Freakonomics entrevista Arthur Frommer

Ricardo Freire
por Ricardo Freire

Não espalhem, mas estou cometendo um ato de alta pirataria. O blog Freakonomics -- mantido por Stephen Dubner e Steven Levitt, autores do best-seller mundial, e hospedado no site do New York Times -- chamou o decano dos autores de guias de viagem, Arthur Frommer, para uma sessão de perguntas e respostas com seus leitores. O certo seria eu selecionar uma ou duas perguntas e dar os links para quem quisesse ler a íntegra. Mas achei a entrevista tão boa que, aproveitando que (1) ainda não faturo com o blog e (2) nenhum dos jornalões brazucas que usam conteúdo do NYT se interessou pelo assunto, trago aqui a tradução completa da entrevista. Concordo com quase tudo o que ele diz (acho que podemos ter uma ótima discussão nos comentários), mas sobretudo admiro sua lucidez (aos 78 anos) e sua coragem de peitar o establishment. Se você gostar, não deixe de clicar no link da entrevista no Freakonomics e também no blog do Frommer (sim, o cara virou blogueiro aos 78).

P: Considerando que o dólar continua a cair frente ao euro, por que não há mais europeus viajando para os Estados Unidos?

Frommer: Por causa das barreiras psicológicas, burocráticas e políticas que nós erigimos para dificultar a vinda deles para cá. Em muitos dos países que não fazem parte do programa de isenção de vistos, leva-se de três a quatro meses simplesmente para marcar uma entrevista para pedir um visto. Assim que os viajantes em potencial adentram nossos consulados, são questionados a respeito de características que não têm nada a ver com segurança ou terrorismo, mas com a possibilidade de que eles permaneçam para além da vigência do visto e se tornem imigrantes ilegais. Um operador de viagens que trabalha com a Polônia recentemente disse que metade dos turistas que ele desejaria trazer para os Estados Unidos tem seus pedidos de visto recusados porque são jovens, solteiros, sem propriedades, e que por isso têm mais probabilidade de ficarem nos Estados Unidos ilegalmente. Quando as pessoas conseguem vir até aqui, são tratadas como crimonosos ao passar pela imigração, ou, na melhor das hipóteses, recebidas com fria descortesia. O resultado disso tudo é que as viagens para os Estados Unidos diminuíram quase 20% desde 2000, enquanto a maior parte dos outros países está experimentando um aumento de 20% no seu turismo receptivo! O declínio da nossa própria indústria do turismo cria uma perda de mais de 100 bilhões de dóalres por ano, dezenas de bilhões de dólares em impostos, e centenas de milhares de empregos. A atuação do governo nesse assunto é um escândalo. E, ao criar uma impressão entre os povos do mundo de que somos um povo arrogante, frio e pouco amistoso, nós tornamos tudo mais inseguro para nós.

P: Como o dólar em queda afetou o seu negócio? E o senhor tem alguma dica para lidar com a desvalorização do dólar ao viajar?

Frommer: Ainda é cedo para sentir o impacto do dólar em queda na publicação de guias para destinos que usam o euro. E quanto a lidar com o dólar desvalorizado ao viajar, nós temos que começar a viajar de maneira mais modesta, descendo uma categoria na nossa escolha de hospedagem (como ficar em hotéis classe turísticas em vez de em hotéis de primeira classe) e freqüentando restaurantes mais simples. 

P: Quando viaja hoje em dia, o senhor acha que é melhor mentir e dizer que é canadense?

Frommer: Não.

P: A que lugar o senhor não irá jamais, e por quê?

Frommer: A Mianmá (Birmânia). Sua presidente democraticamente eleita, Aung San Suu Kyi, que já ganhou um prêmio Nobel, pediu para que os viajantes não venham. Eu não vou apoiar os ditadores bárbaros desta nação com meus gastos de turista. De maneira semelhante eu me recusei a visitar a África do Sul (e mesmo a mencionar o país em meus escritos) durante o tempo em que o apartheid reinou e Nelson Mandela estava na prisão.

P: Qual é o grande erro que as pessoas cometem ao viajar?

Frommer: Elas falham ao não se preparar fazendo um mergulho profundo na história e na cultura do destino antes de chegar. Elas vagam como calouros, incapazes de entender os marcos e as instituições que lhes são apresentados. Nessa hora todos os comentários professorais de seus guias só fazem aumentar a confusão. Ler de antemão – algumas noites na biblioteca – é a chave para uma viagem bem-sucedida.

P: Teoricamente, os lugares (restaurantes, clubes, cenários) recomendados em guias de viagem oferecem o melhor que um país e seu povo têm a oferecer, dentro do orçamento do viajante. Como esses lugares podem manter a autenticidade com o aumento do número de turistas em decorrência da recomendação do guia? Com qual freqüência o senhor ou a sua equipe se negam a mencionar lugares ótimos só porque vocês não querem que eles sejam estragados por visitantes estrangeiros?

Frommer: Se fôssemos limitar nossas recomendações a um punhado, ou cometer o erro (como eu cometi numa das primeiras edições do meu primeiro guia) de dizer que um estabelecimento específico oferecia "a melhor relação custo x benefício de toda Veneza", então as conseqüências que você imaginou ocorreriam, e uma enchente de turistas reduziria a autenticidade daquela escolha. Mas um bom livro recomenda trinta ou quarenta restaurantes bem espalhados, e outros tantos hotéis, e então pulveriza seus leitores em tantos lugares que a autencidade não é prejudicada. E quanto a "segurar" uma recomendação para nosso próprio uso, a gente faz piada sobre isso, mas isso não acontece.

P: O que motivou o senhor a escrever seu primeiro guia de viagem? O senhor sempre quis ser um escritor de viagem?

Frommer: Eu escrevi meu primeiro guia enquanto servia ao exército americano no exterior, e não tinha nenhum plano de me tornar um profissional. Eu escrevi o guia por causa da alegria que eu tinha experimentado fazendo uma viagem econômica, e da minha convicção de que esta era uma forma superior de tirar férias. Quando eu finalmente voltei para casa depois de servir ao exército, eu entrei para o escritório de advocacia Paul, Weiss, Rifkind, Wharton & Garrison (eu me formei na escola de direito de Yale) e advoguei (litígios, batalhas no fórum) durante seis anos, até que os guias que eu escrevia nas horas vagas começaram a requerer atenção full-time.

P: Qual foi a sua grande descoberta ao viajar?

Frommer: A semelhança de todas as pessoas, em qualquer parte do mundo. Da mãe de uma família massai no Quênia a um jovem casal no Japão a um professor egípcio que mora num barco, todas as pessoas têm as mesmas preocupações e lidam com os mesmos problemas humanos que nós.

P: Qual seriam os maiores benefícios de viajar, além daquelas respostas prontas dos livros, como "crescer como pessoa", "ver novos lugares", etc.?

Frommer: Eu acho que as respostas dos livros – "crescer como pessoa", especialmente – são bastante boas. Por que outra razão você viaja?

P: Qual é sua opinião a respeito de "Viagem ao redor do meu quarto", de Xavier de Maistre, em que o autor sugere que antes de partir para ver o mundo, nós deveríamos aplicar a mesma curiosidade e atenção aos nossos arredores imediatos? O senhor acha que a nossa obsessão por viajar nos cega para os prazeres locais?

Frommer: Eu sempre achei que os melhores viajantes são exatamente as pessoas que têm um intenso interesse na história e na cultura de sua própria cidade.

P: Se o senhor pudesse voltar no tempo e ser um turista em qualquer país que o senhor tenha visitado desde o início de suas viagens, que país, e em que ano, o senhor escolheria?

Frommer: Eu gostaria de poder voltar àquela Veneza que eu vi pela primeira vez, em meados dos anos 50, quando a Piazza San Marco era em grande parte vazia, a não ser pelos pombos; onde a entrada pra qualquer museu era imediata e sem filas; onde os venezianos se sentavam na calçada e desejavam "buon giorno"; e onde restaurantes freqüentados sobretudo por venezianos eram muito fáceis de encontrar. Foi a cidade mais adorável que eu já vi.

P: Como o senhor seleciona seus autores? Quais são as coisas que fazem alguém ser bom em identificar e descrever boas experiências de viagem? No treinamento, como vocês fazem para que os autores equilibrem a necessidade de consistência com a criatividade e a inovação?

Frommer: Nós tomamos uma decisão em anos recentes (na maioria das instâncias) de usar jornalistas de viagem experientes que sejam também residentes na cidade, na ilha ou na nação que sejam o assunto de nossos guias. Nós sentimos que os seus juízos serão superiores aos de um escritor, mesmo que talentoso, que simplesmente "caia de pára-quedas" num lugar com o propósito de preparar um guia. Nós não fazemos nada para limitar sua criatividade ou inovação, e nos orgulhamos da personalidade individual que dá vida a cada guia.

P: Minha mulher e eu gostaríamos de viajar uma vez por ano a algum lugar fora dos Estados Unidos, mas não somos ricos. Que dicas de viagem o senhor daria para que pudéssemos diminuir custos e alcançar esse objetivo?

Frommer: Dê-se conta, em primeiro lugar, de que quando menos você gastar, mais você vai aproveitar. Mergulhe no esforço consciente de usar serviços de baixo custo – quartos em casas de família, apartamentos que vcoê troca com um casal estrangeiro, albergues que agora aceitam gente de todas as idades, programas de recepção por voluntários, restaurantes estritamente "locais", transporte público – e você vai, na minha experiência, aprender que suas viagens terão uma profundidade e um significado muito maiores do que as viagens feitas de um modo mais caro pelos outros.

P: Alguma das companhias mencionadas no seu blog pagam ao senhor de alguma maneira?

Frommer: De jeito nenhum. Nenhuma empresa (ou pessoa) sabe com antecedência que vao aparecer no meu blog; eu tampouco me comunico com eles depois.

P: Quais são alguns dos países pouco conhecidos que caracterizariam "pechinchas" para visitar hoje em dia?

Frommer: Não há mais nenhum país realmente "pouco conhecido" hoje em dia, mas eu gosto e Báli, Croácia, Sicília, Argentina, México (ainda uma pechincha para visitantes que dispensam luxos), Nicarágua, Tailândia, China, Vietnã e Egito.

P: Como é que se acha um guia local que saiba o que diz, seja honesto e interessante?

Frommer: Principalmente por meio de recomendações de amigos, parentes ou conhecidos que viajaram ao lugar e usaram os serviços de um guia capaz. Quem devota tempo a incomodar amigos e parentes pedindo informações antes de partir freqüentemente consegue esses contatos. Numa viagem recente a Estocolmo, minha mulher e eu vasculhamos nossos amigos para ver se conheciam alguém na cidade, e muitos conheciam. Nós telefonamos para esses contatos suecos convidando para jantar, e passamos muitas noites animadas aprendendo com eles sobre o país e a cidade. Um casal sueco, antevendo as perguntas que eu faria, chegou no restaurante com um calhamaço de estatísticas econômicas que ele tinha imprimido da internet!

P: O senhor iria a grandes eventos como o Carnaval do Rio e a Festa de San Fermín em Pamplona, ou preferiria visitar esses lugares fora de temporada?

Frommer: A festa de San Fermín em Pamplona não me desperta nenhum interesse (é parte de um ritual bárbaro, para bêbados); a única razão que possa existir para visitar Pamplona é durante uma caminhada a Santiago de Compostela (é ali que começa o Caminho de Santiago). Mas o Carnaval do rio é outra história, e o Rio de Janeiro em si pode ser visitado com grande prazer em qualquer época do ano.

P: Uma mulher pode viajar a Samarra, no Iraque, e achar um lugar decente e seguro para ficar por um ou dois meses?

Frommer: Não.

P: O que seria uma boa viagem para um homem de 70 anos com artrite reumatóide que gostaria de ver algo diferente da Nova Inglaterra, onde ele viveu e tirou férias a vida inteira?

Frommer: Por que não visitar o exato oposto da Nova Inglaterra do outro lado do Atlântico, e fazer uma viagem no inverno a Paris? Há pacotes para o inverno por 599 dólares. Paris é uma experiência revigorante: a fronteira da arte e da gastronomia, da moda e da literatura, do teatro e da ópera – e um tributo fascinante e sem fim às realizações do homem.

P: O senhor pode recomendar um site onde eu possa achar boas dicas a respeito de viajar com crianças, assim como recomendações de hotéis e resorts para ir em família?

Frommer: Eu fiquei bem impressionado com WeJustGotBack.com.

P: Que dicas o senhor dá para dormir no avião, sobretudo naqueles vôos de manhã cedinho?

Frommer: Máscara para os olhos, tapa-ouvidos e aquelas almofadas para a nuca que evitam que o seu queixo caia para a frente quando você adormece.

P: O que a gente deveria fzer quando vai a um lugar que foi recomendado por um guia mas acaba ficando abaixo das expectativas? Existe alguma maneira de fazer o autor ficar sabendo disso?

Frommer: Nós recebemos muita correspondência de nossos leitores, e nós prezamos e levamos em consideração seus comentários. Nós também repassamos essas informações aos autores dos guias.

P: Neste verao eu estarei em Pequim durante a Olimpíada. O senhor teria alguma recomendação sobre como não sucumbir às multidões e ao influxo gigantesco de estrangeiros?

Frommer: Eu sinceramente não vejo como as multidões podem atrapalhar as suas atividades particulares.

P: Neste momento eu estou decidindo onde ir na próxima viagem. Eu diminuí a minha lista para quatro destinos (Nova Zelândia, Hong Kong, Espanha ou Argentina) e estava a ponto de começar a jogar dardos no mapa, até que esta oportunidade se apresentou. Alguma consideração a respeito?

Frommer: Apesar de cada um dos destinos que você enumera ser um ótimo lugar para visitar, nenhum deles estaria na minha própria lista de "indispensáveis". O que é "indispensável", exatamente? Todo americano em algum momento de sua vida deveria ir à China, participar de um safári na África, e visitar o antigo Egito.

P: A Frommer's pagou pelo merchã descarado no filme Euro Trip (Passaporte para a Confusão)?

Frommer: Não mesmo. Eu recebi uma ligação dos produtores do filme perguntando se havia alguma objeção a que o nosso nome fosse usado, e me oferecendo a chance de interpretar a mim mesmo no filme. Mas quando eu fiquei sabendo que teria que ficar duas semanas parado em Roma para balbuciar minhas duas linhas de texto, eu recusei a oferta, e um conhecido ator britânico foi escolhido para me interpretar. Ele era muito mais bem-apessoado. 

37 comentários

Rosa
RosaPermalinkResponder

Sensacional, Riq. Através do seu blog, viajo e stou aprendendo cada dia um pouco mais, não fosse aqui, talvez nunca fosse ouvir falar de Frommer e muitas outras coisas. Aqui tem um pouco de muita coisa, é um belo pedaço do universo. Obrigada.

Fabio Nitschke Gomes

Lembro de uma frase do Gombrich, na introdução de "História da Arte" ( http://www.livrariacultura.com.br/scripts/cultura/resenha/resenha.asp?nitem=57013 ), em que dizia que um dos objetivos do livro era que as pessoas não atravessassem os museus somente para "ticar" os catálogos ao passar por um quadro.

De alguma forma, muitas pessoas acabam fazendo isso ao viajar: ao preocupar-se em "cumprir" os itens "obrigatórios" (também conhecido como "lerê"), acabam desperdiçando oportunidades de se aprofundar ou simplesmente curtir verdadeiramente algum local ou cidade.

Por isso, pra mim, um dos pontos altos da entrevista é "preparar-se" antes de viajar - e não somente deixar que a viagem te leve. (Aliás, tema recorrente neste blog!) wink

Jurema
JuremaPermalinkResponder

Muito boa a entrevista. Sua grande descoberta ao viajar foi "a semelhança de todas as pessoas, em qualquer parte do mundo. Da mãe de uma família massai no Quênia a um jovem casal no Japão a um professor egípcio que mora num barco, todas as pessoas têm as mesmas preocupações e lidam com os mesmos problemas humanos que nós." É isso aí. Só essa frase já valeu o dia.

Riq, foi você que traduziu o texto?

Ricardo Freire

Jawohl, Jurema. Mas rapidinho. Tem uns trechos meio durinhos, ainda.

Jurema
JuremaPermalinkResponder

Parabéns, Riq, ficou ótimo.

Só gostaria de saber como que ele acha que multidões podem não atrapalhar programas prticulares...

(Adorei o Jawohl)

Emília
EmíliaPermalinkResponder

Esse começo é a própria franqueza: ele não tem papas na língua para dizer quais são os reais problemas com o turismo nos EU.
Fabio, também achei bacana ele ter enfatizado a preparação e a leitura, para entrar no clima do lugar e entender melhor o que se visita.
Mas a parte que mais gostei foi sobre a recomendação de viagens de baixo custo...nunca tinha pensado neste ponto de vista: estar mais em contato com os locais através de viagens low-cost. Acho que vai bem contra a corrente do que imaginamos como viagem ideal.

Fabio Nitschke Gomes

Emília, também achei este um ponto alto! smile E ainda quando fala que as pessoas que conhecem bem sua cidade são melhores turistas... (Na verdade, são "pessoas interessadas".)

Mari Campos
Mari CamposPermalinkResponder

Pois é, Emília, também achei interessantíssimo esse ponto. A entrevista como um todo é muito válida, de fazer pensar mesmo, com sinceridade, sem delongas; já tô mandando o link prum mooonte de viajantes.

Ricardo Freire

Jurema, tem aí uma contradição Pequim com multidões x Veneza pré-multidões que ele realmente não resolve. Mas acho que o que ele quer dizer é que se você sabe o que fazer, consegue abstrair as multidões, sei lá... :roll:

Emília, a corrente de viajar-barato-é-melhor-para-a-viagem é bem estabelecida. Ele é o seu principal profeta; depois dele, tem o Rick Steves, que vai pela mesma linha.

Eu, como sou hotelólatra, acho um pouco radical essa coisa de que você precisa se hospedar sempre supersimples. Acho ótimo poder me hospedar supersimples -- principalmente se isso significar a diferença entre viajar ou ficar em casa. Mas se puder me hospedar com charme e conforto, tanto melhor. A segunda parte do conselho, porém -- usar transporte público, comer em restaurantes "locais" -- vale até para quem está no Four Seasons...

(OK, pode vir aí uma grande discussão sobre até que ponto isso é válido em países muito pobres ou caóticos; mas em linhas gerais, concordo.)

Rodrigo Alves
Rodrigo AlvesPermalinkResponder

comer em restaurantes locais "onde nao se encontram turistas" pode ser lindo na Franca ou na Italia, jah em paises como o Egito, Quenia ou Mocambique pode ser a diferenca entre aproveitar a viagem ou ficar 5 dias trancado no hotel com serios problemas....

Emília
EmíliaPermalinkResponder

Não é verdade, mesmo, Mari e Fabio? Nós estamos sempre pensando em uma maneira de dar um 'apigreide' nas nossas viagens básicas grin
Fabio, também achei muito legal ele ter levantado esse ponto. Quer coisa melhor quando a gente consegue se sentir turista na própria cidade? Ir a um bairro diferente e ver que ali tem uma loja legal, um restaurante bonito ou umas casas antigas (que eu adoooro).
Muito pé no chão ele, gostei.

Sylvia
SylviaPermalinkResponder

Encontrei muitas opiniões nesta entrevista que me parecem fundamentais
para nossas viagens !

A primeira e de extrema importancia são as

*"barreiras psicológicas, burocráticas e políticas que nós erigimos para dificultar ..*" as nossas proprias escolhas .

A segunda é quando fala da alegria em compartilhar descobertas:

*"escrevi o guia por causa da alegria que eu tinha experimentado fazendo uma viagem econômica, e da minha convicção de que esta era uma forma superior de tirar férias..*"

A terceira é uma verdade inquestionável !

*"A semelhança de todas as pessoas, em qualquer parte do mundo. *"

A quarta fala da importancia em sair da mesmice em fugir do conhecido:

*"Todo americano em algum momento de sua vida deveria ir à China, participar de um safári na África, e visitar o antigo Egito.*"

Aprender que todos buscam as mesmas coisas , que para crescer é preciso vivenciar situações em que saimos da zona de conforto , que
compartilhar o entusiasmo e a alegria de novas descobertas é tão gratificante quanto descobrir e que precisamos refletir e diariamente sobre nossos preconceitos quanto a culturas e destinos sobre os quais
possuimos informações equivocadas .

Sylvia
SylviaPermalinkResponder

Alguem sabe quais os caminhos que temos que percorrer para
aprender a abstrair as multidões ?
Preciso aprender isso !!

Emília
EmíliaPermalinkResponder

Puxa, não sabia disso, não, Riq. A minha ignorância é grande em relação a esses grandes guias, só tinha a linha do Lonely Planet bem demarcada na minha cabeça.
Alguém usa bastante o Frommers ou os do Rick Steves?

Emília
EmíliaPermalinkResponder

Sylvia, meditação transcendental wink razz
(PS: Bom ter você de volta!)

Sylvia
SylviaPermalinkResponder

Eu usei o Frommers direto , quase toda vida !
E aprendi a decifrar algumas coisas nos guias dele:
1- Quando ele fala , por exemplo que a escada do hotel é muito linda
é pq é só a escada !
2- Quanto as opções de hospedagem : só dá para começar pensar se for "altamente recomendada "
Mas hoje não uso mais não , prefiro o Fodors e o LPlanet ( acho ambos
mais update ) smile

Ricardo Freire

Emília, é que o Lonely Planet sempre teve esse astral mochileiro -- de quem não tem grana e tem curiosidade por destinos exóticos.

(Ultimamente, não sei se você notou, eles têm se aburguesado um pouquinho.)

Já o Frommer e o Rick Steves são os apóstolos da muquiranice, mesmo lol Mas com ideologia: viaje barato que você viaja melhor mrgreen

Os dois se comunicam superbem com o americano médio.

Com o tempo, o Frommer's virou sinônimo de viagens seguras para os americanos; tirando as séries econômicas, eles não têm mais a pecha "budget".

Já o Rick Steves tem um conceito interessante, o "Europa pela porta dos fundos". Ele é superprático e faz os roteiros para os americanos aproveitarem suas férias curtíssimas ziguezagueando por trocentos lugares. Acho exagerado, mas ele é muito bom na sua objetividade. Foi ele que pôs Cinque Terre no mapa shock

Jurema
JuremaPermalinkResponder

Emília, eu usei muito Frommers, Fodors, Eyewitness, Lonely Planet em minhas andanças pela Europa, principalmente as versões on-line e as disponíveis em bibliotecas públicas na Alemanha. Sim, podíamos retirar o guia por um mês e planejar a viagem, depois retirar por mais um mês e levar na viagem, tinha de tudo, estantes e mais estantes de guias quase novos.

No site do Rick Steves eu dei umas olhadinhas quando fui à Itália, mas achei mais ou menos.

Emília
EmíliaPermalinkResponder

Riq, muito didático grin
Eu me lembro do meu irmão ter comprado uns Frommers há muito tempo atrás, mas me lembro de não ter conseguido achar uma 'identidade' nele.
Durante muito tempo eu usei os Eyewitness e depois comecei a fuçar os Lonely Planet. Mas faz pouco tempo, não deu para perceber a mudança de linha editorial (mas pelo jeito não mudou tanto assim wink ).
Jurema, que esquema interessantíssimo esse da biblioteca...que prático (e econômico)!

Andrea S. B.
Andrea S. B.PermalinkResponder

Riq - (me permita a intimidade!) concordo com você na questão dos hotéis, acho que também sou " hoteólotra", não me imagino visitar algumas cidades da Europa e ficar sempre numa rede com quartos-padrão.
Acho a arquitetura um quesito importante relacionado à cultura do país que estamos visitando e, do ponto de vista de "experimentá-la" fora do contexto coletivo, o hotel é nossa primeira oportunidade ( sem dizer que sou apaixonada por design!).
É claro que, se o custo for comprometer a realização da viagem, o hotel charmoso será o primeiro ítem a ser cortado!
Já em relação a "abstrair multidões", também preciso aprender...
Talvez o que ele queira dizer com Veneza pré-multidões tenha a ver mais com a convivência mais próxima entre os poucos turistas e os venezianos que, na época, seria muito mais autêntica! Sabemos que hoje esse contato perdeu totalmente sua espontaneidade, tornando-se quase exclusivamente voltado aos interesses comerciais ligados à exploração do turismo.
O que mais me toca é a necessidade desse "mergulho profundo na história e na cultura do destino antes de chegar". Essa frase deveria iniciar todos os guias turísticos, principalmente os americanos! De que nos vale visitar o Palácio dos Doges se não mergulharmos na cultura e no pensamento vanguardista do cidadão veneziano na idade média?! Talvez seja melhor então (e mais barato!) ir até Las Vegas ou ao Epicot!!!
Para nós , turistas de nascimento, acredito que a melhor dica de todas é o prazer em viajar low-cost: para SEMPRE viajar!!!! Fundamental.

Ricardo Freire

A propósito: a BBC acaba de comprar o Lonely Planet.

http://media.guardian.co.uk/broadcast/story/0,,2181039,00.html

Mô Gribel
Mô GribelPermalinkResponder

Eu achei realmente fantástica a maneira que ele respondeu sobre o turismo nos EUA. Incrível!

Arnaldo - FATOS & FOTOS de Viagens

GOSTEI especialmente desta parte:

P: Qual é o grande erro que as pessoas cometem ao viajar?

Frommer: Elas falham ao não se preparar fazendo um mergulho profundo na história e na cultura do destino antes de chegar. Elas vagam como calouros, incapazes de entender os marcos e as instituições que lhes são apresentados. Nessa hora todos os comentários professorais de seus guias só fazem aumentar a confusão. Ler de antemão – algumas noites na biblioteca – é a chave para uma viagem bem-sucedida.

Anelise
AnelisePermalinkResponder

Adorei Riq!
Extremamente lúcido, pertinente, prático como ele só e ainda levantou bola do RJ.

GiraMundo com Jorge Bernardes

Eu tenho certeza de que aos 78 anos, você será muito melhor que ele.

Acho interessante que não cai a ficha para os americanos de que a questão da redução no número de turistas nos EUA não está ligada apenas à dificuldade com vistos ou simpatia dos serviços de imigração. Isso já existia há muito tempo. Nós, brasileiros, sabemos bem disso.
A grande questão atual do turismo nos EUA, especialmente para os europeus é a perda do glamour que a cultura americana tinha sobre o mundo, a gente viaja também para lugares que admiramos e a cultura americana, o soft power que os americanos exerciam sobre o resto do mundo foi substituído pela influência bélica.

Esse negócio de falar que aglomerações não vão atrapalhar os passeios particulares pareceu coisa de "sou do contra"... A grande questão é saber o que esperar. Quem não consegue perder a festa no auge, tem que enfrentar a multidão, quem não liga que vá depois e curta de outra forma.

Adorei a referência aos guias-locais, foi total identificação hehehe.

Ele deveria dizer que cada um tem que se preparar para a viagem de forma que ela atenda às expectativas pessoais de cada um. É para isso que ele faz guias. É para isso que ele coloca dezenas de boas indicações de categorias diferentes de forma que não exista UMA SUPERIOR (adorei isso, achei hiper correto).

Eu chamo de preconceito às avessas, essa história de viajar barato é viajar melhor.

E finalmente, a indicação de portal para viagem com crianças que ele mandou é fraquíssima.

A Lucia Malla está fazendo no blog dela algo parecido com isto. Ela escolhe um amigo e faz uma entrevista que ela publica online, sobre viagens. Super legal.

Ernesto
ErnestoPermalinkResponder

Bela entrevista, e excelentes comentarios...

Lucia Malla
Lucia MallaPermalinkResponder

Eu adorei a entrevista. Muito lúcida mesmo. Que vitalidade!

O q ele comenta sobre ser viajante na sua própria cidade é realmente fantástico. Eu gosto do estilo simples de viajar, q ele tanto venera. Mas acho q como o Gira falou, tem q olhar a expectativa de cada um. Viajar é uma arte: cada observador interpreta da sua forma. E cada artista tem o seu objetivo com sua obra-prima. Não dá pra dizer "assim é certo, assim é errado".

Jorge, aliás, q legal q vc está curtindo as entrevistas viajantes q tenho feito. Hoje tem mais uma lá... wink

Eunice
EunicePermalinkResponder

Antes de conhecer Riq, conheci o Frommer's. Foi comprando um Frommer, que achei pela primeira vez um livro de Riq. Gosto muito de ambos. A entrevista é ótima.

douglas
douglasPermalinkResponder

com relção ao formmmer eu não o conheco , mas digo que infilezmete a xenofobia esta pairando sobre o mundo, como algo concreto , isto ele afirma no proprio artigo, algo triste, não contestavel

Majô
MajôPermalinkResponder

Eu gostei da entrevista, achei ele lúcido. Tratando-se de um americano, conseguir enxergar a arrogância da hegemonia do seu país, considero um avanço.
Este ano, usei particularmente o Frommer's da Sicilia. A Lea me mandou o dela com anotações, comprei um pela Amazon que chegou na véspera do embarque à noite, levei os 2. Comprei também o Rough Guides, gosto da análise deles. Consultei ambos antes, e durante.
Ano passado, comprei o Fodor's de Paris, e o hotel escolhido foi de lá, por sinal superou expectativas. Foi bastante consultado.

Andrea S. B.
Andrea S. B.PermalinkResponder

Gostei prá caramba de saber que o Frommer's se utiliza de informações dos residentes para seus guias.
Acho que isso confere maior confiabilidade ás suas informações, pois "nem sempre o que reluz é ouro!", principalmente aos olhos deslumbrados de uma primeira vez.
O Tripadvisor tem também no seu Forum das cidades o Local Expert que nos ajuda bastante com seus comentários.
Riq, fica a dica prá incluir um setor assim no novo Portal.
Já me candidato prá representar o Circuito das Águas Paulista!!!

João Barcelos

Sei que é um comentário um "pouco" atrasado, mas vai lá.... Muito boa a entrevista e os comentários. Eu sou viciado em guide books, e acho indispensável usá-los para viajar. Mesmo com toda informação que há na internet, acho que eles são perfeitos para "nortear".

João Barcelos

Aah.. só pra complementar: uso muito o frommer, mas também lonely planet e rough guide, além daquela série top 10. Pessoalmente, prefiro o Frommers. Não sei se porque me acostumei.

Andre Guilhon
Andre GuilhonPermalinkResponder

My god, what SHAME!!!!!!Nothing about BELÉM DO PARÁ city in the mouth of AMAZON RIVER , and enormous MARAJÓ ISLAND !!!!?????

Carla Andrea
Carla AndreaPermalinkResponder

Riq ou Bóia, há no blog algo sobre a Nicarágua? Se não houver, tem como abrir um post para criar conteúdo próprio aqui ou ao menos um post viajosfera para compilar os links de outros blogs que já escreveram sobre o destino? A idéia é fazer um combinado entre Guatemala (já fui outras vezes), Honduras, Belize e Nicarágua (esses três, primeira vez), rodando uns dois meses ao todo.

A Bóia
A BóiaPermalinkResponder

Olá, Carla! Consulte o 1000 dias pela América:

http://www.1000dias.com/nicaragua/

Atenção: Os comentários são moderados. Relatos e opiniões serão publicados. Perguntas serão selecionadas para publicação e resposta. Entenda os critérios clicando aqui.
Bóia offline! Vamos continuar aprovando comentários, mas a Bóia só volta a responder perguntas que forem feitas depois de 10 de abril de 2017. Obrigado pela compreensão.
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