A Copa do turismo

Ricardo Freire
por Ricardo Freire

Minha coluna na Época desta semana.

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Esta semana muita gente ficou contrariada ao se confirmar que o mesmo país que realiza os carnavais do Rio, de Salvador, do Recife e de Olinda, que organiza o réveillon de Copacabana, que sedia o Grande Prêmio de Interlagos, que promove o Círio de Nazaré, que monta o Festival de Parintins, que faz a maior Parada Gay do planeta e que exporta o Rock in Rio foi escolhido para realizar a Copa do Mundo de 2014. Quer saber minha opinião sobre a Copa no Brasil? Já não era sem tempo! Tradição futebolística à parte, não existe nenhum país mais apto do que o Brasil para sediar uma Copa do Mundo, hoje.

Juro que não estou sendo cínico. Não há uma ponta sequer de ironia no parágrafo acima. O fato é que a Alemanha, em 2006, implantou um novo paradigma para as copas. Na Alemanha o futebol foi apenas uma desculpa para uma grande festa. As cidades-sede transformaram-se em palcos de uma espécie de carnaval que durou um mês inteiro. Alguém aí conhece um lugar do planeta com mais tecnologia para realizar um carnaval de um mês de duração?

A lambança das contas do Pan do Rio pode servir como mau presságio ao que virá por aí, mas ainda assim é um paralelo imperfeito. Cada cidade-sede vai precisar construir ou remodelar um estádio, dar-lhe um acesso civilizado, organizar um festódromo permanente e pôr a polícia ostensivamente na rua. Nada tão impossível (nem tão caro) assim. O grande problema não está em como deslocar a massa de visitantes entre seus hotéis e os estádios. O maior desafio – e também a maior oportunidade da Copa – está em como deslocar a massa de visitantes Brasil afora, entre um jogo e outro.

Como levar todos os que vão querer passar em Foz do Iguaçu? Como conciliar a agenda do torcedor italiano com uma excursão aos Lençóis Maranhenses, ou do torcedor japonês com um pulinho no Pantanal? Surpresa: a Copa não vai ser disputada só nas cidades-sede (algumas delas, por sinal, sem atrativos ao turista estrangeiro). Durante um mês o Brasil vai ter a chance de fazer-se degustar. Ganhando ou perdendo no campo, não deixaremos de ser uma potência futebolística. Mas se ganharmos os jornalistas e torcedores que vierem nos visitar, podemos finalmente nos tornar uma potência turística.

Qual é a importância disso? Faz décadas que o Brasil investe em infra-estrutura de turismo. Mas de nada adianta montar um parque turístico que seja usado apenas entre o Natal e o Carnaval por brasileiros em férias escolares. Para um país com o nosso clima, temos a baixa temporada mais injustificavelmente longa do mundo. Para fazer frutificar os investimentos feitos nessa área, precisamos de gringos de março a dezembro.

Claro que não dá para esquecer que o Brasil é também o país do apagão aéreo, de "Tropa de Elite", da avalanche do Rebouças, dos cardápios e placas monolíngües e dos taxistas que não sabem nem os números em espanhol. Nada que não possa ser melhorado nos próximos seis anos e meio.

A Copa pode inclusive dar a deixa para uma série de medidas modernizantes – como a privatização dos aeroportos, por exemplo. Cidades com legislações hoteleiras ultrapassadas, como o Rio de Janeiro, podem se ver obrigadas a buscar soluções para estimular a construção de novos hotéis. Numa situação dessas, é mais fácil abolir – ao menos temporariamente – a exigência de vistos a turistas de mercados importantes, como Japão, Estados Unidos, México e Austrália.

Há muito que ser feito, e seis anos passam rápido. Mas para quem faz o Réveillon de Copacabana, uma Copa do Mundo é fichinha.

 

40 comentários

Carmen
CarmenPermalinkResponder

Para España el gran despegue turístico vino a partit de los Mundiales del 1982, después de eso todo fue rodado...y Barcelona 1992 catapultó la ciudad como destino turístico.
Parabéns

Diogo
DiogoPermalinkResponder

Assinado: Diogo de Carvalho dos Santos

Marcel Alcantara

É nós na Copa!

Mari Campos
Mari CamposPermalinkResponder

Riq, absolutamente irrepreensível, como sempre. Vc continua meu ídolo! wink
Tô com o Diogo, assino embaixo mrgreen

Carla
CarlaPermalinkResponder

Taí, assino embaixo também! E realmente não é tão complicado traduzir umas placas e cardápios e dar umas noções básicas de inglês (pelo menos!) a quem trabalha com serviços em geral...

Sylvia
SylviaPermalinkResponder

Se os chinas estão conseguindo aprender bons modos ocidentais e
frases basicas em ingles pq a gente não pode ???

Vai ter um VNV da Copa ? Um VNV só para dar as melhoras dicas para
os turistas ? Dá até para faturar com isso né ? (falando seríssimo )

Ernesto
ErnestoPermalinkResponder

Mais uma vez, parabens pelo bom senso e pelas ideias simples e exequiveis.

Marcio
MarcioPermalinkResponder

Riq,

Fiquei super feliz dessa vez li a coluna impressa na revista.

Calma que eu explico pessoal. Aqui em Amsterdã não tem Época nem Veja então quando alguém lembra de trazer essas revistas é muito bom.

Um amigão chegou ontem de SP e veio lendo a Época no avião. Oba!!!

Ficou muito legal mesmo!!!

Abs!

Sylvia
SylviaPermalinkResponder

Deem uma olhada nas fotos do Rio do Zerenner !!
http://www.zerrenner.fot.br/

Mô Gribel
Mô GribelPermalinkResponder

Sylvia, as fotos são demais!!!

Mirella
MirellaPermalinkResponder

Riq (já peguei intimidade)... muito legal seu ponto de vista!
Concordo plenamente com cada palavra e que venha a copa para divulgarmos nosso país!!!!

Marcio, estou também em Amsterdam... querendo dividir a revista. estamos aí! ahahahah...

[]s

leandro
leandroPermalinkResponder

Realmente nosso turismo precisa de um novo fôlego, já fui a favor da reciprocidade e hoje sou contra (já comentei os motivos aqui), agora com o excesso de resorts no litoral nordestino mais do que nunca é preciso conquistar turistas para o Brasil e aquecer este mercado que está dando prejuízos para a maioria, o resto do país também tem muito a ganhar, São Paulo por exemplo tem a melhor rede hoteleira do país e ainda muita capicidade ociosa. Mas nestes grandes grandes eventos sempre superestimam os ganhos e subestimam os gastos, a Copa sozinha não fará tanto pelo turismo no Brasil, o mais importante é melhorar muito a infra-estrutura e fazer divulgação (de preferência nesta ordem), fundamental também facilitar a entrada de turistas, pois já não somos mais um país tão barato assim (uma vantagem que estamos perdendo).

Ronaldo Moraes

Comandante, concordo com todos os pontos que estão no seu artigo. Acho que essa Copa pode ser uma boa chance de alavancar o turismo em nosso país se formos capazes de investir bem em infraestutura para isso. Um mês de carnaval já é dado como certo, o Medina que não é bobo, já anunciou a volta do Rock in Rio justamente para 2014. Os olhos do mundo e principalmente da Europa estarão voltados para o Brasil. Mas daí achar que a Copa pode forçar o governo brasileiro a liberar o visto para turistas norte-americanos é pedir muito, até porque acho que esta competição não será capaz de despertar o interesse de turistas dos EUA pelo Brasil, fazendo com que o Itamaraty abra mão da sua maior fonte de arrecadação. Mas esta Copa pode ser capaz de impulssionar a candidatura brasileira a sediar uma Olimpíada e esta sim pode ser uma boa oportunidade para se liberar os vistos.

Majô
MajôPermalinkResponder

Hummm, acho que este trabalho está sendo de campo smile

Majô
MajôPermalinkResponder

Sylvia, fotos lindas mexmo smile

Ricardo Freire

Ronaldo, concordo que a Copa não é um evento pra americano.

Mas, dentro do meu raciocínio poliânico, consigo ver uma brecha para, num ato magnânimo, suprimirmos temporariamente os vistos de todos os países...

Os asiáticos fizeram bastante isso na década de 90. Inventavam o "visit Indonesia year", o "visit Thailand year" e eximiam todo mundo de visto. Quem sabe 2014 -- ou algum dos anos anteirores -- não vira um "visit Brazil year"...

JULIO CESAR CORREA

Não concordo. Acho que a Copa é um risco enorme. Se der errado, vai abalar para sempre a nossa imagem, que já não é boa. A Copa também vai atrair um tipo de turista do qual o país não precisa. O turista que perdemos e precisamos recuperar é o de bom padrão financeiro, o exigente, o que gasta, o que volta, o que não quer só praia e futebol, mas quer conhecer o Brasil alternativamente. Seis anos e meio é muito pouco para mudar a mentalidade política para isso e também a mentalidade de um povo. Ric, comparar a festa do final de ano em Copa com a Copa é um erro.
abração

Ricardo Freire

Julio, a comparação com o réveillon é uma hipérbole mrgreen

Concordo que a Copa é um risco. Se fizermos a Copa do jeito que Atlanta fez a Olimpíada, afundaremos de vez. shock

Mas a oportunidade é espetacular. Não abraçar essa oportunidade seria insano. O Brasil vai ganhar um infomercial de 30 dias ao vivo na TV do mundo inteiro. Fora toda a cobertura dos dois anos entre a Olimpíada e a Copa.

Deixa passar a Olimpíada de Pequim para você ver a enxurrada de informações que vamos ter sobre a África do Sul. Todo mundo vai ficar com vontade de ir para lá.

Não fazer a Copa significa dizer ao mundo: não podemos receber turistas. Turistas, fiquem em casa...

O crucial é resolver o caos aéreo, porque o esquema atual das Copas só se resolve, no Brasil, com deslocamento de avião. E tudo o que a gente puder arrumar nesse setor ficará para a sociedade.

Mirella
MirellaPermalinkResponder

Eu não acho que a copa só atrai turistas de baixo escalão... lembro que vários amigos americanos estavam pagando ticktes bem caros para participar da Copa na Alemanha... e era um pessoal de alto poder aquisitivo, que pode trazer muito dinheiro para o país e sair com boas lembranças.

Acho que nosso maior problema é a segurança... isso sim tem que ser bem feito. Pois no Canada, um irmão de um amigo foi competir no tiro ao alvo (acho que é essa a modalidade) no PAN e contou horrores sobre o esquema de segurança...

Dizendo que a comida era ruim, que os seguranças estavam dizendo para eles não ficarem com a janela do quarto aberto, para não sairem em hipótese alguma do alojamento (esqueci o nome disso) sozinhos (no mínimo em 4 pessoas e preferivelmente em 10) e que sempre os onibus ficavam com a janela fechada.

Eles começaram a ficar de saco cheio disso tudo, e no penúltimo dia, resolveram sair para comer fora e adoram a comida... mas estavam morrendo de medo!

Resumindo... o cara disse que a olimpiada da Asutralia tinha sido super legal, com muitas atividades etc... mas que no Brasil ele havia se sentido no presídio... essas historias, ninguém conta no Brasil, né?

Pois é... esse tipo de coisa não pode acontecer... pois as pessoas saem do Brasil com uma péssima impressão e é isso que é divulgado...

A Copa do Mundo é muito maior que o PAN e tem uma visibilidade enorme... todo lugar comenta e mesmo os que não são tão apaixonados por futebol, entram na dança... nos EUA fizemos bolão, assistimos jogos na cafeteria da empresa... todo mundo junto! Não acho que é coisa só de Europeu e o futebol esta crescendo muito no mundo.

Enfim... é uma oportunidade, como o Ricardo disse, que não poderíamos deixar passar... mas com a oportunidade, vem a responsabilidade... e nós temos que torcer para que seja uma grande festa! Que mostre o que a gente tem de lindo e não somente "bunda" (típico de propaganda brasileira)...

Falei muito e nem sei se agreguei smile
[]s

Carlos Vida
Carlos VidaPermalinkResponder

At. Sr. Freire

Enquanto o Brasil ter como ministro de turismo uma "sexologa", enquanto o ministro da defesa alisa sucuri no Amazonas ao invés de cuidar de nossos aeroportos ou da Força Aérea que tem 2/3 da frota de aviões no chão por falta de manutenção, enquanto temos como dirigente máximo do futebol brasileiro que "esquece" de convidar o Pelé para aquela festa da FIFA, onde estava o Platini e o Beckenbauer, enquanto no Brasil acontece, em menos de um ano, pelo menos 10 acidentes aéreos graves (quatro em uma semana) ou estradas em que morrem 5600 pessoas em menos de um ano, enquanto a corrupção come solto, desde a propina para o guarda de trânsito até o Congresso Nacional, não dá para acreditar que a Copa no Brasil vai dar certo, mesmo com todo o seu otimismo.

Majô
MajôPermalinkResponder

Esperamos que recuperem as ferrovias.

André Galhardo

Não tenho dúvidas de que realizaremos não só a maior, mas a melhor Copa do Mundo de todos os tempos. Com ou sem Ricardo Teixeira e cia.

Mas depois de ler a coluna do Riq e alguns comentários, quero lembrar Nelson Rodrigues na Manchete Esportiva de 31 de maio de 1958.

Trata-se da última crônica antes da estréia do Brasil na Copa de 1958, que, como se sabe, foi a primeira vencida pela Seleção Brasileira.

Complexo de vira-latas
por Nelson Rodrigues

Hoje vou fazer do escrete o meu numeroso personagem da semana. Os jogadores já partiram e o Brasil vacila entre o pessimismo mais obtuso e a esperança mais frenética. Nas esquinas, nos botecos, por toda parte, há quem esbraveje: - "O Brasil não vai nem se classificar!". E, aqui, eu pergunto: - não será esta atitude negativa o disfarce de um otimismo inconfesso e envergonhado?

Eis a verdade, amigos: - desde 50 que o nosso futebol tem pudor de acreditar em si mesmo. A derrota frente aos uruguaios, na última batalha, ainda faz sofrer, na cara e na alma, qualquer brasileiro. Foi uma humilhação nacional que nada, absolutamente nada, pode curar. Dizem que tudo passa, mas eu vos digo: menos a dor-de-cotovelo que nos ficou dos 2 x 1. E custa crer que um escore tão pequeno possa causar uma dor tão grande. O tempo em vão sobre a derrota. Dir-se-ia que foi ontem, e não há oito anos, que, aos berros, Obdulio arrancou, de nós, o título. Eu disse "arrancou" como poderia dizer: - "extraiu" de nós o título como se fosse um dente.

E, hoje, se negamos o escrete de 58, não tenhamos dúvidas: - é ainda a frustração de 50 que funciona. Gostaríamos talvez de acreditar na seleção. Mas o que nos trava é o seguinte: - o pânico de uma nova e irremediável desilusão. E guardamos, para nós mesmos, qualquer esperança. Só imagino uma coisa: - se o Brasil vence na Suécia, e volta campeão do mundo! Ah, a fé que escondemos, a fé que negamos, rebentaria todas as comportas e 60 milhões de brasileiros iam acabar no hospício.

Mas vejamos: - o escrete brasileiro tem, realmente, possibilidades concretas? Eu poderia responder, simplesmente, "não". Mas eis a verdade: - eu acredito no brasileiro, e pior do que isso: - sou de um patriotismo inatual e agressivo, digno de um granadeiro bigodudo. Tenho visto jogadores de outros países, inclusive os ex-fabulosos húngaros, que apanharam, aqui, do aspirante-enxertado Flamengo. Pois bem: - não vi ninguém que se comparasse aos nossos. Fala-se num Puskas. Eu contra-argumento com um Ademir, um Didi, um Leônidas, um Jair, um Zizinho.

A pura, a santa verdade é a seguinte: - qualquer jogador brasileiro, quando se desamarra de suas inibições e se põe em estado de graça, é algo de único em matéria de fantasia, de improvisação, de invenção. Em suma: - temos dons em excesso. E só uma coisa nos atrapalha e, por vezes, invalida as nossas qualidades. Quero aludir ao que eu poderia chamar de "complexo de vira-latas". Estou a imaginar o espanto do leitor: - "O que vem a ser isso?". Eu explico.

Por "complexo de vira-latas" entendo eu a inferioridade em que o brasileiro se coloca, voluntariamente, em face do resto do mundo. Isto em todos os setores e, sobretudo, no futebol. Dizer que nós nos julgamos "os maiores" é uma cínica inverdade. Em Wembley, por que perdemos? Porque, diante do quadro inglês, louro e sardento, a equipe brasileira ganiu de humildade. Jamais foi tão evidente e, eu diria mesmo, espetacular o nosso vira-latismo. Na já citada vergonha de 50, éramos superiores aos adversários. Além disso, levávamos a vantagem do empate. Pois bem: - e perdemos da maneira mais abjeta. Por um motivo muito simples: - porque Obdulio nos tratou a pontapés, como se vira-latas fôssemos.

Eu vos digo: - o problema do escrete não é mais de futebol, nem de técnica, nem de tática. Absolutamente. É um problema de fé em si mesmo. O brasileiro precisa se convencer de que não é um vira-latas e que tem futebol para dar e vender, lá na Suécia. Uma vez que se convença disso, ponham-no para correr em campo e ele precisará de dez para segurar, como o chinês da anedota. Insisto: - para o escrete, ser ou não ser vira-latas, eis a questão.

GiraMundo com Jorge Bernardes

Gostei, adorei o seu texto. E sabe por quê?

Porque você mostra de forma positiva que o desafio não é tão grande e transmite a mensagem para os brasileiros de que não precisamos e MAIS IMPORTANTE, não devemos esperar que todos os problemas do Brasil serão resolvidos porque receberemos uma Copa.

Essa expectativa do brasileiro de esperar que TUDO seja resolvido para termos a Copa, somada com a tolerância que nosso povo tem com a corrupção (É verdade, vai ter ladroagem, mas que venha a Copa...) é a combinação perfeita para o espetáculo de superfaturamento em projetos grandiosos que não deixam grandes benefícios como vimos no Pan. (Algum benefício sempre fica, mas a que preço?)

Você diz bem, o projeto não é tão caro assim e NÓS não devemos esperar pagar um preço tão alto por isso.

E você tem razão quando reclamou na semana passada (no outro post) que os jornais falavam de obras megalomaníacas no dia seguinte ao anúncio da escolha do país sede. Isso não é um serviço útil ao nosso país, mas fiscalizar/acompanhar/denunciar se for preciso, é sim.

Eu queria ter conseguido dizer tudo isso que você escreveu no meu comentário da semana passada que acabou percebido como o de um pessimista.

Eu tenho certeza de que a COPA no Brasil será a mais lembrada festa das Copas. O Pan foi um mega espetáculo, foi lindo, o Brasil todo ficou orgulhoso, mas não podemos aceitar pagar qualquer preço para levantarmos nossa auto-estima e promover nosso país. A gente tem que ter um olho no retorno, sempre.

Acho demais a mensagem de que precisamos de mais medidas modernizadoras do que obras. É exatamente isso. Não faltarão investimentos se as medidas certas forem feitas.

2014 - 6 anos e meio pra alavancar o Turismo « Digo

[...] “Há muito que ser feito, e seis anos passam rápido. Mas para quem faz o Réveillon de Copaca... [...]

Thyago Miranda

Tem gente que acha o Reveillón carioca uma festinha simples, mas, não entende o que está envolvido naquilo, no que aquela festa representa em termos organizacional.

Um amigo comentou isso lá no meu blog e vi que falaram isso aqui também, então, comento aqui também:

"Bem, o Rio é o único lugar do mundo que faz anualmente uma festa pra quase 3 milhões de pessoas na maior ordem, animação e bebedeira. Além disso, em que outro lugar do mundo em menos de 24 horas passadas as 2 / 3 milhões de pessoas você volta ao local e não encontra um vestígio de toda aquela quantidade de gente?

É um exemplo de como funciona, mesmo com as pendências e imperfeições, o transporte carioca, a COMLURB com esse brilhante trabalho em tempo recorde, o cidadão que desce da favela, que desce do apartamento, da cobertura pra pular onda e jogar oferendas, que vem Niteroi, de São Gonçalo, da Bahia, de Minas, da Argentina, da Europa.

Esse é só o nosso evento maior, anual, símbolo nosso que japoneses e chineses já vieram em delegações de seus países aprenderem com o Rio de Janeiro a arte de realizar grandes eventos e limpar a casa.

Acho que o Reveillón faz sentido, sim, como um bom índice comparativo."

André
AndréPermalinkResponder

Eu sugiro que se crie uma repartição pública federal, com divisões estaduais e municipais, responsável pela tradução de cardápios e placas de trânsito.

Dá tempo de abrir um concurso público e contratar todo mundo dentro da lei.

Assim evitaríamos os cardápios e placas "bilíngues" atuais. Em todos os lugares em que já vi alguma, era sempre "português-idioma-estranho-parecido-com-tradução-online-malfeita".

Tem coisas hilárias e surpreendentes.

Aliás, Ricardo, taí uma sugestão de post ou matéria pra vc fazer.

Já leu um cardápio de restaurante, no Nordeste (ok, sem preconceito, no Rio tb se acha vários), com tradução dos pratos para inglês???

É de chorar de rir.

Então, como a nova autarquia criada, teríamos vários funcionários públicos, de carreira, com a única missão de traduzir cardápios, placas, avisos... e poderiam também fazer revisão e correção dos já existentes!

Aí o Lula ia contribuir também com a redução do desemprego. Olha que beleza!

Poderíamos também criar o Ministério dos Guias Bilíngues e dos Taxistas que escutam o cliente.

Alexandre Giesbrecht - AVIVIXE

Para números em espanhol, já ouvi a seguinte versão: uno, dos, "triês", cuatro, "ceinco", "siês", siete, "uecho", nueve, diez...

André Galhardo

Concordo com o Jorge.

Se os investidores já estão vindo, com medidas modernizantes, virão muitos mais.

De cara, a notícia da Copa pode ter adiantado ao Brasil o almejado rating de país "grau de investimento". Por ex, o Medina já anunciou o Rock in Rio 2014. smile

Quanto aos vistos, me parece batalha perdida propor a quebra do princípio da reciprocidade, base da diplomacia.

Mas seria ótimo se os turistas pudessem solicitar o visto pela internet e recebe-lo ao desembarcar, no próprio aeroporto.

Brasil na Italia

Eh Ricardo, também sou a favor da Copa do Mundo no Brasil, representa um potencial imenso para o país, principalmente porque o futebol é uma das poucas coisas que o Brasil realmente entende. A outra é o carnaval.

Mas tem tanto para fazer. A começar pela qualidade dos hotéis. Moro aqui na Italia e vejo frequentemente pacotes para Natal, Fortaleza, Recife. Só que são uns hotéizinhos que parecem tão vagabas pelas fotos a preço de hotel de qualidade em outros lugares maravilhosos do mundo...

Sem falar na segurança, não sei se é tão fácil colocar a polícia na rua. Quando estive no Brasil no primeiro semestre, no Rio de Janeiro estava acontecendo uma verdadeira guerra civil nas ruas. Tanto que meus amigos paulistanos me fizeram mil recomendações antes de partir para a "Cidade Maravilhosa" e me diziam "mas você tem certeza que vai para lá agora? Não é um bom momento..."

Lógico que eu fiquei 5 horas no aeroporto para voar 40 minutos porque estava acontecendo o caos no transporte aéreo. E sim, os aviões no Brasil caem. Não teco-teco, avião de companhia aérea tida como séria.

Entusiasmo é positivo, mas se não vier acompanhado de ações, não sei não... Na Alemanha desenvolveram um plano de segurança máxima, até porque existia o risco do terrorismo, que aflige EUA e Europa. Isso ajudava a criar a credibilidade para o evento. O que o Brasil fará a respeito... Vamos ver...

Sylvia
SylviaPermalinkResponder

Estava agora mesmo ouvindo um cronista falar sb isto , e achei muito
lúcida a colocação :
Um grande numero de pessoas não admite que outras mostrem os espinhos do caminho . Sabem que existem mas sempre deixam para depois para falar sb o assunto , e ainda ficam indignadas quando alguem
insiste em chamar atenção para as dificuldades .
Funciona assim : saiu o resultado ? Tem que fazer festa smile e quem enxerga
diferente é detonado ... mrgreen
Temos muito que crescer para aceitar a diversidade e respeitar pontos
de vista diferentes dos nossos ( não é preciso aceitar , basta respeitar )

Zezé
ZezéPermalinkResponder

Sempre adorei teu estilo positivo, otimista. Mas gastar dinheiro em uma festa dessa - lembrando que o Pan foi superfaturado por 7x - enquanto o país não tem hospitais, aeroportos, escolas, estradas, portos, combustível, eletricidade, bem... não consigo concordar contigo.

E, juro, eu tentei wink

Claudio Lara
Claudio LaraPermalinkResponder

A Copa do Mundo em 2014 será uma ótima oportunidade para o Brasil divulgar mais seus destinos turísticos e quem sabe os amazônicos e do Pantanal.

Das possíveis sedes eu não vejo infra-estrutura em São Paulo para receber uma Copa. O trânsito é um verdadeiro inferno e os serviços péssimos. Não existe nem estação de trem e metrô nas portas do Morumbi - como existe no Estádio do Maracanã.
O sofrimento dos turistas começa na falta de orientação nos aeroportos e refém dos mesmos na volta pra casa. Tenho medo também de algum atentado do PCC ou de terroristas mesmo aproveitando o péssimo controle de viajantes. Caso recente do garoto que viajou de avião para São Paulo sem pagar se quer passagem.

O Pan Rio 2007 foi um grande teste para o Rio de Janeiro e ele passou com louvor. Foram 1.9 milhões de ingressos em 332 eventos e nenhuma futura sede da Copa receberá metade da metade desta quantidade de ingressos. O sistema de transportes também funcionou muito bem. Parte da mídia torceu contra, mas os Estádios ficaram prontos, não aconteceu nenhum caos no trânsito e o público foi um show, com exceção de um “peladeiro do basquete” e reclamações isoladas num evento deste porte.

No resto é uma ótima oportunidade para o Brasil facilitar o visto de visitantes internacionais.
Turistas são pacifistas por natureza. É um absurdo tratar turistas dos EUA com exigências desnecessárias enquanto na outra ponta se facilita visto de trabalho e dos empresários que aqui aportam somente para explorar boa mão-de-obra barata.
A desculpa de reciprocidade, respeito e tratamento igual ao que sofremos nos EUA , é sem sentido, já que aqui dentro não sofremos ações de terrorismo ou invasões de trabalhadores desequilibrando nosso mercado interno.

Pior que isso é um juiz posar de defensor da constituição e pedir respeito dos turistas internacionais, quando não somos respeitados em nossos direitos aqui mesmo no Brasil e pelos três poderes.

Bruno Hiroshi
Bruno HiroshiPermalinkResponder

Ricardo, Boa Tarde!

Sou assinante da Revista Época e li sua materia dessa semana, e gostei
muito e achei muito interessante. Mas têm um porém, gostaria de saber sua
opnião sobre a seguinte questões: Copa no Brasil.

O Brasil irá gastar + ou - 5 Bilhões de reais para ser realizado a Copa
aqui. Agora eu te faço minha pergunta: Com todo esse dinheiro não poderiamos
acabar com a Fome, Desemprego, e o principal, melhorar 99,9% a saúde pública
? e será usado sim, o dinheiro público para acontecer esse evento aqui no
Brasil.

Bom, é só essa minha pergunta.
Eu AMO de paixão futebol, mas a Copa do Mundo aqui no Brasil... isso me deixa
muito nervoso. "O povo brasileiro é muito BURRO"

Obrigado,
Bruno!

GiraMundo com Jorge Bernardes

http://charges.uol.com.br/2007/11/01/lula-canta-a-taca-do-mundo-e-nossa/

Para relaxar a discussão, lá vai uma charge-okê com cara de profecia...

O Brasil já até virou Venezuela, por enquanto só por conta do petróleo...

" A taça do Mundo é nossa..."

Marcos Teles
Marcos TelesPermalinkResponder

Caros,

Li a matéria e adorei. Há algum tempo tinha refletido sobre isto e esta é a razão de eu comentar o artigo.

Discordo 100% do nosso amigo Bruno, já que um evento como este traz muitos investimentos ao país, gera emprego e reflete positivamente a imagem do Brasil. São negócios de curto e a longo prazo. Movimentam a economia e beneficia a sociedade como um todo.

O Brasil não explora e não conhece o seu potencial para o turismo. O país ainda é muito caro para o estrangeiro e o próprio brasileiro conhecer. Já muitos não vêm por causa do custo. Sem contar alguns que reclamam da exploração quando se percebe que você é um "gringo".
As distorções de preços entre alta e baixa temporadas são impressionantes.

Capitais como Buenos Aires, há turistas por todas as partes o ano todo. Ponto para eles.

Muitas vezes investimos para atrair americanos e europeus quando poderíamos explorar a proximidade e divulgar o Brasil entre nossos vizinhos.

Infelizmente, há uma série de desafios descritos anteriormente que necessitam de soluções. Segurança pública e transportes públicos são apenas alguns deles.

Talvez o maior desafio para realização da copa seja o próprio brasileiro. Creio que o próximo passo, além de obras, é envolver a população. Seja campanhas publicitárias, escolas, mídia.

Apesar de alguns acharem absurdo e engraçado o que a China tem feito para educar a população para as Olimpíadas. Acredito que deve servir de modelo para o Brasil se preparar para 2014. Campanhas para não furar filas, não cuspir e jogar lixo no chão fazem parte dos preparativos. Eu incluiria campanhas de transito também.

(segue o link)
http://www.bbc.co.uk/portuguese/reporterbbc/story/2007/02/070211_china_olimpiadas_pu.shtml

Ótimo artigo!
Um abraço!
Marcos

Marcos Teles
Marcos TelesPermalinkResponder

Matéria interessante sobre o turismo na Copa da Alemanha.

"E o vencedor é... o turismo alemão!"
http://www.dw-world.de/dw/article/0,2144,1933921,00.html

outro:
Turismo descobre as "viúvas da Copa"
http://www.dw-world.de/dw/article/0,2144,1978479,00.html

Gisele Claudya

Bem, se vc conhece o Brasil, sabe dos sérios problemas que temos aqui. E é pensando nos que mais precisam que acho que o Brasil não deveria gastar tanto (pois vai gastar) com a minoria vai aproveitar.
E depois, tenho certeza que só mesmo qas zonas turísticas serão protegidas como Exército. Passada a Copa, nós, brasileiros, continuaremos perdendo nossos entes queridos com bala perdida, dengue hemorrágica, sequestros, assaltos à luz do dia e sem dinheiro para sairmos para um país melhor.
Desculpa se pareço tão pessimista mas é a relidade brasileira que me faz ser assim. Adoraria poder vibrar quando anunciaram sobre a Copa aqui. Mas um dia antes, vimos uma reportagem sobre a seca no Nordeste onde pessoas sofrem sem condições e me coloquei no lugar delas. Será que elas preferem assistir a Copa (na tv, se tiverem uma, claro) ou ter água e comida ?
É um caso a pensar, né?
Mas gostei do seu texto.
Beijocas.

Gisele Claudya

Peço perdão pelos erros acima rs. Emoção, talvez ehehe
Beijocas

Paulo Sérgio Rocha

Tomara que as perspectivas otimistas se confirmem. Torço sinceramente por isso. Queria estar errado, mas acho que mesmo com toda fiscalização, mesmo com uma atuação rigorosa do Ministério Público e das autoridades fiscalizadoras (já vejo notícias e comentários de que elas estão "atravancando" a realização das obras necessárias à Copa), creio que a Copa 2014 vai ser encarada como mais uma oportunidade de se adotar medidas "maquiagem", isto é, aquelas que não duram ou duram pouquíssimo, sempre com superfaturamento, ou seja, assalto aos cofres públicos. É duro de ouvir e difícil de aceitar, mas o mal do Brasil somos nós, os brasileiros, que sempre queremos faturar (o tão criticado mas sempre presente "jeitinho").

Penso como alguns acima. Quem não tem governantes sérios nem honestos, não tem saúde, rodovias, aeroportos, educação, ferrovias e ainda padece com muitas outras mazelas não tem condições - nem merece - sediar um evento grandioso como uma Copa do Mundo de futebol. Mas a coisa já está resolvida e agora resta a cada um de nós fazer nossa parte (sem querer levar vantagem, espera-se).

Reconheço que sou minoria e, como já disse antes, quero muito estar errado. Mas, por enquanto, é o que penso, apesar da coluna do Ricardo Freire na Época.

Paulo Sérgio

2014 - 6 anos e meio pra alavancar o Turismo | Digo…

[...] “Há muito que ser feito, e seis anos passam rápido. Mas para quem faz o Réveillon de Copaca... [...]

Atenção: Os comentários são moderados. Relatos e opiniões serão publicados. Perguntas serão selecionadas para publicação e resposta. Entenda os critérios clicando aqui.
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