A saída é por Campinas?

Ricardo Freire
por Ricardo Freire

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Enquanto boa parte da imprensa especula acerca de uma possível entrada da LAN ou mesmo da Gol (!) na Varig, o Estadão de hoje revela um estudo do ITA que mostra que "caso não sejam adotadas medidas para ampliar a capacidade operacional, o sistema Guarulhos/Congonhas entrará em colapso". Diz o olho da matéria: "Para absorver a demanda até 2015, a capacidade precisa mais do que dobrar".

Sem condições de ampliar ainda mais Congonhas (cá entre nós, chegar ao ponto que Congonhas chegou já foi um desvairio) nem de construir uma terceira pista em Cumbica (já que o entorno do aeroporto foi declarado área de proteção ambiental e, simultaneamente, invadido por uma favela), a solução parece ser expandir o aeroporto de Viracopos, perto de Campinas.

Na outra encarnação Viracopos era bastante usado por companhias aéreas européias. A única vez que estive lá foi para pegar um vôo da KLM para Amsterdã. Fica a uma hora de carro de São Paulo, mas se puserem um trem expresso a coisa pode ficar civilizadíssima.

Viracopos. Como eu poderia não ir com a cara de um aeroporto que tem nome de bar?

15 comentários

Thiago Parente

Realmente há muito tempo percebo a falta de infra-estrutura nos aeroportos brasileiros. Natal nem bem foi inaugurado e ja nao comportava os passageiros. Aqui em Teresina é pior, apenas uma esteira e uma sala de embarque pequena, nao comporta dois voos ao mesmo tempo. A TAM ja avisou que vai cancelar um voo que chega junto com outro da Gol e nao tem quem fique na sala de desembarque, as vezes temos q esperar na pista ainda. Talvez nao seja só esse o motivo do cancelamento, mas que é valido, isso é.

Carla
CarlaPermalinkResponder

Sempre achei esse nome Viracopos uma comédia... grin Mas, falando sério, é uma barbaridade centralizar tanto os vôos em São Paulo... Eu acho que se tivéssemos, por exemplo, mais vôos diretos saindo do Nordeste e do Rio para os EUA e Europa seria mais fácil administrar. Acho absurdo que um passageiro tenha que vir dos EUA a São Paulo para depois voltar para Fortaleza, Natal, etc...

Marco Antonio
Marco AntonioPermalinkResponder

Concordo com a Carla. O fato de todas as empresas terem feito seu "hub" em Sampa complicou a situação. Talvez fosse interessante se as próprias companhias, vendo a fase de pré-colapso que o sistema entrou (e que gera perda de passageiros), criasse um "hub" secundário: talvez Brasília, talvez Recife ou Salvador.

Poderia também serem limitados os pousos/decolagens em Congonhas para vôos regionais e com duração menor a uma hora de vôo. Isto manteria os da ponte aérea, Beagá, Curitiba e alguns outros, evitando grande perda de tempo do passsageiro com o deslocamento até GRU.

Ricardo Freire

Certamente tem um ponto de equilíbrio aí que nunca foi conseguido pelas nossas otoridades nem pelas empresas.

Primeiro TODOS os vôos chegavam no Galeão -- lembram? Daí, numa espécie de vingança que tarda mas não falha, TODOS os vôos passaram a chegar em Cumbica.

Nesse meio tempo, o Rio foi perdendo força como centro de negócios, e várias grandes empresas se transferiram para São Paulo -- mais especificamente, para a região da Berrini, ajudando a criar esse monstro em que se transformou Congonhas.

Mas por incrível que pareça, o Nordeste ganhou um sub-hubzinho nos últimos anos. Fica em Lisboa, e tem o monopólio da TAP smile

Talvez por não haver fluxo turístico suficiente, ainda não apareceu nenhuma companhia americana ou brasileira que quisesse fazer um hub nordestino em Miami...

Miguel
MiguelPermalinkResponder

Que encarnação foi essa que você saiu de Campinas pra Amsterdã ?

Ricardo Freire

1990, Miguel!

Miguel
MiguelPermalinkResponder

Isso seria poco balada pra mim hoje, viu ? E parece que a única solução mesmo é Viracopos !

Jorge Bernardes

É nessas horas que a gente vê que mesmo os engenheiros do ITA precisam de economistas, administradores e etc para dar um choque de realidade. Será que eles levantaram quanto custaria um trem tipo TGV até Campinas? Somado ao investimento que seria necessário para expandir Viracopos?(como eles já antecipam!) Não é viável economicamente. E como é que alguém chegaria a estação TGV em São Paulo? De carro? Sem metrô? Come on!
Enquanto um terço do tráfego aéreo do Brasil for originado na cidade de São Paulo não vai ter lei de estímulo, decreto ou lindo terminal no Galeão, Viracopos ou em qualquer outro lugar que transferirá o movimento de GRU e CGH: regra básica de oferta e demanda.
O que tem e pode ser feito em SP:
- Se a área de proteção já foi perdida para a favela em Guarulhos,então que se tire a favela e amplie a pista os 20% que faltam em Cumbica;
- Construir o metrô (linha normal mesmo) até lá passando por parte da Zona Leste e um monte de subúrbios (otimizando desta forma não apenas com passageiros ao aeroporto)
- Limitar o tráfego em Congonhas, porque já não há como cumprir nenhum horário (está ridículo, eu mesmo que moro no Campo Belo ou seja, a 1km de CGH, já desisti de embarcar aqui e vejo que muitas empresas que enviam funcionários a negócio fazem o mesmo ou tem cancelado viagens a trabalho ao máximo).
Se Delta, Air France, British e etc dobram a frequência para o Brasil sempre pousando em SP não é porque não gostam do Rio ou NE, etc. É porque aqui está o mercado. Lisboa só virou hub dos nordestinos por força das circunstâncias, o tráfego de lá para cá é tanto que passou a justificar pousar em diversas capitais.... A demanda tem que estar em um dos dois lados da linha. É isso que paga o investimento.

Ricardo Freire

Jorge, a matéria falava em "trem expresso", não TGV. Acho que seria um trem comum sem paradas. O mesmo artigo falava que existe já um previsto e encaminhado para Cumbica (torço para que seja verdade).

Marcio Ito
Marcio ItoPermalinkResponder

Acredito que o Jorge não deixe de ter razão, com o que ele menciona aí em cima. Além disso, com que "moral" o governo vai construir um trem expresso p/ um aeroporto, se nem transporte público decente consegue dar a população? E cá entre nós, não seria elitista demais, construir uma linha dessas, só p/ quem viaja de avião?!
Tá, talvez seja a inicitiava privada que faça essa linha, mas de qualquer forma, seremos nós que vamos pagar... Ou alguém aí acredita que exista "rodovia boa sem pedágio"?!!

Miguel
MiguelPermalinkResponder

Jorge, das suas propostas:

1) Não é tão simples assim. A invasão não revoga a área de proteção.

2) Metrô não resolve problema de tráfego aéreo.

3) Se Congonhas diminui, pra onde vão os vôos, se Cumbica está lotando ?

Quer queira ou não, Viracopos e a solução mais factível no curto/médio prazo. Longe ? Paciência, Confins e Charles de Gaulle que o digam.

Rosa
RosaPermalinkResponder

Ric, acho Viracopos, o nome, sensacional. Nomes de aeroportos como Zumbi dos Palmares, Guararapes, acho espontâneo, melhor que qualquer nome para homenagear político, vivo ou morto.

Tati
TatiPermalinkResponder

Ric, pena é não sair avião nem pra Buenos Aires de Viracopos sad

Leonardo Calazans

Moro há 3 anos em Munique, na Alemanha, um dos países com a melhor malha ferroviária da Europa. Os alemaes contruíram seus maiores aeroportos (Munique e Frankfurt) fora das grandes cidades - Munique tem seu aeroporto 45km ao Norte do centro da cidade... E como os alemaes chegam ao aeroporto? De trem. Nada melhor: evita trânsito, poluicao, e chega pontual.
No Brasil, falta investimento no transporte sobre trilhos. Transporte de qualidade. É claro que quando se fala em trem, a cultura brasileira pensa num vagao da ex-CBTU todo quebrado, lotado... culpa da política de investimentos brasileira. Se construírem uma ligacao eficiente - nao se precisa de TGV, mas sim, de um trem rápido e NOVO - entre os grandes centros e seus aeroportos, Congonhas já pode sonhar em dias mais calmos...
Mas até lá, a política brasileira precisa aprender que o futuro está nos trilhos e nos céus, e nao nas marginais lotadas em SP...

Yara Farias
Yara FariasPermalinkResponder

Olá a todos,
Moro em Campinas e creio que posso dar alguma contribuiçãozinha sobre Viracopos: o aeroporto é muito bom, de fácil acesso já que perto de uma grande rodovia, contudo já está meio cheinho de vôos domésticos. Eu sempre utilizo a ponte aérea Campinas/Rio e existem horários em que o saguão do aeroporto, que é pequeno, fica bem lotado!!Se alguns vôos forem transferidos pra cá será necessário repensar o tamanho do aeroporto. Até mesmo a demanda por vôos internacionais é alta no interior, só que não temos vôos aqui para atendê-la. Qto á ampliações nós também temos problemas, pois será necessária uma grande desapropriação de casas para que a ampliação ocorra, o que tem gerado grandes controvérsias na cidade.
Em relação ao trem expresso, essa seria uma ótima saída não apenas pra quem usa o aeroporto, mas também para as inúmeras pessoas que moram pelo interior e trabalham em SP. Acordar de madrugada todo dia e pegar um fretado não é a melhor coisa do mundo. agora, acordar todo dia e pegar um expresso...hummm...parece ótimo!!!

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