Dê-se ao luxo

Ricardo Freire
por Ricardo Freire

Na minha crônica desta semana na Época eu lembro que, se você pode, esta é a hora de cometer extravagâncias em moeda estrangeira.

Para muita gente, a valorização do real significa a possibilidade, enfim, de viajar ao exterior. Para uma minoria, porém, que não parou de viajar nem quando o dólar estava nas alturas, o real forte pode significar a oportunidade de cometer extravagâncias impensáveis até há pouco tempo. Dez anos depois do dólar de 1 real, o dólar de 2,10 oferece uma nova chance para quem quer aproveitar as férias para viver temporariamente acima de suas posses. A seguir, algumas idéias para grandes comemorações, segundas luas-de-mel ou para simplesmente chutar o balde:

Dê a volta ao mundo. A passagem custa menos do que você imagina – 3.000 dólares em qualquer uma das alianças internacionais de companhias aéreas. Monte um roteiro que não exija deslocamentos suplementares por terra, inclua paradas na Ásia (onde, com exceção do Japão, o real vale muito), e a diferença de preço com relação a uma viagem convencional não será tanta.

Viaje no Orient-Express. Leve roupa de festa. "Você nunca estará exageramente produzido no Orient-Express", diz o folheto que vem junto com a passagem do trem mais célebre do mundo. Mas não vale a pena passar mais do que uma noite – as cabines não têm cama de casal nem chuveiro. A viagem mais romântica é a que vai de Veneza a Praga, três vezes por ano (em 2007, dias 18 de abril, 23 de maio e 26 de setembro), a US$ 1.600 por pessoa.

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Durma numa palafita chic. Quer realizar o sonho de passar uma temporada num bangalô construído sobre o mar? Se você comparar com os preços dos pacotes de réveillon nos resorts brasileiros de primeiríssima linha, já dá para encarar. Em agosto – alta temporada no Taiti – uma palafita no Bora Bora Lagoon Resort sai 900 dólares a noite. Aqui pertinho, em Bocas del Toro, no Caribe panamenho, há bangalôs sobre a água por 300 dólares, no resort Punta Caracol.

Cacife um chef seis estrelas. Por exemplo: Thomas Keller. Depois de criar aquele que é tido como o melhor restaurante dos Estados Unidos, o French Laundry, no Vale de Napa, Keller abriu uma casa em Nova York, o Per Se, e tornou-se o único chef não-francês da cidade a receber três estrelas no Guia Michelin. Para confirmar uma reserva é preciso ligar exatamente com dois meses de antecedência. Seu menu de nove micropratos custa 250 dólares por pessoa. Você pode? Aproveite antes que o real vire abóbora.

Hospede-se num Amanresort. Esta rede de pequenos hotéis sofisticados, nascida no Sudeste Asiático, inventou há vinte anos o conceito de luxo despojado. O melhor hotel de praia do Nordeste, o Txai, é confessadamente inspirado nos seus princípios. Quer experimentar o original? Em Báli as diárias começam em 700 dólares.

Vá à ilha dos paparazzi. Hotéis pequenos, praias lindas (com ou sem serviço de bordo) e mais bons restaurantes do que você pode experimentar em uma semana fazem de Saint-Barthélemy (St.-Barth, para os íntimos, ou St. Bart's, para os americanos) a ilha mais badalada do Caribe. Com o dólar a 2,10, St.-Barth está só um pouquinho mais cara que Trancoso no réveillon. O hotel do momento: Le Séréno.

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Volte à Inglaterra antes que seja tarde. Por mais valorizado que esteja, o real continua sem força para enfrentar a indômita libra esterlina. Se a Inglaterra se mantém proibitiva mesmo em tempos de super-real, o que será dos viajantes anglófilos depois que a maré do câmbio virar? Cometa essa extravagância enquanto é possível.

57 comentários

Arnaldo - FATOS & FOTOS de Viagens

Então tá...já que vocês insistem, vou fazer o "sacrifício"!

Carla
CarlaPermalinkResponder

Ô, Arnaldo, eu vou aproveitar então e fazer um pedido... Dia 22 próximo é meu aniversário e eu vou estar trabalhando... sad Então você viaja com a nobre missão de aproveitar por mim também, combinado?

Marcio
MarcioPermalinkResponder

Bom vou comentar aqui o que lí por aqui desde o começo do post e do dia.

Primeiro, Ricardo o post é um ótimo alerta. Concordo que devemos aproveitar o momento da moeda e estou fazendo isso e muita gente aqui também. Na próxima sexta-feira vou para Dublin ver de perto a festa de St Patricks e no fim do mês vou para Glasgow e Edimburgo.

Segundo, Arnaldo já ouvi muito esse negócio de "Vai viajar novamente? porque não compra um apartamento?" Simplesmente porque quero continuar viajando e não pagando prestação de apartamento. Cada um na sua. Outra coisa, tenho um amigo que sempre fala "Tem gente que gasta dinheiro com jogo, com mulheres, com carros, nós gastamos com viagem." Algo errado com isso? Não, né? A
Abs!

Abs! Marcio

Arnaldo FATOS & FOTOS de Viagens

Carla, desde já, FELICÍSSIMO aniversário! fechado, aproveito em dobro!

Marcio, é isso aí, acho que tudo na vida deve ter um objetivo e equilíbrio. eu já proporcionei à minha família (mulher e um filho) o necessário. Não falta conforto, não falta segurança e não falta nada material a eles. Nem a mim, tampouco. Mas, como vc. mesmo diz, pra que juntar um monte de patrimônio e dívidas pra deixar pros outros depois de morto?

Carla
CarlaPermalinkResponder

Marcio e Arnaldo, concordo plenamente com vocês! Acho que a gente tem que ter um mínimo de segurança para viver bem, sem se preocupar com moradia, saúde, estudo. Claro, cada um pode, se quiser, batalhar pra ter uma casa na praia, outra na montanha, dois carros, um barco, uma moto - tudo bem... Mas bem que as pessoas poderiam nos deixar em paz com a nossa mania de viajar em vez de querer que a gente faça tudo igual a eles... wink

Arnaldo, obrigada pela comemoração! Aproveite muito, muito, muito!!!

Thelma Polimeno

Prezados, uma pergunta para tempos de real fraco: indo para a Inglaterra em julho/ 2015, o que é melhor: 1) já levar libras esterlinas comprando antes aqui; 2) levar Euro ou 3) levar dólares??
Obrigada pela dica. Bjs. Thelma

A Bóia
A BóiaPermalinkResponder

Olá, Thelma! Libras. A cada operação de câmbio você perde dinheiro. Faça apenas uma: compre libras no Brasil.

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