Economia sim, mixaria não

Ricardo Freire
por Ricardo Freire

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Este texto foi produzido originalmente para filial deste blog no portal Viaje Aqui. Mas como os blogs de lá perderam o permalink dos posts, reproduzo aqui na íntegra.

Esta é a terceira coluna da nossa série de fevereiro dedicada a viajar barato. E o objetivo desta lição não é outro senão fazer você pegar leve. Vamos deixar claro: economia é uma coisa, mixaria é outra. Quem busca a melhor relação custo x benefício sempre sai ganhando; quem busca apenas o menor preço e não vê o que está comprando se arrisca a cair em roubadas.

Eu vejo a busca da economia como a maneira mais eficiente de aumentar a duração e a freqüência de nossas viagens. Mas nunca perco de vista o fato de que ninguém merece tirar férias para sofrer. Há limites para o "downgrade": vale a pena descer do seu patamar de conforto sempre que isso enriqueça a sua experiência no lugar que está visitando. Se esse não for o caso, considere a possibilidade de economizar mais um pouco e adiar a viagem para as férias seguintes.

Algumas economias que eu acho que não valem a pena:

1) Usar passe de trem como substituto de hotel. De vez em quando eu leio essa dica por aí e fico horrorizado. A idéia é comprar um desses superpasses de trem que valem para a Europa inteira e ficar inventando trajetos longos só para poder dormir no trem e economizar hotel. Ha! Para começo de conversa, se quiser viajar na horizontal, você vai ter que pagar um suplemento – algo entre 20 e 30 euros, ou seja, o mesmo que custa uma cama de albergue (e, se é para dormir em beliche, melhor num beliche parado, e não num beliche em movimento). Uma noite no trem nunca é essa tranqüilidade toda. Há paradas, barulho de gente entrando e saindo, controladores de países diferentes que às vezes vêm checar a passagem. Mas não me entenda mal: uma ou outra viagem noturna de trem, dentro de um roteiro lógico, são perfeitas (e, sim, fazem você economizar a noite do hotel). Agora – fazer disso uma rotina, um padrão, é transformar a sua viagem num inferno.

2) Zanzar pelo metrô de uma cidade que você não conhece carregado de malas. Atire a primeira bagagem de mão quem nunca passou por essa situação: você acabou chegar, e já se vê arrastando uma mala de rodinhas, uma bolsona a tiracolo e ainda um sobretudo que precisou tirar porque o esforço de carregar as malas fez você suar. Você então faz duas baldeações de metrô (numa delas teve que percorrer um corredor interminável e subir dois lances de escadas, porque não havia escada rolante nem elevador), e agora vai subir à superfície num canto da cidade que não conhece, e vai andar mais três ou quatro quarteirões até achar o seu hotel. Não, meu amigo; de jeito nenhum, minha amiga: você não precisa mais passar por isso. Faça assim: da próxima vez, pegue o trem, o metrô ou o ônibus no aeroporto, como sempre. Mas vá somente até o ponto mais próximo possível do seu hotel sem que seja preciso fazer nenhuma baldeação. Nesse ponto, pegue um táxi. Você merece.

3) Perder um dia inteiro para economizar 20 dólares numa compra. Já aconteceu comigo, e espero que nunca aconteça com você. Em busca daquele preço que fulaninho pagou na câmera ou no barbeador ou no creme anti-rugas da sua tia, você perde uma manhã, uma tarde, ou às vezes uma manhã e uma tarde batendo perna e entrando em lojinhas fuleiras até achar (ou não) o tal preço incrível. E o tempo que você perdeu, vale quanto? Outro conselho nesse quesito – nunca, jamais, em hipótese nenhuma saia do seu roteiro para achar alguma encomenda. Só se leva encomendas que se atravessarem no seu caminho – e que você encontre de cara. Quando o modelo ou as especificações se revelam complicados, desista na hora, ou você vai se incomodar.

E para terminar essa liçãozinha rápida...

A extravagância mais justificável que existe. Eu costumo me preocupar em começar bem as viagens. No início é quando estamos mais cansados (os últimos dias de trabalho antes das férias costumam ser os mais estressantes do ano) e mais sensíveis. Dormir imprensado no avião é desumano. Passar pela alfândega todo amassado pode ser uma experiência humilhante. Então você chega ao seu hotel e... ele está lotado. São oito da manhã, mas você só vai poder entrar às três da tarde. Você precisa de um banho. Faz frio lá fora. Mas não há nada o que fazer. Quer dizer, há, sim: que tal se, na próxima viagem, você reservar o quarto de véspera? Assim, é chegar e subir. Para não sentir tanto a conta, incorpore a diária à passagem – dividindo por dois (ou por quatro, se você viajar com outro casal), você quase não sente. E a sua viagem começa da maneira mais civilizada possível.

4 comentários

Carmen
CarmenPermalinkResponder

Ricardo, me encanta la frase: Economía sí, Miseria no

Estoy totalmente de acuerdo, con la frase, aunque esté miles de quilometros de tí.

¡Miseria nunca!

Regina Almeida

Olá Riq...aqui estamos em Mallorca, o sol já está dando as caras..Como nao podia deixar de ser, nao deixo de ler todos os dias teu blog.Uma dica muito rapidinha para uma amiga queridissima que tenho: lua de mel, 8 dias em agosto (entre 10 20), lugar: BRasil, praia tranquila, lugar romantico, isolamento o maximo possivel.Tenho algumas ideias, mas gostaria de saber quais sao as suas. Aguardo com ansiedade tua dica...beijocas e brigaduuuuuu!!!!

Ricardo Freire

Gracias, Carmen!

Regina, esse briefing levaria ao Sul da Bahia -- Trancoso com três dias no Espelho (Fazenda Calá). O problema de agosto no sul da Bahia é que você pode pegar o mar meio turvo, até mesmo no Espelho. Outras opções -- Jeri (agosto tem tempo perfeito no Ceará) e Rota Ecológica.

Maria Amélia Leal

Olá.
Ricardo em maio/07 vou c/uma amiga à Europa: Lisboa, Paris (de avião). De Paris, queremos pegar um trem até Strasburg. Pretendemos fazer a região da Alsácia francesa e alemã (Floresta Negra, etc) de carro. Na nossa cabeça estão Strasburg, Colmar, Freiburg, Baden-Baden, Riquiwhir, Heidelberg). Estamos meio perdidas na direção. Estamos precisando de uma orientação deste trajeto, que seriam de 5 ou 6 dias. Daí vamos para a Belgica e terminamos em Amsterdan, da onde voltaremos para o Brasil. Para chegarmos à Bélgica, qual seria a melhor maneira (estamos pensando em voltar de trem, deixando o carro em .......
Socorro!!!!!!!!!
Li a sua materia sobre economia, indo de avião ao invés do trem.
Aliás, achei tudo muito bom!!
Novamente, socorro!!

Um abraço da
Maria Amélia

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