Maravilhas do mundo moderno, safra 2006

Ricardo Freire
por Ricardo Freire

Não me lembro de já ter escrito aqui sobre esse tal concurso das 7 maravilhas do mundo que está rolando por aí. Sabe por quê? Porque eu acho esse negócio uma besteira, organizada por uma entidade sem lastro nenhum. E que, além de tudo, mistura monumentos de épocas e naturezas absolutamente distintas.

Para mim é óbvio que o Corcovado e a Torre Eiffel não pertencem à mesma categoria de Machu Picchu ou do Angkor Wat.

Sem falar que, no caso específico do nosso concorrente, eu acho que antes de gastar saliva e dinheiro para angariar votos para o Cristo, as otoridades tinham mais é que se concentrar na moralização para sempre do acesso rodoviário ao Redentor.

Bom. Mas o desabafo era só para introduzir uma outra lista de maravilhas modernas, que também não tem a menor importância na vida real mas que, mesmo assim, eu acho mais interessante.

Todo ano a Traveler americana elege as 7 maravilhas da arquitetura moderna do ano que passou. Nessa lista já estiveram, em anos anteriores, o Museu de Arte Contemporânea de Niterói e o Hotel Unique de São Paulo.

Esse ano a safra parece que foi fraquinha, porque o júri da revista só conseguiu identificar 5 maravilhas da arquitetura moderna em 2006.

Uma delas é praticamente uma homenagem póstuma: a Igreja de São Pedro, em Firminy-Vert, na França, um projeto deixado por Le Corbusier, falecido em 1965. (Minha opinião? Não precisava. Parece um abrigo antinuclear. Consegue ser mais feia até que a Catedral Metropolitana do Rio.)

As outras quatro:

- O Hotel Marqués de Riscal, em El Ciego, na Espanha, um projeto de Frank Gehry que é primo-irmão do seu museu Guggenheim de Bilbao (e que por sinal fica ali pertinho);

- O edifício Iceberg, em Tóquio, quartel-general japonês da Audi;

- O novo aeroporto de Bangkok;

- O multivolumoso Museu de Arte de Denver.

Vem cá: não é melhor a gente ficar brincando de pichar arquitetura moderna do que perder tempo discutindo se as estátuas da Ilha da Páscoa são mais ou menos importantes do que o Taj Mahal?

13 comentários

Alessandro
AlessandroPermalinkResponder

Noss'sinhora... Cada coisa feia!!!! grin

Daniela Siqueira

A vantagem de listas - qualquer uma - é que abre uma discussão. Mas que eles comparam maçãs com patos, isso comparam.

Jurema
JuremaPermalinkResponder

Eu ADORO listas, pareço o personagem do Nick Hornby ("High Fidelity"): os "cinco melhores" de tudo... Tenho várias listas das diversas viagens. Mas eu separo por categorias bem específicas: melhores igrejas de tal país, melhores refeições baratas, melhores museus de arte (e também "melhores museus que não de arte"), cidades grandes, cidades pequenas, praias... Sempre que a "enquete da semana" pedir esse tipo de lista, eu devo ter uma pronta! E comparar mçãs com patos também faz parte da diversão...

JB
JBPermalinkResponder

Eu tb devo admitir que gosto muito de listas, inclusive tinha a intenção de fazer um blog só com elas. Acho que elas provocam algumas polêmicas, mas quem não gosta de uma (polêmica ou lista?)

Ricardo Freire

Jurema e JB, eu também adoro listas -- tanto que estou aqui transcrevendo essa da Traveler, que é fútil "no úrtimo".

Só não dá pra levar a sério e envolver o governo e a auto-estima nacional nessa eleição picareta pela internet...

Emília
EmíliaPermalinkResponder

Mais uma que pensou no Alta Fidelidade...atire a primeira pedra quem não tem as suas listinhas de preferidos!
Mas essa lista de maravilhas (!?) arquitetônicas dá o que pensar...o Le Corbusier realmente não foi feliz nessa...não aparenta ter nenhum clima de igreja. Já do Iceberg eu gosto. E o Marques de Riscal poderia ser o melhor da lista se...já não existisse o Guggenheim, me parece mais do mesmo.
Agora, vamos combinar: arquitetura moderna seeeempre vai dar o que falar. É só lembrar das obras do Niemeyer, para ficar aqui no Brasil mesmo. Vocês se lembram de quando o Memorial da América Latina foi inaugurado?

GiraMundo com Jorge Bernardes

Acho que a Traveler vai ter que rever a periodicidade dessa lista. Anualmente dificilmente terão 7 maravilhas da arquitetura dignas de menção.
Eu olho as listas como um passatempo. Sem fazer muitos julgamentos. Normal, difícil deixar uma lista passar despercebida.

Esse Marques de Riscal não me agradou muito. Eu tinha visto uma foto dele numa revista e achei que distoa muito do ambiente natural tão legal onde está localizado. Esse tipo de obra combina mais em ambientes bem urbanos. Em áreas rurais, eu gosto do tipo de construção que não chame mais atenção do que a natureza que está ao redor. Também não foi nada criativo.

Marcio
MarcioPermalinkResponder

A discussão fica igual a de futebol quando um diz que um jogador é melhor que outro mas os dois jogaram em épocas e as vezes em até em posições diferentes. Mas que é gostoso é!!!

Leandro
LeandroPermalinkResponder

Concordo inteiramente, atrações como o Cristo Redentor, a Estátua da Liberdade e a Torre Eiffel e não deveriam nem concorrer, mas infelizmente as duas últimas deverão ser escolhidas por serem muito populares, só espero que nenhuma "verdadeira" maravilha fique de fora por causa delas. RJ.

Moniky Cruz
Moniky CruzPermalinkResponder

Nenhuma se compara a outra, as belezas são completamentes diferentes e na minha humilde opinião, nada se compara ao Taj Mahal e infelizmente o Corcovado é fichinha perto de todos que estão na lista...

Cristo Redentor and the New 7 wonders «

[...] Sim, o Ricardo Freire já disse que acha esse concurso uma besteira. Não acredita? Veja aqui. E ele tem sua razão. “… eu acho esse negócio uma besteira, organizada por uma [...]

BPM
BPMPermalinkResponder

7 razões para não votar:

http://www.naovotenocristo.com

Lian Robson
Lian RobsonPermalinkResponder

Creio que para os organizadores não importa realmente quem venceu esse concurso desacreditado.Não dão a miníma para a arte ou o que por acaso representa.Pela Internet;sem regras;sem padrões definidos e sem o aval da UNESCO.O Cristo Redentor é um monumento feito em moldes,é imponente pelo local que se situa e a figura que evoca,mas como arte dexa a desejar.

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