Brioche (minha crônica no Divirta-se do Estadão)

Ricardo Freire
por Ricardo Freire

Ilustração: Daniel Kondo

Ilustração | Daniel Kondo

E pensar que tudo começou há apenas cinco anos. Lembra? Entre abril e maio de 2012, dois eventos em que chefs famosos atenderiam em barraquinhas de rua acabaram em confusão.

Primeiro foi o Mercado, organizado num pátio no alto de Higienópolis, que engarrafou a avenida Angélica madrugada adentro e deixou dois mil de barriga vazia do lado de cá do portão.

Parecia que os notívagos esfomeados teriam melhor sorte no Chefs na Rua, realizado no Minhocão, durante uma Virada Cultural. Mas aconteceu que a distribuição da galinhada de Alex Atala frustrou tanto os 500 que conseguiram comer (estava fria!) quanto a multidão que tinha ficado sem ficha.

Inicialmente culpou-se o excesso de divulgação: eventos assim teriam que ser cochichados ou, no máximo, compartilhados em grupos secretos do Facebook. Sobrou também para a organização da Virada (incapaz sequer de levar gás aos fogões do Atala) e, sempre ela, para a emergência incontrolável dos novos consumidores.

Acalmados os ânimos, porém, viu-se que o buraco era mais em cima. A causa de tamanho alvoroço por comida boa e barata estava no empobrecimento das classes gourmets.

De fato, naqueles idos de 2012, a renda de um paulistano de classe média alta só permitia que ele freqüentasse restaurantes em Nova York. São Paulo andava proibitiva. Só o valet já custava quase uma corrida de táxi a Cumbica. Um restaurante nem precisava ter pratos gastronômicos para ter preços astronômicos.

Foi então que começaram a aparecer as primeiras carrocinhas de restaurantes estrelados nas esquinas da cidade.


Hoje em dia, nas noites do fim de semana, os dez pontos do Dogão do Atala faturam mais que o D.O.M., o melhor restaurante do mundo segundo uma revista inglesa. São Paulo tem mais quiosques de moules & frites do que a Bélgica inteira, graças a Benny Novak. E a fila do Suflê de Goiabada na Madruga, a towner de sobremesas de Carla Pernambuco, faz a fila dobrar a quadra da estação Angélica do metrô.

Esta semana inaugura o primeiro trailer do Jun Sakamoto. Mas traga o seu shoyu de casa, porque um chef pode estar na rua, mas não abre mão de seus princípios!

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33 comentários

Merél
MerélPermalinkResponder

hahaha que delícia! grin
Sou pró-carrocinha! Que sirva de inspiração!

Alessandro Salvador

Hahaha. Muito bem colocado. Ótimo

Luciana Betenson

Amei!! Quisera fosse verdade grin

Marcie
MarciePermalinkResponder

Adoro uma carrocinha de comida, na rua! lol

val
valPermalinkResponder

Amo os food trucks de NY!

Daniel Martins

Foi brilhante!

yara xavier
yara xavierPermalinkResponder

Além de democrático, seria um tiro definitivo no famigerado kilão. Adorei a ideia.

Sylvia
SylviaPermalinkResponder

Hahaha... pois pois e assim vamos sempre dando um jeitinho de sobreviver e de lambuja vem a diversão cheia de surpresas.

Qualquer hora vamos ver bolsas com necessaire de temperos : mini azeite de oliva ( de verdade), aquela pimentinha especial, sal marinho etc , pois tá complicado encontrar isso nas carrocinhas
wink

Carmem
CarmemPermalinkResponder

Que venha 2017, então...

Paula Bicudo
Paula BicudoPermalinkResponder

Eu seria a maior freguesa das moules & frites do Benny Novak, juro.

Eunice
EunicePermalinkResponder

Como Salvador tem o costume de lançar moda esse serviço já existe aqui há muitos anos... No passado, a Kombi parava na Alameda da Barra e era o melhor pós-balada da cidade. Atualmente, para em Amaralina, em frente ao quiosque das baianas, depois de meia-noite, servindo altíssima gastronomia: galinha a molho pardo, feijoada, sarapatel, maniçoba, mocotó etc....Recomendo! eek)

Meilin
MeilinPermalinkResponder

Poizé, aqui no Rio, em Botafogo, na esquina da Voluntários da Pátria com Dona Mariana todo dia tem um caldinho sensacional, por R$ 5,00.
Hummm...se bem que caldinho e quentinho são palavras que não combinam com o clichê carioca, né?

Eunice
EunicePermalinkResponder

Que horas o serviço começa, Meilin? Já anotei na agenda.

Lucio
LucioPermalinkResponder

De segunda a sábado, a postos na hora do almoço e da janta...

Eunice
EunicePermalinkResponder

Obrigada, Lucio.

Majô
MajôPermalinkResponder

Pois é, Meilin, eu li no Rio Show algumas semanas atrás, matéria sobre comidas de rua. Este caldo foi citado, parece que começou para render uns trocados a um casal e hoje em dia são muitos panelões servidos, tal o sucesso.
Tem também a carrocinha de cachorro quente no Humaitá que é sucesso há muitos anos.

Rodrigo
RodrigoPermalinkResponder

Passo todos os dias nessa esquina e nunca comi esse caldo! Vou experimentar na semana que vem!

zuzu
zuzuPermalinkResponder

Hahaha...hilário. Esses preços ridículos de Sao Paulo por qualquer porcaria ninguém merece!

Lili-CE
Lili-CEPermalinkResponder

Ontem eu choquei duas amigas contando o que outra havia me relatado: havia pago por um wrap e um suco 70 reais na praça de alimentação do Shopping Higienópolis.

Majô
MajôPermalinkResponder

Eu também choquei !! Um absurdo !!

Cristina
CristinaPermalinkResponder

Tô pasma Lili!

Alex Melo
Alex MeloPermalinkResponder

ahhahaha BRILHANTE!
Sem dúvida, a galinhada foi o tema do ano... e os preços em Sampa são absurdamente ridículos... paguei menos para comer na Disney do que em São Paulo, em lugares inferiores. Coisa de doido isso aqui...

val
valPermalinkResponder

hahaha Adorei a parte do shoyu !

Guta Vambora!
Guta Vambora!PermalinkResponder

No dia do "O Mercado" depois de ver a fila de quarteirões, acabei indo comer no Habbis!!!! haha! São Paulo tem uma falta absurda de comida boa, barata e com esse toque a mais/diferenciado, o que NY tem de monte. Acho que os paulistanos cansaram do pastel e dogão...tem que ter mais coisas...
Quem gosta da comida e gastronomia, tem que aproveitar e ver nisso uma baita oportunidade de negócio! SP está anda esfomeada de novas idéias! grin

Clara
ClaraPermalinkResponder

Eu nem sei o que exatamente é uma galinhada! Nome feio, muito do mal escolhido. Com esse nome, eu não comeria nem a do Alex Atalla sem fila e de graça.

Eunice
EunicePermalinkResponder

Clara. A do Atalla, não sei como é. No oeste da Bahia, galinhada é um prato feito com galinha caipira, pequi e arroz e um pouco de açafrão do cerrado - tudo junto, na mesma panela. Aqui, no recôncavo, não temos esse prato, mas em compensação temos a galinha ao molho pardo e o pirão de parida.

Clara
ClaraPermalinkResponder

Puxa, Eunice, obrigada pelo esclarecimento. Sou fã de feijoada(com aquela pimentinha de leve), moqueca(baiana ou capixaba), cozido brasileiro...mas galinhada não tinha mesmo ouvido falar. Agora já sei o que é. smile

RosaBsb
RosaBsbPermalinkResponder

Os goianos fazem galinhadas maravilhosas! A do Alex Atalla eu comeria rezando! A verdade é que os preços no Brasil precisam mesmo cair, está difícil frequentar bons restaurantes, aqui em BSB são os olhos da cara. Conta a minha sobrinha que caro mesmo é o cachorro quente de rua na Dinamarca 18 euros e a água mineral (pequena) 8 euros. Ela deu a meia-volta e deixou aquela região para depois.

Fernanda Leitão

Verdade RosaBSb, anda difícil comer bem e barato em Brasilia, me espanto sempre.

Maryanne
MaryannePermalinkResponder

Nossa, qtas novidades pra experimentar em julho. Já anotei tudo.

Mario Silvio
Mario SilvioPermalinkResponder

Gostei da crônica, mas infelizmente o que ela imagina NUNCA será realidade. Os motivos são muitos, sendo os dois principais a burocracia e a preguiça.

A burocracia brasileira faria tantas exigências que seria impossível
criar uma dessas carrocinhas
A preguiça dos nosso chefs pode ser constatada facilmente: basta comparar quantos dias os restaurantes de primeiríssimo nível abrem para almoço e jantar em NY, Paris e Londres com SP.

Thyago Portela

Sensacional!

Samuel
SamuelPermalinkResponder

Em São José dos Campos também tem caldos na madrugada! O Trailer Corujão na Praça São Dimas é o melhor em minha opinião. Caldo verde, canjiquinha, mandioquinha, canja, dobradinha, feijão, mandioca entre outros. Tudo acompanhado de pão crocante, cebolinha e queijo ralado. Vc come lá ou leva para casa. Hummmmm.

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