Ame-o e/ou deixe-o

Ricardo Freire
por Ricardo Freire

ameo

Um papo bem interessante surgiu, neste fim de semana, na caixa de comentário de um post do mês passado sobre a Amazônia.

A discussão foi desencadeada por essa provocação da Dani G.:

Por que o brasileiro economiza pra conhecer as Zoropas e os Isteites, e acha que conhecer o Brasil com CONFORTO é caro? Por que gastar 3000-5000 euros pra conhecer a Europa ficando em hotéis mais-ou-menos é aceitável, e gastar 2000 reais pra conhecer o BRASIL é caro ?

Vejam bem, eu não acho turismo no Brasil barato, mas eu não entendo a PRIORIDADE que dão na hora da escolha… é mais chique dizer que foi a NYC do que até Manaus ou Alter-do-Chão, por exemplo? O que é mais importante? Conhecer os valores da sua terra, ou enaltecer as belezas do vizinho?

Imediatamente o post ficou quentíssimo, com muitas contribuições interessantes.

Para a Sylvia, "o Brasil vai estar sempre aqui". Por isso aproveitamos para viajar para fora sempre que a ocasião se apresenta (na juventude, porque temos mais tempo de férias e mais disposição para encarar qualquer parada; agora, quando as passagens baixam ou o real se valoriza). No caso dela, ter deixado para visitar o Brasil depois de ter percorrido o mundo não alterou o resultado: "meu credo é viajar".

A Dani retrucou: "Da mesma forma que o Brasil continua 'aqui', a Europa, Caribe e USA continuarão 'lá'. O enriquecimento cultural de quem passa 30 dias mochilando na Europa é maior do quem fica 30 dias mochilando no nordeste, por exemplo? Não sou ufanista e nem estou saudosista, mas antes de meter a cara no que chamam de 'mundo' eu visitei o Brasil. E, aqui no chamado 'mundo' posso conversar com X,Y z Z dizendo que no Sul é assim e no Nordeste é assado. Acho a coisa mais triste alguém te perguntar peculiaridades do seu próprio país e você não saber informar, e ao mesmo tempo sabe de cor todos os pontos turisticos de Paris…"

No que a Mô, que detesta praia e mato, e já foi a quase todas as capitais brasileiras a trabalho (e voltou por conta própria a Belém e Manaus), foi direto ao ponto: "Gostoso é ir para aonde temos vontade e não para aonde acham que deveríamos ir. Como não sabemos jamais o dia de amanhã, no momento eu curto mais ir para aonde sempre tive vontade e não podia. O que há de errado nisso?"

Concordando com a Dani, a Carla2 encontrou traços culturais na preferência brazuca por viagens ao exterior: desde a colônia as classes abastadas mandavam seus filhos estudar na Europa; e no Sul e no Sudeste quase todo mundo tem origens européias mais ou menos recentes para conferir.

A maior declaração de amor às viagens dentro do Brasil veio da Flavia Penido, nossa LadyRasta: "Acho que tem dois fatores aí: a) preferência por um ou outro lugar; b) o conceito do que é viajar para você. Eu acho importante conhecer o nosso país até para conseguirmos saber quem nós somos, ou o que nos torna brasileiros; mas é um conceito meu. Como a Sylvia, acho que não importa o que se vê antes ou depois; mas como a DaniG, acho sim que as pessoas dão mais valor para o exterior do que para o Brasil. Eu até poderia dizer que isso advém de termos sido colônia, mas os EUA, por exemplo, não são assim -- americano conhece normalmente os EUA antes de ir para a França ou para o Caribe. Sem dizer o que é melhor ou pior (não é isso em absoluto), acho que essa preferência pelos roteiros ao exterior tem um pouco a ver com a nossa baixa auto-estima sim. Que, paradoxalmente, só vai melhorar quando nos conhecermos. E para nos conhecermos…temos que viajar aqui dentro…".

Meu pitaco: eu acho que a gente gasta dinheiro demais para viajar no Brasil em momentos errados (Réveillon e Carnaval), e gasta tempo demais reclamando de preços praticados em lugares remotos, de logística complicadíssima, como hotéis de selva e Fernando de Noronha, que seriam caros em qualquer lugar do mundo. Ao mesmo tempo, pouca gente está realmente ligada em descobrir as barbadas da baixa temporada -- quando, sabendo para onde ir, o Brasil é uma pechincha.

Endossando a Dani, acho que a gente só considera um bom negócio viajar por aqui mesmo quando o Brasil está MUITÍSSIMO mais barato do que ir para o Exterior. Se custar só um pouquinho mais barato, o Brasil está caro...

Também acho que normalmente temos dois padrões distintos de conforto. Como aqui somos da casa-grande, não admitimos nada que pareça remotamente senzaliano. Já quando turistamos fora, topamos qualquer parada... Dificilmente ficaríamos em Copacabana num hotel equivalente aos que ficamos em Paris ou Roma (para citar três cidades de hotelaria ultrapassada e cara).

Aos "fatores culturais" apontados pela Carla2 e pela Flavia,  eu acrescento mais um: a instabilidade econômica e monetária do Brasil, que faz com que a moeda passe alguns anos supervalorizada e outros tantos sem valer nada. É natural que a gente não queira perder a oportunidade de viajar para fora quando isso é possível.

Por isso, no final das contas, estou com a Mô -- a gente deve ir para onde tem vontade e está podendo mrgreen

(Só acrescentaria: desde que numa época favorável, hehe.)

E você, o que acha? Concorda com alguém aqui? Discorda? Muito antes pelo contrário?

Ajude a engrossar esse caldo, pufavô!

132 comentários

Lucia Malla
Lucia MallaPermalinkResponder

Vou engrossar o caldo da sopa com um exemplo: quando morei em Boston, dividia a casa com vários americanos (de perfil bem viajante mochileiro), e todos eles não cansavam de me perguntar sobre Amazônia e Pantanal. Eu já conhecia o Pantanal na época, mas nunca tinha ido a Amazônia - e sendo bióloga, isso parecia piorar tudo nos olhos deles. Então ficava muito chateada comigo mesma, de não poder responder às questões que eles colocavam.

Pra piorar a situação, eu, carioca da gema, que já morei no Rio por muitos anos, nunca tinha visitado o Pão-de-Açúcar... para eles, aquilo não dava pra entender mesmo. E eu envergonhada com a minha própria ignorância do país.

Nas primeiras férias de volta ao Brasil, tirei 3 dias para ser turista no Rio de Janeiro: comprei passe de turista, fui ao bondinho, ao Corcovado, passeei nos museus, enfim, vi tudo que nunca tinha visto mesmo morando na cidade. Foi maravilhoso, eu olhei o Rio por uma perspectiva que eu nunca havia apreciado. Um absurdo, mas verdade.

E comecei então a planejar minha ida a Amazônia (que foi em 2007). Hoje, fico mais tranquila quando posso responder as perguntas que os estrangeiros me fazem sobre lá, pelo menos com um pouquinho mais de conhecimento "real" do lugar. smile

E acho que a gente não deve deixar nunca de ser turista/viajante, mesmo na nossa própria cidade.

Flavia
FlaviaPermalinkResponder

Uau! Posso fazer a linha sentimental (pra variar um pouco)? Sabe o que eu acho o máximo? Todo mundo conhece um zambilhão de blogs onde esse tipo de discussão já teria descambado pra baixaria fácil fácil. Aqui, apesar de divergências e de todo mundo ter personalidade forte e pontos de vista muito claros, a discussão sempre se dá, sempre muito elegantemente, no campo das ideias (eu adotei, não briguem #desacordo) e nunca vai pro pessoal. Resultado: esse tipo de reflexão linda que apareceu aqui...
lol
Beijos

LucianaM.
LucianaM.PermalinkResponder

Concordo com a Mô: vontade + dindin são as variáveis importantes. Eu comecei a viajar tarde para fora do país por absoluta falta de grana. Já pelo Brasil, eu viajava desde de muito pequena, pois as famílias de meus pais são de regiões bem distintas que ficam a mais de dois mil km de distânica. Quando era maior, íamos ano sim/ano não de carro, percorrendo boa parte do litoral do Brasil. Lindo! Tenho excelentes lembranças dessas viagens. Por exemplo, conheci a Praia do Futuro/ Fortaleza quando não havia nenhum prédio lá....Alagoas? Muito antes de qualquer Rota Ecológica! O tempo passa! Adoro viajar pelo Brasil, mas, sim, quando posso vou para fora. Vivemos num país de dimensões continentais e a Europa me dá a chance de experimentar diversas línguas/culturas percorrendo distâncias relativamente pequenas. Quando posso, tiro minhas férias na baixa temporada, mas nem sempre dá. Acho que valorizamos pouco a América Latina/ Central, mas, além do conceito geral de que TUDO (de sabonete até os PhD) que vem da Europa/EUA é melhor, os preços das passagens áreas não ajudam! A não ser qando a gente tá sorte de pegar uma promoção!

LucianaM.
LucianaM.PermalinkResponder

Digo, DÁ SORTE!

Ernesto o pato.

Eu conheço bem o Brasil,quase toda a America Latina, e muito na teoria da Silvia, ja fui em muita carona de caminhão quando tinha 18/25 anos (incluindo uma até Belem, e depois uma carona num avião da FAB até Manaus), e acho que temos lugares marevilhosos e que devem ser conhecidos (e, olhe que até hoje vejo lugares maravilhosos que pouca gente conhece, como a última viagem para São Miguel Arcanjo que lembra as Serras Gauchas, com colheta da uva e tudo mais, e trilhas lindas para quem curte, a estrada parque e tudo a 160 km. de SP) ... Só que não vejo em sentido em pagar 2000 Reis por um cruzeiro de 3 dias , ou quase 1000 dólares por um navio que deve ser no máximo 3 estrelas, ainda mais quando quem mora na região para 1/3 deste valor, isto sem falar na passagem, que bate o preço da Europa... E, cá entre nos a natureza da Aamzonia é bonita, mas na minha opinião monotona e pouco variada. Manaus como Cidade tem um teatro bonito, e uns casarões antigos, e alguns restaurantes de peixe muito bons, e nada mais (quem viu algo melhor, me conte por favor, para quem quer ver natureza, eu recomendo o Pantanal)... Acho pouco por muito dinheiro, independentemente do pais. O value, como dizem os americanos é ruim. Mas, isto não quer dizer de modo algum que devemos desprezar o nosso pais. eu acho que temos atrações e lugares que devem ser conhecidos, como por exemplo eu não vejo sentido em ir ao Taiti e não conhecer a rota ecológica. Quanto ao status, vai de cada um. Eu vejo muita gente indo a Disney com crianças pequenas, e pessoalmente acho mais interessante ir para Curitiba, e a região do Beto Carreiro, onde só para começar não se gasta os 200 dólares por pessoa do visto americano (além da viagem para SP ou RJ para quem não e da regiaõ). Mas, há pessoas que acham o maior status ter a foto do filho com o Mickey no escritório... Questão de gosto e de felicidade. Eu compro os bens materiais que me deixam felizes, e não porque me dão status, e penso o mesmo com viagens, sejam dentro ou fora do Brasil. A questão de viajar fora, pode até ser mais econmica do que dentro do Brasil, como ocorria até o ano passado com a Argentina, e para mim depende de clima, cotação do dólar, épocas em que tenho menos trabalho, mas que são picos no Brail, e não no exterior, como por exemplo o Carnaval.... Assim, eu acho que o Cruzeiro de 2000 Reais, como valor e experiencia, não vale a pena,exceto é claro, se voce tiver a grande vontade de conhecer a Amazonia... Mas, nese caso, pense na possibildiade de tomar um barco local, que é bem mais autentico, e vai custar BEM menos....

Lucia Malla
Lucia MallaPermalinkResponder

Ernesto, concordo com vc na maior parte. Como vc, viajei razoavelmente na minha adolescência pelo Brasil (naquelas roubadas inesquecíveis de carona), mas acho tb q chega uma hora q o pé coça para conhecer uma "cultura" diferente. ("cultura" entre aspas pq é o termo q as pessoas em geral usam p/ justificar. Prefiro costumes e rotina diferentes.) P/ poder contemplar o mundo como um todo, entende? E se relativizar perante ele. Até entender melhor as diferenças, compartilhar experiências.

Acho fundamental ir ao exterior. Se antes ou depois do Brasil, aí é escolha de cada um, do bolso que lhe compete e dos interesses individuais.

Por ex., minha tia é professora de história da arte. P/ ela, muito mais importante q ir a Amazônia ou aos Lençóis Maranhenses, é conhecer Roma, Grécia e afins, até para entender a história q chegou aqui. Acho q fica difícil generalizar num tema desses.

Carla2
Carla2PermalinkResponder

Riq, muito bem lembrada a questão da instabilidade monetária e econômica do Brasil. Me lembro que nas décadas de 70/80, viajar para fora do país era um acontecimento, e normalmente só ia quem tinha muita grana. Hoje até um pé-rapado como eu consegue comprar uma passagem, então é natural querer aproveitar a ocasião, pois a gente nunca sabe quando esses ventos podem mudar.

Também concordo com a Flávia que viajar pelo Brasil é o máximo. Faz com que a gente vá entendendo qual a nossa verdadeira identidade (como brasileiros).

Riqzinho, só não concordo quando você diz que Carnaval e Reveillon são as épocas erradas - para mim, são as épocas certíssimas!! É que faz parte da diversão estar onde metade do mundo está e a outra metade gostaria de estar!! Quero dizer que é supergostoso ter a rota ecológica só para si, mas também é gostoso fazer parte da "história". Eu posso não ter ido à Amazônia (ainda!), mas posso contar para meus amigos estrangeiros sobre as 2 maiores festas do Brasil, vividas in loco: reveillon em copacabana e carnaval em Salvador. E cá entre nós: é um estudo antropológico e tanto!!

Ricardo Freire

Carla, eu sou o primeiro a dizer que passar um Réveillon no Rio é o "hajj", a peregrinação a Meca do brasileiro. E todo mundo que não for doente do pé deve, sim, cacifar os nossos carnavais.

O que eu acho que não vale a pena é viajar "no" réveillon e "no" carnaval para lugares onde não há nem réveillon nem carnaval, mas custam caríssimo. Muito do mito do "Brasil é caro demais" advém desses dois feriados...

Carla2
Carla2PermalinkResponder

Intindji Comandante! E concordo! Se é para curtir e gastar, sou da opinião que tem mesmo que enfiar os 2 pés na jaca! Mas pagar caro para um carnaval/reveillon mais ou menos, não dá!

Emília
EmíliaPermalinkResponder

Eu sou daquele tipo de pessoa que se você convidar para dar um pulinho ali em Pirapora do Bom Jesus (nada contra! lol ), vai falar: 'Claro!'. Devo dizer que (quase) todos os lugares vão ter algum tipo de atrativo para mim e acho essencial variar ao máximo o tipo de viagens. Eu e Marc percebemos justamente nessa semana que temos um certo ciclo: um ano Brasil, o outro América Latina e outro Europa (queremos inserir Ásia neste ciclo, mas essa é outra história). Adoro poder perceber que posso ter experiências tão distintas quanto Chapada Diamantina e Turquia. Me surpreender é o meu objetivo maior quando viajo: acredito que não haja luxo maior do que poder experimentar tantas sensações (e sentimentos) diferentes como quando se está com o pé na estrada.
Mas essa visão 'diversidade é tudo' é muito particular minha e acho que se aproxima mais da visão da Mô: temos que ir para onde o coração está chamando (brega!). Ou para onde temos oportunidade.
Isso posto, sempre tento convencer aqueles que tentam desmerecer a terrinha. Há sempre muitos motivos: hotelaria ruim, poucos atrativos turísticos...Tem até aqueles que admitem que não querem sair do conforto da sua casa para 'viajar pelo terceiro mundo' :roll:
Para esses eu sempre tenho vários bons motivos e fotos: Rio-Santos, Bonito, Serra do Cipó, Salvador e arredores, Jericoacoara, cidades históricas de Minas, Noronha, Petar, a já citada Chapada (que está entre as melhores viagens da minha vida)...
E falta muita coisa para ver? Um monte. Mas sabem que isso me deixa muito feliz? wink

Lucia Malla
Lucia MallaPermalinkResponder

Emilia, compartilho com vc essa "felicidade". Com uma pequena dose de ansiedade - afinal, a vida é uma só - mas ainda assim, felicidade. smile

Carla2
Carla2PermalinkResponder

Lucia e Emilia, nem vamos descambar pro lado do "falta muita coisa" que começa a me dar palpitações mrgreen

Roderic
RodericPermalinkResponder

Gosto muito de viajar, tanto pelo Brasil como ao exterior.

Agora, convenhamos, abstraindo-se outros aspectos (usando as próprias palavras da Dani G.): Em regra, o enriquecimento cultural de quem passa 30 dias mochilando na Europa É MUITO MAIOR do quem fica 30 dias mochilando no nordeste.

Carla2
Carla2PermalinkResponder

Roderic, acho que o enriquecimento cultural não vem nem da mochila nem do local visitado. Vem da forma como você atua na viagem. É perfeitamente possível passar 1 mês na Europa só zanzando pelas ruas e tomando trens, sem grandes experiências culturais, gastronômicas, etc. Assim como é ultra-enriquecedor ir ao nordeste e conversar com as pessoas, provar da sua comida, do seu café, ouvir suas histórias e ver como elas enxergam o mundo. Ou seja, na minha opinião, o que enriquece a experiência é o que você faz dela, e não onde você faz.

Georgeane
GeorgeanePermalinkResponder

Adorei sua resposta. Já fiz viagem de fim de semana, "ali pra esquina", que foi inesquecível, coisa que me modificou. Pra lembrar a vida inteira. O que vale é a experiência que a gente quer viver. Abços

Ernesto o pato.

Eu acho que Brasil e exterior são culturas difernetes...

No meu caso, eu particularmente preferi ir primeiro para a America, para depois conhecer melhor a Europa e Estados Unidos,e Canadá, mas é mera questão de "o que toca mais".... Era um pouco o sonho de repetir as aventuras dos livros, como o do Eduardo Gaeleano, ou os Diarios do Che Guevara, e de conhecer um pouco mais os vizinhos... Isto sem falar que com o dinheiro de 10 dias de viagem na Europa dava para viajar 30 pela America LAtina, e conhecer mais paises e Cidades. Mas, tudo tem seu gosto,e hora para ser feito... Migre para onde seu coração manda.... E, eu acho que 30 dias mochilando pela America Latina são uma experiencia cultural tão enriquecedora quanto ir para a Europa, embora sejam culturas diferentes...

Maryanne  hotelcaliforniablog.wordpress.com

Nossa, esse post me fez pensar bastante. Tenho uma viagem programada pra Amazonia em julho,mas está dificil sentir aqueeela vontade de ir. Morando fora, sinto a mesma coisa que a Lucia, quando as pessoas perguntam sobre a Amazonia. Como assim vc nao conhece? Mas o fato é que eu preferia mesmo uma semaninha no Rio.
Acho que meu problema nao é com o Brasil, mas sim com a selva.
No mais, concordo com a Carla 2, acho que a experiencia cultural vem de como vc faz a viagem e nao pra onde vc vai. Conhecer pessoas que vivem e pensam de um jeito diferente do seu é enriquecedor em qq lugar do mundo.

Deiatatu
DeiatatuPermalinkResponder

Para mim a ordem dos fatores nao altera o produto, o q vale é ampliar os horizontes, nao importa se no Brasil ou no exterior.
Qdo se mora um tempo fora ( estou há 7 anos na Alemanha ), conhecer o Brasil de norte a sul tbém vira um must. Só qdo se está longe é q se dá mesmo valor para o q temos. Fiquei babando com o post das praias de Alagoas... Mas por outro lado entendo os brasileiros q querem vir pra cá. Realmente aqui é um "parque de diversoes" para viajantes, tudo relativamente perto e culturas tao diferentes concentradas num mesmo lugar. Aqui se tem tudo junto : natureza, arquitetura, costumes, comida... enfim... Todo ano é a mesma coisa: assim q o tempo comeca a melhorar, todo mundo quer vir pra cá, já a partir de novembro, todo mundo quer ir pro Sul, é aí que a vontade de ir pro Brasil fala mais alto com certeza.

Carmen
CarmenPermalinkResponder

Eu conosco pouco de Europa: Irlanda, Inglaterra, Holanda, Francia, República Checa somente Praga e um pouco de Portugal. Eu gostaria viajar pela Europa, mais são viagens para fazer mais tarde, para fazer com ou sem avião e sem obrigaçãos laborales.

Eu gostaria conhecer: Canada, os Parques Nacionales de EEUU, conhecer melhor e mais o Caribe, Nueva Zelanda, a Polinésia, Austrália, conhecer a América central e do sul, Ásia e algums países africanos. Mas, por agora, as minhas últimas férias eu fou a Brasil!!!!. Para mim é um destino incrível por muitas razãos diferentes.

Sempre que programo os viagens eu comparo o próximo viagem com outros e eu vou onde eu quero/desejo ir de verdade. Agora eu programava ir a Bali ou República Dominicana...ou algo assim, mais despois de muito meditar, pensé que era muito turístico e que em Brasil ainda não chegou o turismo de massas ( por issas datas, ademais em o sul é inverno). Em o verão europeo é difícil encontrar praias sem pessoas em os destinos mais massificados, mas se você vai a Trancoso, Itacaré, ilha de Boipeba, Barra Grande etc... você encontrará as praias sem pessoas...e pode passear... meditar... desfrutar da natureza sem gritos...( em o meu país as praias é a natureza mais castigada)

Para mim é um privilégio viajar a um lugar como Brasil onde conjuga linda natureza, pessoas amávels, com bonitas pousadas e boas comidas.

Desculpem por o meu portugués-brasileiro. É terrível querer expressar uma idéia, um pensamento e não poder.

Carmen
CarmenPermalinkResponder

Há pessoas que adoran viajar a Ibiza, Formentera, Canarias, Republica Dominicana, México em julho e agosto e gostan das prais mais movimentadas e seus viagens são tão lindos e especiais como os meus viagens para mim. É uma sorte que não gosten as mesmas coisas. Em Espanha há um dito: para gustos, los colores. Sobre gostos não se pode ou deve discutir...

África, América, Europa, Ásia e Oceania. Gosto de viajar.

Dri - EveryWhere

"Para mim a ordem dos fatores nao altera o produto, o q vale é ampliar os horizontes, nao importa se no Brasil ou no exterior." [2]

Concordo em genero, numero e grau.

Acho que essa discussao pisa no calo de principalmente quem mora fora do Brasil (meu caso).

Quando era mais nova e ainda morava com meus pais, todo ano faziamos varias viagens diferentes, dentro e fora do Brasil. Meu pai eh um "road traveler" de coracao, e colocava a familia toda no banco de tras e lah iamos nos: do Rio a Salvador recortando a costa; interior de Minas; interior de SP; da Florida ao Texas, de Portugal a Alemanha.
Viajar era nosso "credo" [2], e nao importava pra onde.

Entao, logicamente viajar esta no sangue, e sempre me considerei uma pessoa que conhecia o Brasil razoavelmente bem, quando sai do pais.

Porem, assim como a Lucia falou, ao conhecer Europeus, Americanos e Australianos que ocnhecem seu pais MUITO melhor que voce mesmo, bate aquela vergooooonha, e vontade de conhecer aquilo tudo tambem. Tive um roommate Australiano que jah acampou nos Lencois Maranhenses, pescou piranha no Pantanal e asssistiu rodeio em Barretos.

Mas por outro lado, ele nao conhece a Australia tao bem quanto alguns viajantes nao-Australainos.
Oque prova que o problema nao eh soh dos Brasileiros, e sim um mal comum a quase todos (realmente os Americanos sao uma excessao).

Aqui em Londres conheco muitos Ingleses que nunca foram a Edimburgo, Franceses que nunca foram a Biarritz, e Espanhois que nunca foram a Formentera. Afinal, oque eh "de casa" sempre estar logo ali, e teoricamente, oportunidades nao faltarao.

Hoje em dia, tenho muita, mas muita vontade mesmo de conhecer um pouco mais do Brasil, e levar meu marido junto, mas nao dah pra discordar que o fator "preco" influencia demais!

No meu caso, o fator viajar "pra fora" em termos de cotacao do dolar e valor da moeda nao influencia muito, jah que jah estou aqui fora mesmo (Londres), e isso deixa o custo numa perspectiva ainda pior!
Viajar no Brasil realmente eh muito caro, nao dah pra negar!

Qualquer passeio que tentamos planejar dentro do Brasil, sempre sai infinitamente mais caro doque qualquer outra coisa que planejamos fazer por aqui, entao sempre acabamos mudando os planos, passando uns dias com a familia, e deixando pra gastar nosso dinheiro em outros lugares do mundo.
Nao dah pra concorrer e sequer pensar em viajar pelo Brasil quando uma viagem do Rio a Foz do Iguacu custa mais caro doque uma viagem Londres - NY!
A questao nao eh oque eh melhor e mais interessante, ou se a "cultura" eh mais ou menos diferente. NO meu caso, eh uma questao logica de matematica mesmo!

Espero que realmente o Brasil "continue lah", e espero que um dia consiga conhecer meu propri pais tao bem quando conheco outros paises, mas o mercado de turismo do brasil vai ter que mudar e evoluir bastante pra isso acontecer.
Abs
Adriana Miller

Marcie
MarciePermalinkResponder

Pra mim a história foi um pouco mais complicada que isso: como meus pais aportaram no Brasil ( pai polones, mãe russa nascida e criada na China - conheceram-se na China e lá casaram-se) para fugir do comunismo, eles sempre passaram pra mim a idéia de que o Brasil foi "uma falta de opção" para eles. Esquecendo-se do detalhezinho que o Brasil, sendo o Brasil, os estava acolhendo de uma mega-fria! De que qualquer lugar era melhor e mais bonito do que o Brasil. Eu, ariana que sou, quis provar que eles estavam errados. Ou, no mínimo, que eles conhecessem bem antes de julgar. Então joguei-me, com a inocência e inconsequencia da idade, nas boleias, onibus, barcos, qualquer coisa que se movesse, na verdade, e fui conhecer o Brasil. E conheci: norte a sul, leste a oeste. Quando a situação permitia, até de avião ( felizmente quando se tratou de ir pro Norte e Nordeste já dava pra pegar um voozinho noturno...). Se eu conheço tudo? Claro que não. Mas conheço o suficiente pra dizer: como é lindo esse Brasil. Que coisas belas temos aqui. E, sim, porque não? Que coisas belas existem no resto do mundo.

Larissa Oliveira

Eu concordo com essa intermediária: o importante é ir para onde se quer. Estou numa fase Europa, apesar de ainda ter metade do Brasil para conhecer. O que eu quero ver atualmente está lá. Depois, eu volto a viajar aqui, ou não smile Tb concordo quando se debate que a exepriência sempre pode ser enriquecedora a depender de quem a faz. Não importa o lugar, quando o seu guia é sua vontade, tudo vale a pena.

Larissa Oliveira

Sobre a questão do custo, acho que a instabilidade da nossa noeda acaba sendo o norte. Eu entendo quando a Sylvia diz que o Brasil vai estar sempre aqui (foi ela, não foi?) no sentido de que sempre será mais acessível que a maioria dos países no exterior. Talvez por isso, ultimamente, temos achado "caro" ir ao Natal de Gramado ou passar a virada do ano em Pipa. Como eu disse antes, meu momento é Zoropa, porque no fundo, eu sei que quando eu quiser voltar ao turismo interno, ele ainda estará como eu o deixeismile

Erika
ErikaPermalinkResponder

Bom, concordo com a posição da Dani. Temos tantas coisas lindas por aqui e tantos meios de enriquecer a nossa cultura...Só precisamos (como disse o Riq) achar o timing certo de conhecer (sem ser feriadão e reveillon, carnaval, etc.). Já tive esse tipo de discussão com um colega meu, que acha "super barato" passar 4 noites em NY num hotel mequetrefe (ele ficou no Carter Hotel!!!) e pagar quase R$ 5000 nessa empreitada, do que pagar menos da metade por uma semana numa pousada bacana no Nordeste. O Brasil sempre vai estar aqui, concordo, mas os outros países sempre estarão "lá" também, como alguém já disse. Lógico que quando surge uma oportunidade muito boa (o dólar mais baixo, etc), não podemos deixar escapar, mas não podemos nunca deixar de valorizar o nosso "quintal".

Rafael Redondo

Temos que contar a influência da mídia. A Europa é glamourizada por filmes e novelas, enquanto que o Nordeste brasileiro apenas para humorísticos fazerem graça em cima de estereótipos. Até mostram as belas paisagens, mas não tem o mesmo impacto de requinte.

Camila
CamilaPermalinkResponder

Eu sou como a Emília: se deixar viro turista até no quintal de casa! Na minha região não tem muitas cidades interessantes por perto, então já fui turistar até em Uberaba! E cada vez que vou a BH faço meu namorado me levar em lugares em que ele, belorizontino, nunca foi. Mas realmente isso é muito pessoal. Só não conheço a Europa ainda porque com o $ que gastaria lá eu viajo muito pelo Brasil e restante da América do Sul. Esses dias postei no meu blog que eu não sabia se tinha mais vontade de conhecer a Estrada Real, a Patagônia ou a Rússia. Viajar é sempre bom!!! Mas fala que não é uma delícia percorrer nosso próprio país, de preferência de carro, falando nossa língua, pagando em Real e podendo ligar pra casa a qualquer hora? E o Brasil, tirando poucas exceções, é muito barato sim (fora de temporada).

Fabio
FabioPermalinkResponder

Resumindo: é muito mais xique perante aos demais dizer que foi a Paris do que ao Rio, por exemplo...muito embora o Rio seja infinitivamente mais bonito que Paris.

Paula Bicudo
Paula BicudoPermalinkResponder

Parafraseando a Adriana: "Quando era mais nova e ainda morava com meus pais, todo ano faziamos varias viagens diferentes, dentro e fora do Brasil. Meu pai eh um “road traveler” de coracao, e colocava a familia toda no banco de tras e lah iamos nos: do Rio a Salvador recortando a costa; interior de Minas; interior de SP; da Florida ao Texas, de Portugal a Alemanha.
Viajar era nosso “credo”, e não importava pra onde."[2]

Essa sempre foi minha vida, viajar, e hoje vejo que aprendi a viajar melhor do que meu pai, que de tão aventureiro é avesso a programações.

Eu posso dizer que conheço bem o Brasil, inclusive de mochila, na tenra juventude, sem conforto algum, mas isso nunca me impediu de viajar para fora. Não acho que uma coisa tem que vir antes ou depois da outra.

Acho que existe o "Brasil para gringo ver", como resorts 5 estrelas no Amazonas e Pantanal, hotéis e pousadas carérrimos em Trancoso, o que a Alexandra Forbes chama de "Wallpaper traveling" (e até em Ilhabela e Sibaúma), pacotes horríveis para o Carnaval e Revellion no RJ, e confesso que dessas coisas eu quero distância.

E tem o Brasil para nós, brasileiros conhecermos, com boas pousadas em Ouro Preto, zilhões de atrações bacanas em Curitiba, praias lindas ao redor de Parati, o mar azul das Alagoas, etc, etc...que tb são pedaços lindos do nosso país...não conhecer a Amazônia ou o Panatanal (eu conheço a Amazônia, mas não o Pantanal), não desmerece ninguém, desde que exista o interesse pelo nosso país, que é mais que a Amazônia e o Pantanal.

Flavia
FlaviaPermalinkResponder

Fabio: acho que Riio e Paris são cidades lindas, cada uma à sua maneira...

Emília: eu também faço turismo em qualquer lugar e me divirto sempre! Mas acho que isso tem a ver com o o que a Sylvia falou lá atrás: que para nos conhecermos, não precisamos ir tão longe assim...
Sylvia: já tava muito tarde, mas antes de dormir lembrei da Jane Austen, que morreu solteira, foi a Londres no máximo 2 ou 3 vezes NA VIDA e no entanto tinha uma sensibilidade para captar o humano (e os laços que formam as relações afetivas) como poucas pessoas o conseguiram...(tá tá, off topic, já parei!)

Mô Gribel
Mô GribelPermalinkResponder

Além de Manaus e Belém, amo Londrina, Maringá, Florianópolis (acreditem), Porto Alegre (que não canso de dizer que é linda), o Rio, Vitória, Salvador, Petrópolis, Campos do Jordão, Gramado, Curitiba, Natal, Recife, Fortaleza, só para começar.
Além destas, já estive em mais de 200 outras cidades, grandes, pequenas, limpas, sujas, com um povo querido, outro nem tanto, cheia de coisas para fazer, tendo que dormir as 20h porque não tinha nem boteco aberto, ficando em 5 estrelas, dormindo em pensão, chegando de carro, avião, barco, ônibus, a pé.
O Brasil é lindo, mas a beleza está nos olhos de quem vê.
Muitas vezes nossos olhos estão apontando para um outro lado e continuo achando que não há nada de errado nisso.
Quando menina, meu sonho era ir à Disney. Não pude, só fui com quase 30 anos. Sim, eu tinha outras opções, mas fui porque queria e o que tem de errado nisso? Me diverti horrores, foi uma das melhores viagens da minha vida.
O que eu acho é que tem pessoas que não aproveitam seu $ da melhor maneira na minha opinião. Mas o que eu tenho com isso afinal?
A Carla2 resumiu super bem o que eu gostaria de dizer para complementar: "Ou seja, na minha opinião, o que enriquece a experiência é o que você faz dela, e não onde você faz."
E sinceramente, você pode não fazer absolutamente nada dela, em qualquer parte do mundo e ainda voltar pensando que foi excepcional.
Pessoas são diferentes, com interesses diferentes, com sonhos diferentes, aproveitando os mesmos lugares de maneiras diferentes. Eu não vou dizer que o que é bom para mim é para outro. Mas nem em sonho!

Tati Freire
Tati FreirePermalinkResponder

Riq, sou aqui de Recife, não sei se você lembra de mim, de vez em quando te perguntou alguma coisa (a última foi quando vc viria por aqui, pra gente reunir o pessoal que te acompanha nas terras de cá). Queria te fazer uma pergunta besta (talvez bem ignorante), mas na calorosa briga com meu namorado, eu prometi que iria perguntar. Afinal de contas, a água do Caribe é diferente (mais transparente, azul e verde realmente diferente) do que a dos Carneiros (onde estávamos no momento da dúvida), Toque e/ou outras praias brasileiras? Vale a pena a experiência de sair daqui pra ir lá dar uma olhada pela água?

Ricardo Freire

Tati, só em Arraial do Cabo temos a areia branca-cor-de-talco que proporciona a transparência do mar do Caribe e da Polinésia.

Para quem presta atenção nessas coisas, eu acho que vale a pena ir pelo menos uma vez para ver ao vivo.

Vale também para valorizar o que deixamos para atrás, e vamos sentir falta durante toda a estada: a caipiroska, o queijo coalho, a roupa de banho dos que nos cercam (você vai se sentir mal no seu biquíni brazuca, seu companheiro de viagem vai se envergonhar de estar de sunga), a natureza, a posssibilidade de sair andando para qualquer lado sem encontrar nenhuma barreira de condomínio ou resort (em poucos lugares do mundo as praias são públicas como no Brasil).

Lena
LenaPermalinkResponder

lol Riq, você não existe!!! "Valorizar a roupa de banho dos que nos cercam" é TÃÃÃO verdade!!! Me lembro de ser apontada na praia na França assim: "Essa é brasileira!"

Thiago Parente

Viajar é viajar. Esse ano pretendo transformar as 160 mil milhas que juntei para a tao sonhada viagem a Europa em 4 viagens legais para o Brasil e America Do Sul, pois não conheço Curitiba e Manaus, e nem Buenos Aires e Santiago. Mas se tá dando pra ir pra fora, pra fora iremos.

marco cavalheiro

Delicioso este tópico de reflexão, pois a dicotomia apresentada pode ser aplicada a tudo! Por que achamos que o vinho chileno é mais "chique" do que o brasileiro? Estamos lendo nossos autores ou os best-sellers internacionais? Nossas roupas estão fortalecendo a economia local ou buscamos roupas baratas que estão enfraquecendo as crianças indianas? Acho que a questão central é cultura/identidade nacional versus experiências de vida proporcionadas pela viagem. Viajar é um grande investimento. Tempo, dinheiro, esforço... E todos temos uma noção subjetiva do retorno que queremos com o nosso investimento. É tão simplista e relativista dizer que quem viaja para o exterior desvaloriza o local. O legal de ser humano é poder ser individual. O valor simbólico que eu crio para alguma coisa é só meu, e isso não vai desmerecer o valor simbólico que você criou para outras coisas... Se quando eu for para Nova Iorque eu conseguir crescer como pessoa, eu volto melhor, e consequentemente melhoro o meu relacionamento com o local onde vivo, e consequentemente posso melhorar o meu país. Substitua Nova Iorque por qualquer cidade, e o resultado é o mesmo. A questão central da discussão, na minha opinião, deveria ser a bagagem que cada um traz de uma viagem ( simbólica, claro!)Esta bagagem nunca terá excesso! A minha viagem para Paris pode ser tão superficial quanto a sua para Maceió.Ou não! Valorizar o nosso país não significa ficar limitado às suas fronteiras!

Denise Mustafa

Eu concordo com a Mô, no sentido de que devemos realmente fazer o que nos dá vontade, independente do lugar. Eu vim passear na Espnha, 2 anos atrás, e fiquei morrendo de vontade de voltar. Acabei vindo estudar e estou aproveitando pra conhecer tudo que dá. Mas depois que a gente sai do nosso país é que realmente damos valor, entendem? Eu agora estou com muita vontade de voltar e conhecer mil coisas que não conheço no Brasil. Sou de Fortaleza e nunca fui ao Rio, por exemplo. Mas em compensação sou rata de Salvador, conheço tin tin por tin tin. Mas é isso. Vai te dando vontade de conhecer os lugares a medida que o tempo passa. Também acho super normal querer conhecer a Europa dos livros, da história. Porque, querendo ou não, aqui tá o berço de tudo. E eu acho que quem tem condições tem que vir sim. Porque assim temos a oportunidade de nos entendermos (principalmente se conhecermos Portugal) e, talvez por causa disso, ficamos com mais vontade de conhecer de onde viemos, o nosso Brasil.

Carmen
CarmenPermalinkResponder

Marco cavalheiro, você faz uma exposição do tema que eu acho muito interessante! Um saludo

Natalie
NataliePermalinkResponder

Essa é uma questão muito interessante que envolve diversos argumentos. Me lembrou os discursos um pouco radicais da minha mãe dizendo que só devemos sair do Brasil depois de viajarmos muito por aqui.

Viajar envolve muitos fatores, desde sonhos e imagens que criamos até planejamento financeiro. Sempre que começo a planejar meu próximo destino de viajem levo vários pontos em consideração.

Como a Sylvia disse, quando somos mais jovens e descomprometidos com alguns padrões de conforto, muitas vezes, é mais fácil viajar para fora do país. Ainda mais porque não temos grandes responsabilidades que nos prendam por muito tempo aqui, seja trabalho, familia, financiamentos habitacionais...

Não viajo por status. Não viajo para fora porque me sinto melhor e muito menos para sair contando o que achei de Paris... Viajo para destinos que me chamam a atenção, que me proporcionem experiencias "culturais". Encaro isso tudo como um grande investimento que fazemos para nosso próprio crescimento pessoal seja através de uma viagem para o interior de SP ou através de uma viagem para a Asia.

Fabio
FabioPermalinkResponder

A Dani no começou da discussão soltou que a grama alheia sempre é mais verde.
Os brasileiros vão até Paris, NY e acham o máximo aquelas ruas chiquerrimas, com a alta moda em exibição.
Os europes, por sua vez, acham incrível a forma como alguns brasileiros fazem compras.
Estou lembrando, que no mês passando quando estava chegando em Salvador, vindo de Arraial D'Ajuda via Itaparica, acompanhado de um mochileiro de Barcelona, notei o fascinio que ele estava tendo com a Feira de São Joaquim, e eu aterrorizado com aquela zona e o horrível cheiro de peixe fresco.
Perguntei pra ele, "Alex, acha bonito", ele me falou. "És muy autentico" E de fato era, apesar do cheio insurportavel.
Eu acho que é isto, o que nos fascina é encontrar em alguma viagem o oposto que temos contato frequentemente, a sensação de viverciarmos uma cultura e cenários diferentes é fascinante, mas para isto não precisa atravessar o Atlântico não, (embora não vejo mal nisto) temos a sorte de ter um país plural!

Dri
DriPermalinkResponder

Para quem está no Brasil, vijar por aqui definitivamente não é tão caro, ainda mais se prestarmos atenção nas barbadas. Acabo de voltar de Bento Gonçalves... Me hospedei na pousada Borgheto Santanna e não tenho do que me queixar. Charme, cuidado com os mínimos detalhes, tratamento tão particular e personalizado que no segundo dia o labrador da pousada já ia no meu quarto me acordar com uma sessão de chamegos e lambidinhas, ao passo que outros hóspedes nem sabiam que tinha um cachorro na pousada (ou seja, pra quem gosta ele estava ali, mas não incomodava quem não devia). A paisagem é exuberante, comi extraordináriamente bem todos os dias, sempre com vinhos/espumantes nas refeições, comprei vários vinhos/espumantes/chocolates/embutidos e gastei R$ 1500,00 no total, incluindo passagem Rio-Poa-Rio, hospedagem e carro alugado (6 noites de viagem). Com esse mesmo dindin, eu não pagaria nem minha passagem pra qualquer destino USA/Europa. E mesmo que eu fosse pros já conhecidos Chile e Argentina, duvido muito que conseguisse colocar a mesma qualidade gastronômica e hoteleira nesse orçamento... Mas Bento Gonçalves era pra onde meu coração estava me mandando ir de qualquer forma, então não acho que minha opinião valha muito mais que um relato de viagem...

Marcie
MarciePermalinkResponder

Esqueci de falar: linda a foto do post. Como sempre.

Fabio NG
Fabio NGPermalinkResponder

Como a Emília e o Marc, eu e a Mel procuramos alternar os tipos de viagem: cidades hitóricas, natureza, grandes metrópoles, velho mundo... E tem sido bem legal assim! wink

Neste caso, acho que o problema mesmo é simplificar... Não é necessário conhecer "todo o Brasil" antes de fazer uma viagem ao exterior. Nem achar que o Brasil é o lugar mais lindo do mundo. Ou que por aqui nada presta.

De resto, tendemos a valorizar o que é diferente. Adoro Paris ser uma cidade de prédios baixos e meio "monocromática", e estrangeiros fazem tour em favelas.

(Ouvi uma história de europeus se encantarem com o fato de aqui cada um poder fazer sua calçada de um jeito - fato devidamente registrado em fotos e vídeos para mostrar na volta.) wink

SandraM
SandraMPermalinkResponder

Cheguei tarde na discussão e agora tá difícil ler e acompanhar tanto comentário. Só queria deixar minha opinião. Viajar sempre, seja no exterior ou por aqui mesmo. Só nunca vou entender nem respeitar pessoas de poder aquisitivo alto que nunca se deram ao trabalho de fazer uma única viagenzinha pelo Brasil. Pensamento do tipo: não fui e não gostei. Estou cansada de pessoas (bem próximas por sinal) que viajam ao exterior duas a três vezes por ano e NUNCA foram a LUGAR NENHUM aqui dentro do Brasil. Alegam que é muito caro (!!!) que é muito desorganizado e sujo(!!!). Tem pessoas que não se limitam a não viajar pelo Brasil, estendem seu pensamento de colonizado a toda América do Sul. Acho muito pequeno (além de burro) este pensamento que o que está no exterior (entenda-se: EUA, Canadá e Europa) é melhor, mais organizado e mais limpo do que temos aqui. Confesso que também estou tentando controlar minha xenofobia, pelo menos tenho consciência dela e aos poucos dou meus pulinhos por aí.
Não quis ofender ninguém, só gostaria que as pessoas se dessem mais oportunidades. Tentassem reconhecer o valor da sua terra natal e das outras pessoas que aqui moram.
Bjs a todos,

Dri - EveryWhere

Parafraseando a Paula, que por sua vez me parafraseou: "Essa sempre foi minha vida, viajar, e hoje vejo que aprendi a viajar melhor do que meu pai, que de tão aventureiro é avesso a programações.

Eu posso dizer que conheço bem o Brasil, inclusive de mochila, na tenra juventude, sem conforto algum, mas isso nunca me impediu de viajar para fora. Não acho que uma coisa tem que vir antes ou depois da outra.

Acho que existe o “Brasil para gringo ver”, como resorts 5 estrelas no Amazonas e Pantanal, hotéis e pousadas carérrimos em Trancoso, o que a Alexandra Forbes chama de “Wallpaper traveling” (e até em Ilhabela e Sibaúma), pacotes horríveis para o Carnaval e Revellion no RJ, e confesso que dessas coisas eu quero distância." [2]

Sylvia
SylviaPermalinkResponder

Tudo isso enquanto eu dormia ? Geeennti , falando sério , dormir é perigoso e uma super perda de tempo !!

Rosa
RosaPermalinkResponder

O Brasil na baixa temporada é imbatível. Lugar nenhum vai sair do lugar, o importante é estar com saúde para aproveitar, ajustar o financeiro dentro daquilo que a gente pode e realizar o que deseja. Esse ano fui em janeiro para Rota/Maceió, em julho vou conhecer Bonito e em setembro Lagos Andinos. Tudo ajustadinho para não impactar meu orçameno e me deixar feliz.

Dani G.
Dani G.PermalinkResponder

Só pra LEMBRAR, minha dúvida inicial é pq o brasileiro acha CARO viajar para o Brasil, mas gasta muito mais viajando para o exterior.

Tb acho que cada vá para onde quer. Acho que conhecer a Europa e outros lugares é uma coisa que todo mundo deve fazer um dia na vida. Mas, conhecer o próprio país tb deve estar no roteiro, mesmo sendo CARO, há muito lugar que vale a pena.

Estou gostando de ler a opinião de vcs todos, cada um com suas idéias, princípios e desejos.

smile

Mariana "de Toledo"

Éééééééé... essa pergunta é mais difícil.

Mas eu acho que passa por falta de auto-estima, sabe. Brasileiro não valoriza muito o que tem. É aquela tal história de comprar tênis importado, lindíssimo e caríssimo, e depois olhar a etiquetinha e ver o Made in Brazil. Achamos que o melhor é sempre o lá de fora mesmo.

Eu fantasiei muita coisa sobre o "estrangeiro", e só indo pra lá que vi que não era melhor que aqui - apenas diferente. Então em 2009 estou apostando no sul baiano, e meus reaizinhos ficarão em solo nacional, muito bem gastos. Ano que vem, de repente, é estrangeiro de novo. O dinheiro provavelmente será o mesmo, mas a viagem não pior ou melhor - apenas diferente.

smile

Fabio Medeiros - @mundosdomundo

Olá!

Interessante a discussão mesmo... em casa, sempre ficamos na dúvida entre aqui e lá. Nossas últimas viagens foram para fora acho que pelo fato que já havíamos feito as diferentes regiões pelo Brasil. Assim, com o câmbio melhor e com a vontade de conhecer outras culturas, paisagens, passeios etc., ficou mais fácil decidir ir para fora. Mas em nosso "currículo", posso dizer que estamos 50%/50%, sem preferência por aqui ou lá... nossa única meta tem sido não repetir...

Agora não podemos deixar de lembrar que muita gente por aqui dá mais valor pelo que é de fora. É produto importado melhor que o nosso... é viagem para o exterior melhor que a nossa... bom, mas isso já é um pouco cultural, resultado das décadas de isolamento que o Brasil deixou para trás. Com a manjada "globalização", a vontade de conhecer o novo e o mais longe possível, com um certo "medo de acabar" também chegou...

Até mais!
Fabio Medeiros
mundosdomundo.blogspot.com
Twitter: @mundosdomundo

Alessandro A.
Alessandro A.PermalinkResponder

Eu concordo com o Fabio e acho que sempre existe uma vontade de se conhecer algo diferente do que você já vive no dia a dia. Eu já viajei bastante pelo Brasil e pelo exterior e não escolho meus destinos baseados no que é chique ou se estou valorizando o meu país ou não. Eu vou para onde tenho vontade e onde acredito poder ter experiências diferentes, independente de quais sejam (as promoções também influenciam smile ). Eu moro no Rio e nos 30 dias de férias que tenho procuro vivenciar algo diferente dos outros 335, seja onde for. É obvio que o exterior tem mais opções para me proporcionar essa experiência, até pelo tamanho do nosso planeta, mas o Brasil também tem.

A questão de achar caro viajar pelo Brasil não é só uma questão de valorização ou não do nosso país, mas, no meu caso, uma questão estritamente econômica. Se você está viajando para um local mais perto, onde as companhias aéreas tem um custo menor, onde os hotéis tem um custo fixo menor e o custo de vida é mais barato, deveria custar bem mais barato. Não tem nada a ver com a valorização do local. A questão é que moramos em um país cuja custo de vida e salários são bem menores que em outros países, por isso esperamos que os preços para viajar reflitam isso. É tudo uma questão de referencial. Basta fazer o seguinte exercício para saber se o Brasil é caro ou não. Quem gasta menos para viajar: um europeu (ganhando em euros) pela europa ou um brasileiro pelo Brasil?

PêEsse
PêEssePermalinkResponder

Acho que nesse assunto, como em quase tudo na vida, a virtude está no meio. Desde que se po$$a, o ideal é equilibrar os destinos nacionais e estrangeiros. Cada viagem é uma experiência, cada destino tem sua atração. Tenho focado no exterior por um motivo prático: ainda não tenho filhos e isso torna tudo muito mais fácil. Se e quando eles vierem, provavelmente o foco seja mudado para o Brasil, porque fica mais fácil. Mas isso, contudo, não me impede de achar o Brasil um lugar caro. Algumas vezes muito caro.

Malu
MaluPermalinkResponder

Eu concordo com a Mô....viagem a lazer deve ser planejada com espírito de lazer mesmo: quero conhecer, posso $$$, vou. Que delícia que é viajar na viagem sonhada. Agora, se estou com vontade de conhecer a ararinha azul em seu habitat ou passar uma tarde no D'Orsay, escolho sem me preocupar em que continente fica.

Silvia
SilviaPermalinkResponder

Excelente discussão e pontos de vista mas também fico com a Mô: “Gostoso é ir para aonde temos vontade e não para aonde acham que deveríamos ir". A isto chamamos LIBERDADE de escolha! Para quem quer sair por aí, até fazer turismo em sua própria cidade vale. Abraço a todos!

Alex Melo
Alex MeloPermalinkResponder

Minha vez de dar pitaco. Comecei a viajar já com 25, tarde para os padrões da galera. Neste tempo, a América do sul estava mais barata, então já passei por muito lugar do norte peruano até a Patagonia, mas do Brasil que é bom, só conheço um pouco (infelizmente).

Agora, chegando as 30 no final do ano, começo a pensar em filhos, em gastos futuros maiores, onde viagens para o exterior talvez não caibam no orçamento. Por isto, estou desesperado para ir o mais rápido possível para Europa ou até EUA, enquanto ainda tenho condições de juntar uma grana.

Para mim, tudo é momento. Hoje, eu acho que consigo ir para fora, mas daqui uns anos, com filhos começando a estudar, aí sim devo aproveitar para finalmente conhecer o Brasil. Ou seja, concordo que viagem é ir para onde se tem vontade, mas que precisamos estar no momento para fazer isto, precisamos. Principalmente momento financeiro....

Marcio Nel Cimatti

No meu caso, parei para pensar sobre isso quando eu morava em Sydney e um Australiano falou maravilhas do Pantanal e o brasileiro aqui nem conhecia.

Quando voltei pro Brasil saí correndo pro Pantanal e para as capitais do Nordeste que eu não conhecia. Ainda falta muito, mas viajei bastante pelo Brasil depois disso!

Mariana "de Toledo"

1) Quando viajo gosto de trocar, conversar, perceber diferenças e similaridades. Gosto de descobrir minúcias, ver jeitos diferentes de lidar com a vida e com a rotina. Viajo para aprender (não no sentido "livro de História" da coisa, mas para aprender para a vida mesmo).
Sendo assim, imaginaria que, indo para lugares onde há outra língua, outra cultura, o tal nivel de aprendizado seria maior. Mas hoje não sei se é assim, necessariamente.

2) Voltei da Europa com um sentimento de "eu amo meu país" que eu nunca tive. Me diverti horrores por lá, e foi uma das experiências mais importantes da minha vida. Mas, sei lá, existe um componente humano aqui que não existe em qualquer outro lugar que eu já tenha visitado. Clichê, clichê, mas precisei ir até lá longe para descobrir isso. Moro no Rio de Janeiro, e senti uma falta danada de chegar em qualquer lanchonete ou restaurante e falar como falo numa casa de sucos qualquer daqui: "E aí, cara, beleza? Pô, o que tem de bom hoje?". Era tudo pá-pum, sem muito espaço para cordialidades (CLARO que depende do lugar, da cidade, da loja, do humor do atendente... mas no geral era isso.)

3) Fiz o tal mochilão em outubro/08 e decidi que as férias desse ano eu passaria aqui no Brasil. Pesquisei, pesquisei, pesquisei, contei com "ajuda superior" (né, Riq!) e lá vou eu para 12 dias entre Trancoso e Arraial D'Ajuda. Estou feliz da vida, vai ser uma viagem de descanso e "retiro espiritual", mas, ainda nesse espírito mochileiro, fiquei um pouco chateada de não conseguir estender a viagem e transitar entre cidades ou estados tão facilmente quanto transitei entre países quando estava na Europa. Talvez as informações simplesmente não sejam tão acessíveis pela Internet, de repente in loco eu conseguiria descobrir formas mais práticas/baratas de ir de um lugar para o outro. Também entendo que, né, nosso Brasil é imenso, não serão cidades grandes e é natural que as coisas custem mais caro e sejam menos simples. Mas, não sei... gosto de planejar tudo com antecedência para evitar imprevistos, vou viajar sozinha, não dirijo, então penso que um pouco mais de estrutura e de informação oficial para o turista no Brasil não faria nada mal.

4) Devo confessar que, mesmo nessa fase pessoal super "tropicaliente", essa promoção louca da CVC/TAP de 1 real de entrada e parcelas de 8x, com pacotes baratíssimos para a Europa, me deixou assim meio desestabilizada emocionalmente. hehehe

5) Last but not least, acho que qualquer viagem é válida. Para um pulinho em São Paulo, pelo Brasil afora, para a Europa, pros Estados Unidos, e para onde mais for. Para fazer compras, para ver o Mickey, para ver pontos turísticos, para se isolar do mundo, para desvendar o desconhecido, para rever um parente. A gente cresce cada vez que faz as malas, se despede e parte.

O que vale mesmo, como alguém por aí bem disse, é a gente respeitar nosso momento e ir praonde der na telha!

smile

Mariana "de Toledo"

PS: Meus pais me levaram para a Amazônia quando eu era pequena, então sinto como se já tivesse cumprido uma espécie de dever cívico.

razz

Andre Lot
Andre LotPermalinkResponder

Vou tentar colocar sucintamente minha experiência aqui tentando evitar a pieguice. Com 14 anos eu, que adorava mapas, mas pouco tinha viajado com a família, comecei a andar pelo Brasil para visitar amigos diversos e mesmo para andar e conhecer lugares. De ônibus, e sozinho, antes dos 18 anos já tinha visitado a maioria dos estados brasileiros, sem fazer nenhuma loucura do tipo pedir caronas ou coisas do gênero, sempre fui organizado, tive problemas para conseguir dormir em hotel sendo "de menor", mas tive muitas experiências legais. Aos 21, já tinha conhecido todos os estados à exceção do Acre, Amapá (esse saiu da lista dos "desconhecidos" depois) e Rio Grande do Sul. Junto com amigos, explorei por 10 dias as praias do Sul da Bahia de carro. Sozinho, visitei um garimpo de cassiterita semi-ativo, o lugar potencialmente mais surreal que conheci (água azul da reação com os minerais, paisagem "semi-lunar" etc.). Ao mesmo tempo, já tinha visitado Brasília (para mim, o ambiente urbano mais injustamnte ignorado pelos turista brasileiros no próprio país), Rio de Janeiro, Salvador e uma série de outros lugares. Acumulei seguramente uns 115.000 km viajando de carro pelo país a turismo. Eu realmente conheço o Brasil, posso dizer, sejam praias badaladas no Nordeste ou lugares desesperadamente ignorados no Sul do Pará ou cidades fundadas depois que eu nasci no Mato Grosso.

Depois, tive oportunidades de viajar pela Europa e EUA, seja para Manhattan, Londres, Roma, seja para uma vila sonolenta a 3.400m de altitude entre a França e Itália. Minha quilometragem de carro aqui no Velho Mundo ainda está baixa, acho que nos 30.000km (eu adoro dirigir, não gosto de trem e de transporte público em geral (evito sempre que posso), e se tiver tempo troco fácil 2h de vôo por 15h no carro). Moro na Itália (em caráter permanente) e posso dizer que quero conhecer esse país na mesma intensidade com que conheço o Brasil.

Enfim, já conheci pessoas que pensam nos dois "fronts" relatados aqui, e acho que há um exagero recíproco. Tenho vários amigos que "mochilaram" pela Europa e fizeram viagens altamente estressantes dada a obrigação de tirar fotos de todos os lugares famosos dos seus pontos de parada, em um frenezi turístico do qual eu passo longe. Ao mesmo tempo, conheci pessoas que viajaram em busca de algo "existencial" sobre o Brasil para algum lugar no interior e se decepcionaram com o "caráter moderno" de Alto Paraíso de Goiás ou "o estrago da energia elétrica" em uma ex-praia deserta.

Na minha modesta opinião, o que está errado não são os destinos, mas a motivação das pessoas que viajam. Viajar é bom por uma infinidade de diferentes (e conflitantes) motivos, razões e circunstâncias. Todavia, muitas vezes as pessoas embarcam em busca de uma experiência quase transcedental, e se decepcionam no Brasil, na Europa e em alguma ilha perdida do Pacífico.

Objetivamente, vivemos em um mundo em que a busca pelo diferente nos orienta, atrai e motiva. Só que esse novo, esse diferente, são meio que exclusivos de cada um. Durante um certo momento, gastar o equivalente a uma viagem-excursão para a Europa andando de carro pelo interior do Brasil fez todo o sentido, e olha que não foi por conversar com locais ou nada disso (sou reservado, evito contatos forçados à primeira vista). Alguns anos depois, trocar uma viagem de carro pelas mais belas praias brasileiras por alguns dias de direção em estradas alpinas na Europa fez todo o sentido.

A minha filosofia: desde os 15 anos eu viajo para mim, e não para os outros, e isso me fez muito, muito feliz. Me programo, consulto sites, faço roteiros, mas não me sinto na obrigação de ir ao lugar A ou B porque é famoso, ou porque "todo mundo que vai a X vai no lugar Y e vc não???". Já troquei uma semana em Florianópolis na altíssima temporada por uma viagem rodoviária solitária no Mato Grosso. Enfrentei horas de filas nos Musei Vaticani em Roma e fiquei boquiaberto, estupefato com o que lá pude observar. Todos meus amigos e parentes sabem que a quantidade de fotos que trago de viagens normalmente não é grande, não transformo preciosas horas em um lugar em uma maratona fotográfica, especialmente se o lugar é famoso e todo mundo pode ver fotos muito melhores tiradas por profissionais na Internet. Acho que esse é o principal problema dos turistas-cabeça de hoje em dia: há toda uma "expectativa social" de que você viaje para o lugar A para provar que é descolado, que vá ao museu Y para se passar por antenado, e que faça a trilha J no parque W para demonstrar que tem conexões com a natureza. E amigos, parentes, SO, colegas de trabalho etc. tornam-se como que "consumidores" aos quais você, o turista, tem que satisfazer ao voltar das suas férias com fotos, histórias e souvenirs.

Voltando a coisas mais práticas, acho que um dos principais entraves à popularização do turismo nacional não fomentado pelo Sr. Guilherme Paulus (nada contra a empresa do distinto sr., apenas procurando diferenciar os modelos de viagem rs) é CALENDÁRIO. As férias escolares brasileiras coincidem com os feriados de fim-de-ano, e a junção de crianças em casa + feriado no trabalho comprime a "alta estação" a pouco mais de 5 ou 6 semanas entre aquela que antecede o Natal e o carnaval. Os preços inflam demais, tudo fica caótico e, para (não) ajudar, essa época é justamente das piores em termos de padrões climáticos para a maioria dos destinos nacionais.

A concentração excessiva de hóspedes gera uma oferta excessiva de hotéis, restaurantes e "atrações" que fecham boa parte do ano, ou funcionam à meia-boca. Como resultado, quem viaja fora de temporada tem a sensação de ir a lugares semi-mortos, onde nada funciona direito porque não é "temporada". Que esse conceito se aplique na Europa/EUA (onde há destinos de verão e inverno, entretanto), pode-se entender. A costa amalfitana é cinza e chuvosa em novembro, o frio e os dias curtos são inimigos das caminhadas nos quartiere de Paris etc. No Brasil, nada (exceto o calendário escolar) justifica essa concentração do pico de turismo no pico das chuvas e mar feio...

Bia Costa
Bia CostaPermalinkResponder

Andre Lot,

Sua esplanação foi PERFEITA. Parabéns. Acho que vou até guardar seu texto, tudo bem?
Abraços.

Dri
DriPermalinkResponder

Lendo o último comentário da Dani G., concordo com ela. A discussão não é se Rota Alagoana é melhor do que Taiti (por exemplo...) e sim pq achamos CARO pagar R$500,00 de diária numa sensasional pousada na Rota, mas achamos que U$D 400,00 por um Bangalo meia boca em Bora Bora "está no preço"...

Mô Gribel
Mô GribelPermalinkResponder

Depende. Se o seu sonho é ir a Bora Bora e só tem $ para um bangalô meia-boca de U$D400?
Se você não tem a menor vontade de ir para a Rota porque -chutando - já esteve em várias outras lindas pousadas por lá e passou os últimos 10 anos na região - os R$500 são muito $$$ sim.
Vivi 30 anos no Rio e acho que é a cidade mais linda do mundo. Mas acho um despropósito os preços dos hotéis por lá. E nem estou falando de Reveillon...
Agora, para um inglês, deve ser muito barato e um sonho de conhecer. Para um indiano, deve ser muito caro e também um sonho de conhecer.
Ou seja, caro é ir para aonde não se tem a menor vontade.

Sandra
SandraPermalinkResponder

A experiência de viajar é única assim como as sensações sobre cada local também serão...

Morei em vários lugares do Brasil, meu marido é militar, já moramos no RS (nasci lá), no AM (Manaus), em Brasília e duas vezes aqui, em Campo Grande. Adoro viajar para QUALQUER lugar que me traga momentos felizes, o importante é como aproveitamos nossos momentos, aliás, até na cidade onde moramos podemos ter experiências turísticas inesquecíveis, como o city Tour daqui...

Conheço bastante do Brasil, mas gosto muito de conhecer novos costumes de locais diferentes também, vamos para onde temos vontade de acordo com o nosso orçamento.

Se a pessoa não tem vontade de conhecer o Brasil, deixa ela!! Se ela não quer viajar para o exterior nunca na vida, problema dela também, cada um tem o poder de decisão e eu não julgo, MESMO!

Boas viagens para todos!!!

Linda a foto do Post!

Atenção: Os comentários são moderados. Relatos e opiniões serão publicados. Perguntas serão selecionadas para publicação e resposta. Entenda os critérios clicando aqui.
Bóia de férias. Só voltaremos a responder perguntas que forem postadas a partir de 3 de junho. Relatos e opinões continuarão sendo publicados.
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