Amanhã no New York Times

Ricardo Freire
por Ricardo Freire

Vai sair amanhã, domingo, no suplemento de viagem do NY Times -- mas já está no ar hoje -- uma boa matéria sobre o Réveillon do Rio. O título é "Rio rompe o ano dançando apesar da violência".

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O jornalista Seth Kugel dá conta de relatar o que aconteceu com equilíbrio. Não usa de sensacionalismo para descrever a violência, nem defende a cidade de maneira irracional (como eu, por exemplo, costumo fazer...).

O artigo é utilíssimo para todos os que queiram pesar os prós e os contras de ir ao Rio.

Vou fazer uma traduçãozinha rasteira da parte de que mais gostei:

A pobreza da cidade é dolorosamente aparente nas cenas do dia-a-dia: homens e mulheres dormindo nas ruas; meninos destituídos disputando trocados nos cruzamentos; garotinhas vendendo chiclete na porta de nightclubs sofisticados. As favelas se erguem em morros em volta da cidade. Viajantes que tomam a Linha Vermelha, a auto-estrada do aeroporto, muitas vezes passam por tiroteios nas favelas. Dia 4 de janeiro, um grupo de turistas alemães e croatas foi assaltado assim que o seu carro saiu da estrada.

Em troca de correr riscos como esses, os visitantes podem saborear a beleza da cidade -- tanto da paisagem quanto dos moradores malhados e bronzeados dos bairros mais ricos. Nightclubs encantadores oferecem samba, pagode, bossa nova e forró ao vivo. Para nova-iorquinos, londrinos e quetais, a combinação de praia o ano inteiro com vida cosmopolita desafia a lógica. E então ainda há o espírito, a energia e a predisposição à alegria (ainda que em vão) do carioca -- algo que já foi muito discutido mas nunca inteiramente explicado.

Então este é o tipo de cidade onde os viajantes há muito inventaram suas próprias regras, com base em suas próprias percepções sobre risco e recompensa. Todo mundo tem uma opinião diferente, e para cada gringo bebendo uma Skol numa parte levemente marginal da cidade, haverá outro que se recusa a ficar parado por um segundo que seja na beira-mar de Copacabana, com medo de ser instantaneamente assaltado.

No dia 30 de dezembro, dois dias depois dos ataques, e o único dia realmente ensolarado perto do Ano Novo, as multidões nas praias voltaram à vida de sempre, atiradas na areia, enquanto vendedores passavam vendendo mate e caipirinhas de maracujá (US$ 2,50 para brasileiros, e sensivelmente mais caras para turistas).

Não sei como a matéria vai ser recebida no Rio, mas achei irretocável.

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Fotos: Réveillon 2005/2006, Copacabana.

3 comentários

Carla
CarlaPermalinkResponder

Muito boa mesmo essa matéria... Eu também sou dessas pessoas que defendem o Rio incondicionalmente, mas tenho a desculpa de ser carioca da gema...smile Já me peguei tentando convencer muito gringo a vir passar as férias aqui e ainda dando umas dicas de como se virar pra não se expor a muitos riscos - como se alguém pudesse ter a pretensão de saber isso!!!

Arnaldo - FATOS & FOTOS de Viagens

Ric, não saberia escrever com tal precisão do gringo, mesmo tendo nascido há 54 anos na Cidade Maravilhosa e jamais tendo residido em outro lugar (a não ser um ano que morei em Porto Alegre, aos 12). Sem tirar nem pôr, é TUDO a mais absoluta, precisa verdade. O Rio é MESMO esse altíssimo contraste fabuloso.

Ubirajara
UbirajaraPermalinkResponder

Ele ainda falou pouco...pelo menos citou só o rio!

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