Ainda o Cristo

Ricardo Freire
por Ricardo Freire

Mais um texto da filial do blog no ViajeAqui que eu trouxe para cá por falta de permalink.

Está fazendo dois meses que eu escrevi um post explicando por que não votaria no Cristo Redentor nessa eleição das 7 novas maravilhas do mundo. (Para ler, é só rolar a página – é o sexto post, com data de 10 de abril.) Apesar de continuar decidido a não votar, devo dizer que diminuiu bastante a minha rabugice com relação a esse Big Brother dos monumentos.

Dois fatos novos me levaram a reconsiderar a minha posição. (Ha ha. Como se alguém tivesse prestando atenção. Mas, enfim...)

Um: a designação das Pirâmides de Gizé – a única maravilha do mundo antigo ainda de pé – como hors-concours, com vaga garantida entre as sete vencedoras, conferindo um mínimo de moralidade à eleição.

O outro: a entrada com força da iniciativa privada na campanha. Sou radicalmente contrário a qualquer centavo do meu imposto gasto pelo governo nessa brincadeira; mas se bancos, veículos de comunicação e operadoras de celular compraram essa briga, parabéns, acho ótimo. É marketing da melhor qualidade.

Mesmo (quase) entrando nesse clima de Copa do Mundo via SMS, porém, continuo achando graça das projeções econômicas que andam fazendo. Dependendo da fonte, já li que, caso o Rio emplaque o Cristo entre as sete maravilhas, vão ser gerados entre 80 mil e 250 mil empregos. Ha ha ha. É como se a eleição do Cristo fosse criar uma Olimpíada permanente no Rio.

(Vem cá: por que toda campanha eleitoral – até mesmo quando não envolve cargos políticos – tem que trazer promessas hiperbólicas de emprego?)

Se o Cristo conseguir se eleger (e acho que, com essa reação de última hora, ele se elege), o Rio e a Embratur vão ter algo novo para divulgar em suas campanhas. Não é pouca coisa: faz tempo que não temos nenhum fato turístico novo para divulgar. Mas, por favor, não esperem essa avalanche toda de gente no aeroporto no dia seguinte ao anúncio do resultado da eleição.

Veja por você mesmo. Vamos considerar dois finalistas que devem ser eleitos. A Acrópole, em Atenas, e as pirâmides de Chichén-Itzá, no México.

A Acrópole vai lhe parecer mais importante do que era antes da eleição? Se você me permite, posso responder: certamente não. A Acrópole é muito maior do que esse concurso.

E Chichén Itzá? Você por acaso vai perder o sono se não correr para lá nas próximas férias? Du-vi-do. Agora: as operadoras vão ter uma cereja a mais para oferecer em seus pacotes a Cancún. Passeio a Chichén Itzá! Uma das sete maravilhas do mundo moderno! Talvez, por causa disso, você vá pegar praia no México, e não, tipo assim, em Aruba.

Mesmo se não vierem tantos gringos quanto os otimistas esperam, é certo que a visitação ao monumento crescerá imensamente, por conta do turismo local e doméstico. (Já está crescendo. Outro dia li uma carta de leitor n'O Globo reclamando de flanelinhas que resolveram cobrar 20 reais para estacionar nas redondezas.) Espero que o dinheiro que eventualmente apareça da tal fundação suíça seja usado para fazer o que a prefeitura, o Estado e a União não dão conta: organizar o acesso de uma vez por todas (instituir a venda de passagens de trenzinho com hora marcada pela internet; policiar o acesso rodoviário; construir um estacionamento junto à estação do trem).

Enfim, já consigo ver alguma utilidade nessa eleição.

Mas, voltando ao meu papel de chato, gostaria de lembrar que o fato mais importante para o turismo brasileiro não está em votação pelo celular – mas em Brasília, no Congresso Nacional. Me refiro ao projeto que derruba (ou, em seu substitutivo mais conservador, facilita) a exigência de visto para turistas americanos e canadenses – e que finalmente deixaria o Brasil em igualdade de condições com México, Caribe, Peru e Argentina na disputa dos turistas mais cobiçados do continente.

Isso sim ia ser uma maravilha.

43 comentários

Sylvia
SylviaPermalinkResponder

Como eu comentei lá no Viajeaqui :
Eu votei no ano passado e não inclui o Cristo Redentor.
Não por falta de patriotismo , mas pq tem muitos monumentos
mais significativos e de valor historico e estético.
O aumento do fluxo turistico não depende de um titulo e sim de
condicões máximas de segurança e facilidades.

Carla
CarlaPermalinkResponder

Eu não sei, não... Tem duas coisas que me incomodam nessa eleição. Uma é o povo acreditar que o Cristo ser eleito vai ajudar o turismo no Rio e no Brasil - parece até quando o César Maia queria um Guggenheim aqui, como se o Rio precisasse disso!!!

Mas o que mais me incomoda é a falta de critério na escolha dos candidatos... Pode ser chatice minha, mas não vejo como comparar Machu Picchu à Estátua da Liberdade e escolher qual das duas seria uma maravilha do mundo moderno! Antes de mais nada, na minha opinião, seria necessário definir o que se entende por "moderno", qual é o período de tempo que esse termo engloba. Por esse meu raciocínio, acho que não dá pra incluir Petra ou a Acrópole no mundo moderno, nem Machu Picchu ou Angkor Wat...

Ou será que não importa a época em que os monumentos foram construídos, e sim o fato de que existem até hoje? Acho isso tudo muito confuso...

Ricardo Freire

Companheiras, eu continuo achando o elenco disparatado e o concurso, a longo prazo, irrelevante. Mas como o artigo anterior esculhambava com alguns aspectos que foram corrigidos (o voto pago, a possibilidade das Pirâmides não serem eleitas) eu precisava me reposicionar (porque o artigo estava começando a ser linkado...).

Bruno Vilaça
Bruno VilaçaPermalinkResponder

Sensato, inteligente, perfeito... As usual! wink

Arnaldo - FATOS & FOTOS de Viagens

Eu não acho que seja irrelevante tal eleição, tampouco não consigo enxergar qualquer efeito negativo no seu resultado (a não ser nos meios e critérios dela própria). Mas relevante mesmo é o su texto, com o qual demonstra seu bom caráter de sempre ao admitir rever seus próprios conceitos, preconceitos e afirmações. Parabéns. Como sempre, o bom senso, a inteligência, a cultura e a propriedade novamente reveladas em seu texto.

Mô Gribel
Mô GribelPermalinkResponder

Eu sou carioca, morei por 30 anos olhando o Cristo Redentor das janelas do apto da minha mãe todos os dias. E não houve um único dia que não achasse que ele é realmente uma maravilha.
O Rio de Janeiro, pelo conjunto e singularidade da sua 'obra', merecem na minha opinião qualquer título de espetacular, muito mais que o Cristo Redentor apenas, na minha opinião.
Mas, por outro lado, eu não acho esse consurso relevante. Como disse o Arnaldo, não há efeitos negativos. E como disse a Carla, acho os critérios da votação confusos. E como disse a Sylvia, infelizmente, o Rio tá um pouco longe de ser um exemplo de lugar para se passear atualmente.
Isso sim é triste, muito mais que perder essa eleição.

Mô Gribel
Mô GribelPermalinkResponder

Desculpa ali o 'opinião' duplicado.

Gilberto
GilbertoPermalinkResponder

Não ia votar, mas...acabei votando no único representante brasileiro, embora ache a estátua do cristo bem feiosa. O bonito é a vista que se tem lá de cima.
Só p/ pensar um pouco: Imaginem que nem o cristo nem o bondinho do pão de açucar nem o parque do aterro do flamengo existem. Se alguma instituição (fosse privada ou não) quisesse fazer alguma destas obras, hoje, conseguiria superar a burocracia das licenças, os radicais verdes, a imprensa, etc.? Eu acho que probabilidade tenderia a zero, a menos que fosse alguma coisa de muito intere$$e de muita gente ( tipo a transposição do S. Francisco, que vai ser feita de qualquer jeito, queiram ou não queiram).

Jorge Bernardes

Gilberto,

O Corcovado sem o Cristo, o Pão de Açúcar sem o bondinho, a orla sem o Aterro do Flamengo.... Talvez o Rio fosse ainda mais lindo. A civilização ocupou tudo aquilo e ainda temos depois de 500 anos uma das paisagens mais incríveis do Mundo. Como eu adoraria ter sido um índio ou ao menos um dos primeiros navegadores para ter visto esse trecho da nossa Costa "in natura".

Gilberto
GilbertoPermalinkResponder

Jorge,

Devia ser realmente fantástico. Existem umas pinturas simulando as paisagens antigas, feitas por Eduardo Camões, que são uma viagem no tempo: O cara fez umas simulações, imagino que com base nos relatos das épocas, e pintou alguns pontos da cidade em vários tempos. É muito interessante.
Os portugueses e franceses que chegaram por aqui no século XVI realmente devem ter ficado embasbacados, e achado que isso aqui era o paraíso - devia ser mesmo!
Tem várias destas imagens em www.geocities.com/marcelobatalha/rio.htm
Infelizmente durante muito tempo o conceito de modernidade era associado à eliminação do antigo. Além disso a cidade tinha problemas de acesso e drenagem, que foram resolvidos da forma mais simples: aterro! E tome aterro: na área da Lapa, da Cidade Nova, da orla toda - de São Cristóvão ( que tinha até praia) até Botafogo. E p/ fazer os aterros, elilminem-se os morros, que, segundo alguns estudiosos da época, dificultavam a circulação do ar...
Mas isso é assunto para muitos dias...Abraços!

GiraMundo com Jorge Bernardes

Gilberto,

Valeu pelo link. Bacanas as fotos e muito legais as pinturas.

Leandro
LeandroPermalinkResponder

Continuo radicalmente conta voltar no Cristo, porque ele não merece (nada contra, mas simplesmente tem obras muito mais importantes e que foram verdadeiros desafios não explicados até hoje, como os Moais), mas mudei de opinião sobre a reciprocidade (no tratamento aos turistas americanos), eu pensava que eles tivessem que sofrer como nós (quando queremos tirar o visto e para entrar lá), mas descobri por este blog que não era bem assim, eles sofriam bem menos que nós, então e melhor acabar mesmo, reciprocidade ou é TOTAL, ou é NENHUMA. Qual a "vingança" se eles não humilhados e não tem que pagar os olhos da cara antes mesmo de saber se serão autorizados a entrar aqui? Nenhuma!

Majô
MajôPermalinkResponder

Riq

Repetindo Brunim, texto perfeito como sempre. wink
Acho que isso virou puro marketing, como disse o Riq.
O Cristo carrega todo o simbolismo da beleza da cidade do Rio. Olhemos pelo lado bom da coisa, consideremos que sua eleição seria uma coisa boa para a cidade e para o país, somente isso. smile

Claudio
ClaudioPermalinkResponder

Votei no Cristo, porque sou apaixonado pelo Rio de Janeiro!!!!!!!! Tudo que possa exalta-lo, serve pra mim...
Qto a reciprocidade, moro nos EUA, as pessoas adoram o Brasil e ficam loucos pra conhece-lo, principalmente com o meu comercial "boca a boca", porem um total desestimulo, quando tem que ir no consulado brasileiro, pagar uma taxa de 100 dolares, perder um dia de trabalho, esperando pelo visto...Eles mudam automaticamente pro Caribe ou Costa Rica(por incrivel que pareca, eh o grande "boom" turistico do momento aqui, por causa das florestas tropicais e grande propaganda turistica)
Como vc disse Riq, os americanos sao os turistas mais cobicados do continente e sao em grande parte responsaveis pelo Mexico e Canada ficarem entre os 10 paises mais visitados do mundo...

André
AndréPermalinkResponder

Ricardo,

Li o seu texto e deixei um comentário que reproduzo aqui e que não tem nada a ver, diretamente, com o Cristo.

Ricardo,
A exigência dos vistos para turistas americanos faz parte da política da reciprocidade diplomática.

Ou seja, se eles exigem visto para brasileiros, nós exigimos vistos deles também.

Ok, isso acarreta uma certa trava ao turismo dos gringos para cá, o que é ruim para a economia. Mas alguém já quantificou isso? Alguém sabe dizer, com segurança, quantos americanos deixam de vir ao Brasil, de verdade, por causa da exigência de visto?

Vc não acha que a reciprocidade é mais importante?

Abs!

GiraMundo com Jorge Bernardes

A reciprocidade não pode ser importante se somos nós mesmos que estamos perdendo mais com ela. Eu não conheço nenhum argumento em defesa da manutenção da exigência de visto. Qual é o nosso motivo? A reciprocidade diplomática deve ser aplicada com bom senso.

Os Estados Unidos não exigem visto de entrada dos cidadãos australianos. A Austrália, por sua vez, exige visto dos cidadãos americanos. É um visto eletrônico, eles facilitaram o que deram, mas não abriram mão do visto de entrada. A política imigratória deles é muito restrita e eles só não pedem nenhum tipo de visto dos cidadãos da Nova Zelândia. O que os americanos fizeram? Nada.

Sylvia
SylviaPermalinkResponder

André , vc está correto não tenho duvida.
Mas o que tb sabemos é que o visto só mais um impecilho.
O que é que o turista quer alem de beleza ?
Quer conforto , quer se sentir tranquilo em todos os momentos
quer sair e voltar para casa.
Uma coisa é ir para o Sri Lanka e contar com uma possibilidade
de guerrilha , outra coisa é ir para o Rio e contar com uma possibilidade
de não ser assaltado , ferido ou morto.
Aqui a chance de não ser é minima sad

GiraMundo com Jorge Bernardes

http://www.travel.state.gov/visa/temp/without/without_1255.html

Para quem lê em inglês, acho interessante este link do Depto de Estado dos EUA.
Lá, eles explicam quais são os critérios observados para a suspensão da exigência de vistos de um determinado país. É o que eles chamam de Visa Waiver Program.

Eles falam de reciprocidade como uma das condições sim. Pois, essa é a base fundamental da diplomacia, mas está longe de ser essa apenas a única condição. Tá tudo ali descrito e eu tenho certeza de que o Brasil não passa no teste de solicitação de vistos rejeitados ou imigração ilegal. Isso é óbvio. Como é costume na cultura americana, há um longo disclaimer dizendo que outros fatores podem ser observados, critérios x, y, z e aí deve ter entrado o caso específico da Austrália que não abre mão da exigência de visto e desta forma, fere a reciprocidade neste caso. Porém, os americanos devem ter concluído que custaria mais manter a exigência do visto apenas pela reciprocidade e aboliram o visto, uma vez que a Austrália preenchia todos os outros requisitos.

Eles usaram a reciprocidade em favor deles. Quais são os nossos critérios. Se observássemos algum critério afora a reciprocidade, talvez estaríamos pedindo visto dos cidadãos da Bolívia (não pedimos) e não dos EUA.

Lena
LenaPermalinkResponder

Se o concurso fosse da "vista mais bonita do mundo" ou "paisagem mais bonita", eu votaria na vista que se tem a partir do Corcovado. Mas votar no Cristo como uma das obras mais bonitas feitas pelo homem, acho que não procede. Por isso, não voto e não torço.

Lena
LenaPermalinkResponder

Olha só. Na wikipedia ( http://en.wikipedia.org/wiki/Seven_Wonders_of_the_World#Modern_wonders ) existe outras listinhas de maravilhas. Só para citar duas, onde o Brasil é citado:

- Sete Maravilhas do Mundo, segundo a Sociedade Americana de Engenheiros Civis: cita a barragem de Itaipu.
- Sete Maravilhas da Natureza, listadas pela CNN: inclui o litoral do Rio de Janeiro!! É uma maravilha, mesmo lol

Lena
LenaPermalinkResponder

Olha só. Na wikipedia ( www.en.wikipedia.org/wiki/Seven_Wonders_of_the_World#Modern_wonders ) existe outras listinhas de maravilhas. Só para citar duas, onde o Brasil é citado:

- Sete Maravilhas do Mundo, segundo a Sociedade Americana de Engenheiros Civis: cita a barragem de Itaipu.
- Sete Maravilhas da Natureza, listadas pela CNN: inclui o litoral do Rio de Janeiro!! É uma maravilha, mesmo lol

Ricardo Freire

André, esse não é o meu primeiro texto sobre o assunto; já discorri longamente sobre a questão da reciprocidade em outros posts de outros blogs que não consigo agora linkar.

Mas basicamente nossa política de "reciprocidade" é um subsídio direto ao turismo do Caribe, do México, da Argentina, do Peru, do Chile e de todos os outros países latino-americanos que não exigem visto de americano (os únicos que exigem são Cuba e Bolívia. Ah, sim: a Venezuela não exige).

Criar uma barreira comercial contrária às nossas exportações (turismo estrangeiro é uma importante fonte de moeda forte) tira o Brasil do mercado mais interessante do mundo. Só vem ao Brasil o americano que é obrigado (a negócio) ou que está firmemente decidido a vir, contra todas as exigências burocráticas, mesmo tendo lido todas as más notícias que Sylvia acha que ele leu.

Nessa condição de negócio (burocracia, demora e gastos extras da nossa parte, contra zero de burocracia e zero taxas da parte dos nossos vizinhos), a compra de impulso é simplesmente inexistente. Com a palavra, o Claudio, que fica buzinando as maravilhas do Brasil sete dias por semana nos ouvidos de seus amigos americanos:

"Moro nos EUA, as pessoas adoram o Brasil e ficam loucos pra conhece-lo, principalmente com o meu comercial “boca a boca”, porem um total desestimulo, quando tem que ir no consulado brasileiro, pagar uma taxa de 100 dolares, perder um dia de trabalho, esperando pelo visto…Eles mudam automaticamente pro Caribe ou Costa Rica(por incrivel que pareca, eh o grande “boom” turistico do momento aqui, por causa das florestas tropicais e grande propaganda turistica)
Como vc disse Riq, os americanos sao os turistas mais cobicados do continente e sao em grande parte responsaveis pelo Mexico e Canada ficarem entre os 10 paises mais visitados do mundo…"

Por conta da não-exigência de visto, há vôos de Miami para qualquer biboca do Caribe, e de Dallas para o México inteiro. E quantos vôos dos Estados Unidos para o Nordeste? Zero. Enquanto isso, nossos resorts -- para onde vai parte do nosso dinheirinho, via incentivos fiscais e investimentos de fundos de pensões de estatais -- ficam às moscas na baixa temporada, deixando de gerar empregos e movimentar a economia.

Tudo para o Itamaraty não perder a boquinha da taxa dos vistos.

Sylvia
SylviaPermalinkResponder

Certissimo Riq !
Em contrapartida os " nossos resorts do nordeste" devem buscar
agilidade e eficácia oferecendo suas acomodações na baixa
estação de estrangeiros ao mercado interno.
Oferecer ao mercado interno é sinonimo de preços ultra competitivos lol

Ricardo Freire

Sylvinha, com o real supervalorizado, o custo Brasil (e essas grandes companhias costumam fazer tudo por cima do pano) e o superaquecimento do mercado aéreo, fica difícil cobrarem menos do que estão cobrando na baixa temporada. Além do quê, essa resortaiada toda só faz sentido com público de fora. O Brasil não tem mercado doméstico pra tanto resort assim. Renunciar a um enorme mercado emissor como o americano (e o canadense) é dar um tiro no pé.

Um exemplo dentro de casa.

Da outra vez que o real estava valorizado desse jeito, o México não exigia visto da gente, e os brasileiros invadiram Cancún. Havia charters e mais charters, além de vôos diretos de São Paulo e do Rio.

Agora, o real está valendo ainda mais no México, mas não há sequer vôos diretos a Cancún. A Argentina (e o Chile, e a República Dominicana, e Aruba) agradecem.

Sylvia
SylviaPermalinkResponder

Riq, desviando ligeiramente da pauta do post para o mercado hoteleiro...
Se me permite , vou discordar em um ponto do teu comentario comandante :
é a lei da oferta e da procura , se a oferta é grande e
a procura reduzida quem quer sobreviver tem que baixar os preços.
Baixar os preços significa apropriar os custos na ponta do lápis
e vender pelo preço que as pessoas estão dispostas a pagar.
Este é o momento certo para os hoteleiros aprenderem a oferecer
acomodações de ultima hora , a utilizarem corretamente os veiculos
de contato com o publico e fazerem suas ofertas.
Quando é que os sites aqui no país vão ser transparentes e acabar de
vez com essa imaturidade de não colocar as tarifas na web ?
Quantos negocios são perdidos porque tem que enviar um e mail
solicitando informações ?
Isso me lembra o tempo em que as lojas trabalhavam com uma
tabela de preços e era preciso chamar um vendedor sad
É preciso olhar para frente e apenas copiar o que fazem aqueles
que trabalham nos grandes mercados , adaptando para o nosso
país as estratégias vencedoras de longa data.

GiraMundo com Jorge Bernardes

Ricardo, St Marteen também agradece. Estou vendo várias pessoas animadíssimas com os pacotes que a CVC está vendendo para lá em Julho.

Leandro
LeandroPermalinkResponder

Ah, os resorts, não sei porque constroem tanto se hoje já ficou claro que não há público para todos eles, parece uma versão mal feita do lema de Dubai (construa, e eles virão), mas não é simples assim, tem que ter algo mais, e este "algo mais" que está faltando aqui.

Claudio
ClaudioPermalinkResponder

Palavras do Riq,
"Da outra vez que o real estava valorizado desse jeito, o México não exigia visto da gente, e os brasileiros invadiram Cancún. Havia charters e mais charters, além de vôos diretos de São Paulo e do Rio.
Agora, o real está valendo ainda mais no México, mas não há sequer vôos diretos a Cancún. A Argentina (e o Chile, e a República Dominicana, e Aruba) agradecem."
Vc simplicou e confirmou, atraves deste exemplo, tudo que eu penso sobre a polemica da reciprocidade...
Mais uma "bola dentro" comandante!!!!!!!!!!!!

Ricardo Freire

Sylvia, concordo integralmente contigo sobre a desafasagem dos nossos hotelões no quesito comercialização. Estão todos nas mãos das grandes operadoras (que, quando chega a temporada, dão prioridade aos... cruzeiros!), não publicam suas tarifas reais (que são infinitamente inferiores às tarifa-balcão), não usam os atacadistas nem fazem promoções de última hora.

Só que a encrenca é maior do que isso.

Não há transporte para viagens decididas na última hora. A frota brasileira de aviões está no gargalo. É mais fácil encontrar uma viagem de última hora na CVC ou na PNX -- que têm charters e bloqueios de assentos -- do que nas companhias regulares.

Com a superutilização da frota, há menor disponibilidade de aviões para vôos fretados, que são fundamentais para baixar o custo da viagem. (Muitos dos que iam para o Nordeste agora vão para a Argentina.)

Mesmo se oferecessem direto ao consumidor as tarifas que oferecem às operadoras, os preços continuariam parecendo caros. Uma semana com avião e tudo incluído no Renaissance de Sauípe a 2.000 reais é barato, mas quando comparado a uma semana em St. Maarten com café da manhã a 2.600 (r-e-a-i-s) fica caro.

(Já um gringo, que pode muito bem considerar a Bahia muito mais sedutora do que St. Maarten, vai achar que 1.000 dólares com tudo incluído é uma oferta muito melhor do que 1.300 só com café da manhã.)

Existe uma política de Estado que faz brotar obras importantes de infra-estrutura e oferece incentivos fiscais para a construção de pólos hoteleiros no litoral nordestino. Para que esses investimentos -- feitos com o nosso dinheiro -- dêem frutos, é preciso que venham os turistas estrangeiros. O mercado europeu está sendo razoavelmente bem trabalhado, graças aos charters e à TAP.

Já o mercado americano nós nem trabalhamos. Entregamos de mão beijada ao México e ao Caribe.

Hugo
HugoPermalinkResponder

Apesar de achar o Rio maravilhoso e considerar o Cristo uma atração muito bonita, não voto nele porque é vergonhoso ter que enfrentar uma verdadeira maratona para chegar até lá.

Da última vez que estive no Cristo foi tão complicado e trabalhoso chegar que quase desistimos no meio do caminho. Talvez, para quem more no Rio, seja algo fácil, mas para os turistas é uma missão muito difícil.

Rodrigo Purisch

Acho que essa política de vistos para os americanos faz parte da política de defesa nacional. Vai que começa a morrer ou sequestrar americano no Brasil e o louco do Bush resolve tomar uma atitude em favor da liberdade, preservação da Amazônia e do Etanol?Rsrs.

Falando sério, acho que a política de vistos para os americanos se mantém baseada no tratamento que o brasileiro recebe nas repartições consulares americanas. Entendo que o Brasil seja um dos maiores emissores de imigrantes ilegais, mas mesmo quem pede renovação do visto sofre um calvário desnecessário (olha que já melhoraram um pouco). Se o tratamento dado aos brasileiros fosse um pouco melhor, acho que este fato facilitaria a obtenção do visto (os 100usd cobrados pelos EUA para desistimular os ilegais serve de base para o Brasil cobrar a sua taxa de emissão do visto). Nem que esse fosse dado no aeroporto por uma taxa baixa.

O meu visto americano vence em setembro (esse deve ser o meu terceiro e tinha validade de 10 anos). Vou ter que me dirigir a São Paulo, Rio ou Brasília em um dia útil para renová-lo por apenas mais 5 anos...

Acho melhor pensar que essa política de vistos previne que o Brasil seja notícia frequente nas capas dos jornais americanos, o que pode arranhar de forma irreparável a imagem do país. Espero que a melhoria nas condições de segurança, para nós todos, possa preceder um boom turístico.

Ricardo Freire

Rodrigo, os mexicanos também são maltratados nos consulados americanos. Mas como eles não estão rasgando dinheiro, não dão a recíproca.

A nossa reação à burocracia, à paranóia e ao mau atendimento dos consulados deveria ser igual à reação que os americanos têm: não viajar e preferir lugares que não imponham dificuldades a quem só quer ter o direito de gastar o seu dinheiro.

Eu já propus um boicote à Disney, mas ninguém me ouve lol

GiraMundo com Jorge Bernardes

Ricardo, com o dólar no nível que está não dá pra levar a sério sua proposta smile smile Daqui a pouco vai ter gente fazendo compras de mercado em Miami!

Sylvia
SylviaPermalinkResponder

Só com boicote mesmo.
Ainda com o visto americano em dia , faz quase dez anos que me
recuso até em fazer uma escala .
Vou pelo Canada , aonde ( ainda ) somos vistos como turistas
ao passo que nos EUA todos são terroristas ou imigrantes ilegais
em potencial .
Para mim , não existe chance de sair de casa para gastar meu tempo e dinheiro num país não amigável .

Lena
LenaPermalinkResponder

Concordando com tudo que o Riq disse e acrescentando um detalhe sobre a Costa Rica. Vi em uma revista americana de pesca esportiva, várias propagandas de condomínios para venda e resorts novos na Costa Rica. Os americanos etão mesmo loucos pelo destino.

Mari Campos
Mari CamposPermalinkResponder

Eu topo o boicote à Disney!!!! Ainda que tenha sido muito fácil entrar em NY em abril (estava esperando o uó), não há comparação com o tratamento que recebemos nem com as atrações disponíveis nos outros países. Boicote já!

Arnaldo (FATOS & FOTOS de Viagens)

A coisa mais sensata que li aqui nos últimos cometários, acerca desse assunto relacionado a visto americano, foi o do Rodrigo....

fabio
fabioPermalinkResponder

Da minha parte, estou evitando ao máximo ir aos EUA (tudo bem, fui ano passado pra Disney com os filhos...). Realmente, parece que estamos mendigando pra entrar lá, pra quê? Só pra ir num outlet da GAP ou Ralph Lauren?...Não troco isso de jeito nenhum prum dia rodando por Amsterdam ou Paris, conhecendo lugares charmosos e cheios de história.

Arnaldo (FATOS & FOTOS de Viagens)

Nunca fui bem tratato ao entrar na Inglaterra, tampouco na Espanha, na Turquia e na Hungria. JAMAIS fui mal tratato (sequer antipaticamente) ao entrar nos Estados Unidos, seja por Miami, seja por Nova York. E, aqui entre nós, esles têm TODOS (e mais alguns) motivos para exigirem vistos de nós (afinal, são brasileiros, mexicanos, cubanos e porto-riquenhos que vão pra lá morar em cubículo, lavar chão de banheiuro, panela de restaurante, coisa que aqui no Brasil ninguém que vai pra lá pra isso, quer fazer por aqui!). Acho tão bobo pedir visto de americano que não dá nem pra argumentar a favor da tal reciprocidade burra. Pra entrar no canadá eles exigem visto de brasileiro por CADA ENTRADA e válido APENAS pra aquela entrada, Os Estados Unidos nos concedem visto por cinco anos.

Arnaldo (FATOS & FOTOS de Viagens)

Isso está parecendo a política externa do Lula....

Zé
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Arnaldo, concordo plenamente com você.

Para toda tripulação, aí vai um texto publicado no site do "Estadão":

"17 de maio de 2007 - 15:40

Comissão da Câmara aprova fim de visto para cinco países

Projeto dispensa turistas dos EUA, Canadá, Japão, Austrália e Nova Zelândia

BRASÍLIA - A Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) da Câmara aprovou nesta quinta-feira, 17, projeto que acaba com a exigência de visto para entrar no Brasil feita a estrangeiros de cinco países. No entanto, para entrar em vigor, o projeto deve passar por votação no plenário da Casa e, em seguida, no Senado.

Pelo projeto, estão dispensados de obter visto brasileiro os cidadãos nascidos nos Estados Unidos, no Canadá, no Japão, na Austrália e na Nova Zelândia. O autor da lei, deputado Carlos Eduardo Cadoca (PMDB-PE), afirmou que o objetivo é atrair mais turistas.

"A reciprocidade não tem nada a ver com cidadania. No ano passado, vieram ao Brasil 732 mil americanos. É pouquíssimo. Sem exigência de visto, esse número pode dobrar em um ano", estimou o deputado.

O tema não tem consenso no governo.Grande parte dos governistas votou contra o parecer do relator Antonio Carlos Magalhães Neto (DEM-BA), favorável ao projeto de Cadoca.

"Esta decisão (sobre exigência ou não de visto) é competência privativa do presidente da República. Além disso, o projeto é inconstitucional porque fere o artigo 4º da Constituição, sobre a igualdade entre os países", reagiu o deputado José Eduardo Cardozo (PT-SP).

Lena
LenaPermalinkResponder

Acho que minha experiência é semelhamte a do Arnaldo. Nunca fui mal tratada nos EUA ou em quqlaquer país que exijisse visto. Me lembro na época em que a França exigia visto e entrar lá era super rápido. Tacavam um carimbo e pronto; não davam nem bom dia! Em compensação , na Inglaterra onde não era exigisdo visto, tinha que aguentar o maior questionário. Por isso vi algumas pessoas sendo barradas na entrada, provavelmente por problemas de comunicação. Por isso não achava ruim tirar visto (já disse que renovar o meu para os EUA neste ano foi a maior moleza).

Agora, vendo do ponto de vista do Rodrigo, que tem que pegar uma avião e perder um dia de trabalho para conseguir um visto, realmente é horrível!!

Luciano
LucianoPermalinkResponder

Não sou carioca, mas morei no Rio, em Laranjeiras, com todas as janelas do apartamento olhando para o Cristo Redentor. A aventura (parente próxima da loucura) de um dia subir até lá de bicilceta foi inesquecível. Mas, como já dito, o encanto do Rio está no "conjunto da obra", em toda a sua geografia, incomparável. A desorganização, para não dizer pilantragem, em torno do monumento do Corcovado é lamentável. Mas o Rio, e isso aprendi morando lá, é como uma limonada, possui algo de azedo, mas é maravilhoso. O Cristo Redentor pode até não ser uma das maravilhas do mundo, mas passar uma temporada no Rio foi, sem dúvida, uma maravilhosa experiência. Conheci quase todas as capitais do Brasil, mas nehuma se compara, em beleza natural e histórico, ao Rio.

Atenção: Os comentários são moderados. Relatos e opiniões serão publicados. Perguntas serão selecionadas para publicação e resposta. Entenda os critérios clicando aqui.
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