Madrugar para seguir viagem: pense duas vezes

Ricardo Freire
por Ricardo Freire

Alarme

No afã de rentabilizar ao máximo os dias de viagem, temos a tendência de marcar os deslocamentos para o mais cedo possível.

O raciocínio tem lógica: acordando cedinho e pegando o primeiro vôo ou o primeiro trem, tentamos não desperdiçar o dia no deslocamento, aproveitando o próximo destino quase que como se tivéssemos acordado por lá.

Na vida real, porém, não é bem isso que acontece. (Falo de cadeira porque já cometi esse erro muitas vezes. Aliás, já cometi todos os erros muitas vezes.)

Ao programar a continuação da viagem para um horário muito cedo, já prejudicamos a noite anterior: ficamos com a obrigação de voltar cedo para o hotel e de pegar no sono logo. A tensão de acordar cedo para não perder um vôo ou um trem pode levar a uma noite mal dormida.

No começo da viagem, quando você ainda não se acostumou com o fuso horário, a tortura de acordar cedo pode ser ainda maior do que a de acordar para trabalhar no pior dos empregos. (E a idéia dessa viagem era tirar férias, lembra?)

5h30 no Santos Dumont!

Daí aparecem os problemas logísticos de seguir viagem tão cedo. Um vôo às 7h30 significa estar no aeroporto às 5h30 -- o que implica em conseguir transporte para as 4h ou 4h30.

Café da manhã? De pé no aeroporto ou na estação (tomara que os lugares já tenham aberto).

Ao desembarcar no próximo destino, você não é mais aquele zumbi que acordou às 4h30 com 5 horas de fuso de diferença. Mas não pode usar a adrenalina da chegada para sair passeando: tem que levar as malas ao hotel. Que, claro, só vai ter disponibilidade de quarto às 14h ou 15h.

É quando você descobre que a roupa que escolheu para viajar não é a mais indicada para a temperatura ou o programa imediato nessa nova cidade. E você daria qualquer coisa por um lugar onde pudesse abrir a mala e trocar de roupa.

Quando finalmente você estiver na rua, vai acabar sentindo o pique terminar antes da hora. Tomara que você não tenha marcado nenhum passeio cedíssimo no dia seguinte, para dar condições do seu corpo se recuperar.

Quarto do Loews Portofino

Vai por mim: restrinja ao máximo essa "rentabilização" do dia que implica em acordar em horário desumano nas suas férias. Dormir direito faz parte da viagem e deixa você em condições muito melhores de vivenciar o que a viagem lhe oferecer.

(Abusar do seu organismo pode abrir a porta para gripes e intoxicações alimentares, prejudicando muito a sua viagem.)

O melhor que temos a fazer é não considerar o dia do deslocamento como um dia "útil". Siga viagem num horário civilizado; tente coordenar a chegada com o momento em que já dá com certeza para ocupar o quarto do próximo hotel. Use o fim desse dia como reconhecimento de terreno -- um aquecimento para o jogo de verdade, que só começa no dia seguinte.

E aí sim, acorde cedo para aproveitar bem o dia. Mas aquele "cedo" de turista. Que tal, 7h30?

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52 comentários

Luiz
LuizPermalinkResponder

Já faço isso, haha. Dica muito boa, realmente evita cansaços desnecessários.
E, complementando, vale a pena ajustar as saídas e chegadas dos hotéis para não perder o café da manhã e chegar no outro hotel na hora certa do checkin ou pouco antes, otimização total.

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