O turista nunca-chega

Ricardo Freire
por Ricardo Freire

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Este texto foi escrito originalmente para o portal ViajeAqui. Mas como o permalink se perdeu, aqui vai a transcrição na íntegra:

Dentre as 365 receitas clássicas de bacalhau que os portugueses dizem ter inventado, a que tem o nome mais divertido é a do "bacalhau nunca-chega". Reza a lenda que o rei Carlos I, ao ser apresentado ao prato (que leva batata palha, presunto, ovo e cebola, e pode ser saboreado nos restaurantes Antiquarius e A Bela Sintra), teria gostado tanto, que não parava de repetir.

O nome desse bacalhau me inspira a falar sobre um disfunção que costuma acometer os turistas de nosso tempo. Eu chamo esse problema de o nunca-cheguismo.

O nunca-cheguismo se caracteriza pela incapacidade do viajante decretar que já chegou aonde queria.

Nananina: o turista nunca-chega jamais se dá por satisfeito ao pisar no lugar (país, cidade, praia – você decide) onde chegou. Imediatamente depois de cruzar a linha de chegada, ele já está pensando: e agora, aonde posso ir?

Porque, veja bem – é tudo tão perto, entende? Pra que esperar pela próxima se eu posso ir agora? Já que eu vim até aqui, por que não ir até ali? Fulaninho falou; deu no jornal; ei! mas conheço esse nome, preciso dar um pulinho.

O nunca-cheguismo também poderia ser chamado de turistexia, porque é parente da anorexia e da vigorexia (a malhação obsessiva dos hiperbombados). Não adianta você dizer para a pessoa turistéxica que se ela vai passar três dias em Barcelona é bobagem pegar um avião e farofar em Ibiza (e que se ela varar a noite em Ibiza, vai perder outro dia em Barcelona). Que não dá para fazer todas as cidades medievais dos arredores de Madri em um dia. Que ver ou não ver de perto a sacada da Julieta em Verona não muda a vida de ninguém.

O turista nunca-chega não ouve nada disso. Ele tem certeza de que o maratonista curte tanto a paisagem quanto o andarilho. E que todos aqueles aconselham a curtir o lugar aonde chegaram antes de partir para o próximo são uns despeitados que têm inveja de seu fôlego atlético-turístico.

Mas eu não deveria reclamar.

Devo aos nunca-chegam a tranqüilidade e a preservação da praia mais bonita do Brasil – o Sancho, em Fernando de Noronha.

O turista nunca-chega jamais se submete a descer a escadinha dentro da fenda, mais os cem degraus esculpidos na pedra, que levam até a areia. Eu sei: tem quem não desça por ter claustrofobia, ou por não estar em boa forma física. Mas o nunca-chega não desce porque não tem tempo. Está fazendo o tal "ilha-tour", um passeio espetacular em que você "conhece" dez praias numa saída só.

No dia seguinte, quem diz que o nunca-chega volta à praia mais bonita da ilha? Que é isso. Ele já foi, não precisa mais ir. Melhor ficar duas horas na fila da porteira para a piscina natural da Atalaia.

Enquanto isso, lá estou eu, no Sancho, com aquele praião maravilhoso só para mim – e para os outros gatos-pingados que, como eu, decidiram que já chegaram.

:roll:

45 comentários

Lena
LenaPermalinkResponder

Ahhh, turistexicos!!
No meu caso, peguei o Sancho lotado... de golfinhos lol e gente alucinada, berrando dentro d'agua com eles, e os guias surtando , para que ninguem se aproximasse!!
Eu chamo isso de sindrome do "Qual é o próximo brinquedo?"

Filipe
FilipePermalinkResponder

Mais um dos infindáveis mistérios do universo. Nunca entendi aquelas pessoas que voltam das viagens mais cansadas do que foram. Para mim, exceção feita as viagens de trabalho, viajar é sinônimo de descansar. O corpo e a mente. Horário e compromisso eu tenho de segunda a sexta de 8 as 18. Fora isso é devagar, devagarinho... Abraços e boa viagem.

Hugo
HugoPermalinkResponder

Hoje eu já não surto mais como antigamente. Prefiro ficar mais tempo em um lugar e curtir o que ele tem de melhor.

No entanto, ainda não cheguei num estágio evolutivo tão avançado que me permita viajar para ficar 1 semana numa cidadezinha do interior e gostar disso. Eu prefiro ir, passear, descansar e em seguida rumar para outro destino.

No meu caso, como regra, 3 ou 4 noites em um lugar são suficientes para curti-lo com calma.

Carla
CarlaPermalinkResponder

Hummm... Esse assunto dá o que pensar... Às vezes acho que os turistéxicos são engraçados - percebo claramente que essa vontade de ver tudo de uma vez tem a ver com o fato de que eles acreditam que ou vão e vêem agora ou nunca mais vão ter a chance... Outras vezes fico meio irritada, como quando ouvi "não sei que graça você vê em Buenos Aires". dito por alguém que cruzou a Recoleta de táxi a caminho do aeroporto e acha que conheceu... Ou outro clássico: "Londres não tem nada", depois de 2 dias dentro de um ônibus de excursão... Analisando os meus hábitos, acho que eu sou o oposto do nunca-chega, porque gosto de escolher poucos lugares de cada vez para poder saboreá-los melhor... Sabe o que me dá um prazer danado? Ser capaz de ensinar o caminho, ou indicar que ônibus pegar em uma cidade onde eu sou tão turista quanto quem perguntou - apenas uma turista mais em casa, mais à vontade...

Mas, Filipe, eu sempre volto das viagens com o corpo mais cansado do que quando eu fui... wink Sou inquieta, dinâmica, hiperativa, não tem jeito... Descansar pra mim é tortura!!! Mas estou aqui me consolando pensando que a cabeça, sim, volta bem descansada - então não devo estar dando nenhuma mancada, não...

Majô
MajôPermalinkResponder

Concordo com a análise da Carla sobre os turistas que duvidam se terão uma nova chance de voltar depois, num país com tantas incertezas e planos econômicos.

Pessoalmente, cada vez tenho mais prazer em permanecer mais tempo no mesmo lugar e, como a Carla conhecer tão intimamente a cidade, a ponto de ser capaz até de ajudar alguém com dúvidas sobre melhores trajetos, linha de ônibus, metro, etc

Mas, tenho um causo concreto do que é conviver por algumas horas com um turista hiperbombado. Ano passado, em estadia no Toque, tratamos de véspera um passeio com o Amaro ao rio Tatuamunha para ver o peixe boi. Quem conhece sabe que lá por aquelas bandas, ninguém tem pressa, é stress zero.
Para surpresa nossa, o barco saindo eis que entra um casal com 2 filhinhos que tb estavam na pousada. O cara era absurdamente acelerado. Pra terem uma idéia, ao invés de sentar no banquinho da jangada, ele resolveu ir do lado de fora correndo, segurando no barco e batendo com os pés, espirrando água pra cima da gente. É isso mesmo que vocês leram. Percebendo que nós não estávamos achando a menor graça, a mulher sorrindo amarelo, tentou mais de uma vez com que ele viesse para dentro do barco. Ele argumentava que ela não deixava ele se divertir. A mala ou hiperbombado só entrou no barco quando não deu mais pé.
Chegando no rio Tatuamunha, o Amaro explicou que por norma do Ibama não era possível tocar no peixe boi, nem bater com as mãos na água para chamá-lo. O que aconteceu ? O hiperbombado ou turista mala, fez exatamente o que vocês estão deduzindo. Difícil a mãe convencer os filhos que não seguissem o exemplo do pai. Claro que o guarda do Ibama apitou chamando o barco do Amaro que teve que ouvir o maior sermão, sendo ameaçado de multa. Odiamos o passeio !! evil Fiquei com as piores lembranças do pobre do peixe boi.

Carla
CarlaPermalinkResponder

Majô, teria sido um sacrifício para mim não me meter... Sabe como é, né? Sou professora, estou acostumada a chamar a atenção de quem se comporta mal... smile

Majô
MajôPermalinkResponder

Carla,

Pois é, eu dei mil deixas, mas sem sucesso, em respeito à mulher e às crianças. E falei para o rapaz do Ibama que o barqueiro não tinha culpa. Mas, as crianças têm senso crítico, até elas no final deram um gelo nele....

GiraMundo com Jorge Bernardes

Eu preciso confessar: eu já fui turistéxico!!!!!!!!

OHHHHHHHH!

Sim, já fui. Acho que até os 25, 26 anos. Eu achava que nunca mais iria voltar a viajar e queria ver tudo, tudo de uma vez.

Aí, fui descobrindo que sim, eu iria continuar a viajar e tudo estaria lá onde quer que fosse.
Com o tempo, fui melhorando, hoje, aos 32, depois de muita terapia VNV, eu já não gosto mais de ficar uma noite só em cada hotel, de não poder ter tempo para comer bem e dormir bastante, etc. Isso vem com a idade. Estou recuperado!!!!

GiraMundo com Jorge Bernardes

Majô, eu confessei que já fui turistéxico sim, mas jamais nunca fui um MALA que nem esse que estava no seu passeio. Eu só fazia mal a mim mesmo smile
Esse cara não é turistéxico, ele é mala mesmo. EXTRAVIADA.

Majô
MajôPermalinkResponder

Jorge,

Pelas mesmas razões que você deu, eu já fui turistéxica, eu sempre tinha dúvidas se iria viajar outra vez. Tinha fome de ver tudo. ´

Igual a esse Mala EXTRAVIADA ou sem Alça, acho que não existe :roll:
E a mulher dele me disse que na véspera ele tinha ido de bicicleta do Toque até Maceió pra tomar café com a mãe, pode ? Sabe que fiquei com pena dela....

Hugo
HugoPermalinkResponder

Majô, que cara mais chato. A esposa dele deve ser uma santa, porque aguentar isso aí não é fácil.

Ele devia era ter ficado em Maceió com a mãe, ao invés de voltar para a Pousada e ficar enchendo a paciência dos outros.

Majô
MajôPermalinkResponder

Pois é Hugo, e a mulher dele era super simpática e calminha. Que carma, hem sad

Eu cheguei do passeio tão irritada, que só mesmo yoga com aquele por do sol lindo pra esquecer 8)
Reclamei com o Nilo que empurrou essa Mala Extraviada no nosso passeio.

Lena
LenaPermalinkResponder

Majo, lol

Majô
MajôPermalinkResponder

Lena,

Agora é :rol: , mas na hora foi evil

Majô
MajôPermalinkResponder

saiu errado é lol

Emília
EmíliaPermalinkResponder

Jorge, eu também tenho culpa no cartório, tenho meu lado turistéxico que já foi bem abrandado. A vontade é de fazer tudo, a curiosidade é enorme, mas me recuso a fazer as coisas com pressa ou só 'bater carimbo' em um lugar só para falar que fui. Gosto de curtir.
A minha solução é fazer sempre um bom planejamento dos meus dias antes, de modo que eu consiga aproveitar o meu tempo da melhor maneira. E sempre coloco prioridades: se não der para fazer o resto, eu já estou preparada e não fico chateada.
Eu sou bem agitada normalmente e não consigo ficar parada, então isso acaba refletindo nas minhas viagens: gosto de bater perna, passear, xeretar, visitar...acho que a Carla traduziu bem isso. Só agora estou tentando ficar mais sossegada e programar dias só de relax, sem fazer nada. Ir para um lugar de praia e descansar é algo que só comecei a fazer neste últimos tempos.
Será que sou um caso perdido? (risos)

Emília
EmíliaPermalinkResponder

PS: No Sancho eu também fui, fiquei, voltei...e fiquei lá até uma hora antes do meu vôo sair smile
Mas aí também é covardia... wink

Carla
CarlaPermalinkResponder

Emília, eu já cheguei à conclusão de que eu sou um caso perdido, sim... grin Vou me virando como você diz, planejando as prioridades, mantendo a programação em um ritmo suave, para me manter ativa sem afobação... Mas não sei se algum dia vou conseguir viajar para relaxar na praia, não... razz Pode até ser porque eu tenho a praia praticamente no quintal de casa, então isso pra mim não tem muito jeito de viagem (êta, mais filosofia de botequim!) Quando viajo para algum lugar de praia tenho que ir a várias praias diferentes, pra manter o nomadismo em dia... wink

Majô
MajôPermalinkResponder

Jorge,

Terapia VNV tá ótimo smile Na verdade, todos fazemos !

Quando a Mô ler esse causo ela vai dizer que o cara no mínimo é um conjunto de malas expansíveis lol Aguardem wink

Meninas,

Em São Miguel dos Milagres eu caminho na praia todos os dias 1 hora ou mais de manhã e à tarde. Mas, ter aquela praia linda, com aquele por do sol maravilhoso, não tem preço, difícil sair de lá. Ainda mais com todos os mimos, água de coco geladinha na praia, caipirinha com moqueca de sururu, etc. Mas, sempre rolam passeios a outras praias. O dia que vcs forem lá me contem se não é assim. wink

Carla,
Eu também tenho a praia do lado, mas graças à terapia do Riq, mudei os óculos, já não banalizo tanto, enxergo como um privilégio ir para o trabalho todos os dias admirando a vista do mar e as ilhas cagarras. lol

Carla
CarlaPermalinkResponder

Majô, até que eu não banalizo, não, tenho consciência de que é um privilégio... Sabe que eu escolho ir pro trabalho e vir pra casa pela orla mesmo sabendo que provavelmente vou pegar um pouco mais de trânsito e demorar mais do que se viesse pelo centro? Mas acho irresistível dar aquela passadinha em frente à praia todos os dias... wink

Mô Gribel
Mô GribelPermalinkResponder

Eu sou como a Carla. Quem me vê, me acha super sossegada, mas eu não paro no hotel quando tô viajando.
Eu acho que se quero descansar, vou para uma coisa mais sossegada, já sabendo que pouco ou nada terei para ver. Ou fico em casa, que também é ótimo.
Descansar no hotel, pagando em dólar, francamente? Tô fora! rs
Eu ando e ando e ando e ando. Por isso, como ela, adoro Bs As.
Eu tenho uma outra particularidade: eu detesto viagem longa. Gente, detesto mesmo! Jamais faria uma dessas de 30 dias e 11 países. Ou uma volta ao mundo de uma só vez.
A mais longa que fiz foi para EUA e Mexico, passando por 3 cidades em 25 dias. Nada corrido, tudo super na boa.
No final, eu queria tanto estar em casa, sabem? Por isso as de 1 semana para perto para mim são perfeitas e as de 15 dias para longe são ótimas!

Mô Gribel
Mô GribelPermalinkResponder

Majô, se eu tô junto, o seu turista mala seria extraviado para o fundo do rio em 2 tempos! Meu, que cara mais chato! smile
Ele só não é considerado expansível porque não contaminou a pobre família...rs
Ah, tem sempre uns caras assim no meio do caminho, não?
Vocês já devem ter topado com algum turista-melhor-amigo-do-guia em suas viagens também. Sabem aquele cara chato que faz pergunta de 2 em 2 minutos, interrompe a explicação do guia, desce do ônibus e cola no pobre e ainda sempre se atrasa porque acha que é simpático e todos amam ele? E para piorar ainda fala alto e só faz pergunta burra?
Os pacotes CVC estão lotados deles! E como eu acabo sempre em um city tour, eu sempre sofro.
Esse é o mala frasqueirinha, aquele que te segue onde quer que vc vá.

Mô Gribel
Mô GribelPermalinkResponder

Meninas,
Falando em praias, morei no Rio 30 anos. Depois que vim para SP e fiz aquela temporada em SC.
Mas eu não tomo sol tem 20 anos. Por isso, adoro praia para passear, mas me dá preguiça. Por conta disso, dificilmente minhas férias são na praia, pois adoro, mas para fotografar e vazar.
E tenho um ditado: é impossível ficar irritada quando a Lagoa engarrafa ou Ipanema. Já na Marginal....
PS: e eu amo SP! grin

Carla
CarlaPermalinkResponder

Mô, essa foi melhor que a encomenda - o cara só não é mala expansível porque não contaminou a família, perfeito... grin

Menina, eu também não descanso em dólar ou em euro, não... Não é nem por ser mão-fechada, é por ser professora mesmo - o salário não estica tanto!!! lol

Carla
CarlaPermalinkResponder

Já eu ADORO uma viagem longa... Eu adoraria poder fazer como aqueles viajantes de alguns séculos atrás, que passavam meses ou até anos rodando o mundo, sem saber bem quando voltariam para casa... Não é que eu não goste da minha casa, não, tanto que eu nunca fiz planos de morar em outro país. Mas vou me adaptando tanto à rotina da viagem, às mudanças de lugar (é o sangue cigano, eu sempre digo...), que só noto que estava com saudades quando chego de volta!!!

Mô Gribel
Mô GribelPermalinkResponder

Carla, se me oferecerem uma viagem de 60 dias pela Europa, visitando 1 cidade por semana, ficando em hotel 10 estrelas, tudo pago, eu recuso.
Acredita nisso? rs
Eu sei que passear é diferente de trabalhar, mas eu fico agoniada, quero chegar, dar os presentinhos, abrir as malas, postar as fotos, lavar a roupa, sabe? rs
Não tem jeito mesmo, 15 dias é o meu tempo. Mas, ainda bem, porque eu só lembro de férias de 30 dias uma única vez na vida. :???:

Carla
CarlaPermalinkResponder

Ah, que pecado, não recusa, não... Diz que você conhece alguém que adoraria fazer essa viagem e pode me botar em ação imediatamente!!! grin

Agora, eu acredito em tudo o que você disse, menos que possa existir uma criatura que fica agoniada para chegar em casa e lavar a roupa... lol

Hoje em dia é difícil mesmo ver alguém que tenha a sorte de conseguir tirar 30 dias de férias... Mas sabe que eu até gosto? Se tiver que escolher entre uma viagem de 30 dias por ano ou duas viagens de 15 dias, vou preferir viajar duas vezes!

Emília
EmíliaPermalinkResponder

Meninas:
1. Concordo com vocês: infelizmente eu (ainda) não posso me dar ao luxo de descansar na Europa. E não é só isso: mesmo nos lugares em que tenho casa para ficar, eu fico l-o-u-c-a de saber que tem milhares de coisas maravilhosas e interessantes para eu ficar quietinha em casa. Relaxar um pouco em um parque ou fazer um piquenique é bacana, mas é o máximo que eu agüento. Essa é a minha maneira de fazer a cabeça relaxar (bingo, Carla!) e para mim isso é o que importa...o corpo não é tão exigente para descansar smile O meu sítio funciona muito bem para isso...
2. Nessa eu tenho que concordar com a Carla...eu não tenho problema nenhum em passar um mês fora de casa...até sinto saudades, mas e a vontade de 'keeping walking'? smile

Mô Gribel
Mô GribelPermalinkResponder

Então! grin
Eu prefiro viajar 4 vezes! rs
Assim eu tô sempre passeando, porque veja só: tem a semana entre Natal e Ano Novo (é férias coletivas de 12 dias na fábrica), depois tem a semana do Carnaval, daí dá para ir novamente em Corpus Christie (que é sempre 4 dias de feriado) e tem um bônus no 2o semestre, que pode ser 7/9 ou 12/10. Eu acho isso fantástico, pois tô sempre de férias! smile
Essa coisa de viajar é tão visível em mim que quando eu começo a ficar chata, meu chefe diz: vc não acha que tá precisando viajar?
Ele literalmente me expulsa e fica no pé querendo saber meu roteiro.
Daí por isso também que uma hora eu to em SC, outra em MG, outra no RJ, um dia em CJ, por aí vai...

Mô Gribel
Mô GribelPermalinkResponder

Carla, lavar roupa = apertar meus gatos, em tupi-moniquês, sacou? rs
Eu sinto saudade dos meus bichos! grin

Carla
CarlaPermalinkResponder

Ah, bom, agora tá explicado... lol

Emília
EmíliaPermalinkResponder

tupi-moniquês, tupi-gribelês... lol
Aos poucos vamos nos virando nessas novíssimas línguas grin

Majô
MajôPermalinkResponder

Meninas e meninos,

Coloquei fotos do peixe boi no meu album do orkut. Só que o MALA também aparece smile

Mô Gribel
Mô GribelPermalinkResponder

Vou lá olhar...grin

Zé
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Turistas nunca-chega estão em todos os lugares. Só mesmo com terapia de grupo para curá-los (e, por favor, que não seja grupo da CVC, pois assim você mata o coitado de overdose lol ).
Acho que a maioria dos tripulantes aqui não é um turista nunca-chega e luta bravamente para não ser um. Toda viagem que planejo é um conflito danado. Me pergunto: devo ou não ser um turista nunca-chega? Acho que a resposta irá depender de três fatores: dinheiro, tempo e destino. Me digam, como “chegar” em NYC? Sei que não é impossível, mas é muito difícil, convenhamos. Acho mais fácil “chegar” numa praia.
Atualmente, só consigo “chegar” mesmo é na minha casa. Quem sabe no futuro, quando me aposentar, vou conseguir “chegar”em/a mais lugares. Talvez nem assim; acho que só vou definitivamente “chegar” quando morrer. (Será?) twisted

P.S.: Será que tem turista nunca-chega na fila pra entrar no céu? Deus me livre! mrgreen

Ricardo Freire

Zé, isso é exatamente o contrário do que estou falando. O turista nunca-chega não é aquele que nunca dará Nova York por suficientemente visitada; é aquele que desembarca em Nova York pela primeira vez e no dia seguinte já quer saber como se vai pra Atlantic City, pra "aproveitar mais" a viagem e "conhecer" "outro lugar" smile

Mô Gribel
Mô GribelPermalinkResponder

Ricardo,
Eu sofro um pouco disso, mas não no dia seguinte. Essa é a desvantagem das minhas viagens muito curtas, não tem dias de reserva para poder fazer uma esticadinha.
Por ex, estava em Santiago pensando se daria para ir pro Atacama, que não estava programado (aí entra o que o Zé falou sobre tempo e dinheiro).
Mas, depois de 5 minutos me lamentando, eu desencano e deixo para a próxima.

Ricardo Freire

Também é diferente, Mô. Se você hierarquizar os destinos por "uniqueness" (sorry aê, não achei uma palavra em luso-brasileirol), vai ver que o Atacama é muito mais lugar que Santiago. Logo, o certo teria sido planejar o Atacama com uma passagem breve pela capital, sem traumas.

O nunca-cheguismo, no caso, teria sido, ao desenhar uma viagem ao Atacama, ficar salivando ao descobrir que pode haver um jeito de esticar, sei lá, à Bolívia, complicando imensamente a viagem e sem dar o tempo para o Atacama ser visitado como se deve.

Carla
CarlaPermalinkResponder

Acho que eu nasci com uma boa intuição para planejar viagens... wink Na primeira vez em que fui ao Chile, eu tinha 2 focos principais: o Atacama e os Lagos Andinos. Planejei chegar a Santiago no início da tarde, fiquei 2 dias e logo parti para o Atacama. Na volta, dormi 1 noite na capital e rumei para o Sul. Bom, virei Santiago do avesso nesse pouquinho tempo, mas ainda assim não foi suficiente, não... Ano passado eu voltei e fiquei 5 dias, pra matar a vontade. Mas acho que fiz bem - afinal, é muito mais simples arrumar uma oportunidade para ir a Santiago do que levar a cabo uma viagem mais detalhada como foi a do Atacama...

diarionomade
diarionomadePermalinkResponder

Parabens pelo Blog!
Show de bola!
Familia Nomade
http://diarionomade.wordpress.com/

Zé
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Riq, eu entendi o que você quiz dizer. Acho :roll: . Quando vamos viajar devemos definir prioridades, planejar, decidir o que vai nos dar mais prazer quando estivermos visitando o destino escolhido. Assim, quando chegarmos lá, é só curtir e aproveitar, sem ficarmos ansiosos para “conhecer” outros lugares.
Talvez eu tenha me expressado mal quando fiz o meu comentário. Quando citei NYC como exemplo, estava querendo dizer que fica difícil hierarquizar as prioridades e decidir qual passeio, evento, etc. vai nos satisfazer mais quando chegarmos lá. Acho que todos nós temos um turista nunca-chega dentro de nós. Mesmo após um bom plano de viagem, como decidir entre o Metropolitan e o MOMA, sabendo que uma visita ao MOMA não estava inicialmente nos seus planos? Tenho certeza que nessas horas, o turista nunca-chega iria se manifestar. Seria um dilema terrível e requeriria uma disciplina danada para segurá-lo, principalmente se esta fosse sua única oportunidade para visitar NYC (e aí, insisto, entraria o fator grana na sua decisão). No entanto, quando você decide ir para uma praia e seu plano foi: “quero descansar e não tem outra praia, nem que seja atrás daquele morro, que vai me tirar desta aqui”, acho que fica muito mais fácil segurar seu turista nunca-chega (aliás, numa dessas ele talvez até tenha ficado em casa grin ). Tudo é uma questão de prioridades, não é mesmo? wink

Riq, gostei do post. Dá pra debater bastante a respeito.

Carla
CarlaPermalinkResponder

Zé, esse assunto é super interessante mesmo, né? Mas sabe que nesse caso de NY eu nem veria esse turista dividido entre o MoMA e o Metropolitan exatamente como um nunca-chega... Vejo que ele estaria, sim, ansioso por absorver tudo o que a cidade pudesse oferecer, o que me parece uma forma de aproveitar ao máximo. E eu não veria mal nenhum se ele resolvesse passar 2 horas dentro do Metropolitan ao invés de 3 e corresse para o MoMA para gastar lá 1 horinha ou 2 - que ele atrasaria no sono, pra dormir no vôo de volta... wink (Por essas e outras, uma vez o Riq disse que eu sou da Bicho Carpinteiro Tours... - e eu acho que ele é também!) Acho que o nunca-chega desembarcaria em NY e imediatamente ia ficar procurando um jeito de fazer um bate-e-volta pra Boston, outro pra Washington, um terceiro pra Filadélfia e no fim de 1 semana mal teria visto NY... razz

Mari Campos
Mari CamposPermalinkResponder

Xô, nunca-cheguismo! Sim, turista é ansioso por natureza e concordo com a frase do Zé, que tudo é uma questão de prioridades. Mas tem gente que segue o fluxo e só bate cartão naqueles lugares que estão em tudo quanto é guia, só pra já passar logo pro próximo destino e dizer que conhece aquele. Como falei no blog da Dri Setti, conheço gente que só viu o Coliseu e a Torre Eiffel da janelinha do ônibus de excursão, fazendo 30 países em 30 dias. E outros que gastaram tanto tempo nas comprinhas que acabaram entrando no Louvre só pra ver a Mona Lisa e saíram correndo. Tudo bem, cada um tem seu perfil, mas planejamento e informação são essenciais pra qualquer viagem.

Ricardo Freire

Zé, lê de novo o texto do nunca-chega. Ele é sobre casos patológicos de ansiedade turística, não de administração corriqueira do dia-a-dia de quem está fora da base...

Sylvia
SylviaPermalinkResponder

Avaliar a postura de " nunca chegar" pressupõe verificar o
posicionamento do turista em relação aos seus objetivos.
Veja bem , o turista que precisa ir a algum lugar porque
deseja contar que esteve é totalmente diferente do turista
ansioso por desejar estar.
Na maioria das vezes , o turista que precisa contar nem sabe
direito o que vê, apenas leu duas linhas a respeito do assunto
e pode se considera um expert (lembre-se , ele precisa contar que foi) ,e muitas vezes não consegue ao menos se localizar
geograficamente,trocas nomes de lugares, faz uma salada !

O turista ansioso por desejar estar sonhou, estudou, aprendeu
degustou o destino e pode aprender a não ser voraz.
Pode aprender a controlar a ansiedade e selecionar a importancia das coisas para ele ( não para os outros)
O turista ansioso por desejar estar poderá ser pontual nas suas
escolhas , priorizando os seus desejos no lugar da fama
ou até da importancia ( historica ou social ou paisagistica)

A sindrome da ansiedade acompanha a todos o tempo todo
e quanto menor for a maturidade emocional mais ardua será
a tarefa de controlá-la.
Fica aqui a pergunta : qual seria o perfil do turista ideal ?
Sim, nós sabemos que o turista ideal respeita o ambiente.
a cultura os hábitos do local onde se encontra.
Mas será que existe uma forma, um meio, uma ferramenta ,
alem do conhecimento e da informação , que permita
aos turistas controlar a ansiedade compulsiva de
querer mais e mais coisas , mesmo sabendo que não
existe espaço de tempo nem espaço cerebral para absorver
as informações ?

Atenção: Os comentários são moderados. Relatos e opiniões serão publicados. Perguntas serão selecionadas para publicação e resposta. Entenda os critérios clicando aqui.
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