Lavada (minha crônica no Divirta-se do Estadão)

Ricardo Freire
por Ricardo Freire

Lavagem do Bonfim, 2011

A Lavagem do Bonfim ocorre na segunda quinta-feira do ano depois do Dia de Reis. Acontece que em 2011 o Dia de Reis, 6 de janeiro, já cairia numa quinta-feira. Uma pessoa que não morasse em Salvador e quisesse se programar para ir à Lavagem deveria consultar a jurisprudência: aquela quinta-feira já contava?

A pessoa em questão é minha amiga e, ao menos na blogo/tuitosfera, se chama @ladyrasta. Ela já ostentava duas Lavagens no currículo quando me mandou uma DM (mensagem direta, em tuitês), lá por setembro: “Vai ser dia 13. Pode marcar.”

Como toda festa que não faz parte do nosso calendário local, a Lavagem do Bonfim nos chega de surpresa no noticiário da TV – mais ou menos como a Tomatina de Buñol ou o aniversário da rainha Beatrix. Puxa vida, perdi!

Mas dessa vez, graças à @ladyrasta, eu fui. E também graças a ela vi o início do cortejo se transformar numa maratona. Ao perceber, ainda defronte à igreja da Conceição da Praia, que tínhamos perdido a saída da procissão, minha amiga saiu em corrida desabalada para buscar as baianas lá da frente.

Lavagem do Bonfim, 2011

Lavagem do Bonfim, 2011

Passei por todo o terço inicial do corso em fast-motion: um grupo de baianas com coreografia (patrocinadas pelo Sesc), uma orquestra de frevo, funcionários públicos reivindicando providências, partidos políticos em campanha para as próximas eleições.

Lavagem do Bonfim, 2011

As placas de rua, normalmente dirigidas aos carros, funcionavam agora como sinalização de trekking em três idiomas: Iglesia del Bonfim, 5,5 km.

Lavagem do Bonfim, 2011

Alcançamos os Filhos de Ghandi e, do alto da minha inexperiência bonfiniana, decidi liberar @ladyrasta para encontrar as suas baianas da primeira fila. Não que tenhamos combinado qualquer coisa. Apenas me deixei ficar por ali. A música estava boa. O ritmo do afoxé combinava com a caminhada. Era a hora do primeiro latão.

Lavagem do Bonfim, 2011

Conseguimos nos reencontrar – viva os torpedos! – no alto da escadaria. Ela já tinha comprado uma fitinha para eu amarrar na porta da igreja. Adorei: três pedidos, três nós. E quem fica com aquilo amarrado até cair é a igreja, e não o seu pulso.

Lavagem do Bonfim, 2011

Lavagem do Bonfim, 2011

Lavagem do Bonfim, 2011

Lavagem do Bonfim, 2011

Acabei de amarrar a fitinha e... zwigsh-POF! Fui premiado com caca de passarinho. Duas pessoas de branco ao meu lado gritaram ao mesmo tempo: DINHEIRO! Opa. O Senhor do Bonfim vos ouça...

Leia também:

Bonfim 2009: quem tem fé vai a pé e com os amigos, por Adriane Lima, no Área de Jogos da Adri

Lavagem do Bonfim 2010: eu fui, por Flavia Penido, no From Lady Rasta

Leia mais:

11 comentários

zuzu
zuzuPermalinkResponder

Ai Riq, que lindo, e dá prá reconhecer o Nick em uma das fotos acima!!!!!

Cristina
CristinaPermalinkResponder

Tb reconheci Zuzu! Mas me pareceu de óculos...daí não tive certeza.

PattyBraga
PattyBragaPermalinkResponder

Tchê... "zwigsh-POF" foi provavelmente a melhor onomatopéia EVAH já produzida pra designar uma caca chegando por via aérea!
Ahahahah....

Adri Lima
Adri LimaPermalinkResponder

Milagre do Bomfim foi eu ter encontrado com vcs bem na escadaria! Achei que seria impossível! smile

Amélia
AméliaPermalinkResponder

Nosso Brasil é lindo!!!!!!
Que seus (e do Nick) desejos sejam atendidos!
Lindo momento de humildade (principalmente na hora da caca)e devoção!
Obrigado pela dadiva!

Sandrissima
SandrissimaPermalinkResponder

Ôxente, Riq! Era só botar no perguntódromo e saber a data exata... Como meu aniversário é dia 15, a festa é no dia, um ou dois dias antes, por aí e não importa: meu aniversário é sempre na caminhada do Bomfim, na 2ª quinta do ano. Ponto. A percussão fica por conta das latinhas de cerveja dos vendedores, quando os amigos acham que já tem muito tempo da ultima cantata de "parabéns a você" e começam a cantar de novo. O povo em volta para e participa da canção. AMO!!!
Eu e meu amigo Helinho chegamos cedo para o início do cortejo e pq até os nossos secretarios (sou do Estado) participam e vemos toda a saída, que é linda. Tomo banho de pipoca, milho de munguzá, agua de cheiro e o que houver nessa saída. Depois vamos andando até lá, entrando aqui e ali, encontrado o povo "das antigas" que ainda acreditam nessa festa, sem pressa, vendo as figura bizarras, os bloquinhos de percussão, as turmas animadas - porque as baianas do cortejo, realmente, cometem uma correria maratonesca - não acho graça.
Já fui de caminhão, carroça, trio elétrico e à pé - que é o que há.
Esse ano fiquei arrasada em casa com uma P... gripe.

Flavia
FlaviaPermalinkResponder

Ai, tô toda emocionada aqui, chéri!!! smile) Fiquei muito feliz em ter ido com vcs!! Muito!!

Sandrissima, na verdade não é sempre na 2a 5a do ano. É na 2a 5a depois do dia de Reis mesmo...

Dri, foi uma epifania mesmo ter encontrado vc na escada!! Aliás, tb encontrei na escada uma amiga minha italiana de quem tinha me desencontrado, foi lindo!!

Henrique França - Beagle

Convenhamos que quando falam "ESCADARIA" a gente imagina uma escada com mais do que 5 degraus né ?

Adri Lima
Adri LimaPermalinkResponder

Henrique, todo o mundo que nunca foi ao Bomfim imagina que a escadaria é algo como a da Penha. Uma prima minha, quando viu, se arrependeu de não ter feito uma promessa pra subir as escadas do Bomfim de joelhos, ehehe.

Mas pagar promessa, o que vale mesmo é fazer os 8km.
E tem mais uns outros 3km pra achar um taxi depois. razz

carrico
carricoPermalinkResponder

Já tive o privilégio de acompanhar 3 lavagens do Bonfim, um evento imperdível para quem está em Salvador em janeiro, inesquecível e inimitável. Só gostaria de deixar meu depoimento sobre a última edição na qual estive, em 2009, quando fui assaltado. Como a aglomeração das pessoas na avenida que leva até o Bonfim é "carnavalesca", me distraí filmando e fui comprimido por alguns rapazes, um deles me empurrou, e sai feliz da vida da multidão tendo salvo minha handcam que estava alçada em minha mão. Qual não foi minha surpresa, metros adiante, percebi que minha carteira tinha sido agilmente levada do meu bolso (fechado com velcro, detalhe) sem que eu percebesse. A gente fica fotografando, filmando, e se distrai... Salvei a máquina mas fiquei sem carteira, não pelo dinheiro (R$30) mas pelos documentos... Por isso, toda atenção é pouca. Mas festa continua linda!

Mari Campos
Mari CamposPermalinkResponder

Adorei! Da onomatopéia irretocável ao fato (que eu também sempre curti) que quem fica com o treco atado é a Igreja e nao nosso pulso wink

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