Meu primeiro Varigol

Ricardo Freire
por Ricardo Freire

    varig400.jpg

Eu já tinha ido ao Santos Dumont na sexta-feira, para pegar o carro alugado na Localiza. Ou seja -- já estava de coração partido com o que fizeram com o ex-aeroporto mais charmoso do planeta.

Não é que a ampliação seja um puxadinho do aeroporto original; o aeroporto original virou um puxadinho do trambolho novo. Não houve um mínimo de preocupação em harmonizar linhas ou valorizar o prédio histórico. O horror, o horror, o horror.

Às 10 da manhã, já fora do pico da ponte aérea, a área nova de check-in é um cemitério. Não há filas no balcão de nenhuma das companhias. A obsessão da Infraero em construir aeroshoppings e a incompetência da Anac em regular a malha aérea acabaram dando ao Rio não um, mas dois elefantes brancos: o terminal 2 do Galeão e, agora, o novo Santos Dumont.

Meu vôo (emitido com milhas) estava marcado para as 11h; a moça do check-in me perguntou se eu não queria antecipar para as 10h30, porque "o das 11h vai atrasar muito". (Isso, em checkinês, deve significar "o vôo das 11h vai ser cancelado e você vai ter que esperar pelo próximo avião que a gente conseguir lotar".)

O vôo saiu e chegou na hora, e foram servidos dois salgadinhos quentes como lanche.

O céu estava azul quando chegamos a São Paulo, mas a partir de agora toda aterrissagem em Congonhas vai ser nervosa até percebermos que o avião conseguiu frear.

Enfim... que venha o trem-bala.

49 comentários

Ernesto
ErnestoPermalinkResponder

Riq

Vale a pena torrar milhagem para uma ponte aerea? A Ocean Air tem voos de Congonhas até o Galeão a partir de R$ 75 !

Ricardo Freire

Não fiz muita conta não, Ernesto. Por motivos blogueirísticos, eu queria usar o Santos Dumont e voar Varig...

Beto
BetoPermalinkResponder

Sobre o Santos Dumont: depois me acusam de pessimista, quando digo sempre que dias piores virão...

Beto
BetoPermalinkResponder

Ou que nada é tão ruim que não possa piorar...

Lena
LenaPermalinkResponder

Murphy puro, né Beto?

Fabio Nitschke Gomes

Riq, notei na Varig na fase "depois da Gol" que sumiram com a rosa dos ventos (aquela estrela amarela) da marca - ao menos da comunicação em geral (anúncios, site)...

Você notou alguma coisa nos demais "pontos de contato" com a Varig? (Será que está por vir uma mudança mais radical da marca?)

wink

Sylvia
SylviaPermalinkResponder

Será que nós ainda vamos estar neste planeta para podermos
viajar pelo nosso país de trem ??
Alguem conhece coisa mais absurda do que escoar produção de grãos,
veiculos, maquinas etc por es-tra-das ???

Mari Campos
Mari CamposPermalinkResponder

É, Sylvia, a esperança a é a última que morre... vamos continuar torcendo (e rezando!) para que possamos viajar pelo Brasil de trem - nem que seja, pelo menos, até o aeroporto...
Eu viajei de Varigol para BsAs e não tenho absolutamente nenhuma queixa. Melhor que Varig e melhor que Gol: refeição completa, variedade de bebidas, pontualidade na ida e na volta.

Meilin
MeilinPermalinkResponder

Alvíssaras, Mari, eu tô indo pra lá no dia 05/set e vejo chuvas e trovoadas no horizonte aeroportuário.

Mari Campos
Mari CamposPermalinkResponder

Meilin, pensamento positivo! wink

Lafa
LafaPermalinkResponder

Fui sexta à São Paulo, pousando em Cumbica (Belém direto) pela TAM. Pouso normal.

Já a volta, decolei de Congonhas. O avião taxiou na beira do barranco, exatamente no local dos acpntencimentos...

Silêncio total!

Alexandre Giesbrecht

Eu costumava me tranqüilizar no instante em que os pneus do avião tocavam o solo. É verdade: agora é bom esperar frear.

Agora, quanto ao trem-bala... Eu adoro a idéia. Sou um entusista ferroviário, embora nem tanto quanto o é meu pai, um verdadeiro fanático pelos trilhos (como sofre...). Mas, infelizmente, acho que não vai sair do papel. Por dois motivos, a saber:

1) A serra no Rio. Fazer um trem descer em alta velocidade seria perigosíssimo, para não dizer impossível, por causa da geografia local. Ou seja, naquele trecho o trem teria de diminuir consideravelmente a velocidade, e por um bom tempo, o que significa um maior tempo de viagem. Neste 2006, mesmo as seis horas que separam Rio e São Paulo de ônibus parecem pouco, se comparadas às torturas que o caos aéreo nos tem infligido. Mas há que se lembrar que, apesar de toda a incompetência, a corrupção, o aparelhamento do estado (eu poderia citar problemas por horas) etc., um dia esse caos vai acabar. E o trem mais uma vez deixará de ser uma opção vantajosa em relação aos aviões cujas passagens estarão cada vez mais baratas.

2) O segundo motivo é ainda mais desanimador. Os "estudos" que tenho visto sobre o assunto são, para ser generoso, viajantes demais. É sabido que o transporte ferroviário de passageiros é deficitário por natureza, a não ser que haja uma demanda muito grande. Justamente por isso, nesses "estudos" a demanda tem sido inflada a ponto de ser quase risível. Estão projetando uma demanda anual de 30 milhões de passageiros! Ora, se somarmos os passageiros de avião e de ônibus que trafegam entre São Paulo e Rio em um ano, não chegaremos a 30 milhões. Então, estão imaginando que o trem-bala faria com que *todos* os passageiros que hoje se utilizam de ônibus e aviões nesse trajeto os trocarão pelo trem — e ainda conseguiriam alguns poucos milhões de passageiros novos, que hoje não viajam. É absurdo demais! É só no Brasil que fazem tal divulgação de um plano tão esburacado.

Eu sonho com o dia em que conseguiremos viajar de trem pelo Brasil da mesma maneira que na Europa. Quando peguei os trens por lá, sempre com o meu Eurail Pass na mão, eu não conseguia deixar de me imaginar pegando um trem de São Paulo a Santa Cruz das Palmeiras, a Aguaí, ao Guarujá... Quem sabe meus trinetos não conseguirão? wink

Lafa
LafaPermalinkResponder

Ah, Riq... pois é... aquilo foi coisa de publicitário que não é... um Riqtemp... rsrsrs

Mô Gribel
Mô GribelPermalinkResponder

Não se preocupa, Meilin. Eu voei de Varigol para lá e conseguimos decolar apesar da neblina e do caos no aeroporto de Bs As.
Só o atendimento do pessoal lá em terra que não é lá essas coisas.
Ah, mas dá uma olhada, porque saiu essa semana - e não sei se já normalizou - que a Varig não tava podendo operar em BsAs.
No máximo vc vai e volta de GOL. Boa viagem!

Meilin
MeilinPermalinkResponder

Poizé, Mô, mas o meu bilhete é Smiles, que já tava pendurado há um ano...será que a Gol vai ter tanta consideração assim? Se ela me deixar no chão em Bs. As. eu acho ótimo, mas ficar no GIG em véspera de feriado é ruim demais, né?

Sylvia
SylviaPermalinkResponder

Miuto boas tuas colocações e argumentos Alexandre.
Mas me permita , vou discordar total e completamente.
Discordo não por ser uma expert no assunto , apenas por ser
usuária eventual e uma observadora atenta.
Vou discordar de ti sem nenhum argumento , apenas com perguntas wink
E os trens europeus , russos, nepaleses, chineses ... como fazem para descer as altissimas escarpas montanhosas ?
E os trens europeus que continuam a circular independentemente de
passagens aéreas que custam de um a 20 euros ?
E o transporte de carga por trens que não polui , é mais seguro e
rápido ? Alem de aliviar as estradas e reduzir acidentes.
Se tivessemos sido colonizados pelos Holandeses além de olhos azuis smile
teriamos estradas de ferro ,... se ...

Majô
MajôPermalinkResponder

Riq,
Também concordo que macularam o Santos Dumont com aquele monstrengo branco. Quem sabe aquilo ainda desaba e volta a ser como antes. wink
No trecho Sampa Rio, a TAM ofereceu refri e sucos, e só, mesmo depois de um super atraso, com um avião lotado e muita gente tendo passado a peregrinação que nós passamos, incluindo o monte de italianos que estava vindo para o Rio.

E dizer que já tivemos no Brasil linhas ferroviárias entre vários estados do Brasil que funcionavam muito bem e foram abandonadas. Principalmente para escoar café e minérios.
Como a Sylvia acho um absurdo usarem transporte rodoviário para escoar grãos e que tais.
Além do que trem usa uma energia limpa. Já repeti várias vêzes aqui AMO UM TREM !!! Não precisa ser trem bala, basta reativarem as linhas antigas e arrumarem as estações que foram abandonadas.
A hora é agora !! smile

Alexandre Giesbrecht

Sylvia, muito interessantes suas perguntas. A primeira resposta é justamente a uma das últimas delas: o transporte de cargas é justamente o que dá lucro nas ferrovias — e é por isso que as concessionárias aqui no Brasil ignoraram completamente os passageiros, dando prioridade total às cargas. Ele é extremamente vantajoso não só por isso, mas também por tudo o que você citou, mas aqui no Brasil, o país dos lobbies, o transporte de cargas ficou em segundo e até terceiro ou quarto plano porque era muito mais interessante para uma minoria que o transporte se concentrasse nas rodovias. Um erro para se lamentar até hoje.

Quanto às escarpas, não é que seja impossível subi-las ou descê-las, é que a velocidade é comprometida. Em outros casos, não seria problema. Nos Alpes Suíços, por exemplo, a viagem de trem é justamente "o" passeio, e de nada adiantaria um trem-bala nesses trechos, porque as pessoas perderiam o melhor da viagem. É que no trecho São Paulo–Rio o atrativo seria justamente a duração da viagem, fazendo com que o trem pudesse competir com vantagem contra o avião não só no preço, mas também no tempo. Essa vantagem também existe na Europa porque as estações centrais geralmente ficam, como sugere o nome, no centro das cidades, eliminando a necessidade de se deslocar a aeroportos que geralmente ficam bem mais longe do centro, isso sem falar no check-in (que seria uma vantagem aqui também).

Até mudarem a cultura dos brasileiros que viajam de avião e de ônibus, para que encarem os trens como um meio de transporte vantajoso e não uma mera curiosidade advinda de algum passeio turístico em cidade do interior ou de uma experiência vantajosa no Exterior ("coisa de 'gringo'"). Quanto mais de 30 milhões de passageiros! (Ou menos, considerando-se que vários destes viajariam mais de uma vez.)

Talvez a melhor idéia seja a da Majô: reativarem as linhas antigas; não precisa ser trem-bala. Um trem-bala aqui seria tratado como curiosidade, tal qual foi o Trem de Prata nos anos 90. Não como uma alternativa viável. Quem sabe semeando novamente os trilhos, aos poucos seja possível readquirir uma cultura que há décadas se perdeu no Brasil. Concorrer-se-ia primeiro com os ônibus, depois partir-se-ia para concorrer com os aviões. Nada de curto prazo, nada de planejamentos feitos às pressas e com números inflados. Seis décadas de descaso não se consertam em seis anos.

Putz, empolguei...

Antes de terminar mais um comentário que na verdade são vários comentários, aproveito para postar o link de um vídeo no YouTube que meu pai, este sim um fanático ferroviário, me enviou ontem. Ele mostra uma "reportagem" que outro fanático ferroviário fez, em busca de uma estação abandonada na divisa de Minas Gerais com o Rio de Janeiro e que está localizada em uma região que será inundada em breve para a construção de uma barragem. A estação é linda. Chama-se (ou chamava-se) Simplício.

http://www.youtube.com/watch?v=dHKng-W8tAw

Marcos
MarcosPermalinkResponder

Pessoa, qual seria um bom site (tipo VENERE ou EXPEDIA) de reserva de hoteis nos EUA?
Obrigado

Ricardo Freire

Marcos, comece pelo TripAdvisor, http://www.tripadvisor.com . Ele vai redirecionar você para vários sites confiáveis, como Expedia, Venere e Hotels.com.

Sylvia
SylviaPermalinkResponder

Marcos , o Expedia e o Priceline alcançam toda a America do Norte
e o Kayak tambem é ótimo.

Mô Gribel
Mô GribelPermalinkResponder

Majô,
Eu fui do Rio a BH de trem há 18 anos atrás.
Sinceramente? Foi horrível! grin
Aquele trem não quero de volta não... mrgreen
Levamos 12 horas em uma poltrona ultra-desconfortável, o poc-poc a noite toda não me deixou dormir, a comida era péssima. smile
O maior programa de índio! A gente foi porque era diferente, sabe? grin
Mas trens modernos e tal, dou a maior força.

Ernesto
ErnestoPermalinkResponder

No Brasil, infelizmente há poucos passeios de trem que restaram: os melhores são São João del Rey - Tiradentes, e Curitiba - Paranagua. Antigamente havia a viagem Santos SP, o trecho Barra Mansa- Lavras, ambos com belas paisagens de Serra, Porto Alegre _Uruguaina, que passava por pontos de migração de pássaros, e que funcionaram até o meio/fim dos anos 90. Na Argentina, em Bariloche há um passeio que também leva a uma reserva de aves, num trem a Vapor, e La tronchita, uma locomotiva a vapor de bitola pequena, em Esquel, alem do Trem do fim do mundo na PAtagonia. O Trem das Nuvens está desativado. Que pena! Um dia ainda vamos voltar aos passeios de trem. Eu li que o Orient Express iria fazer um trem de luxo, de Curitiba até Foz, mas é passeio pago em Euros, para gringos...

Ernesto
ErnestoPermalinkResponder

Ps... O Vitoria Minas, eu fiz de dia. E bom, mas só para quem curte trens...

Emília
EmíliaPermalinkResponder

Enquanto isso...até mesmo os museus ferroviários estão sendo desativados, como o da Estrada de Ferro Madeira-Mamoré, em Porto Velho sad

Bruno Vilaça
Bruno VilaçaPermalinkResponder

Fabio Nitschke, escutei um zumzumzum que foi estratégia da DM9 "apagar" a rosa dos ventos por um tempo. Parece que quando o Cade aprovar de vez a compra da Varig pela Gol, novas aeronaves chegarem e os principais vôos internacionais retornarem, a estrela volta repaginada, anunciando "novos" tempos.

Alexandre Giesbrecht

O passeio de trem entre Tiradentes e São João Del Rey eu já fiz por duas vezes, e é mesmo maravilhoso. As duas estações também estão bem cuidadas, e são um espetáculo à parte, especialmente a de São João. Outro passeio que fiz foi entre Campinas e Jaguariúna. À época, não se chegava à estação de Jaguariúna, mas parece que hoje chega — a conferir. Curitiba–Paranaguá eu já fiz, só que faz mais de 20 anos e não me lembro muito.

Mas um dos passeios mais agradáveis que já fiz de trem no Brasil não é algo freqüente. Foi por puro acaso. Fui a Porto União, cidade "gêmea", por assim dizer, de União da Vitória. A primeira fica em Santa Catarina, a segunda, no Paraná. A estação que atendia as duas cidades fica exatamente na divisa e é igual para os dois lados, com um estilo meio art-deco, assim como boa parte das casas próximas nos dois lados, especialmente no catarinense. Aliás, esse parece que é o único lugar no mundo em que uma linha de trem divide dois estados, mas não consegui confirmar essa informação.

Pois bem, meu pai e eu decidimos visitar a cidade justamente por causa da estação. Tirei uma sexta de folga, porque a viagem era longa (nove horas, se não me engano), e passamos o fim de semana lá. E qual não foi nossa surpresa quando descobrimos que justamente naquele fim de semana haveria um passeio de trem? Sem um destino no sentido mais comum da palavra, o trem andava alguns quilômetros e voltava, de ré. Curioso foi que, em um dos trechos, simplesmente largaram um carro estacionado, porque não sabiam que o trem tinha voltado a passar por ali. O pessoal que estava no trem teve de se reunir para tirar, "no muque", o carro do meio do caminho. Tenho até uma foto desse momento bizarro.

Fabio Nitschke Gomes

Bruno: esses critérios devem ficar mais claros depois, né? smile Agora só cabe especulação...

Mas espero que tenham uma BOA razão, achei que a marca ficou meio, sei lá, "pelada", visualmente bem mais fraca... Eu não gostei, mas vai ver acham que vai ajudar a descolar da (má) imagem anterior.

E logo a Varig, que pra mim tem (tinha?) a identidade mais bacanuda das empresas nacionais... Muito melhor que a TAM e aquelas letras velhíssimas desenhadas com esquadro, e a Gol, que acertou bem na cor, mas aquele OO duplo eu nunca engoli. smile

Majô
MajôPermalinkResponder

Mô,
Pois eu andei de trem no Estado do Rio quando criança e adorava.
Foi um erro estratégico a opção por rodovias ao invés de ferrovias que foram traçadas desde final de 1800. Leia um pouco sobre a Ferrovia do Contestado http://www.cdr.unc.br/ambientes/museu/museu.htm
Acho a falta de manutenção a este bem público criminosa. O video do Claudio mostra esta estação Simplício em Além Paraiba, abandonada. E há em Minas, Paraná e outros estados, porque tenho lido e acompanhado. Havia ferrovia que saia do Rio, passando por Friburgo e continuava ´por Além Paraiba para escoar café. Arrancaram ou passaram terra e asfalto em cima.
Veja se na Europa fizeram isso ?
Estamos pagando um preço alto por isto em todos os sentidos.

Thyago Miranda

Eu acho que esse erro histórico na vida desse país, priorizando rodovias em vez de ferrovias, vem de ganância política de um mercado que já se traçava ligeira e burramente americanizado. Era o progresso das estradas e dos automóveis nas terras de Kennedy que fizeram os tupiniquins aderirem ás "glórias" do transporte individual. Já posso imaginar as campanhas publicitárias com fotos de uma família reunida, na sua privacidade, com o seu carro, rumo ao progresso sempre ao alcance, com as novas estradas.

Além disso, a maior estatal brasileira estava apenas crescendo. Onde é que enfiariam a produção e quem, senão os motoristas, pagaria por essa "máquina de imprimir dinheiro", como era comumente chamada as empresas petrolíferas?

Vivemos de profundos erros políticos. Profundos, desgastantes, exaustantes... Concordando já com a Sylvia, nosso erro primário foi cometido em 1500. Foi uma nação errada a que aportou aqui. Se fossem os Holandeses...

Majô
MajôPermalinkResponder

No Brasil começou com Juscelino Kubischeck.

O enforcamento das ferrovias « Digo

[...] das rodovias em detrimento das ferrovias andam acalorados em diversos sites, blogs e fóruns. No Viaje na Viagem, do Freire, os tripulantes discutem a implantação do trem-bala, a revitalização de linhas [...]

Thyago Miranda

Então, Majô, foi assim que nossa chance de progresso desceu asfalto abaixo, e não subiu trilho acima...

Alexandre Giesbrecht

Sim, no Brasil começou na era JK, mas não se limitou a ela. Chegaram ao cúmulo de fazer sacanagens das grossas. Por exemplo: para se ir de A a C, era preciso fazer baldeação em B. Então, começaram a adiantar os horários de B para C, fazendo com que quem chegasse de A só pudesse pegar o trem para C no dia seguinte! E assim, cada vez mais o trem foi ficando "inviável".

Eu estava relendo o comentário do Ernesto, e vi que acabei me esquecendo de comentar as ferrovias na Argentina. Quando fui a Buenos Aires na minha lua de mel, cheguei a imaginar pegar o Trem do Fim do Mundo ou ao menos o Trem das Nuvens, mas, pelo curto tempo que eu tive na Argentina, não foi possível. Então, acabamos nos contentando em fazer o Trem da Costa, em Buenos Aires mesmo. E não nos arrependemos. O trem é confortável e agradável, e as estações são agradabilíssimas e extremamente bem conservadas. A maioria delas tinha sido transformada em restaurantes ou barzinhos, e dava vontade de parar em cada uma delas. Aliás, foi exatamente isso que fizemos, porque o bilhete de turista dava direito a parar nas estações. O único "problema" é que as atrações no Tigre estavam todas fechadas, assim como a feirinha em Barrancas, porque fomos em pleno dia de semana. Mas nem ligamos, porque o passeio de trem era o que queríamos fazer. O passeio de barco até estava aberto, mas foi mal-recomendado, então não o fizemos. E na volta, ainda encaramos o trem de subúrbio para voltar ao Centro. Passa por localidades bonitas e outras nem tanto, e as estações não têm, claro, o charme das do Trem da Costa. Lembrava — muito! — a linha B da CPTM, que liga a Júlio Prestes (minha estação preferida em São Paulo) a Barueri e Itapevi.

Majô
MajôPermalinkResponder

Thyago, pois é, os homens públicos no final do século passado não se preocupavam em deixar marcas de sua imagem, e sim com o que era bom para o futuro do Brasil. Havia continuidade de ações, e não abandono do que era feito pelo antecessor. Os engenheiros que construiram essas ferrovias eram respeitados na Europa por sua competência e seriedade.
Já, hoje em dia......

Ralph Mennucci Giesbrecht

Senhores. os trens de passageiros e a diminuição do uso das ferrovias e seu abandono não surgiram na era JK. Foram apenas consequencias de diversos erros e de ferrovias mal-construidas (não todas). A interferencia do Governo nas ferrovias ainda privadas, bem como a falta de manutenção nas ferrovias governamentais, que nos anos 1950 já eram de longe a maioria, também influenciaram muito. Da mesma forma, a partir de 1961, quando todas as ferrovias passaram a ser estatais, os investimentos nesta foram caindo cada vez mais até chegarem a zero nos anos 1990. Entregaram a sucata para as concessionarias. O ultimo trem de passageiros rodou em 15 de março de 2001, e foi em São Paulo. Com exceção dos trens Belo Horizonte-Vitoria e São Luiz-Carajas, ambos da Vale do Rio Doce, e dos trens metropolitanos (CPTM e congeneres), todos os outros trens existentes no Brasil são turisticos, somente funcionando em fins de semana e feriados com, na maioria das vezes, locomotivas a vapor e em percursos curtos. Por que sobrevivem trens em outros países do mundo (bons e maus, incusive os europeus)? Por que são subsidiados pelo Governo (no caso da Vale, pela própria Vale). Sim, são subsidiados, porque esses países acreditam que o trem é ncessário, inclusive para conter o monopólio dos avoões, onibus e automoveis. Quanto aos trens metropolitanos (inclua-se aí o metrô), alguns dão lucros (pequenos), simplesmente porque vivem lotados. Se não fosse para ficarem lotados, eles acabariam. É por isso que digo: não esperem que acabe a superlotação do metro e da CPTM nas horas de pico. Quanto a viagens de trens no Brasil, basta visitar o site www.estacoesferroviarias.com.br e clicar nas páginas sobre trens de passageiros.

Daniela Siqueira

Concordo com todo mundo que trem é imprescindível, num país continental como o nosso, especialmente para transporte de cargas seguro e confiável, além de barato. Mas os problemas também têm que ser ponderados, especialmente para o transporte de passageiros.

No norte de Minas (e imagino, no interior de todo o Nordeste), resolveram o problema da construção de estradas simplesmente tirando os trilhos que lá estavam, quando da desativação, e aproveitando tudo, até os pontilhões (onde só colocaram tábuas para os carros passarem). As estradas ficaram pitorescas, porque os trens corriam normalmente à beira dos rios, já que não podiam descer ou subir com inclinação muito forte, e lá iam, fazendo curvas. O problema hoje é que as estradas estão cheias de curvas dos traçados dos trens - perigosíssimo para as velocidades atuais - e que não há mais lugar para construir uma nova estrada de ferro.

Os percursos curtos, tipicamente turísticos, de trem (tipo Tiradentes-São João del Rey) são pitorescos e curiosos, nos permitindo voltar a uma era antiga, especialmente se andando de Maria Fumaça. Mas são um destino em si, e não um meio de transporte. Têm futuro como atração turística e, apesar dos preços normalmente nada convidativos, dão charme à viagem. Então, que venham os novos trechos (ouço falar de um trem a ligar Ouro Preto a Mariana, que já existiu na minha infância), que têm circulação nos fins de semana e feriados, aproveitando os turistas.

O problema são os trens comuns, trens de linha, que levam de A a B gente comum, que só quer ir de A a B (bem, e eventualmente ir olhando a paisagem no caminho). Moro hoje em Governador Valadares, e o barulho do trem me faz companhia todo dia (a linha da Vale do Rio Doce passa atrás do meu prédio). Linhas que funcionam - como a Vitória-Minas, que passa aqui - têm hoje por base, principalmente, o transporte de carga, incessante e necessário. A Vale transporta toneladas (e são MUITAS toneladas) de minério de ferro ou de produtos acabados (dã, de aço) das minas gerais direto para o porto de Tubarão, em Vitória, onde as embarca para os exterior, especialmente o Japão. Aí, pra fazer uma média com as comunidades por onde passa, ela dispõe de um trem de passageiros. Vocês me ouviram: é UM trem de passageiros, uma vez por dia, um indo de BH para Vitória, outro vindo de Vitória para BH, os dois fazendo escala aqui. O trem vive lotado. Por quê? Porque é a MAIS BARATA opção de locomoção entre esses lugares. Há dois tipos de vagão: o da classe executiva, que tem ar condicionado, e o da patuléia, que não tem nada. O preço é convidativo - o tempo de viagem é que não é. Todo o trajeto gira em torno de 700 quilômetros, que são percorridos em 13 horas, ou seja, a uma velocidade média de 53 km por hora. Saindo de BH às 07:30 h, a chegada em Cariacica (se não houver atrasos) é só às 20:30h. Interessado em algum outro horário? Não tem, é esse. Óbvio que a Vale não tem lucro com a linha, que infelizmente não leva turistas interessados na viagem em si e com tempo de sobra. Um relato:

http://www.webtranspo.com.br/ferroviario_noticias2.asp?offset=0&Registro=6791

Conclusão: ninguém tem mais o enorme tempo que tinha antigamente, quando o trem era o meio de transporte mais veloz e confiável. Apesar dos nossos constantes caos rodoviários e eventuais aéreos, ainda assim, andar de carro ou avião ainda é bem mais rápido, sem comparações. Os trens que deram certo (como na Europa) são os que investiram em tecnologia para encurtar distâncias, fazendo com o que o tempo gasto no trem fosse inferior que o gasto no conjunto deslocamento até o aeroporto/ prazo de check-in/atraso do avião/espera pelas bagagens/transfer de volta pra cidade. Se a equação não for ao menos equivalente, não valerá a pena (a não ser que o preço do trem seja beeem inferior às demais tarifas - e aí teremos nos trens os clientes que hoje existem: pessoas cujo tempo vale menos que a passagem. Não tem um único empresário ou homem de negócios para contar a história).

E quem mora em cidade onde passa trem pode contar o transtorno que é, no fim das contas - o barulho, o trabalho que é fazer viadutos ou mergulhões para passar pela linha (que não pode subir nem descer, e corta a cidade pelo meio), a poeira de minério de ferro.

Tudo isso pra dizer que o passado, infelizmente, não volta mais. Fizemos uma besteira sem fim ao simplesmente JOGAR FORA todas as nossas linhas instaladas e em uso. Mas a lei do mercado é inevitável: só sobraram as linhas economicamente rentáveis (controladas por empresas privadas, mas isso é apenas uma observação). Para voltarmos a ter trens de passageiros decentes, precisaríamos de um enorme investimento. E vamos ser sinceros: a gente não está nem dando conta de manter a malha viária que tem, o sistema aéreo está estrangulado, e não temos como construir todo um novo sistema ferroviário (depois que jogamos fora o que tínhamos). Sem contar todos os inúmeros túneis e pontes ligando nada a lugar nenhum construídos pretensamente para a RFFSA (aqui em Minas tem um monte).

Sei lá. Só acho que o tempo dos trens no Brasil vai demorar a voltar. sad

Ralph Mennucci Giesbrecht

A Daniela Siqueira está corret. Não adianta pensar nos trens como eles eram. E novos não serão baratos, serão caros. Mas ao menos restam opções. Destruiram nossos trens, nossas estradas são ruins e perigosas (inclusive em termos de seguranças pessoal), a aviação foi destruida - andar a pé?
Realmente, quando algue´m fala de reativar linhas de passageiros, temd e pensar serio - ou seja, reconstruir a linha em outro trajeto, mesmo que já haja uma linha mais antiga, abandonada ou não. Mas que tenhamos a opção. Com tempo é a melhor viagem do mundo. Sem tempo, tem de ser um trem rápido mesmo.

Ernesto
ErnestoPermalinkResponder

Por sinal o JT de hoje tem uma reportagem sobre viagens de trem. Há uma que eu esqueci de dar a dica : rio Negrinho em Santa Catarina, eu não sei se ainda existe, mas é uma das mais bonitas,e feita em trem a vapor. E, quem quiser ir de Pindamonhangaba para Campos, ao inves do contrario, para a metade do preço...

renne
rennePermalinkResponder

sou nova nessa história de blog - descubra a minha faixa etária:
( ) 0 -15
( ) 16 - 25
( ) 26 - 35
( ) 36 - 40
( ) acima de 40
queria te pedir uma dica de viagem pois confio 100% no seu bom gosto. como faço para me comunicar? ou peço a dica no blog mesmo?

Mô Gribel
Mô GribelPermalinkResponder

Ah, lembrei de mais 2 passeios de trem:
- o de Tiradentes x SJ del Rey, há muitos anos e que foi bem legal mesmo.
- o de Matias Barbosa x Juiz de Fora, tb há uns bons anos atrás e que foi divertido.

Mô Gribel
Mô GribelPermalinkResponder

Eu tenho uma visão romântica e utópica, achando que com a volta dos trens, nossas estradas ficariam em boa parte livres dos caminhões, os custos de frete ficariam mais baratos, queimaríamos menos diesel, teríamos menos burados e acidentes e para completar, as linhas férreas seriam lindos programas de final de semana, bucólicos e completamente fora de todo o caos urbano do nosso dia a dia...
Hellowwww, acorda, criatura!

Sylvia
SylviaPermalinkResponder

Não desista dos sonhos Mô lol

Ralph Mennucci Giesbrecht

Somente para comentar: o trem Matias Barbosa-Juiz de Fora não existe mais desde 1996. Um dos trens turisticos mais bonitos do Brasil e que pouca gente conhece está no sul de Santa Catarina e liga a cidade de Piratuba (um balneário) a Marcelino Ramos, esta no RS (outro balneário), cruzando o rio Uruguai numa ponte histórica e maravilhosa.

Ernesto
ErnestoPermalinkResponder

Está funcionando? Onde se pega?

Ralph Mennucci Giesbrecht

Em Piratuba, SC, sábados e domingos.

Mô Gribel
Mô GribelPermalinkResponder

Em 1996? Então eu acho que a última vez que andei foi mais ou menos 1 ano antes de fechar. Que pena, era uma graça mesmo...

Ernesto
ErnestoPermalinkResponder

OK, obrigado vou anotar a dica.

Ceci
CeciPermalinkResponder

Governo decide pisar no freio da ligação Rio-SP
Valor Econômico, 13/08/2007

“O governo agora trata com extrema cautela o projeto de construção de um trem de alta velocidade (TAV) entre Rio de Janeiro e São Paulo. Por enquanto, há mais dúvidas do que entusiasmo. Tantas são as incertezas que os ministros envolvidos com o assunto resolveram pisar no freio: só voltam a analisar o projeto após a conclusão de um estudo aprofundado do BNDES sobre a viabilidade técnica e econômica do trem, que levará tempo e deverá envolver a contratação de consultores internacionais.
Na melhor das hipóteses, uma licitação sai só em 2009 - e isso se o BNDES mostrar que o projeto é viável, com ou sem recursos públicos, diz um alto funcionário do governo que participa ativamente das discussões. ...”

Subsídio e demanda limitam trem de passageiro
Valor Econômico, 13/08/2007

“Na região metropolitana de São Paulo, garantir a movimentação de 380 milhões de passageiros por ano nos trens interurbanos custa R$ 1,1 bilhão, dos quais apenas 42% provêm da tarifa de R$ 2,30 paga pelos usuários. Na linha Belo Horizonte-Vitória mantida pela Companhia Vale do Rio Doce, o fluxo de passageiros paga a operação porque o trem usa a mesma linha férrea e estações do transporte de carga, essa sim uma operação rentável.
O Brasil possui hoje 28 mil quilômetros de ligações ferroviárias, mas apenas três linhas de transporte de passageiros de longa distância, fora de regiões metropolitanas. Em 2005, os trens interurbanos de passageiros transportaram, no Brasil, 1,6 milhão de pessoas - equivalente a apenas 1,13% do total de 141 milhões de passageiros transportados pelos ônibus ou 1,6% do total de passageiros em aviões no mesmo ano.
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Os especialistas no assunto, contudo, observam que no mundo todo (mesmo na Europa onde essa opção foi assumida por vários governos) não há transporte ferroviário de passageiros possível sem subsídios do governo. Mesmo onde a demanda é forte. O professor de Logística da Fundação Dom Cabral, Paulo Resende, é taxativo. "Não existe um único lucrativo em todo o mundo", afirma. Em parte, é essa dúvida que chegou ao governo federal na discussão do trem-bala entre o Rio e São Paulo....”

A questão não é por quem fomos colonizados. Com todo respeito, os holandeses teriam que aprender muito sobre construções em meio a serras, uma vez que a “montanha” mais alta da Holanda tem pouco mais de 320m, no marco das fronteiras entre Alemanha, Bélgica e Holanda.
http://en.wikipedia.org/wiki/Vaalserberg

O problema continua sendo outro bem mais sério: corrupção, falta de planejamento de médio e longo prazos, influência dos “poderosos”, despreparo do povo para eleger e cobrar dos eleitos...e tantas outras coisas mais.

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