10 dias entre PE e AL pro Nico

Praia do Burgalhau, Maragogi

O Nico quer ir em outubro (ótima época) pro Recife, daí alugar um carro, fazer a Rota Ecológica, passar em Maceió, dar um pulinho na Foz do São Francisco e em Penedo, então devolver o carro no Recife. Mandou um roteiro bem exeqüível que ele fez e pediu pitacos.

A Sylvia, com toda razão, achou que essa volta de Penedo direto pro Recife (400 km, pela BR 101) ia ser cansativa pacas, e sugeriu um roteiro alternativo.

Bom. O calcanhar-de-aquiles do roteiro está mesmo na volta ao Recife para devolver o carro. Na Localiza (onde um carro 1.0 com ar sai uns R$ 150 por dia, com todas as proteções incluídas), a taxa de retorno em Maceió é de R$ 200 — o que compensaria. Eu acho que só vale a pena voltar para entregar o carro se você conseguir uma dessas locadoras regionais hiperbaratas. (Se bem que, em viagens longas como essa, não é nada recomendável sair por aí de carro alugado sem apoio por perto.)

Uma pergunta para nossos amigos de Pernambuco e Alagoas: vocês têm alguma locadora regional que atue nos dois estados para recomendar?

Bom. Para evitar deslocamentos desgastantes que acabem com qualquer um dos seus preciosos dias de férias, e pensando na seqüência mais interessante de destinos, aí vai minha sugestão:

Dia 1 – chegue ao Recife, instale-se no hotel (o Vila Rica que você escolheu é corretíssimo). Se você pegar um vôo cedo, vai poder almoçar em Olinda (o Oficina do Sabor abre até as 4).

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Depois das duas e meia da tarde, com o sol não tão alto, é um bom momento para passear pelo centro histórico (as igrejas abrem das 14h às 17h). À noite, curta a muvuca em Boa Viagem mesmo (os bares em torno do Segundo Jardim, como o Boteco).

Dia 2 — saia de Boa Viagem pela rua Ribeiro de Brito em direção ao subúrbio da Várzea. Entre e terça e sexta-feira, você vai poder visitar a Oficina de Francisco Brennand e o Instituto Ricardo Brennand. (Aos sábados e domingos, só o Instituto está aberto; às segundas, só a Oficina.) De lá vá para o Recife Antigo. Faça um pit stop n’As Galerias,  uma lanchonete tradicional que prepara o maltado, o milk-shake recifense (o bolo de amendoim também é clássico). Passeie pelo Recife Antigo — não deixe de visitar a Sinagoga Kahal Zur Israel e a Torre Malakoff. O Shopping Paço Alfândega também vale uma entrada. Outra alternativa gastropanorâmica interessante é atravessar o rio de barquinho até a Casa de Banhos (de quarta a domingo), um restaurante de frutos do mar encravado no recife que deu nome à cidade. Querendo esgotar o assunto, você pode pegar um passeio de catamarã pelo Capibaribe. Se você deixar a refeição principal para a noite, sugiro o bufezão regional do Parraxaxá de Boa Viagem (um dos seguidores do estilo do Mangai paraibano) ou o mega-pé-sujo Entre Amigos/O Bode (para comer bode, claro). No entanto, se a idéia for morrer com uma grana, confira a inventividade do É.

É a sua última noite na cidade. Para a saideira, volte ao centro do Recife, ao descolado Central (na Boa Vista) ou confira a muvuca alternativa dos bares da Galeria Joana d’Arc, no Pina (início de Boa Viagem).

Dia 3 — Tenha um merecido dia de descanso 100 km ao sul de Boa Viagem, na paradisíaca Praia dos Carneiros.

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Hospede-se na Manga Rosa dos Carneiros e abstenha-se de qualquer atividade que não seja caminhar até a igrejinha de São Benedito e almoçar bem tarde na filial do Beijupirá.

Dia 4 — Aqui mora a maior diferença do meu itinerário: eu acho que você deveria deixar a Rota para o final, para descansar desse ziguezague todo. Eu iria de Carneiros direto para Maceió, pela estrada principal (sem entrar em Japaratinga). Nesses 180 km até Maceió, você vai passar por vários lugares que (da mesma maneira que Carneiros, diga-se) são ponto final de passeios: as Galés de Maragogi (50 km), as falésias coloridas da praia do Carro Quebrado, em Barra de Santo Antônio (130 km), as piscinas naturais de Paripueira (150 km). Se você quiser mergulhar em Maragogi ou Paripueira, consulte a tábua das marés para ver o horário em que você precisa estar a postos (o melhor horário para embarcar: 1h30/1h antes do pico mínimo da maré baixa). Eu, particularmente, deixaria para ir a alguma das piscinas naturais da Rota Ecológica, que não são tão grandes mas são vazias. Nesse caminho de Carneiros a Maceió eu só entraria numa das praias ao norte de Maragogi, como Ponta de Mangue ou Burgalhau (45 km), que têm um azul-Cancún único na nossa costa.

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Você vai chegar a Maceió a tempo de esticar ar pernas caminhando no fim de tarde no calçadão de Ponta Verde. (Em lugar do Ibis, considere gastar uma besteirinha a mais no Holiday Inn Express, que é sensivelmente mais confortável.) Não coma demais durante o dia; a idéia desta noite é ter o jantar mais surpreendente da viagem, no peruano Wanchako.

Dia 5 — Acorde cedo: vamos para a Foz do São Francisco. (Para cumprir tudo o que você quer ver, estou sacrificando Maceió, que neste roteiro vai desempenhar o papel de “pouso estratégico”. Vamos deixar algumas coisas para a volta.) Caso você queira entrar na praia do Gunga (na volta! na volta!), passe no Hotel Enseada, na orla de Pajuçara, e peça na recepção um cartãozinho de autorização (para mostrar na porteira da praia; às vezes eles pedem). De Maceió a Piaçabuçu, onde você vai pegar o passeio para a Foz do São Francisco, são 135 km. Você pode arranjar o passeio no posto de informações turísticas do povoado, que fica no portinho. O passeio dura três horas e custa R$ 100 (para até 4 pessoas).

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Penedo está a 25 km de lá; as igrejas abrem até às 17h. A Pousada Colonial, que você escolheu, é muuuito simples, mas é a alternativa mais simpática da cidade. Jante no restaurante do Forte da Rocheira.

Dia 6 — Escolha uma ou duas praias nos 160 km que separam Penedo de Maceió. O Pontal de Cururipe (50 km) é pitoresco; a praia de Lagoa do Pau (55 km), rústica; Duas Barras (95 km) e o Gunga (120 km), bonitos mas superturísticos; a Barra de São Miguel (130 km), bonita mas urbanizada; a Praia do Francês (140 km), uma zona — esqueça. (Minha preferida: Barra de São Miguel.) Talvez dê para dar uma entradinha em Marechal Dedoro, com acesso no mesmo balão da Praia do Francês.

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Aproveite para um almoço tardio num dos restaurantes à beira do canal da Massagüeira (um pouquinho antes de entrar em Maceió, à esquerda); eu gostei muito do Bar do Pato. (Aliás, uma dica “insider”: em frente à entrada da Massagüeira há uma estradinha para a Praia do Saco, virtualmente desconhecida por forasteiros. É descolada, mas, na minha opinião, não tão bonita quanto as outras mais ao sul.) Durma em Maceió. À noite, curta a muvuca (e a carta de petiscos de boteco) do Divina Gula.

Dias 7, 8 e 9 — Chega de turistagem. Instale-se na sua pousada na Rota Ecológica e, finalmente, relaxe. As duas (excelentes) pousadas que você escolheu, o Caju e a Amendoeira, ficam a 100 km de Maceió, na praia do Toque. Nos primeiros dois dias, deixe o carro parado; caminhe pela praia e faça os passeios de jangada à piscina natural e ao rio Tatuamunha, para ver os peixes-bois. No terceiro dia, vá ver o casario de Tatuamunha e de Porto de Pedras; peça para ensinarem você a entrar na Praia do Laje pelo coqueiral que sai no Parracho; atravesse a balsa do Rio Manguaba e almoce na Estalagem Caiuia ou na Pousada do Alto.

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Dia 10 — Como já disse a Majô, se você devolver o carro no Recife, são 3 horas de viagem (lembre-se da balsa do Manguaba). Se devolver o carro em Maceió, separe uma hora e meia. (Mesmo se você devolver o carro em Maceió, acho que vale a pena deixar a Rota para o final — pelo descanso, pela paisagem e pela qualidade de hospedagem.)

E como é que se escreve no final dos roteiros? Ah, sim: fim dos nossos serviços!

🙂

183 comentários

Olá Ricardo!! Parabéns pelo seu Blog aí, Muito Bom mesmo…
Eu quero firmar uma parceria com você… Eu colocar teu link no meu blog e vc colocar meu link no teu blog (BlogRoll) que tal amigo? Parcerias são sempre Bem vindas

Oi Riq,

Fugindo do assunto, mas hoje fiz uma prova para técnico administrativo do MP-RJ e um dos textos da prova de português era seu!!! Era um texto da Época, mas não decorei a data, e também não pude trazer o caderno de prova, mas era um que você fazia a comparação entre o planejamento de uma viagem e o desenvolvimento de um enredo por uma escola de samba. Espero ter me dado bem em cima do seu texto, hehe.
Bjão.

Riq e demais passageiros do blog,
Queria dicas de roteiros pelo Vale do Loire, descendo até os arredores de Bordeaux (indo até Carcassone). Farei esta viagem de carro em setembro e já me decidi por alguns hotéis, mas gostaria de saber as principais atrações. Chambord e Chenonceau já estão no nosso roteiro!
Obrigada a todos!

Sugestão

Ao inves de ficar em Recife, sugiro o Hotel sete colinas, simpatica pousada em Olinda, http://www.hotel7colinas.com.br, com ambiente agradável, e bem mais em conta do que os hotéis em Recife, e de Olinda a Recife não se gasta mais do que meia hora de carro. O preço no site é de R$ 202,00 mas creio que dá para negociar.

É revanche, Marcio…ou estão fugindo de nós! rs
O que tem de brasileiro na Argentina é inacreditável! rs

Sylvia, não achei nenhum rastro dessa Arikinda, nem mesmo como Ariquinda, na net. Quando eu estava fazendo o post eu me lembrei que você tinha me mandado alguma coisa sobre pousada nova em Carneiros, mas no endereço do gmail só achei fotos das espreguiçadeiras… se você mandou alguma coisa pro endereço freires ou pro uol, tá no laptop que foi no conserto e não voltará jamais (tela pifada)… Você tem algum contato da Arikinda?

Ah, sim, e uma nota de falecimento: a Prainha sumiu depois das ressacas brabas de setembro do ano passado…

Euclides, você fez Carneiros depois de se hospedar na Rota? Descobri que é muuuuito difícil alguém gostar de qualquer pousada ou hotel em Carneiros depois de ter se hospedado nas de São Miguel-Porto de Pedras-Japaratinga… Por isso estou sugerindo Carneiros na ida, e não na volta (quando seria mais prático, pela proximidade do Recife). Mesmo o hotel mais bonitinho da praia (o Pontal dos Carneiros Beach Bungalows) ou o melhor hotel da cidade (o Baía Branca) não impedem a sensação de downgrade. O negócio é ir antes, e pensar na pousada como um apoio para estar na praia (sobretudo ao amanhecer e no fim da tarde, quando não haverá grupos…)

E devo discordar quanto às Galés. Aquilo virou um banho público japonês… é muita gente, muita zona, muita ração pra cachorro sendo dada pra peixinho…

Marcio Ito, os argentinos estão no Nordeste há aaaanos… eles recolonizaram o Arraial d’Ajuda e Morro de São Paulo, são os melhores clientes do Jatiúca em Maceió, e não é de espantar que eles descubram outros lugares mais ao norte. O Brasil não tem o mar do Caribe, mas é mais perto e infinitamente mais divertido…

Riq

Que tal vender este roteiro para os estrangeiros para pequenos grupos, em vans? Bem que daria certo! Em pousadas de charme, então ,nem se fale !

Falando em argentinos…

Gente, eles estão por todo o nordeste!

O que acontece? De repente o Brasil ficou interessante pra eles, ou somos uma opção mais em conta pra eles?

Nico
Bem, fiz um roteiro bem parecido em Janeiro…. Um grande problema de quem escolhe a hospedagem pelo site é saber se aquilo q vc viu é exagerado ou real, aqui vão minhas impressões
Fiquei na amendoeira ( rota ecológica)…. perfeito, os donos são bem atenciosos e jovens, é tudo o q falam e algo mais……o mar é perfeito…calmo, bem quente, vc irá comprovar q é mais quente do que qualquer outro lugar do mundo, quem sabe do universo……..a comida nem se fala, mas é culinária experimental e meio natureba. O site é bem real. Ah, tem uma praia próxima chamada Praia do Morro, linda de morrer…. totalmente deserta, imperdível. As piscinas naturais são bem vazias e tranquilas porém menos exuberante que as de maragogi. Tranquilidade, praia deserta , td de bom mesmo. Fiquei 3 dias, achei ideal
Fui a Maragogi tb, fiquei no novo Resort(Miramar) que fica em ponta do mangue, melhor trecho de praia de maragogi, mar azul clarinho evite ficar na cidade, é bem muvuca . O hotel é mto bom, e como estar abrindo agora vc paga um bom preço no sistema Tudo Incluso. Foi a grande surpresa da minha viagem, adorei o hotel, só tinha muito argentino, mas não eram nocivos. Brincadeira, pessoal era bem gente boa. O problema era q o pessoal do hotel falava + espanhol e eu me senti numa viagem internacional, acabou sendo bem divertido. O site não reflete o hotel. O hotel é melhor ao vivo. Acho maragogi indispensável pelas piscinas naturais. Pra quem vem de longe então…
Fui a carneiros Também: Decepção, eu sei q muitos vão me xingar mas me explico: Ñ me decepcionei pelo lugar, aliás esperava algo meio deserto que não é bem assim, ao menos em janeiro. O que me irritou mesmo foi a hospedagem, Manga Rosa. É eu sei q o RF indicou aí em cima mas vou dar minha versão. São 3 chalés, bem simples, chão de cimento se não me engano. Enfim, não quero entrar em detalhes, mas garanto que ao vivo não é 10% do que se mostra no site. Talvez essa Arikindá seja melhor, mas tb não conheci. Parece que tem um hotel novo, Baia branca.
Quanto as outras dicas assino em baixo, mas nunca fuia Foz. Maceió é 10, as tapiocas na praia de todos os sabores derrubam todos os conselhos de não comer muito.

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