dia 9/10, e outro nessa mesma região para a volta a Geneve, 13/14.
    Seria possível?
    Ou vc sugere uma viagem mais longa de Geneve para Simione?
    Soube que a região é muito bonita (trajeto entre Geneve e Simione e pensamos nesse pit stop na ida e na volta)
    Muito obrigado pelas dicas e conselhos.Seremos em dois casais viajando de carro.
    Um abs
    Daniel Magnoni

    1. Olá, Daniel! Não temos nada aqui nos nossos arquivos sobre esse trajeto. Vamos compartilhar sua pergunta no Perguntódromo; havendo resposta, aparecerá aqui.

      1. Obrigado, a resposta do nosso amigo AL foi muito boa..

    2. A viagem direta entre Geneve e Sirmione leva cerca de 5 horas de trânsito (+ paradas)

      Um hotel super interessante que fica em uma posição intermediária é o AD Gallias (http://www.hoteladgallias.com). Ele fica perto do Forte di Bard, uma fortificação antiga interessante em Honé , região do Val d’Aosta (já na Itália), bem próximo da rota direta via Chamonix e túnel do Mont Blanc.

      Outra alternativa é o Castello dal Pozzo, próximo a Arona, caso vc decida usar a rota de viagem cênica por Valais, Brig e pelo passo Sempione. Caso você opte por essa rota, vale muito a pena fazer um desvio na estradinha que liga a rodovia que cruza Wallis/Valais até o vilarejo de Blatten até Fafleralp, em um dia de tempo bom.

      Lembre-se apenas que a rota cênica via aumenta sua viagem de 5h para 7h (tempo total Sirmione-Geneve). Eu faria o seguinte: ida pelo trajeto cênico direto e volta pelo trajeto cênico, com parada para pernoite nesses hoteis que eu citei (ou outros, há alguns hoteis de luxo no lago Maggiorie, mas como já ficarão à beira-lago, penso que uma mudança de areas para uma propriedade campestre por uma noite é bem-vinda).

      1. obrigado pelas dicas

  3. [...] Mesmo assim, viajamos. (…)”  (http://www.viajenaviagem.com/seu-estilo/luxo/) [...]

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