La nave

Ricardo Freire
por Ricardo Freire

Minha crônica no Guia do Estadão de hoje.

“Vocês já pensaram em vender cruzeiros de sete dias a lugar nenhum, só para os passageiros terem tempo de fazer tudo o que é oferecido a bordo?”

A pergunta, feita por uma jornalista australiana ao presidente da companhia de cruzeiros Royal Caribbean, fazia todo o sentido. Estávamos – ela, eu e mais três ou quatro mil convidados – há quase vinte e quatro horas a bordo do cruzeiro pré-inaugural do maior navio de passageiros já construído, o Oasis of the Seas, e ainda não tinha dado tempo de ver tudo.

Nunca fui fã de cruzeiros. Concordo que é um ótimo meio de transporte a paisagens longínquas e geladas, que se prestam a ser apreciadas do convés: fiordes da Noruega, geleiras da Patagônia e do Alasca. Para visitar lugares em terra firme, porém, acho contraproducente. O tempo de permanência é exíguo, e a estrutura criada para receber o enxame de turistas acaba produzindo experiências bastante pasteurizadas em cada lugar.

Sempre achei que cruzeiro é para quem gosta mais de navio do que propriamente de viajar. A verdadeira viagem acontece a bordo; as escalas são meros acessórios – desculpas para embarcar.

Se o futuro dos cruzeiros está em meganavios como o Oasis of the Seas, então a indústria de cruzeiros deve concordar comigo. Com 20 andares e três avenidas de lojas e restaurantes (duas delas, ao ar livre), o Oasis é uma metrópole concentrada. Extrato de Las Vegas. Bonsai de Dubai.

O centro de gravidade não é mais uma piscina gigante com uma arquibancada de espreguiçadeiras em volta. Dá para passar a semana inteira sem ir às piscinas. Se quiser, você não precisa nem ver o mar. Uma das avenidas a céu aberto fica no miolo do navio, e é ornamentada por um jardim tropical.

É incrível como figurinhas fáceis em terra firme, quando trazidas a bordo, ficam espetaculares. Um corredor de shopping bacana. Um carrossel tradicional de parquinho. Um jardim vertical. Uma lojinha de cupcakes.

As coisas verdadeiramente sensacionais, então, ficam surreais – como o teatro aquático com mergulhadores à la Acapulco, ou a piscina de ondas para surfar, ou o bar que simula o movimento da maré.

Mesmo que você não curta o estilo, como eu, é impossível não admirar o resultado. Mais ou menos como num megamusical da Broadway – por sinal, tem um em cartaz a bordo, ‘Hairspray’.

Segundo o presidente da companhia, porém, não há planos para cruzeiros sem paradas. Bem. Depois não digam que a gente não sugeriu.

38 comentários

Carmen
CarmenPermalinkResponder

Imagens fellinianas. As fotos são tão chocantes/impactantes com em "E la nave va".

Bruna Silva
Bruna SilvaPermalinkResponder

Adoro fazer cruzeiros, já fiz 3, mas pela costa Brasileira mesmo. Estou encantada com esse navio, espero um dia ter a oportunidade de viajar nele!!!!

Vera Lucia
Vera LuciaPermalinkResponder

Ricardo, la nave va e eu fico. E agora concordo com você. Deve ser muito interessante pegar um cruzeiro para ver as imagens exuberantes dos fiordes, das geleiras, das baleias. A minha observação é da natureza. Pura e simples.

Eduardo Luz
Eduardo LuzPermalinkResponder

A máquina é nova e o fotógrafo, renovado!
Você comprou a mesma ou esta tem algum upgrade?
Voltando ao cruzeiro, neste caso o objetivo tem que ser somente ficar no navio pois senão a pessoa certamente sairá de lá sem conhecer tudo e arrependida, pois deve ter pago por isso!
E se o objetivo for este, estou fora!
Quando puder, responda: dá alguma sensação, mesmo que mínima, de balanço?

Ricardo Freire

A câmera é melhor do que a anterior, sim. Tem mais megapixels. Demora mais pra carregar as imagens -- sinal de que preciso de um computador mais veloz para acompanhar o ritmo... haha

O navio não balança absolutamente nada. Muitíssimo de vez em quando você se dá conta de que está ao mar.

Quéle Jacques - La Dolce Vita Cupcakes

O que me convenceu a fazer este cruzeiro no futuro foram as lojinhas de cupcake, smile ótimo texto, pra variar!! Que experiência, hein? Degustando um cupcake e olhando o horizonte...

Arthur
ArthurPermalinkResponder

É verdade. Vou mais além: talvez um pacote de estada no navio, com ele ancorado no porto, durante uns 4-5 dias, fosse uma boa. Sairia mais barato e desfrutaríamos de tudo que a grande nau tem a nos oferecer (mas tem que ser um porto bonito).

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CarolBSB
CarolBSBPermalinkResponder

Riq, ando sumida, mas continuo viajando em todas as suas viagens!
Só que hoje eu precisava dizer que admiro demais a sua criatividade: "bonsai de Dubai"? Amei a comparação!
Quando eu crescer, quero escrever igual a você (acho que já escrevi isso outra vez).
E parabéns pelas lindas fotos, você está quase me fazendo mudar de ideia quanto a cruzeiros! smile

Daniele
DanielePermalinkResponder

Esse show é "inspirado" no Ô do Cirque du Soleil, em Las Vegas?

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Paula
PaulaPermalinkResponder

Ahaha, um cruzeiro sem paradas ia ser ótimo, acho que ainda ia baratear as tarifas...També achei esse show bem com cara de Cirque du Soleil. Vc sabe qual o nr de tripulantes por passageiro? Vc já viajou em algum navio da linha Silversea??

Carol Wieser
Carol WieserPermalinkResponder

Riq... Também não tenho muita paciência com cruzeiros. Adoro bater perna por ai, sem muitas limites de bordas.

Então acho sinceramente que não ia aguentar um cruzeiro sem paradas... por mais que não seja possível fazer quase nada em terra firme, ainda prefiro dar uma voltinha no costume local. Para fugir um pouco do espírito férias coletivas do navio!!!

Beijos

leticia
leticiaPermalinkResponder

com certeza iria em um cruzeiro desses só pra curtir o navio, por si só parece ser uma experiencia incrivel.

Adriana
AdrianaPermalinkResponder

Cirque du Soleil a bordo? wow!
o bom de cruzeiros, viajando com toda a familia (pricipalmente as numerosas) é que agrada a grego e troianos, todo mundo se diverte fazendo o que quer.
bjo!

Ricardo Freire

Não é o Cirque, é um espetáculo do próprio navio.

Wander
WanderPermalinkResponder

ficar num navio sem nem ver o horizonte e o mar a mim parece hibernar num shopping center. A função de um navio é de ir a um destino, de um porto a outro porto, não tem sentido embarcar num cruzeiro que não leva a lugar nenhum e ficar zanzando por ai. Como foi dito acima , então é melhor deixar o navio parado no porto e o povo compra o tour de visitação do navio.

Zé Maria
Zé MariaPermalinkResponder

Riq, a breguice de Dubai virou pó!
90 bilhões de dólares em dívidas.

Leandro
LeandroPermalinkResponder

Mesmo não sendo fã de cruzeiros (nunca fiz um) a curiosidade de conhecer este meganavio bateu, poderiam oferecer uma visita guiada com direito a cupcake smile

Sobre Dubai, sempre disse que aquilo era uma insanidade, esta de "construam que eles virão" é uma aposta arriscada até em tempos de bonança nos dias de hoje, espero que Dubai consiga arrajar uma maneira de não virar cidade fantasma.

Nico
NicoPermalinkResponder

Estive pesquisando no site agência virtual de cruzeiros "Vacations To Go" um cruzeiro para este verão e me interessei por um. E já havia lido por aqui que o site é confiável e os preços são realmente excelentes. Estava em dúvida quanto alguns detalhes do cruzeiro que estou interessado, então enviei uma mensagem para a agência. O que me surpreendeu é que responderam que a Holland America, MSC, Princess, Royal Caribbean e Star Clippers proibem a venda de cruzeiros feita por agências norte-americanas para cidadãos de outros países que não sejam norte americanos ou canadenses ou que não possuam endereço nestes paises. Alguém sabia que isso acontece? e minha pergunta aqui: Esse endereço nos EUA ou Canadá é só pra constar? Se eu fizer a compra dando um endereço verdadeiro mas que seja de um parente que more por lá pode dar problemas?

Ricardo Freire

O Ernesto já tinha levantado essa bola há uns dois anos.

Acredito que se você conseguir confirmar uma compra dando um endereço americano ninguém vai te impedir de embarcar, não. Caso eles cruzem o endereço informado com o endereço de cobrança do cartão de crédito, porém, você não chega ao fim da compra.

Ernesto, o pato

Eu comprei um cruzeiro pelo Windstar, em março deste ano, e não houve qualquer problema. Dei meu endereço do Brasil, e usei meu cartão mastercard, brasileiro. A cobrança foi correta, e o serviço da agencia muito bom. Eles tem consultores que atendem por linha gratis em portugues. Assim é questão de verificar e perguntar o que é aplicável. O hotwire também vende cruzeiros, e não havia nada sobre exclusividade para americanos.

Ricardo Freire

Ernesto, pensei que tivesse sido você quem tinha apontado primeiro esse problema dessas cias. específicas com relação a vendas para brasileiros fora dos representantes no Brasil. Sei que alguém já falou disso aqui no blog, não sei em qual fase (e também não consigo achar). De repente foi até no Zip.net...

Note que a Windstar não está entre as cias. citadas pelo Nico.

Nico
NicoPermalinkResponder

Ric e Ernesto,

A Vacations To Go no email que me responderam lamenta não poder efetuar a venda e diz que essa não é uma política deles e sim uma política corporativa destas empresas de cruzeiros que citei acima. E ainda se oferecem a encontrar um outro cruzeiro de outra empresa que pode ser vendido. De qualquer forma consegui saber que infelizmente o cruzeiro que me interessava já estava completo, esgotado.

Ernesto, o pato

Riq

Deve ser alguma questão contratual da operadora de cruzeiro com o representante brasiliero. Eu deixei de fazer um cruzeiro no Princess por causa disto, ou seja p preço cobrado o Brasil era 2,5 vezes o preco cobrado pelo Vacations to go.

Como consumidor eu EXIGO não ser discriminado por causa da miha nacioanlidade. Quem faz este tipo de discriminação não vai ter meu dinheiro, faço qualquer outro

Ricardo Freire

Hehe, você está certo em recusar essas tarifas. Só que você não está sendo discriminado por ser brasileiro; a cia. apenas está respeitando o acordo contratual com seus revendedores no Brasil...

Fê Costta - viaggio mondo

Eu adoro cruzeiros, apesar de concordar com os incovenientes que vc mesmo listou. Fiquei louca de vontade de fazer este aí!! Tô só imaginando o preço... rsrsr

Ps: as fotos ficaram boas mesmo, a máquina nova tá aprovadíssima!

Ernesto, o pato

Fe

Deve ser muitissimo mais barato do que voce imagina... Creio que no maximo 1100 dólares por uma cabine externa razoavel por uma semana.

juliana
julianaPermalinkResponder

Sobre o blogrolL aqui do lado: tentei acessar o site "de outras viagens" BELGIE VOOR BEGNNERS e recebi a instrução de que somente convidados podem acessá-lo. Fiquei com agua na boca sad
Sempre é assim?

Ricardo Freire

Eu não atualizo o blogroll há mais de dois anos... ele vai ser reformulado no site novo.

O blog da Dani G. aberto ao público agora é o http://danilicious.wordpress.com

juliana
julianaPermalinkResponder

valeu riq!Já estou dando uma olhadinha no blog.
E falando com o " senhor" smile , vou fazer uma gincana com cultural com meus alunos e o premio será o "100 praias". Eles estao animadissimos!!!

Ronaud Pereira

Ricardo. Há tempo ouço um amigo citar o teu blog e só agora "parei pra ver". E realmente, é ótimo, de um conteúdo riquíssimo. É de se ficar horas aqui "viajando"... Meus parabéns!!!

Priscila (Inquietos)

Riq, encontrei hoje essa reportagem sobre a questão a venda de cruzeiros para não-americanos.

http://www.news.com.au/travel/story/0,23483,26415925-11212,00.html

Maria
MariaPermalinkResponder

Gostaria de alguma informação sobre as escalas. O navio oferece alguns tours, porém como viajo com meus filhos e minha irmã, fica muito caro fazer os passeios, além do quê não me agrada muito a ideia de sair em grupo de excursão. É tranquilo chegar ao porto e fazer os passeios sozinhos?

Ricardo Freire

Depende da escala. Há desde uma praia particular (Labadee, no Haiti) até ilhas que talvez você queira dar a volta toda (St Maarten).

Quase sempre é possível fazer algo por conta própria, mas é preciso lidar com o tempo exíguo das escalas.

Leia mais aqui:
https://www.viajenaviagem.com/2009/12/por-dentro-do-oasis-of-the-seas/

Ludmila
LudmilaPermalinkResponder

Riq,
Procurei no VnV e não achei. Como fica questão dos vistos nos portos de escala? Estou pensando em fazer uma viagem no Oasis (ou no irmão gêmeo Allure) com mais 3 amigas em 2012, pela rota oeste do Caribe (passando por Nassau, Charlotte Amelie e St. Marteen) pra tentar tangenciar ao máximo a possível rota de furacões. Você sabe quais as chances de não se conseguir esses vistos?
Abraços,

A Bóia
A BóiaPermalinkResponder

Olá, Ludmila! Nâo é necessário visto para nenhum desses destinos. Normalmente passageiros de cruzeiro no Caribe não precisam de visto para lugar nenhum, só para voltar aos Estados Unidos.

Ludmila
LudmilaPermalinkResponder

Muito obrigada, Bóia!
Você é uma graça, como sempre!

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