Jogando de "E" a "E"

Ricardo Freire
por Ricardo Freire

Minha coluna no Guia do Estadão de hoje.

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Escolha uma letra qualquer – a letra "E", por exemplo, que já está no início dessa frase, mesmo. Faça o seguinte, então: comece a próxima frase com a letra subseqüente do alfabeto. Gostando ou não da letra que vem imediatamente na fila, é ela que você vai precisar usar, inapelavelmente. Haverá momentos – como este – em que a frase seguinte começará torta e você se lamentará de não poder recomeçar outra vez. Isso faz parte; nem sempre você será agraciado com uma seqüência de letras que favoreça a sua argumentação, encadeie seus pensamentos e permita que você diga o que é preciso dizer.

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Jamais, contudo, reclame da rigidez da única regra deste jogo – nem mesmo quando chegar a vez de uma daquelas letras difíceis que nem constam do alfabeto vigente no Brasil. Kennedy foi um dos presidentes mais populares da história dos Estados Unidos, e pode muito bem vir em seu socorro nesta hora difícil. Lembre-se de que você está fazendo este exercício por escrito, com todo o tempo do mundo para pensar na próxima letra e na próxima frase.

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Muito mais complicada é a situação dos palhaços-atletas do Jogando no Quintal, que disputam um hilariante campeonato de improvisação no teatro do colégio Santa Cruz. Numa das provas da partida, as equipes precisam criar um texto como este, em que cada frase é iniciada com uma letra diferente, na seqüência do alfabeto. O problema dos palhaços é que eles não têm tempo para pensar – e cada jogador só pode dizer uma frase por vez.

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Preciso dizer que o resultado é de rolar de rir? Quisera eu poder soar tão engraçado quanto eles. Ratifico, porém, todos os elogios que já foram feitos ao grupo. Sem dúvida, é o espetáculo mais divertido – e mais original – em cartaz na cidade. Tanto assim, que as pessoas não param de voltar. Umas quantas vezes. Vão e voltam, vão e voltam, vão e voltam. Wow! Xuxu beleza. Yabadabadu! Zuzo bem aí?

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A brincadeira, obviamente, não acaba com a última letra do alfabeto; é preciso dar a volta completa até repetir a letra que iniciou a rodada. Bom: depois de chegar até aqui, fica fácil – ainda mais podendo lançar mão de sinais de pontuação, como dois pontos e travessão, inexistentes na linguagem oral. Creia-me: você precisa ver o pessoal do Jogando no Quintal fazendo isso ao vivo. Domingo agora, às 8 da noite, tem uma nova partida; se eu fosse você, não perdia. Entendeu?

[youtube=http://br.youtube.com/watch?v=gISMknRvdpA]

(O vídeo não é meu, não; pesquei no YouTube)

15 comentários

Liciana
LicianaPermalinkResponder

Devidamente anotada e registrada a dica.
Excelente texto, como sempre, Riq!
Fica difícil competir com vcs.
Gostei, mas paro por aqui.

GiraMundo com Jorge Bernardes

Que louco! Uma amiga do trabalho que tem os filhos no Santa Cruz estava comentando sobre essa apresentação essa semana. Ela devia estar lá no mesmo dia que vc.
Eu tinha adorado a descrição. E o seu texto ficou perfeito com o evento. Que legal!

Ricardo Freire

Esse "quadro" tem em todas as apresentações, Jorge. O assunto é que muda sempre. O mestre de cerimônias (o juiz) pega uma pessoa na platéia para dar um assunto e pega outra para sortear uma letra. Então sempre vai ser uma história diferente...

Beto
BetoPermalinkResponder

Eu tava morto. Só localizo letra no abecedário recitando ele inteiro... shock

Beto
BetoPermalinkResponder

E o texto tá lindo, Ricardo...

Guilherme Lopes

Riq,

Há uns dois, três meses atrás, assistir uma peça aqui em Belo Horizonte no mesmo estilo e sensacional.

Chama-se MATCH DE IMPROVISAÇÃO. Se você jogar no google, vai encontrar até uma liga.

É uma mistura de teatro com esporte e muita improvisação, que de acordo com o talento e criativade dos atores torna a peça hilária! Ah, tem também a participação do público que define os “Títulos” a serem encenados pelas duas equipes, isto mesmo, são dois times e tem também o juíz (além dos bandeirinhas!)...

Visualizar e explicar este jogo-teatro não é tão legal quanto assistir...

Eles participaram do Festival de Teatro de Curitiba...

Se souber de novas apresentações eu aviso!!!

; )

Guilherme Lopes

Ah...

E se eu não me engano...

Em Novembro, acontece o Festival Internacional de Match de Improvisação, em Buenos Aires.

Quem estiver por lá...

; )

Mari Campos
Mari CamposPermalinkResponder

Lindo o texto, Riq. Singular!
E a dica é imperdível: esses caras são incríveis!

Tomas
TomasPermalinkResponder

Para quem gosta, vale a pena assistir Whose Line Is It Anyway!, todo sábado, às 19h30 no canal Sony. É a mesma dinâmica. Às vezes a graça se perde quando usam referências de personalidades americanas, piadas deles, mas no geral é muito engraçado. As improvisações são excelentes e hilárias.
Preciso ir ver esse, com cara de Brasil.
:0

Lena
LenaPermalinkResponder

Riq,
li seu texto na revista hoje de manhã. Muito legal!

A propósito, a Intrépida Trupe também está em cartaz no Santa Cruz. Eu adoro!

Na mesma revista tem uma dica de restaurante peruano em São Paulo. Como este assunto ja esteve por aqui outras vezes, achei que valia a pena anotar. O Shimo (na Jerônimo da Veiga, Itaim), que sempre achei que fosse só japonês, é mezzo japonês, mezzo peruano. Não foi muito elogiado na coluna, mas para quem procura ceviches na cidade, acho que vale a pena smile

Majô
MajôPermalinkResponder

A D O R E I Riq, seu texto ficou um barato !!!! Deve ser hilário ao vivo, pena que eles não estejam aqui no Rio wink

adriana
adrianaPermalinkResponder

O texto ficou realmente sensacional e eu, que sempre gostei de Whose Line is it Anyway, fiquei com inveja dos paulistas!!

Será que no Rio tem algo do tipo em cartaz???

Sylvia
SylviaPermalinkResponder

Este é o perfeito e completo exercicio ANTI- ALZHEIMER ,
deixa o Sudoku no chinelo smile

Carmen
CarmenPermalinkResponder

Ricardo,
¡Qué facilidad tienes para combinar el abecedario con lo qué quieres decir!.

El espectáculo é de primera. ¡Reir me encanta e dicen que adelgaza muito!!!.

Beto, eu soy como você só localizo letra no abecedàrio recitando e lo mesmo com os números da multiplicación. É lo que tiene haber estudiado en la época jurásica.

Meilin
MeilinPermalinkResponder

Majô, não é bem isso, mas é uma maluquice engraçadinha: O Michel Melamed (aquela fofura) tá com um espetáculo no CCBB que mistrura poesia, música, teatro, artes plásticas...Fui ver ontem, é bem legal!

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