Portuñol (minha crônica no Divirta-se do Estadão)

Ricardo Freire
por Ricardo Freire

Puerto Madero, Buenos Aires

Sempre pensei que não existiria nada mais difícil do que um argentino conseguir aprender a falar português. Os exemplos estão à nossa volta. Quem não conhece um hermano que more há anos – às vezes décadas – no Brasil mas continue se comunicando em castelhano com amigos, colegas, cara-metade, filhos?

Não dá nem pra chamar o dialeto que eles usam de portunhol, porque o portunhol pressupõe um mínimo esforço de procurar se expressar no idioma do vizinho. É a nossa tentativa de falar portunhol fluente que nos leva a inventar Cueca-Cuelas. Já eles podem passar a vida inteira por aqui sem jamais esboçar a intenção de pronunciar um “ão”.

Tenho um amigo que se dedica a dialogar em portunhol capenga com qualquer argentino radicado no Brasil que não se expresse em português (ou seja, todos). Dificilmente o argentino nota que ele está tirando sarro da sua cara.

Nas minhas últimas idas a Buenos Aires, no entanto, descobri que a incapacidade dos nossos argentinos de articular frases inteiras em português não se deve a nenhuma limitação de ordem física. Quer dizer: os nasais, as vogais abertas e o som de “z” são meio impossíveis para os hispanoparlantes (assim como é, para a gente, pronunciar aquele “l” no céu da boca que já vem de fábrica na língua deles). No mais, pasme: em Buenos Aires todos falam português.

Ou pelo menos todos que lidam com turistas brasileiros. Se você se garante no castelhano, esqueça: quase não vai ter oportunidade de praticar. Você pede o “postre”, o garçom vem com a carta de “sobremêça”. Solicita “la cuenta”, ele traz “a conta”. Só de birra, você pede “la factura”, e o cara aparece dois minutos depois com “a notchiña” (rima com “caipiriña”). Onde já se viu?

Na última semana, ouvi “boa tardji”, “frángo”, “cartáo dji crêdjito”, “reais”. E travei inúmeros diálogos de surdos: eu tentanto falar na língua do sujeito, e o outro tentando falar na minha. “Increível”, diria um argentino com CEP paulistano.

Os argentinos da Argentina que aprenderam português ainda não se deram conta de um excelente campo de trabalho à sua espera no Brasil: vir ensinar seus compatriotas que moram aqui a falar português tão bem quanto eles.

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67 comentários

Dionísio
DionísioPermalinkResponder

Tenho alguns amigos portenhos e é bacana ver como se esforçam para falar português. E é interessantíssimo ver como há moradores de Buenos Aires, principalmente na faixa 20, 30 e poucos anos, fazendo cursos de português, mesmo sem trabalhar com turismo. estive no Centro de Língua Portuguesa - Instituto camões, em Buenos Aires, que bombava com locais entrando saindo das aulas, exposições, mostras, etc.

zuzu
zuzuPermalinkResponder

Riq
Em Miami, no Sawgrass(passei uma tarde lá),as vendedoras(que nao eram latinas)falavam amiga, brigadooo, etc. Coisas de real forte!

Ana Paula
Ana PaulaPermalinkResponder

Ótimo texto do Ric... ele só esqueceu de mencionar que na calle florida eles falam "voze"! smile

Marcie
MarciePermalinkResponder

Fantástico! And sooo true... … wink

Gabi
GabiPermalinkResponder

Adorei o texto! Falo espanhol fluente desde pequena (sou filha de argentinos e cheguei a fazer faculdade por lá). Em janeiro estive em Buenos Aires e Bariloche com meu namorado. O mais comum era eu falando espanhol e eles respondendo em português! Hilário (e um pouco confuso tb! rsrsrs)!

Amanda
AmandaPermalinkResponder

Muito boa a crônica! Ainda não conheço a Argentina, está nos planos. Mas sei que no Chile o pessoal não entende portuñol! Exigem de forma sutil que o espanhol seja falado corretamente e às vezes fazem até cara feia quando não entendemos algo. Uma boa oportunidade pra treinar direitinho. =)
Abs!

André
AndréPermalinkResponder

Maravilha! Eles devem se apegar à língua, quando se mudam para o Brasil, como forma de preservar as lembranças daquela terra que eles juram ser a melhor do mundo em tudo.

André
AndréPermalinkResponder

Mas o que eu acho PIOR é estar nos EUA (notadamente em NY) e ser abordado por vendedores, super bem intencionados, falando espanhol comigo.

Eles acreditam piamente que brasileiros falam (ou deveriam falar) espanhol.

Toda vez é a mesma coisa. Vou logo avisando que NÃO falo (embora entenda quase tudo) e que se não dá pra falar português, podemos conversar em inglês mesmo.

Clara
ClaraPermalinkResponder

Em NY, hoje em dia, já se sabe que Português é Portugês. Mas há nem tanto tempo atrás, neguinho vinha perguntar que língua a gente estava falando, se era polonês ou uma língua eslava. Acredite quem quiser...

Luiz Ferreira
Luiz FerreiraPermalinkResponder

Ahahaha

Ricardo, aconteceu exatamente isso quando fui da primeira vez a Buenos Aires... Era muito difícil o diálogo com os funcionários do hotel (Facón Grande), porque eu me preparava pra escutar espanhol e eles falavam portugês!

Eu, que tinha aquele preconceito bobo com argentinos, acabei gostando do povo. Sim, eles enchem o saco quando se trata de futebol, mas de resto, são simpáticos.

Quando fui com minha esposa esquiar em San Martin de los Andes, fechei um pacote com uma agência local e tive a oportunidade de conhecer e conversar vários hermanos. Conosco, sempre foram muito cordiais.

Adolfo
AdolfoPermalinkResponder

Da mesma forma que é engraçado vê-los falando portugês (ou tentando) é eles nos vendo falando espanhol. O importante é que no final todo mundo se entende !

A propósito - o ÃO é absolutamente de ser dito por qualquer um que não tenha o português como língua nativa. É impossível (assim como o QUA, de ITAQUAQUECETUBA).

Como turista, nós brasileiros somos super bem tratados. A trabalho, a coisa muda um pouco, mas não são todos. Os argentinos são dramáticos ao extremo, especialmente se a coisa não anda como eles querem (aí até birra fazem !!!).

Clara
ClaraPermalinkResponder

Adolfo, nem eu, que sou nativa, carioca e ex-CDF consigo falar essa palavra... smile

Fernando Moreno

Riq, o que me aborrece as vezes, é quando a comunicação fica mais fácil em inglês com qualquer um dos nossos vizinhos de fronteira.

Muitas vezes eu penso se não poderia ter sido diferente, se não se podia ensinar espanhol nas escolas públicas. Nada a ver com submissão ou complexo de inferioridade, apenas promover uma maior integração pelo fato de sermos todos latinos (coisa que nós brasileiros nem gostamos de ser chamados).

Mas com relação a argentinos falando português, o mais incrível, como disse a Constance Escobar, é ver o que o Rio de Janeiro faz com as pessoas. Uma amiga nossa, casada com um argentino e que moram no Rio a mais de um ano, às vezes sinto que ele é muito mais brasileiro do que eu, mais carioca então, nem se fala. Neste último fim de semana de janeiro, que estávamos no Rio, ele não só nos siceroneou na cidade, como até nos explicou timtim por timtim (in loco), tudo que acontecia no ensaio da mangueira, como também nos deus todas as "manhas" de como não ter problema de segurança. Tudo em um bom, e as vezes até coloquial, português. Ambilívabol!

Arthur | Agora Vai

Acho que o problema foi a "guerra fria" entre Brasil e Argentina durante quase todo o século XX, por isso não se ensinava espanhol nas escolas, só inglês. Só a partir da década de 90 o espanhol entrou na grade das escolas. Também fico chateado por não conseguir me expressar em espanhol como consigo em inglês, não que eu seja uma sumidade na língua de Shakespeare, muito pelo contrário...

Cinthia Rangel

Fernando Moreno,
Aqui no RS, TODAS as escolas públicas ensinam o espanhol como lingua estrangeira obrigatória.
Ab,
Cinthia.

Juliana Amorim

O que a necessidade não faz??!!! Eles até aprendem português!!! Nos adoram agora! somos seu ganha-pão. mas não era bem assim há 10 anos , cara-palida.Lembro me bem de no inicio do ano 2000, eu tinha 20 pouquinhos anos e "ellos" muitos dolares no bolso. Era ricos e adoravam esnobar a gente de qualquer maneira. Passei maus bocados na minha longa estadia daquele verão, além de obvio ser tudo caríssimo!!
A mais inusitada, eu conto: buscavamos um livro, uma edição de bolso do primeiro livro do JLBorges. Buenos Aires tem muitos sebos. Entramos em uma loja na calle Tucuman e o educado vendedor veio nos atender. Explicamos o que queremos e o rapaz diz:" tenho o livro mas vcs nao vão poder pagar o preço! Aqui é uma loja de livros raros, um antiquario de livros" quando ele me disse isso eu quase tive um ataque mas me contive, não sou macaquita. Perguntei quanto era a tal edição cheia de pompa. A resposta foi algo 30 vezes mais que a edição de bolso, coisa que um estudante não podia pagar.
Entretanto o rapaz pegou um papel e escreveu onde eu deveria ir. Ligou para a outra livraria e avisou que 2 brasileños iam aparecer por la e bla bla bla. Fomos e o dono da outra livraria, uma normal, por supuesto, nos recebeu agradavelmente com cafezinho e coisa e tal. passamos uma tarde otima ouvindo historias de livreiros e saimos com nosso livro de 8 pesos/ dolares embaixo do braço. Na volta , passamos na livraria boutique para agradecer ao muchacho, que desceu da sua arrogancia e nos recebeu muito bem. Desde então para mim passar por lá todas as tardes era obrigação, ate porque o moço era uma graça kkkk No final de 20 dias, conheciamos toda a familia, inclusive a namorada do rapaz. o rapaz era serio, ora ora.10 anos depois, somos todos amigos até hoje. Que loucura. ELe mora nos EUA, a ex-namorada em Buenos Aires, a mãe e os irmão dele tb estão na Argentina. Depois que ele foi embora da livraria não consigo mais entrar. Passo, paro na porta, dou uma olhadinha pela vitrine, até dou tchauzinho pro dono, que ficou um pouco amigo tambem, mas não entro, tenho medo daqueles livros.

luis r.
luis r.PermalinkResponder

olha, ricardo freire, sua crônica é ótima, mas q história bôua, juliana amorim!
superbônus na caixa de comentários!

Arthur | Agora Vai

É verdade, ganhamos outra crônica de brinde.

Juliana Amorim

ai vcs são tremendos! me deixaram rouge.wink

Clara
ClaraPermalinkResponder

Acabei de ler e também adorei, Juliana. Lembra (com a devida licença poética) um pouquinho aquele filme adorável "Nunca te vi, sempre te amei".

Amaro - Recife

Eu estudei espanhol 'da espanha'. Como o LL tem som de LH e o Y tem som de I, eu não consigo dizer 'caJe' ou Avenida de 'MaJo' nem com a gota. Esse é o grande problema: muitas vezes algumas palavras não são entendidas pelos portenhos e eu tenho que reprocessar e falar novamente em argentinês.

Clara
ClaraPermalinkResponder

Ah, Riq, morri de rir, ótima crônica! smile

Eduardo Antonio Filipovich

Boa tarde. Meu nome é Eduardo Antonio Filipovich, sou Argentino e moro no Brasil há muitos anos.
Referente a sua matéria no jornal” O Estado de São Paulo” do dia de hoje queria expressar algumas considerações.
Em primeiro lugar não sou seu “Hermano”.
Em segundo lugar não sou um dos seus Argentinos, como acredito que nenhum dos meus compatriotas sinta que pertence ao senhor.
Em terceiro lugar, me parece que o senhor não deve conhecer muitos Argentinos, porque nem todos os Argentinos que moramos aqui falamos do jeito que o senhor comenta, pode acreditar que tem muitos que se expressam melhor que alguns Brasileiros. Os que não conseguem fazê-lo tão bem como outros, acredito que não o fazem por falta de vontade e sim talvez porque não seja tão simples para eles.
Claro que estão os que se esforçam menos que outros, mas acho que isso acontece em qualquer parte do mundo com cidadãos de qualquer nacionalidade.
E assim como para nós é difícil pronunciar qualquer palavra com terminação ão, as vogais abertas ou fechadas, ou a letra Z ( que nem em castelhano pronunciamos como corresponde), ou diferenciar o J do X, etc., para vocês não só complica a letra L, como confundem o H nosso que é mudo ( como no idioma português) com o H do inglês que tem som do R de vocês ( por exemplo nas transmissões do jogos do Sul-Americano Sub 20, que está sendo disputado em Perú, o jogador da Argentina, HOYOS, que deveria se pronunciar OIOS, é chamado de ROIOS), também a letra J tem o som do R de vocês então Juan passa a ser RUAN, etc.
Eu acho que a forma que o senhor se expressou, não foi a correta e sim foi preconceituosa, chamando a todos os Argentinos que moramos neste abençoado país, incapazes e sem intenção de falar o idioma português que vocês falam ( que dista muito de ser o português de Portugal, como dista muito também o nosso castelhano do que é falado em Espanha) .
Graças a Deus não todos os Brasileiros ( entre os quais estão minha esposa e meu filho) são como o senhor, ou melhor: o senhor “NÂO É ASSIM UMA BRAS...”

Eduardo Antonio Filipovich

Ricardo Freire

Lamento muito, Eduardo. Infelizmente o pré-requisito para se ler textos de humor é ter humor. Mas fique tranqüilo, não vou fazer uma crônica generalizando o falta de humor dos argentinos residentes no Brasil só por causa desse seu comentário grin

Marcie
MarciePermalinkResponder

Rolando de rir!!!

gabebritto
gabebrittoPermalinkResponder

O nome da coluna é "Divirta-se" e o cara leva a sério?

Vera Lúcia
Vera LúciaPermalinkResponder

Prezado Eduardo Filipovich,
Na verdade o Ricardo Freire é melhor que uma Brastemp, troca informações e recebe críticas com muito bom humor.
Não existe preconceito algum, nós realmente somos hermanos, pois dividimos as mesmas angústias dos países em desenvolvimento.
Estamos (nós brasileiros e vocês argentinos) aproveitando o momento econômico para nos conhecermos melhor.
Abraços e muita alegria.

Marcie
MarciePermalinkResponder

Fala pra mim: tem coisa melhor do que gente que sabe escrever, tem excelente humor e uma classe incrível? wink

Eduardo Antonio Filipovich

Estimado Ricardo Freire.
Não me interessa continuar polemizando, pois não foi com essa intenção que dei o me parecer a respeito da sua crônica, porque sinceramente não leio nem o jornal para o qual o senhor escreve. Fiquei sabendo porque um amigo brasileiro me comentou. Só acho que para ter humor não é necessário faltar com o respeito, e achar que pelo fato de sermos de tal ou qual lugar temos uma determinada forma de ser. Na Argentina existem pessoas, boas e pessoas más, pessoas bem humoradas e mal humoradas, educadas e mal educadas, etc. , como aqui ou em qualquer parte do mundo. Por isso acho que o seu comentário é preconceituoso e assim como o comentário da sua resposta dizendo que todos os Argentinos que moramos em seu pais, não temos sentido do humor. Bem humorados e mal humorados há em todos lado e de todas as nacionalidades, o que acontece é que o humor da gente vai embora com comentários como o seu.

Obrigado, bom final de semana e uma ótima vida.

Ricardo Freire

Ufa. O fato de você não ter entendido nada da minha resposta me tira um peso da consciência.

Mas fique tranqüilo, não é por causa deste nosso diálogo que eu vou escrever uma crônica de humor generalizando que todos os argentinos residentes no Brasil não conseguem entender o que eu eacrevo grin

gabebritto
gabebrittoPermalinkResponder

Huahsuahsuahasuauahsasdkasdjasld!

Eduardo Antonio Filipovich

Prezada Vera Lúcia.
Certamente sempre me considerei “HERMANO” de todos os latino-americanos, acho que somos o futuro do planeta e que a única forma de avançar é unindo nossas forças e não lutando cada um por si. Acho ótimo conhecermos cada vez mais e entender que a rivalidade deve ficar só num campo de futebol. Os Argentinos adoram o Brasil e os Brasileiros, assim como os Brasileiros que conhecem Argentina, entendem que nós gostamos muito de vocês e também voltam encantados de conhecer uma cidade como Buenos Aires, ou descobrir que Argentina não é só Buenos Aires.
Para você também um abraço, muita paz e alegria.

Mariana "de Toledo" _ @merel

Ai, gente, que coisa! Vamos dar um abraço, abrir uma cerva e deixar disso!

Mariana "de Toledo" _ @merel

PS: Ontem vi dois gringos de procedências diferentes falando Português na rua. smile Isso me fez feliz!

jpsoares
jpsoaresPermalinkResponder

Pois, eu sendo português (e fazendo parte de um povo que é alvo da maior chacota dos brasileiros...), adoro sentie q

jpsoares
jpsoaresPermalinkResponder

...adoro sentir que faço parte da comunidade latina e, ao contrário do André, quando estou em Nova Iorque gosto muito que os empregados falem comigo em espanhol quando percebem que eu sou de origem latina.
Eduardo, você devia ganhar alguma espécie de sentido de humor, esta vida são dois dias!
Nem todos os portugueses são burros, nem todos os brasileiros são corruptos, nem todos os argentinos são arrogantes, mas é bom brincar com isso!
Só por curiosidade, na primeira vez que fui ao Brasil (Serrambi, 1992), estava com um amigo na piscina, a falar normalmente - português de Portugal - , e um casal de brasileiros veio perguntar, em inglês, se éramos russos! Ficamos amigos, claro smile

Arthur | Agora Vai

Eu li uma vez que a sonoridade do português parece muito com o russo, para quem é de fora. Então essa teoria procede (a Clara tb mencionou isso acima).

Cinthia Rangel

Gente,
Estive em BsAs em dezembro. E não teve um único lugar ou loja que tenhamos ido que não apareceu alguém que entendesse ou falasse literalmente o português.
Teve até um gurizão que nos atendeu que havia morado por 04 anos em Niterói, minha cidade natal.
Inclusive, tentou estudar na escola que estudei, mas não conseguiu vaga pq não aceitavam quem não falasse português.
Ele disse que queria muito estudar naquela escola.
Muito legal. Ele disse amar o Brasil, de coração.

zuzu
zuzuPermalinkResponder

De tempos em tempos aparece uma polemica off subject aqui no site: foi assim com uma maluca criticando alguem querer se casar em Punta Cana na época de mais um desastre no Haiti, outras vezes quem se intitule justiceiro social alegando que discutimos futilidades ao compararmos hotéis e serviços ou ao relatarmos valores de diárias em hotéis, e hoje , esse educado senhor aparece indignado. É cíclico, mas é até bom, pois sao temas correlatos, viajar e pensar!
Eu interpreto que o Riq fez , graciosamente, um elogio ao povo argentino!

Clara
ClaraPermalinkResponder

Exatamente, Zuzu!

Isabel
IsabelPermalinkResponder

Nossa, que "pelêia"! Isso aqui está quase virando uma "guerra de bugios", rsrs, não me perguntem o porquê, kkk.

Sr. Eduardo, na verdade são equívocos como o seu que fazem aumentar a rivalidade entre pessoas/países e não crônicas bem humoradas... Isso porque para haver propriedade numa reclamação precisa haver também conhecimento de causa e entendimento o que o Sr. não apresentou em nenhuma das suas mensagens... Seus questionamentos foram ignorantes (ignorância = ignorar = não conhecer, favor não interpretar errado isso também).

Ricardo Freire é um ícone brasileiro nas áreas da publicidade, turismo, em suas crônicas, etc., reconhecido por sua precisão e bom humor, bom humor típico de pessoas inteligentes. Ricardo inclusive ri de si mesmo, porque não possui problemas de auto estima e manias de perseguição. Sugiro que dá próxima vez o Sr. quiser ofender-se com algo que ler, procure esudar um pouco sobre o assunto e ver se de fato existe algum fundamento, porque senão fica até feio pro Sr.

Além disso, mesmo que o Sr. utilize de todo o seu intelecto para continuar respondendo a todos e ver se consegue "sair por cima", lamento informar que agora "a vaca já foi pro brejo", o Sr. não deu "nenhuma dentro" e cada vez fica pior...
Seus equívocos já estão à la praias brasileiras pela revisata Condé Nast Traveller, o que não tem mais retorno...

Não tenho a prentensão de que o Sr. tenha entendido tudo o que escrevi e principalmente que não tenha se ofendido, porque o Sr. demonstrou até aqui que esse não é o seu forte. Porém se o Sr. continuar teimando desse jeito e "atacando" sem motivo o nosso "mestre", vou me unir com a galera e ver se todos concordam em contratarmos a babá Super Nanny pro Sr., afinal ela é expert em birra e teimosia...

Isabel
IsabelPermalinkResponder

Desculpe Sr. Eduardo... Relendo o que o Sr. escreveu vejo que o Sr. não foi tão grosseiro quanto me pareceu na primeira lida, a meu ver apenas ofendeu-se e continuou ofendendo-se sem motivo, desculpe-me se me excedi em meu comentário... É que me pareceu muito injusta a sua reclamação e seu modo de falar com o Ricardo, mas afinal todos tem o direito de se ofender e expressar-se educadamente... Reveja seus conceitos, enquanto revejo os meus, sendo que o mais importante não são as opiniões de cada um, mas manter a paz e o respeito, tudo de bom e fique com Deus!

Marco Cavalheiro - Buenos Aires Dreams

Eu sou professor de inglês, e sei o quanto é difícil o entendimento de um texto de outra língua,quando existe ironia, jogo de palavras ( "os nossos argentinos" é uma brincadeira com o slogan publicitário "os nossos japoneses" daquele comercial, não?)etc. Não é a toa que Woody Allen é tão incomprendido no Brasil, a platéia não está assistindo ao Woody, e sim a o que o tradutor pensa das piadas do Woody!!. Caro Eduardo, acompanho o trabalho do Ricardo a muito tempo, e o esforço que ele faz para quebrar velhos (e bobos) preconceitos contra a Argentina, o quanto ele defende o turismo e a integração de nossos países. E note que ele também brinca com o povo brasileiro ( cueca-cuelas). Este é uma crônica bem humorada sobre nossa relação ( somos hermanos sim senhor!!) e se você ler com calma, novamente, verá que a mensagem é muito bonita. Eu estou agora mesmo em Buenos Aires, sempre fui muito bem recebido na Argentina, adoro a cultura e tradições do seu país, e acho que está na hora da gente baixar um pouco a guarda e não levar tudo tão a sério!Precisamos deixar de lado as birras ( normais naqueles casais que estão juntos a anos e se amam, mesmo que não digam isso com frequência) e rir das nossas diferenças. Rir. Isso mesmo, ver o quanto somos parecidos, mesmo totalmente diferentes. E o quanto a nossa integração passa pela língua. E os problemas da utlização destas línguas, o tema bem humorado da crônica. Abraços, hermano!!!!! smile

Vera Lúcia
Vera LúciaPermalinkResponder

Adoro polêmicas, sempre desperta o pensamento, aguça nossas diferenças.
Complementando a Mariana (Merel): desce uma Quilmes para todos nós, já que o calor está demais nos dois países.

Fran
FranPermalinkResponder

Entendi o texto, adoro o humor do Riq, mas entendo a posição do Eduardo, apesar de não concordar com ele.
Por algum motivo, provavelmente a rivalidade no esporte e a situação geográfica, criou-se uma ideia de que or argentinos são isso ou são aquilo. Eu não sou argentina, mas fico com muita raiva quando escuto comentários de gente que sequer conhece Buenos Aires e reajo em defesa dos nossos vizinhos simplesmente por simpatia. Sempre fui muito bem tratada por lá e adoro o modo como falam e a personalidade tão diferente dos chilenos, por exemplo. Talvez o texto do Riq foi a gota d'água, sabe?
O texto está bacana, engraçado e todo mundo que passa por aqui sabe que somos fãs de carteirinha da Argentina, com direito a Vibanas e posts maravilhosos. Mas também sabemos como os argentinos são estereotipados por algumas pessoas, inclusive pela imprensa dita séria.

Fran
FranPermalinkResponder

Espero que o Eduardo e outros argentinos que porventura passem por aqui entendam e levem com humor. Aliás, Riq, o texto também serve para os chilenos, bolivianos, peruanos uruguaios e paraguaios que vivem por aqui. E falo com a autoridade de ter uma familia inteira de imigrantes latinos que nunca conseguiram falar Bambalalão e chamam minhas amigas de Bánia (Vania) e Ruliana. Além de ter sido terminantemente proibida de colocar o nome de João no meu filho por ser impronunciável!! grin

Zé Maria
Zé MariaPermalinkResponder

Acho que agora, só A Boia pra finalizar esse prato.
Ou quem sabe o perguntódromo.

Eduardo Antonio Vigo

Prezado Ricardo, bom dia; não sei se será pelo meu nome (rsrsrsrs), mas também ia escrever sobre seu preconceito, pois são argentino, moro no Brasil a 3 anos e tento escrever e falar "brasileiro" mas não consigo direitinho (nem perto), mas lendo todos os comentários entendi seu humor e fico muito agradecido, é verdade que os argentinos temos que aprender dos brasileiros esse humor que é só para ficar feliz e não para herir, nos levamos tudo ao exagero e fazemos das mostras de amizade uma tragédia grega. Mas isso eu só o aprendi morando aqui ( e olha que moro em São Paulo, imagina se morase em Rio, Minas ou Bahia !!!!! Acho que o outro Eduardo Antonio, meu compatriota, é um namorado de vocês, sem dúvida nossos hermanos, sobre todo que me contaram que nos chamam assim por ficar perto e não ser escolhidos, hahahahaha. Eu adoro as piadas sobre nossa arrogância e falsa superioridade, nosso exagero e dramatização = isso é o resultado de misturar um espanhol com um italiano, kkkk. Nos não temos piadas sobre brasileiros, é assim mesmo, mas adoro algumas sobre nos (a melhor que já ouvi: o governo argentino declara a guerra á China assim= chineses, temos 200 barcos, 150 aviões e 15.000 soldados, os declaramos a guerra. O governo chinês responde: aceitamos sua proposta de guerra, nos temos 4.000 barcos, 15.000 aviões e 14.500.000 soldados. Os argentinos respondem= mudamos de idéia, desistimos da nossa declaração de guerra, não temos tanta comida para tantos prisioneiros !!!!!). Acredite que tentamos falar português, mas não é tão fácil assim, viu ? Palavras e atitudes como as de Isabel, Fran e todos daqui fazem me emocionar, estou aprendendo muito deste querido e abençoado pais, quero dizer= de nossos hermanos e hermanas brasileiras; acho que aqui no Brasil, ao igual que na Argentina, a amizade entre argentinos e brasileiros e muito fácil de se dar. Abraços para todos e muito obrigado !!!

Juliana Amorim

Eduardo Antonio Vigo: vc já está convidadíssimo pra cerveja proposta pela Mariana Merel, viu!!! Quilmes ou Bohemia, vamos dar o abraço da amizade, galera!!!!smile

Fabi
FabiPermalinkResponder

Gente, isso é uma prova da passionalidade de nossos hermanos.... e estou falando isso num ótimo sentido, pois conheço na carne esses rasgos de paixão. Tenho ex-namorado uruguaio, ex-cunhado boliviano, bem como toda a sua familia e sei que eles nao tem o senso de humor que nós temos, é diferente e as vezes a própria linguagem atrapalha entender a piada (eu que o diga depois de inumeras briguinhas por brincadeiras bobas), sei que eles nao conseguem falar V, mas sim B, sei que nós nao diferenciamos os J, L e LL deles.. mas esse é a graça das relaçoes além fronteiras. Acho que o primeiro Eduardo nao quis ofender nao, ele apenas se expressou diretamente, o que é normal pra eles, nós brasileiros somos da política do deixa disso nao é? entao, nada de enrosco pípol.... somos irmãos e temos que aprender com nossas diferencas, curtí-las, brincar com elas... afinal, nao vamos deixar a Baca ir pro brejo nao! (ehehe). Vamos pra cerveja?

Eduardo Antonio Vigo

Vamos !!!! deveríamos tomar Skol por causa da publicidade, ne ? kkkk; não, qualquer uma será ótima, imperdivel/inacreditavel, hahaha

Alex
AlexPermalinkResponder

Creio que os tempos de real forte estão começando a subir à cabeça dos brasileiros... sou brasileiro e estou começando a ter vergonha! O fato de os argentinos estarem tentando aprendendendo português seria mais motivo para elogios, e não para uma crônica ao estilo bullying, parece até que voltamos ao colegial.
Ricardo adoro seu blog, leio sempre, continuarei lendo... me desculpe se não entendi o "humor" dessa crônica em particular.

Ricardo Freire

Ai meu saquinho de filó!

Quer que eu desenhe? Eu desenho.

Constatação número 1: argentinos que moram no Brasil há anos não se preocupam em aprender o português porque são perfeitamente entendidos. Fato generalizado para render uma crônica.

Constatação número 2: argentinos que atendem turistas em Buenos Aires aprenderam a falar português. Algo não só elogiável, como devidamente elogiado. Fato generalizado para acabar de compor a crônica.

É só isso. Não tem fla-flu, não tem anti-semitismo, não tem racismo, não contém crítica a orientação sexual, não fala mal da política econômica nem condena decisões soberanas do eleitor argentino.

Que um argentino cansado de rivalidade boba ache, porque não conhece o que eu escrevo, que eu estou fomentando essa rivalidade boba, eu até consigo entender.

Mas que um brasileiro enxergue isso... me poupe.

Sylvia
SylviaPermalinkResponder

lol
lol
A Marta , a Medeiros , estes tempos escreveu sb a dificuldade/impossibilidade de ironizar e/ou escrever com humor.
Não adianta , o politicamente-correto subiu pra cabeça e ninguem entende mais nada.Cada vez mais é preciso representar uma piada, contar duas vezes a meesma estória e ainda ouvir: não endendi.
Eu vejo assim : não endendeu ? Então tá.. deixa assim sad e junte-se aos seus semelhantes, que nunca vão entender mesmo.

Lu Malheiros
Lu MalheirosPermalinkResponder

Sylvia,
Eu também li a Marta Medeiros e concordo com ela. Para mim, não existe nada mais hipócrita e ofensivo que o excesso do "politicamente correto".

Clara
ClaraPermalinkResponder

Conte com a minha solidariedade, Riq. Morri de rir de uma ótima crônica!

Luciana Ferreira

Nas minhas muitas andanças a Buenos (íntima assim) já fui muito bem e mal tratada, dependendo do humor - meu e deles na hora. Estudei um pouco de espanhol prá me comunicar melhor pelas vizinhanças - acho feio a portunholada. Hoje, penso que falo espanhol com argentinos que pensam que falam português. Cheguei ontem de Ushuaia (Ussuaia, dizem eles), onde conheci um hermano bem humorado que queria me convencer que oX cariocaX não são brasileiros, pensando que tava falando "português do Rio de Xaneiro" o tempo todo. Divertido demais isso.
Tá mesmo começando a rolar uma fala híbrida no mundo do turismo brasil-argentina, qq que seja a onda econômica, prá lá ou prá cá.

Luciana Ferreira

Em Ushu (íntima assim), também rola solto um portunhol bacana. No htl em que fiquei, fui atendida por um cara que falava português, a gerente é brasileira e achei estranho que só eu falei desayuno! Só rolava café da manhã!
Bjos, trips!

Victor Hugo
Victor HugoPermalinkResponder

Como rendeu essa Crônica né...

Eu ri! Simples assim, pq na minha escola eu aprendi o conceito de crônica, humor e divertir-se.

Imagina viajar com uma galera dessas?!?! Prefiro vibanear com os colegas daqui.

Adri Lima
Adri LimaPermalinkResponder

Como sempre, adorei a crônica.
O bonus depois dessa confusão toda foi a piada que o Eduardo Vigo conta da guerra Argentina x China. Rsrs, vou espalhar, adorei!

Eduardo Vigo
Eduardo VigoPermalinkResponder

Prezado Ricardo, bom dia.
o que pode ferir aos argentinos que lêem sua nota, acho que é a generalização da sua Constatação 1 = "argentinos não se preocupam em aprender português" ... tal vez se fosse "conheço varios argentinos que" a coisa mudaria. Você nota perfeitamente que eu não domino sua língua e quando quero expressar o que sinto aparece pleno o espanhol, se podemos chamar assim a linguagem dos argentinos. MAS O GRANDE ASSUNTO SEGUE SENDO QUE PARA OS BRASILEIROS FAZER PIADAS SOBRE ARGENTINOS NÃO TEM MALDADE E É SÓ DIVERSÃO, E NOS, QUE SOMOS ORGULHOSOS E DRAMATICOS FICAMOS BRAVOS, mas com boa vontade podemos superar todas nossas diferenças. Em três anos aqui fui tão bem tratado e comprendido, com tanto carinho, que me ajudaram muito a seguir para frente longe da minha querida Buenos Aires onde moram meus filhos, minha mãe e meus irmãos.
Caro Ricardo, aceite minhas desculpas se estou falando demais ou se de algum jeito estou ferindo você. Grande abraço

Juliana Amorim

Olha, diante de tanto sangue derramado( leite poderia dizer que é das vacas, vacas lembram parrilla, deixa pra lá) Mas bem, diante da SITUAÇÂO, lembro me de um amigo VENEZUELANO que ao assitirmos a uma aula de Tango na LA VIRUTA (www.lavirutatango.com), em Palermo, numa fria noite de inverno, me disse; " isso não é pra mim! Tem que fazer cara de muito sofrimento! Eu sou caribenho , gosto de me divertir dançando e quero que todos vejam meu sorriso!" Muito bem, pegamos nossas coisas e saimos as gargalhadas por concluir que não tinhamos , a brasileira e o caribenho, habilidade para tentar penetrar naquele universo complicado e dramatico que era uma simples aula de tango. Que é lindo, mas deixo para eles.Acho que aqui a coisa tomou um pouco esse rumo. Se formos ler todos os blogs de argentinos que sugere algo maldoso de brasileiro e formos tomar as dores, ai vai cansar. ai que preguiça. vamos seguir no plano da cerveja... Essa DR ( discutir o relacionamento) tá rendendo mais que deveria. No More DR pipol!. Vamos pro samba??? Abrimos a cerveja?? Ui que medo do mal o humor

Clara
ClaraPermalinkResponder

smile smile

Juliana, de onde você é?

Juliana Amorim

Olha Clara, às vezes acho que sou da terra do FLICTS, mas normalmente quando vejo o Pão de Açucar no meio do meio do caminho do trabalho, na ida e na volta, graças a Deus, lembro que sou carioca da Cidade Maravilha. smile

Clara
ClaraPermalinkResponder

"Tava na cara"! smile

Também sempre valorizei cada dia de trabalho passando pelo Pão de Açucar, simplesmente não cansa.

Ramiro
RamiroPermalinkResponder

Penso (e gostaria) que o "portunhol" será a lingua do futro, pelo menos por América do Sul. Essa coisa de ARG x BRA está surrada demais... cansa. Vamos pra frente que atrás vem gente (até porque sempre tem gente atrasada, né?)Abraço. RC

Carla Maranho
Carla MaranhoPermalinkResponder

Perfeito! Nada mais verdadeiro..
Se bem que agora os bastardos (que de hermanos não têm nada mesmo rs) já não se interessam mais pelo portuguê$... o negócio lá agora é dólar..
estive viajando por toda a Argentina agora no inverno, 26 dias, e a língua lá é o dólar.. Brasileiro por enquanto perdeu a vez

A única coisa que não perderam é a mania de responder em português quando você pergunta em espanhol.. e pode fazer o melhor sotaque argentino (SSHO lo tengo), que eles percebem.. e respondem em qualquer uma das poucas palavras que sabem em português.

Foi incrível seu texto. Parabéns!

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