Pitacos: como fazer de 2014 a Copa do turismo

Ricardo Freire
por Ricardo Freire

Praia do Espelho -- um bom lugar para descobrir o Brasil

(Publicado originalmente na minha página Turista Profissional, no Estadão.) Mesmo sendo eliminado da Copa da África do Sul nas quartas-de-final, o Brasil não deixou de ser um dos gigantes do futebol. Mesmo que não fature o caneco em casa, em 2014, não perderá seu posto de maior campeão de todos os tempos (no máximo pode ser igualado pela Itália). Na Copa do Mundo de 2014, o que estará em jogo para o Brasil é a chance de se tornar grande no turismo internacional.

Com apenas 5 milhões de visitantes estrangeiros, o Brasil tem um terço do turismo internacional da Tailândia e metade do da África do Sul. O que isso afeta a você e a mim? Sem realizar o seu potencial, a indústria do turismo brasileiro não ganha escala suficiente, e os preços (já prejudicados pelo câmbio e pelo custo Brasil) permanecem altos. O prejuízo da sociedade é ainda maior, porque o turismo é o melhor empregador (e treinador) e de mão-de-obra local e pouco qualificada; é o tipo de atividade que consegue capilarizar mais rapidamente seus resultados.

2014 é uma oportunidade única, porque a festa da bola vai se realizar não só no país da bola, como no país da festa. É relativamente fácil convencer o mundo de que não dá para perder a oportunidade de estar aqui em algum momento do evento. Aqueles quatro dias impossíveis de reservar no carnaval do Rio de repente se transformarão em 30 dias que podem ser curtidos em qualquer lugar do país.

Discute-se muito o que vai ser dos estádios depois da Copa. Mas o grande legado que 2014 pode dar ao Brasil é finalmente abrir os portos ao turismo internacional. Aqui vão alguns pequenos pitacos.

Desvincular a Copa dos ingressos

A Copa do Brasil precisa ser mais parecida com a da Alemanha, quando a viagem valia mesmo para quem não tinha ingresso na mão, do que com a da África do Sul, que só se materializava para quem conseguisse estar no estádio. A Fifa provavelmente impedirá o uso da palavra e da marca Copa em cidades que não sejam sedes, mas o Brasil precisa ser criativo e estender o “clima de Copa” a todos os lugares turísticos. Isso já acontece normalmente por aqui, não importa em que canto do planeta a Copa se realize. Numa Copa em nosso território, será ainda mais natural.

As cidades e estados sem-Copa podem – devem – decretar carnaval fora de época. Um carnaval de festas, de eventos, de oportunidades para quem quiser descobrir o Brasil e compartilhar esse momento único com os brasileiros. É bem possível, tendo em vista as dificuldades de infra-estrutura e logística das cidades-sede, que os turistas estrangeiros aproveitem mais a Copa fora dos estádios. Pode ser a doce vingança das cidades preteridas.

Encarar a Copa como investimento de marketing

Que hoteleiros, companhias aéreas, operadoras e agências de receptivo lembrem-se do Réveillon do Milênio. Devido ao câmbio e aos impostos, o Brasil já é um país caro; exorbitar nos preços não vai levar a lugar nenhum. A Copa de 2014 vai se realizar numa época de baixa e média temporada – estar de casa cheia já vai ser uma novidade para a maioria dos “players”. Não é hora de espantar, mas de atrair um público novo, que pode trazer muita gente mais – e, com o tempo, tornar a indústria do turismo menos dependente do turista doméstico e das férias escolares brasileiras.

Oferecer soluções na internet

Se hoje boa parte das viagens já são decididas pela internet, em 2014 não haverá outra maneira de viajar. O turismo brasileiro ainda não sabe se vender na rede – nem mesmo para o viajante brasileiro, que dirá para o estrangeiro. A Copa pode ser um bom catalisador para que as coisas aconteçam. Se o candidato a visitante encontrar fácil na internet pacotes, hotéis, passagens de ônibus e avião – alô, companhias aéreas: que tal unirem esforços para fazer um Air Pass? –, será bem mais fácil concretizar a sua viagem.

Fazer a maior festa de todos os tempos

Dominamos totalmente o know-how das grandes celebrações. Fazemos festas incríveis sempre que queremos. A Copa de 2014 vai ser mais uma delas – e pode ser a mais inesquecível de todas. Basta termos em mente que, desta vez, não seremos apenas participantes: seremos anfitriões. E precisamos receber bem a todos – incluindo milhares de argentinos (e uruguaios, paraguaios, chilenos) que deverão invadir o Brasil por terra. O mundo já aprendeu a gostar do Brasil dentro do campo. Chegou a hora de mostrar que fora dele também podemos ser campeões.

28 comentários

A. Lot
A. LotPermalinkResponder

Riq,

Eu ando muito preocupado com a questão de transporte. Não tem sedes que comportem traslado por terra, o TAV não estará pronto até lá. O transporte urbano nas cidades já é um pouco preocupante. Há casos mais simples, como Brasília, em que hoteis ficam próximos ao estádio e dá pra ir caminhando (por motivo de fuso horário duvido que vá haver jogos a noite no Brasil), mas há casos complexos como Porto Alegre ou Salvador.

Alarme mais alto me soa com aeroportos, Riq. Não dá pra licitar, construir e entregar novos terminais em menos de 3 anos, e tá tudo muito lento nessa área. Os aeroportos de Curitiba e Porto Alegre têm problemas de capacidade de pista, e isso dificilmente vai ser resolvido até a Copa. Outros, como Brasília, Salvador e Fortaleza, tem problemas com terminais inadequados, pequenos demais. São Paulo, o "hub" do Brasil, tem problema com terminais, pátio e pista - o caos.

Será que daremos um jeito nisso? Imagina repetirmos a cena da semifinal de Cape Town, em que mais de 4000 turistas alemães e espanhois ficaram de fora do jogo porque seus aviões fretados não tiveram como pousar no aeroporto!

Quanto ao Air Pass, a TAM já opera um Air Pass para quem mora no Exterior, e a GOL também tem o seu Air Pass. É até relativamente conhecido aqui na Europa qdo vc pergunta em uma agência de viagem. Tem várias regras e exceções e modalidades, mas dá pra pagar US$ 1152 e viajar 9 trechos domésticos agendados no momento da compra.

zuzu
zuzuPermalinkResponder

riq
vc resumiu muito BEM todo o panorama copa 2014.mas como o a.lot ai em cima estou cetica porque nao
vejo grandes movimentos ainda e o tempo esta curtissimo...tomara que estejamos errados e o "jeitinho brasileiro " de conta !
se todo esse aumento de estrutura e fluxo de turistas acontecer, ponto pra nos que muitas vezes devido ao custo Brasil ,preferimos viajar ao exterior ao inves de conhecermos mais o proprio pais(desculpe a falta de acentos...escrevo do iPhone !)
belo e providencial artigo!

Thiago Parente

Uma coisa interessante para as cidades sem copa é tentar atrair a concentração de alguma seleção estrangeira. Ex: Floripa ser a concentração da Argentina. Assim, tem-se a destinação de um contingente específico de turistas/torcedores e jornalistas para aquela cidade.

Além disso, assino embaixo das preocupações em relação a infra de transportes.

Clarissa M. Comim

Concordo com tudo que está na coluna, porém, tenho preocupações quanto a segurança, como vai estar na copa?? Pois é isso que a maioria dos turistas estrangeiros pensam. Espero que o brasil trabalhe bastante neste sentido. Isso fará uma copa inesquecível! wink

Eunice
EunicePermalinkResponder

Riq. Minha preocupação é com a conta a pagar após a copa. Um exemplo, aqui na Bahia, o estado pegou um emprestimo milionário com o Desenbanco, e o repassou a duas empreteiras ( OAS e Odebrecht ) responsáveis pela construção da nova Fonte Nova. As empreteiras terão 20 anos para explorar o novo estádio e pagar ao governo o dinheiro do emprestimo, com os mesmos juros que o governo pagou originariamente ao Desenbanco. Caso o empreendimento - Fonte Nova - não seja capaz de se auto-pagar, será que esse dinheiro retornará ao estado? O Ministério Público, e outros órgãos fiscalizadores tentam embargar esse negócio de pai para filho, mas sabemos que poder político é tudo no país. Além disso, no caso específico da Bahia, o CREA, O IAB ( Instituto dos Arquietetos ), o Clube de Engenharia e todos os grupos ligados à conservação do patrimônio da cidade são contra que se destrua uma praça poli-esportiva - ginásio, piscina, etc, para construção unicamente de um estádio. Temos o problema do aeroporto também. O nosso tem capacidade de receber 6 milhões de passageiros/ano. No ano passado, teve movimentação de 7 milhões de passageiros. Então, já está estrangulado. A nova pista a ser construída avança pelo Parque de Dunas, será uma questão ambiental dificilima de ser resolvida.

A. Lot
A. LotPermalinkResponder

Eu acompanhei o caso da Fonte Nova em Salvador em um fórum específico. Ao que parece, conseguiram eliminar a encheção do MP e de arquitetos. Acho que fez-se e continua-se fazendo muito barulho, em todo o país, por imóveis e construções discutíveis. Nisso, eu apoio mudanças que nos deixem mais próximos do progresso do que de valorizar patrimônios duvidosos. Idem para proteções ambientais excessivas: o caso do Aeroporto de Salvador é típico - por causa de umas duninhas que existem às centenas, a construção de nova pista está atrasada. Mas, ainda assim, o principal impedimento de SSA não é pista, é terminal (check-in, segurança, bagagens, portões, fingers, posições remotas etc) e hangar.

Quanto à engenharia financeira específica da Fonte Nova, há um certo nível de risco do empreendimento privado. Perto do porte das construtoras envolvidas, os R$ 450 milhões + acessórios não representam uma quantia assustadoramente absurda, e há também compromissos de pagamento de aluguel mensal do Estádio por times ou, na falta destes, pelo poder público, que cobririam parte do déficit.

O estádio de Recife e o de Brasília estão sendo construídos de forma parecida.

Em alguns casos, o poder público assumiu diretamente as despesas e a gestão, caso de Belo Horizonte, Cuiabá, Rio e Manaus. Há estádios particulares em Porto Alegre e Curitiba, e parcerias mais-públicas-que-privadas em Fortaleza e Natal.

Há um risco financeiro em todos os projetos, mas de certa forma essa foi uma decisão já tomada. As comparações com os custos da Copa da África são meio descabidas porque os estádios lá foram mais modestos, os custos são menores, e as exigências da FIFA para 2014 aumentaram MUITO (jamais um estádio como o de Rustenburg seria aprovado p/ 2014...). As comparaçòes com os custos da Copa da Alemanha também são descabidas porque a infra-estrutura estava quase toda pronta, e os estádios já bem encaminhados para outros usos.

Ainda assim, vejo com um lampejo de esperança (!) a possibilidade de que essas novas arenas esportivas sirvam para mudar o futebol brasileiro em um processo semelhante ao que ocorreu na Europa no fim dos anos 1980: encarecimento dos ingressos (para selecionar melhor o público), foco mais no espetáculo do que no jogo em si, tornar as arenas family-friend, afastar torcidas organizadas dos estádios, enfim, elitizar culturalmente o futebol, que por ter uma base ampla, pode continuar sendo um esporte "de massa" sem que a massa precise ou tenha como pagar para ir ao estádio.

Cesar Malone
Cesar MalonePermalinkResponder

Falta de transporte, gente fora do estadio, hospedagem ruim, assaltos, tudo isto pode ser resolvido e tudo isto existe em todo lugar. O que assusta mesmo as pessoas no exterior eh o numero de mortos, de fatalidades com a violencia. Nisto sim, estamos sempre no podio com os campeoes.

Raimundo
RaimundoPermalinkResponder

Concordo com você, Tati. O medo que a classe média tem do pobre é impressionante. Todo argumento vale para disfarçar.

Tati
TatiPermalinkResponder

O melhor é o pensamento do A. Lot...para se resolver os problemas dos estadios ..deixar a massa (pobres?) de fora...kkk Nossa q ótima idéia...É cada coisa q vejo na internet q dá meda...

A. Lot
A. LotPermalinkResponder

Tati, o problema é um pouquinho mais complexo. Aqui na Europa, os hooligans (e suas versões nacionais) só foram contidos e controlados quando futebol se tornou algo seguro para a família de classe média frequentar. Hoje, qualquer time mal no campeonato da Premier League, na Inglaterra, cobra bem caro por ingressos, e a maioria deles é vendida em passes para toda a temporada. Coisa parecida acontece em alguns outros países.

Tente chegar em Barcelona e ir assitir um jogo do Barça, por exmeplo. Só se acham os lugares muito caros.

O efeito indireto dessa política e deixar de tornar o estádio um reduto de pessoas desocupadas que vivem para causar baderna. Para muitos, torcida organizada e seus crimes são um estilo de vida. Só que isso só é viável porque ingresso de futebol no Brasil é uma coisa ainda barata. O dia em que pesar no orçamento, deixará de ser tão interessante viver de bicos para dedicar-se à torcida de um clube toda semana, por exemplo. É desse efeito que eu estou falando.

Marcelo
MarceloPermalinkResponder

Concordo com vc A. Lot.

Quando os ingressos se tornam caros, a grande "massa" de baderneiros nao vai aos estádios, mas o torcedor que tem paixao pelo seu clube continua indo, e as famílias voltam.

Dando um exemplo regional, vejam o que aconteceu em Curitiba: o Atlético investiu em seu estádio, e transformou a antiga Baixada, um estádio "padrao" brasileiro, na Arena da Baixada, conhecido hoje como o melhor estádio do Brasil.
Isso custou dinheiro, e os ingressos foram aumentados, custando hoje 40 reais (se nao me engano, faz tempo que nao vou lá...); esse é um valor alto, mas ainda assim a média de público é de perto de 15.000 pessoas por jogo! Isso acontece porque os baderneiros foram embora, e as famílias voltaram, além de terem ficado os realmente apaixonados pelo clube.

No outro extremo está o Coritiba, com ingressos realmente baratos, a 5 reais. Médias baixíssimas de público, e um espetáculo deprimente no fim do campeonato brasileiro do ano passado, com os torcedores destruindo o próprio estádio. Esses "torcedores" sao apenas aqueles baderneiros, que se aproveitam dos ingressos baratos para fazer arruaça. Que pai de família iria levar seus filhos para assistir a um jogo?

Obviamente sou atleticano, mas meu pai e irmao sao coxa-branca (sou a ovelha negra...), e eu gostaria muito que eles pudessem ir ao estádio assistir ao seu time, sem ter medo do que possa acontecer.

Minha esposa já foi a jogos do Atlético com meus filhos ainda pequenos sozinha, enquanto eu estava em viajem de trabalho ao exterior. Em quantos outros estádios do Brasil isso pode ser feito?

Ingresso caro é, sim, uma das soluçoes para melhorar o futebol como um todo no Brasil.

Paulo Torres
Paulo TorresPermalinkResponder

O que foi feito na Inglaterra não foi um simples auento de preços buscando eliminar hooligans do estádio. Foi uma série de melhorias gerais no futebol inglês, começando pela modernização dos estádios (com linhas de crédito especiais para os clubes, ou seja, uma boa ajuda do poder público) e com rigor nas punições aos que se envolviam em tumultos. O livro semi-biográfico "Febre de Bola" do Nick Hornby fala bastante disso, e tem um texto bom do Ubiratan Leal (jornalista da revista ESPN) a respeito em http://www.balipodo.com.br/index.php?p=3243

E no exemplo Atle-Tiba, a situação do Coxa parece ser mais complexa que "ingresso barato = baderneiros". Envolve disputas políticas no clube, no caso específico daquele Coritiba x Fluminense envolvia até seguranças do estádio previamente acertados com a torcida organizada.

(E está ficando meio off-topic aqui para o VnV.)

Vagner
VagnerPermalinkResponder

Os baderneiros não pagam para ir nos estádios: ganham ingressos das diretorias dos clubes.

E, por favor, family-friend, aqui no Brasil, é antônimo de ingresso caro (não sei aí na Europa).

Como frequento semanalmente estádios no Brasil, principalmente o Maracanã, teria muitos outros argumentos, mas eu concordo que ficou off-topic.

No mais, o post do Riq, como sempre, está perfeito e eu já sugeri aqui (e ele prontamente negou) que ele deveria assumir algum cargo de responsabilidade (pra começar, podia ser Ministro mesmo!) no turismo nacional.

Mirella
MirellaPermalinkResponder

Oi Riq, eu concordo que o Brasil e o turismo no país terá uma oportnidade imensa de divulgar a terrinha para o mundo! Temos muito potencial e como bons festeiros, a festa será de arrasar.
Adorei seus pontos e concordo com todos.
Tenho receio sim se essa violência infeliz vai se reduzir até lá... pois já está na hora, certo?
Que a copa seja linda e que o Brasil brilhe!

Débora
DéboraPermalinkResponder

Oi Riq!
Desculpa fugir do tópico, mas estou indo em setembro para o Rio e gostaria de saber se conheces e recomendas o Promenade Leblon Inn?
Obrigada!

Ricardo Freire

É um flat bem no bochincho da Dias Ferreira. Os apartamentos têm cozinha equipada com geladeira grande. A piscina tem uma linda vista. Sei que os equipamentos vão ser trocados este ano.

Para continuar esse assunto por favor use qualquer post da categoria Rio de Janeiro.

https://www.viajenaviagem.com/category/rio-de-janeiro

PêEsse
PêEssePermalinkResponder

Em Natal se comenta à boca pequena (muito pequena, por conta das eleições e do prejuízo político que isso pode gerar) que a CBF indicou à FIFA doze sedes já sabendo racionalmente que pelo menos duas cidades poderiam ser descartadas. Diz-se que Natal seria hoje a primeira a cair fora porque, além de não ter nada de estrutura, até os projetos e contratos que seriam assinados foram cancelados por graves e concretas suspeitas de direcionamento de licitação e superfaturamento.

Tudo na vida tem um preço. Com a realização de um mundial de futebol não seria diferente. Eu só não acho que um preço justo a pagar seja leniência com corrupção, superfaturamento, direcionamento ou dispensa indevida de licitações. Além disso, a pretexto de supostamente se estar defendendo o progresso, não se pode flexibilizar questões ambientais nem passar por cima delas, mesmo que sejam duninhas que existam às centenas. Torço para que, no Brasil todo, a encheção do MP e de arquitetos seja eliminada pela solução correta do problema e não pela truculência do "precisa ser feito e por isso será feito custe o que custar".

Thiago Parente

Só gostaria de ressaltar que os efeitos para o turismo serão imediatos, e que logo depois teremos as olimpíadas no Rio, que pode bombar ainda mais se a copa for bem feita. Acho que nunca antes na historia de olimpiadas e copa, elas foram realializas em sequencia no mesmo pais.

Tiago Caramuru

Tem toda razão Riq, também estou muito otimista com a oportunidade do Brasil em 2014. O turismo pode criar empregos definitivos para mais brasileiros, ao contrário da construção civil, por exemplo. E pra quem acha que a indústria do turismo só oferece empregos de baixa renda (garçom, recepcionista, etc), é legal lembrar que Búzios ou Trancoso, por exemplo, eram vilas que só ofereciam a pesca como atividade econômica para seus habitantes, há poucos anos. Uma atividade muito mais cansativa e mal remunerada.

André L.
André L.PermalinkResponder

Então, como atividade econômica o turismo é uma atividade com duas facetas. Por um lado ele possibilita isso que vc citou - diversificação de atividades para lugares antes paupérrimos -, mas por outro lado o turismo de alta intensidade (relativa, seja um lugar dominado pela CVC como Porto Seguro, seja um destino ecológico dominado por operadoras "verdes" como Bonito, seja uma "Meca" de mochileiros como Macchu Picchu acaba gerando alguns efeitos colaterais como alta sazonalidade, serviços públicos ruins (nenhuma cidade de Terceiro Mundo consegue pagar sua infra-estrutura para funcionar redondinha só durante 4 meses do ano e ficar ociosa nos outros 8) e por aí vai.

Lili-CE
Lili-CEPermalinkResponder

Adorei o texto! Essa questão da infraestrutura, se pudesse ser resolvida, se refletiria em todos os aspectos da nossa vida e a Copa seria uma ótima oportunidade. Esse seria o grande benefício deixado pelos jogos. Logística de transporte melhor, preços melhores, maior crescimento da economia. Imaginem, não é só turista ou passageiro que utiliza o que está aí. Navios chegam a ficar 15 horas parados, em média, esperando p/ descarregar no Porto de Santos, daí os navios preferem rumar p/ Buenos Aires e a mercadoria chega p/ gente por terra. Estendam o exemplo p/ outros setores e meios de transporte. Tem lógica isso?

Leandro
LeandroPermalinkResponder

Não torço contra, mas estou cada vez mais pessimista com a copa e as olimpíadas, o Brasil segue a tradição de fazer tudo em cima da hora e sem palenjamento, assim sobram obras de má qualidade e superfaturadas, como infelizmente devem ser todos ou quase todos os estádios. Por outro lado, o trânsito do Rio que está cada dia pior (nos dois últimos finais de semana mofei como nunca na 101 e na Dutra para sair da cidade, com movimento de final de semana normal e não de feridão) pois enquanto o número de carros aumenta assustadoramente o único investimento em estradas se dá por meio de recapeamentos mal feitos e intermináveis (quando interditam faixas mínimas e criam congestionamentos quilométricos nos horários de rush) e novas praças de pedágio para roubar a população (uma viagem de carro que a 5 anos fiz em duas horas e sem pedágio, ontem durou cinco horas e com dois pedágios, um dos pedágios visivelmente responsável por um enorme engarrafamento, nas duas situações separadas por cinco anos percorri o mesmo percurso num domingo de um final de semana comum com tempo bom), fora das estradas então nem investimento tem, a situação dos aeroportos já é uma vergonha anunuciada e a rede ferroviária não existe... Mas é claro que quando chegar a copa a "operação maquiagem" vai criar faixas exclusivas, pontos facultativos e desencorajar viagens da população para facilitar o deslocamento das delegações, e depois a vida da população continua na mesma m de sempre se não piorar. Dois anos (!!) depois vem mais um show de maquiagem e superfaturamento com as olimpídas, só resta esperar que não deixem o país quebrar como a Grécia. Cada vez mais concluo que copa e olimpídada só trazem benefícios concretos para países em boa situação econômica e com grandes reservas (o que segundo alguns o Brasil atenderia, mas não concordo pois nosso crescimento não é sustentável e o endividamento interno é exorbitante), alta qualidade de vida e mínima corrupção, nos demais casos só ajuda mesmo a encher os bolsos de governantes corruptos, empresas "bem relacionadas" e apadrinhadados. Em Chicago teve até movimento contra as olimpíadas, lá eles sabem que o evento pode trazer mais problemas que soluções. Apenas minha opinião, alguém que já se acostumou a ver quase tudo de bom que os governantes prometem virar abóbora depois, entendo que para o pessoal do turismo as expectativas estejam mais elevadas.

Leandro
LeandroPermalinkResponder

Ainda tive a impressão que nas últimas copas e olimpíadas os efeitos positivos para o turismo foram menores e menos duradouros que o inicialmente esperado, embora isto não seja necassariamente regra, o problema é que normalmente colocam as expectativas muito lá em cima e divulgam projeções infladas.

Leandro
LeandroPermalinkResponder

Já a segurança é um dos problemas que menos me preocupa, até o Pan mostra que é relativamente fácil criar um esquema que funcione durante um evento, a propria África do Sul conseguiu segurar as pontas por alguns dias, e se tratando de Johannesburgo não é pouco.

Eunice
EunicePermalinkResponder

Andre Lot, "as duninhas" que você refere são o maior sistema de dunas e restingas em área urbana do país.Como era previsto, a Infraero não conseguiu o licenciamento ambiental para construção nova pista do aeroporto. Nova pista, só em outro local, provavelmente fora do município de Salvador. Já é decisão oficial.

André L.
André L.PermalinkResponder

O maior sistema de Dunas não são as do Parque das Dunas em Natal?

Enfim, a discussão ficou para o offtopic imensamente, e eu nào vou me alongar aqui e encerro por agora, mas digo que eu sou um opositor ferrenho dessa política ambiental tola em vigor no Brasil, que permite caminhões exalando fumaça preta com motores da década de 1970, que tolera esgoto lançado in natura nos rios do país inteiro, mas que ao mesmo tempo vê qualquer conversão de mato em área agrícola produtiva como "um crime ecológico" e se opõe a obras de infra-estrutura essenciais para o país como aeroportos, novas e modernas rodovias, hidrelétricas novas áreas agrícolas com tecnologia de primeiro mundo etc. etc. Até faço parte de um grupo dedicado a minar esses esforços dos ecochatos de plantão no Brasil. Temos obtido alguns sucessos com propaganda direcionada e argumentos feitos combater o discurso algumas vezes exagerado dos Greenpeaces da vida.

Para mim, o caso mais emblemático recente é o de uma duplicação pertinho de S. Paulo, da famigerada BR-116 até Curitiba. Por causa de um bando de papagaios qualquer, um pedaço da obra foi atrasada em quase 1 ano e meio, e nesse período 11 pessoas perderam a vida em acidentes no trecho em questão. Salvam-se os papagaios, lagartos, montes de areia e plantas, e nós, humanos, que fiquemos com os cognestionamentos, acidentes, mortes, caos aéreo (= estresse + problemas do coração + perde de produtividade e tempo etc) e por aí vai.

Desculpem o desabafo. Prometo parar por aqui.

==========
Retomando a temática Copa do Mundo, acho que o principal imapcto duradouro pode ser o da imagem, da "marca" Brasil. Os gastos dos turistas estrangeiros DURANTE a Copa serão importantes, claro, mas nem de longe têm o potencial multiplicador de um bom trabalho de marca, divulgação, boca-a-boca e propaganda bem direcionada que PODE ser feito utilizando-se essa overdose de exposição internacional que ocorrerá por conta de Copa e Olimpíadas.

Mas em termos de atrair turista estrangeiro, se usarmos a Copa como mote para treinarmos pessoas envolvidas com turismo para atenderem o turista estrangeiros, já será uma BELA contribuição duradoura. Não se trata apenas de ensinar idiomas estrangeiros (embora isso seja importantíssimo), mas preparar a cadeia do turismo para lidar com alguém que está em "terra estranha" sem vê-lo como um cofre de dinheiro a ser explorado a cada esquina, com tarifas de hotel "diferenciadas" que fazem câmbio 50, 60% mais caro, garçons capazes de expliar pratos decentemente em inglês, roteiros e passeios interessantes-mas-não-pedantes e por aí vai.

Se a África do Sul, com violência como a nossa, tensões sociais, desigualdade, distância de acesso aos principais mercados emissores comparáveis às nossas, conseguiu se inserir no mercado, temos condições de fazer isso também.

Eunice
EunicePermalinkResponder

Em área urbana, o maior é a APA Parque das Dunas - 1.800hectares de restinga e dunas( 16 lagoas, a lagoa Vitória maior que Abaeté).

Eunice
EunicePermalinkResponder

A Fonte Nova vai ser implodida no domingo. E pelo módico preço de 1,6 bilhões pagos pelos contribuintes um novo estadio será erguido.

Atenção: Os comentários são moderados. Relatos e opiniões serão publicados. Perguntas serão selecionadas para publicação e resposta. Entenda os critérios clicando aqui.
Bóia offline! Vamos continuar aprovando comentários, mas a Bóia só volta a responder perguntas que forem feitas depois de 10 de abril de 2017. Obrigado pela compreensão.
Cancelar