Pacatuba, o Pantanal sergipano

Ricardo Freire
por Ricardo Freire

Pacajuba, SE

Pertinho de Aracaju -- 45 km ao norte -- está escondida uma das paisagens originais do Nordeste: o chamado Pantanal sergipano, em Pacatuba. Eu já tinha lido muitas menções a essa região, mas sinceramente não imaginava que fosse tão bonita.

Para chegar lá, você vai precisar de um carro e de perguntar pelo caminho, porque a sinalização é precária. Mas é só não esquecer as palavras-chave (Lagoa Redonda e Ponta dos Mangues) que você chega lá.

Pirambu, SE

Saia de Aracaju pela ponte estaiada sobre o Rio Sergipe, que leva a Barra dos Coqueiros, e siga as placas para Pirambu. (Ali você pode querer dar uma paradinha para ver a estação pioneira do Projeto Tamar no Brasil.)

Continue para o norte e saia da estrada quando aparecer a placa para Lagoa Redonda. Ainda não é o Pantanal, mas é um cartão-postal: uma lagoa faz curvas acompanhadas por uma duna. Lindona.

Lagoa Redonda, SE

Querendo continuar até a praia, você vai ver isso:

Pacatuba, SE

Volte um pouco pela estrada e vire à direita para continuar a Ponta dos Mangues. Dali a quinze, vinte minutos você vai ver a paisagem mudar. Do seu lado direito você vai ver dunas altas, mata, mangue e lagoas, numa composição que eu duvido que você tenha visto por aí.

Pacatuba, SE

Pacatuba, SE

Pacatuba, SE

O ponto mais bonito é o Mirante do Robalo. Não tem placa. Mas não precisa de placa. Não dá pra não parar.

Mirante do Robalo, Pacatuba, SE

Mirante do Robalo, Pacatuba (SE)

(Eis aí um lugar à espera de um operador de ecoturismo competente, que monte passeios pelas lagoas e dunas.)

Mais adiante a estrada bifurca. À esquerda você vai para Brejo Grande, na margem sergipana da foz do São Francisco. À esquerda você vai para a praia de Ponta dos Mangues.

O Carlos Nascimento me levou para um ponto adiante do que os turistas freqüentam. É o lugar onde os pescadores mantêm seus barcos, num braço do rio São Francisco, com o oceano bem ao fundo.

Ponta dos Mangues, Pacatuba (SE)

Chegamos na maré baixa. Estava uma aquarela.

Ponta dos Mangues, Pacatuba (SE)

O mais bacana de Aracaju: não tem passeio repetido grin

62 comentários

Célio Muniz
Célio MunizPermalinkResponder

A história que passo a narrar teve início no ano de 2000. E como qualquer história fica a critério de quem a lê dar-lhe crédito ou não. Sou de Recife e trabalho como consultor na área de Meio Ambiente. Lembro do dia em que estava tomando sopa na cantina de UPE - Universidade de Pernambuco onde ministrei um Curso de Ecoturismo, quando o telefone tocou, era o Prefeito de Pacatuba à epoca Dr. Luiz Carlos, me falando de um amigo comum, Dr. José Theodomiro que havia indicado meu nome para um trabalho. Surgiu então o convite para conhecer Pacatuba e neste lugar desenvolver um trabalho. Era uma quinta feira e já no sábado eu e minha esposa Eloisa Elena, que é Educadora Ambienta, fomos ao encontro do prefeito e lá cheguei por volta das 3:00 da madrugada vindo de ônibus da Itapemirim que me deixou na BR 101, onde embarcamos juntos em um veículo cujo motorista havia sido enviado pelo nosso anfitrião. Na manhã seguinte depois de uma maravilhoso café da manhã na varanda da casa grande, o Prefeito nos convidou para um passeio de Bugue onde pretendia nos mostrar as lindas paisagens do seu Município. Percorremos os conjuntos de Lagoas Costeiras, ladeadas por uma magnifíca "cordilheira" de dunas que dividiam a Paisagem da intocadas praias da REBIO de Santa Izabel. Travamos contato com a água "cor de chá mate" do Rio Poxim, e fizemos juntos um passeio de barco saindo de Ponta dos Mangues nos deslumbrando com a majestosa floresta de que margeava os meandros do Rio até o seu encontro com o "Velho Chico" já Município vizinho. De volta para o almoço na Fazenda de Dr. Luiz Carlos... Após um breve descanso veio a fatídica pergunta do Sr. Prefeito... E ai Dr, Célio, como costumava me chamar... O que me diz da nossa Cidade... E eu lhe respondi com o seguinte comentário... Prezado Prefeito, o que vai substituir o petróleo como ativo estratégico neste novo milênio, é a água. E isto vocês tem demais por aqui... Achei esta paisagem algo como um "sonho bom, até diria surreal"... Encontrei uma paisagem de Pantanal ás margens do Oceano Atlântico... E ele para minha surpresa gostou da expressão e passou daquela data em diante a chamar os locais da planície litorânea de seu Município por esta alcunha de: Pantanal Nordestino. Fiquei mais dois anos reunindo uma equipe de pesquisadores, pedólogos, ornitólogos, biólogos, arqueólogos, etc. para realizar o ZEE - Zoneamento Ecológico Econômico, e também o Plano de Manejo para tornar a área uma APA - Área de Proteção Ambiental. Fomos eu e o Prefeito depois que o estudo se concluiu a Brasília e apresentamos o Projeto a então Senadora Maria do Carmo, que adorou a ideia. Fizemos matérias em jornais de todo o país na época: Jornal do Brasil, Correio Brasilense, Jornal do Comércio, um documentário com a TV Universitária de Recife, e por fim uma reportagem com a equipe do Globo Ecologia. Fizemos até mesmo com a Savaget produções um passeio de aero-barco dentro do Rio Poxim para ilustrar a beleza do ambiente natural. Hoje quase 20 anos depois fico feliz em saber que muitas das informações que reunimos em nosso trabalho esteja sob o domínio público, ainda que de forma incipiente o Ecoturismo tem imenso potencial para aquelas comunidades tão carentes. E eu me encho de orgulho por haver "batizado" um local de tão rara beleza.

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