Chegando em Caracas -- rumo à praia da Bóia!

Ricardo Freire
por Ricardo Freire

Vale el esfuerzo

O vôo saiu de Punta Cana com uma hora de atraso, o que significava que eu desembarcaria na escala em Caracas num horário ainda menos conveniente que as 10 da noite originalmente previstas. De fato, eram onze da noite quando eu e minha nova Samsonite adentramos o saguão do aeroporto. E, conforme eu imaginava, a falta de mais vôos chegando no mesmo horário resultaria em muito leão pra pouca zebrinha.

Os leões, no caso, são os cambistas que povoam o saguão do aeroporto. As zebrinhas somos nós, passageiros que chegamos sem um bolívar fuerte furado no bolso.



Numa situação normal eu me dirigiria ao primeiro caixa eletrônico que avistasse e sacaria em moeda local o equivalente a duzentos ou trezentos dólares, direto da minha conta corrente. Fazer isso na Venezuela, porém, equivale a jogar fora metade do dinheiro, já que a cotação oficial é apenas 50% da cotação da vida real. O agravante é que a cotação da vida real é ilegal, então tudo é feito de maneira mais ou menos disfarçada.

O disfarce começa pelo crachá. Todos os cambistas de plantão no aeroporto têm um. O que veio me abordar tão logo eu atravessei a muretinha tinha um com alguma coisa de "táxi" escrita.

Se eu tivesse vindo numa hora de mais movimento, talvez tivesse tido saco e energia para pelo menos me localizar no aeroporto antes de sair fazendo negócio. Mas àquela hora da noite, visado e cansado, relaxei. Contrariando a mais básica regra de negociação, dei trela para o sujeito que veio me abordar primeiro.

Tinham me falado para não ter o dinheiro já separadinho no bolso (eu tinha: uma nota de 100 dólares) e não topar nada abaixo de 8 bolívares por dólar (a cotação oficial é 4 e pouco). Perguntei quanto. O cambista respondeu: 7. Eu disse não. Ele subiu para 7,50 e começou a chorar pitanga. OK, topei.

Bolivar fuerte

Veja: eu dou a vida pra não passar por isso. Até acharia folclórico e vagamente divertido se esse perrengue fosse necessário num lugar muito distante e exótico. Mas aqui do lado, convenhamos. É uma chatice que ninguém merece.

Dinheiro na mão -- todas notas de 50 (bem bonitas, por sinal) --, tentei me desvencilhar do leão para ir ao guichê de táxis para pegar um táxi para o meu hotel, que fica a dez minutos do aeroporto. Claro que o leão me ofereceu o táxi "dele". E eu -- cansado, visado, etc. -- relaxei e topei.

Quando vi, estávamos indo para a área de embarque -- exatamente o mesmo script que tinha acontecido comigo em 2003, na minha primeira vez. Só que naquela época eu abandonei o cara no meio do caminho e dei meia volta. Desta vez resolvi ver no que ia dar.

Ia dar num táxi pirata estacionado na calçada do embarque. 120 pesos até o hotel (eu tinha lido no TripAdvisor que o táxi era 100, mas aqui tem inflação, então vou deixar barato).

Foram dez intermináveis minutos até o hotel, passando por várias bocas-brabas (não que fossem claro; é que de noite todas as bocas são brabas). Mas cheguei são e salvo. É muito provável que todo esse esquema seja absolutamente natural e a gente é que não esteja acostumado grin

De todo modo, o hotel parece mais neurótico do que eu. O caderninho da chave traz um decálogo de medidas de segurança sugeridas pela American Hotel & Lodging Association. Um aviso no cofre recomenda que se guarde ali o laptop quando fora de uso. E a chave do quarto, além de não ter o número do quarto, não tem sequer O NOME DO HOTEL!

Chave sem nome!

Só vou ao centro de Caracas na volta, quando dormirei por lá (não exatamente no Centro, claro). Mas espero poder trazer notícias menos paranóicas.

Agora vou descer correndo pro lobby onde vou encontrar o Renato Carone, da Turnet. A operadora dele é especialista em resorts e tem tradição também no Caribe (o cara manda em Aruba). E agora está montando uma operação que eu achei muitíssimo bem-bolada: pacotes fechadinhos para Los Roques via Bogotá. Sem pernoite em Caracas. Sem perrengue com cambista. Sem depender de pousada para reservar o teco-teco doméstico.

Nosso vôo sai às 9h (10h30 daí). Espero que a internet por lá me deixe mandar notícias. Té já!

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23 comentários

val
valPermalinkResponder

ai...quero ver a samonite nova! wink

já usei a Turnet pra Aruba...Los Roques já na wishlist!

Amélia
AméliaPermalinkResponder

Veja se a praia da bóia continua a mesma .....

zuzu
zuzuPermalinkResponder

To curiosa prá saber sua pousada! Que emoçao voltar no tempo! Tantas histórias relacionadas àquela bóia específica!! Eu me lembro (sempre) do "Caraca"! Li em algum lugar...vc trabalhava numa agencia, tinha pontos da Varig, seu colega comentou...e estamos aqui!

zuzu
zuzuPermalinkResponder

Detalhe: fui prá lá, depois do teu relato, e voltaria, com certeza. Agora, me lembro que a neura em Caracas é forte. Um casal(ela venezuelana, ele americano do Alaska) colocou todos os móveis encostados na porta do quarto, bloqueando-a. E nem pude dizer que era coisa de "turista", ela era local.E a impressao do meu marido, da sacada do hotel foi de um "Paraguai à beira-mar"rsrsrs.Adorei a definiçao dele, e pior que concordei!

Vicky
VickyPermalinkResponder

Humm, esse pacote fechado direto para Los Roques muito me interessa!!

Priscila [Inquietos]

Ui, tenho pavor de Caracas.
Justo eu que sou meio poliana e acho que todo lugar tem seu lado bom, mas Caracas me dá urticária.

Rafael R.
Rafael R.PermalinkResponder

Essa história de taxi clandestino agora é moda em Belo Horizonte... Vc desembarca em Confins e vem um monte de gente te abordando discretamente e oferecendo taxi mais barato que o tabelado.

Paula Bicudo
Paula BicudoPermalinkResponder

Acho que em toda cidade é meio que assim. Desembarcando no JFK, até você conseguir chegar na fila de táxis amarelinhos, já foi abordada mil vezes.

Sylvia
SylviaPermalinkResponder

Passamos por uma situação (quase) igualzinha a essa em Siem Reap, mas era de dia e isso ajudou bastante.
De qualquer forma o mantra antigo ...'estamos com um grupo'.. sempre funcionou direitinho , e os caras desgrudam rapidinho lol

Marcie
MarciePermalinkResponder

Dê um alô pros membros da minha família, pufavô! E, claro, fotchinhos novas serão mais do que bem-vindas. wink

douglas
douglasPermalinkResponder

Ricardo, essa sua Caracas se chama Maitequia?
A porta horrorosa do Caribe.

Rossana
RossanaPermalinkResponder

Também já usei a Turnet para Aruba. Ótimos serviços, por sinal..

Abraços e lembranças à Bóia!

Anna Francisca

Chegar à noite em um lugar estranho já é difícil. Chegar à noite, em Caracas, então, deve ser difícil, horrível, medonho, amedrontador. Melhores ares virão.

Ernesto, o pato

Estou curioso para saber como anda Caracas. Pelo queme contaram, está pior a cada dia. Tenha cuidado, e olhe que eu não sou neurótico, achei Buenos Aires 100%, com exceção do centro, onde se deve estar alerta, nada mais....

Se voce gostar da Venezuela, um lugar lindo e pouco conhecido é Merida, eu gostaria de voltar um dia....

Carla
CarlaPermalinkResponder

Estou bem curiosa para saber de Los Roques... Tenho passagem marcada para outubro, e estou achando bem confusos esses trâmites de fazer tudo via pousada - às vezes respondem, às vezes não, ainda não conseguimos definir nada direito...

Leandro
LeandroPermalinkResponder

É uma pena o que estão fazendo com a Venezuela... mas o país vai sobreviver.

Paula Bicudo
Paula BicudoPermalinkResponder

A primeira vez que tinha lido sobre esse câmbio negro em Caracas aqui no VnV tinha me assustado, mas achei que as coisas tinham mudado pra melhor atualmente. Vejo que não. Não sei se tenho estômago pra encarar isso, mesmo que a recompensa seja Los Roques.

Fabio H.
Fabio H.PermalinkResponder

Riq, como sempre, seus relatos tem ótimas dicas!
É uma pena que Caracas esteja assim. Detesto estes "leões" insistentes que abordam as pessoas nos aeroportos.

Cristina
CristinaPermalinkResponder

Nossa, agora entendo pq em 2005 me deram bolivares. Caracas, taí um lugar que acho que só volto a trabalho ou para ir a Praia da Bóia wink

Pat Véras
Pat VérasPermalinkResponder

Esse pacote da Turnet muito me interessou tb. Daria pra fazer um pacote especial pros seguidores da bóia?! smile Se possível pulando os cambistas...

Renato Carone
Renato CaronePermalinkResponder

Ola Pat Veras,
Recebemos seu email e estamos providenciando imediata resposta. Obrigado !

Karina
KarinaPermalinkResponder

Fechamos pacote completo do Brasil. Chegamos em Caracas ontem e quem iria buscar a gente no aeroporto não apareceu... Foram momentos horríveis... primeiro veio um cambista destes com crachá de taxi se oferecendo para ligar para a agência local. Apesar de tudo q nos foi dito, aceitamos... e ele ligou e disse que alguém estava vindo nos buscar. Ficamos com medo e logo fomos ao balcão de atendimento do aeroporto... As mulheres que ali trabalhavam foram super simpáticas e ligaram para a agência tb. Resumindo: disseram que um JOsé Barros iria buscar-nos e apareceu outra pessoa. Mais pânico. Liguei para nosso agente de turismo no Brasil. Depois da moça do balcão de atendimento conseguir falar com a pessoa da agência local e dizer q algo havia acontecido com o José Barros e q poderia confiar no cara q foi nos buscar, conseguimos enfim sair do aeroporto e ir para o hotel!

Osória
OsóriaPermalinkResponder

Oi,
Karina pode nos dizer com que agente de turismo no Brasil vocês

Fecharam o pacote completo ?

Karina
25 de junho de 2011 às 23:09

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