O caos aéreo no carnaval (dos Estados Unidos)

Ricardo Freire
por Ricardo Freire

Os jornais brasileiros só não falaram sobre os caos nos aeroportos durante o Carnaval porque não quiseram.

Bastava terem noticiado o inferno por que estão passando os passageiros da JetBlue nos Estados Unidos.

Para quem perdeu capítulos anteriores da novela: a JetBlue é a melhor companhia aérea de desconto do mundo. As tarifas são "low-cost", mas os aviões são ultraconfortáveis (poltronas de couro, monitores individuais de TV com 30 canais da DirecTV) e em algumas linhas rola até um serviço de bordo bacana. Desde seu lançamento, em 1999, a companhia teve um crescimento estratosférico. O fundador, David Neeleman, é filho de um missionário mórmon e nasceu no Brasil -- mais especificamente no Recife, onde morou até os 5 anos.

neeleman451.jpg

Ano retrasado David Neeleman esteve no Brasil e deu uma palestra, num português bem razoável, em que explicou os fundamentos da JetBlue e, entre outras coisas, criticou os lucros da Gol -- a seu ver, exagerados para uma low-cost.

Pois bem. Quarta-feira passada (dia 14) a JetBlue subestimou a previsão de nevascas generalizadas no norte dos Estados Unidos e não suspendeu preventivamente seus vôos, como fizeram todas as outras companhias.

Tentando cumprir os planos de vôo (que incluem, como em toda low-cost, uma permanência mínima em solo), vários pilotos embarcaram seus passageiros e deixaram os fingers, à espera de uma brecha para decolar.

Resultado: passageiros de diversos vôos ficaram horas presos dentro dos aviões; no pior caso, os clientes permaneceram trancafiados durante ONZE HORAS na pista de um dos aeroportos de Nova York.

Para complicar a situação, tripulantes ficaram presos pela nevasca e houve uma pane geral na comunicação entre a empresa, os funcionários e os passageiros, que ficaram dias sem saber direito o que fazer. (Hmm, acho que já vi uma história assim por aqui...)

A nevasca já passou, mas o plano de vôo da companhia continua zoneado. No sábado,  23% dos vôos foram cancelados, e 11 cidades da malha da JetBlue ficaram ilhadas. (É bom lembrar que as low-cost não têm acordo de endosso de passagem com outras companhias.)

Antecipando-se a deputados que querem aprovar leis mais rigorosas de defesa do passageiro, David Neeleman declarou anteontem ao New York Times que está repensando completamente o funcionamento da JetBlue e que, antes de qualquer lei ser aprovada, a própria JetBlue criará novas regras que indenizarão os passageiros caso falhas como a desta semana voltem a acontecer.

Tomara que os presidentes das nossas companhias aéreas estejam prestando atenção...

Atualizações:

- A "Declaração de Direitos do Cliente da JetBlue" já saiu. Promete créditos para partidas atrasadas (de um mínimo de 25 dólares ao valor da passagem ida e volta), para retenções em solo na partida e na chegada (também de um mínimo de 25 dólares até o valor da passagem de ida e volta) e para overbooking (1.000 dólares por ocorrência).

- David Neeleman publicou um pedido de desculpas no site.

[youtube=http://www.youtube.com/watch?v=-r_PIg7EAUw]

- O cara também gravou um vídeo hospedado no YouTube se desculpando com os consumidores.

24 comentários

Salete
SaletePermalinkResponder

Oi, Ric,
Quando é que a Jet Blue pretende voar para o Brasil? Seria bom, não seria? Estamos precisando de low cost desse nível...

SandraM
SandraMPermalinkResponder

É tão difícil assim adicionar respeito ao consumidor a uma boa administração?
Até entendendo algumas ousadias empresariais, só não entendo falta de informação aos clientes e falta de uma boa formação e treinamento de funcionários. (estes dois últimos ítens a gente sente tanto por aí, não??).
Bjs,

Jorge Bernardes

É muito diferente quando o mercado é competitivo. Ricardo, não estou conseguindo enxergar menu no lado direito. Algo errado com o usuário aqui?

Thiago Parente

Agora vamos acompanhar se realmente o presidente da JEt Blue vai cumprir o que declarou. Se fizer, aí está a diferença do caos americano para o brasileiro. Lá o pessoal so erra um mesmo erro uma vez. Já por aqui....

Ricardo Freire

Salete, quando esteve aqui para dar a palestra o Mr. Neeleman disse que não havia previsão para voar para o Brasil, não -- até por uma questão de autonomia de vôo; os aviões da frota da JetBlue teriam que fazer uma escala, e ele por princípio não gosta de vôos com escala. Até onde eu sei (estou escrevendo de memória), a JetBlue só faz vôos internacionais para Aruba e República Dominicana.

Sandra, eu acredito que eles não sabiam onde estavam se metendo. O Neeleman esse não é burro, não. Acho que o melhor dessa história é acompanhar a reação da empresa...

Jorge, o menu da direita só aparece na home. Quando você clica num post ele desaparece. Será isso?

Ernesto
ErnestoPermalinkResponder

Ric

Voce não acha que vem faltando respeito ao consumidor por parte das nossas cias aéreas? Ja fui vitima de atrasos, e pior do que isto, as informações eram sempre "em meia hora" estará tudo resolvido, e nada.... E claro que a culpa nao e só das cias aéras, mas tambem de nosso governo, pois a taxa de embarque que pagamos é das mais caras do mundo, e o $$$ não vai para o caixa dos aeroportos e do tráfefgo aéreo. Ah, e so para completar, voce sabia que o combustivel de avião paga CIDE, uma contribuição que teoricamente serviria para melhorar as estradas, mas alguem ja viu aviao usar estrada?

Marcio
MarcioPermalinkResponder

Depois de errar, estão demonstrando respeito aos clientes mesmo com a reação até agora. Mas vai ser difícil "satisfazer" quem ficou por 11 horas no avião.

Ricardo, entrei pela home, dê uma olhada as imagens estão deslocadas e o blog realmente está sem o menu do lado esquerdo mesmo.

Abs!!
Marcio

Marcio
MarcioPermalinkResponder

Ricardo,

Te mandei um print da tela no e-mail onde.anda.o.riq@gmail.com
para vc ver como está.

Marcio

Ricardo Freire

Marcio e Jorge: agora foi, né?
(Eu tinha salvado a foto na largura errada; o Explorer novo retifica a largura, mas acho que o antigo, não...)

Marcio
MarcioPermalinkResponder

Foi sim Ricardo, está normal!!!

clanceta
clancetaPermalinkResponder

Las compañias de bajo coste, a veces, son un verdadero problema.
¿Alguien recuerda lo que pasó en diciembre del 2006 en España con Air Madrid?
Fue una verdadera VERGUENZA!!!.

Carmen
CarmenPermalinkResponder

Me faltó la diéresis -vergüenza- VERGÜENZA, ahora sí!!!

Ricardo Freire

"Diéresis", Carmen! Essa eu não sabia.

Em português o nome é estranho, também: "trema".

Carmen
CarmenPermalinkResponder

Si esto fuera un partido de fútbol, estaríamos empatados.
Eu não sabia: "trema".
Obrigada

Marcio Ito
Marcio ItoPermalinkResponder

Não me recordo onde foi, mas li recentemente, que pelos cálculos do mercado, logo, logo a GOL irá ultrapassar a TAM.

Dizia a mesma matéria, que a GOL demorou apenas 6 anos, para chegar aonde a TAM demorou 30 anos...

Eu não sei, mas será que a GOL é de fato uma low-cost, no sentido de oferecer as melhores tarifas? Ela poder ser low-cost no sentido gerencial, estruturada desde o início p/ ser enxuta e ganhar mercado.

ernesto
ernestoPermalinkResponder

Bem depois do quase fim da Varig, se brinca que a TAM passou a ter o serviço da GOL, e a GOL o preço da TAM....

Ricardo Freire

Ernesto:
smile
smile
smile

Mas se você puxar pela memória vai ver que o movimento começou um pouco antes, durante o acordo operacional TAM-Varig. Ali é que os preços e o serviço de bordo ficaram parecidos....

Ernesto
ErnestoPermalinkResponder

Tem razão...

Rodrigo
RodrigoPermalinkResponder

Riq,

Tem lugares onde respeitar os direitos do consumidor é obrigação em outros um favor..... Tem lugar onde o desrespeito doi no bolso em outros em outros faz parte da politica, onde quem manda é o mais forte.

Defintivamente Riq, vais ter de adicionar o meu rss! No Explorer novo tem um botão só para isso!

Dei uma notinha dentro das rapidinhas pré-carnavalescas, mais sumária, com um comentário parecido com o seu seu sobre a JetBlue. Só me surpreendi com a rapidez da cia em tentar salvar sua imagem e evitar uma nova lei de direitos do consumidor aéreo nos EUA.

Um abraço

Hugo
HugoPermalinkResponder

Quando os vôos atrasam nos EUA o dono da companhia pede desculpas e se compromete a indenizar os passageiros, mas quando isso ocorre aqui não tem problema porque as áereas já receberam a passagem, a Infraero já recebeu suas taxas e o Lula só viaja de aerolula, então se preocupar para que, né, o povo que se vire.

Miguel
MiguelPermalinkResponder

Pô Ricardo, o Neelman criticou a tarifa por milha voada da Gol, não o lucro. Lucro não se critica, se inveja !

Abraço.

Eduardo
EduardoPermalinkResponder

No hay vuelos para Brasil pero los aviones son brasileños smile

Rodrigo
RodrigoPermalinkResponder

A JetBlue deve ser a maior cliente da Embraer serie 190, que baseado nos comentários deve ser um ótimo avião.

Pena que nós brasileiros não temos o prazer de voar nessas aeronaves. No Brasil parece ser melhor e mais barato comprar/alugar Fokker usado ou 737 velho do que um Embraer... Vai entender!

Rodrigo
RodrigoPermalinkResponder

Gostaria de saber, quais foram as medidas tomadas pelo CEO da Jet Blue Davud Neeleman no caso de 14 de fevereiro de 2005?Qual a intenção dele?

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