Cidades baratas: Veneza, por exemplo

Ricardo Freire
por Ricardo Freire

Veneza

Adoro aquelas listas das cidades mais caras do mundo que volta e meia saem nos jornais. Gosto especialmente daqueles anos em que Lagos ou Harare ou Jakarta aparecem entre as dez mais.

Ano passado, uma dessas listas deu Moscou na cabeça, mais cara até que Tóquio. Quá quá quá.

O valor dessas listas para viajantes como você e eu é, dois pontos: nulo. Essas listas são preparadas para orientar as grandes corporações quanto aos gastos com que terão que arcar para transferir seus executivos pra lá e pra cá. Se durante as suas viagens você normalmente não usa motorista ou guarda-costas, não vale a pena perder seu tempo com esse tipo de notícia.

Turisticamente falando, o que faz uma cidade ser cara ou barata não é apenas a cotação da moeda, o preço das diárias ou o custo da alimentação. Na minha calculadora particular, cidades baratas são aquelas que se revelam de graça. Cidades caras são aquelas que cobram ingresso.

Cidades baratas são aquelas em que basta estar na rua para ter certeza de que valeu a pena ir até lá. São cidades em que o melhor está do lado de fora dos prédios. E o espetáculo não pára: basta saber observar. São cidades perfeitamente caminháveis – ou que pelo menos oferecem um transporte público eficiente. Se os hotéis e os restaurantes do padrão a que você está acostumado lhe parecerem caros demais, não é que a cidade seja cara. Você é que é caro, e não está disposto a dar um desconto no seu estilo de vida para curtir essa cidade que entrega tanto sem cobrar nada.

Pelo meu critério, são cidades baratas: Veneza, Nova York, Paris, Praga, Roma, Rio de Janeiro.

Já cidades caras são aquelas que não basta simplesmente percorrer a esmo para achar tudo o máximo. São cidades que escondem boa parte de seus atrativos do lado de dentro dos edifícios. Cidades em que você precisa, além de dinheiro, informação. São cidades que melhoram muitíssimo quando você descobre quais são os lugares "do momento", e investe um pouco para fazer parte deles.

O meu caderninho indica como cidades caras: Londres, Los Angeles, São Paulo, Milão.

Existe também uma terceira categoria: a das cidades baratas que os visitantes tornam caras. Normalmente são cidades exóticas em países pobres, e que acabam saindo caro porque o forasteiro busca uma espécie de proteção contra o próprio lugar que está visitando.Você acha tudo lindo, mas se recusa a comer, dormir e se locomover como os nativos. Existe até uma maneira charmosa de fazer isso: basta se hospedar num desses magníficos hotéis históricos – que um dia foram construídos para proteger os senhores coloniais dos rigores da vida nas colònias.

Cidades baratas que a gente torna caras: qualquer uma que não esteja na Europa Ocidental, nos Estados Unidos, no Canadá, no Japão ou na Oceania.

27 comentários

Carla
CarlaPermalinkResponder

Veneza? Baratéeeeerrima... wink Principalmente quando se tem a sorte que eu tive, de vê-la pela primeira vez em um dia claro, de sol ameno, no fim do verão... As paisagens de Veneza se oferecem de graça, e pelo custo de um passe de vaporetto (nem tão módico, mas com uma relação custo-benefício fantástica) se pode desbravar a cidade toda... A comida é cara, mas eu poderia até ter passado fome em Veneza, e passaria fome feliz...

Mas eu também considero Londres uma cidade barata... Bom, sou uma daquelas pessoas que amam Londres de graça, é verdade... Tenho uma história de amor incondicional com aquela cidade, com as ruas, os parques, as pessoas, não sei nem explicar...

leo
leoPermalinkResponder

Freire,

Concordo em tudo com vc. Exceto quando vc considera Londres - pelo teus criterios - cara. (Quase) todos os museus quentes sao gratuitos e dah para se deliciar com a cidade andando a pé.

Carla
CarlaPermalinkResponder

Fiquei curiosa para ler a próxima coluna, sobre como uma viagem pode parecer mais cara do que é... Eu costumo operar uns "milagres" do gênero sempre que viajo pela América do Sul, mas aí nem é difícil... wink

Lena
LenaPermalinkResponder

Perfeito! Concordo em número e grau! Quando estive em Veneza, jurava que , pela fama, teria que ficar hospedada em Mestre ou qualquer outra cidade. Assim que desci do trem, arranjei um hotelzinho simples, mas super ok, muito melhor localizado do que o hotel que havia me hospedado em Roma e mais barato. Andar e se perder por Veneza é demais! Comer por valores razoáveis na Europa tampouco é problema, já que os cardápios com preços estão sempre do lado de fora. Assim, podemos escolher os restaurantes com aparência charmosa e que não saiam do orçamento.
Não sei se concordo com Leo e Carla sobre Londres, pois não conheço tão bem assim, mas quando estive lá, o meu comentário foi o seguinte: "Em Paris basta sair do hotel e começar a andar, que os lugares interessantes vão aparecendo a cada esquina (o mesmo vale para as outras cidades baratas citadas pelo Riq). Em Londres, temos que nos locomover , de metrô ou ônibus, para achar os pontos de interesse". Agora, em uma coisa eu concordo com eles: entrar de graça no British Museum e sem filas é um luxo!!

Europe Calling

Pelo ponto de vista também não axamos Londres cara.
Em relação a veneza esperamos que seja mesmo assim e gostavamos de saber o hotel onde ficou a Lena.

www.callingeurope.blogspot.com

Lena
LenaPermalinkResponder

Ahhh, vou ter que procurar pelo hotel nos meus guardados.... Faz muuuuuito tempo!! Talvez ele até já tenha recebido um upgrade e esteja mais carinho. Assim que achar o cartãozinho do hotel eu volto a postar, ok? smile

Mário Aquino Alves

Freire:

Discordo de Berlin ser uma cidade cara, dentro dos padrões que você mencione.

É verdade que os museus - e haja museu bom em Berlin! - são relativamente caros, mas creio que o mais interessante da cidade se revela de graça para as pessoas.

Com um bilhete de um dia, você anda pela linha 100 de ônibus e faz um "saitesiingue" legal.

E o que para mim é a marca da cidade é o cosmopolitanismo: em nenhuma cidade contemporânea você pode sentar em uma cervejaria - em especial no verão, tomar uma cerveja e se deliciar com a diversidade humana (ponto recomendado por mim é o conjunto de cervejarias junto à Estação Hackescher Markt (linha S3), entre a ilha de museus e a Alexanderplatz.

Rodrigo
RodrigoPermalinkResponder

Kyoto, Nara, Osaka e Tóquio, podem ser muito baratas. Isso depende unicamente de suas escolhas.

Hoteis super-econômicos (75usd/casal), comida de rua (Lamén, Udon, Oden e Okonomyake por 15usd/cabeça) e transporte público, além de um JR Rail Pass, podem tranformar uma viagem ao Japão em um exemplo de custo benefício altamente favorável ao viajante. Sem contar que você pode ter contato com o Japão do japonês médio.

Caio
CaioPermalinkResponder

Eu acho Las Vegas também relativamente barata....

Ricardo Freire

Rodrigo, também achei o Japão muito mais em conta do que eu imaginava. Mas da próxima vez eu vou fazer questão de NÃO ACHAR as coisas. O trabalho que dá para ACHAR as coisas no Japão tira metade da graça de viajar. Mas a culpa não é do Japão -- é minha, com essa mania de querer ACHAR as coisas smile

Eu botei Berlim e Londres numa categoria diferente de Paris e Veneza porque são duas cidades em que você precisa saber pelo menos para onde está indo -- não são lugares que se prestem tanto assim para a gente ficar perdidão... (na minha opinião, claro, que não precisa estar certa)

Rodrigo
RodrigoPermalinkResponder

Riq,

Viajei lembrando do seu taxi em Tóquio!!! O pior é que acabei pegando um taxi, em Kyoto, mas não foi tão caro.

Com esses novos celulares com GPS e mapa que estão chegando, em um futuro próximo, vai ficar tudo mais fácil, ou melhor, na palma da mão.

Um abraço

Rodrigo

Pedrorafa
PedrorafaPermalinkResponder

Se Veneza for tão barata quanto Londres esse blog é mentiroso! Vou lá ainda esse mês e vou tirar minha dúvida!

Ricardo Freire

Carla, quanto às próximas colunas lá no Viaje Aqui -- este mês o tema lá do portal vai ser "viajar barato", então eu tenho que fazer o tema render smile

Gilberto
GilbertoPermalinkResponder

Gostei da sua classificação de caro e barato! Mas achei Veneza barato também no sentido mais convencional: Me hospedei bem por um preço razoável (EU 100,00 / casal, com café), comi bem, o sorvete (ah, o sorvete...) era mais barato que em Roma, e, como você fala, a paisagem é toda grátis, além de não requerer prática nem tampouco habilidade - basta sair sem destino pelas vielas e descobrir coisas fantásticas. Na volta dispensei o vaporetto e fui a pé do hotel (em Rialto) até a estação. Apesar do peso das malas e de ter que subir aquelas escadas em cada pontezinha, foi muito legal - e barato!

Marco Antonio
Marco AntonioPermalinkResponder

Muito interessante a nova perspectiva para se encarar o caro x barato.
Também discordo quanto a Berlim, que entendo ser barato.
Concordo em incluir Las Vegas nas baratíssimas, assim como Los Angeles em absurdamente caras.

adriana
adrianaPermalinkResponder

Que bom q tem mais gente q concorda comigo ! Eu achei Londres baraterrima, museus de graca, parques lindos, comida muito boa e barata. Paris, apesar de ser linda, eu achei cara. Todos os museus pagos, nao comi bem tirando pelos restaurantes que um parisiense me levou e eles nao foram nada baratos !!!

E tem Buenos Aires e todas as cidades da argentina... Mendoza entao foi a maior pechincha da historia !!!! Em 2005 um jantar pra dois, em um bom restaurante, com vinho entrada e prato principal saiu por 40 pesos !!!

Ricardo Freire

"Londres é a Paris dos que gostam de Nova York". Hmm, quem foi que disse isso, mesmo? Ah, sim -- fui eu smile

Carla
CarlaPermalinkResponder

Tá bom, eu me enquadro... wink Acho que Londres é a minha Paris, sim, e eu absolutamente AMO Nova York... Mas não deixo de gostar de Paris também - isso de jeito nenhum!

Lena
LenaPermalinkResponder

Europe Calling, o hotel que fiquei em Veneza é o Hotel Florida (Calle Priuli 106).

Láisa
LáisaPermalinkResponder

"Londres é a Paris dos que gostam de Nova York”. Definição simplesmente perfeita!

Regis
RegisPermalinkResponder

Perfeito! Por conta dessa regra de ouro do bate e volta que abri mão da torre de Pisa e preferi passar mais tempo na Toscana. Aquela torresinha pretenciosa não vale o deslocamento....

Regis
RegisPermalinkResponder

Opa...esse comentário se referia a outro post....sorry...

Hugo
HugoPermalinkResponder

Fiz a reserva de um hotel muito interessante em Londres (http://www.deanstreettownhouse.com/) e paguei mais barato do que numa hospedagem inferior em Nova York.

Em Praga consegui um hotel com preço semelhante ao de Londres, mas aparentemente bem superior.

Enfim, pelo menos no que diz respeito à hospedagem, se procurar com cuidado sempre dá para encontrar alguma barganha por aí.

jader
jaderPermalinkResponder

Excelente. Só não concordo que Londres seja cara, o transporte público é excelente, a cidade tem os melhores museus do mundo e são todos gratuítos. Só de passear pelas margens do Tâmisa dá pra ter uma aula de história. Estive lá apenas 3 dias e foi uma experiência espetacular. O resto do artigo assino embaixo. Veneza, Nova york, Paris, Roma são cidades que tenho que voltar.

Ricardo Freire

Você tem razão. O texto é antigo e eu tenho uma implicanciazinha com Londres. Mas ano retrasado eu aprendi a usar a cidade de maneira econômica.

Miguel /ADM VIAGENS

Riq,

Eu sempre tenho dificuldade para conseguir um hotel bem localizado em Veneza a preços módicos, da ultima vez mandei um pax pra ficar numa ciade pé no chão bem próxima, o cara gastou tanto com tax que ficou irado comigo, eu respondi.
"Bem, o senhor queria um hotel bom e barato, não existe hotel bom e barato no centro da cidade" Me pareceu que pra ficar com o pé na agua há uma diferença considerável, mas o gasto com locomoção é maior do que se imagina.

Silvia Soares
Silvia SoaresPermalinkResponder

" Não é que a cidade seja cara, vc é que é caro". Adorei essa frase!
Ah! Sou da turma que acha Londres barata. E olha que eu impliquei por décadas com a cidade, voltam sempre a Paris e dispensava Londres sem remorsos.

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