A Rita

Ricardo Freire
por Ricardo Freire

Minha crônica de hoje no Guia do Estadão.

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Sabe quando uma cidade decreta feriado, fecha o comércio e chama a melhor cantora do lugar para dar um show em praça pública em sua homenagem? Aconteceu comigo. Em São Luís do Maranhão. Me lembro muito bem: era o dia 8 de setembro de 2005.

Quer dizer: oficialmente (para eu não ficar me achando), o feriado, o comércio fechado e o show de Rita Ribeiro eram por conta do aniversário de São Luís – que, para sorte dos ludovicenses (eu também não conhecia a palavra antes de desembarcar por lá), todo ano emenda com o feriado da Independência.

Mas eu sabia muito bem que era por minha causa. Veja bem: eu estava namorando aquele show de Rita Ribeiro, "Tecnomacumba", havia mais de dois anos. Nunca tinha conseguido ir ao Rio nos dias em que era apresentado – normalmente, no meio da semana no Teatro Rival. Quando o show veio a São Paulo, em 2003, num Sesc, eu não estava aqui. Se veio outras vezes, não fiquei sabendo – faltou algum fã como eu escrever uma crônica sobre o assunto na última página de algum guia da cidade.

Como se explica, então, que, ao descer do avião em São Luís, eu compre o jornal local e descubra que justamente o show que eu mais tinha vontade de ver nos últimos dois anos e tralalá seria apresentado de graça, em praça pública, naquela noite? Claro que era aquele fuzuê todo era para mim.

A apresentação de Rita Ribeiro estava programada para abrir a noite; o show principal seria de Elba Ramalho. Você pode dizer que a prata da casa sempre é menosprezada, mas eu sei que a razão de Rita vir antes de Elba era outra: a prefeitura sabia que a minha viagem tinha sido cansativa, então pôs Rita logo para começar.

O show foi tudo o que eu esperava e um pouco mais. Só clássicos da MPB que dialogam com o universo do candomblé e da umbanda, deliciosamente repaginados. Tem muita Clara Nunes, um Ben Jor, um Gerônimo, um Caymmi, até um Gil que eu pensei que ninguém mais conhecesse ("Babá Alapalá", do primeiro disco de Zezé Motta). Mas se você fizer uma cassete, digo, um CD, quer dizer, um iPod com as gravações originais, vai preferir a sonoridade pop de Rita.

No início do ano finalmente "Tecnomacumba" saiu em CD. E agora, nesse fim de semana de São Jorge, Rita Ribeiro finalmente volta com o show a São Paulo. Ela se apresenta sábado e domingo no Sesc Pinheiros. E olha só que coincidência: justo na semana que tem um fã dela escrevendo na última página de um guia da cidade.

Ih, acho que dessa vez o show é para você.

10 comentários

Moniky Cruz
Moniky CruzPermalinkResponder

Legal!!!!

Lena
LenaPermalinkResponder

Só eu sei como foi difícil conseguir uma gravação de "Cocada"!!! Só nos CD's da Punto Mayo...

Lena
LenaPermalinkResponder

Ah!! Thanks por avisar smile

Ricardo Freire

Lena, tem "Cocada" de novo nesse CD. Com um ponto de candomblé para Cosme e Damião na abertura...

Lena
LenaPermalinkResponder

Ai, Cosme e Damião!!! São os santinhos do meu dia!!!

Emília
EmíliaPermalinkResponder

Eu ouvi apenas uma música desse CD dela, mas deu vontade de conhecer mais.
Ontem, aliás, fui ver um conterrâneo e amigo dela, o Zeca Baleiro, lá no Sesc Pompéia. Show super divertido, o Zeca é demais smile

Mô Gribel
Mô GribelPermalinkResponder

Riq, passei uma situação bem parecida com essa sua, quando prepararam o show 'só porque vc estava chegando'. smile
Fui passar o ano novo em Bs As, sozinha. Perguntei a um motorista de taxi (por pura sorte e porque ele era uma simpatia!) para onde eu poderia ir ver alguns fogos, pois eu não estava muito a fim de ficar no hotel.
Ele me disse: por que não vai para o Obelisco? Daniel Baremboim, o maestro que mora na Alemanha, fará um conserto de tangos ao vivo, com a filarmônica do Teatro Colon. Eu pensei: ele só pode estar brincando! Eu não teria tanta sorte assim!
Então, eu fui. E foi a noite de ano novo mais linda que eu já vi. E eu tenho certeza wink que eles prepararam porque sabiam que eu estava lá. smile

Meilin
MeilinPermalinkResponder

Realmente,Riq, o show da Rita Ribeiro foi um dos mais lindos de 2005, todo mundo levantou e pulou ao som dos "atabaques eletrônicos", a vibração da música tomou conta do teatro e a iluminação dava aquela sensação de estar num outro plano astral. Alguns atrevidos filmaram e puseram na rede, mas sem a qualidade que se percebe no CD, lançado pela Biscoito Fino ano passado. Invejinha dos paulistanos...ainda bem que hoje tem Naná Vasconcelos & Virgínia Rodrigues pra eu me consolar...Beijins musicais

Flavia Penido
Flavia PenidoPermalinkResponder

Ricardo, acredita que eu comprei o CD semana passada? Sexta quando li sua coluna no Estado amei a dita cuja...
Vcs ouviram a versão dela de "Banho Cheiroso"? Tá numa dessas seleções da Putumayo...Vale a pena...

Carmem
CarmemPermalinkResponder

Olhaí! Velhos amigos... Eu sigo a Ritinha desde sempre. Adoro!

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