Jabutomada (minha crônica no Divirta-se do Estadão)

Ricardo Freire
por Ricardo Freire

Jabutomada dos infernos

Você lembra qual foi o seu primeiro contato com essa tomada nova que nos impingiram na surdina?

A infeliz entrou na minha vida em julho do ano passado. Meu laptop tinha morrido durante uma viagem e eu precisei voltar a São Paulo para comprar outro.

O primeiro choque foi quando vi que até mesmo um notebook – cujos plugues sempre vieram com terceiro pino, para os quais todo mundo já tinha instalado tomadas específicas em casa, no trabalho e nos hotéis – vinha com a esquisitice nova. O segundo choque foi quando o vendedor me disse que os adaptadores estavam em falta.

Precisei ir no dia seguinte até a Santa Ifigênia e percorrer três lojas até conseguir o adaptador certo. Nunca foi tão difícil ligar um computador.

Não é espetacular, em pleno século 21, o Brasil se meter a inventar um padrão único no mundo em tomadas? É a tomada-jabuticaba: só tem por aqui. Voltamos à década de 70, quando o Brasil criou seu próprio padrão de TV colorida e a reserva de mercado de informática. Alguém aí é do tempo em que a gente precisava mandar transcodificar o videocassete?

A reserva de mercado de plugues e tomadas é um fato: é proibido por lei vender outras tomadas no país. Vai surgir no mercado a figura do contrabandista de tomadas. Está ouvindo o foguetório? Chegou um carregamento de tomadas americanas no morro, corre lá antes que façam uma UPP.

Para não dizer que o Brasil está sozinho nessa idiotice, registre-se que a Argentina também criou uma tomada estapafúrdia própria. Leve um laptop brasileiro novo (já com a jabutomada) a Buenos Aires, e você vai precisar não de um, mas de dois adaptadores para o bicho funcionar. E viva o Mercosul!

O desenho da tomada deve ter sido feito pelo mesmo pessoal competente que trabalhou na reforma ortográfica. Tenho certeza que ali tem o dedinho do gênio que resolveu eliminar o acento de “para” do verbo parar.

E por falar em dedinho, os técnicos justificam o novo formato por ser antichoque. Mas custava terem partido do design da tomada de três pinos americana? Pelo menos seria mais fácil encontrar adaptadores quando viajássemos.

Pra que simplificar, não é mesmo? Trilhamos o nosso próprio caminho. Jabuticaba e progresso!

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47 comentários

Regis
RegisPermalinkResponder

Perfeito Riq! O que eu tenho feito é arrancar aquele pino do meio, que seria para aterramento, mas que tem quase nenhuma utilidade prática... Mas existe o risco de perder a garantia do equipamento, sem dúvida...

Lena
LenaPermalinkResponder

Ah, imagine se podemos copiar os EUA!! Temos que reinventar a roda sempre! sad

MarcosVinícius

Dentre as milhares de coisas ridículas criadas apenas em terras tupiniquins, por gênios governamentais, essa conseguiu ser a pior.

E eu que estou construindo uma casa e serei obrigado a colocar esse troço em todas as paredes. Dá desgosto.

#BemVindoAoBrasil

Gustavo Belli
Gustavo BelliPermalinkResponder

Acho que foi uma produção do seu Creysson em parceria com as Organizações Tabajara.

Équio?

Gerson
GersonPermalinkResponder

Como me lembro de transcodificar o videocassete, e nunca ficava perfeito. E custava por volta de 100 dolares. Cada dolar custava uma fortuna.
Agora,quando inventaram a maletinha dos primeiros socorros, foi o máximo. Por acaso vç teria uma no carro?
E a cadeirinha para crianças. Não posso mais dar carona para os coleguinhas dos meus netos.
Ric, tem muito mais ...

Paula Bicudo
Paula BicudoPermalinkResponder

Sabe que de todas as coisas péssimas inventadas em terras tupiniquins que você citou, a maletinha de primeiros soccoros é a mais útil? Não a maletinha em si, mas o par de luvas de borracha que se encontra dentro dela. Vai que você é o único numa estrada onde ocorre um acidente e tem que socorrer um ferido (ainda que consciente e andando, mas que esteja sangrando). Vc se protege contra o sangue dele. Eu super recomendo a todos ter um par de luvas cirúrgicas ou de procedimento no carro. Pra proteção própria.

zuzu
zuzuPermalinkResponder

Por essas e outras, que ao contrário da crença popular, o Brasil é o país do atraso.

Hugo Loureiro
Hugo LoureiroPermalinkResponder

Riq, pelo contrário o padrão adotado pelo Brasil é o recomendado pela International Electrotechnical Commission, seguindo a especificação IEC 60906-1. Este padrão é o que será adotado pela União Europeia. Atualmente quem o utiliza é o Brasil e a Africa do Sul. Este padrão foi estabelecido em 1998 e a partir de 2001, a certificação dos equipamentos neste padrão era compulsória. Foi dado um prazo de 10 anos para que o mercado e os consumidores se adequassem ao "novo" padrão, mas enfim estamos no Brasil.

Mas quanto a bizarrices, quer pior que o da Inglaterra, eles também tem um padrão só deles, um de três pinos quadados. E a lista é grande, Japão, o pino de um lado é maior que do outro, a Suiça tem um parecido com o nosso padrão mas é menor, e por ai vai.

Arthur P. Filho | Agora Vai

Essa tomada também existe no Chile. Mas que é um saco, é.

Márcio Cabral de Moura

A do Chile é igual à da Suíça. Os três pinos ficam alinhados. Para equipamentos sem o pino do fio terra, é possível usá-los normalmente no Chile e na Suíça (bem como aqui no Brasil).

Mariana "de Toledo" (@merel)

Ih, dessa eu não sabia! Brasil, país do futuro! (Mas que a tomada nova ainda é um pé no saco, isso é).

Andre L.
Andre L.PermalinkResponder

Riq, eu acho que a mudança foi positiva. Em breve esse padrão será adotado em toda a Uniao Europeia, onde há vários padrões distintos também. Talvez quem viaje não tenha tanto problemas porque hoteis usam umas tomadas diferentes que aceitam vários cabos, mas em uso doméstico é uma aporrinhação: o padrão alemão não é totalmente compatível com o italiano, para usar algo comprado na ITália na Espanah vc tem de forçar os pinos que podem arrebentar, e por aí vai.

Acho que a escolha foi, pelo menos, pensando no futuro. Isso está sendo semi-polêmico por aqui, os ingleses não querem mudar o padrão (alegam supostos benefícios do padrão deles como maior dificuldade de quem um plugue com óleo ou graxa se solte parcialmente possibilitando que uma criança o toque e seja eletrocutada), mas o padrão vai sair e o Brasil ja'o terá adotado.

Alexandre
AlexandrePermalinkResponder

Se vcs pesquisarem na internet verão que existem mais de cinquenta tipos de tomadas no mundo todo, a unica coisa que o brasil fez, foi deixar de usar o seu padrão próprio para usar o padrão sugerido pela IEC. Toda mudança requer esforço...

Ricardo Freire

Hehe, PODIAM TER FEITO UMA CAMPANHAZINHA PARA DIZER ISSO NA ÉPOCA DA MUDANÇA. É muita pouca prática.

É interessante saber que a mudança tem pelo menos ALGUMA base técnica, mas de todo modo se o Brasil tem que se alinhar com algum padrão, tinha que ser o padrão americano.

Na minha modesta opinião...

mrgreen

Fernando
FernandoPermalinkResponder

esse padrão é inutil ... bastava ter reprojetado a tal "universal" que era a mais usada no brasil para atender aos requesitos da abnt (essa porcaria não merece ser escrita em maiusculo) ... nada adianta trocar o padrão se a porcaria do cabo não entra na tomada ! não me refiro a diametro diferente 4.0mm2 e 4.8mm2 e sim aos cabos chineses com certificação do inmetro que simplesmente vem mal injetados ! bom comprei um equipamento que veio com a "maravilha tecnologica" e para ligar ele comprei um plug emborrachado abnt (carissimo) de 20A e advinha ? o plug não entra ... resumindo eu aposto que daqui uns 15 anos alguem vai resolver voltar para o padrão normal chamado de "antigo"

isso de trocar para evitar choque é mentira ... eu nunca ouvi ninguem que tomou choque em tomadas "antigas" 2P,2P+T NEMA,2P+T UNIVERSAL E NA 3P ar condicionado ! disseram que foi amplamente divulgado e bla bla bla ... mentira ! resolveram comentar no ultimo mes prazo final para as empresas ... o pior é que a maioria (repito) a maioria das empresas está fazendo as antigas para "exportação"

mas isso é brasil ...

Fernando

Ermesto, o pato

Assino embaixo de tudo o que voce falou!

As tomadas deveriam caminhar para a universalização.

Enquanto isto não acontece. Melhores compras: adaptador universal de tomaadas, por 5 dolares, no free shop do Panama.

Celina
CelinaPermalinkResponder

Assino embaixo, Riq. Para quem viaja lowcost aqui na Europa, só na base da mala de cabine, e tem equipamentos (novos) do Brasil e comprou algo por aqui em Londres (câmera e celular) o espaço que todos os adaptadores tomam, já prejudica a organização e o pouco conteúo de uma malinha! Tenho um adaptador de tomada antiga do Brasil para a Inglaterra (que é enoooorme), um de tomada nova do Brasil para a tomada antiga do Brasil, e um da tomada da Inglaterra para o resto da Europa. Dá para fazer uma instalação de arte conceitual! Mas sem tomada e conexão a gente não vive mais, né?

Oscar | Mauoscar.com

Quando eu ouvi falar dessa história de um padrão brasileiro de tomadas eu fiquei pasmo.. Como é que num mundo que caminha rumo a globalização, onde as distancias e fronteiras são cada vez mais curtas, meia dúzia de "pessoas" fazem uma coisa dessas..
Sinceramente, isso me parece coisa de país subdesenvolvido que só pq a crise econômica mundial foi uma "marolinha" acha que agora esta podendo..
Ao invés de inventar uma tomada nova pq não inventam algo que realmente melhora a vida do Brasileiro ao invés de complica-lá ainda mais... Sem comentários

Andre L.
Andre L.PermalinkResponder

Mas Oscar, nesse caso a ABNT agiu de forma corretíssima. Não havia um padrão nacional com tomada de 3 pontos e aterramento, aliás, a regra era de muitos eletrodomésticos nem possuírem aterramento no plugue, e sim de forma mequetrefe com o tal fio verde, o "fio terra".

Miriam
MiriamPermalinkResponder

Oi Ricardo...

Ridícula essa lei dessas tomadas pré-jurássicas, que não existem em lugar algum do mundo, só neste país de TUPINIQUINS mesmo...!!
E como disse o Oscar acima, em um mundo que caminha para a globalização, essa LEI É NO MÍNIMO IMBECIL"...
Mas tenha a certeza: "...ALGUÉM..." ganhou e ganha MUITO dinheiro com isso...!!
Revoltada com isso...

PêEsse
PêEssePermalinkResponder

O adaptador universal de tomadas não é tão universal assim. Atualmente não serve na África do Sul, p. ex. Nem servirá no Brasil.

E cada vez mais aumenta a quantidade de cabos, conversores, adaptadores etc. que cada um de nós tem de levar em suas bagagens de mão...

Seja como for, a depender da marca e do modelo, em alguns casos dá para usar os cabos do notebook/netbook antigo no notebook/netbook novo, o que adia a necessidade de resolução do problema. Mas o bom mesmo é comprar logo vários adaptadores.

Rodrigo Barneche

Sem falar que, quando fui comprar o meu, qquer outro adaptador custava 2 ou 3 pilas... mas esse pra tomada nova custava 8! Que dureza...

Lissa
LissaPermalinkResponder

Tem o lado "positivo": tirei umas férias forçadas do meu celular brazuca nos States, porque esqueci de levar um adaptador para recarregar a bateria...

Acabo de terminar a construção da minha casa, que ficou linda, mas cheia de adaptadores nas paredes: é pra ligar o notebook, o moedor de café, o microondas, o blue ray, todos os eletrodomésticos/eletrônicos que trago de viagem. E quando alguém resolve tirar o adaptador de alguma tomada, meu humor já se modifica. Quero usar meu secador de cabelo... "cadê o adaptador?". Quero usar minha panela de arroz elétrica japonesa... "cadê o adaptador??". Quero recarregar a bateria da minha câmera... "cadê o adaptador??!!". Lembram do "Pedro, cadê meu chip"? Tô quase chegando lá - culpa da jabutomada.

Miguel Angelo Gomes Silva

Com licença, posso pensar diferente?

Esse é o tipo de detalhe que podem invenenar nossa viagem, nós aborrecemos demasiadamente e perdemos tempo com uma besteirinha que só um professional traveler como Rick se previne antes de viajar.

Em vários lugares no mundo existe um padrão único, inclusive em países mais desolvolvidos cultural e economicamente, como Inglaterra e Japão e Suiça como bem citados anteriormente.

Algumas mudanças mercadologicas são como as mudanças da natureza, muitas vezes agente não aceita, quase sempre nos causam prejuízos de tempo e dinheiro(assim como Rick teve de fazer), mas temos de nos adaptar, é assim com jabutomada, trata-se tão somente de uma mudança que força as pessoas a consumir um novo produto em detrimento do lucro de poucos, mascarada por um falso interesse em garantir uma maior segurança.

Talvez seja um pouco de conformismo da minha parte, mas não acredito que atribuir essa "invenção" a um adjetivo tão marginalizado como tupiniquim (infelizmente) seja o melhor caminho para um Brasil mais eficiente.

andre urso
andre ursoPermalinkResponder

Acho divertida a critica de Ricardo, mas discordo da maneira quase histérica com que alguns estão se referindo ao fato. Palavras como tupiniquins e subdesenvolvido, só demonstram nosso eterno complexo de vira-lata vindo à tona mais uma vez. Acho engraçado que os eua, a inglaterra e a suiça tenham seus próprios padrões(incompatíveis entre eles, diga-se) e todo mundo quando chega lá adapta-se tranquilamente ao invés de protestar raivosamente como estão fazendo aqui. Também sou contra essa mudança de padrão, mas, se é verdade que ele traz mais segurança, sacrifico o meu gosto pessoal pelo benefício para muitos, principalmente para as crianças que costumam ser as maiores vitimas do sistema antigo.

Ila Fox
Ila FoxPermalinkResponder

Só sei de uma coisa: tem alguém ganhando MUITO dinheiro por trás dessas alterações.

Isso me cheira máfia das tomadas.

Hugo Loureiro
Hugo LoureiroPermalinkResponder

O problema é a falta de informação da população e ganancia ($$$) de alguns setores.

Como disse esta padrão foi definido em 1998 e homologado em 2001. Ou seja, casas, aptos, salas e demais tipos de construções ou reformas realizadas neste período deveriam ter sido executadas neste novo padrão. Acho que 10 anos é muito tempo. Mas como a população não foi informada pelo governo e orgãos do setor elétrico e as construtoras e cias de eletrônicos não se moveram como bons brasileiros deixaram para o último momento está ocorrendo este bafafa todo.

Eneida
EneidaPermalinkResponder

Hahaha! Adirei o complexo de tupiniquim! E a jabutomada!nunca entendi isso de cada canto inventar sua tomada! Muita esperteza ou burrice? E levei um choque com nosso modelo! Não dava pra copiar nenhuma existente? A americana? Vao querer nos convencer que esse modelo é o mais seguro do mundo? E a coisa só piora. Viajando um adaptador universal nao é mais suficiente. Tem camera, celular e note no minimo, e cada um com os seus! E quando vou esquecendo nos hotéis? Com a nova itomada a coisa fica pior! Podía mos lançar uma campanha mundial pela tomada universal. Uma espécie de esperantomada. O FB nao derruba governos? Que derrube tb esses atrasos de vida!

Andre L.
Andre L.PermalinkResponder

Eneida, o modelo brasileiro é inspirado em normas da UE. Adotamos o novo padro europeu antes mesmo deles.

Lia
LiaPermalinkResponder

Mas vai ser que nem a reforma ortografica , que por enquanto só o Brasil usa

Leandro
LeandroPermalinkResponder

Num mundo globalizado, diversos países deveriam contribuir com a mais alta tecnologia para a criação de uma tomada global, que fosse a mais efeiciente/segura possível, não entendo porque existem tantos "padrões", mas que tem um bom mo$$$tivo, ah tem.

Mirian
MirianPermalinkResponder

Bastava fazer igual a Européia...so para facilitar a vida inventam uma coisa assim, eu tambem aqui fico imaginando a personalidade, o "ser" inteligente que inventou algo assim, e mais uma cambada foi atrás aprovando tudo, e mais, esse mesmo ser ganhou dinheiro para criar tal jabuticaba. Jesus abençoa!!!

Willian
WillianPermalinkResponder

Comprei um nobreak, veio com o padrão novo, achei melhor trocar a tomada da parede de uma vez.

Daí comprei junto dois adaptadores para encaixar a tomada do gabinete e monitor ao nobreak. Surpresa? Nem o adptadores, que possuem o selo do inmetro, seguiram a norma oficial no quesito fase-neutro-terra... Resultado? O neutro está trocado com a fase, fazendo com que alguns aparelhos - supostamente mal projetados, uma vez que deveriam usar o terra e não o neutro - dêem choques aos desavisados.

Gabriel Dias
Gabriel DiasPermalinkResponder

Eu quebro o pino do meio e pronto, tudo resolvido!

Ernesto, o pato

Fala-se tanto em segurança, mas alguem ja ouviu falar de alguem sendo elorocuatado em casa pelas tomadas antigas?

O mais perigososo é o chuveiro eletrico, que continua sendo largamente utilizado.

Marcelo
MarceloPermalinkResponder

O grande Aparício Torelli, o inesquecível Barão de Itararé, dizia que o Brasil é um país com os pés firmemente plantados no chão, e as mãos também...

Maria Luiza
Maria LuizaPermalinkResponder

Me vi nas situações descritas por você! É claro que o Brasil tinha que inventar uma tomada que não fosse compatível com nenhuma outra na mundo....Fico pensando se alguém não levou muita grana para aprovar uma coisa dessas. Nem o adaptador universal vendido em free shop recebe o nosso ilustre plug! É mesmo a nossa jabuticaba, só que sem gosto.

Elisa
ElisaPermalinkResponder

Acabei de me mudar para um apto que tem tomadas novas (jabuticabas) e meus eletrodomésticos são do modelo 3 pinos chatos, incluindo os aparelhos de ar condicionado.
É o caos na minha vida, mas a alegria dos eletricistas e casas de materia eletrico.

MateusW
MateusWPermalinkResponder

Vocês não sabem a confusão que foi para as construtoras. A gente estava entregando um prédio bem na época da mudança. Todos os felizes proprietários de seus novos apês reclamando e a gente tentando explicar para eles que era norma que não podia mais ser fabricados os plugues antigos e não existiam mais em estoque aqueles em loja nenhuma, que teriam que comprar adaptadores... Imagina a birra de todo o condomínio conosco.

juliana amorim

Olha eu acho que língua e comida já diferencia os povos... agora tomadas?? ai que chatice ... me dá uma preguiça!!!!! Antes precisavamos de adptador pra viajar pra fora do Brasil, agora ir pra Buzios já é um desatre. Esse fim de semana esquecemos os adptadores... nem conto a odisseia pra tentar carregar o celular. o computador ( e seus 3 pinos) foi impossivel!

Leo
LeoPermalinkResponder

Tem outro detalhe também. o novo padrão tem uma subdivisão, com duas variações: uma pra produtos que utilizam corrente de até 10A e outra pra produtos que utilizam corrente de mais de 10A. descobri isso da pior maneira possível, quando comprei um microondas novo ano passado e tive que trocar a tomada. comprei a nova, obviamente mais cara, cheguei em casa, coloquei na parede e pra minha total surpresa os pinos do forno eram MUITO MAIS GROSSOS que os buracos. voltei na ferragem e aí o balconista me deu essa barbada. a tomada pra maior amperagem custa quase 3X mais que a outra. FIKDIK!

Leandro Ferrari

Falta muita informação para o pessoal:

Como foi escolhido o padrão brasileiro?

Três critérios fundamentais foram adotados pela ABNT para a escolha desse padrão: segurança, adaptabilidade e custo.
Segurança – o modelo escolhido atende a preocupação com a segurança dos usuários e das instalações.
Adaptabilidade - foi pesquisado o modelo em que os padrões se adaptavam melhor às instalações já existentes. Assim, em 80% dos casos não haverá dificuldade de conexão.
Custo – foi pesquisado o melhor custo benefício para os usuários e empresas impactadas.
Para esse estudo, a ABNT criou um comitê técnico, com representação das partes interessadas, que estudou por mais de cinco anos a questão. O Inmetro, então, ampliou a discussão, envolvendo fóruns e realizando painéis setoriais para discutir o tema.
A questão foi levada ao Fórum de Defesa do Consumidor da Câmara dos Deputados, que, após escutar instituições representativas das partes interessadas, como o Inmetro, a Associação Brasileira da Indústria Elétrica e Eletrônica – Abinee, a Associação Nacional de Fabricantes de Produtos Eletroeletrônicos – Eletros, o Sindicato do Comércio Varejista de Material Elétrico e Aparelhos Eletrodomésticos no Estado de São Paulo – Sincoeletrico, o Instituto Brasileiro de Defesa do Consumidor – Idec e a Associação Brasileira de Defesa do Consumidor – Proteste, decidiu apoiar a padronização dos plugues e tomadas.
Novamente o Inmetro ampliou a discussão, levando-a para o Conselho Nacional de Metrologia, Normalização e Qualidade Industrial – Conmetro - formado por Ministros do Governo Federal e dirigentes de diversos órgãos nacionais - que escutou novamente as partes interessadas e deliberou a regulamentação do padrão brasileiro dos plugues e tomadas de forma compulsória.

(...)

Mas você deve estar se perguntando, por que não foi adotado um padrão universal?

Porque não existe um padrão universal. Várias tentativas em todo o mundo, inclusive da entidade internacional de normalização do setor, a Comissão Eletrotécnica Internacional - IEC, não foram adiante. Nem mesmo a Comunidade Européia - que já estabeleceu outros padrões únicos, entre eles a moeda, conseguiu padronizar os plugues e tomadas. Por esse motivo, muitos países em todo o mundo estabeleceram seus próprios padrões –são 110 padrões em todo o mundo - como o Estados Unidos, Inglaterra, França, Argentina, Espanha, Colômbia, Chile e Portugal.
Quando as partes interessadas reuniram-se com a ABNT para definir o padrão a ser implantado no Brasil, aconteceram algumas tentativas para que fossem escolhidos padrões de outros países. Mas o padrão brasileiro tinha que atender as três premissas básicas: segurança, adaptabilidade e baixo custo.

E porque não adotar o padrão de um parceiro comercial como o EUA ou a Alemanha?

Você vai entender o porquê. O padrão americano possui baixo custo mas foi feito para trabalhar na tensão de 110 V. Como no Brasil temos diferentes sistemas de distribuição, com tensões de 110 V, 127 V e 220 V, sendo esta última a predominante no país, esse padrão seria inseguro para nós. Já o padrão Alemão, considerado o mais seguro do mundo, possui elevado custo e baixa compatibilidade com os plugues e tomadas utilizados no Brasil. Ou seja, qualquer adaptação tentada com um dos 110 padrões existentes no mundo, iria impactar fortemente uma das três premissas básicas.

Mais: http://www.inmetro.gov.br/ouvidoria/faqs.asp#plugues

Criticar é bem-vindo, mas com base fundamentada, o que não está sendo feito nesse caso, ao contrário de todo o trabalho que o Inmetro desenvolve.
Criticar sem saber pode levar ao risco de, no mínimo, cometer gafes.
Em tempo: não trabalho no Inmetro, mas conheço o trabalho realizado pelo Instituto.

Ademar
AdemarPermalinkResponder

isso tudo é muito bonito e razoável, Leandro, mas carece de bom-senso.
Ou o Inmetro acha que todo mundo é rico e pode se mudar para uma casa nova com as jabutomadas, ou então assumir o custo e o transtorno de construir um sistema de aterramento e mudar todas as tomadas da casa para o novo padrão? sem contar que em muitos casos isso é impossível, como em prédios já construídos. Resultado? o cara vai ter que trocar as tomadas da casa, mas deixar o terceiro pino sem função, ou então vai dar um jeito de adaptar o terceiro pino.
Aí, toda a maravilhosa filosofia de segurança vai por água abaixo.

Penso que deveria ao menos existir um período de adaptação para a utilização da jabutomada.

Marco
MarcoPermalinkResponder

Eu não sei se vocês têm filhos mas essa tomada foi projetada para evitar este tipo de coisa: http://www.portaltimonfm.com.br/noticias/crianca-morre-eletrocutada-em-teresina/

Eu não sei se vocês têm filhos mas essa tomada foi projetada para evitar este tipo de coisa: http://www.portaltimonfm.com.br/noticias/crianca-morre-eletrocutada-em-teresina/

Não sei se o incômodo de uma tomada é menor do que uma funeral para você. Prefiro a jabuticaba.

Ademar
AdemarPermalinkResponder

Um belo dia, um desocupado do Inmetro teve um "outsight" (insight é inspiração pra uma idéia inteligente) e disse: o Brasil vai ter sua própria tomada! a Jabutomada (mistura de jabuticaba com tomada).
Não dá vontade de dar um tiro na testa dum idiota desses?

Maria Emilia
Maria EmiliaPermalinkResponder

Todo o maravilhoso discurso de segurança do Inmetro sucumbe diante do primeiro adaptador!

Maria Emilia
Maria EmiliaPermalinkResponder

Todo o maravilhoso discurso de segurança do Inmetro sucumbe diante do primeiro adaptador! Sem contar que, por causa deles, os móveis ficam muito afastados das paredes...

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