Bom dia, Paris

Ricardo Freire
por Ricardo Freire

Você já deve ter ouvido falar do Jeffrey Steingarten. Ele é um americano que depois dos 40 anos deixou uma carreira bem-sucedida de advogado para virar crítico de gastronomia da Vogue.

O cara é totalmente obsessivo, e vai atrás da ciência que existe por trás de tudo, do gosto do sal às condições atmosféricas necessárias para fazer pão com fermentação natural. Ele é tão respeitado, que já foi condecorado pelo governo da França -- e, um ano desses, foi convidado para fazer parte do júri do arquiimportante wink Grand Prix de la Baguette, o concurso anual que escolhe a melhor baguete de Paris.

Jeffrey fala do concurso num artigo que depois foi incorporado à coletânea Deve ter sido alguma coisa que eu comi. O esquema é seriíssimo: todas as inscrições são absolutamente anônimas, e muitas vezes os vencedores são padeiros desconhecidos, com padarias em bairros obscuros, que ficam repentinamente famosos.

Eu já tinha me esquecido de tudo isso, até que , nessa semana, vi no Gridskipper um post justamente sobre as melhores baguetes de Paris. E no topo da lista, claro, o vencedor do Grand Prix de la Baguette de 2006, Jean-Pierre Cohier.

A baguete vencedora, chamada "Tradition", é feita com farinha sem aditivos vinda da região de La Beauce, e leva oito minutos a mais do que as baguetes comuns para assar. A casca fica crocante e o miolo, aerado.

O que eu achei mais interessante é que sua padaria não fica em nenhum bairro obscuro numa rua difícil de encontrar. A Cohier Pâtissier fica no número 270 da rue du Faubourg St.-Honoré -- que vem a ser a rua das grifes mais caras da cidade, no caminho dos Champs-Elysées.

Ou seja: existe uma coisa à venda na rue du Faubourg St.-Honoré que dá pra entrar e comprar!

Servido?

8 comentários

Ernesto
ErnestoPermalinkResponder

Ricardo

PArabens pela nova fase do Blog, esta a cada dia mais caprichado, e com novidades diarias...Mas, agora para o viajante de classe média, a América do Sul esta muito mais em conta do que a Europa... Pelo preço de um sanduiche em Paris, da para ir em Buenos Aires numa ótima churrascaria, com vinho, isto sem falar no interior que e mais barato ainda... Pelo equivalente a 2 Euros, como se roda de taxi na Argentina,e olhe que o Uruguai e o Paraguai são ate mais baratos...

Ricardo Freire

É como eu disse... todos os feriadões levam à Argentina!

Lena
LenaPermalinkResponder

Riq, demais este site, não? Qdo a gente passa o mouse em cima do hyperlink, abre-se uma janelinha com um preview do link!

Ricardo Freire

Lena, e por enquanto eu tô com um plano grátis. Daqui a pouco vou começar a estudar as ferramentas pagas -- deve ter várias funçõezinhas divertidas como essa.

Lena
LenaPermalinkResponder

Riq, tô meio chateada com certos fatos deste início de ano. Sei que este não é o local adequado para o desabafo, mas vou tomar a liberdade e usar mesmo assim. Sorry!

Duas coisas me chatearam muito neste início de ano: a lama que invadiu cidades de Minas e Rio, e o acidente no metrô de SP.
No caso da lama, achei pelo que pude ver, tão horrível quanto o furacão de New Orleans. Claro que a cidadezinha de Minas, não é um destino turístico como a cidade americana, mas estamos falando de vidas humanas, então isto pouco importa. Á época do Katrina, cansei de ouvir comentários sobre a ausência do presidente Bush no caso. Todo mundo tinha uma opinião a respeito. No caso da lama da mineradora de Minas, em nenhum momento ouvi alguém cobrar a presença, ou mesmo um depoimento, do presidente Lula, que continua em férias no Guarujá!! Como assim???? Aqueles moradores anônimos não merecem um mínimo de respeito? Todo mundo sabia que a lama continuaria seu curso em direção a outras cidades, e, ainda assim, nenhuma manifestação do presidente???
No caso do metrô de SP, o presidente do Metrô declarou que os engenheiros do Metrô vistoriam as obras todas as manhãs antes de liberarem o início dos trabalhos do dia. Na manhã de ontem, a empresa construtora já sabia que teria que atuar na correção de um problema que aparecera na noite anterior, quando ouve o rebaixamento de uma laje. Por isso os funciários estavam de sobre-aviso e evacuaram o local assim que pressentiram o acidente. Em uma obra deste tipo, não há engenheiro que não saiba quais são os riscos envolvidos. Tudo bem, que não se soubesse que a rua iria ceder, mas qualquer engenheiro sabe que diante da possibilidade de ocorrência de um acidente , toda área ao redor deve ser isolada. Ou seja, se ouve um rebaixamento de laje e estavam trabalhando na correção do problema, tinham obrigação de ter interrompido o tráfego na rua. A CET fica a poucos metros do local e poderiam ter solicitado a interdição da rua. Assim , teriam evitado que carros , microonibus e pedestres passassem por ali.
Quando acontecem coisas como estas, sempre me vem a lembrança de um livro de RH que li há alguns anos, escrito por professores canadenses. Em um certo capítulo, tratavam do problema de expatriação de executivos para países de cultura muito diferente. Em um dos casos listados, estava o de executivos transferidos para o Brasil, "país onde não há nenhum respeito pela vida humana", estava escrito. Mencionavam a velocidade com que motoristas de carros passavam pelas faixas de pedestres, colocando em risco a vida de muitas pessoas. Segundo eles, a experiência era bastante dolorosa para os canadenses que culturalmente, reconheciam a vida humana como prioridade total. Na época, fiquei meio chocada, por ver este tipo de referência ao nosso país, em um livro de autores premiados; mas cada vez mais, os entendo e concordo...
Esta parece para mim, a principal diferença entre países desenvolvidos e sub-desenvolvidos. Não há crescimento do PIB que mudará o nosso status. Sempre estaremos na rabeira do mundo, enquanto a vida de cada um de nós não for a prioridade do outro!

Ricardo Freire

Lena, uma vez eu ouvi alguém dizer que para cuidarem da sua vida no Brasil você tem que nascer tartaruga marinha. Enquanto não inventarem um Tamar de gente...

Lena
LenaPermalinkResponder

Esta, eu nunca tinha ouvido. Verdadeiríssima!!

DaniG.
DaniG.PermalinkResponder

Faço tudo por um baguete pariense ! ô coisa boa ! Aqui na Bélgica até tentam imitar, mas não faz aquele croc-croc !!

Parabéns ! O blog novo esta um charme !

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