Obrigado, Filipe

Ricardo Freire
por Ricardo Freire

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Ontem o Filipe Archer deixou um comentário superinstigante no post dos Guias Visuais.

Eu dei uma respostinha rápida e metida a engraçadinha, mas fiquei embatucado com o assunto. Ainda bem que hoje era dia de crônica minha lá no Viaje Aqui. Filipe, obrigado pela provocação inteligente e por ter me inspirado a fazer uma coluna bacaninha. (Estava linkada, mas como o permalink não funciona mais, aqui vai a transcrição.)

Se informar estraga?

Eu estava procurando um tema para esta coluna, quando o assunto apareceu. O Filipe Archer, que eu não conheço pessoalmente, mas que sei que me lê há muito tempo, deixou um comentário instigante lá no meu outro blog:

"Depois dos agentes de turismo, depois dos guias impressos, depois dos pacotes, depois da internet…. Chegará o tempo em que no meio de tanta informação disponível o barato voltará a ser simplesmente ir, sem saber nada ou quase nada sobre o destino…. Sem desmerecer de forma nenhuma as dicas de viagens em qualquer mídia que seja, me parece que estamos nos distanciando daquilo que é a razão maior das viagens, o estranhamento e o descobrimento. Cada vez mais sabemos como vai ser quando chegarmos lá e de certa forma, já construímos o “lá”. Desculpem esse pequeno aparte. Consciência crítica de um viajante enfurnado. Abraços e boa viagem."

Respondi meio rápido, e com um chiste. Escrevi assim: Filipe, esse planeta de que você fala existiu de fato e era bem bacana, só que foi extinto mais ou menos em 1996.

O que eu queria dizer é que, na era da Internet, a desinformação simplesmente não é mais uma opção que conste do cardápio. As informações chegam até você mesmo sem você querer.

Mas não adiantou responder. O comentário continuava zanzando na minha cabeça. "Me parece que estamos nos distanciando daquilo que é a maior razão das viagens, o estranhamento e o descobrimento." Era uma ponderação para lá de sensata, que merecia uma reflexão e uma resposta elaborada, não uma simples frasezinha de efeito.

Querido Filipe, acho que você pode ter inventado um belo esporte radical com essa idéia de "simplesmente ir, sem saber nada ou quase nada do destino". Mas acho que isso só funcionaria com viagens totalmente no escuro. Ou seja: você só ficaria sabendo para onde foi depois que chegasse. (A National Geographic Traveler fez uma série de viagens assim com uma repórter. Foi bem divertido.)

Em viagens convencionais, nas quais você sabe para onde está indo smile acho a coisa mais complicada. Porque se você escolheu ir para esse destino, você de cara já sabe coisas demais sobre o lugar – pelo menos o suficiente para que ele tenha sido escolhido entre as 3.486 viagens que passaram pela sua cabeça.

Sim, é possível viajar sem guias e descobrir tudo por conta própria – desde que você tenha muuuuito tempo disponível. Dificilmente um guia, de qualquer das séries existentes, vai trazer uma informação do outro mundo que você não possa obter ao fazer os amigos certos ou perguntar para as pessoas competentes. O difícil é dispor desse tempo. Os guias são só o atalho.

Tem outra passagem muito boa no seu comentário. "Cada vez mais sabemos como vai ser quando chegarmos lá e de certa forma, já construímos o 'lá'." Perfeito. Só que eu acho que sempre foi assim; a diferença é que hoje temos mais fontes onde coletar essas informações. Lá em 98, quando eu era um reles publicitário metido a viajante – ou seja, muito antes de virar um reles blogueiro metido a guru – eu escrevi, no "Viaje na Viagem" derivado de árvores, um capítulo intitulado "A fascinante descoberta do conhecido". Ali eu já dizia que, por mais que digamos o contrário, viajamos tão-somente para confirmar a idéia pré-estabelecida que temos sobre o lugar que vamos visitar. Quando não gostamos de um lugar é porque ele não se enquadrou na idéia que levamos na mala. Quando um lugar supera nossas expectativas, é porque não se conformou em ser apenas aquilo que imaginávamos.

Você está certo: quanto mais a gente se informa, quanto mais planeja, mais a gente vai construindo o "lá" antes de chegar – e, provavelmente, mais essa construção vai se aproximando da realidade. Mas esse processo não precisa ter seu valor diminuído. O que fazemos é antecipar parte dos estranhamentos e muitas das descobertas para os momentos em que estamos viajando na poltrona ou no computador. Mas veja o outro lado: isso pode encher de estranhamento e descobertas dias absolutamente banais da nossa vida doméstica...

Não, uma viagem minuciosamente estudada não precisa ser nem previsível nem burocrática. Tudo vai depender do viajante. Você pode usar seu planejamento como uma coleira que vai evitar que você se perca. Ou você pode usar suas horas de viagem na poltrona e no computador como a base que vai dar segurança para você intuir os lugares certos para fugir ao itinerário. Eu acho assim: um bom planejamento faz com que você consiga chegar a um lugar já na fase 4 do videogame...

E, acredite: por mais que você estude um destino antes de viajar, quando você chega pela primeira vez o jogo sempre vai estar 10x0 para o local contra o visitante. Será que as coisas vão funcionar como eu estou esperando? Vou conseguir me comunicar com esses loucos que falam essa língua estranha? Vou ter coragem de experimentar essas comidas? 348 lempiras -- quanto isso dá em reais, mesmo? E mais essa: dá para confiar nesse cara aí ou ele vai me engambelar?

Não adianta – algum estranhamento, felizmente, é inevitável. E sempre vai ter alguma coisa esperando ser descoberta só por você.

50 comentários

Sylvia
SylviaPermalinkResponder

Tripulantes servindo de inspiração é tudo de bom!!

GiraMundo com Jorge Bernardes

E não é que o texto ficou legal. Parabéns Filipe!

Ernesto
ErnestoPermalinkResponder

Ricardo

Mas no tempo em que as informações eram mais limitadas, as vezes se entravam em roubadas, e com mais frequencia ainda, se deixavam de conhewcer atrações legais, isto sem contar com as dicas inesperadas, e conhecimentos novos, e mesmo novos amigos virtuais que já conheci neste blog. Achei a fislosofia do Felipe curiosa, e de uma nostalgia muito simpatica. mas sempre que quis ir para algum lugar, é porque já havia alguma informação, ou algo que tivesse me chamado a atenção do lugar.. do "suplemento de turismo" do Estadão, à antiga enciclopédia Bloch, vermelha, alguém teve?, ou um por ter visto na antiga National Geographic, no tempo em que só tinha em inglês, mesmo...

Carmen
CarmenPermalinkResponder

Filipe tu reflexión y la respuesta de Ricardo me han hecho pensar en Sthendal.

Sthendal escribió un diario sobre sus experiencias como "viajero" en Italia. Esa experiencia personal, que se verbalizó, cambió en cierto sentido el rumbo de los viajes. Abrió la puerta a un deseo de aventura y experiencias más universal (seguro que otras personas antes de Sthendal ya lo habían sentido, pero creó una nueva tendencia).

En Francia e Inglaterra, algunos viajaron tras la ruta italiana del escritor. Otros, simplemente, se plantearon viajar.
Sirvió de estímulo, de ánimo.

Filipe tu valoración es correcta, pero para muchas personas planear un viaje es el "aliciente", un viaje en sí mismo.

Carmen
CarmenPermalinkResponder

Socorro!, FIlipe es Stendhal se me coló la "h" a lo "inglés". A veces la dislexia tiene eso

Sylvia
SylviaPermalinkResponder

Ernesto , vc já ouviu falar da revista Life ( anos 60) ? Fotos maravilhosas, texto idem.Foi folheando estas revistas que acompanhei, ainda criança, o
translado de Abu Simbel e não descansei enquanto não fui lá ver com
meus proprios olhos. Para mim os desejos nascem com uma imagem, é dificel um texto apenas chamar minha atenção.

Carla
CarlaPermalinkResponder

As palavras do Filipe me fizeram lembrar daquele filme do Bertolucci, "O céu que nos protege" - vocês viram? Fiquei pensando naqueles viajantes meio aventureiros de antigamente, de uma época em que para viajar era preciso ter não apenas muito tempo livre, mas também muito dinheiro...

Acho que agora o mundo realmente "encolheu"... As viagens são mais rápidas e mais baratas, e poucas são as pessoas que podem (ou querem) ficar em uma mesma cidade mais de 1 semana. Acho que boa parte do romantismo e do senso de aventura se perdeu, sim, e isso dá uma certa nostalgia. Mas, ao mesmo tempo, será que não é uma nostalgia do que nem chegamos a viver?

Ih, será que virou papo-cabeça? wink

Usha
UshaPermalinkResponder

Embora ache que cada um tem um jeito de viajar e goste de coisas diferente, as dicas dos guias e da internet são fundamentais. Moro em Maceió há 10 meses e as dicas do Ricardo foram essenciais para viajar pelo nordeste, na verdade mais do que isso, até agora nenhum furo. Se não fosse por ele ia perder um tempão separando o joio do trigo das informacões de pessoas que não viajam muito. VALEU!

Arnaldo - FATOS & FOTOS de Viagens

Extremamente instigante a ponderação do Filipe, nos faz mesmo refletir sobre o assunto. Já se disse tudo aqui acerca dele, especialemnte lá na "filial" do VNV. Mas eu discordo desse pensamento, ainda que tenha sido uma das coisas mais "diferentes", incomuns e arrebatadoras do nosso modo de pensar que eu já li por aqui nos últimos tempos. Mas discordo, "infelizmente", mas dicordo.

Para que não precisássemos saber NADA acerca do destino que escolhemos, seria preciso ficarmos ao menos um tempo muito longo nele, vivermos lá como locais, assumindo, sem perceber, a cultura do lugar como se fizéssemos parte dele.

Todavia, uma viagem dura sete, doze, vinte dias, na média. E passa por três, quatro, cinco cidades.

No meu entendimento, não há nada melhor do que viajar conhecendo antecipadamente um pouco da cultura, da história e dos costumes dos lugares que visitaremos. É a maneira mais eficaz de potencializarmos os prazeres de uma viagem.

Quando as planejamos adequadamente, tudo tende a correr bem e as surpresas revelam-se agradáveis. Todo o nosso tempo é naturalmente dispendido em conhecer, ver, absorver e aproveitar.

Já o tempo gasto na resolução de contratempos decorrentes da falta de planejamento é tempo perdido, desperdiçado. Porisso, costumo dizer que programar uma viagem é quase tão bom quanto vivenciá-la.

É uma sensação de perda de dinheiro e tempo ir a um destino e ao chegarmos alguém nos eprguntar: "Caramba!, você foi a Barcelona e NÃO visitou o Museu Gaudi?!", e você descobre que ele ficava ali bem pertinho daquela rua pela qual você passava todos os dias....

No meu entendimento, viajar nçao apenas distrai, diverte, mas enriquece o espírito, aprimora a cultura e acentua a educação.

Conhecer outros países, cidades e povos amplia para o bem a nossa maneira de enxergar e compreender o mundo e as pessoas.

Viajando - e observando com sensibilidade o que vemos - vai tornando-nos mais complacentes, menos pretensiosos, deslimitando nossos horizontes e atenuando aquela tendência natural à pretensão e ao preconceito que (quase) todo ser humano carrega consigo. Especialmente ao julgamento do que veremos antes de vermos. (Eu me incluo na categoria dos ´quase todos´).

Ler, pesquisar, adquirir um pouco da cultura do povo do país ou cidade para onde vou, só me faz bem, ao contrário de parecer que engessa, imobiliza meu roteiro.

Não tenho dúvidas de que a melhor maneira de tirarmos o máximo proveito de uma viagem é preparando-nos com antecedência para aquilo que pretendemos conhecer. E são estes, precisamente, os objetivos fundamentais deste blog: auxiliar a quem pretenda fazer tal roteiro um dia.

Parabéns ao Filipe por sua fabulosa "tirada" que nos faz refletir e, a você, Riq, pela ainda mais fabulosa maneira de explicá-la, como sempre, com talento.

Rodrigo
RodrigoPermalinkResponder

Comunidade VNV: Não tem igual!

Entre o "saber" (gerado por tantas informações) e o vivênciar existe um grande hiato.

Filipe parabéns!

Gilberto
GilbertoPermalinkResponder

Acho que cada um tem seu jeito. No meu caso, a viagem começa no planejamento e termina na organização das fotos. Assim uma viagem de duas semanas fica com meses de duração. Curiosamente minha mulher pensa exatamente ao contrário: ela não quer ver nada antecipadamente, quer, segundo ela, "se surpreender com tudo, e não ficar só confirmando o que já viu em mil guias, internet, google earth, mapas, etc."
No nosso caso, fuciona super bem: ela sempre se surpreende (normalmente com o lado bom, já que eu "limei" antecipadamente o que poderia ser roubada) e eu curto os preparativos, o conhecer prévio, etc. Além disso eu acabo topando sugestões de última hora - puro instinto - dela. Acho que formamos uma boa dupla de pessoas complementares

Sylvia
SylviaPermalinkResponder

Gilberto, vc tem uma mulher que é clone do meu maridão.
Em mais de uma ocasião, no meio de um voo ouvi : estamos indo
para onde mesmo? e eu achava que era brincadeira...
E eu acho ótimo pois quem não estudou vê as coisas sob outro angulo,
e chama a nossa atenção para detalhes que poderiam passar despercebidos por quem planejou.
Cambio ,transporte local e alimentação são as tarefas das quais eu
nem tomo conhecimento ; e ai reside o meu descanso mental e as
maiores surpresas pois ele se informa no local e é sempre gooool .

Diogo
DiogoPermalinkResponder

Cara, sabe que hoje no almoco a minha mae comentou alguma coisa nesse sentido, que ha tempos atras, quando bateu uma loucurinha nela, ela resolveu passar um tempao no oriente e foi deixando as coisas acontecerem, ate que foi parar em Laos, Cambodia e Thai, sem nenhuma informacao maior, sem nenhum contato, sem nem mesmo saber como foi parar ali, e as coisas aconteceram tao maravilhosamente bem pra ela que acabou conhecendo as imagens mais lindas que viu ate hoje. Ate parece aquela vibration que tao famosa "lei da atracao", que se estamos com a alma branca, sem nada de mal, so pensando o bem, e procurando o bem, as coisas sempre conspiram ao nosso favor...

Eduardo Luz
Eduardo LuzPermalinkResponder

Eu concordo com o Gilberto. O formato de viagem e preparação dele é bem próximo do meu. Ou seja, eu sou o ¨chato¨que pesquisa tudo desde o embrião e minha esposa e minha filha vão sem saber quase nada do lugar mas ao mesmo tempo, já tiveram (ou teriam) uma censura prévia, se é que podemos chamar assim. E teriam porque quem é que diz que os planos acabam dando completamente certos ? Quantas vezes eu pesquisei tudo o que era possível, entrei no google, tripsearch, no fodors, no frommers e em tudo o que era possível e mesmo assim, o restaurante era muito ruim ( ou a comida não era do jeito que nós gostávamos) ou estava fechado ou em reforma ou (já cheguei a ir em um) estava simplesmente fechado.E o hotel ? Os quartos são lindos na Internet mas ...
E pra mim ( respeito a opinião de todos) a viagem realmente começa na ideía, na pesquisa, na busca por informações e continua quando chego ao lugar já com uma noção considerável do espaço, da língua, do clima. E eu levo guias, folhas de revistas, cópias da Internet ( VnV e etc) e vou descartando o ¨excesso¨de bagagem por onde vou passando. Já cheguei até a pensar que deve ser bastante interessante pra algum empregado de hotel achar estes papéis escritos em português e tentar descobrir o que está escrito ali !
Na verdade, eu não me considero mais um descobridor de lugares mas sim uma pessoa que gosta muito de toda a expectativa que pensar em ir a um lugar novo e (apesar de todas as pesquisas e guias) desconhecido me dá. De qualquer maneira, Filipe, valeu pelo que o teu comentário me fez pensar e depois de tudo, continuar achando que o meu formato é o mais se encaixa em tudo o que eu quero de uma viagem!
Riq, pra variar, o teu texto e idéia continuam soberbos!!! ( com tres exclamações e tudo).

Diogo
DiogoPermalinkResponder

Riq, me diz o teu e-mail novo entao, porque o que eu te mandei pro ricardo@freires.com.br acho que nao foi.

Ou me manda tu um que eu respondo (diogocs@terra.com.br).

Falei pra minha mae de ti agora e ela falou que ja te entrevistou, e que te conhece ha um tempao.

Abracos.

Diogo
DiogoPermalinkResponder

Ah, e mudando de assunto, acabei de ver o ultimo filme do Woody Allen e eh imperdivel. Alem do que, novamente, se passa em London!!!

Nao percam, serio mesmo...

Cássia
CássiaPermalinkResponder

O inesperado é fundamental, mas, se eu não desenhei minimamente o "lá" na minha cabeça, não tenho por que querer ir. Costumo fazer muitos planos quando vou para destinos desconhecidos, mas gosto mesmo é de ir para lugares que já conheço pessoalmente, porque daí fica mais fácil simplesmente se deixar levar...

Ricardo Freire

Gilberto: genial
smile

Diogo: realmente o teu email não chegou, ou deve ter ficado em algum filtro do antispam do Uol. Meu melhor endereço é xongas arroba gmail pont com. Mas vou te mandar um email anyway.

Fran
FranPermalinkResponder

Eu já tinha tido esse mesmo sentimento nas duas últimas viagens que fiz. Até as fotos eu sabia em que lugares estratégicos teria o melhor ângulo...
Confesso que sofri uma pequena decepção em não ter descobertas.
Mas tb não resisto a procurar o máximo de informações. Da próxima, vou só com o básico para não me perder, sem olhar muitas fotos...

Leandro
LeandroPermalinkResponder

Isso me lembrou de um lugar que eu gostaria de conhecer, o Butão, sei que é um país de paisagens muito lindas e quase totalmente desconhecido (e que estranhamente tem Amnresorsts), e que deve ser um lugar que, por mais que você pesquise, quando chegar vai parecer que "caiu" em outra civilização. Tem outros países que se encaixam nesta categoria de destinos que, por mais que a pessoa pesquise, é impossível saber o que esperar.

Sylvia
SylviaPermalinkResponder

.. "impossível saber o que esperar" = India

Diogo
DiogoPermalinkResponder

Riq, li o teu comentario no meu blog...

Amanha te mando um e-mail novamente entao, ok?!

Um grande abraco, Diogo.

Hugo
HugoPermalinkResponder

Eu não posso viajar tanto quanto queria e por isso aproveito para viajar na viagem dos outros. Às vezes, para mim, tão bom quanto ir em um lugar diferente é ficar naquela expectativa da ida e passar alguns meses estudando e me divertindo com o que vou encontrar.

Ontem mesmo estava com minha esposa conversando detidamente sobre a viagem que queremos fazer para Noronha no final do ano. Com base nas informações que obtivemos aqui no VNV nos divertimos muito e passamos momentos que considero imprescindíveis para quaquer viagem: a preparação e a curtição do "pré-viagem".

Inclusive, em breve, sem mover sequer um único dedo para fora da cidade onde vivo, estarei indo para a África do Sul (não é mesmo Arnaldo!!!!!). E confesso que curto muito tudo isso.

Arnaldo FATOS & FOTOS de Viagens

É Hugo, você é o convidado de primeira hora e será muito bem-vindo. Só não me responsabilizo se algum leão resolver escolher você como refeição do dia....

Mas, falando sério, pretendo compartilhar muitas informações fundamentais para quem pretende fazer um safari fotográfico na África (seja a do Sul ou noutros países), especialmente o que levar, quando ir, como proceder, cuidados indispensáveis (região de alto indice de incidência de malária), onde ficar, como ir, limitações de bagagens, o que levar na bagagem e o que deixar, enfim, tudo aquilo que é importante (pra mim é fundamental!) ler ANTES (só viajo pesquisando bem, antes, o que vou encarar a fim de me preparar) pra não se aborrecer DURANTE e ter contratempos DEPOIS.

Obrigado, Hugo, e grande abraço.

Arthur
ArthurPermalinkResponder

E o Ricardo tem uma biblioteca completa de guias derivados de árvores smile

Ricardo Freire

Como você acha que a Amazon.com se tornou esse império que é hoje, Arthur? Jeff Bezos só não veio até aqui me agradecer pessoalmente porque ficou com preguiça de tirar visto pro Brasil smile

Miguel
MiguelPermalinkResponder

E porque dois iguais de Amsterdã, Ricardo ? Deve ser um de back-up de emergência, certo ?
Eu me encontro justamente cozinhando minha viagem pra Europa. Um dos destinos que estou preparando com mais cuidado é justamente Amsterdã. É bem fácil se desorientar por lá e perder um bom tempo se achando. Ruas de nomes impronunciáveis que dão voltas, canais quase idênticos...fora uma estranha síndrome de deficiência de atenção, alteração da percepção do tempo e diminuição da capacidade de orientação que me acomete quando estou em solo holandês. Deve ser a maionese da batata frita...Nestas situações, um caderninho e um bom mapa com restaurantes selecionados*, bares e demais locais de interessse vale ouro.
E comigo, pelo menos, não tem erro. Sempre tem espaço pra imprevistos e situações pitorescas. Meu avô já dizia, não tem viagem sem mico. Mesmo porque traçar o caminho e não pisar fora da trilha é mutio chato.

* Do excelente Iens http://www.iens.nl

Filipe
FilipePermalinkResponder

Estou pasmo. É só eu me ausentar dois dias e quando entro encontro meu nome na manchete!!! Hilário. Agradeço a todos pelos comentários e elogios e em especial ao "comandante". Só para esclarecer: eu também sou viciado em programar as viagens. Leio tudo sobre o destino, consulto guias, sites e o que vier pela frente. Não penso que quem faz isso esteja errado. Só que existem várias viagens possíveis e todas, mesmo aquelas que dão errado, são positivas. Quando eu escrevi aquele post de certa forma escrevi para mim. É muito bom quando somos todos certinhos, metódicos, programados que as coisas saiam (de vez em quando) do previsto. E de certa forma para que isso ocorra é preciso que quando organizemos as nossas viagens lembremos de deixar aquele tempo (precioso) livre, para ficar por conta do a toa, ou melhor do acaso. Um pouco de indeterminação é sim essencial. Se vocês pensarem bem, quando voltamos os momentos mais engraçados das viagens são aqueles em que nós simplesmente ficamos sem controle. Essa tensão entre o previsto e o imprevisível é o que nos lança às viagens. Perder-se para se econtrar. Muito obrigado a todos que fazem deste o melhor blog do país. Abraços e boa viagem.

Daniela Siqueira

Gilberto e Sylvia: o meu marido é igualzinho. Ele mantém o estranhamento e descobrimento de um lugar simplesmente deixando eu arrumar tudo, e fica igual criança quando chegamos: então a gente vai nesse lugar? Que legal! E depois: Você sabia que aqui tem ___ (o melhor museu, o palácio mais antigo, o passeio mais legal)? (resposta: dãh! wink ) E nós vamos lá amanhã? Que ótimo!

Eu acho mesmo que o turismo-aventura, descobrimento mesmo, já não é mais possível hoje em dia. Não que seja ruim: o planejamento estiiiiiiica a viagem, que passamos a curtir com antecedência; é diferente.
Turismo igual o de Washington Irving, que "descobriu" a Alhambra em Granada, abandonada e cheia de ciganos, e a revelou para o mundo (ou pelo menos para os turistas ingleses), não existe mais. Imagino o encantamento de achar um palácio onde ninguém achava que tinha nada, ter o lugar só para si... Hoje, seria impossível - nesses tempos de globalização e GPS, acho que não existe quase mais nada a ser "descoberto" (e isso é triste). Mas ao mesmo tempo, ainda bem que não estamos mais no tempo de viagens a cavalo intermináveis, sem acomodações, sem banheiros (ergh!), sem poder mandar notícias pra casa. Trocamos o romantismo pela praticidade. E como não tem jeito de voltar atrás, o jeito é aproveitarmos a modernidade dos meios de transporte/comunicações (e banheiros! banheiros!) e fazer as melhores viagens possíveis.

Felipe: faça assim: arranje alguém que goste de planejar, procurar informações, escarafunchar o assunto. E entregue para essa pessoa programar a viagem (se você tiver confiança, pode fazer igual àqueles programas que a pessoa nem sabe para onde está indo - só providencie seu passaporte). E surpreenda-se quando chegar no lugar - com hotéis marcados, programas planejados... É o melhor de dois mundos!

Ricardo Freire

Filipe, que bom que você leu (eu já estava quase mandando um email com um link...)

Miguel, os guias repetidos são de EDIÇÕES diferentes! De Amsterdã eu tenho um com preços ainda em florins e outro em euros... e os dois desatualizados... e o que é o pior de tudo: mesmo com dois guias da cidade, EU NÃO FUI PARA AMSTERDÃ nesse tempo todo!

(Felizmente o desenvolvimento da Internet fez sossegar minha compulsão por comprar guias. Trata-se de uma coleção cara e que, à diferença de todas as outras, vai perdendo o valor com o tempo!)

Sylvia
SylviaPermalinkResponder

Ric , precisamos dar um jeito de embarcar vc para a Tailandia e
Holanda ; prometo que mantemos o blog funcionando.
Garanto que vc vai adorar Amsterdam , a-do-rar de verdade !

Ricardo Freire

Sylvita, ir eu já fui, e adorar eu já adorei; o problema é que as últimas vezes foram em 88 (Amsterdã) e 92 (Tailândia)...

Sylvia Lemos
Sylvia LemosPermalinkResponder

Ric , não mudou muito em 20 anos (AMS), estive lá a primeira vez em 69 e achei igual as outras vezes ; e deve ter
mudado demais em 15 anos(BKK) sem falar no litoral sul que
é de babar de tanta beleza e diversidade.

Diogo
DiogoPermalinkResponder

Riq, amster eh de chorar de tao lindo... o citytour de barco pelos canais eh magico! mais pela passeada nos canais do que pelo proprio sightseen, mas eh mto bacana!
E, por sinal, o melhor albergue que em conheci foi o de amster, no coracao do vondelpark, super bem localizado.
Mas em materia de hoteis, amster esta super por cima! Todo mundo que se hospeda fala maravilhas, principalmente os de frente para o canal, que a impressao que da eh de que estamos num barco!
OBS: to respondendo o teu email, hehehe!

Miguel
MiguelPermalinkResponder

Nossa, se o Ricardo for para Amsterdã vou até conseguir inverter os papéis e dar dicas ao invés de receber...
O Euro foi ruim para nós mesmo, estive lá duas veze, antes e depois da nova moeda. A inflação foi braba!
E o albergue do Vondelpark é mesmo top Diogo, fiquei lá da primeira vez (em 96). Só que hoje, além de lotado, tem preço de hotel quase (acima de 30 euros).

Ricardo Freire

Sylvia, nunca fui à praia na Tailândia. Queria muito estudar aquele litoral, até mesmo para ver o que a gente pode aprender (ou não) com o que é feito por lá...

Arnaldo FATOS & FOTOS de Viagens

Riq, em minha viagem de outibro a Tailândia e Cingapura, terminarei em Amsterdam! Já conheço a cidade holandesa (fui apenas UMA vez, em Marçode 1.994) e gostei bastante, mas pretendo revê-la agora (em outubo), 13 anos depois. Já Bangkok e Cingapura serão novidades que já "conheço" bem das dicas suas, do Rodrigo e da Sylvia. Viva o GUIA VNV e seus tipulantes!

Carla
CarlaPermalinkResponder

Gente, em termos de esticar uma viagem, eu sugiro que, além de planejar com antecedência, vocês escrevam um blog sobre ela... wink Minha viagem de 10 dias ao Uruguai e à Argentina já está durando uns 6 meses!!!

Ricardo Freire

Carla:
smile
smile
smile

Rodrigo
RodrigoPermalinkResponder

Para a maioria dos países do Sudeste Asiático 15 anos é uma eternidade.

Fui a Tailândia a primeira vez em 1991, quando voltei 10 anos depois tinha mudado muito, tanto o caos da cidade como as pessoas. Essa tal de globalização....

Mesmo em Cingapura, houveram mudanças. O povo estava mais flexível, mulheres com decotes e sem tantas placas de multa na rua.

Acho que por isso gosto tanto de lá.

Tenho sempre a sensação que se voltar na Europa 10 anos depois quase nada mudou. O que é ótimo e um sinal de civilidade, além de me dar tempo para conhecer os países em mutação primeiro.

O Brasil mudou muito em 15 anos..Nem imagino o Vietnã daqui há 10 anos..

Riq, canta o pessoal da V&T para você fazer um especial sobre o Sudeste Asiático! Bom e Barato, do luxo ao mochileiro no mesmo lugar! Continuo me oferecendo para carregar as malas...

Sylvia
SylviaPermalinkResponder

Ric, eu não carrego malas , mas posso ser transparente.
Monto todo o roteiro e quando vc quiser falar eu respondo;
como diz o maridão, eu devo ter trabalhado na western union
numa outra " encadernação" rsrsrs
Acho que no sul da Tailandia é melhor de " copiar soluções"
do que em Bali , pois tem "uma cor local mais globalizada".
Pra não ter erro tem que ser na alta estação e fora dos fins de semana
e celebrações locais .

Claudio
ClaudioPermalinkResponder

Riq e tripulacao,
Como dizia aquela velha musica de Kid Abelha: "Conheco o mundo inteiro por cartao postal"...Estou planejando minha viagem ao redor do mundo ha 38 anos...Desde que nasci, desde a minha tenra infancia alimento este sonho...Li "Volta ao mundo em 80 dias(Julio Verne)", cinco vezes..Planejar detalhadamente? Claro que sim!!!!!! Pesquiso, pesquiso, compro, guias, DVDs , dicionarios da lingua estrangeira,ouco as musicas e vejo filmes por mais de um mes...Enfim, vivo a minha viagem(antes, durante e depois)...Quando aterisso no local quero apenas "confirmar" que o meu sonho valeu a pena...Em abril tem Barcelona e Paris pela primeira vez...Mas creio que conheco mais estas cidades que alguns moradores, unicamente, porque jah estive lah nos meus desejos(deja vu, quem sabe?)...
O melhor de tudo que participo do melhor blog da viagem do planeta que estah me ajudando a realizar tudo isto, fazendo-me acreditar que eh possivel ser um JULIO VERNE nordestino nos EUA...Valeu tripulacao!!!!!!

Sylvia
SylviaPermalinkResponder

Claudio:
Se ,e quando, quiseres o mapa do caminho para a volta-ao-mundo
é só chamar. Estou estudando e planejando faz um ano , se o teu
foco for o mesmo vai ser barbada.

Flavia Penido
Flavia PenidoPermalinkResponder

Bom...meu pais gostavam de "brincar de montar roteiros". Tinha um inclusive (é sério, juro) SPaulo - Los Angeles de carro. Então fui criada planejando viagens, "estudando" antes de ir. Mas muitas vezes, quando tava no lugar, me vinha aquela coisa "ah então tá é isso mesmo - bom, qual vai ser a próxima viagem mesmo?". Acho difícil achar um meio termo entre o saber tudo de um lugar (que se justifica pelo pouco tempo, e pela capacidade de "absorção" do lugar e das características, mas em compensanção perde-se no "elemento surpresa". Como eu gosto muito de viajar de carro (mesmo fora do país) o meu elemento surpresa fica nos "buracos" que deixo de propósito. Por exemplo: estou em Barcelona e tenho 10 dias para ir até Madri, final da viagem. Eu podia ficar mais em Barcelona, podia ir só um pouquinho, só um pouquinho mas...me deu 5 minutos e fui até Granada!!! Coisa de doidom eu sei, mas se eu não tivesse feito essa maluquice não teria conhecido nem Granada, nem Sevilha, duas cidades maravilhosas. Acho assim: é o máximo programar tudo, e com isso um pouco daquela coisa da "descoberta" vai embora mesmo. Mas também acho que devemos ter aquele desprendimento de, em 5 minutos, decidir ficar um dia a mais aqui, reformular a viagem toda...enfim estar aberto para o que a viagem nos oferece...
Xiii...meio cabeça né?

Claudio
ClaudioPermalinkResponder

Sylvia,
Que maravilha saber disto!!!!!! Ajudaria muito saber o seu itinerario, uma vez que preciso de ideias brilhantes pra isto...Bota barbada nisto...Com certeza quero suas sugestoes...
Cheiro

Emiliano
EmilianoPermalinkResponder

Sobre o comentário do Felipe, tenho tentado "aprender e esquecer", ou seja, algum tempo antes de viajar pesquiso tudo, entendo o mapa, vejo os lugares, escolho restaurantes que gostaria de ir. Depois paro de pensar nisto. Ao chegar ao lugar, se misturam as surpresas com aquelas referências, que surgem filtradas pela memória e que passam a fazer sentido diante das situações reais.

Mona
MonaPermalinkResponder

Filipe, essas viagens é tudo que o meu marido mais deseja na vida. Assim ele me leva todo dia para comer no mesmo sef-service ou pé-sujo que aparecer pelo caminho e como não terei nenhuma informação, ainda vou agradecer, feliz da vida. Será que ele está certo?
Estou perdida, proibida de consultar blogs (só tem dicas de coisas caras), tenho que entrar anonimamente e não comentar nada em casa. Que momento desestimulante, preciso virar esse jogo...

Sylvia
SylviaPermalinkResponder

Claudio, se vc não sabe ainda o que fazer, compra na internet
o melhor livro sb o assunto:
Rough Guide : First Time Around the World
Vale a pena ,vc economiza muito tempo com ele em mãos.

Livro de mochila » Viagem experiência rumo ao desconhecido?

[...] algumas conversas reais e outras virtuais instigadas pelo Ricardo Freire, principalmente se informação demais poderia estragar uma viagem, então tive algumas idéias alternativas para tornar uma viagem diferente e mais emocionante, para [...]

Diego Dotta
Diego DottaPermalinkResponder

Capitão, incentivado por você, os tripulantes desta conversa e pela filosofia do filipe, resolvemos tentar fazer uma viagem experiência, tentando provar que viajar sem planejamento e informações sobre o destino também pode dar "certo".

Fiz um pequeno "relato" do espírito de viajante não-informado e das experiências, depois veja se ainda tenho futuro neste tipo de viagem, hehehehe...

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