Do província para o capital

Ricardo Freire
por Ricardo Freire

Quando eu usava cabelos

Publicada originalmente no Jornal da Tarde. Hoje, 20 de setembro, se comemora a data "nacional" do Rio Grande do Sul. Não ria -- é feriado e tudo. Em 1989, eu já morava há quatro anos aqui em São Paulo, quando de repente todos os meus amigos resolveram também emigrar de Porto Alegre para cá. A cidade já estava lotada de gaúchos e, mesmo assim, eles continuavam chegando.

Na mesma época, alemães-orientais da nossa idade começaram a pedir vistos de viagem para a Tchecoslováquia, e, aproveitando que a Hungria tinha resolvido abrir suas fronteiras, escapuliam com seus velhos carrinhos Trabant para a Alemanha Ocidental -- num êxodo que culminou com a queda do Muro de Berlim.

Ocorre que, assim como Berlim, Porto Alegre também tinha (tem) um muro infame -- o Muro da Mauá, erguido para proteger a cidade das enchentes do Guaíba. Os gaúchos que emigravam para São Paulo eram tão jovens e educados e saudáveis quanto os alemães-orientais que fugiam para o Ocidente. Não agüentei tanta coincidência, e tive que fazer um ensaio a respeito, que foi publicado na falecida revista (gaúcha, claro) Wonderful. Era mais ou menos assim:

rg4001.jpg

Nem mesmo o aparentemente intransponível Muro da Mauá (em alemão, die Mauer der Mauá) tem impedido que milhares de jovens abandonem tudo o que possuem em Porto Alegre Oriental e partam para recomeçar a vida em São Paulo Ocidental.

Muitos deles aproveitam pseudo-inocentes férias em Santa Catarina e de lá escapam, em velhos Chevette SL ou mesmo em velhos Boeing 727, rumo às delícias do capitalismo. O que leva tantos jovens a deixarem suas famílias, suas casas, seus amigos, para tentar tudo de novo numa terra estranha?

A verdade é que eles resolveram emigrar para poder ter acesso a bens e serviços que, em Porto Alegre Oriental, estão fora do alcance até mesmo da intelligentsia. E a principal causa disso é a fraqueza crônica da moeda local, o pila. Nos seus melhores momentos, 1 pila não costuma valer mais do que 50 centavos de cruzado novo.

Claro que, para comprar alimentos, pagar o aluguel e ter algum lazer, o pila basta. Mas para consumir tudo o que vem do Ocidente -- carros, eletrodomésticos, passagens aéreas -- um gaúcho-oriental desembolsa, proporcionalmente, o dobro de um paulista-ocidental.

No Ocidente, as histórias do dia-a-dia do socialismo gaúcho-oriental são recebidas com curiosidade e espanto. Coisas como carnês e mais carnês para pagar compras, mães que andam de lotação, crianças que voltam da escola de ônibus -- tudo isso parece ficção para quem leva uma vida classe média em São Paulo Ocidental.

Quando chegam lá, os gaúchos-orientais se superam. Enquanto os ocidentais, acostumados desde crianças ao capitalismo, passam quase todo o seu tempo livre em shopping centers, os refugiados preferem os acontecimentos culturais. Em teatros, vernissages, pré-estréias, shows e performances, é cada vez mais comum ver grupos de pessoas com aquele típico sotaque de quem tenta disfarçar o sotaque gaúcho-oriental.

O que é, francamente, impossível. Depois de tantas décadas de isolamento, o português falado no Rio Grande Oriental tornou-se uma língua mutante, de difícil compreensão no Ocidente.

Mesmo a influência da TV ocidental -- captada com facilidade em toda a região -- não conseguiu modificar as estruturas e o sotaque do gaúcho-oriental, cujo idioma se baseia em múltiplas combinações dos monossílabos "tu", "bah" e "né". Na boca de um gaúcho-oriental, o pronome ocidental "você" parece ter quatro sílabas. E soa tão artificial, que a frase "eu gosto de você" parece vir com adoçante.

Mesmo com o êxodo consumado, e a perspectiva de novas levas de jovens fugirem para São Paulo Ocidental, as autoridades gaúchas-orientais parecem pouco se importar. No máximo, devem se perguntar se o Estado pode vir a lucrar com o progresso econômico dos que se foram. É difícil. Ao contrário dos imigrantes mediterrâneos (conhecidos pela denominação genérica, e errônea, de "baianos"), que regularmente mandam suas economias para os lugares de origem, os gaúchos-orientais tendem a trocar cruzados novos por outras moedas realmente fortes.

A maioria dos exilados sente saudade. Muitos voltam a passeio sempre que podem. Alguns imaginam até se não é possível, um dia, juntar o padrão de vida que conquistaram com a qualidade de vida que deixaram para trás. Mas voltar, voltar em definitivo, dizem eles, só quando resolverem fazer uma perestroika na economia do Rio Grande Oriental.

(Publicado também no Jornal da Tarde e na coletânea The Best of Xongas.

80 comentários

GiraMundo com Jorge Bernardes

Muito bem humorado Mr.!

Pena que os paulistas ocidentais não tinham tanta coisa em comum com seus colegas europeus ocidentais quanto os gaúchos orientais tinham com os alemães orientais...

Sylvia
SylviaPermalinkResponder

Gostosura Riq !
E tb muito atual ; as mudanças aqui na provincia foram poucas
( continuamos pobrinhos ) , o muro da mauá está no mesmo lugar
impedindo a visão do lago , a exportação da meninada para Sampa
está a pleno vapor , mas ainda almoçamos em casa todos os dias
e para muitos o almoço vem acompanhado de uma siesta smile

Ricardo Freire

Ah, já mudou sim, Sylvia... o pila valorizou, e já temos uma pequena Recoleta nos Moinhos...

No meu tempo, os Destemperados seriam inviáveis lol

WB
WBPermalinkResponder

Ricardo, Ricardo...
Vejo esta cronica como uma homenagem aos imigrantes, tantos que em busca de algo melhor, ou uma vida mais digna, deixam suas raízes e buscam outras cidades e outras terras. Vejo também uma homenagem a São Paulo, que acolhe a tanta gente do mundo todo, sem discriminação, integrando todos a vida paulistana, dando oportunidades a todos sem distinção. Você veio atrás do seu sonho, de sua esperança. Com seu trabalho e capacidade conquistou muito do que desejou, tenho certesa. É isto que é importante. As outras coisas são circunstânciais.

Sylvia
SylviaPermalinkResponder

Riq smile os detemperados sairiam do Gambrinus no mercado publico passando pela Tia Dulce, Pagoda , Scherazade , Santo Antonio, Prinz , Barranco e o falecido e saudoso Floresta Negra .
Pronto: terminou o blog dos meninos smile smile

carla
carlaPermalinkResponder

É muito bom ser gaúcho e ter orgulho de suas tradições.

Sylvia
SylviaPermalinkResponder

BAH TCHÊ ... eu tb nasci na Benefa smile uns anos antes ( alguns ) eekops:
Viste só como gaucho quando emigra vira uma raça superior e
perde os pelos ? :roll:

Beto
BetoPermalinkResponder

Que frutas vocês comiam?

Beto
BetoPermalinkResponder

E a praia... Tem praia lá? eekops:

Alessandro
AlessandroPermalinkResponder

Hahaha, Riq, que delícia... E naquele tempo vc usava cabelo! lol

Sylvia
SylviaPermalinkResponder

Já acordou Ale ? Nó aqui nos preparamos para ver a novela smile ,
jantar , tomar banho e quando a gente for dormir tu vais almoçar..
Hummm.. adoro isso !

Alessandro
AlessandroPermalinkResponder

Isso mesmo, Sylvia wink Já estou acordado sim!!! Hehehe... Muito engracado, né?

marcia
marciaPermalinkResponder

Ricardo
Adorei , como tudo que você escreve , fantástico!!!!
E como gaúcha imigrante me identifiquei muito, só que eu parei por Floripa
bjs
Marcia

Emiliano
EmilianoPermalinkResponder

Beto, a gente só comia bergamota!

Arnaldo - FATOS & FOTOS de Viagens

Em 1965 eu tinha 13 anos. Meu pai recebeu uma proposta de trabalho irrecusável e lá fomos nós de mudança pra Porto Alegre.

Morávamos numa bela casa de pedra no Bairro Moinhos de Ventos, (me recordo do endereço até hoje: Praça Maurício Cardoso, 72! Os gaúchos podem ir lá e conferir. O endereço existe.)

De certo que a casa de pedra de dois andares e sótão não deve ter resistido, sucumbiu ao crescimento imobiliário. Mas a lembranças (e as fotos!) ficaram. Guardo-as até hoje.

Me lembro muito bem do sucesso que um “garoto-que-como-eu-amava-os-Beatles-e-os-Rolling-Stones”, nascido e criado na Zona Sul do Rio de Janeiro - e “exportado” para o Rio Grande do Sul um ano depois da Revolução de 64 - fazia o MAIOR sucesso!

Sem pretensão, gente! Nenhuma. Eu era um moleque, mas nunca, em toda minha vida, fiz tanto sucesso entre garotos e garotas quanto em Porto Alegre em 1965.

Me lembro de que num baile infantil de Carnaval num clube do qual não me recordo o nome, ali mesmo por perto do Moinhos de Ventos, eu fazia o maior sucesso com o jeito-carioca-carnavalesco-de-ser.

Logo logo toda a molecada (ou guris, como queiram!) imitavam os gestos e jeitos do carioca, as gurias se jogavam em cima e eu gostava, como gostava daquilo!

Foi em POA que assisti à Noviça Rebelde, num cine no Moinhos de Ventos com uma escadaria na frente. Foi em POA que vivi os melhores tempos da Jovem Guarda.

Foi em POA que pela primeira vez dei uma volta de bicicleta no quarteirão inteiro da rua, coisa que no Rio de Janeiro eu era proibido de fazer para além da rua em frente ao meu prédio.

Foi em POA que fumei meu primeiro cigarro, escondido atrás de uma casinha de jardineiro onde guardavam-se as ferramentas para os cuidados dos canteiros da praça.

Foi em POA que dirigi um Fusca de um garoto de 18 anos que me “adotou” aos 14 anos. Foi em POA que pela primeira vez subi num telhado (o da minha própria casa).

Foi em POA que tomei o primeiro pilequinho da vida e a primeira vez que apanhei.

Eu 1965 eu fiz o inverso, Da Capital para a Província. E acho que não teria sido tão feliz se não tivesse estado lá.

Arthur
ArthurPermalinkResponder

Pois é Riq, o muro caiu e o teu cabelo também... rssssssss lol
Mas quem sou eu para falar?

Beto
BetoPermalinkResponder

Arthur, isso se chama evolução...

Beto
BetoPermalinkResponder

E o que é bergamota? Anda? Avoa? Coacha ou pia?

Arthur
ArthurPermalinkResponder

Isso se chama experiência, Beto smile

Sylvia
SylviaPermalinkResponder

Arnaldo , ainda tem uma casa de pedra de 2 andares na praça,
foi reformada e creio que é um escritório mas vou conferir o
numero e te dou noticias ( e mando uma foto )
O baile de carnaval deve ter sido no Gremio Nautico União ou na
Associação Leopoldina Juvenil .
A casinha do jardineiro ainda existe, igualzinha como sempre foi.

Arnaldo - FATOS & FOTOS de Viagens

SYLVIA! Não brinca! Fala sério que aquela casinha existe ainda! A casa ficava no alto, do lado direito tinha uma garagem sob o jardim, uma escada subia externa pelo jardim... O clube vou pesquisar pra ver se lembro!

Arnaldo - FATOS & FOTOS de Viagens

SYLVIA, fui pesquisar. Era o Juvenil

Sylvia
SylviaPermalinkResponder

Arnaldo, tem duas casas de pedra ainda na praça.
Se ficava no alto então não é a que eu estava falando , é a outra.
Esta que fica no alto é bem no meio da praça, quase na frente da
casinha de ferramentas e tem casas geminadas iguais e muito antigas do
lado ( são umas tres ou quatro casas iguais sem patio na frente..
a porta e janelas dão direto na calçada )
Esta casa de pedra que fica no alto está abandonada ( creio que é
um espolio não resolvido ) , mas creio que a entrada de garagem
fica á esquerda de quem está olhando a casa de frente .
Estaciono seguidamente ali em frente , vou conferir o numero !
Quanto ao clube é muito fácil : se foi no Juvenil vais lembrar , pois fica
a uma quadra da praça , e é um clube de tênis , com muitas quadras abertas, jardins e com um aspecto externo de predio europeu antigo.
Mas deve ter sido no União que é onde todos íamos para os bailes de carnaval .. para ir até lá é só descer direto a rua da tua casa duas quadras , e dobrar a esquerda 20 metros que estava na portaria do clube.
Devias ter vindo para POA com a Carla , tomamos um café bem na esquina da tua casa lol e eu estacionei na frente dela ( se for a que estou pensando .. mas se não for não faz mal né ? )
Sonhar é preciso smile

Sylvia
SylviaPermalinkResponder

Vou passar lá na praça amanhã mesmo Arnaldo .
Agora sou eu que estou morrendo de curiosidade .

Arnaldo - FATOS & FOTOS de Viagens

Pô, Sylvia, tenho maior boa lembrança...Não se esqueça, Pça. Maurício Cardoso, 72. De costas para a rua principal da frente da praça, e de frentre para a praça (olhando no fundo um prédio grande antigo), a casa fica(va) ao SEU lado esquerdo.

Geraldo
GeraldoPermalinkResponder

Muito Bom!! já lí varias vezes (tenho o livro) e sempre dou muitas risadas!

Emília
EmíliaPermalinkResponder

Riq, quando eu crescer, quero escrever como você (ou como tu?) grin
Quanta pretensão lol :roll:
PS: Você é ruivo!

Sylvia
SylviaPermalinkResponder

É ela Arnaldo , o predio alto ainda existe , é um predio com assinatura
( um ícone ) não estou lembrando o nome , mas amanhã coloco tudo aqui.

Adriane
AdrianePermalinkResponder

êta textim danado de bão, sô!

Meu êxodo foi outro. Me vez de fazer como a maioria da mineirada e se mandar pros States, vim pra Bahia, meu rei.

BETO, de onde eu vim bergamota é mexerica, e onde eu estou ela é tangerina...

Ricardo, Salvador também tem uma 'data nacional' com feriado e tudo, é o 2 de Julho, quando se comemora a IndependÊncia da Bahia. O desfile é mais prestigiado que o Sete de SEtembro! Fui pesquisar porque, e descobri que a Bahia foi o último reduto pra onde os portugueses correram depois do 07 de setembro de 1822, e só foram expulsos em definitivo em 02 de julho de 1823, principalmente com a ajuda do povo, no recôncavo baiano. Daí o orgulho que o povo aqui tem desta data... Achei a história bem legal e interessante, pouco explorada fora das fronteiras baianas!

O mais interessante deste post foi descobrir de onde veio a fixação por praias! Um pé em Sergipe! ôxe, quem diria!

Ernesto
ErnestoPermalinkResponder

Quantas histórias interessantes, mais uma vez!

Majô
MajôPermalinkResponder

Ricardo Schmitt Freire, o texto está muito bonito e interessante. Eu não sabia que havia tantos gauchos em Sampa. E veja, raizes sergipanas !!! Do ladinho de Alagoas, Freud explica mrgreen

Mari Campos
Mari CamposPermalinkResponder

Adorei, Riq, pra variar. Ô texto gostoso de ler!!!
A fotinho do RG também tá tudibom... wink

deiatatu
deiatatuPermalinkResponder

Adorei o texto!!!

Principalmente pq meu marido veio da antiga Alemanha Oriental nesta época, fugitivo mesmo com documentacao falsa e tudo, uma verdadeira aventura....
E muito do q ele conta tem muito a ver com o q os gauchos orientais passaram...

Carmen
CarmenPermalinkResponder

Ricardo, mi padre emigró, con toda su familia, desde Sevilla a Barcelona. Barcelona entonces era una ciudad industrial, económicamente más potente. La emigración es un problema complejo.

El texto es delicioso, muy bueno!!!

Emília, yo ya he crecido y creo que jamás podría escribir de esa manera. Este es un texto bien redactado, dinámico y con fuerza periodística.

Esa fotografía es una mezcla entre un personaje de American Graffitti y Bill Gates (en mucho más guapo!!!).
Tchau.

camila
camilaPermalinkResponder

Hoje tem festa no primeiro arremedo de CTG em Dubai. Como o final de semana comeca na sexta, o 20 de setembro teve que virar 21 de setembro.
Vai ser bem interessante ver todo mundo paramentado, ou melhor dizendo, pilchado.
Na ausencia do meu vestido de prenda que a sogra esqueceu de mandar, vou com uma camisa do Gremio (a contragosto). E em volta do tonel da-lhe churrasco e chimarrao.

Riq, como voce escreve bem. Eu PRECISO visitar seu site diariamente...

Abracos

eduluz
eduluzPermalinkResponder

Eu como viuvo assumido da Xongas só posso dizer que dá muitas saudades ver chegar o JT em casa e não poder abri-lo rapidamente pra ver o que ¨que o Riq escreveu !¨. Já li várias Xongas pra minha esposa e rimos muito juntos, e melhor, eu ria duas vezes pois já tinha lido primeiro.

Ricardo Freire

Arnaldo, que delícia!

Também fui muito nesse cinema, o Coral. No seu tempo o que havia em frente era o Prado ou já era o Parcão?

Sylvia, eu morava em cima do Tia Dulce, mas a minha família nunca jantou lá, não... Até hoje o apartamento é da família (minha irmã está tentando vender).

Emília, eu não era ruivo, não; os cabelos eram castanhos (hoje devem estar grisalhos). Rolou aí uma "invasão de magenta" no escaneio-photosopagem.

E Arnaldo: em 1969 e 1970, quando morei na Ministro Viveiros de Castro (Copa, Posto 4, entre Ronald de Carvalho e Duvivier, no prédio ao lado de onde é hoje o japa Azumi), minha mãe me deixava andar de bibicleta no quarteirão, sim... Mas meu maior feito foi ter conseguido autorização para ir a pé para a escola -- a Escola Roma, na Praça do Lido.

Sylvia
SylviaPermalinkResponder

Riq, o Coral continua intacto ( fechado) pois os moradores do edificio
não chegaram a um consenso sb o que fazer com ele , e creio que
nessa época o Prado estva sendo transformado no Parcão.
O Tia Dulce eu citei para fazer um cafuné smile

Camila , és gaucha menina ? O desfile dos pilchados ontem foi abaixo
de chuva , chuvarada braba com raios e trovões . Mas a gauchada não
se michou e desfilou assim mesmo smile Quando um tripulante for para
Dubai vou mandar uma camisa do inter para ti lol , que certamente
será mais útil que um vestido de prenda .

Bom, agora tenho que sair para fotografar a casa do Arnaldo antes
que o temporal que se aproxima acabe com a minha festa .

Beto
BetoPermalinkResponder

Pilchados? Não se michou? Vestido de prenda? Tô lembrando de um caso no Jurássic Park, em que estando na Bahia um quitandeiro perguntou pra minha companheira de então, ao ouvir o sotaque paulista: "Tu é japonesa? Tu é chinesa?? Tu é hipa??? Então que diabo de fala é essa, menina????"

Arnaldo - FATOS & FOTOS de Viagens

RIQ, que maravilha! O CORAL, sim, era esse o nome do cinema que minha memória apagou. Defronte havia uma enorme área completamente livre, onde habitavam ciganos em tendas! SIM, havia ciganos habitando Porto Alegre, em tendas, em 1965!

Creio, portanto, que deveria ser o Prado, porque tenho notícias de que o Parcão é algo que foi construído na extensa área, uma urbanização bem mais recente, moderna. Também me recordo que ali assisti a um circo....

Em 1969/70, RIQ, meu irmão mais novo estudava na Escola Roma! Eu estudava no André Maurois - uma escola muito à frente da época - dirigida por Henriette Amado, mulher do Gilson Amado. Naquela época o ensino público na Cidade do Rio de Janeiro era muito superior ao particular. Ela implantou um sistema de ensino pioneiro, baseado no lema "Liberdade com Responsabilidade", que influenciou toda uma geração de jovens.

Para andar de bicicleta pelo quarteirão onde eu morava - no trecho entre a atual "Selva de Pedra" e a Ataulfo de Paiva - apenas quando íamos em grandes grupos. Que aventura! Algo que hoje faria a pé empurrando um carrinhod e bebê. A gente vai crescendo e o mundo vai diminuindo de tamnaho. As dimensões, na infância, eram muito maiores. Um metro aos 10, 12 anos, valia um quilômetro.

Que saudades daqueles dois anos em Porto Alegre....

Izabel
IzabelPermalinkResponder

Ainda sobre a ìndia. para quem interessar tem uma materia aqui:

http://www.proximaviagem.com.br/revista/94/textos/59

Arnaldo - FATOS & FOTOS de Viagens

Eu tenho uma ou duas fotos, SYLVIA, em preto e branco, daquelas pequenas, desta época. Vou procurar em casa naquelas caixas onde a gente guarda velharias que não se jogam fora e prometo: vou ESCANEAR e mandar pra você por e-mail!

Ricardo Freire

Ah, sim, Beto: as bergamotas!

Ontem eu pensei numa continuação desse texto, só que filmada. Seria uma paródia de "Adeus, Lênin". Não decidi se o título ficaria "Adeus, Leonel" para ficar mais parecido com o original, ou se "Adeus, Briza" para ter entendimento imediato junto ao publicão.

Eu acordaria de um coma de 20 anos e meus amigos e minha família tentariam esconder a paulistanização-globalização do Rio Grande. Todos sairiam por aí produzindo embalagens falsas de Choco Preto e Branco Neugebauer, e me trariam um "Correio do Povo" formato standard, pré-tablóide. Na TV passaria um comercial com o jingle "Para mim, para ela, tem que ser só biscoitos Isabela!" e o locutor da Continental (1120 kHz) daria as horas assim: "Scarpini previne: na Porto Alegre dos engraxates da Praça da Alfândega, 11 e 28"; "Scarpini previne: na Porto Alegre dos travestis da Independência, 3 e 15"; "Scarpini previne: na Porto Alegre das cabeçadas do Escurinho, 9 e 12". Daí me levariam para andar de carro pelo interior e todas as cidades me receberiam com uma placa de estrada como essa: "Viamão tem Mu-Mu".

Beto, Santos tem Mu-Mu?

mrgreen

Arnaldo - FATOS & FOTOS de Viagens

Essa do BETO me fez lembrar uma em que meu pai e um amigo de trabalho estavam de andanças pelo mundo luso em África. Chegando a Moçambique, depois de enfrentarem uma "áfrica" para "imigrarem" ao país que visitavam a negócios (plantio de cacau na Bahia), pegaram um taxi par ao hotel e começaram a conversar sobre a agenda do dia, sentados do bando de trás. A certa altura, depois de perceberem os olhares intensos e insistentes, curiosos do motorista, este - não se contendo - pergunta:

- Ó pá!, que lingua éi iéssa que eu istou a intendeire tudo??"

Era português, evidentemente. O falado no Brasil, mas português.

Arnaldo - FATOS & FOTOS de Viagens

Evidentemente que isso só era possível quando o mundo era redondo, no tempo do Jurasic Park. Hoje, o mundo é plano, não há mais lugar para surpresas desse tipo...

Como disse Thomas L. Friedman, autor do livro "O Mundo é Plano - Uma breve história do Século XXI" - o qual estou devorando, um fenomenal best-seller que recomendo vivamente, o mundo já foi redondo, hoje é plano. Um espetacular e envolvente relato das grandes mudanças que estão acontecendo no mundo contemporâneo.

GiraMundo com Jorge Bernardes

Estou adorando esses relatos, Arnaldo! Muito bom!

Beto
BetoPermalinkResponder

Com o perdão do mau jeito, que catso é Mu-Mu? Aqui só tem vento noroeste, mas que venta de nordeste... Tem biscoito Praiano, pinga Morrão, peixinho de canal e Pelé botando gasolina no posto da esquina. Tem bicho de pé, mas aí tem também. Como tem tu... só que tu foi, tu vai, não tem nóis fumo, graçazadeus. Aí tem jambolão, guerra de cuca e jogo de tamboréu?

Beto
BetoPermalinkResponder

Ah! E tem Groselha Primavera, que em lugar nenhum do mundo tem tão boa.

GiraMundo com Jorge Bernardes

Eu li esse livro no ano passado Arnaldo. A parte mais interessante da revolução (como o autor chama) com que me identifiquei é quando ele começa a falar na revolução que é a internet quando as pessoas passaram a interagir em mão dupla, contribuindo, uploading informações, os blogs, sites, wikepedia, etc...

GiraMundo com Jorge Bernardes

peixinho de canal, bicho de pé, biscoito praiano. acho que estou achando a praia da minha infância smile

Atenção: Os comentários são moderados. Relatos e opiniões serão publicados. Perguntas serão selecionadas para publicação e resposta. Entenda os critérios clicando aqui.
Bóia de férias. Só voltaremos a responder perguntas que forem postadas a partir de 3 de junho. Relatos e opinões continuarão sendo publicados.
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