Turistas do mundo, uni-vos

Ricardo Freire
por Ricardo Freire

Minha crônica na Época desta semana.

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Muito antes de me tornar um autor de guias de viagem eu já era um ávido colecionador de guias de viagem. Tenho uma estante repleta de livros que ensinam a ir a lugares aonde nunca fui. Laos. Sardenha. Patagônia. Fiji. Comprava por impulso – e por receio de não encontrar na hora em que precisasse. Até recentemente, guias impressos eram a única fonte de informação confiável para planejar uma viagem. Mas hoje, se você sabe procurar direito na internet, os guias derivados de árvores não são mais tão indispensáveis assim. Alguém aí está interessado num Time Out Amsterdam com preços em florins, num Lonely Planet Mozambique editado em 1999 ou num Frommers Seattle 2003? Estão novinhos: foram de um dono só e nunca saíram da garagem.

O que aconteceu nos últimos tempos, porém, é muito maior do que simplesmente a transferência de conteúdo dos livros para a internet. Na rede, as informações dos guias podem ser comentadas, atualizadas e complementadas por turistas não-profissionais que fizeram as mesmas viagens. Trata-se de um processo em que todos aprendem: viajantes e guieiros. E que está apenas no começo. Os guias impressos não acabarão; ficarão melhores, incorporando as experiências e insights de quem viaja à paisana.

Mas existe um assunto em que os autores de guia já estão perdendo a autoridade: a indicação de hotéis. O grande fenômeno da internet-para-viagem é a força dos sites especializados em resenhas de hotéis feitas pelos próprios hóspedes. O maior deles, o TripAdvisor, já tem mais de 10 milhões de resenhas em seus arquivos. Sua ferramenta de busca é tão sofisticada, que localiza hotéis com quartos disponíveis nas datas em que você precisa, ordenados segundo as avaliações dos viajantes. Você pode ler todas as críticas e, ao se decidir por um hotel, fazer sua reserva em tempo real, comparando cotações de quatro ou cinco mega-agências de viagem virtuais.

O poder do TripAdvisor é tamanho, que já começaram a surgir esquemas para influenciar os resultados. Recentemente o Times londrino revelou a existência agências especializadas em criar perfis de viajantes fictícios. Depois de construir uma vida na internet, eles são registrados como membros do TripAdvisor, para melhorar a avaliação dos hotéis dos seus clientes. Mas a prática é marginal e já está sendo combatida pelo portal.

Em outros portais – como o Booking.com, o Venere.com e o Hostelworld.com (este, especializado em albergues) – as falsas resenhas são mais difíceis de ocorrer, porque só quem efetivamente fez uma reserva pelo site pode comentar sobre o hotel em que se hospedou. Apesar de trabalhar com um número menor de hotéis, o Booking.com permite peneirar as resenhas por perfis (viajantes sozinhos, amigos, casais jovens ou maduros, com filhos grandes ou pequenos). A tendência é que a pesquisa fique ainda mais específica: no Venere, já há a distinção entre casais héteros e gays.

O viajante brasileiro ainda está participando pouco dessa revolução. De todos os sites citados aqui, só dois (Booking e Hostelworld) têm texto em português; mas as resenhas são, em sua imensa maioria, em inglês. A língua inglesa, contudo, não impediu que os brasileiros adotassem o Orkut, o Flickr e o YouTube – que acabaram forçados a criar suas versões brazucas. Existem alguns foruns interessantes em português (no meu blog, por exemplo, não passa um dia sem que eu aprenda coisas incríveis com meus leitores). Mas o ideal seria que marcássemos presença nos sites mundiais – até para poder partilhar com os viajantes do mundo as dicas do Brasil.

(Parênteses só entre a gente aqui no blog: e não é que a danada da Sylvia fez um comentário exatamente a propósito disso no post de Búzios?)

12 comentários

Carla
CarlaPermalinkResponder

Essa Sylvia... wink Se eu não tivesse conhecido a danada pessoalmente e tomado um ótimo café com ela, também aventaria a possibilidade de que ela fosse virtual... lol

Dé
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Ja usei muito Trip Advisor e Bookings.org para escolher hoteis, mas hoje em dia não abro mão do meu guia Routard para os destinos europeus. Ja tem tudo "mastigadinho": hoteis separados por bairros, por preço, mapa com indicaçao de hoteis e restaurantes. Não pego o avião sem o meu Routard na bolsa. smile Pena que no Brasil ele é super caro....

Daniel Schneiderman

Os comentarios dos usuarios do hostelworld foram fundamentais para escolher em que albergues me hospedar em minha viagem agora em Outubro. Existem sim muitos comentarios conflitantes, o que deixa a gente um pouco confuso, mas acabei indo pela opinião da maioria... vamos ver se in loco as coisas são realmente como dizem.

Renata
RenataPermalinkResponder

off topic total.. por onde andam aqueles comentários que ensinam a pôr carinhas?? não consigo achar de jeito maneira.

Majô
MajôPermalinkResponder

Renata,

Esse é o link que o Zé nos passou http://faq.wordpress.com/2006/06/04/what-smilies-can-i-use/

mrgreen

Fatima
FatimaPermalinkResponder

Há anos viajo. Fui infectada pelo vírus muito cedo, ainda na época que para sair do Brasil precisava fazer um depósito compulsório. Como fazia faculdade periodo integral, trabalhar só seria possível nos únicos empregos disponíveis a noiteeeku na compensação do Banco do Brasil ou nas companhias aéreas. Óbvio que optei pela mais divertida. Naquela época, para confirmar uma reserva demorava as vezes 2 ou 3 dias, isto do vôo. Tudo isso para dizer que na hora de viajar era uma aventura. Existia uma rede de informações boca-a-boca. Quem viajava, voltava dando dicas de passeios, locais, hoteis, etc. A internet ampliou os horizontes da informação. Usava muito o tripadvisor, aliás ainda o consulto, mas é preciso peneirar muito as informações que estão lá. As
pessoas têm gostos e expectativas diferentes. Muitos diante de algumas situações resolvem destruir com o furor de suas palavras e notas um dissabor que teve no hotel. Como a gente não conhece as pessoas (o que acontecia com a nossa rede boca-a-boca), é preciso buscar resenhas imparciais que avaliam os hoteis como um crítico de guia. Por isso Daniel é que muitas vezes encontramos comentários conflitantes. Uma boa dica é perguntar para quem mora no local, através de blogs de viagem.

Emília
EmíliaPermalinkResponder

Riq, você tem razão. Eu sempre prometo postar minhas críticas no Trip Advisor, depois de uma viagem e acabo me esquecendo. Já vou fazer algumas agora mesmo.

Ernesto
ErnestoPermalinkResponder

Riq

Não precisamos de outros sites, já temos o seu!! Time vencedor não se mexe

Ernesto
ErnestoPermalinkResponder

Em tempo, quando não cosnegui nada por aqui, como quando fui para a Africa, usei o tripadvisor, e o Fórum do Lonely Planet, que existe em ingles e espanhol.

Jurema
JuremaPermalinkResponder

O forum do Fodor's também é excelente: http://www.fodors.com/forums/threadselect.jsp?fid=2 Usei muito na época que morava na Alemanha (e ainda não havia VnV super interativo com super tripulação).

Sylvia
SylviaPermalinkResponder

Só quero saber uma coisinha :
O que é que precisa para o pessoal do Tripadvisor se ligar que tem
que ter uma versão em lingua portuguesa ?
Números ? Só isso ? Se for é uma barbada ...

Fatima
FatimaPermalinkResponder

Oi Riq. em outro post seu, vc recomendava o hotel cohiba em playa del carmen. Somos 8 com idades bem distintas, gostaria de saber mais sobre esse hotel e se vc poderia indicar mais alguns outros para o roteiro, em Merida, por ex. Ficaremos 7 dias e não pretendemos ficar em resort all inclusive, mas alugar carro e passear. Obrigada

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