Vôo 3054: o que diz o Panda

Ricardo Freire
por Ricardo Freire

Meu amigo Gianfranco Panda Beting, estudioso de aviação, spotter e dono do JetSite, acaba de publicar um texto sereno e embasadíssimo sobre a tragédia de Congonhas lá no ViajeAqui.

Ele traz um dado novo: um acidente semelhante ocorrido nas Filipinas (num Airbus de mesmo modelo, com problemas num dos reversos e manobra malsucedida do piloto), em que os passageiros se salvaram graças à existência de espaço além da pista. Vale a pena ler.

40 comentários

Adriane Lima
Adriane LimaPermalinkResponder

Ricardo, no "Filtro" de hoje, boletim diário da Revista Época, também é comentado outro acidente similar, em 2002, nos EUA. Segue trecho do Filtro:

"Como a investigação deve demorar e as causas do acidente devem estar relacionadas a uma sucessão de erros, a Folha de S. Paulo levanta a hipótese de mais um possível problema. O jornal entrevistou o britânico Peter Landkim, professor da Faculdade de Tecnologia da Universidade de Beifeld, que estuda há 14 anos acidentes com Airbus A-320. Landkim disse que o manual de operação do Airbus é “incompleto”, “ambíguo” e “menos compreensível do que precisaria ser” para os pilotos no item que trata do sistema de frenagem. Em seus trabalhos, Ladkin identificou três aviões do mesmo modelo (além do da TAM) que já tiveram acidentes por dificuldades do sistema de freios. Pelo menos dois tinham condições muito semelhantes à de Congonhas, com um dos reversores desligados -em 1998, nas Filipinas, e 2002, nos EUA."

Patsy
PatsyPermalinkResponder

Tempo fechado e pista fechada para nossa tranquilidade aqui.

Lena
LenaPermalinkResponder

Riq,
Já tinha lido o texto anteiror do Gianfranco Beting na semana passada e gostei muito.
A respeito do acidente nas Filipinas, hoje saiu no Estadão um artigo a respeito. Nele citam inclusive, a notificação da Airbus sobre a operação do acelerador automático quando o reversor está pinado. É mais ou menos assim: quando o reversor está pinado, se o piloto esquece o manete na posição de potência, na hora do pouso o sitema automático entende que é necessário acelerar e portanto, é impossível frear!!
Não entendo nada disso, mas achei a constatação horrível.
Outro dia li que a empresa que fabricava a peça que falhou no Fokker da TAM acidentado em 96 foi a falência. Depois dessa, a orientação da Airbus a respeito do reversor me pareceu no mínimo estranha.

Sobre o acidente nas Filipinas, o jornal mencionou que o avião, depois de pousar (exatamente como o da TAM), saiu da pista, passou por cima de um rio (como o da TAM passou por cima da Washington Luis) e caiu sobre casas. Como não explodiu (o tanque devia estar vazio), nenhum passageiro ou tripulante morreu (alguns moradores morreram).
Depois deste acidente, um outro aeroporto está em construção e será inaugurado em 2010.

Ernesto
ErnestoPermalinkResponder

Bastante interessante e instrutiva a matéria, tanto para passageiros, como para os que gostam de aviação. Certamente também houve uma contribuição devido ao peso excessivo do avião, e das condições da pista.

Diogo
DiogoPermalinkResponder

O Beting é fera nesse assunto. Manja muito. E se ele disse, tá dito e ponto final.

Hugo
HugoPermalinkResponder

Infelizmente no Brasil as "sucessões de pequenos delizes" estão se tornando corriqueiras, e isso vem acarretando a morte de muitas pessoas.

O texto do Gianfranco é extremamente esclarecedor e nos mostra que não podemos apenas aceitar o que é bom (aeronaves com o reversor desligado conforme o manual e aeroportos com problemas), mas sim exigir o que é ideal e pelo qual nós pagamos (aeronaves e pistas em perfeitas condições de uso).

Guilherme
GuilhermePermalinkResponder

A única dúvida que fica é: no mesmo dia do acidente, o mesmo avião com o mesmo reversor desligado pousou em Congonhas por outras duas vezes, uma em condições climáticas piores e nada aconteceu. Também a mesma tripulação comandava o mesmo avião quando ele pousou em Porto Alegre, antes de voltar para Congonhas. Como o reversor estava desligado também nesta ocasião, a tripulação sabia comandar bem o pouso, mesmo nestas condições. Daí continua o mistério...

Miguel
MiguelPermalinkResponder

Apesar do bom texto, ainda acho que especular sobre as causas de um acidente é uma prática danosa, não traz vantagem nenhuma.

Carlos A. Vida

Ricardo Freire
Boa Tarde!!

Você tem dimensão do trabalho social que desenvolve com este blog sobre viagens?? veja só, eu trabalhei por mais de 15 anos sem tirar férias, aí, básicamente por fatores econômicos, minha situação financeira melhorou um pouquinho e pude começar a tirar alguns dias de descanso, sempre nos finais do ano devido a minha atividade profissional, básicamente de 20/12 a 03/01. Comecei viajando de carro para o litoral Paulista, depois para o litoral Sul e até para as Serras Gaúchas de ônibus (pacote da CVC). Comecei a planejar o meu passeio de final de ano, já no final do primeiro semestre. Foi aí que pesquisando pela Internet, descobri você, na época você estava escrevendo sobre as praias do Nordeste e resolvi fazer um passeio mais ousado, seguindo suas sugestões, fomos à Natal-RN, fazendo uma base em um hotel sugerido por você e de carro alugado conhecemos quase todos os lugares comentado em sua reportagem, de Pipa até a divisa com o Ceará. Foram 10 dias simplesmente maravilhosos e inesquecíveis. No ano seguinte, de novo seguindo as suas sugestões fomos à João Pessoa-PB, montamos base no Hotel Hardmann e de carro novamente, fomos de Pipa até a divisa com Pernambuco (incluindo Olinda) e em 13 dias conhecemos quase todos os lugares que você mencionou e também foi maravilhoso. Agora parece que o nosso governo resolveu dar um basta a "elitisinha branca" e fica impossível viajar, principalmente de avião, nos próximos dois anos pelo menos, justamente agora em que começo a planejar as minhas próximas férias. Então peço a você bolar passeios onde se possa viajar de carro ou de ônibus, talvez lugares distante até 600 ou 800 km de São Paulo, onde se possa aproveitar 10 ou 12 dias com a minha família. Posso garantir que terá um bom público para isso, só de amigos e conhecidos meus e que tem a mesma situação sócio econômica que a minha e veja só, tem agências de turismo aqui em Campinas, onde moro, que já faz roteiro utilisando o seu blog como argumento para os clientes.

Parabéns e um grande abraço....
Carlos

Jacque
JacquePermalinkResponder

Fui lá, li e deixei minha mensagem. Adorei o texto escrito por ele. Valeu a dica.
Um abraço.

Arthur
ArthurPermalinkResponder

Essa sugestão do Carlos é uma boa idéia.

Ernesto
ErnestoPermalinkResponder

sugestão legal : São Francisco Xavier, perto de Campos do Jordão

Outro, que é um roteiro para voce Riq: Cidades perdidas na Mantiqueira ( Bananal, Silveiras, etc...), e que tal Curitiba, Morretes, Ilha do Mel, e depois a Região de Castro, e do Itambezinho.... Tai alguns rotieiros para fazer de carro, mais ou menos 1000 km. ida e volta, ideais para 4 a 7 dias, e o melhor de tudo : SEM avião, filas, atrasos, stess, etc...

Por sinal, hoje foi a missa de 7 dia do nosso parente que morreu no fatidico voo da TAM, Roberto Gavioli.

Ricardo Freire

Ernesto, ele tem algum parentesco com a dona da pousada Estrela d'Água, a Beth?

Ernesto
ErnestoPermalinkResponder

Acho que não, pelo menos nunca ouvi dizer nada na familia.

Ricardo Freire

As sugestões são ótimas, Ernesto. O problema é que não tô conseguindo sair de perto do computador :roll:

Ernesto
ErnestoPermalinkResponder

Bem os seus fãs so não sabem se gostam mais de voce escrevendo, ou viajando para escrever...

Ernesto
ErnestoPermalinkResponder

Em tempo: eu conheço estes roteiros, se precisar de alguma dica, e so escrever!

Majô
MajôPermalinkResponder

A análise técnica do Betting sobre o acidente, aponta para uma série de erros possíveis.
Até para mim que sou leiga, é óbvio que a pista de Congornhas é curta demais para eventuais manobras necessárias de aviões de grande porte, deixando a margem de erro perto de zero. Tão grave, o fato de estar este aeroporto cercado de casas e prédios. É ficar no fio da navalha o tempo todo.
Recebi e-mail de uma amiga que mora na Alemanha, com uma carta escrita por um piloto da Varig:
"Meus caros amigos
Estou em Bangkok, voltando hoje à noite para Dubai.
Estou arrasado com o acidente do JJ3054 e nesse momento inicial resta apenas rezar por aqueles que partiram de forma tão trágica.
Porém, como profissional de segurança de vôo, sinto-me inconformado com essa catástrofe que infelizmente vinha dando 'avisos' claros há mais de dois anos, praticamente.
Quando eu estava ocupando a Gerência de Segurança do GIPAR, logo após o recapeamento da pista de Congonhas, no qual foi utilizado um novo tipo de asfalto 'poroso' que, segundo os engenheiros da INFRAERO, possuía grande capacidade de drenagem, registramos a ocorrência de uma série de incidentes onde houve dificuldades de controle direcional, aquaplanagem, e até mesmo o registro fotográfico feito por um piloto da TAM de um rio de lama passando por sobre a cabeceira 17R num dia de chuva intensa.
A INFRAERO insistiu que não havia problema algum com o asfalto, que não seria mais necessário fazer o 'grooving', porém a VARIG, TAM, GOL e BRA registraram 42 ocorrências e incidentes com essas características num período de 3 meses e meio em que fizemos um monitoramento do problema em uma ação conjunta das empresas através da Secretaria de Segurança de Vôo do SNEA (Sindicato Nacional das Empresas Aéreas).
Fizemos então uma reunião conjunta com a INFRAERO, DAC (na época) e empresas aéreas, mas o resultado esperado não foi obtido e estamos assistindo agora às conseqüências. Nessa reunião, o Cmte. Castro, safety da TAM, apresentou um brilhante estudo baseado em dados do FOQA, no qual, através da utilização de um software, foi possível calcular o coeficiente instantâneo e médio de desaceleração durante o pouso, e que mostrava claramente que os valores de coeficiente de atrito estavam muito abaixo dos valores mínimos de certificação.
E o problema maior era justamente no final da pista 35L, onde ocorreu o
acidente com a TAM.
É lamentável que todos esses alertas, inclusive os da derrapagem dos 737 da BRA e da GOL, não tenham sido suficientes para mobilizar as autoridades e responsáveis pelo Sistema de Aviação Civil, permitindo que tais fatores contribuintes permanecessem presentes por tanto tempo, juntando-se a outros fatores adicionais, tais como a recente crise do sistema ATC, pressões econômicas pela continuidade da operação em condições às vezes inadequadas, criando uma enorme janela de oportunidade para a ocorrência de um acidente desse porte."

Ana Carolina
Ana CarolinaPermalinkResponder

Completando as dicas do Ernesto para o Carlos sobre o vizinho Paraná:
- próximas à Ilha do Mel ficam outras duas ilhas (mais rústicas, com acesso mais difícil) que também valem o passeio: Superagüi (PR) e Cardoso (SP). No final do ano eu particularmente desaconselho a Ilha do Mel porque fica cheia demais (o controle de visitação é ineficaz, infelizmente).

- indo por Morretes dá para chegar a Guaraqueçaba, onde fica a reserva Salto Morato. Todas as vezes em que fui pra lá no verão choveu, mas é coisa rápida e logo o céu carregado fica limpo novamente e azul, muito azul (é um espetáculo). De Guaraqueçaba se pode chegar a Superagui.
* Embora a Ilha do Cardoso seja vizinha a Superagui (conheço quem tenha ido de bike aproveitando marés) o caminho mais fácil é por Cananéia (SP). A última vez que estive no Cardoso, em 2003, a visitação era muito bem controlada, o que ajudava a preservação local.
*Se for a Morretes não deixe de comer um bom barreado.

- na região de Castro e Tibagi fica o Canyon Guartelá que é tido como o sexto maior do mundo. Toda a vez que vou para a região fico pensando que o céu deles é muito maior do que o de Curitiba, onde moro.

- também no Paraná dizem que as cachoeiras de Prudentópolis são muito bonitas (estas eu ainda quero conhecer).

- tem ainda Foz do Iguaçu, que dispensa maiores comentários...

Desculpem se me empolguei!

Ernesto
ErnestoPermalinkResponder

As cachoeiras de Prudentópolis são realmente bonitas,e a Cidade ainda tem simpaticos traços ucranianos, como um museu, um restaurante típico e algumas igrejas.

Ernesto
ErnestoPermalinkResponder

E, as dicas da Ana Carolina são boas, as conheço todas! Só faltou a propria Cidade de Curitiba, que vale a pena !

Ana Carolina
Ana CarolinaPermalinkResponder

Obrigada, Ernesto.
A gente sempre esquece de olhar para o próprio quintal...
Vou usar a dica que você me deu pra Morro de São Paulo em setembro, mas acabei arrumando companhia.

Ana Carolina
Ana CarolinaPermalinkResponder

Ficou esquisito... "arrumando companhia" porque em princípio eu ia sozinha.
Estou pensando em esticar para Boipeba usando os roteiros do Ricardo Freire (de babar).
Agradeço a ambos!

Emília
EmíliaPermalinkResponder

Ana Carolina, se você gostou do esquema Ilha do Cardoso e Ilha do Mel (na baixa), você com certeza vai gostar de Boipeba. O ambiente é rústico e ainda autêntico, sem muitos turistas, e as praias são maravilhosas. Acabei de chegar de lá e já quero voltar... smile

Lucio Tokutake

Sabe aquela história de falar em corda em casa de enforcado?
Pois bem, na sexta-feira (20/07) às 22h na sala de espera da Aeroporto Eurico Sales de Vitória-ES, sabe o que passava na TV Aeroporto?
LOST!!!!! Brrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrr!!!!!!!!! Que mal gosto!!!!!!!

Lena
LenaPermalinkResponder

Nossa, Majô!! Este piloto tinha que dar uma entrevista para um jornal!!

Majô
MajôPermalinkResponder

Pois é, Lena também acho. A minha amiga que mandou esse e-mail é alemã, ela trabalhou muitos anos na Varig lá, e o marido até hoje trabalha na Lufthansa. Achei que essa carta não podia ficar na minha caixa de msg, acho que todas as informações têm que vir a público, concorda ?

Ernesto
ErnestoPermalinkResponder

Mas, a TAM também tem a sua parcela de culpa, por sabendo, não ter desviado os voos para Guarulhos, por ganancia, e mais ainda, consciente do problema, permitido que um avião sem reverso fizesse a rota. O peso no limite, com a lotação do avião, tembém teve uma infuência neste acidente, somado a todos os fatores já descritos.

Lena
LenaPermalinkResponder

Concordo, sim, Majô. Já fiz um "copy;paste" e mandei pra um monte de gente...
Ernest, o que mais me chamou atenção na carta foi exatamente o fato das cias aéreas terem atuado fazendo estudos , etc. Eu achava que as empresas forçavam a barra para ficar em CGN sempre.

Ernesto
ErnestoPermalinkResponder

Bem, Lena, elas poderiam ter alertado o publico, não? eu mesmo sabia que era perigoso, mas pensava que o perigo maior seria uma pequena derrapada, nunca o que ocorreu.

Ernesto
ErnestoPermalinkResponder

Ps... Se voce quiser circula na NET uma grave denuncia que narra vários acidentes da TAM, que não tiveram uma explicação razoavel. Disponbilizarei a quem estiver interessado. As fontes são serias, e acompnmham fotos. De muitos, por revistas especializadas como a Aeromagazine, eu já tinha ouvido falar.

Quem quiser : ernestoadvogado arrobinha magica yaoo( o do surf) ponto com br

Ana Carolina
Ana CarolinaPermalinkResponder

Emilia: obrigada!
Onde você ficou por lá? Fez reserva antes?
smile

Jurema
JuremaPermalinkResponder

Ernesto:

Eu também recebi esse e-mail das fotos dos acidentes recentes da TAM, mas eu nunca confio nesses e-mails apócrifos que recebo.
Será que todas as informações dadas são reais? Se sim, será que a empresa realmente considera tudo normal ou fez investigações a respeito? Não acredito que empresas sérias queiram mesmo correr riscos a toa, já que, pelo menos economicamente falando, perder tripulação, aviões, além de publicidade negativa dão muito prejuízo, não?

Rodrigo, nopsso assessor para assuntos aéreos, você já viu esse e-mail?

Emília
EmíliaPermalinkResponder

Oi, Ana!
Todas as dicas que eu aproveitei foram dadas pelo próprio Ricardo, que constam deste post-guia aqui:
http://viajenaviagem.wordpress.com/2007/05/01/de-salvador-a-boipeba-pra-emilia/
Fiquei somente 4 dias, mas o suficiente para ver que a ilha é linda, ótima para relaxar e comer muitos peixinhos e lagostas grin
Eu fiquei na Santa Clara, que recomendo totalmente, rústica com charme, ótima comida e atendimento superatencioso do dono. Ah, e reservei sim, apesar de julho não ser alta por causa das chuvas que ainda caem um pouco.
Para ir é um pouco complexo, mas vale a pena. Caso tenha mais dúvidas, é só falar.
Um abraço!

Ernesto
ErnestoPermalinkResponder

Muitos dos acidentes ja tinham sido citados na aeromagazine!

Rodrigo Purisch

Jurema e Ernesto,

Pessoalmente, tenho muitas resistências e preconceitos quanto a esses tipos de e-mails. A Internet é um meio fértil para o crescimento de mitos e informações não tão acuradas. Não sei se esse caso pode ser classificado como tal.

Como pode ser notado, no Aquela Passagem!, sempre tento dar a fonte dos dados e uma parcela muito pequena desses e-mails relata fonte ou quando o faz, nos obriga a conferir uma por uma. Quantos e-mails do Jabour existem por ai?

No caso específico desse e-mail, temos que ter mais cuidado ainda. Ele está fortemente influenciado pela emoção.

Não tenho conhecimento profundo no tema acidentes aéreos e sua análise depende do domínio de vários conhecimentos dentre eles estatística, normas de segurança, dados operacionais mundiais, registros históricos, etc.

Gosto sempre de lembrar que se você comeu um frango e eu não comi nada, estatisticamente nos dois estamos satisfeitos, porque cada um comeu meio frango. Esse exemplo bobo é para lembrar que os dados são manipuláveis ao gosto de quem conta a história e para discernir o fato do mito é necessário conhecimento no assunto.

Andei dando uma pesquisada na Internet e achei alguns sites (http://www.airsafe.com/airline.htm , http://www.planecrashinfo.com/rates.htm ) que postam estatísticas de acidentes aéreos (não posso afirmar que esses dados são confiáveis). Nesses sites, a TAM não se apresenta com uma estatística favorável, mas está longe de muitas outras cias.

Devemos lembrar que a estatística da Gol, hoje, não deve ser das melhores: pouco tempo de vida e um grande acidente. Foi culpa da Gol o acidente? Nada aponta para isso, mas as estatísticas não sabem disto.

A nós consumidores, a segurança de vôo é algo muito importante, mas para as seguradoras é questão de lucro e sobrevivência. Essas empresas têm acesso a um sem número de informações essenciais para determinar o grau de risco. Nunca vi críticas aos valores pagos pela TAM nesses seguros, levando a duas conclusões possíveis: o risco da TAM está dentro da média e o valor pago não deve diferir das demais cias.

TAM e Fokker http://en.wikipedia.org/wiki/Fokker_100 não combinam, tanto que ela está para aposentar toda sua frota em um futuro recente. O avião é ruim? Parece que não, já que várias cias operaram e operam aeronaves Fokker. Os MK-28 da OceanAir são Fokker 100 da American Airlines.

Um nome é construído depois de anos de trabalho duro e pode ser perdido em pouco tempo. A TAM está sob risco de ter sua marca muito afetada, principalmente pelo que ela deixou de fazer (informar, dar apoio aos consumidores, assumir erros/responsabilidades, lentidão na resposta aos fatos e por deixar ouvir seus funcionários) do pelos acidentes em si. Quando os fatos são envoltos em uma aura de mistério, as chances de teorias diversas eclodirem são sempre maiores.

Ernesto
ErnestoPermalinkResponder

Rodrigo

Voce leu a Exame? A TAM só contactou a viúva do Deputado, que era o morto mais ilustre do avião, depois do enterro. Imagine-se os demais mortais... A fama da TAM, no quesito segurança nunca foi das melhores no meio aeronautico, e infelizmente a conjunção de fatores deste acidente, que a meu ver teria sido evitável com um pouco mais de prudencia, reforça isto. Se os proprios pilotos da TAM reconheceram que a pista estava perigosa, porque a insistência em pousar lá com chuva, e com a aeronave no limite de peso? Não sei se voce sabe mas os Boings da Gol foram desenvolvidos com freios especiais para pistas mais curtas.

Rodrigo Purisch

Ernesto,

Não li ainda essa matéria da Exame.

Aquele 737-800 SFP (Short Field Performace) da Gol que caiu foi o primeiro dessa série e foi desenvolvido pela Boeing a pedido da Gol para pousar em pistas curtas. Tinha acabado de ser homologado.

Rumores sempre rondaram a TAM e só continuaram porque ela nunca se mostrou uma cia transparente.

A TAM tinha como concorrente a Varig que possuia padrões de qualidade e segurança mais elevados. As críticas dos funcionários da TAM vinham sempre na comparação com os da Varig. Hoje em dia não há mais Varig. Tenho minhas dúvidas se na GOL, BRA e OceanAir a situação é muito diferente da TAM. A GOL tem a vantagem de ter uma frota muito nova que reduz em muito a necessidade de manutenção. Os 767 da BRA e os atuais da Varig vivem dando manutenção.

Cabe ao poder concedente fiscalizar, nós não temos como saber ou escolher qual aeronave vai fazer nosso vôo.

Ernesto
ErnestoPermalinkResponder

Rodrigo

Eu concordo com voce quanto a BRA, tanto que nunca voei com eles. Quanto a Ocean eu não conheço com profundidade, embora as vezes que conversei com pilotos, eles me deram boas referências. Quanto a TAM, eu realmente, como cliente, estou decidido a evita-la na medida do possível, pois infelizmente a ANAC não fiscaliza o mínimo, que seria a pontualidade e o respeito ao consumidor, o que dizer do resto? ( Mas, vá ter um pequeno avião onde voce so leva sua familia, e seus convidados, e ver a dor de cabeça que e a ANAC, que aumentou todoas as taxas em valores absurdos, em alguns casos de ate 1000% !!)

renata
renataPermalinkResponder

muito bom o texto, ricardo, a exceção da conclusão a que chegou o especialista. ou eu estou com serias dificuldades de compreensão, ou não existe logica entre sua explicação (muito bem embasada e que, agora, com mais informações sobr eo acidente, parece ser procedente) e a conclusão, que culpa o governo ou o aeroporto. francamente, não entendi.

Atenção: Os comentários são moderados. Relatos e opiniões serão publicados. Perguntas serão selecionadas para publicação e resposta. Entenda os critérios clicando aqui.
Bóia offline! Vamos continuar aprovando comentários, mas a Bóia só volta a responder perguntas que forem feitas depois de 10 de abril de 2017. Obrigado pela compreensão.
Cancelar