O escolhido (minha crônica no Divirta-se do Estadão)

Ricardo Freire
por Ricardo Freire

Ilha de Páscoa, 11 de julho de 2010

(OK, vocês já leram boa parte deste texto aqui antes. Mas tem umas fotos novas...)

Quando foi a última vez que você foi beneficiado por uma injustiça? Comigo aconteceu semana retrasada. Fui escolhido para assistir a um eclipse total do sol na Ilha de Páscoa.

Na hora achei normal o convite. Ilha de Páscoa é um assunto que faz parte da minha, digamos, área de atuação. O eclipse parecia apenas um bônus que acrescentaria um pouco mais de mistério a um dos destinos mais mágicos do planeta.

No sábado, véspera do eclipse, ainda em Santiago do Chile, as notícias que vinham do meio do Pacífico não eram boas. Chovia sem parar na Ilha de Páscoa. Quando embarcamos, na madrugada de domingo, a probabilidade de nuvens carregadas esconderem o eclipse era altíssima.

Cinco horas de vôo mais tarde, desembarcamos com o asfalto ainda molhado – mas o sol brilhando. Tinha chovido até poucos minutos antes. Parecia que São Pedro daria uma trégua. Restava saber se duraria pelas três horas que ainda tínhamos antes do eclipse – que se daria na mesma hora da decisão da Copa entre Holanda e Espanha.

Chegamos ao local escolhido para acompanhar o eclipse. Quatro mil visitantes se espalhavam pelo gramado à beira-mar, ao pé de um altar de moais, as estátuas ancestrais que definem a cultura rapa-nui.

Ilha de Páscoa, 11 de julho de 2010Ilha de Páscoa, 11 de julho de 2010Ilha de Páscoa, 11 de julho de 2010

Lá pelas tantas, o dono da zoom mais poderosa gritou: “Empezó!”. Sem os óculos especiais você não percebe nada (e ainda corre o risco de perder a vista). O espetáculo só se mostra através dos filtros opacos: a lua abiscoitando o sol, até fazer o sol tomar a sua própria forma. Primeiro, o sol crescente. Depois, o sol minguante.

E então aconteceu: a lua encobriu o sol, e o fenômeno passou a ser visível a olho nu — e câmera nua. Está ainda para ser inventado um palavrão que exprima a emoção de ver isso acontecer. E ao lado dos moais da Ilha de Páscoa!

Ilha de Páscoa, 11 de julho de 2010
O sol ficou tapado por uma eternidade de, sei lá, uns cinco minutos. A Espanha marcou o gol do Mundial, mas naquele momento isso não importava nem aos espanhóis presentes.

O que eu fiz para merecer isso? Naquele instante pensei em tanta gente que estuda o céu e daria o que fosse preciso para estar no meu lugar. E tudo o que eu tenho autoridade para dizer é: a Ilha de Páscoa é incrível até mesmo sem eclipse.

Ilha de Páscoa, 11 de julho de 2010

7 comentários

zuzu
zuzuPermalinkResponder

Riq
Só pousei na ida e na volta na Ilha de Páscoa na minha viagem a Polinésia, e pelo horário dos voos, nao deu prá ver nada lá de cima!
Uma pena!
Deveria ter feito um pit-stop de pelo menos um dia lá. Fica prá próxima!
Parabéns pelas lindas fotos, e vc é um sortudo mesmo...

Juliana
JulianaPermalinkResponder

Riq,

ossos do ofício ... precisa de uma assistente?

Marcie
MarciePermalinkResponder

Posso ser assistente da sua assistente?

Ramalho | Aquarian Publishing

[...] O escolhido (minha crônica no Divirta-se do Estadão) [...]

Claudia Beatriz

A listinha de lugares pra visitar esta crescendo...
As fotos estao otimas!
Perguntinha: voce usou a 18-200 pra essas fotos? Ou alguma outra lente?

PS: Desculpe a falta de acentos, computador sem config em portugues.

Ricardo Freire

Sim, a 18-200. Nem tô mais carregando a sei lá quanto-300 que eu usava :cool:

Hugo
HugoPermalinkResponder

Off topic. Apesar de criticarem a qualidade, é inegável a praticidade da 18-200. Com uma única lente você praticamente capta tudo que quer, e sem a necessidade de ficar fazendo aquela chata e complicada operação de trocar lente.

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