Trabalhando de uniforme

Ricardo Freire
por Ricardo Freire

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Esta crônica foi postada originalmente na filial deste blog portal Viaje Aqui.

Mas como os posts lá não têm mais permalink, aqui vai a transcrição integral.

Eu entendo que muita gente tenha inveja (ainda que positiva...) do meu trabalho. Mas, acredite, as pessoas têm inveja pelas razões erradas.

A beleza da minha profissão não está nas viagens freqüentes (tem uma hora que você quer, sim, estar em casa), nem na sucessão de destinos inusitados (ei, na volta você vai ter um deadline apertado para cumprir), ou mesmo na eventual mordomia dos hotéis (uma coisa é se hospedar para aproveitar; outra, bem diferente, se hospedar para testar e investigar).

O que eu acho mais verdadeiramente invejável no meu metiê (!) é que, apesar de eu ter me formado na faculdade e ter tentado aprender um monte de idiomas, eu posso compartilhar de um fringe benefit (!) normalmente reservado apenas às faxineiras, aos pipoqueiros, aos pescadores, aos flanelinhas, aos mecânicos, aos salva-vidas e a outros dignos profissionais: volta e meia, eu me vejo trabalhando de chinelo de dedo.

Põe momento MasterCard nisso. Se isso é que é trabalho informal, então viva a informalidade"

Eu me lembro: não faz muito tempo, eu achava esquisito quando lia que fulano ou beltrano – Guel Arraes, por exemplo – só trabalhava de sandálias. No caso, de couro e tudo. Pois hoje eu acho sandália de couro um calçado meio que tipo assim quase praticamente superformal.

É interessante acompanhar a trajetória do chinelo de dedo nos lugares em que ele só significa férias e não tem o estigma do elevador de serviço.

Nos Estados Unidos, por exemplo, a febre das "flip-flops" (como o chinelo de dedo é chamado por lá) alcançou tamanhas proporções, que um dos temas mais quentes (!) do último verão deles foi: afinal, pode ou não pode trabalhar de chinelo no escritório?

Pode ser que essa moda não passe disso, uma moda – e daqui a três anos o mundo inteiro se envergonhe de ter começado a trabalhar, freqüentar restaurantes e andar de avião calçando chinelo de dedo.

Mas pode ser também que a gente esteja assistindo à consagração de um novo item básico do vestuário. Num momento em que os tênis estão virando carros alegóricos de escola de samba, só o chinelo de dedo parece combinar com o minimalismo clássico da dupla jeans-e-camiseta.

Eu só sei uma coisa. Nem sempre que eu estou feliz eu estou de chinelo. Mas sempre que eu estou de chinelo eu estou feliz.

7 comentários

Carmen
CarmenPermalinkResponder

Cliqué en "Viaje Aqui"

En mi país se les denomina:
-chanclas brasileñas, hawaianas o de playa.
Pura ironía!!!. Con esos nombres siempre piensas en aventuras playeras.

Carla
CarlaPermalinkResponder

Durante vários anos eu trabalhei dando aulas de inglês em casa, e essa era a melhor parte - trabalhar de chinelos quando está quente e de pantufas quando bate um friozinho... wink

Deise
DeisePermalinkResponder

Riqq!! Me tira uma duvida...vc desembarcou aq em SSA semana passada???? q duvida cruellllllllllllllll!!! Bjos

Ricardo Freire

Quem me dera, Deise... já tô com síndrome de abstinência de Salvador. Eu ainda nem consegui ouvir Motumbá!

Deise
DeisePermalinkResponder

Era seu irmão gêmeo Riq...ahahahhahaha!!! Estava saindo do aeroporto e fui seguindo, ahahahhaa, ai vc, ops....ele, parou do lado de fora perto das baianas de acarajé e pediu uma agua de coco, acho q ele pensou q eu era doida, pq fiquei olhando, olhando...doida pra perguntar, ainda bem q fiquei quieta.

Ja q esta com a sindrome, convidadisssimooooooooooooooo pra ouvir e dançar com o Motumbá...tda sexta la no pelourinho, ta bombando, vemmmmmmm....

PElo menos carnaval, aparece...avisa antes heim

Riq, q tal uns post sobre os ensaios de verão e pré carnaval em SSA?? Tdo dia tem uma coisa nessa cidade...rsrs.

Pra n ficar no gostinho, vai o site deles: http://www.motumba.com.br/ e a musica: BORORÓ

Toma um beijo meu
Balança assim
Faz carimbó, merengue aê
Liga a radiola amor,vamos festejar
Fogareiro acesso, pronto pra assar (oba!)
Corpo tá molhado,suor já desceu
A paquera é boa
Motumbá ferveu

Toma um beijo meu
Balança assim
Faz carimbó, merengue aê
Bororó, bororó, bororó, bororó...
Liga a radiola amor,vamos festejar
Fogareiro acesso, pronto pra assar
Corpo tá molhado,suor já desceu
A paquera é boa
Motumbá ferveu

Toma um beijo meu
Balança assim
Faz carimbó, merengue aê

Bororó, bororó, bororó, bororó...

Vem cá, vem me ver
Eu vou embalar
Se eu for, vc embala o meu
E o meu vai te embalar

Bororó, bororó, bororó, bororó...

Bia
BiaPermalinkResponder

Fantástica sua crônica do Chinelo....Amei!
Eu adoraria poder trabalhar de chinelo....Odeio Salto alto!

Bia
BiaPermalinkResponder

Já que vc falou sobre o blog da Luciana Froes, olha o post dela do dia 24/01 com o título: Sandália-convite, a onda da vez
Será que a moda vai pegar?
Pra quem quiser o site dela é http://oglobo.globo.com/blogs/lucianafroes/

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